Setor sucroenergético

Notícias

Preço do etanol cai em SP por safra e vendas por necessidade de caixa, diz Cepea

Os preços do etanol caíram na última semana no mercado paulista, com a moagem da nova temporada (2015/16) na região centro-sul aumentando a oferta do produto e também por vendas de usinas que precisam de recursos para pagar suas contas, em um setor com muitas empresas enfrentando dificuldades financeiras.

"Necessidade de recursos para bancar as despesas de início de mês e de safra pressionou as cotações... Nem mesmo a demanda relativamente aquecida no spot impediu a diminuição dos preços médios", afirmou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em nota nesta segunda-feira.

Entre 4 e 8 de abril, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado (na usina, no Estado de São Paulo) foi de 1,2313 real/litro, queda de 2,4 por cento em relação à semana anterior. O preço do anidro foi de 1,3865 real/l, baixa de 2,1 por cento em igual comparativo --ambos sem impostos.

Já as negociações envolvendo açúcar cristal seguem lentas no mercado de São Paulo, maior Estado produtor do Brasil.

"Muitos compradores mantêm as aquisições limitadas à necessidade de curto prazo. Esses demandantes estão atentos à intensificação da moagem da cana e à crescente produção de açúcar cristal, que podem resultar em baixas nos preços nas próximas semanas", acrescentou o Cepea em análise. (Notícias Agrícolas11/05/2015 às 17h: 05m)

 

Moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul deve superar safra anterior, afirma INTL FCStone

O setor sucroenergético do Centro-Sul do Brasil começou o ano com expectativas de que a safra não apresentaria melhora significativa em relação à anterior. Contudo, os meses de fevereiro e março trouxeram precipitação muito superior ao esperado, melhorando a situação de umidade dos solos, que já se encontrava menos grave que no ciclo passado nas principais regiões produtoras. “Nestes dois meses muito importantes para o desenvolvimento dos canaviais, as regiões produtoras do Centro-Sul receberam, em média, precipitação 40% maior que no ano anterior”, avaliou a INTL FCStone em relatório.

Em sua primeira revisão de estimativa de safra de cana-de-açúcar 2015/16 – Centro-Sul, a consultoria projeta avanço de 2% na moagem em relação ao ano anterior. De acordo com a INTL FCStone, deverão ser processadas 582,9 milhões de toneladas no total Centro-Sul.

A moagem deve ser impactada diretamente pela melhora da condição hídrica dos solos nos últimos meses. Com os canaviais se recuperando de um ano com chuvas abaixo do esperado em meses cruciais para o desenvolvimento da planta, a produtividade agrícola deverá alcançar nível acima do que era previamente esperado, embora ainda continue abaixo da média histórica da região.

Quanto à qualidade da matéria-prima, estima-se ligeira redução na concentração de açúcares em relação ao ciclo 2014/15. Isso deve ocorrer devido ao aumento, mesmo que suave, da precipitação. “Estimamos o ATR médio em 135,2 kg/T, 1% a menos do que na safra passada. Esta concentração levaria a disponibilidade final de açúcares recuperáveis para 78,8 milhões de toneladas, praticamente 1% acima da temporada anterior”, afirma.

A consultoria projeta, ainda, um mix alcooleiro de 57,3%. Esta proporção da matéria-prima deve ser utilizada para a produção de 15,2 bilhões de litros de hidratado e 11,3 bilhões de litros de anidro, totalizando 26,4 bilhões de litros do biocombustível. Já a produção açucareira deve consumir 42,7% da disponibilidade de ATR, totalizando 32,1 milhões de toneladas do adoçante, uma elevação de 0,3% em relação à safra. (Notícias Agrícolas11/05/2015 às 18h: 33m)

 

INTL FCStone projeta excedente de produção global de açúcar em 502 mil toneladas na safra 2014/15

Estimativa da consultoria INTL FCStone aponta para um novo excedente de produção na safra global de açúcar 2014/15, com superávit projetado em 502 mil toneladas do produto. “Esta deve ser a quinta temporada consecutiva com excedente de produção, contribuindo para estoques globais cada vez maiores, apesar da demanda ter crescido de forma contínua ao longo do período”, afirma.

Apesar de registrar novo superávit, este deve ser muito inferior ao excedente das últimas temporadas, com redução de 87% em relação a 2013/14 e de 93% em relação a 2012/13. O principal motivo para a redução no excedente foi a forte queda na produção chinesa de açúcar. O país asiático, que havia sido o terceiro maior produtor global em 2013/14, deve produzir apenas 10,6 milhões de toneladas do produto neste ciclo, uma redução de mais de 20% em relação ao anterior.

A maior parte da quebra se concentrou em Guangxi, província que representa dois terços da produção total do país. “Vários fatores se combinaram para causar esta queda na produção local, entre eles a redução na área devido à baixa remuneração oferecida pela cana e a seca que prejudicou os canaviais da região ao longo da entressafra”, explica.

Além da China, o Centro-Sul do Brasil também teve enorme influência sobre a redução do excedente. A região deve produzir entre outubro de 2014 e setembro de 2015 apenas 30,6 milhões de toneladas, uma redução de 7,2% em relação à temporada anterior. Entre os motivos estão a redução na disponibilidade de cana devido aos problemas climáticos em 2014 e, principalmente, o mix mais alcooleiro da produção na região.

No sentido contrário, dois países surpreenderam com produção muito acima do que era previamente esperado: Índia e Tailândia. No primeiro caso, apesar dos problemas com monções irregulares e início atrasado de safra, a disponibilidade de cana no país teve aumento significativo e as usinas vem conseguindo moer volumes muito acima do anteriormente esperado. Com isso, já se espera que a produção total atinja 28 milhões de toneladas, que corresponderia à segunda maior da história do país.

Já na Tailândia se esperava que o clima relativamente seco afetasse a cana de maneira significativa, mas a moagem no final da safra surpreendeu e o volume total deve superar o volume recorde da temporada passada. Com isso, a produção de açúcar deve alcançar 11,5 milhões de toneladas, queda de 1,4% em relação ao ano anterior causada por diminuição na taxa de recuperação. Esta quebra, entretanto, é muito menor do que era esperado anteriormente. (Notícias Agrícolas11/05/2015 às 18h: 32m)

 

Usinas em recuperação tentam ganhar fôlego na safra 2015/16

Com a ajuda do clima e de um mercado de etanol mais aquecido, as usinas de cana em dificuldades financeiras estão conseguindo religar as máquinas, ainda que com atraso, e começar a moagem da nova safra, a 2015/16.

Entre as 67 unidades que estão em recuperação judicial, 23 estão operando neste ciclo, ante 20 em 2014/15.

Afora as que estão sob proteção oficial da Justiça, há outros grupos altamente endividados e sem crédito que recorreram à venda de ativos para realizar reparos na entressafra e retomar as atividades.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que representa usinas que somam 60% da produção de açúcar e etanol do país, estima que cerca de dez unidades não vão operar nesta temporada 2015/16.

No ciclo 2014/15, foram onze unidades.

Além das que estão com problemas financeiros, há aquelas que foram desativadas temporariamente por decisão de grande grupos, que resolveram concentrar a moagem em outras unidades para ganhar eficiência operacional.

É o caso das usinas paulistas Jardeste, da Biosev, que permanece parada pela segunda safra consecutiva, da Bom Retiro, da Raízen, e da Alcídia, pertencente à Odebrecht Agroindustrial.

Após uma moagem muito deficitária em 2014/15, o grupo Aralco conseguiu recuperar parte de seu canavial, localizado no oeste de São Paulo.

Em recuperação judicial desde o início de 2014 com dívidas de R$ 1,2 bilhão, o grupo vai manter uma de suas quatro unidades desativada pelo segundo ciclo seguido.

Mas, graças a chuvas mais abundantes no primeiro trimestre deste ano, o nível de ociosidade do grupo tende a diminuir, apesar de ainda permanecer elevado.

Nas três usinas que vão moer cana, a empresa espera processar 4 milhões de toneladas, ou 45% de aproveitamento industrial, conforme informou um dos fundadores da empresa, Francisco César Martins Villela.

Trata-se de uma taxa de ocupação um pouco melhor que a do ciclo passado, quando 3,6 milhões de toneladas foram processadas, para uma capacidade de 7,2 milhões.

O tradicional Grupo Virgolino de Oliveira, sócio-fundador da Copersucar e uma das maiores incertezas deste ciclo 2015/16, também conseguiu iniciar a safra.

Na semana passada, começaram a moer as unidades paulistas de Catanduva e Itapira. Ontem, foi a vez da usina Bonifácio e, hoje, será dada a partida na unidade Monções, segundo uma das fundadoras da empresa, Carmem Ruete.

Imersa em uma longa negociação com credores, a maior parte detentores dos bonds de US$ 735 milhões emitidos pela companhia, a GVO tem capacidade para processar aproximadamente 10 milhões de toneladas de cana por ano em suas quatro unidades, mas ainda não conseguiu definir qual será o volume desta temporada.

De acordo com Carmem Ruete, certamente será um volume mais modesto que as 9,5 milhões de toneladas de 2014/15.

Por conta de atrasos no pagamento de fornecedores de cana que já remontam a meados do ano passado, a empresa perdeu alguns parceiros para usinas vizinhas.

"Mas estamos acertando os termos do acordo de pagamento desses fornecedores".

Por enquanto, estamos moendo cana própria, que representa cerca de 55% da nossa demanda", afirmou.

Para levantar recursos para fazer as manutenções básicas de entressafra, a empresa concluiu recentemente a venda de algumas pequenas propriedades, segundo Carmem Ruette.

Mas a maior fazenda da empresa, avaliada em R$ 80 milhões e localizada em Catanduva, será leiloada no próximo dia 27.

"São Pedro está ajudando. Nossa produtividade está acima do esperado, mesmo sem termos feito os tratos culturais necessários na entressafra", disse.

O cenário para esta temporada, conforme o diretor-técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, é diferente, especialmente por causa do etanol, cujas vendas estão crescendo a taxas de 50% em relação há um ano.

"As empresas estão resolvendo sua liquidez com o etanol hidratado. A volta da Cide na gasolina e os reajustes concedidos pelo governo mudaram a situação da safra passada para esta", disse Rodrigues.

Retomar a capacidade operacional é o primeiro passo para que essas usinas comecem a vislumbrar alguma recuperação financeira no fim do túnel.

Mas a maior parte das "recuperandas" já morreu na praia.

Conforme a Unica, das 67 unidades em recuperação judicial no país, 44 estão paralisadas, sem gerar caixa.

"Muitas usinas pedem recuperação judicial tardiamente, quando o grau de endividamento é tão grande que não adianta mais", disse Pedro Coutinho, da VCP Perícias, administradora judicial da usina São Fernando (MS), em recuperação desde 2013.

A unidade, segundo ele, começou a safra 2015/16 em meados de abril.

No caso de empresas em que a dívida foi convertida em ações e os credores agora buscam comprador para os ativos ­ como é o caso da Aralco, a alta ociosidade desvaloriza o ativo e posterga ou inviabiliza a recuperação dos créditos.

"Tudo depende muito da qualidade dos ativos industriais, da situação do canavial remanescente, da localização, além da qualidade da gestão na fase pós recuperação. Dos casos existentes no setor, há situações que são reversíveis e outras definitivas, na qual fechar a usina seria a melhor opção", afirmou o diretor de Agronegócio do Itaú BBA, Alexandre Figliolino.

Com dívidas que superam seu faturamento, as usinas de cana-de-açúcar atravessam uma crise que se arrasta desde 2008 e que deriva de uma combinação de elevados investimentos para aumento de capacidade, contenção dos preços dos combustíveis no país e anos consecutivos de baixos preços do açúcar.

Desde então, 80 usinas de cana fecharam as portas no Brasil.

Nas contas da Unica, há 290 usinas em operação no Centro-Sul.

Conforme o Sindaçúcar de Pernambuco, no Nordeste estão cadastradas 65 unidades em operação na safra 2014/15 (que, na região Norte e Nordeste, ainda está terminando). (Valor Econômico 12/05/2015)

 

Agricultura de precisão avança, mas mão de obra é escassa

Pelo menos 42% dos produtores de Mato Grosso já fazem o uso da agricultura de precisão.

"É um número surpreendente e mostra a capacidade de o produtor absorver as novas tecnologias no campo, diz Rui Prado, presidente do sistema Famato (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso).

Entra na pauta da agricultura, cada vez mais, a informação. São projetos de controle --com precisão-- do clima e da eficiência dos insumos e das sementes.

Essa inovações mostram ao produtor a quantidade certa e o momento exato da utilização desses produtos, segundo Prado.

A tecnologia é um novo salto para a agricultura, que poderá dar um bom incremento no setor. No momento, porém, representa aumento de custo, devido à baixa utilização do potencial das novas máquinas, de acordo com Prado.

As modernas máquinas agrícolas, às vezes, são como os celulares mais avançados e que, para muitos, servem apenas para receber e fazer chamadas.

CUSTOS

"É preciso aprender e entender essa tecnologia. Esse conhecimento é que vai trazer a redução de custos para o produtor", diz Prado.

Na avaliação do presidente da Famato, o mundo começa a despertar cada vez mais para a tecnologia que gera informação e, na sequência, serve para uma prescrição do setor agrícola.

Os dados coletados com a tecnologia vão indicar as necessidades agrícolas de cada talhão de terra. O importante, no entanto, é que o país abrace com seriedade o desenvolvimento próprio dessa tecnologia e que não fique a reboque dos outros.

Para isso, é necessária a participação de governo, empresas e produtores no desenvolvimento dessa tecnologia própria, afirma Prado.

O levantamento sobre a utilização da tecnologia em Mato Grosso foi feito pelo Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) a pedido do Senar (Sistema Nacional de Aprendizagem Nacional).

O Senar quis aferir o uso da tecnologia no campo. Apesar dos bons ventos que ela traz, a maioria dos produ- tores entrevistados afirmou que não utiliza o maquinário com toda a sua capacidade, devido à falta de mão de obra qualificada.

A pesquisa mostrou que 71% dos entrevistados apontaram aumento na eficiência nas lavouras a partir da qualificação dos trabalhadores nas fazendas.

Mas apontou também que em nenhuma das regiões do Estado a satisfação dos produtores que receberam treinamento pelas revendas de maquinários foi superior a 50%, quando se tratou de capacitação de mão de obra. (Folha de São Paulo 12/05/2015)

 

RP: Especialistas do mercado sucroenergético participam de evento

No próximo dia 28 de maio, o mercado sucroenergético será pauta de discussão entre renomados especialistas como o jornalista Carlos Alberto Sardenberg, apresentador do Grupo Globo; Marcos Fava Neves – Markestrat / FEA USP; Edivaldo Domingues Velini - CNTBio e UNESP; Fabiana Balducci – Credit Suisse; Ismael Perina – Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Açúcar e Álcool; Rodolfo Geraldi – Vértice Assessoria e Consultoria Agronômica e Waldemar Deccache – Deccache Associados.

Eles participarão do evento “O Setor Bioenergético: Uma Resposta à Realidade”, em Ribeirão Preto (SP). Este encontro será realizado pela empresa Organize, para convidados, e visa discutir a importância do setor bioenergético para o mercado mundial, debater a crise, alternativas, visão atual e futura, além de proporcionar um ambiente de contatos estratégicos entre os convidados e um network diferenciado. (Atualize MBF 11/05/2015)

 

Lucro da divisão agrícola da FMC cai 32%

A divisão de soluções agrícolas da americana FMC, dedicada à fabricação de agroquímicos, apurou uma receita de US$ 392,4 milhões no primeiro trimestre de 2015, queda de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior, informou a companhia.

O lucro das operações continuadas antes de impostos também recuou no período: 32% na mesma comparação, para US$ 81,8 milhões.

Em comunicado que acompanhou o balanço, divulgado ontem, a FMC disse que fatores como "a desaceleração da demanda em função da menor pressão de insetos e estoques mais elevados que o normal no Brasil", além de taxas de câmbio voláteis, impactaram negativamente os resultados.

"Os três primeiros meses de 2015 foram caracterizados por movimentos cambiais extremamente voláteis, um alto grau de incerteza nos mercados agrícolas globais e ventos contrários a culturas específicas nos mercados de proteção de cultivos no Brasil", disse Pierre Brondeau, presidente e CEO da companhia.

No mesmo comunicado, a multinacional destacou, ainda, que o cenário de incerteza macroeconômica é reforçado pelas expectativas atuais em relação a taxas de juros, preços das commodities agrícolas e do petróleo.

"A FMC espera que as contribuições aos ganhos com a aquisição da Cheminova, incluindo ganhos iniciais de sinergia, a contínua propagação da resistência de plantas daninhas na América do Norte e América Latina, e ganhos de participação de mercado aumentem os lucros do segmento de um percentual de um dígito alto a dois dígitos baixos em 2015", afirmou a companhia.

O anúncio da aquisição da Cheminova pela FMC foi realizado em setembro do ano passado, mas o negócio foi concluído apenas em abril desse ano.

De origem dinamarquesa, a Cheminova também é voltada à fabricação de agroquímicos. A FMC estima que essa aquisição resulte em sinergias de até US$ 120 milhões nos três primeiros anos.

O braço agrícola respondeu por 59,5% da receita total da FMC no primeiro trimestre de 2015, que somou US$ 659,4 milhões, uma queda de 13% frente ao mesmo intervalo do ano passado.

A companhia registrou ainda um prejuízo líquido atribuído aos controladores de US$ 46,8 milhões, ante lucro líquido de US$ 65,6 milhões no trimestre encerrado em 31 de março de 2014.

Além das operações no segmento agrícola, a multinacional atua também nos mercados de saúde, nutrição e lítio. (Valor Econômico 12/05/2015)

 

USI Biorefinarias anuncia implantação de 15 usinas

Unidades aproveitarão arroz gigante para a produção de etanol.

A produção de etanol a partir do arroz ganha cada vez mais força no Rio Grande do Sul. A empresa gaúcha USI Biorefinarias pretende instalar, até 2020, 15 usinas de álcool no Estado. Os complexos aproveitarão um tipo de grão conhecido como arroz gigante, já em produção no Rio Grande do Sul.

O presidente da USI Biorefinarias, Francisco Mallmann, explica que o grão tem o dobro do tamanho do convencional. A variedade foi desenvolvida pela Embrapa Pelotas, com foco na geração de energia, não servindo para o consumo humano. O grão também pode ser aproveitado como ração animal e a casca pode ser colocada em caldeiras de usinas para a geração de eletricidade. O executivo acrescenta que essa variedade tem um potencial de produção 30% superior do que as existentes e uma concentração de cerca com 10% a mais de amido (o que favorece à fabricação de etanol).

O dirigente comenta que, no ano passado, foi plantado arroz gigante em 27 hectares (em São Gabriel e São Vicente do Sul) para multiplicação de sementes. A meta agora é, neste segundo semestre, ampliar a área de plantio para ter matéria-prima suficiente ao abastecimento das futuras usinas. O primeiro desses complexos, localizado no município de São Gabriel, iniciará a operação comercial em 2016. Mallmann informa que se trata de uma unidade que hoje tem capacidade para a produção de 5 mil litros de etanol ao dia e que está sendo ampliada para atingir 30 mil litros diários. O presidente da USI Biorefinarias complementa que o complexo já conta com os licenciamentos necessários e aguarda somente a chegada do arroz gigante para operar em plena capacidade. A estrutura já funcionou, para testes e treinamento, com diversas matérias-primas.

Cada um dos 15 complexos terá capacidade média para a fabricação de 20 mil a 30 mil litros de etanol por dia. As usinas serão instaladas nas regiões arrozeiras gaúchas, como a Fronteira-Oeste, zona Sul e região Central. O investimento médio em cada unidade é estimado na faixa de R$ 20 milhões e deverá gerar em torno de 35 postos de trabalho. Depois da ampliação em São Gabriel, a próxima usina deverá ser construída em Itaqui ou Maçambará. Cada usina implicará a plantação de arroz gigante em um espaço de 1,5 mil a 2 mil hectares.

Mallmann reforça que a iniciativa conta com a parceria da cooperativa norte-americana CHS que garantirá a comercialização total da produção das usinas, por um período de 10 anos. O dirigente detalha que não significa que o combustível será exportado para os Estados Unidos, mas será procurado o melhor mercado, seja o brasileiro ou outros países. O projeto também inclui a fabricação de álcool no estado do Mato Grosso, contudo utilizando como matéria-prima o milho. Naquela região, as usinas serão maiores, com potencial para 50 mil a 100 mil litros de álcool ao dia. No Centro-Oeste serão implementadas em torno de 40 estruturas que, individualmente, deverão absorver entre R$ 30 milhões a R$ 50 milhões. A USI vai buscar apoio do Bndes para concretizar suas iniciativas. (Jornal do Comércio 12/05/2015)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Colheitas minguantes: Os preços do cacau deram continuidade ontem à trajetória de alta iniciada semanas atrás e ultrapassaram o "limite psicológico" dos US$ 3.000 a tonelada na bolsa de Nova York. Os contratos para julho fecharam com valorização de US$ 61, a US$ 3.006 a tonelada. A produção tem dado sinais de enfraquecimento em Gana, vice-líder na produção global, e na Indonésia. O país africano colheu, desde o início da safra até 16 de abril, 559.169 toneladas, bem abaixo do volume obtido no mesmo período do ciclo anterior, diante da falta de tratamento das lavouras. A produção da Indonésia no mês passado também registrou forte recuo, segundo analistas. No mercado interno, o preço médio da arroba em Ilhéus e Itabuna ficou em R$ 119, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Rumores da China: Os preços do algodão caíram ontem na bolsa de Nova York, ante expectativas com os fundamentos e vendas técnicas. Os lotes para outubro caíram 77 pontos, a 65,29 centavos de dólar a libra-peso. Houve rumores de que a China poderia adiantar de agosto para junho o início de seu programa de vendas do algodão de seus estoques, segundo Bruno Zanutto, da FCStone. Isso reduziria mais as importações do país, que já vêm em queda. As chuvas no oeste do Texas também pesaram sobre as cotações, já que a área ainda não foi plantada. Houve ainda impacto das apostas em relação às projeções que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulga hoje. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,63%, para R$ 2,1367 a libra-peso.

Soja: Apostas na mesa: Os preços da soja abriram a sessão de ontem em alta em Chicago, mas recuaram diante das expectativas com as novas projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que serão divulgadas hoje. Os lotes para julho fecharam a US$ 9,74 o bushel, uma baixa de 2,25 centavos. Os analistas acreditam que o USDA vai aumentar suas estimativas para os estoques finais globais na safra atual e na próxima. Para os estoques americanos, acredita-se em um corte nas previsões, mas avalia-se que o volume deve continuar acima das 10 milhões de toneladas neste ciclo e dos 11 milhões de toneladas no próximo. No mercado interno, o preço médio da soja no Paraná recuou 1,63%, para R$ 57,31 a saca, segundo o Departamento de Economia Rural, da Secretaria Estadual de Agricultura.

Milho: De olho no USDA: O avanço do plantio nos Estados Unidos e as apostas para o novo relatório do Departamento de Agricultura do país (USDA) ditaram a queda das cotações do milho ontem na bolsa de Chicago. Os papéis para julho caíram 2,5 centavos, a US$ 3,605 o bushel. Como confirmado após o fechamento do pregão, os analistas acreditavam que o plantio da nova safra no país havia alcançado até domingo 75% da área projetada, bem à frente da média histórica. Os preços também refletiram a perspectiva de que o USDA aumente as estimativas para os estoques americanos e globais desta safra. Já para a próxima safra, a expectativa no mercado é de que o USDA projete uma colheita menor nos EUA, levando a estoques menores no país. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa teve leve queda de 0,04%, para R$ 25,62 a saca. (Valor Econômico 12/05/2015)