Setor sucroenergético

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Usinas substituem treminhões pelos mais modernos rodotrens

O mercado de treminhões e rodotrens utilizados pelas usinas para o transporte de cana registrou taxas negativas nos últimos dois anos e sugere reeditar movimento semelhante em 2015, segundo Bernardo Fedalto, diretor de caminhões da Volvo, sob impacto da crise no setor sucroenergético determinada pelos baixos preços do açúcar e do etanol.

"O mercado tem sofrido bastante com esse ciclo relativamente longo de preços insatisfatórios recebidos pelas usinas. Mas não está parado."

O recuo das vendas tem se dado em menor intensidade do que para o mercado total de caminhões pesados, que passou a perder terreno após 2013, quando o número de veículos da categoria licenciados em todo o país havia chegado a 55.476 unidades, de acordo com dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

No ano passado, as vendas baixaram 15%, para 47.087 caminhões e, no primeiro trimestre deste ano, caíram 60,1% na comparação com os mesmos três meses de 2014, saindo de 10.935 para 4.363 unidades.

As mudanças introduzidas nas políticas públicas que afetam o setor trazem um sopro de otimismo.

Elas incluem: o retorno da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que passou a ser cobrada sobre a gasolina num valor de R$ 0,22 por litro; o aumento da mistura de etanol na gasolina para 27% desde 16 de março; o aumento de 27% para 29% da alíquota do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a gasolina em Minas Gerais e a redução de 19% para 14% da taxação sobre etanol no Estado.

Além da retração experimentada mais recentemente, esse mercado, segundo Álvaro Menoncin, gerente de engenharia de vendas da Volvo, vem passando por alterações, seja no perfil das vendas, seja na política de gestão da frota pelas usinas.

Os treminhões, basicamente um cavalo mecânico atrelado a duas carretas, com capacidade para 63 toneladas de carga total, vêm sendo substituídos por rodotrens, mais modernos e com capacidade máxima para 74 toneladas.

O conjunto formado por cavalo mecânico e dois semi-reboques passou a conquistar a preferência das usinas a partir do avanço da mecanização da colheita e da proibição, sobretudo em São Paulo, da queima dos canaviais.

"Entre 70% e 80% das usinas paulistas utilizam rodotrens", diz Menoncin.

O equipamento já representa 95% das vendas da Volvo no setor canavieiro. (Valor Econômico 29/04/2015)

 

Açúcar: Moagem no Brasil

Embora as usinas do Centro-Sul do Brasil estejam produzindo menos açúcar nesta safra 2015/16 do que no mesmo período do ciclo anterior, o mero avanço da moagem de cana na região (ver Demanda forte pelo hidratado sustenta preços), atualizada ontem pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), já foi suficiente para enfraquecer o suporte que vinha mantendo os preços em alta em Nova York.

Os contratos para julho caíram 16 pontos e fecharam a 13,22 centavos de dólar a libra-peso. Além disso, traders acreditam que um grande volume de açúcar será entregue quando expirar o contrato de maio negociado na ICE Futures, o que também passou a pesar nas negociações.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal subiu 0,33%, para R$ 51,73. (Valor Econômico 29/04/2015)

 

Demanda forte pelo hidratado sustenta preços

Os sinais de forte consumo de etanol no país indicam que os preços do biocombustível tendem a ficar mais sustentados nas usinas de cana-de-açúcar neste começo de ciclo 2015/16, cuja partida oficial foi em 1º de abril no Centro-Sul do país.

Conforme dados apresentados ontem pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), as usinas da região venderam no mercado interno na primeira quinzena de abril 728 milhões de litros de hidratado, 51% acima do registrado no mesmo período do ano passado.

Esse biocombustível é usado diretamente no tanque dos veículos e tem na gasolina C seu principal concorrente.

No mês de março, comparado a intervalo equivalente de 2014, as vendas feitas pelas usinas já haviam sido robustas.

A indústria canavieira vendeu no período 1,435 bilhão de litros de hidratado, 45,8% mais que em março de 2014 e 20% acima de fevereiro deste ano.

A demanda forte pelo biocombustível conteve a retração de seus preços na usina, comum no início de safra, como é o caso no momento.

O indicador Cepea/Esalq para o hidratado em São Paulo subiu para R$ 1,2704 o litro entre 20 e 24 deste mês, alta de 0,59% em relação à semana anterior.

"Daqui em diante, a tendência é de leve queda ou continuidade da estabilidade, apesar dos volumes mais robustos de etanol "novo" que já estão entrado no mercado", diz o diretor da comercializadora de etanol Bioagência, Tarcilo Rodrigues.

Esse cenário, diz o especialista, deve se confirmar, ainda que se mantenha o ritmo acelerado de moagem de cana no Centro-Sul.

Conforme dados da Unica divulgados ontem, até 15 de abril 166 unidades estavam em operação na região, contra 163 usinas até a mesma data de 2014.

Assim, a moagem na primeira quinzena do mês alcançou 12,7 milhões de toneladas no Centro-Sul, crescimento de 0,77% na comparação com igual intervalo de 2014/15.

No acumulado até 16 de abril, foram 18,3 milhões de toneladas de cana processadas na região, um volume 11,4% acima do registrado no mesmo período do ciclo anterior.

A exceção é o Estado de São Paulo, cuja moagem caiu 26,7% no acumulado da safra 2015/16, na comparação com igual período de 2014/15.

O resultado reflete o número menor de unidades operando no Estado, conforme a Unica.

Até 15 de abril de 2014, 86 unidades estavam em atividade, ante 81 verificadas em 2015.

Há também, conforme a entidade, um atraso médio de quatro dias no início desta safra em São Paulo, em relação à data de início da temporada anterior.

A safra 2015/16 começou mais alcooleira no Centro-Sul, sobretudo do lado do etanol hidratado, dados os expressivos estoques de passagem de etanol anidro, na visão da Unica.

O volume produzido de hidratado no acumulado desde o início da atual safra até 16 de abril foi de 681,14 milhões de litros, alta de 51,98% sobre o volume apurado no mesmo período de 2014.

A produção de anidro, que é misturado na gasolina, atingiu 119,49 milhões de litros.

Com o viés mais alcooleiro da safra, a produção de açúcar registra queda neste ciclo no Centro-Sul.

Na quinzena, caiu 7,89%, para 388 mil toneladas, ante mesmo intervalo do ciclo anterior.

No acumulado até 16 de abril, a produção da commodity alcançou 548 mil toneladas, queda de 1,99% frente a igual período do ano anterior.

O teor de açúcar na cana, o chamado Açúcar Total Recuperável (ATR) foi de 105,61 quilos por tonelada na quinzena, 2,09% acima do observado um ano antes.

No acumulado da safra, o aumento desse indicador é de 0,56%, a 104,41 quilos por tonelada, conforme a Unica. (Valor Econômico 29/04/2015)

 

Cortador de cana-de-açúcar receberá horas extras por tempo gasto na troca de eitos

É chamado de "eito" o espaço retangular em que a cana-de-açúcar é plantada e que pode ser utilizado para calcular produção do empregado em um dia de trabalho, pela conversão de valor da tonelada pelo metro.

Dependendo do quanto um cortador de cana consegue produzir, pode ser que ele tenha que trocar de eitos durante a jornada. E o tempo gasto nesse deslocamento entre as frentes de trabalho deve ser considerado à disposição do empregador, nos termos do artigo 4º da CLT.

Foi nesse sentido a decisão do juiz substituto Henrique Souza Mota, em atuação na 2ª Vara do Trabalho de Passos, ao condenar uma usina açucareira a pagar horas extras a um cortador de cana pelo tempo gasto na troca de eitos.

Com base no artigo 71 da CLT e na Súmula 118 do TST, o magistrado lembrou que os intervalos concedidos pelo empregador na jornada de trabalho, não previstos em lei, representam tempo à disposição da empresa, devendo ser remunerados como serviço extraordinário, se acrescidos ao final da jornada.

No caso, ficou demonstrado que o cortador de cana se deslocava entre os eitos, no interesse do empregador, sem nada receber durante esse período. Para o magistrado, o trabalhador era prejudicado, uma vez que a remuneração do cortador de cana se dá por produção.

Assim, e levando em conta também os depoimentos de testemunhas colhidos em outro processo e o princípio da razoabilidade, a partir da compreensão do costume, o magistrado reconheceu que o reclamante gastava 30 minutos por dia, duas vezes na semana, na troca de eitos.

A ré foi condenada ao pagar ao reclamante uma hora extra por semana por todo o contrato de trabalho, com devidos reflexos. Houve recurso, mas o TRT mineiro confirmou a decisão no aspecto. (Ambiente Jurídico 28/04/15)

 

Na Agrishow, Alckmin anuncia R$ 207 milhões para o setor rural de SP

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, confirmou mais crédito para o setor rural do Estado durante a abertura da 22ª edição da Agrishow, feira de tecnologia agrícola que acontece em Ribeirão Preto (SP) esta semana.

O montante disponível, em um total previsto de R$ 207 milhões, está concentrado no crédito para a aquisição de máquinas e equipamentos.

Para o Programa Pró-Trator serão liberados R$ 85 milhões para novos financiamentos. O prazo de financiamento foi aumentado para até oito anos e há agora a possibilidade de aquisição de um segundo trator pelo produtor que, tendo comprado um trator pelo programa, já esteja com seu financiamento liquidado.

Já para o Programa Pró-Implemento foram ofertados mais R$ 35 milhões.

O prazo de financiamento também foi aumentado para até oito anos e o teto de financiamento subiu para R$ 200 mil por beneficiário.

Essas linhas de financiamento de tratores e implementos têm juro zero e são viabilizadas por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap).

Alckmin também anunciou mais R$ 25 milhões para a subvenção do prêmio de seguro rural. Para as 29 linhas de custeio e investimento, estão liberados R$ 50 milhões, conforme o governo paulista, e para as modalidades de Contrato de Opção e Projeto Integra SP, que subvenciona a correção de grandes erosões, ambas não reembolsáveis, são mais R$ 12 milhões. (Valor Online 28/04/2015)

 

Moagem no Centro-Sul até a primeira quinzena de abril é de 18,30 milhões de t

O volume processado de cana-de-açúcar pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do Brasil, até 15 de abril de 2015, atingiu 18,30 milhões de toneladas, 11,41% superior ao volume processado no mesmo período da safra 2014/2015.

Até 15 de abril, 166 usinas estavam em operação, contra 163 unidades registradas até a mesma data de 2015. Hoje, 28 de abril, mais de 200 unidades produtoras encontram-se em safra.

De todos os Estados do Centro-Sul, apenas São Paulo apresentou uma moagem inferior (em 26,74%) quando comparada aquela observada no mesmo período do último ano. Este resultado reflete o número menor de unidades operando no Estado: até 15 de abril de 2014, 86 unidades estavam em atividade, ante 81 verificadas em 2015. Outro fator que contribuiu para esta queda da moagem paulista foi o fato da atual safra ter iniciado tardiamente, com atraso médio de 4 dias em relação à data de início da safra anterior, além das condições para colheita menos favoráveis quando comparada aos demais Estados diante do maior volume de chuvas.

A safra 2015/2016 iniciou mais alcooleira do que a anterior, com o maior incremento na produção de etanol hidratado, dados os expressivos estoques de passagem de etanol anidro. O volume produzido de etanol hidratado, no acumulado desde o início da atual safra até 15 de abril, somou 681,14 milhões de litros – alta de 51,98% sobre o valor apurado no mesmo período de 2014. A produção de etanol anidro atingiu 119,49 milhões de litros, ao passo que a quantidade fabricada de açúcar totalizou 547,97 mil toneladas.

Em relação à produtividade agrícola, maiores detalhes serão fornecidos no próximo release, quando da apuração da moagem até o final do mês de abril.

Vendas de etanol

Mais uma vez, as vendas de etanol carburante pelas unidades produtoras da região Centro-Sul tiveram expressivo incremento comparativamente com os resultados 1ª quinzena de abril de 2014. O volume comercializado de etanol hidratado carburante aumentou 52,84% no período, totalizando 693,70 milhões de litros, contra 453,86 milhões de litros na mesma quinzena de 2014.

O relatório completo está anexo. (Unica 28/04/2015)

 

Aldemir Bendine considera justo o preço da gasolina no Brasil

O preço dos combustíveis praticado atualmente no Brasil foi considerado justo pelo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine. Em audiência conjunta das comissões de Infraestrutura e Assuntos Econômicos do Senado, ele explicou que, à exceção dos Estados Unidos, os valores estão dentro da média do mercado mundial.

"Nossa gasolina não é tão mais cara, quando comparada com unidades de dólar, ao do mercado em geral, como o europeu. Hoje, estamos em condição justa de colocação de preços de derivados e não temos perspectiva de volatilidade em relação a isso", disse.

O presidente da Petrobras acrescentou que, diferentemente do Brasil, que adota um modelo mais estável, os americanos operam num quadro volátil, com preços mudando constantemente nas bombas.

Aldemir Bendine também falou aos senadores sobre os prejuízos anunciados semana passada pela companhia. Ele atribuiu parte do prejuízo de R$ 21 bilhões à desvalorização cambial e à queda no preço do barril de petróleo.

Segundo ele, o barril chegou a US$ 114 em meados de 2014, caindo para menos de US$ 50 no fim do ano. Para 2015, a empresa trabalha com o barril na casa dos US$ 70 e com o dólar a R$ 3,30. (Agência Brasil 28/04/2015)

 

Embraer projeta estabilidade na venda de aviões agrícolas em 2015

A divisão de aviação agrícola da Embraer projeta vender 39 aeronaves em 2015, número praticamente estável ante as 38 unidades comercializadas em 2014, em meio a um aperto no crédito para produtores rurais no Brasil, disse um executivo da companhia nesta terça-feira.

A Embraer lançou um novo modelo do avião Ipanema, usado na pulverização de defensivos em lavouras. O produto foi apresentado ao público pela primeira vez esta semana, na feira Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), maior evento da América Latina do setor de máquinas agrícolas.

A média histórica de vendas do Ipanema é de 50 unidades por ano, tendo chegado a 70 unidades em 2013. A queda no ano passado e em 2015 é creditada a uma retração na confiança dos produtores e na oferta de crédito, fenômeno que afetou também as vendas de máquinas agrícolas como colheitadeiras e tratores nos últimos meses.

"O crédito é fator imprescindível para a tomada de decisão... A questão do crédito impacta vendas", disse à Reuters o gerente comercial da Embraer para o projeto Ipanema, Fábio Bertoldi, lembrando que 95 por cento das vendas deste tipo de avião são financiadas.

O novo modelo, chamado de 203, é mais potente, carrega mais defensivos e tem asas maiores, que permitem maior área de pulverização. A empresa continua vendendo os modelos da linha 202.

O Ipanema começou a ser fabricado em 1972 e é o modelo mais longevo do portfólio da Embraer. Nessas mais de quatro décadas, quase duas mil aeronaves foram vendidas e metade delas ainda estão voando, garantindo à fabricante fatia de mais de 60 por cento do mercado de aviões agrícolas no país.

Com preço de venda de 1,25 milhão de reais para o novo modelo e de 1,02 milhão para o antigo, o Ipanema é o avião mais barato da Embraer, bem abaixo dos 4 milhões de dólares cobrados pelo jato executivo mais barato da empresa.

As vendas do Ipanema são contabilizadas dentro da categoria "outras receitas" da Embraer, que representaram 1,2 por cento do faturamento da companhia em 2014. (Notícias Agrícolas 28/04/2015 às 16h: 32m)

 

Aperto de crédito atrasa vendas de fertilizantes no país e pode afetar logística

O aperto de crédito para o setor agrícola e as incertezas sobre as condições de negócios este ano estão atrasando as vendas de fertilizantes no Brasil, o que poderá gerar acúmulo de entregas e problemas logísticos no segundo semestre, disseram executivos do setor na Agrishow, a principal feira de negócios da agropecuária do Brasil.

Entre janeiro e março, as entregas de fertilizantes aos produtores já recuaram 5 por cento na comparação com o mesmo período de 2014, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

Para piorar, o fechamento de negócios está bem mais atrasado que as entregas propriamente ditas, na avaliação da Yara, maior empresa de fertilizantes do Brasil, com 25 por cento do mercado.

"Quando a gente leva isso para a realização de negócios, a gente estima que esse número (defasagem) seja muito maior. O 'gap' em relação ao ano passado é muito maior", disse à Reuters o presidente da Yara no Brasil, Lair Hanzen, em entrevista em Ribeirão Preto, sede da Agrishow.

Ele destacou que não há estatísticas oficiais sobre os negócios fechados, mas a empresa estima que a carteira de pedidos do setor esteja menor.

"Ao invés de você ter três ou quatro meses já vendidos, você trabalha com dois, ou um (mês)", disse o diretor comercial da Yara, Cleiton Vargas, citando que essa é uma situação do mercado brasileiro, enfrentada na mesma proporção pela Yara.

O novo Plano Safra 2015/16 ainda será anunciado, com linhas de financiamentos para o próximo plantio de grãos no país, mas os juros praticados atualmente pelos principais bancos já subiram na comparação com os 6,5 por cento da média ofertada no Plano Safra 2014/15.

O plano para 2015/16, a ser divulgado em 19 de maio, terá juros médios mais altos, indicou na segunda-feira a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, na esteira do aumento dos custos dos financiamentos, com a taxa referencial (Selic) e a inflação em níveis mais elevados.

Além disso, os preços dos grãos no mercado internacional estão mais baixos que em temporadas anteriores, sem contar a volatilidade do câmbio, que exige mais cautela no fechamento de compras de insumos importados, como é o caso dos fertilizantes.

QUEDA NO ANO?

A situação também gera questionamentos sobre o volume de fertilizante que comercializado no Brasil este ano. A safra 2015/16 começa a ser plantada a partir do fim de setembro, mas os preparativos começam já em meados do ano.

"Algumas consultorias estão estimando um número um pouco menor do que 2014, mas a Anda não faz previsões", disse o presidente da entidade, David Roquetti Filho.

Para a Yara, ainda não está claro se o uso de fertilizantes será igual ou ligeiramente menor que em 2014.

"A gente acredita que o mercado deve acontecer. As principais culturas estão indo bem. Se você acreditar que o mercado vai ser igual ou não muito menor, e se ele está atrasado, ele vai concentrar no segundo semestre", estimou Hanzen.

Segundo os executivos, os últimos anos registraram uma tendência de antecipação das entregas de parte dos fertilizantes para o primeiro semestre, em meio à boa disponibilidade de recursos para a aquisição e como estratégia para evitar problemas logísticos.

Em 2014, por exemplo, mais de 40 por cento das entregas de fertilizantes ocorreram nos seis primeiros meses do ano.

"Há uma tendência de volta ao padrão de 35 por cento (no primeiro semestre) e 65 por cento (no segundo)", disse Roquetti Filho.

Ele estimou que, com o atraso nas vendas, pode haver repetição de filas de navios para entrega de fertilizantes nos portos, com pagamento de multas por demora no descarregamento, em um custo extra que acabaria sendo repassado aos produtores. (Notícias Agrícolas 28/04/2015 às 18h: 54m)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Moagem no Brasil: Embora as usinas do Centro-Sul do Brasil estejam produzindo menos açúcar nesta safra 2015/16 do que no mesmo período do ciclo anterior, o mero avanço da moagem de cana na região (ver Demanda forte pelo hidratado sustenta preços), atualizada ontem pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), já foi suficiente para enfraquecer o suporte que vinha mantendo os preços em alta em Nova York. Os contratos para julho caíram 16 pontos e fecharam a 13,22 centavos de dólar a libra-peso. Além disso, traders acreditam que um grande volume de açúcar será entregue quando expirar o contrato de maio negociado na ICE Futures, o que também passou a pesar nas negociações. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal subiu 0,33%, para R$ 51,73.

Cacau: Quinta alta seguida: As cotações do cacau subiram pela quinta sessão consecutiva ontem na bolsa de Nova York, embora a variação tenha sido modesta. Os contratos com vencimento em julho fecharam cotados a US$ 2.924 por tonelada, em elevação de US$ 2. Apesar dos dados frustrantes em relação ao processamento industrial da amêndoa no primeiro trimestre em todo o mundo, parte dos investidores se ancora nas incertezas que cercam a safra 2014/15 em Gana para justificar novas compras no mercado. As lavouras do país africano, vice-líder na produção global de cacau, têm sido afetadas por doenças, o que vem provocando forte queda na produtividade. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio da arroba ficou em R$ 115 ontem, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Laranja: Oferta nos EUA: Uma nova queda no consumo de suco de laranja nos EUA, confirmada na segunda-feira pela Nielsen, teve pouco efeito sobre os preços em Nova York, que ainda encontraram sustentação nas incertezas quanto ao clima na Flórida, que abriga o segundo maior parque citrícola do mundo, atrás de São Paulo. Os lotes da bebida para julho fecharam ontem em alta de 80 pontos, a US$ 1,1975 por libra-peso, maior valor desde 6 de abril. A Flórida já vêm colhendo volumes cada vez menores de laranja em função da proliferação da doença conhecida como greening, e agora o início da temporada americana de furacões adiciona mais pressão sobre as cotações. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada à indústria permaneceu em R$ 11, segundo o Cepea/Esalq.

Soja; Demanda futura: Os preços da soja ganharam novo impulso ontem na bolsa de Chicago ante novas vendas americanas para a próxima safra e compras de fundos. Os contratos para julho fecharam em alta de 4,25 centavos, a US$ 9,7725 o bushel. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), exportadores do país acabam de acertar a venda de 390 mil toneladas para entrega no ciclo 2015/16 para "destinos desconhecidos". Em dois dias, foram 548 mil toneladas. Os fundos também abriram novas posições no mercado em meio a especulações sobre o resultado final das áreas de soja e milho que estão sendo semeadas nos EUA. No mercado doméstico, o preço médio da saca de 60 quilos na Bahia ficou em R$ 53, segundo dados da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). (Valor Econômico 29/04/2015)