Setor sucroenergético

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Al Khaleej Sugar de olho em usinas do interior paulista

Maior processadora de açúcar do mundo, a Al Khaleej Sugar prepara seu desembarque no país.

Discretamente, executivos da companhia, sediada em Dubai, têm visitado usinas no interior de São Paulo.

Há conversas engatilhadas com um grupo do setor, só para não

variar, em delicadíssima situação financeira. (Jornal Relatório Reservado 11/05/2015)

 

Desenvolvida após melhoramentos genéticos, 'supercana' visa energia

Ela é enorme, pode atingir seis metros de altura, tem potencial para produzir 300 toneladas por hectare e representa uma nova era no setor sucroenergético.

A cana energia, ou "supercana", desenvolvida após melhoramentos genéticos, está em fase avançada de pesquisa e já gera novos desafios.

Num setor em crise, a colheita da variedade irá demandar novos equipamentos ou adaptações nos atuais.

Desenvolvida nos últimos seis anos pelo Centro de Cana do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), ela tem como principais características um alto índice de fibras e de biomassa, diferentemente da cana tradicional, que possui mais sacarose e é utilizada para produzir açúcar.

Daí ser chamada de cana energia, por ser mais própria para produzir energia elétrica ou etanol de segunda geração, a partir da palha e do bagaço da cana.

A previsão é que chegue ao mercado em três anos, de acordo com o pesquisador Mauro Xavier, do Centro de Cana.

Em relação à cana-de-açúcar comum, a diferença visual é clara: a "supercana" é mais grossa e chega a quase o triplo de altura –a tradicional atinge até 2,2 m. O rendimento também é muito maior, já que a convencional atinge a média de 80 toneladas por hectare.

ESPÉCIE SELVAGEM

Para chegar à variedade, pesquisadores partiram de uma espécie selvagem. Foram feitos cruzamentos com canas tradicionais, e os "descendentes" foram selecionados até chegar ao material com esse perfil.

Se ela emplacar no mercado, um desafio será encontrar colheitadeiras e maquinário que tenham condições de cortá-la e levá-la até as usinas.

Uma possibilidade discutida é evitar que ela atinja a altura e peso máximos e, com isso, em vez de uma safra a cada 12 meses, poderia ser colhida em sete ou oito meses, com duas safras em 15 meses.

"É um grande desafio", afirma Xavier. A contratação de bóias-frias para a "supercana" foi descartada pelo setor.

Embora tenha como foco a energia, ela até pode ser usada para fabricar açúcar, mas o rendimento será menor.

"É como colocar o Neymar, atacante, para jogar no gol. Nela, a sacarose não é tão essencial. O melhoramento teve como meta acumular biomassa rapidamente e elevar a fibra", afirma o pesquisador.

CIÊNCIA

A "supercana" é apenas uma das variedades desenvolvidas por órgãos como IAC, CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) e Ridesa (rede interuniversitária), além da gigante de biotecnologia Monsanto.

A ciência tem invadido cada vez mais os canaviais e, em 12 anos, foram liberadas no mercado mais de 90 plantas, algumas regionalizadas.

Com o avanço da mecanização, foram criadas variedades com capacidade de brotar sob a palha que é deixada pelas máquinas no solo após a colheita.

O CTC está focado em ampliar a produtividade e o teor de açúcar, com tolerância a doenças e para colheita mecanizada, de acordo com o gerente de melhoramento genético, Hugo Campos de Quiroz.

As variedades mais recentes foram feitas para o cerrado. "Precisam de boas condições climáticas e devem ser resistentes ao florescimento."

Arnaldo Jardim, secretário da Agricultura de São Paulo, afirmou que o foco das novas variedades –não só de cana-de-açúcar, mas também de culturas como algodão, milho e feijão– deve ser buscar resistência ao estresse hídrico, devido à seca histórica que atinge o Estado.

Apesar das opções, menos de dez variedades são as mais usadas, fato que precisa mudar, segundo Xavier.

"Uma praga que dá em uma variedade pode não atingir outra". (Folha de São Paulo 10/05/2015)

 

Açúcar Quarta alta seguida

Os preços do açúcar subiram pela quarta sessão seguida na sexta-feira na bolsa de Nova York, refletindo fatores ligados a seus fundamentos e à macroeconomia.

Os papéis para entrega em outubro registraram alta de 42 pontos, para 13,78 centavos de dólar a libra-peso.

Os investidores continuam a acompanhar as nomeações de origem do açúcar que a Wilmar International, com sede em Cingapura, tem realizado de forma acelerada desde que venceu o contrato para maio, já que essa pressa pode indicar que a oferta está apertada perante a atual demanda na Ásia.

A desvalorização do dólar sobre o real também colaborou para sustentar os preços da commodity.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve queda de 0,25%, para R$ 51,13 a saca. (Valor Econômico 11/05/2015)

 

Preço do etanol hidratado cai 2,39% e o do anidro, 2,12% nas usinas de SP

O preço do etanol hidratado caiu 2,39% esta semana nas usinas paulistas, de R$ 1,2614 para R$ 1,2313, em média, de acordo com o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) divulgado há pouco.

Já o preço do anidro recuou 2,12% no período, de R$ 1,4166 para R$ 1,3865 o litro, em média. Os preços não incluem impostos. (Agência Estado 08/05/2015)

 

Produtores de cana-de-açúcar do PR investem na produção de etanol

Na safra passada a produção de açúcar ganhou espaço no setor. Estado tem os mesmos 600 mil hectares plantados que em 2014.

Os produtores de cana-de-açúcar do Paraná decidiram dar ênfase à produção de etanol, para a safra de 2015. No último ano, quando focaram a produção de açúcar, eles tiveram problemas.

"Estamos com os estoques cheios, o que reflete no preço do açúcar. Com medidas governamentais como acrescentar mais álcool na gasolina, novas alíquotas, dessa vez a produção de etanol está ganhando", explica Miguel Tranin, presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar).

A área plantada é praticamente a mesma da safra anterior, quando foram plantados 600 mil hectares de cana. Nas usinas, caminhões carregados fazem fila, aguardando para levar o produto às moendas. Agora, a torcida é para que, apesar das dificuldades, o setor consiga retomar o crescimento.

Em uma usina de São Carlos do Ivaí, noroeste do Paraná, a expectativa é de moer 3 milhões 750 mil toneladas de cana-de-açúcar. Trezentas mil toneladas a mais do que na safra passada. Mas para alcançar esse resultado a administração teve que cortar gastos. "Economizar não significa mandar gente embora, mas otimizar o pessoal, remanejar e treinar para novas funções que se adequem a modernização do setor", diz Fernando Vizzotto, gerente da cooperativa. (G1 10/05/2015)

 

ED&F Man vê crescimento da safra de cana 15/16 do centro-sul do Brasil

A trading londrina ED&F Man previu a safra de cana do centro-sul do Brasil 2015/16 em 588 milhões de toneladas, ante 571 milhões na temporada anterior, crescimento impulsionado por uma melhora nas condições climáticas, afirmou a empresa em seu mais recente relatório mensal nesta sexta-feira.

A ED&F Man estimou de produção total de açúcar em 33 milhões toneladas, quase 1 milhão de toneladas a mais que na temporada passada. (Reuters 08/05/2015)

 

Raízen e sindicato devem pagar R$ 110 mil por cobrança de horas

Para o MPT, acordo dos réus transformava o banco de horas em dívida.

Empresa afirma que cumpre a legislação trabalhista e que vai recorrer.

O juiz José Antônio Ribeiro de Oliveira Silva condenou a Raízen Energia S.A. e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Araraquara e Região ao pagamento de R$ 100 mil e R$ 10 mil, respectivamente, por dano moral coletivo. Também proibiu as partes de firmarem acordos sobre descontos salariais por horas não trabalhadas com o consentimento das empresas. A empresa informou que cumpre a legislação e irá recorrer. O sindicato, por sua vez, afirmou que estuda se entrará com recurso.

A ação que gerou a condenação foi movida pelo Ministério Público do Trabalho depois da análise de acordos coletivos entre as partes. No pacto de 2011/2012, algumas cláusulas previam descontos nos pagamentos por horas negativas. Segundo o MPT, o sindicato reconheceu que a medida era prejudicial para os trabalhadores, mas, no período seguinte (2012/2013), foi firmado um novo acordo com os mesmos pontos sobre o banco de horas.

“Não só foi mantido o desconto salarial flagrantemente abusivo ao final do contrato, como se incluiu a possibilidade de descontos todos os meses em que as horas negativas ultrapassarem o número de 100. Ao invés de ser o trabalhador a colocar seu tempo de vida à disposição do empregador em troca de dinheiro, é o trabalhador quem passa a pagar à empresa por seu tempo de vida. Se a empresa opta, com exclusiva liberalidade sua, em não aproveitar o tempo disponível e contratado de trabalho do funcionário, ela o faz porque é de seu interesse, inclusive econômico”, defendeu o procurador Rafael de Araújo Gomes.

Sentença

Na sentença, o magistrado da 2ª Vara do Trabalho de Araraquara afirmou que não existe no mundo jurídico a figura de “horas negativas”, como não existe banco negativo ou banco de horas negativo. "Como se não bastasse, as partes se superaram na 'invencionice' jurídica. A despeito da investigação levada a efeito pelo Ministério Público do Trabalho, pactuaram no acordo coletivo de trabalho seguinte a esdrúxula cláusula que autoriza o desconto, no salário mensal, das famigeradas 'horas negativas', cláusula cujo teor em momento algum foi negado nas longas defesas", completou.

A decisão atendeu parcialmente os pedidos do MPT, que apresentou recurso para que os outros pontos sejam reconsiderados. São eles: que a Raízen seja impedida de celebrar acordo coletivo que preveja a simultânea possibilidade de compensação de jornada mediante banco de horas e prestação de horas extras; que a indenização não seja inferior a R$ 500 mil e que o presidente do sindicato seja destituído do cargo.

Procurada, a Raízen informou por meio se sua assessoria de imprensa que cumpre todas as normas estabelecidas pela legislação trabalhista e que irá recorrer. "A empresa reforça que o caso em questão estava previsto em acordo coletivo de trabalho com o sindicato da categoria. A companhia ainda esclarece que, de acordo com a lei brasileira, a prática de descontar o saldo negativo do banco de horas é legal, na mesma diretriz lógica do desconto salarial decorrente de faltas injustificadas ao trabalho. A empresa reitera que mantém um canal de comunicação aberto com o MPT e segue empenhada em seguir as melhores práticas para o setor", informou em nota.

Já o sindicato afirmou, por meio de seu presidente, que os termos questionados não constam no acordo coletivo atual e que nenhum trabalhador foi prejudicado. Disse ainda que estuda se vai ou não apresentar recurso. (G1 08/05/2015)

 

Justiça proíbe desconto de banco de horas do salário

O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que a 2ª vara do trabalho de Araraquara proibiu a Raízen Energia e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Araraquara e Região de firmarem acordo coletivo que preveja descontos salariais ou rescisórios relacionados a horas negativas (horas não trabalhadas com o consentimento da empresa) em banco de horas.

Caso os réus não cumpram a decisão, eles deverão arcar com uma multa diária de R$ 5 mil, cada um. Além disso, conforme o MPT, tanto a empresa quanto a entidade sindical devem pagar indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 100 mil e R$ 10 mil, respectivamente. Em nota, a Raízen afirmou cumprir todas as normas estabelecidas pela legislação trabalhista e que vai recorrer da decisão.

A empresa reforçou que o caso em questão estava previsto em acordo coletivo de trabalho com o sindicato da categoria.

“A companhia ainda esclarece que, de acordo com a lei brasileira, a prática de descontar o saldo negativo do banco de horas é legal, na mesma diretriz lógica do desconto salarial decorrente de faltas injustificadas ao trabalho”, afirmou a Raízen em nota.

A ação civil pública foi movida pelo MPT. As investigações começaram após o recebimento pelo MPT de um ofício Ministério do Trabalho e Emprego com impugnação a três cláusulas do acordo coletivo 2011/2012 celebrado entre a empresa e o sindicato. As cláusulas previam descontos salariais por horas negativas existentes no banco de horas.

Apesar de, na época, o sindicato ter reconhecido perante o Ministério Público que a cláusula do acordo era prejudicial aos interesses dos trabalhadores, no período seguinte (2012/2013), um novo acordo foi firmado sob as mesmas irregularidades. (Valor Econômico 08/05/2015 às 17h: 28m)

 

Máquinas agrícolas serão exportadas a Cuba nos próximos meses

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, anunciou nesta quinta-feira, que a montadora de máquinas agrícolas "Case IH", do grupo Fiat Crysler Automobiles (FCA), fechou contrato e deve exportar tratores e colhedoras de cana-de-açúcar produzidos em Curitiba (PR) direto para Cuba, nos próximos meses.

A empresa já vendia os equipamentos agrícolas para importadores daquele país, mas de forma indireta, por meio de uma trade localizada na Europa. Com o fim do embargo cubano, será enviada de forma direta. O Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, apurou com fontes da Case IH que cerca de 400 tratores de baixa potência já estão prontos e aguardam apenas a aprovação do governo brasileiro para que sejam enviados à Cuba, por meio do programa "Mais Alimentos Internacional".

Moan ressaltou que essas exportações diretas para Cuba fazem parte do "empenho" do setor de procurar novos mercados externos diante da queda da demanda interna. Nesse sentido, o executivo destacou que as exportações brasileiras de veículos para o México cresceram 133% de janeiro a abril deste ano, enquanto as vendas externas para Peru e Colômbia aumentaram 38% e 8% nesse período, respectivamente.

"Isso mostra que nós, como indústria, estamos trabalhando para aumentar as exportações", comentou durante coletiva de imprensa sobre o desempenho do setor em abril. Ele afirmou que a Anfavea tem feito um trabalho "bastante intenso" para aumentar as vendas externas para outros mercados, diante da crise na Argentina, principal destino das exportações brasileiras.

Moan ressaltou ainda que a indústria automotiva brasileira já exporta máquinas agrícolas para países africanos, como Moçambique, Quênia, Zimbábue e Gana. "Estamos aguardando novos mecanismos que possam ser oferecidos através do Plano Nacional de Exportações, que deve ser lançado pelo governo no máximo no próximo mês. Mas independentemente do plano, já estamos de malinha de viagem pronta para alavancar as vendas", afirmou. (Agência Estado 07/05/2015)

 

Vendas de máquinas têm o pior resultado para abril em seis anos

Depois da alta de março, as vendas de máquinas agrícolas tiveram novo desempenho negativo em abril, acentuando ainda mais a queda no comércio do segmento em 2015. Dados divulgados nesta quinta-feira (7/5) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revelam que foram entregues às concessionárias 4.279 tratores, colheitadeiras, cultivadores e retroescavadeiras no mês passado. Foi o pior desempenho para abril desde 2010. O número é 12% inferior ao resultado de março. No acumulado do ano, o tombo é ainda maior, de 22,9%. Há um mês, o indicador  apontava retração de 20,3% nas vendas anuais.

Nos quatro primeiros meses deste ano, o setor comercializou 11.872 unidades no mercado brasileiro, contra 14.894 no mesmo período do ano passado. A maior queda é observada nos negócios envolvendo colheitadeiras. Esse segmento, que tem as unidades mais valiosas, acumula diminuição nos negócios de 42% no quadrimestre – as vendas caíram de 2.352 em 2014 para 1.375 unidades neste ano.

Já o segmento de tratores de rodas registra recuo de 18% nas entregas nos primeiros quatro meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a abril foram entregues 13.558 unidades às concessionárias, contra 16.537 em 2014. (Notícias Agrícolas 08/05/2015)

 

Queda no preço da soja e do minério leva Brasil ao 1º déficit no quadrimestre com a China desde 2008

O Brasil teve o primeiro deficit comercial com a China num primeiro quadrimestre desde 2008. As exportações somaram US$ 9,63 bilhões até abril, com recuo de 32% em relação ao resultado de igual período de 2014. As importações também caíram, mas só 4%, para US$ 12,2 bilhões.

A grande sangria dessa perda de força do comércio brasileiro foram soja e minério de ferro. Juntos, arrecadaram US$ 5 bilhões a menos.

A perda só não foi maior porque o Brasil avançou nas exportações de petróleo, açúcar, carnes e milho para o país asiático.

Essa perda de receitas do Brasil ocorre devido ao fim dos preços elevados das commodities. E as maiores quedas ficaram exatamente para os dois principais itens da balança comercial brasileira.

No caso da soja, o país ainda pode recuperar parte dessa queda. A exportação da oleaginosa está em ritmo lento, e as compras chinesas caíram 25% em relação a 2014.

Mesmo com a retomada do volume comercializado, no entanto, as receitas vão ficar distantes das obtidas no ano passado, devido à queda internacional dos preços.

Até abril, a China veio buscar 10 milhões de toneladas de soja no Brasil e desembolsou US$ 3,92 bilhões. Esse valor é 42% inferior ao de janeiro a abril do ano passado.

No caso do minério, as perdas não têm recuperação porque o país continua exportando praticamente o mesmo volume do ano passado, mas com receitas 53% inferiores.

A China comprou 50 milhões de toneladas de minério brasileiro até abril, 2,4% menos do que em 2014. As receitas, no entanto, caíram para US$ 2,1 bilhões, ante US$ 4,5 bilhões do ano passado.

Na contramão, o petróleo deu um alívio para o Brasil nas relações com a China. Os chineses gastaram US$ 1,33 bilhão com óleo brasileiro, o dobro do que haviam despendido até abril de 2014.

DIVERSIFICAÇÃO

A diversificação da pauta brasileira com os chineses, principalmente a do agronegócio, impediu deficit maior.

Mesmo com as dificuldades de exportação de açúcar, devido ao superávit mundial, o Brasil ampliou as vendas para a China, que gastou US$ 242 milhões com o produto, ou 14% mais.

O Brasil ampliou também as vendas de carnes, principalmente as de frango. As exportações desse tipo de proteína cresceram e atingiram US$ 180 milhões no ano, 13% mais do que em 2014.

Já a venda brasileira de carne suína e bovina feita diretamente para a China é pouca porque passa por Hong Kong, que está, aliás, no topo da lista dos importadores dessas carnes do Brasil.

Ainda incipientes, as importações chinesas de milho do Brasil devem crescer. Praticamente ausentes do mercado brasileiro em 21014, os chineses estão aumentando as compras neste ano.

As vendas de frutas secas, café e alimentos industrializados também crescem, mas os números são inexpressivos diante da balança total.

O país também ganhou mercado na China com produtos industrializados como fungicidas, plástico, fibras têxteis, borracha, vidros e móveis. Em vários desses caos, no entanto, o volume importado da própria China supera o exportado pelo Brasil. (Folha de São Paulo 09/05/2015)

 

Bovespa fecha em leve alta, reduz perdas e termina a semana em território positivo

Pressão negativa de Vale e Petrobras é neutralizada e pregão fecha em alta de 0,40%.

A Bovespa fechou em leve alta na sexta-feira, suficiente para garantir um desempenho positivo na primeira semana de maio, com o quadro externo ajudando a compensar a pressão negativa dos papéis da Vale e da Petrobras. A sessão também foi marcada por uma agenda repleta de balanços corporativos para investidores avaliarem.

O Ibovespa encerrou com alta 0,40%, a57.149 pontos, após oscilar entre a mínima de 56.595 pontos e a máxima de 57.620 pontos. O volume financeiro somou R$ 7,1 bilhões. Na semana, o principal índice da bolsa paulista contabilizou uma alta de 1,64%.

"Foi uma sessão tranquila", disse o trader Thiago Montenegro, da Quantitas Asset Management, citando realização de lucros "bem técnica" em Petrobras e Vale, enquanto as bolsas no exterior tiveram movimento positivo com dados de emprego dos Estados Unidos e vitória dos conservadores no Reino Unido.

Ao mesmo tempo, também destacou que a agenda de balanços trouxe mais volatilidade a alguns ativos específicos.

A Vale engatou o terceiro pregão consecutivo de perdas e respondeu pela principal pressão negativa do dia, com os dados chineses fracos como pano de fundo, apesar de o minério de ferro fechar a quarta semana em cinco com ganhos. Na semana, contudo, as ordinárias subiram 0,44% e as preferenciais, 1,98%.

A Petrobras também pesou, com queda de cerca de 1%, em meio a realizações de lucros. O fato de a gasolina ter voltado a ficar mais barata no Brasil do que no exterior, também favoreceu o movimento.

O Pão de açúcar foi outro peso negativo, com recuo de 3,39%, após divulgar queda de 21,3% no lucro atribuído a acionistas controladores, para R$ 192 milhões no primeiro trimestre.

Kroton, por sua vez, subiu 3,16%, entre as principais influências positivas. Em nota a clientes, o BTG Pactual disse que prefere Kroton à Estácio, apesar dos bons resultados da última no primeiro trimestre.

Braskem saltou 9,12%, com profissionais do mercado atribuindo os ganhos a uma mensagem mais positiva passada pela empresa em teleconferência com analistas nesta sexta-feira. O JP-Morgan destacou em nota a clientes que o papel tem estado bem volátil recentemente.

E a Cetip avançou 1,71%, após divulgar lucro líquido de R$ 120,8 milhões no primeiro trimestre, alta de cerca de 20% ante igual etapa de 2014. (Reuters 11/05/2015)

 

Açúcar: 75 dias que prometem muito – Por Arnaldo Luiz Corrêa Cana

Há algum tempo atrás comentamos aqui sobre o quão atrativo estavam os spreads de NY. Dissemos que não entendíamos como o desconto entre dois meses de vencimento, no caso o maio/2015 em relação ao outubro/2015, que em determinado ponto chegou a 17% ao ano equivalente, não atraía os consumidores finais uma vez que o custo de carregamento para eles deveria ser bem menor do estava mostrando o mercado. Assim, faria muito sentido que os compradores/consumidores antecipassem a compra de suas necessidades de matéria prima nos meses seguintes, pois o custo de carregá-la mostrado na tela de NY, incorporando ai o custo financeiro e de armazenagem, certamente era bem mais alto do que custaria efetivamente para eles.

Com essa perspectiva se desenhando lá atrás - aqui considerando que a estratégia tenha sido elaborada/executada em janeiro e fevereiro - podemos tentar entender os meandros no processo decisório de um recebimento recorde de açúcar. No caso específico da semana passada, não um comprador/consumidor final, mas uma trading que se antecipou e aproveitou a vantagem oferecida pelo mercado. O spread maio/julho, por exemplo, negociou na média a 11% ao ano no período citado, mas chegou a 13%. O maio/outubro, no mesmo período, ficou em 12% na média, mas chegou a 17%. Isso sem falar no que se pode agregar de valor usando opções para fazer essa vantagem aumentar embora incorrendo em mais riscos administráveis.

Enfim, pense qual o pior cenário para a trading recebedora: reentregar o açúcar em julho ou em outubro cujo custo total para eles, levando em consideração o spread médio do maio/julho ou do maio/outubro, mesmo que nas respectivas reentregas o novo recebedor nomeie os navios no limite de prazo, será em boa parte compensado pela diferença no custo do dinheiro vis-à-vis o spread que conseguiram do mercado. É claro que aqui para simplificação do raciocínio assumimos que a trading recebedora tem flexibilidade nos livros que permite a ela realocar diversas origens para diversos destinos.

Por outro lado, as oportunidades de ganho por parte da trading asiática são muito maiores. A nomeação imediata de vários navios logo na primeira semana de entrega dão alguns sinais ao mercado e, principalmente, àqueles que porventura tenham se comprometido a entregar-lhes o açúcar sem ainda tê-los em casa. O prêmio para embarque imediato está em 15 pontos e eventuais problemas no ritmo da produção, ou greve dos caminhoneiros, ou quaisquer outros fatores exógenos vão afetar o prêmio muito antes de afetar o mercado futuro e aí, mais uma vez, a trading vai contar seus gordos lucros.

As conversas deverão ser animadíssimas na próxima semana aqui em NY, com as agendas lotadas nos diversos eventos concorridos este ano. Evidente está que os humores continuam ruins, principalmente com os graves problemas financeiros que afetam usinas de todos os matizes. Dinheiro curto e a necessidade premente de renovação de empréstimos e obtenção de dinheiro novo vão influenciar a negociação de prêmios/descontos na exportação. Vejo pouco risco de insucesso no recebimento volumoso de açúcar. Até mesmo os fundos estão indiretamente dando suporte à operação: o baixo volume que eles estão vendidos (pode ser até que estejam zerados), após terem recomprado boa parte de suas posições vendidas a descoberto que devem ter lhes rendido lucro milhões de dólares, não parecem encorajados a manter uma posição vendida a descoberto nos níveis atuais. Se tiverem que voltar ao mercado no volume recente que detinham, certamente o farão na ponta comprada.

Como diria um amigo meu de São Carlos, “se houver uma conjuminância de eventos”, ou seja, se todos esses fatos ocorrerem de forma coletiva, ai nós poderemos ver o mercado em níveis bem mais altos do que os atuais.

O mercado futuro em NY fechou esta sexta-feira com o vencimento julho cotado a 13,42 centavos de dólar por libra-peso,uma alta de 51 pontos na semana, ou cerca de 11 dólar por tonelada. Os demais meses de vencimento na bolsa fecharam com variações positivas entre 29 e 59 pontos, ou de 6 a 13 dólares por tonelada. No entanto, é bom que se diga, o fechamento em reais por tonelada ficou em 919 FOB Santos.

O bom desempenho do etanol hidratado deve reforçar a arbitragem entre o açúcar e o etanol numa conta que, se muito favorável ao segundo, e seguindo as constrições creditícias acima mencionadas pode diminuir a oferta de açúcar mais do que previamente assumida pelo mercado. Como disse um leitor está semana, teremos 75 dias muito interessantes.

Para aqueles que vieram para NY para a semana do açúcar, façam uma viagem segura e tenham bons eventos e bons negócios (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda

 

Commodities Agrícolas

Açúcar Quarta alta seguida: Os preços do açúcar subiram pela quarta sessão seguida na sexta-feira na bolsa de Nova York, refletindo fatores ligados a seus fundamentos e à macroeconomia. Os papéis para entrega em outubro registraram alta de 42 pontos, para 13,78 centavos de dólar a libra-peso. Os investidores continuam a acompanhar as nomeações de origem do açúcar que a Wilmar International, com sede em Cingapura, tem realizado de forma acelerada desde que venceu o contrato para maio, já que essa pressa pode indicar que a oferta está apertada perante a atual demanda na Ásia. A desvalorização do dólar sobre o real também colaborou para sustentar os preços da commodity. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve queda de 0,25%, para R$ 51,13 a saca.

Algodão: Dólar fraco: A queda do dólar em relação a outras moedas colaborou para a alta dos preços do algodão na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os lotes da pluma para julho subiram 56 pontos, para 66,06 centavos de dólar a libra-peso. Os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos reduziram as perspectivas de aumento de juros em junho, derrubando a moeda americana. Dessa forma, as commodities do país ficaram mais baratas, o que estimula, em tese, a demanda internacional e oferece um suporte para os preços da pluma. Os traders esperam agora o próximo relatório do Departamento de Agricultura do país, que será divulgado amanhã. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,58%, para R$ 2,1502 a libra-peso.

Soja: À espera do USDA: As expectativas que cercam a divulgação do próximo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), amanhã, pesou sobre as cotações da soja na sexta-feira na bolsa de Chicago. Julho fechou a US$ 9,7625 o bushel, com ganho de 1,25 centavo. Os investidores calculam que o órgão vai aumentar sua projeção para os embarques americanos e, com isso, reduzirá a estimativa para os estoques finais do grão no país. O último balanço das exportações indica que já foram vendidas 49,41 milhões de toneladas de soja ao mercado externo pelos EUA em 2014/15, o que supera a última projeção do USDA (48,72 milhões). No Paraná, o preço médio da saca caiu 0,73%, a R$ 58,26, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab).

Trigo: Ganhos moderados: Os contratos do trigo registraram alta moderada na sexta-feira nas bolsas dos Estados Unidos ante a indicação de que as lavouras de inverno no país ainda estão em recuperação após uma forte seca em 2014. Em Chicago, os papéis para julho subiram 8,75 centavos, a US$ 4,815 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os lotes com igual vencimento subiram 8,75 centavos, a US$ 5,085 o bushel. Um tour realizado em Kansas indicou que as lavouras de inverno no Estado foram atingidas por doenças e geadas durante o desenvolvimento, mas, mesmo assim, a colheita deverá somar 7,851 milhões de toneladas, superando com boa a diferença a do ano passado, a menor para o Estado em 30 anos. No mercado Paraná, o preço médio manteve-se em R$ 35,84 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 11/05/2015)