Setor sucroenergético

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Sucroalcooleira GVO vende ativos para iniciar a safra 2015/16

O grupo sucroalcooleiro Virgolino de Oliveira (GVO), um dos mais tradicionais do país, pretende nas próximas semanas começar a moagem da safra 2015/16.

Conforme apurou o Valor, a empresa conseguiu levantar recursos com a venda de algumas pequenas propriedades rurais e, com isso, fazer o pagamento de funcionários e realizar a manutenção de suas quatro usinas e das máquinas agrícolas.

A empresa encontra-se em uma longa renegociação de suas dívidas com credores, a maior parte, detentores de bonds emitidos pela empresa.

A companhia emitiu US$ 735 milhões em bônus no exterior nos últimos anos, com vencimento em 2018, 2020 e 2022.

Em março, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou as notas de crédito da empresa devido à rápida deterioração de sua liquidez.

A agência mencionava que a companhia não pagava integralmente seus funcionários desde julho de 2014, assim como os seus fornecedores de açúcar.

Ao Valor, fontes da empresa afirmaram que ainda não há uma idéia de quanto de cana a empresa conseguirá processar em 2015/16 nas suas quatro usinas, todas localizadas em São Paulo, mas que certamente será menor que o volume de 2014/15 (9,2 milhões de toneladas).

Nesta segunda-feira, a missa de abertura de safra 2015/16 foi realizada na usina Catanduva.

A moagem efetiva ainda não começou devido à ocorrência de chuva na região, conforme disse uma fonte. (Valor Econômico 04/05/2015 às 20h: 46m)

 

Câmbio é decisivo na hora da compra de fertilizantes

Os produtores têm aguardado o melhor momento para a comercialização de fertilizantes, devido à desvalorização do real. Com isso, existe a possibilidade de enfraquecimento da demanda interna para a próxima safra.

A avaliação é de analistas do Rabobank, que apontam a taxa de câmbio e o tempo certo das compras decisivos para bons negócios.

Os analistas do banco acreditam que o ponto-chave da estratégia do produtor para a compra de fertilizantes para a safra 2015/16 será montar uma boa proteção contra a volatilidade do câmbio.

Ineficiência logística e alta de preço no mercado externo não dependem das ações dos agricultores. Uma prevenção contra os riscos das oscilações do câmbio, sim. (Folha de São Paulo 05/05/2015)

 

Odebrecht Agro renegocia R$ 4 bilhões

A despeito das denúncias envolvendo sua controladora na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, a Odebrecht Agroindustrial, braço sucroalcooleiro da Organização Odebrecht, inicia a safra 2015/16 de cana-de-açúcar com 20% de seu endividamento no curto prazo.

Até então, eram incômodos 45%.

Em uma negociação "mais trabalhosa" do que o usual, a subsidiária conseguiu concluir no fim do primeiro trimestre deste ano o alongamento de R$ 4 bilhões.

"Levou mais tempo e demandou mais explicações. Mas conseguimos entrar a nova safra com o caixa que precisávamos", afirmou ao Valor o presidente da companhia de açúcar e etanol, Luiz de Mendonça.

Ele explicou que a operação reduziu a dívida com vencimento em até 12 meses a R$ 1,7 bilhão, número que será apresentado nas demonstrações financeiras referentes ao exercício encerrado em 31 de março (2014/15), com divulgação prevista para junho.

Um ano antes, em março de 2014, o endividamento líquido da companhia era de R$ 10,8 bilhões, sendo metade no curto prazo.

Ao longo do ano passado, outras repactuações foram realizadas, mas a maior delas, dos R$ 4 bilhões, ocorreu justamente no calor das investigações da Lava-Jato.

"Temos enfrentado um pouco de desconfiança do setor bancário, da comunidade e de lideranças. O 'denuncismo' gera incertezas e nunca é bom para o negócio", lamentou Desde o início de 2014, a Odebrecht Agroindustrial tenta arrumar a condição financeira da companhia, que tem uma dívida equivalente a cerca de quatro vezes sua receita líquida.

Entre as operações realizadas, destaca-se a venda dos ativos de cogeração para uma outra subsidiária da própria Organização Odebrecht por R$ 3,7 bilhões.

Além disso, em outubro passado, a controladora também injetou R$ 820 milhões por meio de um aumento de capital privado.

"Essas medidas, tomadas nos últimos meses, aliadas a um maior uso da capacidade instalada, vão levar a empresa a uma melhor condição financeira e operacional", disse Mendonça.

Com capacidade para processar 34 milhões de toneladas, as nove usinas do grupo distribuídas nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás, vão moer neste ciclo 2015/16 perto de 27,5 milhões de toneladas, o equivalente a 78% da capacidade instalada.

No ciclo 2014/15, esse percentual foi de 67%, observou Mendonça. Seu otimismo, no entanto, encontra limites na alavancada condição financeira da companhia e de todo o setor sucroalcooleiro.

Durante os oito anos de política de preços controlados dos combustíveis no país, o endividamento das usinas superou a receita, indo para níveis de R$ 70 bilhões.

"É preciso discutir com as empresas que têm condição de continuar investindo no setor, um alongamento de dívida. Alguns grupos, mais capitalizados, vão comprar usinas quebradas, mas no fim das contas vai continuar sendo uma perda de capacidade", afirmou.

Questionado se o ideal seria um Proer [Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional], Mendonça afirmou não gostar de usar um termo do passado, uma vez que pode confundir o contexto presente com "perdão de dívida".

"Estamos falando de um alongamento para as empresas que podem continuar investindo e honrando seus compromissos", disse.

Outra questão urgente a ser equacionada, segundo ele, são os créditos tributários retidos pelo governo.

"Somente de Pis e Cofins, o setor sucroalcooleiro tem R$ 2 bilhões a receber do governo. Quem investiu foi penalizado", afirmou o executivo.

Só a Odebrecht Agroindustrial, disse ele, tem mais de R$ 600 milhões em crédito dessa natureza a receber, contraídos quando a empresa estava construindo suas nove usinas.

"Até hoje a companhia não recebeu. É muito dinheiro. O governo se esmera tanto em cumprir os contratos com o mercado financeiro, mas esse contrato de Pis e Cofins também foi feito com o setor industrial. Não ressarcir esses créditos é quase uma quebra contratual. Nós é que estamos financiando o governo", reclamou.

Para Mendonça, o pior da crise do setor já passou. A retomada, ainda que parcial, da cobrança da Cide na gasolina e os recentes reajustes no preço da gasolina na refinaria são sinalização positiva para setor.

"Percebe-se na agenda do governo, tanto na da ministra Kátia Abreu [Agricultura], como no do Eduardo Braga [titular de Minas e Energia], que a preocupação com o etanol e a bioenergia voltou à agenda".

No entanto, ele observou que os reajustes concedidos à gasolina nos últimos dois anos, na casa de 5% a 8%, vieram acompanhados de reajustes também para o diesel, em percentuais ainda maiores.

"Portanto, o efeito desses aumentos foram praticamente nulos, de R$ 0,02 a R$ 0,03 por litro, ao etanol, na medida em que o diesel é um componente importante de custos para as usinas".

Já a volta da cobrança da Cide, de R$ 0,22 por litro, foi mais substancial, apesar de ter recomposto apenas parcialmente a incidência do tributo, disse o executivo.

Atualizada, a Cide deveria estar incidindo em R$ 0,45 a R$ 0,50 por litro de gasolina.

"Teve um alento, mas para quem ficou por sete anos com preços controlados, ainda é muito pouco. Ainda há correções a serem feitas".

Sem contar, segundo ele, que faltam regras claras para a política energética do país no longo prazo.

"É um absurdo o governo aceitar pagar um preço elevado pela energia das usinas térmicas a diesel, e não aceitar pagar um pouco mais pela cogeração a partir de biomassa", lamentou.

Assim, investimentos, antes superiores a R$ 1 bilhão por ano, agora ficam na casa dos R$ 600 milhões, basicamente destinados à renovação de canaviais e à conclusão dos últimos projetos de expansão industrial, como o da usina Eldorado (MS), que de 1,7 milhão de toneladas, teve sua capacidade ampliada para 3,5 milhões.

"O foco neste momento é reduzir o custo da cana colocada na esteira, o chamado Corte, Carregamento e Transporte (CCT)", afirmou. (Valor Econômico 05/05/2015)

 

Açúcar: No vermelho

Os contratos do açúcar demerara levaram um tombo ontem na bolsa de Nova York, refletindo o dólar valorizado e a oferta elevada.

Os lotes para outubro fecharam com recuo de 39 pontos, a 12,94 centavos de dólar a libra-peso. O dólar tem retomado a trajetória de alta, o que estimula as exportações do Brasil.

Os traders ainda sentem o impacto da entrega de um volume recorde de açúcar no vencimento do contrato de maio.

Para Arnaldo Correa, da Archer Consulting, isso mostra que a bolsa é o melhor lugar para as usinas venderem sua produção, mesmo com o custo para carregar o produto até a entrega efetiva.

O mercado também é pressionado pelo otimismo com a safra no Centro-Sul.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,19%, para R$ 51,54 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 05/05/2015)

 

Unica aprova decisão da UE sobre uso de biocombustíveis

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) avaliou como positiva a decisão do Parlamento Europeu de limitar em 7% o uso de biocombustíveis na União Europeia (UE). Havia uma possibilidade da reforma das diretivas sobre promoção das energias renováveis (Renewable Energy Directive - RED) e sobre a qualidade dos combustíveis (Fuel Quality Directive -FQD), aprovadas na semana passada, reduzir a mistura de 10% para 5%. O novo texto, conhecido pela sigla ILUC, também estabeleceu regras mais claras para os agentes para os próximos anos, afirma a entidade, em nota.

"Apesar da decepção a respeito da não inclusão de um mandato específico de etanol na gasolina, houve uma melhoria importante em relação ao texto originalmente proposto. A adoção de um limite de 7% para os biocombustíveis convencionais foi o resultado possível no processo de negociação e representará um mercado potencial equivalente a pouco mais do que o E-8, ou seja, o mercado europeu de etanol deverá duplicar até 2020", disse em nota a presidente da Unica, Elizabeth Farina. Já Geraldine Kutas, assessora sênior para assuntos internacionais da presidência da associação, afirmou no mesmo comunicado que a entidade continuará atuando para que a U.E. alcance 10% de uso de energias renováveis nos transportes.

"APESAR DA DECEPÇÃO A RESPEITO DA NÃO INCLUSÃO DE UM MANDATO ESPECÍFICO DE ETANOL NA GASOLINA, HOUVE UMA MELHORIA IMPORTANTE EM RELAÇÃO AO TEXTO ORIGINALMENTE PROPOSTO"

A ILUC deve ainda receber a aprovação final dos Estados membros da União Europeia, que podem estabelecer limites mais baixos em seus respectivos territórios. Bagaço e palha da cana estão incluídos na lista de matérias-primas que podem ser utilizadas na produção de biocombustíveis avançados.

Conforme a Unica, a ILUC deve ser formalmente adotada pelo Conselho em junho, mas o texto não deverá ser alterado. Depois disto, a Comissão deverá adequar a linguagem jurídica e traduzir o texto em todos os idiomas da UE, processo que deve terminar em novembro deste ano. A Diretiva entrará em vigor 24 meses após a sua publicação no Diário Oficial da UE, o que na prática corresponde ao final de 2017. (Agência Estado 04/05/2015)

 

Crise política não muda investimentos da Rumo ALL, diz presidente

A Rumo ALL não sentiu de forma muito pronunciada o desaquecimento da economia, afirmou Julio Fontana, presidente da companhia, recém criada pela fusão entre a ALL e a Rumo, do grupo Cosan.

O executivo participa de evento em comemoração aos 15 anos do Valor, na noite desta segunda-feira, em São Paulo.

“Somos muito ligados ao agronegócio e o mercado está aquecido”, ressalta.

Segundo ele, a companhia enfrentou problemas por conta da greve dos caminhoneiros, mas os problemas são pontuais.

Ele reconhece que a crise política que paralisou as decisões no Congresso é uma preocupação, sobretudo do ponto de vista institucional.

Mas afirma que não houve mudanças no plano de investimentos por conta do cenário de instabilidade atual.

“Temos um plano de investimentos bastante audacioso para os próximos cinco anos e ele está mantido”, garante.

De acordo com o executivo, que representa a Cosan, outras áreas de negócio do grupo estão sofrendo mais com o panorama atual.

“Vários ramos estão sofrendo com o cenário indefinido, especialmente na área industrial”, disse.

Segundo ele, a principal preocupação do grupo diz respeito às decisões sobre concessões de ferrovias e portos.

“O modelo de outorga [onerosa] nos parece muito mais adequado.

Esse modelo todo mundo já conhece e ele pode destravar os investimentos.

O modelo anterior deixava a gente muito mais assustado, tanto é que não houve ofertas [nas últimas licitações]”, argumenta. (Valor Econômico 04/05/2015 às 21h: 03m)

 

Etanol hidratado cai 0,7% na usina em SP com oferta da nova safra

Os preços do etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, recuaram na usina em São Paulo.

O indicador semanal Cepea/Esalq para o biocombustível foi a R$ 1,2614 o litro, entre 27 e 30 de abril, queda de 0,7% em relação à semana anterior.

Na comparação com um ano antes, o valor do indicador para o hidratado está neste momento 6,9% mais baixo.

Já o anidro, que é misturado à gasolina na proporção de 27%, subiu entre 27 e 30 de abril, 2,75%, a R$ 1,4166 o litro.

No entanto, se comparado com a cotação em 25 de abril de 2014, quando o indicador para o anidro estava em R$ 1,5383 o litro, o preço neste momento está em 7,9% mais baixo.

Na última semana, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) informou que, até 16 de abril, a produção de etanol hidratado no Centro-Sul havia alcançado 681,14 milhões de litros, aumento de 51,98% sobre o volume apurado no mesmo período de 2014. (Valor Econômico 04/05/2015 às 15h: 51m)

 

Vendas da divisão agrícola da Basf sobem 15% no 1º trimestre

O grupo alemão Basf registrou queda no lucro líquido no primeiro trimestre deste ano, resultado da queda nos preços do petróleo e encargos relacionados com o programa de compensação baseado em ações da empresa.

Mesmo assim, o resultado ficou acima da expectativa do mercado puxado sobretudo pela divisão agrícola da companhia.

Conforme balanço financeiro divulgado hoje, a divisão Agro Science registrou vendas totais de 1,9 bilhão de euros neste período, com um aumento significativo de 15%.

O resultado se deveu a volumes maiores negociados tanto na Europa quanto na América do Norte.

“Efeitos cambiais positivos e preços mais altos contribuíram para os ganhos”. Com isso, a companhia registrou um Ebitda de 574 milhões de euros nos três meses, 64 milhões de euros a mais que no mesmo período de 2014.

As ações da companhia subiam 2,3% na bolsa de Frankfurt, sendo negociadas a 91,12 euros.

No ano, a Basf já acumula ganho de 30% em suas ações. (Valor Econômico 30/04/2015)

 

Brasil exportou 21 milhões de litros de etanol em abril,diz o MDIC

A receita cambial do biocombustível alcançou US$ 10,5 milhões em abril, recuo de 83,2% ante março. Em relação aos US$ 96 milhões de abril de 2014, houve queda de 89,1%.

O Brasil exportou, no mês de abril, 21 milhões de litros de etanol, o que corresponde a uma queda de 81,1% na comparação com os 111 milhões de litros embarcados em março. Em relação a abril do ano passado, quando foram embarcados 137,4 milhões de litros, o volume é 84,7% menor, informou, nesta segunda-feira, 4, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

A receita cambial com a venda do biocombustível alcançou US$ 10,5 milhões em abril, recuo de 83,2% ante os US$ 62,4 milhões registrados em março. Em relação aos US$ 96 milhões de abril de 2014, houve queda de 89,1%.No acumulado de 2015, as exportações somam 356,6 milhões de litros (-24,6%), com receita de US$ 202,7 milhões (-34,9%). (Agência Estado 04/05/2015)

 

Exportações caem 23,2% em abril, diz Mdic

As exportações brasileiras caíram 23,2% em abril na comparação com o mesmo mês de 2014 de acordo com a média diária de embarques.

Esse indicador, que divide o valor exportado no mês pelo número de dias úteis, foi de US$ 757,8 milhões no quarto mês deste ano ante US$ 986,2 milhões em abril de 2014.

A pior queda aconteceu com os produtos básicos, cuja média diária caiu 28,9%.

Dentro desse grupo, as piores retrações foram com minério de ferro, soja em grão e farelo de soja.

Os produtos semimanufaturados, por sua vez, tiveram um decréscimo de 20% nas vendas ao exterior em abril devido principalmente ao menor valor exportado de ouro em forma semimanufaturada, açúcar em bruto e semimanufaturados de ferro e aço.

A menor queda foi registrada nos produtos manufaturados, cujos embarques internacionais caíram 14,9%.

Na comparação com abril de 2014, as piores quedas foram com açúcar refinado, automóveis de passageiro e máquinas para terraplenagem. (Valor Econômico 04/05/2015 às 15h: 28m)

 

Frente da Agropecuária defende compensação de PIS/Cofins para setor sucroenergético

"Compensação de PIS/Confins do setor para abater na Previdência seria uma saída para aliviar a crise do setor. Mas ainda seria muito pouco"

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Marcos Monte (PSD-MG), disse que se reunirá com a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, nesta semana para discutir algumas ações para ajudar o setor sucroalcooleiro nacional.

Segundo ele, em participação na ExpoZebu no sábado, uma das medidas a ser debatida com a ministra é a de viabilizar créditos de PIS/Cofins para compensar gastos com a Previdência.

"Compensação de PIS/Confins do setor para abater na Previdência seria uma saída para aliviar a crise do setor. Mas ainda seria muito pouco", afirmou a produtores rurais mineiros que participaram de debate técnico na exposição.

Monte ressaltou que a perspectiva para o setor, apesar da crise atual, é positiva, mas que o governo ainda "não está dando a devida atenção ao setor. (Agência Estado 04/05/2015)

 

Bayer indenizará produtores por perdas na soja

Fungicida utilizado no tratamento das sementes teria “defeito de fabricação”.

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que condenou a Bayer a indenizar produtores rurais por perdas na safra de soja, cujas sementes foram tratadas com o fungicida Rhodiauram, que teria defeito de fabricação. Os ministros entenderam que, para receber a indenização, não é preciso que o produtor comprove a efetiva utilização do fungicida defeituoso, bastando demonstrar que houve a compra do produto na quantidade alegada.

No julgamento, a Turma seguiu o voto do ministro Paulo de Tarso Sanseverino, relator do processo, e negou recursos tanto da Cooperativa dos Cafeicultores da Média Sorocabana (Coopermota), autora da ação coletiva de indenização por acidente de consumo, e como da Bayer, fabricante do fungicida.

Em recurso especial no STJ, a cooperativa sustentou que a responsabilidade por acidente de consumo não depende da existência de contrato, razão pela qual os juros de mora deveriam incidir desde “o evento danoso”, e não a partir da citação da Bayer na fase de conhecimento do processo, como ficou decidido nas instâncias ordinárias.

O TJSP determinou que, na fase de liquidação, cada agricultor deveria comprovar a quantidade adquirida dofungicida defeituoso ou a quantidade comprada de sementes já tratadas com o produto. Para isso, teria de ser apresentada nota fiscal de venda ou declaração contábil emitida pela cooperativa.

No recurso ao STJ, a Bayer discordou da forma como seriam estimados os prejuízos de cada agricultor na safra de soja. Aduziu que a nota fiscal de venda e a declaração contábil não poderiam vincular terceiros, por se tratar de documentos particulares.

Em relação ao recurso da cooperativa, Sanseverino concluiu que, embora a responsabilidade por acidente de consumo não dependa de prévia relação obrigacional, isso não significa que será sempre extracontratual. “No caso dos autos, não há dúvida do caráter contratual da obrigação de indenizar atribuída à Bayer, de quem a cooperativa e os agricultores cooperados adquiriram, por meio de contratos de compra e venda, o fungicida defeituoso”, afirmou.

Assim, segundo o relator, a constituição da mora dependia de interpelação do devedor, e o tribunal de origem agiu corretamente ao estipular a data da citação na fase de conhecimento como termo inicial dos juros de mora.

Ao negar provimento ao recurso da Bayer, o magistrado disse que o TJSP decidiu pela apresentação dos documentos mencionados com base nos artigos 378, 379 e 380 do Código de Processo Civil (CPC), que tratam da força probante dos documentos. “Não há qualquer impedimento à instrução das liquidações de sentença, desde que se assegure à Bayer o exercício das garantias do contraditório e da ampla defesa”, acrescentou o ministro. (Globo Rural 04/05/2015)

 

Commodities e incêndio em Santos explicam queda das exportações em abril

A queda no preço das commodities (bens primários com cotação internacional) e o incêndio no Porto de Santos, que paralisou por cerca de dez dias as atividades no maior terminal marítimo da América Latina, são as principais razões da queda das exportações em abril. A avaliação é do diretor do Departamento de Estatística e Apoio à Exportação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Herlon Brandão.

No mês passado, as exportações brasileiras caíram 23,2% em relação a abril do ano passado pela média diária. Em relação às commodities, os destaques negativos são o minério de ferro, cujo preço internacional está nos menores níveis desde 2008, e a soja, cuja safra está atrasada em relação ao ano passado e que também tem sofrido queda no preço.

Em relação ao minério de ferro, a queda de preço anulou o recorde na quantidade exportada. Nos quatro primeiros meses do ano, o volume exportado do produto subiu 12%, o preço porém despencou 51%. A quantidade exportada de soja em grão recuou 24,3%, enquanto o preço caiu 22%.

De acordo com Brandão, parte da queda dos embarques de soja está relacionada ao atraso na safra. “Por fatores climáticos, a safra neste ano está vindo mais tarde. Mas a gente espera que, a partir de maio, as exportações de soja aumentem de forma significativa”, declarou. Outra parte está relacionada ao incêndio no Porto de Santos. Em abril, as exportações pelo terminal marítimo caíram 58,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, com destaque negativo para es embarques de soja, que recuaram 85% na mesma base de comparação.

Na última semana, os preços internacionais do minério de ferro subiram fortemente, após o anúncio de que uma das maiores mineradoras do mundo suspendeu novos projetos. O diretor do ministério diz, no entanto, que o efeito dessa melhora vai demorar a chegar à balança comercial brasileira.

“O ministério se baseia nos preços de exportação, não nas cotações das bolsas de valores. As exportações de agora seguem preços de contratos assinados há alguns meses. Se a tendência de recuperação do preço internacional persistir, somente a partir de junho se refletirá na balança comercial”, explicou Brandão.

Apesar de acumular déficit comercial de US$ 5,066 bilhões nos quatro primeiros meses do ano, Brandão manteve a estimativa de que o país fechará 2015 com as exportações maiores que as importações. Segundo ele, a desaceleração da economia interna e a diminuição da demanda por combustíveis farão o país importar menos, compensando a redução das exportações.

Em relação ao dólar, que acumula alta de cerca de 15% neste ano, o diretor disse que o câmbio só beneficiará definitivamente as exportações quando a cotação se estabilizar. “Os exportadores precisam de uma taxa estável para ter previsibilidade para fechar contratos”, declarou. (EBC 04/05/2015)

 

Balança registra superávit de US$ 491 milhões

Exportações superam importações, mas resultado é inferior ao de abril de 2014.

As exportações brasileiras superaram as importações em US$ 491 milhões em abril, no segundo saldo positivo da balança comercial registrado este ano.

Mas, mesmo com o resultado positivo , o segundo consecutivo, os números indicam uma pequena piora em relação a abril de 2014, quando foi registrado um superávit de US$ 506 milhões.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), foram registrados em abril US$ 15,156 bilhões em exportações e US$ 14,665 bilhões em importações. Pesaram sobre o resultado fatores como os embarques de soja, afetados pela greve dos caminhoneiros e por um incêndio que afetou por dez dias o Porto de Santos .

Houve, ainda, atrasos na colheita do produto em estados como o Paraná.

A queda do preço do minério de ferro também pesou bastante, afirmou Herlon Brandão, diretor do departamento de estatística e apoio à exportação do MDIC, lembrando que o preço da commodity teve uma queda de 51%. Por outro lado , ressaltou ele , o déficit na conta-petróleo ainda é significativo.

No primeiro quadrimestre, as compras superaram as vendas em US$ 3,511 bilhões.

A redução de exportações para os Estados Unidos se deu, principalmente, por causa do petróleo, observou.

NO ANO, DÉFICIT DE US$ 5 BILHÕES

O saldo geral positivo, porém, ajudou a reduzir o déficit acumulado no ano, de US$ 5,556 bilhões de janeiro a março de 2015, para US$ 5,066 bilhões.

O total exportado nos quatro primeiros meses foi de US$ 57,931 bilhões, e os gastos no exterior somaram US$ 62,997 bilhões.

Apesar do superávit de abril, a balança comercial brasileira continua com o desempenho fraco.

A corrente de comércio, que é a soma das exportações com as importações, registrou uma redução de 16,1%. O total apurado no mês passado foi de US$ 29,821 bilhões.

O resultado do mês passado foi o pior para meses de abril desde 2013, quando houve um déficit de US$ 989 milhões.

No acumulado do ano, as exportações recuaram 16,4%, enquanto as importações diminuíram 15,9% em relação ao primeiro quadrimestre de 2014.

Em abril, as exportações de básicos, como minério de ferro , soja em grão e carnes, caíram 28,9% fr ente a abril de 2014.

Já as de semimanufaturados (açúcar em bruto semimanufaturados de ferro e aço e ferro-ligas) decresceram 20%.

As importações também caíram. Os gastos com combustíveis e lubrificantes recuaram 48,3%; com matérias-primas e intermediários , 19,8%; bens de consumo , 17,9%; e bens de capital, 16,4%. (O Globo 05/05/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: No vermelho: Os contratos do açúcar demerara levaram um tombo ontem na bolsa de Nova York, refletindo o dólar valorizado e a oferta elevada. Os lotes para outubro fecharam com recuo de 39 pontos, a 12,94 centavos de dólar a libra-peso. O dólar tem retomado a trajetória de alta, o que estimula as exportações do Brasil. Os traders ainda sentem o impacto da entrega de um volume recorde de açúcar no vencimento do contrato de maio. Para Arnaldo Correa, da Archer Consulting, isso mostra que a bolsa é o melhor lugar para as usinas venderem sua produção, mesmo com o custo para carregar o produto até a entrega efetiva. O mercado também é pressionado pelo otimismo com a safra no Centro-Sul. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,19%, para R$ 51,54 a saca de 50 quilos.

Café: Recuo em NY: Os preços do café caíram ontem em Nova York sob o efeito da valorização do dólar e de perspectivas de uma boa safra no Brasil. Os lotes do arábica para julho caíram 130 pontos, a US$ 1,329 a libra-peso. A alta do dólar, como a ocorrida ontem ante o real, costuma estimular os produtores a comercializarem sua produção no exterior. Além disso, mais uma trading divulgou uma estimativa de boa safra brasileira em 2015/16, somando-se a recentes projeções que indicam uma produção melhor que o esperada até então. "A percepção atual é que há café suficiente para conectar um ciclo de leve déficit mundial, até o esperado ciclo recorde de 2016/17", disse Rodrigo Costa, em relatório da Archer Consulting. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica caiu 1,23%, para R$ 430,33 a saca.

Milho: Grãos no chão: A percepção de que os produtores dos Estados Unidos realizaram um avanço notável no plantio de milho na última semana pesou ontem sobre as cotações do cereal na bolsa de Chicago. Os lotes para julho fecharam em queda de 1,75 centavo, a US$ 3,6125 o bushel. Os investidores acreditavam que 50% da área reservada para o cereal já havia sido semeada até domingo. Depois que o pregão regular fechou em Chicago, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou que o plantio já havia se estendido para 55% da área. Nos próximos dias, o clima deve continuar como aliado dos produtores, já que a previsão é de tempo aberto ao menos no sudeste do Meio-Oeste americano. No mercado interno, o indicador Esalq/ BM&FBovespa teve queda de 0,27%, para R$ 25,91 a saca.

Trigo: Clima favorável: Os futuros de trigo cederam ontem nas bolsas americanas reflexo do clima favorável nas áreas produtoras dos EUA e da expectativa que a Rússia acabe com a tarifa sobre as exportações do cereal. Os papéis para julho caíram 1,25 centavo, a US$ 4,7275 o bushel, nova mínima em cinco anos. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, o mesmo contrato recuou 2,25 centavos, a US$ 4,9825 o bushel. As previsões são de que o clima continue beneficiando as lavouras no sul das Grandes Planícies americanas. Ontem, após o fechamento do pregão, o USDA divulgou que 43% da área cultivada no país estavam em condições "boas a excelentes", 12 pontos acima da mesma época do ano passado. No Paraná, o cereal foi negociado em alta de 0,11%, a R$ 35,68 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 05/05/2015)