Setor sucroenergético

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Louis Dreyfus com um pé fora dos canaviais

A Louis Dreyfus cansou de plantar investimentos e só colher bagaço.

O grupo francês colocou à venda o controle da Biosev,seu braço sucroalcooleiro no Brasil.

O pacote reúne 12 usinas, com capacidade para moer cerca de 36 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra.

Um forte candidato à operação é a Brookfield Asset Management, que também negocia a compra dos ativos da indiana Shree Renuka no Brasil.

A gestora de recursos canadense já sinalizou ter cerca de US$ 800 milhões para a aquisição de empresas em dificuldades financeiras na área de bioenergia.

A Biosev se encaixa neste figurino.

Nas últimas duas safras, acumulou perdas de R$ 2 milhões. Proporcionalmente, a dívida da empresa disparou nos últimos 12 meses. Hoje, o caixa de R$ 200 milhões cobre apenas um décimo do passivo de curto prazo. Há pouco mais de um ano, essa relação estava em 85%.

Desde 2009, quando comprou a antiga Santelisa Vale, a Louis Dreyfus nunca soube o que é ganhar dinheiro com açúcar e álcool no Brasil.

Os franceses investiram mais de R$ 2 bilhões na Biosev e, em troca, amargam sucessivas safras de prejuízo. Nesse período, as perdas da companhia somaram mais de R$ 3 bilhões.

Curiosamente, apesar de todos os pesares, talvez este seja mesmo o melhor momento, aliás, o menos pior para a venda da empresa, graças a uma combinação de fatores exógenos e endógenos.

Recentemente, o governo aumentou o índice de mistura de etanol a gasolina de 25% para 27%, o que permitirá ao setor aumentar suas vendas em aproximadamente um bilhão de litros ao ano No front interno, a boa nova veio pela voz da Fitch.

No mês passado, a agência decidiu manter a nota de crédito e remover a observação negativa do rating da Biosev.

Há meses, a empresa convivia com o fantasma do rebaixamento da classificação de risco. (Jornal Relatório Reservado 07/05/2015)

 

Cosan reverte lucro e tem prejuízo no primeiro trimestre

A Cosan obteve prejuízo líquido de R$ 43,7 milhões no primeiro trimestre de 2015, refletindo, entre outros fatores, os efeitos da desvalorização cambial, assim como a desconsolidação dos resultados da Rumo a partir do quarto trimestre do ano passado.

No primeiro trimestre de 2014, a Cosan havia registrado lucro de R$ 256,1 milhões.

Já a receita líquida da companhia cresceu 6% no trimestre, para R$ 9,946 bilhões.

O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) caiu 6,1%, para R$ 876,5 milhões, e a margem Ebitda recuou 11,1 pontos percentuais, para 8,8%.

Por unidade da companhia, a Raízen Combustíveis teve receita líquida de R$ 14,061 bilhões, alta de 8,1% na comparação anual.

Já a Raízen Energia viu crescimento de 18,2% na receita, para R$ 3,08 bilhões.

A Comgás teve receita de R$ 1,534 bilhão, alta de 1,1%.

A despesa financeira no trimestre somou R$ 284,7 milhões, mais que o dobro da receita financeira do mesmo intervalo do ano passado, de R$ 110 milhões.

A variação cambial teve efeito negativo de R$ 568,5 milhões no resultado financeiro, ante o efeito positivo de R$ 77,7 milhões do mesmo período do ano anterior.

Segundo a companhia, isso refletiu a valorização do dólar em comparação com o real, compensada parcialmente pelas operações de hedge contratadas ao longo do trimestre. Para 2015, a Cosan espera uma receita líquida proforma, incluindo 50% dos resultados da Raízen Combustíveis e Raízen Energia, de R$ 42 bilhões a R$ 45 bilhões, representando crescimento de 7,6% a 15% na comparação com 2014.

O Ebitda deve somar de R$ 4 bilhões a R$ 4,3 bilhões, aumento de 8,1% a 16%. (Valor Econômico 06/05/2015 às 21h: 07m)

 

Produtividade da cana pode ser maior nesta safra

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol - CTBE - e a Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp, divulgaram nesta terça-feira (5) o Boletim de Monitoramento da Cultura da Cana-de-açúcar no Estado de São Paulo.

O levantamento, referente ao mês de abril, traz uma discussão sobre as expectativas para o setor bioenergético neste ano. O Presidente executivo da UDOP, Antonio Cesar Salibe foi entrevistado sobre o tema e disse que a palavra de ordem para esta safra é: sobrevivência. "Ainda temos um longo período de incertezas climáticas pela frente e uma expectativa de possível florescimento, o que poderia prejudicar o desenvolvimento dos canaviais em algumas regiões", destacou Salibe.

Apesar da incerteza, ele disse que já é possível observar condições climáticas mais favoráveis em relação ao ano de 2014 e a expectativa da UDOP para a produção de cana-de-açúcar disponível para essa safra na região Centro-Sul do Brasil, é de 590 a 600 milhões de toneladas.

Ainda de acordo com o Boletim, apesar da chuva acima da média para o mês, o índice de vegetação não acompanhou. Foi o que aconteceu nas regiões de Ribeirão Preto, Assis e Piracicaba. Os índices estão levemente abaixo da média e tudo indica que a cultura não teve capacidade de responder devido aos impactos da última seca.

As regiões de Campinas e Itapetininga estão com um desempenho ainda pior. Isso porque elas foram as mais atingidas pela seca de 2014 e com o baixo índice de renovação do canavial, a cana está com problemas no crescimento e mesmo com chuvas em quantidades satisfatória, a resposta ficou aquém do potencial. (UDOP 06/05/2015)

 

Etanol ganha mercado sobre a gasolina no mês de março

Os preços mais competitivos do etanol em relação à gasolina nos postos de combustíveis, fez avançar as vendas do biocombustível no país.

Dados divulgados hoje pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) revelam que o consumo de etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, foi de 1,447 bilhão de litros em março, um aumento de 14% em relação a fevereiro e de 50,9% em relação a março de 2014.

Já as vendas de gasolina C, que contém 27% de etanol anidro, alcançaram em março 3,4 bilhões de litros, um aumento de 10% ante fevereiro e de queda de 4,3% em relação a março de 2014.

Nos cálculos da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), com base em dados da ANP, em março, o hidratado passou a representar 23% do consumo dos carros do chamado Ciclo Otto (que usam gasolina e/ou etanol) no Brasil, ante 16% de um ano atrás.

Conforme o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, o crescimento dessa participação se deu nos principais Estados consumidores do país, como São Paulo, Paraná, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

“Em algumas praças a participação do hidratado cresceu mais de 100%, como é o caso de Minas Gerais, que em março de 2014 registrava 8,5% e agora está em 16,6%. Em São Paulo o incremento também foi bastante relevante, de 30% em 2014 para os 41,7% atuais, alta de 45%.”

Conforme ele, o crescimento da participação do etanol foi verificada em todos os Estados brasileiros no mês de março de 2015, seja em relação ao mês anterior (fevereiro de 2015) ou no comparativo com março de 2014.

No acumulado do primeiro trimestre, as vendas de gasolina C e de hidratado (somadas) foram de 14,339 bilhões de litros, 5% acima dos 13,7 bilhões de litros de igual trimestre de 2014.

Nessa mesma comparação, as vendas somente de hidratado cresceram 27%, para 3,967 bilhões de litros, conforme a ANP. (Valor Econômico 06/05/2015 às 19h: 36m)

 

Processos Agrícolas e Mecanização da Cana-de-Açúcar

Foi lançada em março, durante o Seminário Idea, em Ribeirão Preto (SP), uma importante publicação do setor sucroenergético brasileiro: 'Processos Agrícolas e Mecanização da Cana-de-Açúcar'. O livro, editado por um professor e dois alunos do Programa de Pós-Graduação em Agronomia (Produção Vegetal) da Unesp de Jaboticabal, com o apoio da Case IH, reúne as melhores práticas entre todas as etapas produtivas, contando com a participação dos principais profissionais, empresários, pesquisadores e técnicos do setor.

Tendo como objetivo registrar de forma oficial as melhores práticas e resultados entre todas as atividades canavieiras, o livro retrata décadas de pesquisa e desenvolvimento por meio de ensaios bibliográficos de pessoas ligadas ao meio. Segundo o doutorando Guilherme Belardo, gerente de Desenvolvimento de Produto da Case IH, que editou o livro em parceria com Marcelo Tufaile Cassia e com o Prof. Dr. Rouverson Pereira da Silva, a ideia surgiu pela necessidade de relatar e disseminar o conhecimento.

"As tecnologias, apesar de amplamente discutidas nos seminários e congressos, foram poucas vezes colocadas no papel na forma de uma publicação sendo difícil encontrar um livro que aborde todos os processos agrícolas. É importante a difusão de tecnologia teórica aplicada a prática mostrando resultados positivos seja ele em ganhos de produtividade, redução de custos, práticas conservacionistas ou técnicas de mecanização sempre buscando aumento de rentabilidade para o setor.", afirma Belardo.

Para Mirco Romagnoli, vice-presidente da Case IH para América Latina, a obra passa a ser uma das primeiras e mais completas referências bibliográficas, reunindo a experiência e o conhecimento dos mais renomados personagens do meio. "Nós, da Case IH, não poderíamos deixar de apoiar essa iniciativa. Tenho certeza de que é uma conquista incomparável para o desenvolvimento, tanto dos profissionais que hoje trabalham no ramo como para as futuras gerações que seguirão com este legado." 

Entre os colaboradores que se dedicaram à construção da obra estão alguns que atuam nas principais usinas, empresas e universidades do Brasil, cada um compartilhando bem-sucedidas experiências nas áreas de atuação. Entre as instituições, estão Universidade Estadual Paulista - UNESP de Jaboticabal e Botucatu; Universidade Federal de São Carlos - UFSCAR de Araras; Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo - ESALQ/USP; Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP; Instituto Agronômico de Campinas - IAC; Centro de Tecnologia Canavieira - CTC; Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios - APTA e o Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas - PECEGE, grupo de Extensão da ESALQ/USP. (Brasil Agro 06/05/2015)

 

Amyris tem prejuízo líquido de US$ 52,2 mi no 1º trimestre

A empresa norte-americana Amyris, que atua no ramo de energia renovável e biocombustíveis, reportou prejuízo líquido atribuível aos acionistas de US$ 52,262 milhões (US$ 0,66 por ação) no primeiro trimestre de 2015, encerrado em 31 de março. Em igual período do ano passado, a companhia havia reportado lucro de US$ 16,356 milhões. A receita obtida no trimestre totalizou US$ 7,872 milhões, um aumento de 30% na comparação anual.

Especificamente para o segmento de renováveis, a Amyris registrou vendas de US$ 2,095 milhões, queda de 26% ante os US$ 2,842 milhões reportados há um ano. "Estamos satisfeitos com o nosso desempenho, em meio à busca por diversificar nossa base de receita", disse, em comunicado, o presidente e executivo-chefe (CEO) da companhia, John Melo.

"Durante o trimestre, demos muitos exemplos desses esforços, incluindo várias oportunidades de mercado em cosméticos, farmacêuticos e materiais. Também vimos um incremento de demanda por nossos cosméticos. Esperamos uma receita forte no segundo semestre e fluxos de colaboração dentro de nossa meta de US$ 100 milhões a US$ 110 milhões", acrescentou. (Agência Estado 05/05/2015)

 

Lucro da Rumo Logística cai 83% no primeiro trimestre deste ano

A Rumo Logística Multimodal, empresa controlada pela Cosan Logística e responsável por oferecer solução logística integrada para exportação de açúcar e outras commodities agrícolas composta por serviços de transporte, armazenagem e elevação portuária, teve lucro líquido de R$ 8,4 milhões no primeiro trimestre de 2015, queda de 83,1% sobre os R$ 50 milhões do primeiro trimestre de 2014.

No primeiro trimestre de 2015, a receita líquida totalizou R$ 205,6 milhões, 1,1% inferior ao valor reportado em igual período de 2014, em função dos menores volumes de transporte e elevação no período.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) no primeiro trimestre de 2015 totalizou R$ 61,5 milhões, representando uma redução de 33,8% em relação ao primeiro trimestre de 2014.

A margem Ebitda no primeiro trimestre deste ano foi de 29,9%, 14,8 pontos percentuais inferior à reportada no mesmo intervalo de 2014. (Valor Econômico 07/05/2015)

 

Câmara dos deputados vai relançar frente parlamentar do setor sucroenergético

Com o objetivo de trazer as principais demandas do setor sucroenergético para o debate político do País e somar esforços para propor políticas públicas que garantam a retomada do crescimento deste importante segmento, será relançada na quinta-feira (07/05), no Congresso Nacional, em Brasília, a Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético. Criada em 2013, a Frente agora passa a ser presidida pelo deputado federal Sérgio Souza (PMDB-PR).

A cerimônia de relançamento vai contar com a presença dos principais representantes do setor sucroenergético no Brasil, como Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), André Rocha, presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, Paulo Leal, presidente da Federação dos Plantaodres de Cana do Brasil (Ferplana), e Manoel Ortolan, presidente da Orplana (Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil), Alexandre Lima, presidente da União dos Produtores de Cana Nordestinos (Unida), e outras lideranças da cadeia produtiva.

Além da posse de Souza no cargo de presidente da Frente e nova diretoria, também será lançado um manifesto em defesa do setor e uma agenda legislativa contendo os projetos prioritários para este ano no Congresso. (Unica 06/05/2015)

 

Relação etanol/gasolina atinge 61,63%; menor nível em 5 anos

A relação entre os preços do etanol e os da gasolina fechou a última semana de abril em 61,63%, no menor nível desde igual período de 2010 (59,37%), de acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). No mês, essa equivalência foi de 63,97%, após 65,51% em março.

Segundo o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe, André Chagas, a "franca" queda do etanol, que em abril cedeu 2,70%, tem permitido um cenário mais favorável aos consumidores que optam por abastecer seus veículos com álcool combustível.

"Interessante notar que em relação a 2010, quando o setor estava com dificuldades, em 2015 a queda entre a equivalência dos preços tem sido menos intensa. Começou este ano em 66,69%, oscilou nesse nível e agora caiu para 61,66%. Já em 2010, iniciou em 71,06% e fechou aquele ano em 59,37%", contou.

Para especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando o preço do derivado da cana-de-açúcar representa mais de 70% do valor da gasolina.

A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do etanol é de 70% do poder da gasolina. Com a relação entre 70% e 70,5%, é considerada indiferente a utilização de gasolina ou etanol no tanque. (Agência Estado 06/05/2015)

 

Ministério Público do Trabalho cobra empresas do setor sucroenergético por descontos em salários

Ação cobra indenização total de R$ 4 milhões.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) em Bauru, no interior paulista, ingressou com uma ação civil pública contra "descontos indevidos" no salário de empregados ligados ao setor sucroenergético.

Na ação, o MPT cobra indenização no valor total de R$ 4 milhões da Cocal Termoelétrica, Cocal Indústria Canaã e Álcool, Marcos Fernando Garms e Outros (prestadora do Grupo Cocal), Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários e Anexos de Assis (SP) e Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Material Plástico, Químico, Farmacêutico e da Fabricação do Álcool de Marília e Região.

Segundo o MPT, as empresas firmaram acordo coletivo com as entidades sindicais "regulamentando" o salário por produção, com a fixação de pontuação e metas a serem cumpridas pelos trabalhadores.

Mas o acordo traz prejuízos aos empregados, pois permite o desconto salarial de faltas justificadas, como aquelas decorrentes do afastamento por acidentes de trabalho ou problemas de saúde, diz o MPT, em comunicado.

A ação tramita na 2ª Vara do Trabalho de Assis. (Cana Rural 06/05/2015 às 18h: 54m)

 

Participação do etanol hidratado cresce de 16% para 23% em todo o país

De acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicados no dia 06 de maio e compilados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), a participação do etanol hidratado - aquele usado diretamente no tanque dos veículos, chegou a 23% no consumo do ciclo Otto brasileiro neste mês de março. No mesmo período do ano passado, a participação do biocombustível estava na casa dos 16%.

O diretor Técnico da UNICA, Antonio de Padua Rodrigues, destaca que o crescimento do etanol hidratado aconteceu nos principais Estados consumidores do País, como São Paulo, Paraná, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

“Em algumas praças a participação do hidratado cresceu mais de 100%, como é o caso de Minas Gerais, que em março de 2014 registrava 8,5% e agora está em 16,6%. Em São Paulo o incremento também foi bastante relevante, de 30% em 2014 para os 41,7% atuais, alta de 45%.”

De fato, todos os Estados brasileiros apresentaram crescimento da participação do hidratado no Ciclo Otto em março de 2015, seja em relação ao mês anterior (fevereiro de 2015) ou no comparativo com março de 2014. Enquanto isso, a participação da gasolina caiu cerca de 4% comparando março de 2014 a março de 2015. (Unica 06/05/2015)

 

Estados Unidos podem zerar importação de suco de laranja do Brasil em 10 anos

Motivos são a queda gradual da demanda e a estabilização dos pomares da fruta nos EUA até uma oferta capaz de suprir todo o consumo norte-americano, em 2024, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR).

Os Estados Unidos - que já foram o principal mercado de suco de laranja e que fomentaram, há décadas, a criação da indústria processadora da fruta do Brasil - poderão reduzir praticamente a zero a importação da commodity brasileira em dez anos. Os motivos são a queda gradual da demanda americana e a estabilização dos pomares naquele país até uma oferta capaz de suprir todo o consumo norte-americano, em 2024, segundo projeções da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR).

Os norte americanos consumiam 1,03 milhão de toneladas de suco de laranja em 2004 e enfrentam anos de demanda decrescente até um volume de cerca de 700 mil toneladas no ano passado. A concorrência de outras bebidas, a mudança nos hábitos de consumo e ainda o fato de a laranja ser um alimento rico em açúcar e em calorias, causaram a queda no consumo.

Norte americanos, que consumiam 1,03 milhão de toneladas de suco de laranja em 2004, enfrentam anos de demanda decrescente

Segundo as projeções da indústria brasileira, se a demanda recuar no mesmo nível anual da última década, entre 3% e 7% ao ano, em 2024 o mercado norte americano deve ser de apenas 433 mil toneladas de suco de laranja. Esse volume seria suprido pela oferta anual da fruta de 103 milhões de caixas (de 40,8 quilos cada) produzidas pelos pomares locais. "É exatamente a oferta que os pomares norte-americanos têm hoje e que deve seguir a mesma", disse o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto.

"O consumo norte-americano de suco brasileiro deve se resumir a um mercado marginal para o blend (mistura) do nosso suco ao deles".

Curiosamente, as exportações brasileiras de suco para os Estados Unidos ainda crescem. Entre julho de 2014 e março de 2015, na safra 2014/2015, o volume enviado àquele país atingiu 195.974 toneladas, alta de 21% ante as 161.502 toneladas exportadas em igual período da safra 2013/2014.

Essa alta só ocorre ainda porque os pomares norte-americanos apresentaram uma forte redução na oferta de laranja por conta do greening, principal praga da citricultura.

A tendência, segundo a CitrusBR, é de estabilidade na produção norte-americana.

Ou seja, a queda na demanda pelo suco local teria impacto direto na importação da bebida do Brasil.

Uma saída, segundo a CitrusBR seria destinar ao mercado interno brasileiro as 196 mil toneladas de suco que poderão deixar de ser enviadas anualmente aos Estados Unidos. E uma das formas para fomentar o consumo aqui seria reduzir a taxação do suco.

"Enquanto o suco paga zero de imposto nos Estados Unidos, em São Paulo, por exemplo, a taxação ao longo da cadeia chega a 27,5%. É preciso urgente levar a sério a ideia de desenvolver o mercado interno para o suco de laranja", disse Netto.

As indústrias de suco estimam que o incentivo ao mercado interno poderia levar a demanda entre consumo local e exportações brasileiras da bebida de pouco mais de 1 milhão de toneladas anualmente para mais de 1,2 milhão de toneladas, volume que já chegou a ser exportado no começo da década.

Além do Brasil - cuja participação na demanda da indústria que hoje é praticamente exportadora poderia saltar de 5% para 15% - a expectativa é de um aumento nas vendas para a Ásia. Os embarques de suco para os asiáticos respondem por 10% das exportações brasileiras em um mercado que tem forte crescimento anual, mas ainda com pequeno volume. (O Estado de São Paulo 06/05/2015 às 18h: 51m)

 

Commodities Agrícolas

Café: Safra abundante: As cotações do café arábica tiveram forte recuo ontem na bolsa de Nova York, devolvendo parte dos ganhos do pregão de terça-feira. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 1,2995 por libra-peso, queda de 2,8% ou 370 pontos. É o menor valor desde 13 de março. Em relatório, o analista do Price Futures, Jack Scoville, reafirmou o que já tem alertado nos últimos dias: a colheita no Brasil (maior produtor mundial do grão) será maior que o previamente estimado. Nesta semana, a trading Volcafé elevou sua previsão de colheita para 51,9 milhões de sacas e a trading ED&F Man para 49,2 milhões de sacas. O Conselho Nacional do Café (CNC) rejeita essas previsões e diz que a correta é da Fundação Procafé, de 43,3 milhões de sacas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão caiu 2,94%, para R$ 420,12 a saca.

Algodão: Umidade do solo: Condições climáticas favoráveis ao avanço do plantio nos EUA pesaram sobre as cotações da fibra ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para julho, atualmente, os de maior liquidez, fecharam em queda de 89 pontos, a 65,86 centavos de dólar por libra-peso. Mapas meteorológicos indicam chuvas para a região do Delta e Estados do sudeste americano nesta semana, o que deve ser benéfico para repor a umidade do solo antes da semeadura do algodão. O plantio da fibra nos EUA começou mais lento, mas ganhou ritmo nos últimos dias. Relatório divulgado pelo USDA revelou que a semeadura alcançou 17% na semana encerrada no domingo, um pouco à frente dos 16% de um ano atrás. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma teve um leve recuo de 0,43%, para R$ 2,1713 a libra-peso.

Milho: Efeito petróleo: A recuperação dos preços do petróleo no mercado internacional, reforçada pela queda dos estoques nos Estados Unidos, e o dólar mais fraco elevaram ontem as cotações do milho na bolsa de Chicago. Os contratos para julho encerraram o pregão a US$ 3,6675 por bushel, com alta de 4 centavos. Conforme o Arlan Suderman, da Water Street Solutions, a recuperação das cotações do petróleo beneficia o cereal, porque torna o etanol à base de milho mais competitivo que a gasolina. Além do efeito petróleo, o enfraquecimento da moeda americana também exerce pressão "altista" sobre o grão, uma vez que torna as exportações americanas da commodity mais competitivas. No mercado paranaense, a saca do grão foi negociada ontem em queda de 0,65%, a R$ 20,02, de acordo com o Deral/Seab.

Trigo: Dólar e milho: Depois de recuarem por dois pregões consecutivos, os contratos futuros de trigo reagiram ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os papéis para julho fecharam a US$ 4,7925 por bushel, valorização de 12,75 centavos de dólar. Na bolsa de Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, o mesmo vencimento subiu 13,25 centavos, para US$ 5,0350 o bushel. Conforme especialistas, o movimento de reação do cereal sofreu o peso da desvalorização do dólar, que torna as exportações de trigo dos EUA mais competitivas. Além disso, a alta do milho, principal "concorrente" do trigo na composição da ração, também contribuiu para elevar os preços do cereal. No mercado interno, a saca do trigo no Paraná teve alta de 0,45%, para R$ 35,84, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 07/05/2015)