Setor sucroenergético

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Itaú BBA: dívida do setor de açúcar e etanol sobe para R$ 50,5 bilhões

O endividamento do setor sucroalcooleiro atingiu R$ 50,5 bilhões na safra 2014/2015, encerrada em março, alta de 12% sobre a dívida de R$ 45,1 bilhões da safra anterior, de acordo com avaliação preliminar do diretor de agronegócios do Itaú BBA, Alexandre Enrico Figliolino. A dívida por tonelada de cana processada avançou de R$ 105 para R$ 118, informou o executivo a partir de uma avaliação no setor feita com dados de 65 grupos, capazes de processar 429 milhões de toneladas por safra, ou 72% da moagem do Centro-Sul do País.

Segundo o diretor do Itaú BBA, o investimento do setor sucroenergético caiu 15% em 2014/2015 ante a safra passada, para R$ 10,4 bilhões, recuo motivado pela crise no setor e ainda pela alta no dólar. Na avaliação de Figliolino, entre os 65 grupos avaliados, apenas 11 possuem uma situação considerada boa atualmente, com operação ajustada e baixa alavancagem. Outros 30 estão em situações medianas e 19 possuem endividamento alto ou geração de caixa operacional insuficiente para cobrir os investimentos e serviços de dívida.

Os cinco grupos restantes estão em recuperação judicial ou já fechados. "Se não houver uma política para o setor, o risco é grande para os 19 grupos que estão sem situação ruim", afirmou ele durante evento da Canaplan, em Ribeirão Preto (SP).

Para a safra 2015/2016, o cenário é mais positivo para o setor, na avaliação de Figliolino. Segundo ele, com a crise na Petrobras, a gasolina não deve mais operar com defasagem de preços em relação ao mercado internacional, o que deve incentivar o consumo de etanol. O executivo avalia ainda que os leilões de compra de energia de biomassa na próxima semana também devem fomentar investimentos no setor. "O etanol e a bioenergia podem comandar a retomada do setor", afirmou.

Ainda segundo o executivo, o cenário futuro é favorável também à retomada na consolidação de usinas e à volta de grupos estrangeiros no setor.

No entanto, de acordo com Figliolino, esses grupos estrangeiros devem formar parcerias com companhias nacionais nos possíveis futuros investimentos em açúcar, etanol e bioenergia. (Agência Estado 24/04/2015)

 

Canaplan: safra terá moagem média de 556 mi de toneladas

Se for um ciclo úmido, moagem pode chegar a 577 milhões de toneladas.

A safra de cana-de-açúcar 2015/16 na região Centro-Sul terá moagem média de 556 milhões de toneladas, segundo previsão divulgada na manhã desta sexta-feira (24/04) pela consultoria Canaplan.

Conforme Luiz Carlos Corrêa Carvalho (Caio), presidente da Canaplan, se houver muita seca, a estimativa é de moagem de 554,1 milhões de toneladas. Já se for uma safra ‘úmida’, as unidades do Centro-Sul poderão moer 577,9 milhões de toneladas.

A safra dará prioridade ao etanol, segundo a consultoria. O mix será de 58% para o biocombustível, no caso da previsão básica, ou seja, de 556 milhões de toneladas.

Serão processados 26,1 bilhões de litros de etanol, na previsão básica. Já a produção de açúcar deverá alcançar 30,8 milhões de toneladas VHP equivalente.

A produtividade industrial, conforme Carvalho, alcançará no máximo 237 quilos de Açúcares Totais Renováveis (ATR).

No ciclo 14/15, a moagem deverá ser finalizada em 571,3 milhões de toneladas. “E 17% da moagem em 2014 foi feita por destilarias”, disse o executivo.

Segundo ele, 70% da moagem de cana no Centro-Sul é feita em grupos com capacidade de até 5 milhões de toneladas de cana.

A produtividade agrícola no ciclo anterior ficou em 73,7 toneladas de cana por hectare (tc/ha), informou. (Jornal Cana 24/04/2015)

Fitch mantém rating de crédito da Biosev

A agência de classificação de risco Fitch afirmou os Ratings de Probabilidade de Inadimplência do Emissor (IDR) em moeda estrangeira e local da sucroalcooleira Biosev em “BB-“ e seu Rating Nacional de Longo Prazo em “A+(bra)”.

A Fitch removeu a observação negativa dos ratings e atribuiu perspectiva negativa.

Conforme a agência, a perspectiva negativa reflete os desafios que a companhia ainda terá que enfrentar ao longo da nova safra, a 2015/16, para que seu fluxo de caixa livre (FCF) atinja o “breakeven” e para melhorar seu perfil de crédito em meio a um cenário de preços reprimidos de açúcar e etanol.

Conforme a Fitch, a Biosev, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, continua investindo no plantio e em cuidados para melhorar sua produtividade agrícola e aumentar a utilização da capacidade instalada.

“Os preços do açúcar e etanol, no entanto, devem permanecer sob pressão, apesar das melhoras na dinâmica do setor em 2015, frente a 2014. A geração de fluxo de caixa operacional mais robusto na nova safra, que se encerra em 31 de março de 2016, também dependerá da manutenção de condições climáticas favoráveis, como ocorreu no início de 2015”, avaliou a Fitch.

Conforme a agência, a remoção da Observação Negativa incorpora as expectativas de que a Biosev continuará a administrar sua liquidez acessando financiamentos de médio e longo prazos junto a instituições financeiras, apesar do aumento do risco sistêmico no setor brasileiro de açúcar e etanol.

Os ratings da Biosev incorporam o persistente aumento da alavancagem e sua grande capacidade de moagem, aliadas a um modelo de negócios diferenciado, baseado em clusters industriais e agrícolas em uma mesma região, o que lhe proporciona fortes vantagens competitivas no setor brasileiro de açúcar e etanol, na visão da Fitch.

Conforme a agência, a Biosev deve restabelecer sua posição de caixa e melhorar o índice caixa/dívida de curto prazo em 2015, na medida em que a estratégia da companhia de formar estoques na expectativa de aumento dos preços do etanol durante a entressafra foi recompensada, dado o aumento dos preços do etanol registrados em janeiro e fevereiro de 2015.

A agência acredita que a Biosev reportará caixa em torno de R$ 2,0 bilhões em 31 de março de 2015 e redução da dívida de curto prazo após a venda dos estoques no quarto trimestre do ano safra 2014/15.

Em 31 de dezembro de 2014, os estoques da companhia eram superiores a R$ 1 bilhão.

A Biosev continua tendo acesso a financiamentos de médio e longo prazos, conforme a Fitch. Em janeiro, fechou uma linha sindicalizada de oito instituições financeiras, de US$ 318 milhões (aproximadamente R$ 860 milhões), de adiantamento a exportações, com prazo de três anos.

O crédito vence em abril de 2018 e é garantido pelo penhor de canaviais e estoques da Biosev.

“A companhia rolou créditos em 2015 para melhorar o perfil de vencimento de sua dívida e aliviar a pressão de curto prazo sobre o fluxo de caixa”.

A agência observa que, em 31 de dezembro de 2014, o caixa era de R$ 190 milhões, que se comparava desfavoravelmente com a dívida de curto prazo, de R$ 1,9 bilhão, resultando em cobertura de 0,10 vez. Em 31 de março de 2014, a Biosev havia reportado posição de caixa de R$ 1,8 bilhão e dívida de curto prazo de R$ 2,1 bilhões.

A posição dos estoques da Biosev dobrou para R$ 1 bilhão em 31 de dezembro de 2014, de R$ 505 milhões em 31 de março de 2014. (Valor Econômico 24/04/2015 às 14h: 49m)

 

O broto da salvação

Um novo modo de plantar, criado em São Paulo pelo Instituto Agronômico, promete elevar até 40% a produtividade da cana-de-açúcar é um alento numa área do agronegócio em crise.

POR TRÊS GERAÇÕES, A FAMÍLIA DO AGRICULTOR Renato Trevizoli tem cultivado cana-de-açúcar em Taquaritinga, cidade do interior paulista onde seus avós compraram uma fazenda de 200 hectares na década de 70. Algo na atividade, porém, o incomoda: a dificuldade de ampliar a produção. Na última década, as colheitas em sua propriedade mantiveram-se em torno de 15000 toneladas por ano  e isso ainda pode ser considerado um resultado bom. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento, entre as principais lavouras, apenas a cana deverá perder rendimento na última década, caindo de 74 toneladas por hectare, em 2005, para 72 toneladas, na safra atual. Para comparar, no mesmo período a produtividade da soja deverá crescer 21%. E a do milho, 60%. "Fico sempre com a sensação de que as colheitas de cana poderiam ser melhores", diz Trevizoli.

Esse anseio por expansão parece estar prestes a ser facilitado por uma inovação no modo de plantio. Tradicionalmente, os agricultores cortam a cana já crescida em pedaços de aproximadamente 40 centímetros e os põem na terra para que brotem. Em média, são necessárias 18 toneladas de cana para cada hectare — um quarto do que é produzido a cada ano na mesma área. O método tem inconvenientes. Devido à exposição ao sol e à chuva, um em cada seis brotos não vinga, deixando o canavial com falhas. Um novo jeito de plantar cana está sendo desenvolvido em Ribeirão Preto, em laboratórios do Instituto Agronômico (IAC), órgão de pesquisa mantido pelo governo paulista. O método consiste em semear em viveiros pedaços de cana de 3 centímetros, menos de um décimo, portanto, dos cortes que vão ao solo na maneira tradicional. Dos pedacinhos nascem mudas, que em 60 dias podem ser transplantadas para a terra. Uma das vantagens é diminuir de 18 para 2 toneladas a quantidade de cana necessária para plantar 1 hectare. Não é só isso. "Quase a totalidade das mudas efetivamente cresce, aumentando a produtividade"", diz Mauro Alexandre Xavier, um dos pesquisadores responsáveis pelo projeto. Os testes mostram que, com o novo sistema, a produção de cana por hectare pode crescer até 40%.

CORRIDA TECNOLÓGICA

Aumentar o rendimento da cana seria uma notícia mais que bem-vinda num setor que luta para sair da crise. Nos últimos anos, o preço do açúcar caiu no mercado internacional. Ao mesmo tempo, os produtores de etanol no Brasil, até recentemente, enfrentavam as dificuldades causadas pela estratégia do governo federal de segurar os reajustes da gasolina para tentar conter a inflação. Resultado: o endividamento das usinas cresceu. Com isso, secaram os investimentos em renovação dos canaviais e, quanto mais velhos, menos produtivos eles ficam. "Menos de um quinto da área de uma lavoura é replantado a cada ano", diz Antonio de Pádua, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar.

"Na crise, com as margens apertadas, essa taxa cai e o canavial envelhece." Em outras palavras, nunca foi tão necessário encontrar um modo mais barato e eficiente de cultivar cana.

O IAC não está sozinho na tentativa de aprimorar o processo de plantio. Empresas multinacionais também já se lançaram numa espécie de corrida tecnológica. Até agora, sem grandes resultados. A americana Syngenta lançou em 2010 um produto parecido com o do IAC. A empresa desenvolveu, pedaços de cana de 5 centímetros preparados para o plantio direto no solo. Na época, 30 grandes produtores fecharam contrato para renovar os canaviais num período de cinco anos com essa tecnologia somados, os negócios resultaram em receitas de 350 milhões de dólares para a Syngenta. Em 2012, o produto foi retirado do mercado. O motivo: a empresa não conseguiu produzir pedaços de cana em quantidade suficiente. A alemã Basf também tem um produto semelhante, em teste nas lavouras de grandes grupos no interior paulista. "Uma das limitações que enfrentamos é a dificuldade para produzir mudas de qualidade em escala", afirma Francisco Carlos Verza, vice-presidente da unidade de proteção de cultivos da Basf no Brasil.

Como, então, os pesquisadores do IAC podem ter sucesso numa área cm que multinacionais poderosas, como Basf e Syngenta, ainda patinam? No modelo desenvolvido pelo instituto paulista, a produção das mudas fica a cargo de cada produtor, sem a necessidade de criação de uma grande estrutura para cultivar as mudas em escala. "O produtor pode usar um equipamento que funciona como uma pequena guilhotina para cortar a cana em pedaços", diz Xavier, do IAC. "E ensinamos os agricultores a cultivar as mudas numa estufa de baixo custo de construção." No início do ano, o instituto firmou uma parceria com cooperativas do interior de São Paulo, que vão colaborar para a disseminação dessas técnicas. O objetivo é atingir cerca de 18 000 pequenos produtores de cana, agricultores cujas propriedades têm menos de 250 hectares. Juntos, eles são responsáveis por mais da metade da produção no Centro-Sul do país. Mas o método também atrai empresas de maior porte, o grupo São Martinho, de Pradópolis, cidade próxima a Ribeirão Preto, já o utiliza em parte de suas propriedades. Um dos motivos é o custo. Plantar 1 hectare no sistema novo custa cerca de 6000 reais, segundo as estimativas do IAC. Pelo método antigo, o gasto fica em torna de 7000 reais, sem contar a receita perdida das 16 toneladas de cana que deixam de ser vendidas a cada hectare plantado.

Se realmente funcionar, o novo modo de plantar pode representar um alento para os produtores de açúcar e álcool, muitos enroscados em dívidas.

A reinstituição da contribuição obrigatória recolhida sobre o consumo de derivados do petróleo e os reajustes recentes no preço da gasolina ajudam, mas não são suficientes para que o setor saia do atoleiro. As usinas têm tido dificuldade para renegociar com os credores. "Os bancos estão reticentes em dar novos empréstimos aos endividados", afirma Cláudio Miori, analista da Fitch Ratings para o setor sucroalcooleiro. Pelo menos a lavoura tem agora a possibilidade de ser mais produtiva. (Revista Exame 25/04/2015)

 

Açúcar: Nova alta em NY

Os preços do açúcar reagiram a uma conjunção de compras técnicas, influência cambial e especulações com a demanda e registraram alta na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os lotes para julho subiram 16 pontos, a 13,19 centavos de dólar a libra-peso. Essa alta completou a recuperação técnica iniciada no meio da semana, após o tombo de 6% entre segunda e terças-feiras. A nova queda do dólar voltou a sustentar os preços da commodity, ao inibir a disponibilidade do produto do Brasil. Também se especula uma quebra na safra da China, que pode voltar a buscar o mercado externo, e a expectativa de um grande lote de açúcar a ser recebido na expiração do contrato que vence em maio. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,14%, para R$ 51,73 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico)

 

Agência Fitch corta nota de crédito da sucroalcooleira Jalles Machado

A agência de classificação de risco Fitch rebaixou os ratings de Probabilidade de Inadimplência do Emissor (IDRs) em moedas estrangeira e local da sucroalcooleira Jalles Machado para “B+”, de “BB-“ e seu rating nacional de longo prazo para “A-(bra)” de “A+(bra)”.

O corte reflete o enfraquecimento do perfil financeiro da companhia devido à combinação de reduzida posição de caixa e maior concentração da dívida no curto prazo.

A Fitch também removeu a observação negativa dos ratings da Jalles Machado e atribuiu perspectiva negativa.

Conforme a agência, o risco sistêmico do setor brasileiro de açúcar e etanol continua alto, em decorrência do pedido de recuperação judicial da Aralco S.A. Indústria e Comércio (Aralco) e de problemas financeiros da Virgolino de Oliveira S.A. Açúcar e Álcool (GVO), que busca reestruturar sua dívida.

A Fitch não espera que o índice de cobertura da dívida de curto prazo da Jalles Machado na safra atual melhore significativamente, apesar da projeção de aumento da posição de caixa como resultado da bem sucedida estratégia de formação de estoques para aproveitamento dos maiores preços do etanol durante a entressafra.

Conforme a agência, a liquidez de curto prazo da empresa deve se beneficiar, em 2015, da venda de 65% da Codora Energia Ltda. (Codora) para a Albioma Participações do Brasil (Albioma).

Apesar disso, a venda, de certa forma, “enfraquece o perfil de negócios da companhia a longo prazo”, conforme a Fitch.

Na visão da agência, a perspectiva negativa reflete as preocupações quanto às perspectivas de médio prazo do setor brasileiro de açúcar e etanol.

Os preços de ambos os produtos devem permanecer sob pressão, apesar das melhoras na dinâmica do setor de etanol em 2015, frente a 2014.

O setor está altamente exposto a riscos climáticos, e a geração de fluxo de caixa operacional mais robusto na nova safra, que se encerra em 31 de março de 2016, dependerá amplamente de condições climáticas favoráveis, como as do início de 2015, explica a agência.

Os ratings da Jalles Machado, no entanto, continuam beneficiados pelo forte modelo de negócios e por robustas margens operacionais.

A companhia conta com uma carteira de produtos de alto valor agregado, que inclui açúcar orgânico de marca e cristal, assim como a parcela remanescente de sua produção de energia.

“A empresa se beneficia de incentivos fiscais na venda de açúcar e etanol e dos preços relativamente baixos do arrendamento de terras. Os ratings incorporam o forte desempenho agrícola da companhia devido aos seus adequados investimentos em canaviais, ao uso de irrigação em relevante parcela de sua área de colheita e a autossuficiência em cana-deaçúcar, o que explica a menor volatilidade da geração de fluxo de caixa operacional da companhia em comparação a muitos de seus pares”, afirmou a Fitch em relatório.

Apesar de acreditar a Jalles Machado vai apresentar uma restauração de sua posição de caixa referente ao ciclo encerrado em 31 de março, a Fitch prevê que a cobertura caixa/dívida de curto prazo permanecerá fraca, mantendo altos riscos de refinanciamento.

Em 31 de dezembro de 2014, a Jalles Machado reportou posição de caixa de R$ 92 milhões e dívida de curto prazo de R$ 324 milhões, proporcionando 0,28 vez de cobertura.

“Isso se compara desfavoravelmente aos R$ 132 milhões de caixa e aos R$ 246 milhões de dívida de curto prazo reportados em 31 de março de 2014.

A Fitch acredita que em 31 de março de 2015 a Jalles Machado reportará posição de caixa em torno de R$ 170 milhões, resultando em índice caixa/dívida de curto prazo inferior a 0,50 vez. (Valor Econômico 24/04/2015 às 14h: 46m)

 

Grupos sucroenergéticos esperam alta de 5% da produtividade

Grandes grupos sucroenergéticos esperam aumento de até 5% da produtividade - medida em tonelada de cana-de-açúcar colhida por hectare - na recém-iniciada safra 2015/2016, ante a safra 2014/2015. No entanto, a qualidade da cana de açúcar, em quilos de Açúcar Total Recuperável (ATR) por tonelada de cana processada, deve ser inferior entre as safras.

Segundo avaliação de representantes das áreas agrícolas das companhias durante seminário da Canaplan, em Ribeirão Preto (SP), o clima, com mais chuvas para a atual safra, e os investimentos serão os principais fatores para mudança em 2015/2016.

O diretor de produção agrícola da Raízen, Fernando Lima, afirmou que a companhia projeta uma alta de 3% na produtividade de cana em 2015/2016 por causa das chuvas mais constantes, principalmente na região de Piracicaba (SP), mas alertou para o fato de que a estiagem forte no ano passado aumentou as pragas da cultura.

Para o diretor agroindustrial da Usina São Martinho, Mario Gandini, a estiagem de 2014 ainda impacta na qualidade da cana no primeiro terço da atual safra e as chuvas mais constantes no primeiro trimestre deste ano atrasaram a maturação da matéria-prima já colhida. "A produtividade já foi baixa ano passado e não esperamos algo melhor para este ano", disse.

Apesar de ainda traçar um cenário de estabilidade 2015/2016, o diretor agrícola da Tereos Internacional, Jaime Stupiello, avalia que a companhia ainda pode ter uma produtividade 5% maior na atual safra se a chuva for satisfatória entre maio e junho. "Mas se chover muito vai sobrar cana, porque as usinas terão de parar a moagem durante a safra e não conseguirão processar tudo", disse.

Stupiello afirma que a qualidade da cana deve ficar em 138 kg/ATR/t em 2015/2016, ante 142 kg/ATR/t na passada. As chuvas mais constantes no primeiro trimestre também no Triângulo Mineiro e Sul de Goiás, onde se concentra a produção da BP Biocombustíveis, animou a companhia, segundo Arnaldo Rigolin, gerente de desenvolvimento agrícola da multinacional. "A nossa primeira expectativa era muito pessimista, mas ampliamos a estimativa por conta da chuva. O ATR, no entanto, ainda é muito baixo no começo da safra", ponderou.

Já Edson Girondi, gerente de operações Agrícolas do Grupo Alto Alegre, avalia que a produtividade das usinas no Paraná, onde fica parte das unidades da companhia, deve variar entre 5% abaixo ou acima da obtida em 2014/2015. Com isso, segundo ele, a produção de cana nas usinas do Estado deve ficar estável em 2015/2016, em 43,1 milhões de t de cana. (Agência Estado 24/04/2015)

 

Índia deverá produzir 29 mi t de açúcar em 2015/16, diz adido dos EUA

A Índia deverá produzir um excedente de açúcar pelo sexto ano consecutivo na temporada 2015/16 e deverá ser um exportador líquido da commodity, disse nesta sexta-feira o adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos na Índia.

A produção total de açúcar na temporada entre outubro de 2015 e setembro de 2016 na Índia deverá atingir 29 milhões de toneladas, uma leve queda ante a estimativa de 29,5 milhões da atual temporada.

"Uma produção maior em Uttar Pradesh e Karnataka será superada pela menor produção em Maharashtra", disse o USDA, em relatório.

Se as condições de mercado forem normais, a Índia deverá ser um exportador líquido em 2015/16 e qualquer importação de açúcar que ocorrer será irrelevante, disse USDA. (Reuters 24/04/2015)

 

Guarani deve processar 20,5 milhões de t de cana em 15/16

O diretor da divisão de cana-de-açúcar da Tereos Internacional, Jacyr Costa Filho, disse ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que a moagem de cana-de-açúcar pelas unidades da Guarani na safra 2015/16 deverá variar de 20 milhões a 20,5 milhões de toneladas. O volume fica em linha com o de 2014/15 (20,2 milhões de toneladas) e bem próximo da capacidade total, de 22 milhões de toneladas. O executivo afirmou que ainda é cedo para fazer qualquer projeção sobre o mix ou a produção de açúcar e etanol, mas destacou que o ciclo tende a ser mesmo mais alcooleiro por conta das recentes medidas de apoio ao biocombustível. "Será uma safra longa, em torno de 220 dias. Vamos avaliar conforme o andamento do mercado", disse, acrescentando que a companhia deve encerrar o ciclo vigente no final de novembro.

Ainda de acordo com Costa Filho, as usinas da Guarani começaram a atual temporada com atraso de 15 dias ante o observado no ano passado em virtude das chuvas em fevereiro e março, que impactaram no rendimento dos canaviais. Há atraso também no plantio, mas "nada que preocupe". De acordo com o diretor da Tereos, nesses primeiros dias da safra 2015/16 o teor de sacarose da cana colhida está em torno de 115 kg por tonelada, com picos de 120 kg/t.

No momento, são quatro as unidades da Guarani em operação, mas a expectativa é de que todas as sete indústrias da companhia, localizadas no noroeste paulista, estejam processando a safra até 1º de maio. "Vamos focar em ganhos de produtividade, tanto agrícola quanto industrial, nesta safra. Estamos reestruturando a dívida também", comentou ele.

Pelo balanço mais recente da companhia, referente ao quarto trimestre de 2014, a Tereos Internacional informou lucro líquido atribuível aos acionistas da controladora de R$ 600 mil, montante 97% menor na comparação com o de R$ 18,7 milhões registrado em igual intervalo do ciclo anterior. A receita líquida, por sua vez, aumentou 6,4%, para R$ 2,14 bilhões, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou em R$ 289,5 milhões (+3,7%). (O Estado de São Paulo 26/04/2015 às 19h: 05m)

 

BR entrará no mercado de pagamento eletrônico de pedágio

Setor cresce 20% ao ano e deve ampliar base de clientes com leilão de rodovias

Um setor quase invisível vive uma verdadeira guerra de mercado: as empresas de pagamento eletrônico de pedágios, as Tags colados nos vidros dos carros que abrem cancelas em estradas e estacionamentos. As companhias do setor fecharam 2014 com faturamento superior a R$ 10 bilhões pela primeira vez. E, agora, a maior rede de postos de gasolina do país entrou na disputa: a BR Distribuidora fechou acordo com a Auto Expresso, da DBTrans, e busca assumir a liderança do setor. Hoje, a maior fatia deste filão é da Sem Parar, empresa de CCR, Arteris e Shell, com cinco milhões de clientes.

Num mercado que cresce 20% ao ano, outras duas empresas disputam o segmento: a ConectCar (parceria de Ipiranga e Odebrecht) e a Move Mais.

As Tags servem para pagar estacionamento de shoppings e aeroportos, obter descontos, pontos em programas de milhagem e abastecer o tanque. Estima-se que entre 5,5 milhões e 6 milhões de automóveis tenham o aparelho grudado no para-brisas, de uma frota de 55 milhões de veículos no Brasil. Deste total, 30 milhões passaram por estradas com pedágio no ano passado, um número que deve crescer com a concessão de rodovias chegando a outros estados.

- Como menos de 15% dos carros do Brasil possuem o sistema, podemos imaginar um forte crescimento - disse Wagner Muradian, diretor comercial da Auto Expresso. - É tudo feito pelo reconhecimento do visor e o cliente recebe na hora uma SMS confirmando a transação.

Com a parceria com a BR, Muradian prevê um aumento no valor unitário de venda da Auto Expresso, já que passará a contabilizar não só o valor de pedágio, como também o custo de um tanque cheio de gasolina ou etanol.

"A tecnologia foi testada com sucesso em alguns postos de Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre e, em breve, será expandida para outros postos e localidades", informa a assessoria de imprensa da BR Distribuidora, em nota, lembrando que o usuário acumulará pontos no programa de fidelidade Petrobras Premmia.

Sem procurar moedas

A ConectCar foi a pioneira, no Brasil, em associar serviços de cobrança de pedágios aos postos de gasolina. Hoje, três mil postos de combustíveis Ipiranga vendem o aparelho, anunciado na TV e na internet. Para João Cumerlato, diretor superintendente da empresa, o pedágio continuará a ser o carro-chefe, embora outros serviços tenham ganhado destaque no faturamento, como abastecimento em postos com desconto, estacionamento de shoppings e sorteio de carros:

- Só quem usou a cobrança automática sabe das vantagens de não ficar procurando moedas.

A Move Mais, criada há três anos pela Compsis (empresa da área de tecnologia) e a Vertis (concessões), está há um mês com a autorização para atuar nos dois maiores mercados do país: rodovias federais e paulistas. A empresa quer crescer em outras praças e incluir serviços, como o pagamento de estacionamentos.

A Sem Parar, que atua no segmento há 15 anos na cobrança de pedágio da Ponte Rio-Niterói, vende a Tag em 500 postos com a bandeira Shell. Para Pedro Donda, presidente da empresa, há chance de ampliar o segmento:

- No começo, o cliente era quem usava muito rodovias. Isso tem mudado, principalmente em São Paulo, onde quase 60% dos pagamentos de pedágio são feitos de forma eletrônica.

Com a concessão de rodovias federais, o setor aguarda a chegada de pedágio em estados que não tinham essa cobrança, como Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins. (O Globo 26/04/2015)

 

Um governo que pune quem faz hedge – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana rigorosamente inalterado em relação à sexta-feira da semana anterior. O vencimento maio/2015, que expira na próxima quinta-feira, encerrou cotado 13.23 centavos de dólar por libra-peso. No entanto, é sempre bom lembrar que a variação desta semana foi negativa em 31 reais por tonelada, pois o real fechou a 2.9550 contra 3.0544 na semana anterior. Acende-se aqui uma luz amarela: este seria o pior dos mundos para o açúcar, real valorizado com açúcar caindo. O custo da importação da gasolina sendo menor em reais cria uma expectativa de preços menores para o hidratado.

O spread maio/julho negociando a 4 pontos de prêmio pode, segundo um corretor, incentivar a entrega de mais de um milhão de toneladas contra o vencimento do contrato maio/2015 nesta próxima semana. O mercado encontrará dificuldade para se sustentar nos níveis atuais se houver mesmo essa entrega maciça que se espera além do fato de os fundos terem reduzido duas posições em 12.000 contratos (comprando NY) e o mercado reagiu muito pouco em termos de preço. Não está fácil para ninguém

Se dólar e petróleo se valorizarem, o etanol fica mais competitivo e menos açúcar brasileiro será disponibilizado para o mercado mundial, apontando preços para cima em NY. Se o petróleo sobe e o real se valoriza em relação ao dólar, as importações de petróleo em reais se mantem inalteradas e o mercado de açúcar fica mais sensível às arbitragens com tendência do preço em NY entre neutra e baixista. Se o petróleo cai mas o dólar se valoriza em relação ao real, é neutro para o etanol (que não muda sua paridade em reais com a gasolina) e baixista para o açúcar até o limite da rentabilidade do hidratado. Por fim, se ambos o petróleo e o dólar se desvalorizam, é ruim tanto para o etanol quanto para o açúcar. Mesmo sendo absolutamente conservador na ponderação dessa matriz, percebe-se que se fosse uma luta entre altistas e baixistas, nos níveis atuais, seria quase um empate técnico com os altistas ganhando por um ponto (mais por fatores exógenos: dólar e petróleo do que pelo açúcar).

O que pode mudar isso? Tamanho da safra de cana abaixo de 570 milhões de toneladas, surpresas vindas da China e Tailândia, atrasos na moagem ou escoamento. Não é o que se pode chamar de mundo cor de rosa.

Por meio de decreto presidencial a vigorar a partir de 1° de julho, o governo vai cobrar 4.65% de imposto sobre ganhos em operações financeiras, inclusive aquelas realizadas para fins de hedge. Ou seja, imagine que uma usina se proteja para a safra 2016/2017, vendendo o vencimento maio/2016 a 14.81 centavos de dólar por libra-peso e concomitantemente fazendo o hedge da moeda que para aquele vencimento estaria a 3.2650. Essas operações são absolutamente normais e corriqueiras e temos falado muito neste espaço sobre a importância de se mitigar riscos, etc. Pois bem, convertendo o hedge acima temos um valor de R$ 1109 por tonelada equivalente FOB.

Vamos assumir que no vencimento dessa operação no ano que vem, o mercado esteja negociando exatamente o mesmo valor em reais por tonelada mudando NY e mantendo o valor final. Se NY for para 16, por exemplo, o dólar negociando 3.0222, a usina paga imposto sobre a diferença entre 3.2650 e 3.0222. Assim, o valor hedgeado que a usina pensava que fosse líquido e certo de R$ 1109 cai para aproximadamente R$ 1105. É mais um assalto ao bolso do setor. A usina vai ter que fazer o hedge e torcer para que o mercado de câmbio vá contra ela, pois só assim não terá imposto. Uma medida estapafúrdia, bem ao jeito petista de governar, que joga pela janela a lógica e deteriora a ideia de mitigação de risco. No exemplo acima, caso o mesmo padrão se mantenha para outras operações, assumindo uma exportação de 24 milhões de toneladas, o setor pagaria R$ 92 milhões adicionais de imposto. Imagine o tamanho do rombo se considerarmos todas as demais commodities exportadas pelo Brasil. Alguém tem que ajudar a cobrir o rombo fiscal do governo.

O balanço divulgado pela Petrobrás, com prejuízo recorde, é um tapa na cara de todos os brasileiros. Qual precedente existe na história mundial de uma empresa listada em bolsa, que já fora referência internacional de competência, colocar em seu balanço perdas de R$ 6.1 bilhões referentes à corrupção? O Brasil está no fundo do poço da moralidade. Assistimos há doze anos a atuação de um governo medíocre sob todos os aspectos, que prima pela corrupção, pela desfaçatez, pela mentira escabrosa, pela falta de moral, pela falta de vergonha na cara, comandado por um partido que é uma verdadeira facção criminosa, abrigando quadrilheiros condenados e transformados em heróis por esses verdugos que não vão largar o osso tão cedo e continuarão sua empreitada de transformar o país numa Venezuela. Ainda mais inacreditável do que esse filme de terror sem fim é perceber que as investigações conduzidas até agora não chegaram ao verdadeiro mentor intelectual, o grande chefe, o “grande líder das massas”, o bandido-mor, o dissimulado desprezível, o cínico manipulador, o maior farsante da história republicana que não honra as calças que veste. Haja paciência com esses crápulas (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Nova alta em NY: Os preços do açúcar reagiram a uma conjunção de compras técnicas, influência cambial e especulações com a demanda e registraram alta na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os lotes para julho subiram 16 pontos, a 13,19 centavos de dólar a libra-peso. Essa alta completou a recuperação técnica iniciada no meio da semana, após o tombo de 6% entre segunda e terças-feiras. A nova queda do dólar voltou a sustentar os preços da commodity, ao inibir a disponibilidade do produto do Brasil. Também se especula uma quebra na safra da China, que pode voltar a buscar o mercado externo, e a expectativa de um grande lote de açúcar a ser recebido na expiração do contrato que vence em maio. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,14%, para R$ 51,73 a saca de 50 quilos.

Cacau: Poderia ser pior: A sensação de que a queda da moagem de cacau na Ásia foi muito menor do que o esperado provocou uma alívio entre os investidores e levou a uma correção nos preços da amêndoa na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os papéis para julho fecharam com avanço de US$ 83, a US$ 2.885 a tonelada. Segundo a associação de indústrias do continente, foram moídas 144,74 mil toneladas no primeiro trimestre, um recuo de 9,3% na comparação anual. Apesar do tombo ter sido maior do que na Europa e na América do Norte no mesmo período, alguns analistas apostavam em uma queda de até 25% na atividade local. No mercado doméstico, o preço médio do cacau nas praças de Ilhéus e Itabuna caiu para R$ 114 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Pé na estrada: A baixa adesão dos caminhoneiros brasileiros aos bloqueios nas estradas arrefeceu os temores dos investidores da soja de interrupções no escoamento da nova safra aos portos, retirando o suporte aos preços do grão na sexta-feira na bolsa de Chicago. Os lotes para julho caíram 9,25 centavos, a US$ 9,7075 o bushel. Na sexta-feira, foram registrados bloqueios no Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e a adesão ao movimento tem sido menor que em fevereiro. Além disso, a China dá sinais de redução de interesse até pela soja do Brasil, já que as últimas compras abasteceram seus estoques. O grave foco de gripe aviária nos Estados Unidos também pressiona as cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para a soja no Paraná teve queda de 0,88%, para R$ 62,27 a saca.

Trigo: Caindo do céu: Vem em boa hora a previsão de chuvas para as áreas produtoras de trigo nos Estados Unidos. A perspectiva otimista para o clima fez os lotes para entrega em julho na bolsa de Chicago fecharem, na sexta-feira, a US$ 4,885 o bushel, queda de 12,75 centavos, enquanto em Kansas (onde se negocia o cereal de melhor qualidade), os lotes com igual vencimento fecharam com recuo de 14,5 centavos, a US$ 5,075 o bushel. A empresa de meteorologia DTN previu que as áreas do sul das Grandes Planícies, onde estão as plantações de trigo de inverno dos EUA, receberiam chuvas já no fim de semana. No norte das planícies, onde se concentram as lavouras de trigo de primavera, o clima também favorecer o plantio. No Paraná, o valor médio do trigo subiu 0,14%, a R$ 36,06 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 27/04/2015)