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Alta de preços do açúcar já supera 8% em abril em NY

http://www.valor.com.br/agro/4019446/alta-de-precos-do-acucar-ja-supera-8-em-abril-em-ny

Os preços do açúcar ampliaram ontem sua curva de recuperação na bolsa de Nova York em abril. Impulsionados por uma nova rodada de queda do dólar, os contratos com vencimento em julho (que ocupam a segunda posição de entrega, normalmente a de maior liquidez) fecharam com forte elevação de 3,49%, a 13,03 centavos de dólar por libra-peso.

Com mais essa alta, a commodity passou a acumular ganhos de 8,04% no acumulado do mês, de acordo com cálculos do Valor Data.

O enfraquecimento da moeda americana desestimula a venda de açúcar pelos produtores do Brasil (maior fornecedor global), na medida em que diminui a rentabilidade das exportações.

Com menos oferta no mercado, os preços tendem a subir.

Esse movimento cambial favorece também outras commodities: o algodão, por exemplo, subiu 4% ontem em Nova York, a maior valorização diária desde agosto de 2012 Em março, os fundamentos baixistas e a disparada do dólar fizeram o açúcar despencar em Nova York: as cotações caíram 12,4% naquele mês.

O mau humor "contaminou" os fundos, que elevaram apostas na baixa da commodity. Segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), os gestores de recursos ("managed money") encerraram a semana até 24 de março com saldo líquido vendido, que indica a crença na queda da commodity, de 116.984 contratos (entre futuros e opções), o pico pessimista do ano.

Mas, ainda que a moagem da safra 2015/16 de cana tenha começado antecipadamente no Centro-Sul Brasil (o que ajuda a inflar a oferta mais imediata da commodity), iniciou-se também um movimento de correção nos preços do açúcar.

Os fundos reagiram a essa mudança de direção e reduziram as apostas baixistas: na semana terminada em 14 de abril, a posição líquida vendida totalizou 82.968 contratos, 29% aquém do pico do fim de março.

O arrefecimento da moeda americana impõe ritmo menos acelerado às negociações e abre brechas para repiques de preços.

Entretanto, nem isso nem a maior confiança dos investidores parece suficiente para garantir uma alta mais sustentada, uma vez que o cenário ainda é baixista do lado dos fundamentos.

O reflexo dessa pressão aparece na queda de 12,7% que a commodity ainda registra no acumulado de 2015.

O clima está favorável aos canaviais de Brasil e Índia (segundo maior produtor global), o que engrossa as expectativas de oferta global abundante.

Nesta safra internacional 2014/15, a expectativa da Organização Internacional do Açúcar (ISO) é de superávit de 600 mil toneladas. Para a nova temporada, que começará em outubro, as perspectivas são de pequeno déficit ou estabilidade, mas os estoques estão bastante elevados.

No Brasil, a moagem de cana do ciclo 2015/16 já começou. Até 1º de abril (data oficial do início do ciclo no país), o Centro-Sul do país já havia processado 5,42 milhões de toneladas de cana, 44,2% mais que no mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Além da produção que volta a irrigar o mercado, a desvalorização do petróleo desde meados do ano passado diminui a competitividade do etanol e pesa sobre os preços do açúcar, que tende a ser mais ofertado. Mas o recente aumento da mistura de etanol no Brasil, de 25% para 27%, pode ajudar a equilibrar o mercado. (Valor Econômico 24/04/2015)

 

Rumo prevê crescimento de 243% no transporte de açúcar até 2025

http://www.brasilagro.com.br/conteudo/rumo-preve-crescimento-de243-no-transporte-de-acucar-ate2025.html#.VToh_SFViko

A Rumo Logística revelou nesta quinta-feira (23/4) que tem como meta transportar 20 milhões de toneladas de açúcar para exportação pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) até 2025, 243% mais que as 6,4 milhões de toneladas de 2014. O guidance integra o plano de investimentos da empresa, divulgado há pouco pelo seu diretor presidente, Julio Fontana Neto, em teleconferência. "Estamos engajados na melhoria de acesso a esses portos", comentou, salientando que todas as projeções dependerão da negociação de renovação da concessão com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Além disso, a Rumo, cuja fusão com a ALL foi aprovada em março, planeja elevar seu market share nesses portos, por onde é escoada a maior parte do açúcar produzido no país. Em Santos, a previsão é que de que a participação passe de 19% em 2014 (3 milhões de toneladas) para 58% em 2025 (15 milhões de toneladas). Quanto à Paranaguá, a expectativa é de que o transporte salte de 67% no ano passado (3,4 milhões de toneladas) para 82% em 10 anos (5 milhões de toneladas).

Quanto aos grãos, o plano de investimentos da Rumo Logística prevê que o transporte pelos terminais de Santos, Paranaguá, São Francisco do Sul (SC) e Rio Grande (RS) vá de 22 milhões para 39 milhões de toneladas até 2025. Só em Santos, a companhia espera que o market share passe de 42% para 58%. (Agência Estado 23/04/2015)

 

Rumo ALL planeja investir R$ 7,4 bi até 2019

http://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Imprimir=1&ano_ant=2015&Opcao=Materia&veiculo=50&ID=2001828&txt=%20Cosan

Empresa vai apostar em iniciativas para reduzir custos, aumentar a eficiência e ampliar a capacidade e os volumes transportados.

Dois meses após a aprovação da fusão pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômico (Cade), a Rumo ALL, resultado da operação combinada da Rumo Logística e da América Latina Logística (ALL), apresentou ontem mais detalhes sobre a estratégia e a estrutura da companhia para os próximos cinco anos. Além de projeções para o período, a empresa anunciou um plano de investimentos dividido em duas fases e que pode chegar ao montante de R$7,4 bilhões até o fim de 2019. "Nossa prioridade no curto prazo será o aumento da eficiência e a redução dos custos da operação. No longo prazo, o foco será o aumento da capacidade e dos volumes transportados", afirmou Julio Fontana, diretor presidente da companhia, em teleconferência com analistas.Com um prazo de dezoito meses para a aplicação dos recursos,a primeira etapa do plano, já em execução, envolve um aporte de R$ 2,8 bilhões. O financiamento de 50% desse montante já está captado. Segundo a empresa, a ideia é buscar a cifra restante junto a fontes como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e as agências de crédito a exportação.

Entre outras estratégias, essa fase dos investimentos prevê a substituição e reforma de locomotivas. Nessa frente, 13 locomotivas AC 44, da General Electric (GE) já foram adquiridas e entregues em março. Hoje, 29% da frota de cerca de mil locomotivas da companhia têm mais de30 anos, enquanto 41% têm entre 10 e 30 anos. A mesma estratégia será reservada aos 25 mil vagões da empresa, dos quais, 67% têm mais de 30 anos em operação. Com essas medidas, a expectativa é reduzir os gastos de manutenção e o obter ganhos de eficiência nos volumes transportados por cada trem. A recuperação de vias permanentes – malha ferroviária e pátios, também está no escopo. Um dos projetos em fase de finalização é a duplicação do trecho Campinas-Santos.

"Vamos investir também na melhoria de acesso e na redução nos gargalos de chegada e descarga nos portos de Santos e Paranaguá", disse Fontana. Com previsão de aplicação de R$ 4,6 bilhões a partir do início de2017 e busca de financiamento nas mesmas fontes utilizadas na primeira etapa de aportes, a segunda fase do plano de está condicionada à negociação com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para a extensão das concessões de ferrovias da malha da companhia.

Além da aquisição de locomotivas e vagões, essa fase prevê projetos para melhorar o acesso aos portos de Santos, São Francisco do Sul e Paranaguá. O plano contempla ainda iniciativas para aumentar a capacidade, como a duplicação de 42 quilômetros no trecho Itirapina-Campinas e a construção de 37 novos pátios nas operações Norte e Sul, além da ampliação de 45 pátios nas operações Norte e do terminal de Rondonópolis (MT). Segundo Fontana, o plano foi desenhado com base em diversos estudos de mercado, que prevêem o crescimento da safra de grãos e de açúcar. A partir desses projetos, a Rumo ALL estima ampliar sua participação no transporte de grãos para exportação de 33,5%, em 2014, para 46%, em 2025, comum salto de 22 milhões de toneladas para 39 milhões de toneladas nesse intervalo. Já em açúcar, o plano é sair de um transporte de 6,4 milhões de toneladas, no ano passado, para 20 milhões de toneladas no mesmo período. "Nós enxergamos uma grande oportunidade no mercado de açúcar, que só será capturada como aumento de capacidade.

Hoje, nosso atendimento é muito aquém do que gostaríamos de ter", diz José Cezário Sobrinho, diretor de finanças e de relações com investidores da empresa. Segundo o executivo, a previsão é de que no início de 2017, logo após a conclusão da primeira fase do plano, a empresa passe a ter uma situação mais confortável, com geração positiva de caixa. Como fruto das ações nesse período, a projeção é reportar um crescimento de R$ 500 milhões no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), com a estimativa de fechar2016 comum Ebtida entre R$ 2,1 bilhões e R$ 2,2 bilhões. Já com a segunda fase do plano de investimentos, a empresa projeta reportar um crescimento de R$ 1,1 bilhão do Ebitda, com previsão de encerrar 2019 com faixa de R$ 3,3 bilhões a R$ 3,5bilhões nesse indicador. Com a nova estrutura resultante da fusão, a Rumo ALL passou a ter grupo formado pela Cosan Logística, TPG, Gávea Investimentos e BNDESPAR, que detém 42,2% das ações da companhia. Os 57,8% restantes estão divididos entre outros acionistas e o percentual destinado à negociação em bolsa. As ações da Rumo encerraram o pregão de ontem com uma queda de 9,69%, cotadas a R$1,49. Na semana, a queda acumulada pelos papéis da empresa foi de 11,31%, enquanto no ano, a desvalorização é de 14,67%. No mês, no entanto, as ações da empresa acumulam uma valorização de 8,76%. (Brasil Econômico 24/04/2015)

 

SP prorroga redução de tributos de máquinas e implementos agroindustriais

http://www.brasilagro.com.br/conteudo/sp-prorroga-reducao-de-tributos-de-maquinas-e-implementos-agroindustriais.html#.VToikyFViko

O governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, prorrogou até o final de 2015 a medida que permite aos fabricantes de máquinas e implementos agroindustriais a apropriação de créditos de ICMS para reduzir a carga tributária de 12% para 5%.

De acordo com o governador, a medida é importante para as indústrias de máquinas, que promovem o desenvolvimento por meio de abertura de estradas, construção de linhas de Metrô e outras obras importantes para o Estado e o Brasil. "Trata-se de um estímulo e um benefício fiscal em prol do emprego e da geração de renda", explicou.

A medida se aplica às saídas internas e interestaduais de pás carregadeiras de rodas, escavadeiras hidráulicas, retroescavadeiras e motoniveladoras destinadas a usuário final.

O decreto atende a pleito da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e se estende, mediante regime especial, aos distribuidores exclusivos dos fabricantes instalados em São Paulo. Por meio do decreto, a redução da carga tributária que havia vencido em 31 de março passa a vigorar até 31 de dezembro de 2015.

A apropriação de crédito de ICMS e consequente redução da carga tributária para a produção de máquinas e implementos agroindustriais preserva a competitividade do setor de bens de capital de São Paulo, face a benefícios similares concedidos por outros Estados do Sul e Sudeste. Além disso, contribui para a manutenção dos níveis de produção e de cerca de 70 mil empregos na indústria paulista. (Brasil Agro 23/04/2015)

 

Biodiesel poderá consumir metade da soja do país em 2022

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2015/04/1620473-biodiesel-podera-consumir-metade-da-soja-do-pais-em-2022.shtml

A indústria nacional de biodiesel poderá consumir 50 milhões de toneladas de soja a partir de 2022.

Se confirmada essa estimativa, o setor utilizará metade da soja a ser produzida no país naquele ano, tomando como base estimativas de produção de 100 milhões de toneladas para o período.

A estimativa de consumo de soja para biodiesel é de Julio Cesar Minelli, diretor-superintendente da Aprobio (Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil), e considera um aumento contínuo do percentual da mistura de biodiesel ao diesel. Atualmente em 7%, a mistura teria de subir para 15% em 2022.

É claro que essa meta só será atingida com investimentos, e estes só ocorrerão com um marco regulatório que coloque horizontes para o setor.

"As decisões sobre o setor estão nas mãos do governo, e planejamento e transparência são fundamentais para esse crescimento", diz Minelli.

Na avaliação da Aprobio, serão necessárias 68 novas usinas de biodiesel até 2025, com capacidade de 150 milhões de litros cada. O investimento atingirá R$ 4,1 bilhões em usinas de biodiesel e R$ 6,1 bilhões em unidades de processamento da oleaginosa.

CRISE

A produção nacional de biodiesel estava prevista em 4,3 bilhões de litros neste ano, mas, devido à desaceleração da economia, Minelli diz que o setor reduziu essa estimativa para 4 bilhões.

O setor tem 59 empresas com autorização de comercialização pela ANP (Agência Nacional do Petróleo e Biocombustíveis), mas continua com um alto índice de capacidade ociosa, devendo fechar 2015 com 43%.

Se a perspectiva de produção interna é de elevação no longo prazo, o mercado externo é pouco atrativo, apesar de o setor ser composto por tradings como ADM, Cargill e Bunge.

A falta de estímulo deve-se às tarifas de exportação do governo -que privilegiam a venda externa de grãos e oneram a de biodiesel.

AGRICULTURA FAMILIAR

Lançado como parte de um programa de governo para a agricultura familiar, 87,3 mil produtores participaram desse projeto em 2013 e receberam R$ 2,85 bilhões pela venda da matéria-prima para a produção de biodiesel.

Neste ano, esse valor pode ir a R$ 4 bilhões, o que representa mais que o dobro do R$ 1,63 bilhão disponibilizado na safra 2014/15 para novos assentados da reforma agrária, segundo a Aprobio.

A demanda pela matéria-prima é assegurada pelo selo combustível social, exigido para pelo menos 80% das vendas de biodiesel nos leilões da ANP.

Para a obtenção do selo, as usinas precisam comprar um percentual mínimo de matéria-prima de agricultores familiares. Essa fatia varia de acordo com o Estado. No Rio Grande do Sul, líder em produção no país, a exigência é de 40%. Nos Estados do Centro-Oeste, é de 15%.

Além da soja, os agricultores familiares vendem canola, algodão e girassol para a produção de biodiesel. Pelo menos 75% do biodiesel vem da soja. (Folha de São Paulo 24/04/2015)

 

Cargill eleva investimentos no Brasil

http://www.valor.com.br/agro/4019444/cargill-eleva-investimentos-no-brasil

Embalada por aumentos de receita e lucro no Brasil em 2014, a americana Cargill, maior empresa de agronegócios do mundo, acelera o passo para concluir, em 2015, um plano de investimentos de R$ 1,2 bilhão que tende a fortalecer a subsidiária local como uma de suas principais fontes de resultados entre os quase 70 países nos quais mantém operações diretas.

Deflagrado no início de 2014, o plano, bienal, contabilizou aportes de R$ 640 milhões até dezembro. Restam, portanto, R$ 560 milhões, que estão sendo aplicados em diferentes frentes de negócios e também marcarão as comemorações dos 50 anos de atividades da companhia no país. Fundada em 1865 em Conover, Iowa, por William Wallace Cargill, a múlti aportou no Brasil em 1965. Sem ações negociadas em bolsa e controlada por um grupo de cerca de 100 membros das famílias Cargill e MacMillian, descendentes do patriarca W.W., a Cargill não dá sinais de que pretenda mexer em nenhum dos pilares básicos que em 150 anos a sedimentaram como a líder global de um setor cada vez mais concorrido, sobretudo a partir do recente avanço de tradings asiáticas cada vez mais voltadas a produtos agrícolas.

Nesse sentido, ganham força os investimentos da empresa para otimizar o escoamento dos produtos originados no Brasil com destino ao mercado externo, como a ampliação do terminal portuário de Santarém e a implantação de uma estação de transbordo em Miritituba.

Os projetos desenvolvidos no Pará estão recebendo aportes de R$ 240 milhões e R$ 200 milhões, respectivamente. Com capacidade para escoar 2 milhões de toneladas de grãos por ano, o terminal de Santarém está sendo ampliado para 5 milhões. Os trabalhos tiveram início em maio de 2014 e deverão estar concluídos no terceiro trimestre deste ano.

Parte do aumento do volume previsto chegará ao terminal por via fluvial graças à estação de Miritituba, que recebeu licença de instalação em novembro e deverá ficar pronta em 2016. "A concorrência está acirrada e a busca por eficiência tem que ser constante e diferenciada. São grandes empresas na disputa, e produtores e consumidores ganham com isso", afirma Luiz Pretti, presidente da Cargill no Brasil.

O executivo está na empresa desde 2005, quando se tornou o primeiro diretor financeiro brasileiro da subsidiária, e hoje também é membro do comitê mundial de risco da companhia, cuja sede há tempos é em Minneapolis, no Estado americano de Minnesota.

Em meio a uma corrida movida por aportes em logística e também definida por "boas brigas" na originação dos diferentes produtos agrícolas movimentados pela empresa ­ especialmente grãos e pela necessidade de elevar margens com a venda de produtos de maior valor agregado, Pretti não esconde sua satisfação com os resultados obtidos pela operação brasileira em 2014.

Conforme balanço recém concluído, a receita líquida da Cargill no país alcançou R$ 26,2 bilhões no ano passado, 5,6% mais que em 2013, enquanto o lucro líquido cresceu expressivos 26% na comparação, para R$ 481 milhões. Parte desses resultados ajudaram a múlti a encerrar os nove primeiros meses de seu atual exercício, em 28 de fevereiro, com vendas globais consolidadas de US$ 92 bilhões e lucro líquido total de US$ 1,6 bilhão, 13% maior que em igual intervalo do exercício anterior.

Os patamares mais elevados das cotações internacionais dos grãos no primeiro semestre do ano passado colaboraram para a elevação da receita da múlti no Brasil em 2014, enquanto a posterior queda dos preços beneficiou as margens de processamento de produtos como soja e milho.

"Mas os números também mostram que nossos investimentos estão dando frutos", afirma Pretti. Além dos aportes em logística no Pará, o presidente da subsidiária brasileira realça que estão sendo aplicados R$ 240 milhões na ampliação da unidade de processamento de soja de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, e lembra que foram concluídas as expansões das plantas de Mairinque, em São Paulo, e de Itumbiara, em Goiás, que fortaleceram a oferta de óleos vegetais especiais da empresa. Esses óleos são vendidos no país com as marcas Liza, Purilev e Mazola.

Na lista de Pretti também constam os cerca de R$ 450 milhões empregados na primeira biorrefinaria de processamento de milho da Cargill no país, inaugurada em 2014, e a ampliação, por R$ 15 milhões, da capacidade da linha de ácido cítrico da fábrica de Uberlândia, em Minas Gerais.

O ácido cítrico é fornecido para clientes dos setores de alimentos, bebidas e limpeza, entre outros. Outras duas iniciativas importantes da companhia ganharam forma no ano passado: a primeira foi a criação da trading de açúcar Alvean, joint venture dividida em partes iguais com a Copersucar; a outra foi o estabelecimento da SJC Bionergia, em parceria com a USJ, que está desenvolvendo um projeto de R$ 160 milhões para a produção de etanol a partir do milho em Quirinópolis, em Goiás. Na SJC, Cargill e USJ têm participações de 15% cada e os 70% restantes estão nas mãos da Finep.

Entre os diversos projetos que fazem parte do plano bienal de investimentos da Cargill no Brasil, o que tem exigido menos aportes é considerado um dos mais estratégicos. Segundo Solange Ferreira, controller da multinacional na América Latina, com o Centro de Serviços Compartilhados situado em Uberlândia, Minas Gerais, a companhia está concentrando quatro grandes funções no Brasil: financeira, compras, informática e recursos humanos. "O objetivo é melhorar nossos processos e ganhar eficiência", diz Solange, que está há 29 anos na Cargill e foi a primeira mulher a trabalhar na área financeira da companhia no Brasil.

Já trabalham no centro mineiro cerca de 100 funcionários, número que deverá crescer para 250 até o fim de 2015. E essa otimização ganha peso em tempos de queda dos preços das principais commodities movimentadas pela empresa e das muitas incertezas que cercam a economia brasileira.

Os efeitos dessa conjuntura mais adversa já começaram a aparecer. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), as exportações da Cargill a partir do Brasil renderam US$ 791,3 milhões no primeiro trimestre deste ano, 20,5% menos que em igual intervalo de 2014.

Parte dessa queda será compensada com o aumento dos volumes de grãos embarcados, já que, de janeiro a março, a disponibilidade de soja era mais baixa por causa de um atraso na colheita e a greve dos caminhoneiros em fevereiro também prejudicou o fluxo de escoamento.

Mas, por outro lado, nada indica que os preços vão subir de forma expressiva ao longo dos próximos meses. Pretti também reconhece que o consumo de produtos mais sofisticados no varejo doméstico já não é mais o mesmo, uma tendência que não era observada em 2014.

Mas, segundo ele, o cenário não é tão grave a ponto de reduzir a importância do Brasil no tabuleiro global da multinacional americana. (Valor Econômico 24/04/2015)

 

CHS amplia parceria para ser "grande" em etanol de milho

http://www.valor.com.br/agro/4019438/chs-amplia-parceria-para-ser-grande-em-etanol-de-milho

Terceira maior comercializadora independente de etanol dos Estados Unidos, a cooperativa americana CHS quer se estabelecer como um importante "player" no mercado do biocombustível no Brasil.

Com pouco espaço para adentrar no já consolidado segmento de comercialização de etanol de cana, a americana vê oportunidades no "trade" de etanol de milho, ainda em fase de crescimento no país.

A entrada nesse mercado se dará por meio da parceria com a gaúcha USI Biorefinarias, com a qual a americana já havia selado um acordo de comercialização do produto.

Fechado há mais de um ano, o contrato estabelecia que a CHS não poderia comprar etanol de usinas de fora da parceria com a USI quando a capacidade diária da unidade fosse igual ou menor a 30 mil litros.

Naquele momento, o projeto em vista era a produção de etanol a partir de arroz cultivado por pequenos rizicultores gaúchos.

Mas de olho na oferta abundante de milho no Centro-Oeste, combinada com a necessidade local de agregar valor ao grão, as duas empresas estenderam a exclusividade a usinas parceiras com capacidade para até 100 mil litros/dia, independentemente da matéria-prima.

O presidente da USI Biorefinarias, Francisco Malmann, diz que o plano é instalar até 2020 usinas no Centro-Oeste e no Rio Grande do Sul que somam capacidade de produção de 750 milhões de litros por ano. Se vingarem, essas unidades vão demandar investimentos de cerca de R$ 1 bilhão.

Somente no Centro-Oeste, devem ser 15 usinas com capacidade anual de 525 milhões de litros.

"No caso de Mato Grosso, essa produção até 2020 demandaria em torno de 4% da produção local de milho", compara. Os volumes até 2020 são modestos frente à produção brasileira de etanol em 2014, de 28 bilhões de litros, sendo 100 milhões de milho. No entanto, é bem superior ao volume que a CHS deve movimentar em 2015 no Brasil (120 milhões).

Nos EUA, a cooperativa tem participação de 7% na comercialização de etanol. Neste momento, a USI tem quatro contratos de intenção de investimento assinados com produtores do grão no Centro-Oeste.

Conforme Malmann, em até 60 dias, uma proposta vinculante, com o detalhamento do investimento, será encaminhada aos potenciais parceiros a fim de que o martelo seja, de fato, batido.

Dois contratos foram assinados com produtores da região de Nova Mutum, norte do Mato Grosso, cada um para uma usina com capacidade diária de 100 mil litros.

Um terceiro é para uma unidade de 50 mil litros. Em Mato Grosso do Sul, foi assinado um contrato na região de Dourados para uma unidade com capacidade diária para 50 mil litros.

A empresa tem ainda dois acordos fechados com investidores para implantar usinas de etanol de arroz no Rio Grande do Sul.

O conceito de parceira envolve todas as usinas de etanol de amido que adotem a tecnologia da USI. A gaúcha capta investidores, e também, se for o caso, entra com capital próprio, para implantar essas unidades, cuja operação fica a cargo da própria USI.

Entre os modelos de negócio possíveis está o de financiamento da lavoura mediante o compromisso de entrega futura de produto agrícola, tais como arroz, milho ou sorgo.

Além de ter a exclusividade na compra do etanol dessas unidades industriais, a cooperativa americana, dona de um faturamento de US$ 42 bilhões, ainda tem a oportunidade de participar das operações de "barter", uma das suas maiores especialidades.

"Nosso principal interesse é originar o etanol.

A venda de insumo nessa operação é apenas uma possibilidade de ganho adicional", explica o diretor de Biocombustíveis da CHS, Clayton Melo.

A entrada em milho, diz o executivo da CHS, é uma alternativa diante das restrições impostas a novo entrantes na comercialização de etanol de cana no Brasil.

"A indústria canavieira acabou se organizando em pequeno blocos e cada usina tem sua estrutura comercial", explica Melo. O perfil do "usineiro" de milho é diferente daquele do tradicional empresário da cana. "Ele precisa agregar valor ao seu milho. Não entende do mercado de combustíveis", diz. (Valor Econômico +

 

Projeto de lei que flexibiliza venda de terras brasileiras a estrangeiros volta a tramitar

http://www.canalrural.com.br/noticias/rural-noticias/projeto-lei-que-flexibiliza-venda-terras-brasileiras-estrangeiros-volta-tramitar-56100

Sociedade Rural Brasileira entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal na última semana para tentar derrubar a decisão de 2010, que voltou a impedir vendas internacionais.

O projeto de lei que regulamenta a venda de terras brasileiras para estrangeiros voltou a tramitar no Congresso e pode flexibilizar a decisão da Advocacia Geral da União (AGU) que limitava esse modelo de negócio.

A venda de terras rurais brasileiras para estrangeiros ficou restrita por 23 anos, desde 1971, quando foi decretada a Lei 5709. Mas, em 1994, um parecer da AGU liberou empresas internacionais a comprarem imóveis no Brasil, com menos burocracia.

A flexibilização durou até 2010, quando uma nova decisão da AGU revogou o parecer anterior e retomou o entendimento da lei inicial, em que empresas nacionais de capital estrangeiro se equiparavam a companhias do exterior no momento de adquirir terras.

Entre as limitações estão o impedimento de ter mais de 25% de um município ocupado por estrangeiros e que a área comprada por pessoas jurídicas deste tipo não ultrapasse 100 Módulos de Exploração Indefinida (MEI). Esse valor é equivalente a, no máximo, sete mil hectares. Toda entidade estrangeira que quiser adquirir áreas acima de três Meis precisa de autorização do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

O tema é polêmico, já que há opiniões de que essa venda deveria ser simplificada para aumentar a competitividade do Brasil. É o que defende, por exemplo, a Sociedade Rural Brasileira (SRB). Já o Incra se posiciona a favor do cumprimento da lei.

Nós não podemos ter entendimento diferente daquilo que a própria AGU compreende com relação à equiparação entre pessoas jurídicas de capital estrangeiro, que isso é um entendimento jurídico no governo, determinado pela própria AGU.

Agora, se é um entendimento do setor de que há muita restrição para a compra de terra no país, necessariamente eles têm que procurar alterar a lei, porque o Incra e o governo cumprem aquilo que está determinado na lei 5709, diz o diretor nacional de Ordenamento da Estrutura Fundiária do Incra, Richard Torsiano.

A SRB entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) na última semana para tentar derrubar a decisão de 2010. Por meio de nota, a AGU defendeu que o parecer daquela época é constitucional e que não vai se pronunciar sobre o assunto no momento. Um projeto de lei, que altera essas regras, estava parado na Câmara dos Deputados, mas foi desarquivado este ano.

O texto do deputado federal Beto Faro (PT/PA), que tem, em anexo, um relatório do deputado federal Marcos Montes (PSD/MG), flexibiliza a venda das terras. Só que cada um dos parlamentares tem uma visão diferente da situação.

Eu acho que, se o brasileiro pode comprar a terra, o estrangeiro radicado no Brasil, com empresa seguindo as leis brasileiras, é como se fosse um brasileiro. Uma empresa brasileira, claro que ela tem que seguir todas as normativas, das possibilidades civis, das possibilidades criminais para essa aquisição. Eu não vejo absolutamente problema algum.

É como um grupo estrangeiro que vem ao Brasil fazer uma indústria automobilística, por exemplo, eu acho que é o mesmo tipo de investimento, afirma Marcos Montes.

Na verdade, o nosso projeto estabelece um controle.

Tem um período para que essas informações cheguem ao cadastro nacional do Incra, tem um período para que os cartórios informem e coloquem à disposição da sociedade onde e por quem está sendo comprado.

A diferença entre o meu e do Marcos é essa. O dele libera de uma forma geral, regulariza tudo que foi comprado até agora, aponta Beto Faro.

O projeto está na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados e depois vai para a Comissão de Constituição e Justiça.

A votação em plenário ainda depende do encaminhamento do presidente da casa, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

Projetos em situação igual a esse devem ter, pelo menos, uns cinco mil na casa. Então, eu não sei de cabeça, não conheço o conteúdo, não tenho condição de te responder.

Cabe aos líderes levantarem na reunião de líderes casos específicos como esse, diz Eduardo Cunha. De acordo com o Incra, 7710 imóveis rurais brasileiros estão nas mãos de estrangeiros, o que equivale a 1.550.120,36 hectares.

Os números são dos cadastros feitos a partir de 2003, quando começou a separação entre proprietários nacionais e estrangeiros. (Canal Rural 23/04/2015 às 20h: 34m)

 

Commodities Agrícolas

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Café: No vermelho: Apesar de ontem ter sido mais um dia de enfraquecimento do dólar, os preços do café recuaram na bolsa de Nova York. Os papéis do grão arábica para julho fecharam com queda de 215 pontos, a US$ 1,415 a libra-peso. Os investidores ainda trabalham com as incertezas quanto à safra brasileira de 2015/16. O desenvolvimento dos grãos neste ciclo ocorreu sob um clima mais úmido que na safra passada, o que deve diminuir os efeitos negativos na produtividade. Nos próximos dias, o cinturão cafeeiro tanto de São Paulo como de Minas Gerais deve passar por dias mais frios, segundo a Somar Meteorologia. Por outro lado, as projeções seguem indicando déficit de oferta global nesta safra. No mercado interno, o café de boa qualidade oscilou entre R$ 470 e R$ 480 a saca de 60,5 quilos, segundo Escritório Carvalhaes.

Algodão: Maior alta em três anos: Dados macroeconômicos e de fundamentos promoveram uma disparada nos preços do algodão ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para julho fecharam a 65,45 centavos de dólar a libra-peso, uma elevação de 253 pontos, ou 4%, a maior alta desde 3 de agosto de 2012. O movimento teve forte correlação com o dólar, que novamente cedeu perante outras divisas. Com a moeda dos Estados Unidos mais barata, o algodão americano se torna mais competitivo, estimulando a demanda externa. Na semana de 10 a 16 de abril, os exportadores do país venderam 31,55 mil toneladas para entrega ainda na safra 2014/15, cinco vezes a mais que na semana anterior. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,3%, para R$ 2,1933 a libra-peso.

Soja: Braços cruzados: A nova paralisação de caminhoneiros no Brasil recolocou o mercado da soja em alerta e conduziu os preços do grão ao campo positivo ontem na bolsa de Chicago. Os lotes para julho subiram 8,25 centavos, a US$ 9,80 o bushel. Após saírem de uma reunião com o governo brasileiro sem chegar a um acordo sobre a reivindicação de tabelar um frete mínimo, os motoristas realizaram bloqueios em estradas de pelo menos quatro Estados. Diferentemente de fevereiro, quando outros bloqueios foram realizados, desta vez a colheita está quase no fim, e a prioridade é o escoamento da safra. Os traders temem interrupções no chegada da oleaginosa aos portos. A alta, porém, foi promovida apenas por compras especulativas. No Paraná, o preço médio caiu 0,82%, a R$ 57,93 a saca, segundo o Deral/Seab.

Trigo: Vendas abundantes: Contra todas as expectativas, as vendas americanas de trigo cresceram na semana passada, o que impulsionou as cotações do cereal nas bolsas do país. Em Chicago, os lotes para julho subiram 2,25 centavos, a US$ 5,0125 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento ganharam 4,75 centavos, a US$ 5,22 o bushel. Entre 10 e 16 de abril, 397,5 mil toneladas de trigo foram vendidas pelos Estados Unidos ao exterior para entrega nesta safra, acima das 47,9 mil toneladas vendidas na semana anterior. O forte aumento ocorreu a despeito dos preços do trigo no país ainda estarem elevados e o dólar seguir fortalecido globalmente. No mercado doméstico, o preço médio ficou em R$ 28,25 a saca no Rio Grande do Sul, de acordo com a Emater/RS. (Valor Econômico 24/04/2015)