Setor sucroenergético

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Venda de colheitadeiras recua 40%

A indústria de máquinas agrícolas deve indicar repasses para as concessionárias de apenas 201 colheitadeiras em abril.

Se confirmado, esse volume de vendas indicará queda de 40% em relação a abril do ano passado. Além disso, será o menor patamar de negócios nos meses de abril desde 2009.

No fechamento do primeiro quadrimestre, as vendas somaram apenas 1.375 unidades (-42%). (Folha de São Paulo 06/05/2015)

 

Açúcar: Compras técnicas

O mercado de açúcar demerara recuperou-se ontem após as perdas da sessão anterior na bolsa de Nova York, sustentado pelo interesse de compra dos especuladores quando os contratos com vencimento em julho chegaram ao suporte técnico de 12,35 centavos de dólar por libra-peso.

No fim do dia, a cotação fechou em 12,75 centavos de dólar a libra-peso na bolsa, com valorização de 24 pontos.

Entretanto, do lado dos fundamentos as perspectivas continuam ruins para os preços da commodity.

Acredita-se que as usinas brasileiras aumentarão sua produção de açúcar nas próximas semanas conforme avança a colheita e a moagem de cana da safra 2015/16.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq de açúcar cristal caiu 0,16%, para R$ 51,46 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 06/05/2015)

 

Basf tem plano de triplicar negócios na região até 2025

A gigante alemã Basf, que completa 150 anos de história em 2015, prepara um novo salto dos negócios na América do Sul.

Em dez anos, o faturamento da companhia química na região, cujas operações são comandadas a partir do Brasil, deve chegar a € 9 bilhões, o equivalente a quase o triplo das receitas de € 3,5 bilhões registradas no ano passado.

Globalmente, a companhia teve vendas de € 74,3 bilhões em 2014, e cerca de 5% foram geradas pela operação sul-americana.

Importante impulso virá do pacote de € 1,1 bilhão em investimentos programados entre 2013 e 2017, incluindo o aporte de € 540 milhões no Complexo Acrílico de Camaçari, na Bahia.

Prestes a ser inaugurado, o projeto baiano tem três fábricas, de ácido acrílico, acrilato de butila e polímeros super absorventes (SAP), usados em uma série de indústrias, e corresponde ao maior desembolso da companhia alemã no Brasil em 104 anos de presença local.

Em entrevista ao Valor, o presidente da Basf para a América do Sul, Ralph Schweens, afirmou que a previsão de crescimento de três pontos percentuais acima do mercado até 2025 reflete a estratégia de lançamento de novos produtos na região, as vendas provenientes de inovação desenvolvida regionalmente devem alcançar 3 bilhões de euros naquele ano e investimentos em expansão.

Do lado da capacidade adicional, contou o executivo, embora o destaque do pacote atual de investimentos seja o Complexo Acrílico, que ganhou menção no relatório de resultados globais de 2014, a Basf tem realizado aportes em outras áreas, como por exemplo na expansão da produção de agroquímicos na fábrica de Guaratinguetá (SP).

A companhia planeja ainda aportes de infraestrutura, especificamente em armazenamento, e na Suvinil, marca de tintas da Basf, a aposta é crescente em inovação. Sobre a operação de tintas no país, a Basf atua há 60 anos no mercado de tintas imobiliárias com a marca Suvinil e não tem esse negócio em nenhuma outra parte do mundo, o executivo diz que um dos principais ativos é o "portfólio jovem".

A companhia também produz pigmentos e aditivos.

"Em Camaçari, vamos produzir acrilato de butila, que usado na produção de tintas. Logo, faz todo o sentido manter essa operação", afirmou.

Na Bahia, a inauguração do megaprojeto de ácido acrílico, que usará propeno fornecido pela Braskem, deve ocorrer ainda no primeiro semestre.

A expectativa é a de que o investimento em Camaçari tenha impacto positivo de cerca de US$ 300 milhões ao ano na balança comercial brasileira, dos quais US$ 200 milhões via redução de importações e outros US$ 100 milhões em aumento das exportações.

Dessa forma, o projeto trará alívio, ainda que relativamente pequeno, ao elevado déficit comercial da indústria química brasileira, que superou US$ 31 bilhões no ano passado.

O empreendimento se somará às outras 12 unidades industriais da Basf no país, onde a principal área de atuação, diferentemente da operação global, é o agronegócio.

Na América do Sul, o campo é responsável por 33% das vendas companhia, enquanto mundialmente o segmento de soluções para agricultura gerou, em 2014, apenas 7% das vendas, o negócio de químicos e o segmento de materiais e soluções funcionais responderam pela maior fatia das receitas.

De acordo com Schweens, o processo atual de enfraquecimento da economia brasileira não altera os planos para os próximos anos, mas pode ter algum impacto no ritmo de crescimento no curto prazo.

"Os planos gerais não mudaram muito. Estamos há 104 anos no país e não é a primeira vez que o Brasil enfrenta uma situação difícil", afirmou.

Segundo o executivo, a liderança da Basf na Alemanha sabe que o desenvolvimento econômico do país é "irregular" e, embora esperasse crescimento mais forte do país, "não está em pânico".

No setor de químicos, a redução da atividade econômica nacional se refletiu em queda de 1,87% da produção no primeiro trimestre, redução de 1,05% das vendas internas, retração de 0,4% do consumo aparente nacional (CAN) e baixa de 5,7% nas importações, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

O comando da gigante alemã, por outro lado, está atento às oportunidades na área de bioquímica, diante da elevada oferta de biomassa no Brasil.

"Estamos muito interessados no tema. A mensagem que mando para a Alemanha é que, se alguma indústria pode desenvolver o setor de biomassa, é a do Brasil", afirmou Schweens.

De olho nesse potencial, a Basf mantém contato com a GranBio, dona da primeira usina de etanol celulósico do Brasil e que pretende avançar sobre a área bioquímica.

Uma das metas globais da Basf até 2020 é justamente adaptar todas as suas soluções químicas a critérios de sustentabilidade.

Para tanto, a companhia lançou em 2011 o programa "Sustainable Solution Steering", que prevê a classificação de todo o seu portfólio de produtos em quatro categorias conforme o atendimento a normas de sustentabilidade.

"Já houve caso de retirada do produto do portfólio", contou o executivo, ressaltanto que a Basf foi "a primeira empresa química a fazer esse exercício". (Valor Econômico 06/05/2015)

 

Cidades registram panelaço durante programa do PT na televisão

Propaganda do partido foi ao ar às 20h30 desta terça. Ato convocado por redes sociais ocorreu em ao menos 18 estados e DF.

Gritos, vaias e batidas de panelas foram ouvidos na noite desta terça-feira (5) durante o programa partidário apresentado pelo Partido dos Trabalhadores na televisão das 20h30 às 20h40 (horário de Brasília). Os protestos foram convocados pelas redes sociais e aconteceram em ao menos 18 estados (AM, BA, CE, ES, GO, MA, MG, MT, PB, PE, PA, PI, PR, RJ, RN, RS, SC, SP) mais o Distrito Federal, segundo relatos ouvidos pelo G1 até as 21h25.

No programa, o PT disse que vai expulsar integrantes do partido se forem condenados pela Justiça.

Em março, outros "panelaços" foram registrados como protesto: no dia 8, durante discurso da presidente Dilma Rousseff em rede nacional; no dia 15, durante entrevista coletiva dos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Miguel Rossetto (Secretaria Geral); e no dia 16, no momento em que o Jornal Nacional veiculava reportagens sobre a presidente Dilma.

Ao G1, o vice-presidente do PT, Alberto Cantalice, comentou o "panelaço" e ressaltou que, enquanto a propaganda da legenda ia ao ar, o tópico "tô na luta pelo Brasil", proposto pela legenda e replicado por internautas, estava entre o assuntos mais publicados no Twitter. "Enquanto parte deles batia panelas, a gente colocava a hastag 'TôNaLutaPeloBrasil' nos Trending Topics (do Twitter)", declarou o vice-presidente do PT. (G1 05/05/2015)

 

Preço do etanol anidro registra queda de 11% em um ano

Segundo Cepea, estoques altos estão pressionando a cotação do combustível.

O preço médio do etanol no mercado paulista iniciou a safra 2015/2016 inferior ao registrado em março de 2015 e também abaixo do valor de abril de 2014. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com os estoques relativamente altos, as usinas precisam ofertar o combustível remanescente, pressionando as cotações.

Anfavea: mistura 27,5% de etanol não oferece risco

Nem mesmo o maior volume negociado em abril de 2015 foi suficiente para evitar novos recuos mensais das cotações.

Em abril deste ano, o Indicador Cepea/Esalq do anidro (Estado de São Paulo) teve média de R$ 1,4015/litro (PIS/Cofins zerados), quedas de 2,5% em relação ao mês anterior e de 11% sobre o mesmo mês de 2014, considerando a inflação do período.

Para o hidratado, o Indicador mensal foi de R$ 1,2616/litro (sem impostos), respectivas baixas de 1,1% e 9%, também considerando a inflação.

Açúcar

Os preços do açúcar cristal subiram no mercado spot paulista em abril, mesmo com o início oficial da safra 2015/2016 no Centro-Sul do Brasil.

De acordo com dados do Cepea, a média do Indicador Cepea/Esalq, com Icumsa entre 130 a 180, foi de R$ 51,57/saca de 50 kg em abril fr 2015, valor 1,18% maior que o de março de 2015 (R$ 50,97/saca).

USDA: moagem no Centro-Sul deve subir 3%

Em relação há um ano, no entanto, a média de abril deste ano foi 3,15% inferior (o Indicador teve média de R$ 53,25/saca de 50 kg em abril de 2014), considerando a inflação.

Segundo levantamento do Cepea, o número de usinas que iniciou a moagem da cana-de-açúcar da nova temporada aumentou na segunda quinzena de abril.

No geral, a oferta de açúcar se restringiu a tipos de qualidades inferiores, que não fazem parte do Indicador.

Somente na última semana do mês que houve pequeno aumento na oferta de açúcar de maior qualidade (Icumsa até 180) e, com isso, alguns negócios envolvendo esse tipo foram captados. (Canal Rural 05/05/2015)

 

Louis Dreyfus Commodities dá ênfase a aumento de eficiência

Principal frente de negócios da Louis Dreyfus Commodities (LDC) no mundo atualmente, o Brasil deverá absorver 20% dos investimentos globais de US$ 4 bilhões que a multinacional francesa planeja realizar para fortalecer suas operações nos próximos cinco anos.

E, como no caso de concorrentes como ADM, Bunge e Cargill, a maior parte dos recursos destinados ao país deverá ser aplicada em logística, especialmente na região Norte.

"Vamos investir R$ 500 milhões por ano [até 2019].

O objetivo é dar ênfase às operações, com foco em ganhos de eficiência", diz Roberto Bento Vidal, que assumiu oficialmente o cargo de CEO da subsidiária brasileira no início de março.

Com passagens por empresas como Ambev e Votorantim, Vidal está na Dreyfus há um ano e meio. Antes de substituir Adrian Isman no comando da LDC Brasil, era o principal executivo da área operacional.

"Novato" no grupo, Vidal, que tem 44 anos, evita comentários sobre as inúmeras mudanças na gestão da multinacional nos últimos anos, nos planos global e local.

Não considera que tenha sido um período de turbulência, ainda que o grupo tenha sido alvo das mais variadas especulações sobre seu futuro.

Muitos analistas chegaram a afirmar que o conglomerado francês só sobreviveria à maior concorrência entre as tradings, inclusive as asiáticas, se fundisse seus negócios com os de alguma rival.

Mudanças aconteceram, é verdade, mas nada tão radical.

No Brasil, por exemplo, foi marcante o "spin off" dos negócios de açúcar e etanol que resultou na criação da Biosev, que abriu o capital em 2013. Mas a vida continuou.

"As mudanças que aconteceram fazem parte de uma fase normal da evolução do grupo", afirma Vidal.

"O importante, agora, é melhorar nossa comunicação interna, fomentar o trabalho em equipe e entregar resultados, mantendo uma visão de longo prazo", acredita.

E bola para frente.

Aparentemente menos preocupada em ampliar o portfólio de produtos de maior valor agregado do que em ganhar mais eficiência ao longo das cadeias produtivas nas quais atua, principalmente grãos, a LDC Brasil já começou a incrementar os investimentos para expandir cada vez mais o escoamento de grãos destinados à exportação pelo Norte do país.

Em parceria com outras empresas, entre as quais a também multinacional Glencore e a Amaggi, controlada pela família do senador Blairo Maggi (PR-MT), a LDC já opera no porto de Itaqui, no Maranhão, o Tegram, primeiro terminal exclusivo para grãos do Estado.

E, paralelamente, começa a avançar o projeto de construção de um terminal de transbordo no rio Tapajós, que corta o Pará.

Essa é frente que deverá absorver a maior parte dos investimentos previstos para os próximos anos.

"É um projeto de três ou quatro anos. Depois dos aportes na operação da hidrovia, teremos investimentos portuários a fazer, que ainda estão indefinidos [e dependem do andamento do processo de concessão de terminais à iniciativa privada]".

Em cinco ou seis anos, Vidal estima que a LDC estará transportando cerca de 3 milhões de toneladas de grãos pelo Tapajós. Pelo Tegram, o escoamento dos parceiros poderá chegar a 10 milhões de toneladas até 2022, como já informou o Valor. Para navegar pelo Tapajós, afirma o CEO, a LDC Brasil provavelmente contará com barcaça e empurradores próprios e aproveitará a experiência que tem a partir de operações na hidrovia Tietê-Paraná, atualmente paradas por conta da estiagem do ano passado e também no Paraguai.

"Ao mesmo tempo, vamos investir para ampliar a originação de grãos e em armazéns. Avançar na cadeia produtiva depende dessa competitividade", diz Vidal.

Com esses aportes em "negócios que fazem sentido", como pontua o executivo, a expectativa é que a movimentação de grãos da LDC no Brasil, que em 2014 alcançou cerca de 10 milhões de toneladas (a soja respondeu por 75% do total e o milho pelos 25% restantes), aumente em até 50% nos próximos anos.

Na área de grãos, Vidal também realça a expansão das operações no mercado de milho após a aquisição, em 2014, da Kowalski Alimentos, dona de unidades de processamento e produção de itens de maior valor agregado em Apucarana (PR) e Rio Verde (GO). Ainda sobre os negócios no país, Vidal reafirma o compromisso da LDC de manter uma posição firme no mercado de suco de laranja, a empresa é a terceira maior exportadora do produto brasileiro, atrás de Citrosuco e Cutrale e acredita que é possível ampliar a participação no mercado de café, no qual já movimenta 250 mil toneladas por ano, boa parte para exportação.

Em 2014, a receita líquida da LDC Commodities Brasil e suas controladas ficou estável em R$ 13,9 bilhões.

E, segundo balanço publicado no "Diário Oficial Empresarial de São Paulo", houve prejuízo de R$ 166,9 milhões, ante perda de R$ 131,6 milhões em 2013. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques da múlti a partir do país renderam US$ 476,9 milhões no primeiro trimestre, 39,5% menos que em igual período de 2014.

Já os resultados globais do grupo melhoraram em 2014. (Valor Econômico

06/05/2015)

 

Lucro global da ADM subiu 84% no 1º tri, para US$ 493 milhões

A Archer Daniels Midland Company (ADM), uma das maiores empresas de agronegócio do mundo, reportou ontem um lucro líquido de US$ 493 milhões no primeiro trimestre de 2015, encerrado em 31 de março, expressivo avanço de 84% em relação ao mesmo período do ano passado.

A receita, por sua vez, recuou 15,4% na mesma comparação, para US$ 17,506 bilhões.

A queda nos preços das commodities no mercado internacional contribuiu para pressionar a receita da ADM, enquanto o aumento das margens de processamento favoreceu o crescimento do resultado líquido.

O lucro antes de juros e impostos (Ebit, na sigla em inglês) registrou elevação de 88,5%, para US$ 690 milhões.

O destaque ficou por conta das operações de processamento de oleaginosas, que resultaram em um lucro operacional de US$ 469 milhões, alta de 57,9% ante o primeiro trimestre de 2014.

"A equipe de oleaginosas capitalizou em condições favoráveis de mercado e entregou excelentes resultados, com fortes performances em cada região", disse o CEO Juan Luciano, em nota.

O bom desempenho refletiu volumes recordes de soja processada na Europa e na América do Norte, além das fortes margens globais, impulsionadas pela demanda aquecida por farelo.

Colaborou também a maior originação na América do Sul, segundo a ADM.

Entretanto, a melhora dos resultados no mercado de biodiesel sul-americano, capitaneada pelo aumento da mistura obrigatória ao diesel comum no Brasil, foi contrabalançada por margens menores com o biocombustível na América do Norte e pela demanda enfraquecida na Europa.

Já os serviços agrícolas contribuíram com um lucro operacional de US$ 194 milhões no trimestre (alta de 36,6%), seguido pelo processamento de milho, com US$ 113 milhões (nesse caso, houve queda de 39,2%).

De acordo com a múlti, as operações de milho sofreram com a redução da produção de etanol e margens industriais mais apertadas.

Além do balanço, a ADM anunciou ontem que está construindo uma nova fábrica de premix (pré­ mistura de minerais e vitaminas para a ração animal) em Zhangzhou, no sul da China.

A empresa não revelou o valor investido. Conforme a ADM, a nova planta empregará cerca de 150 pessoas e abastecerá uma região importante na produção de suínos, aves e peixes em cativeiro.

A previsão é que as obras estejam concluídas no quarto trimestre de 2016, com uma capacidade de processamento de 30 mil toneladas de pré-mistura por ano.

A múlti informou ainda que construirá uma nova fábrica de ração em Glencoe, no Estado americano de Minnesota, com o objetivo de apoiar o mercado em expansão no Meio-Oeste dos EUA.

A expectativa da ADM é que a fábrica esteja pronta no primeiro trimestre de 2016, com uma capacidade de processamento de cerca de 80 mil toneladas de produtos por ano, especialmente para a alimentação de suínos e bovinos.

A ADM também anunciou que chegou a um acordo para adquirir a North Star Shipping e a Minmetal, ampliando sua rede de originação e transporte com a incorporação das instalações de exportação das duas empresas no porto romeno de Constanta, no Mar Negro.

A região é importante produtora de grãos. A ADM já era parceira da North Star e da Minmetal, que operam elevadores de grãos e armazéns, além de terem serviços portuários e uma agência de navegação na foz do rio Danúbio. (Valor Econômico 06/05/2015)

 

Agricultores na Índia mantêm fé na cana-de-açúcar apesar de fracos retornos

AHMEDNAGAR, Índia (Reuters) - É uma situação sem saída, para Nandkumar Patil, um dos milhões de produtores de cana-de-açúcar na Índia.

Usineiros não têm pago o preço estipulado pelo governo para a cana, impactados pela queda dos preços do açúcar. Mas a mudança de cultura não é uma opção para os agricultores, com os preços da maioria dos produtos agrícolas em queda e as previsões de fracas chuvas de monções levantando preocupações sobre a produtividade.

Com agricultores como Patil dizendo que vão plantar cana, a Índia deverá produzir um excedente de açúcar em 2015/16, o sexto superávit de produção anual, o que permitirá ao segundo produtor global da commodity, atrás do Brasil, continuar como um exportador líquido, pressionando as cotações globais, que atingiram mínimas de seis anos em março com a ampla oferta.

No passado, os preços mais baixos levaram os produtores de cana da Índia a mudar para outras culturas, mas dadas as incertezas sobre as monções deste ano os agricultores deverão optar pela cana, mais resistente a intempéries climáticas do que outras culturas.

"Na mudança das condições meteorológicas, cana-de-açúcar é mais confiável do que as outras. Você pode obter retornos mais baixos, mas pelo menos alguma coisa está garantida", disse o agricultor Patil.

A produção de açúcar da Índia em 2015/16 poderá atingir 25,7-26 milhões de toneladas, contra sua demanda para cerca de 25 milhões de toneladas, disse Rahil Shaikh, diretor da trading de commodities ED&F Man no país. O volume previsto representa 15 por cento da produção total de açúcar no mundo. (Notícias Agrícolas 05/05/2015)

 

Fabricantes de máquinas agrícolas traçam estratégias para recuperar vendas

Agrishow sinalizou que descontos, consórcio e até escambo são alternativas para conquistar clientes.

Para não derrapar no fraco desempenho da economia brasileira, a indústria de máquinas e implementos agrícolas pisa fundo nas estratégias de vendas. Como é consenso entre as fabricantes que o ano deve encerrar com redução entre 10% e 15% no número de unidades comercializadas, as apostas são de crescimento em fatia de mercado, para não ficar no prejuízo e evitar a necessidade de novos cortes.

Para atingir essa meta e manter a roda dos negócios girando, as empresas lançam mão de recursos que garantam a preferência do cliente na hora da compra. Tem desde desconto até a possibilidade de pagamento com o que o agricultor colhe nas lavouras.

Tentando ganhar terreno no segmento de tratores de menor potência, os que têm entre 40 cv e 129 cv representam mais de 70% do mercado no país, a Case IH foi para a Agrishow com uma estratégia agressiva. Lançou uma campanha, que vai até o final de julho, de um combo com descontos de até R$ 10 mil, peças grátis nas duas primeiras revisões e a possibilidade de financiar pelo Mais Alimentos, parte das linhas do Programa Nacional de Financiamento da Agricultura Familiar (Pronaf), com taxa de juro de 2%, considerada negativa por ser menor do que a inflação.

A promoção vale para quem comprar pela primeira vez equipamento de um dos oito modelos de duas linhas da marca, de 60 a 130 cv. E deve ajudar a multinacional na busca por maior participação de mercado nessa faixa de potência. Hoje tem 5,3%, mas quer chegar a 10%, a meta é buscar de um a dois pontos percentuais em 2015.

Mercado gaúcho é estratégico

Teixeira aproveitou desconto e peças grátis nas primeiras revisões para comprar trator (Foto Case IH, Divulgação)

O Rio Grande do Sul é considerado o melhor mercado para esse segmento.

O objetivo é chegar naquele que é pequeno produtor, mas busca alta tecnologia, e o Rio Grande do Sul é feito de agricultores com esse perfil, justifica Christian Gonzalez, diretor de marketing da Case IH para a América Latina.

Com propriedade de 130 hectares dedicada ao cultivo de milho para silagem em Ubá (MG), Francisco Guimarães Teixeira fechou negócio na Agrishow atraído pela campanha. Investiu R$ 155 mil para substituir um trator de 105 cv por um de 110 cv, para acompanhar o ritmo da colheitadeira:

Hoje, é melhor adquirir uma máquina boa, para o serviço render mais.

Com o reajuste de juro já feito, de 4,5% para 7,5%, nas linhas do Moderfrota e as indefinições quanto a taxas e percentuais de financiamento para o segundo semestre, quando estará em vigor o novo Plano Safra, outro mecanismo de venda com espaço para crescer é o consórcio.

A Massey Feguson, que detém a maior fatia da venda de tratores de rodas no primeiro trimestre de 2015, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), tem cerca de 20% dos negócios feitos na modalidade. E aposta em avanço.

No momento que sentimos a retração, pisamos fundo no consórcio, e isso tem tido reflexo, garante Leonel Oliveira, gerente de vendas da Massey Ferguson.

De novo, o gaúcho é apontado como cliente de grande potencial, por gostar de comprar pela modalidade, popular entre pecuaristas. Oliveira avalia que é uma compra para quem programa a frota. Ou seja, não tem pressa em fazer o investimento.

Na crise, o consórcio sobe sempre, afirma Paulo Beraldi, diretor comercial da Valtra, que registrou alta de 28% no segmento nos três primeiros meses de 2015.

Sacas que valem novos equipamentos na lavoura

Não é de hoje que o produtor calcula os investimentos com base na quantidade de sacas produzidas. A diferença é que agora a prática de usar o grão como moeda de pagamento, comum na relação com cooperativas e concessionárias, chega à indústria e começa a popularizar no Brasil a palavra barter, que, em inglês, quer dizer trocar um produto por outro.

A New Holland fechou contrato com a Cargill e a Unibarter, de Ribeirão Preto (SP), para operacionalizar o mecanismo de venda.

Em 2014 já se percebia dificuldades para 2015. Começamos a construir a parceria e, em fevereiro, passamos a oferecer a opção, explica Jefferson Kohler, gerente de marketing da New Holland.

A ferramenta é válida para todo o Brasil, mas tem foco nas regiões de atuação da Cargill — São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Bahia, que fica encarregada dos contratos. Até o momento, existem, segundo Kohler, mais de 80 negócios já em análise. Uma das opções tem sido travar o valor a ser pago em produto como entrada, em média 10% , financiando o restante.

Ciente da proximidade entre cooperativas e agricultores, a New Holland estuda pelo menos duas novas parcerias para tocar esse modelo de negócio: uma no Rio Grande do Sul e outra no Paraná.

A sul-coreana LS Tractor, que oferece tratores na faixa entre 40 a 105 cavalos de potência, também aderiu ao barter. Em 2015, a empresa pretende seguir com a estratégia de trocar sacas de café pelo equipamento. A modalidade já representa, de acordo com Ronaldo Pereira, gerente nacional de vendas, 2% das vendas no Brasil e 20% dos negócios das concessionárias em Minas Gerais.

Indefinição sobre crédito e câmbio puxa freio de mão

Mesmo com a intensa troca da frota nos últimos anos, devido à combinação de juros reduzidos e recursos fartos, ainda há espaço para renovação.

A maior parte dos equipamentos está defasada, resultando em menos eficiência e mais prejuízo para a produtividade, diz Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq.

O consultor Carlos Cogo concorda. Para ele, são as incertezas sobre crédito e câmbio que motivam o produtor a puxar o freio de mão.

Com 1,8 mil hectares cultivados com melão e melancia em Mossoró (RN), Francisco Vieira da Costa decidiu diversificar o planejamento. Comprou um trator de 215 cv financiado, mas focou no consórcio para adquirir outros seis, dois de 75 cv e quatro de 50 cv.

Todo ano faço investimento, mas desta vez será menor, porque estou preocupado com a situação econômica, afirma o produtor.

E isso que Costa está longe de terminar o ano em baixa. Com 75% da produção exportada e propriedade 100% irrigada, ele trabalha com a perspectiva de crescer de 12% a 15% em 2015. (Zero Hora 05/05/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Compras técnicas: O mercado de açúcar demerara recuperou-se ontem após as perdas da sessão anterior na bolsa de Nova York, sustentado pelo interesse de compra dos especuladores quando os contratos com vencimento em julho chegaram ao suporte técnico de 12,35 centavos de dólar por libra-peso. No fim do dia, a cotação fechou em 12,75 centavos de dólar a libra-peso na bolsa, com valorização de 24 pontos. Entretanto, do lado dos fundamentos as perspectivas continuam ruins para os preços da commodity. Acredita-se que as usinas brasileiras aumentarão sua produção de açúcar nas próximas semanas conforme avança a colheita e a moagem de cana da safra 2015/16. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq de açúcar cristal caiu 0,16%, para R$ 51,46 a saca de 50 quilos.

Café: Efeito câmbio: Os futuros de café arábica subiram ontem em Nova York, refletindo a queda do dólar ante o real. O contrato com vencimento em julho terminou a sessão cotado a US$ 1,3365 por libra-peso, elevação de 75 pontos. Apesar disso, o analista do Price Futures, Jack Scoville, vê um cenário negativo para os preços diante das previsões de consultorias que indicam aumento na colheita brasileira em relação ao previamente estimado. A trading Volcafé, por exemplo, elevou sua previsão de colheita no país de 49,5 milhões para 51,9 milhões de sacas de 60 quilos. "Previsões obtidas de outras empresas desde março estão em um intervalo de 44 milhões a 49,75 milhões de sacas", disse. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica subiu 0,59%, para R$ 432,85 a saca.

Algodão: Leve alta: A notícia de que o plantio de algodão dos EUA voltou ao ritmo normal fez pressão sobre as cotações da commodity em Nova York ontem. Com isso, o contrato com vencimento em julho terminou o pregão a 66,75 centavos de dólar por libra-peso, com leve alta de 8 pontos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), até o dia 3 de maio, a semeadura havia atingido 17% da área total estimada para 2015/16. O número representa um avanço de 7 pontos percentuais e se assemelha ao resultado do ciclo anterior, de 16%. "Esperamos que o relatório da próxima semana mostre um progresso rápido do plantio', disse Louis Rose, fundador da consultoria Risk Analytics. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq caiu 0,01%, para R$ 2,1806 a libra-peso.

Milho: Avanço do plantio: O avanço do plantio de milho nos EUA manteve o mercado futuro do grão sobre pressão durante todo o dia ontem em Chicago, mas no fim da sessão houve uma reversão e os contratos com vencimento em julho subiram 1,5 centavo, para US$ 3,6275 por bushel. A semeadura atingiu 55% da área estimada no país até 3 de maio, de acordo com projeção do Departamento de Agricultura do país (USDA). O avanço foi grande diante dos 19% da semana anterior. Além de isso indicar uma superoferta do grão, preocupações de que a propagação da gripe aviária possa afetar a demanda por milho pesaram sobre os preços durante o dia, disse Mike Blackford, gerente de risco na FCStone em Iowa. No mercado interno, o índice Esalq/BM&FBovespa caiu 0,35%, para R$ 25,82 a saca. (Valor Econômico 06/05/2015)