Setor sucroenergético

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Açúcar ganha peso nas contas das usinas

Apesar de as cotações do açúcar permanecerem em baixo patamar no mercado internacional, o dólar ainda forte tem servido para manter estável a remuneração em reais das usinas do Centro-Sul do país.

Em alguns casos, o preço médio em moeda local (calculado a partir da fixação do hedge da commodity e do câmbio) está até mais elevado do que no último ciclo.

Assim, o mercado, que inicialmente apostava que o etanol remuneraria melhor as empresas, atualmente está bem mais dividido, ainda que tenha crescido a expectativa de que haja no país um novo reajuste da gasolina, cujas importações voltaram a trazer prejuízos à já combalida Petrobras.

Conforme cálculos do Valor Data, no primeiro trimestre deste ano o dólar subiu 14% ante o real, enquanto as cotações dos contratos futuros de segunda posição de entrega da commodity em Nova York recuaram também 14%.

Mas as empresas que conseguiram maximizar o hedge do açúcar e o do câmbio tiveram um desempenho acima desse "empate" e já mostram em seus balanços preços médios de venda para entrega nesta safra 2015/16 mais elevados que os de 2014/15.

A Raízen Energia, maior companhia do segmento, fixou até 31 de março um preço médio de R$ 1.018 por tonelada para o açúcar que começou a ser produzido na atual temporada.

O valor definido para 1,394 milhão de toneladas, o equivalente a 30% da produção esperada, é 7,7% superior aos R$ 945 de 2014/15.

Já há alguns volumes precificados para 2016/17 e, apesar de ainda se referir a apenas 80 mil toneladas, os preços médios já estão em R$ 1.216 por tonelada, 19% mais que em 2015/16.

No guidance divulgado na semana passada, a Cosan, que controla a Raízen Energia em parceria com a anglo holandesa Shell, projetou uma produção de açúcar no atual ciclo até 7,8% maior que no anterior, de no máximo 4,4 milhões de toneladas.

No caso do etanol, o crescimento foi estimado em até 1,8%.

O grupo sucroalcooleiro São Martinho ainda não divulgou seus resultados referentes ao último trimestre da safra 2014/15, que terminou em 31 de março.

Mas até 31 de dezembro a companhia já havia fixado 600 mil toneladas do açúcar que será produzido em 2015/16 ao valor médio de R$ 1.053 por tonelada, 19,6% acima do preço médio (parcial) alcançado até o terceiro trimestre de 2014/15, de R$ 881,4 por tonelada.

Conforme analistas, há uma expectativa de que o preço médio da São Martinho em reais para o ciclo passado tenha sido maior, pois a empresa ainda tinha um volume de açúcar vendido em bolsa, mas sem hedge de dólar, o que amplia as possibilidades de ganho, pois, no período, a moeda americana se valorizou a níveis acima de R$ 3,30.

Apesar de a moagem de cana estar mais propícia à produção de etanol nos dois primeiros meses da safra 2015/16, a produção de açúcar cresceu 6% no Centro-Sul em relação a igual intervalo do ciclo passado, conforme dados publicados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), cujos associados respondem por 60% da produção sucroalcooleira nacional. Somente na segunda quinzena de abril, o aumento foi de 11%.

O incremento na oferta de açúcar neste início de temporada não surpreendeu a trading Czarnikow, conforme a analista Ana Carolina Ferraz.

Em seus cálculos, a combinação das atuais cotações em Nova York e do câmbio no país traz um retorno com açúcar no Brasil de cerca de 10%, considerando um custo de produção (operacional) de 41 centavos de real por libra-peso.

Na visão da trading inglesa, a produção de açúcar no Centro-Sul em 2015/16 será de 34 milhões de toneladas, 6,2% maior que em 2014/15.

A consultoria americana FCStone, que até abril projetava 31,1 milhões de toneladas, passou a trabalhar com 32,1 milhões, ao passo que a brasileira Agroconsult projeta 33,6 milhões de toneladas para a região, responsável por 90% da oferta de cana do país, um incremento de 5,1%.

"Mesmo com menores preços no mercado internacional, o açúcar ainda é rentável às usinas brasileiras.

Com a taxa de câmbio médio revisada para R$ 3,00, estimamos um preço líquido de venda do açúcar VHP [bruto] em torno de R$ 40 a saca de 50 quilos, frente a um custo aproximado de R$ 35,8 por saca", afirma Fábio Meneghin, analista da Agroconsult, maior trading global de açúcar (via Alvean, joint venture com a Cargill) e de etanol, a Copersucar acredita que há mais possibilidades de alta para o biocombustível do que para o açúcar.

A recuperação das cotações internacionais do petróleo, argumenta o presidente do conselho de administração da companhia, Luís Roberto Pogetti, voltou a gerar defasagem entre os valores de importação da gasolina e de venda no mercado interno.

"Há grandes chances de, em a inflação arrefecendo, haver um novo reajuste para o combustível", afirma.

No mesmo sentido, a consultoria FG Agro antevê para 2015/16 uma safra ainda menos açucareira do que em 2014/15.

A estimativa é que apenas 41% do caldo da cana nesta temporada seja destinado à produção da commodity, ante 43,21% de 2014/15, o que significará produção de 31,2 milhões de toneladas. (Valor Econômico 15/05/2015)

 

Açúcar: Expectativa é de mais superávit global

Motivados por sinais de que a produção de açúcar será maior no Brasil, na Índia e na Tailândia até 30 de setembro deste ano, quando termina a safra mundial 2014/15, consultorias que antes previam déficit global da commodity mudaram, em alguns casos drasticamente, suas projeções para superávit.

Foi o caso da inglesa Kingsman que, em evento do segmento nesta semana em Nova York, anunciou que o déficit de 122 mil toneladas projetado em janeiro para o ciclo, será, na realidade, um superávit de 3,39 milhões de toneladas.

"O mercado tem expectativas de um retorno ao equilíbrio depois de quatro anos de déficit consecutivos. Mas esses números mostram que se livrar de um excedente 'teimoso' será mais difícil do que alguns anteciparam, e um quinto ano de excesso de oferta é agora provável", disse no evento o analista sênior de agricultura da Kingsman, Claudiu Covrig.

Para a Índia, a Kingsman projeta uma produção 2,713 milhões de toneladas maior em 2014/15 em relação ao que havia previsto no trimestre anterior.

Para o Centro-Sul do Brasil, esse volume adicional é de 1,148 milhão de toneladas e, para a Tailândia, de 940 mil toneladas, enquanto as quedas de produção no mesmo intervalo foram de 1,105 milhão de toneladas para a China e 401 mil toneladas para a África do Sul.

A consultoria americana FCStone também fez alterações bruscas nas suas estimativas para 2014/15.

Em março, havia estimado um déficit de 2,11 milhões de toneladas, e na última semana, reverteu a falta para uma sobra de 502 mil toneladas.

Produção maior na Índia e na Tailândia está na base da revisão, conforme a consultoria.

A maior oferta na temporada global 2014/15 e o aparente apetite da Índia por produzir mais fizeram a Kingsman também alterar seus números, estimados em janeiro, para o ciclo 2015/16, que começa em 1º de outubro.

Antes um déficit robusto de 5,247 milhões de toneladas, a nova projeção é de um consumo global apenas 466 mil toneladas maior que a oferta.

A consultoria vê potencial de aumento de 3,8 milhões de toneladas na produção indiana, que deve alcançar em 2015/16 quase 30 milhões de toneladas (29,9 milhões).

"Enquanto as atenções tendem a se voltar para a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil, a Índia está mais uma vez provando que pode influenciar o mercado global", diz Covrig.

Para o Centro-Sul do Brasil, a produção adicional em 2015/16 é de 1,855 milhão de toneladas e, para a Tailândia, de 700 mil toneladas. (Valor Econômico 15/05/2015)

 

Ajudado por colheita de cana-de-açúcar, setor industrial paulista contrata 5 mil em abril

Para a Fiesp, porém, resultado é 'mascarado', pois a geração de emprego está baixa; em abril, o nível do emprego caiu 0,86%.

Dos 22 setores da indústria no Estado de São Paulo, 16 demitiram.

O nível de emprego da indústria paulista caiu 0,86% em abril ante março de 2015, na série com ajuste sazonal, informou há pouco a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Na mesma base de comparação, o Índice de Nível de Emprego subiu 0,19% na série sem ajuste sazonal. Ao comparar abril de 2015 com o mesmo mês do ano passado, o nível de emprego recuou 6,67%.

No acumulado do ano, a queda do nível de emprego industrial paulista foi equivalente a 1,5%, o segundo pior da histórica da pesquisa iniciada em 2005, atrás apenas do primeiro quadrimestre de 2009, quando houve perdas de 3,9%. Em números absolutos, a indústria paulista teve um saldo positivo de 5 mil contratações em abril ante março, referente à contratação de 16.054 menos a demissão de 11.054 funcionários. O saldo foi positivo graças ao setor produtivo de açúcar e etanol, que tradicionalmente puxa o indicador no período em razão do início da colheita da cana-de-açúcar.

A média de contratações da indústria paulista para o mês de abril, no entanto, é de 31,5 mil trabalhadores, segundo a Fiesp, ou seja, mais de seis vezes superior ao desempenho do mês passado. "Os resultados são muito ruins e de certa maneira vêm mascarados. Em uma primeira leitura, houve geração de empregos. Mas o fato é que em abril sempre existe geração e no mês passado houve pouca", informou Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp. 

Dados da Fiesp apontam que no primeiro quadrimestre de 2015 o setor produtivo paulista fechou 18,5 mil postos de trabalho, também o pior resultado para o período desde entre janeiro e abril de 2009, quando foram cortadas 32 mil vagas cortadas. No acumulado de 12 meses, até abril, foram cortadas 177 mil vagas na indústria paulista.

Dos 22 setores da indústria no Estado, 16 demitiram, 5 contrataram e 1 permaneceu estável ante março. Com a crise no setor causada pela queda nas vendas de veículos, a indústria automotiva foi a que mais cortou empregos no mês passado no Estado, com 5.843 demissões, seguida pela de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, com 3.007 cortes e pela de produtos de borracha e de material plástico, com 1.449.

A indústria de produtos alimentícios foi que a mais contratou em abril, com 19.246 empregados, seguida pela de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com 3.634 funcionários. Os dois setores que mais contrataram são exatamente os ligados ao de açúcar (alimentos) e etanol (biocombustíveis) e ainda puxaram o nível de emprego em regiões produtoras das commodities.

A indústria de Jaú se destacou, com aumento de 8,56% no nível de emprego em abril ante março, impulsionada pelos segmentos de produtos alimentícios (21,46%) e de coque, petróleo e biocombustíveis (48,46%). Sertãozinho também avançou, a 3,91% em abril, pelas contratações no setor de produtos alimentícios (12,06%). O emprego em Araraquara subiu 2,66%, em meio à alta na indústria de produtos alimentícios (9,05%) e no segmento de confecção de artigos de vestuário (0,23%).

Em contrapartida, os polos automotivos sofreram no mês passado. A região de Taubaté registrou a maior queda, de 3,62%, e a de São Caetano reduziu o emprego em 1,82%. Ao todo, das 36 regiões apuradas pela Fiesp, 25 sofreram queda no emprego e 11 anotaram alta. (O Estado de São Paulo 14/05/2015 às 15h: 53m)

 

Heringer no vermelho no 1º trimestre

A Fertilizantes Heringer, uma das maiores empresas do segmento de adubos no país, encerrou o primeiro trimestre deste ano com prejuízo líquido de R$ 142,9 milhões, ante o lucro líquido de R$ 32,1 milhões registrado no mesmo intervalo do ano passado, informou a companhia em balanço divulgado ontem.

Ainda que a expressiva desvalorização de 21% do real em relação ao dólar tenha trazido impactos negativos ao resultado da Heringer, a empresa reportou ganhos de R$ 219,4 milhões com hedge no primeiro trimestre.

A receita líquida da empresa somou R$ 1,34 bilhão de janeiro a março, um incremento de 12,1% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

Em igual comparação, o volume de fertilizantes entregue pela Heringer aumentou 2,5%, para cerca de 1,1 milhão de toneladas.

Nessa frente, o destaque ficou por conta da recuperação das entregas para a cultura da cana-de-açúcar, que aumentaram 32,6% sobre o primeiro trimestre de 2014 e atingiram 171,6 mil toneladas. Já as entregas de produtos especiais alcançaram 402 mil toneladas, 2% mais que nos primeiros três meses do ano passado.

A participação de mercado da Heringer avançou de 18,1% para 19,9% na mesma comparação.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em R$ 27,5 milhões, 58,6% inferior aos R$ 66,4 milhões do primeiro trimestre do ano passado. (Valor Econômico 15/05/2015)

 

Fortes ventos derrubaram lavouras de cana em oito cidades paulistas

Os fortes ventos que atingiram municípios do interior de São Paulo entre domingo (10) e terça-feira (12) derrubaram lavouras de cana-de-açúcar em ao menos oito cidades e atingiram plantações de um centro de pesquisa em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo).

Os ventos -que chegaram a 70 km/h– atingiram canaviais de Ribeirão Preto, Brodowski, Jardinópolis, Batatais, Pradópolis, Serrana, São Joaquim da Barra e Sertãozinho, deixando a cana tombada no solo.

Também houve registro de chuva, mas não de forte intensidade -28 milímetros.

No Centro de Cana do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), em Ribeirão, houve tombamento em algumas áreas de experimentação, em especial naquelas com canas mais altas (para colheita), de acordo com o pesquisador Marcio Bidoia, responsável técnico pelos campos.

 No local, está sendo desenvolvida a cana energia, ou supercana, feita a partir de melhoramentos genéticos, que pode atingir seis metros de altura e produzir 300 toneladas por hectare.

Segundo Bidoia, apesar de o vendaval ter atingido os campos do Centro de Cana, isso não significa perda dos experimentos, e sim mais trabalho para colher.

Em algumas propriedades, áreas de até um hectare (10 mil metros quadrados) foram atingidas, segundo relatos de fazendeiros.

Produtor de cana em Ribeirão, José Pedro de Oliveira disse que precisará contratar trabalhadores rurais para colher a cana tombada. "É um gasto que não teria, não fosse o vento. A cana está boa, mas vai dar mais trabalho para ser colhida", disse.

Com lavoura totalmente mecanizada, a colheita com máquinas fica inviável com a cana "deitada".

É a terceira vez que o fenômeno atinge municípios da região de Ribeirão Preto desde 2012. (Folha de São Paulo 15/05/2015)

 

Distribuição é desafio do etanol de cereais, afirma Aprosoja

Fórum discutiu em Brasília as oportunidades do etanol fabricado a partir de milho e outros cereais com parlamentares e sociedade.

O etanol produzido a partir de cereais é um produto viável para o Brasil e, especialmente, para Mato Grosso. Estudos já comprovaram a viabilidade da adaptação das usinas que produzem o combustível a partir da cana de açúcar para utilização de milho na entressafra. O gargalo, a partir do início desta produção, é a distribuição do combustível no País.

O assunto foi levantado durante o II Fórum Brasileiro de Etanol de Milho e Sorgo, nesta quinta (14), em Brasília. “Mato Grosso tem um potencial enorme, sabemos que é viável. Estamos com a faca e o queijo na mão e precisamos levar esta discussão para frente”, disse Glauber Silveira, ex-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) e conselheiro consultivo da entidade.

O presidente da Aprosoja, Ricardo Tomczyk, acredita que a política pública do Governo Federal de distribuição de combustível precisa ser revista. “Tira a competitividade do etanol, principalmente do feito de milho, que é produzido no interior do país e longe dos mercados consumidores”, afirma. Para ele, uma solução seria a distribuição diretamente no mercado consumidor.

Atualmente, o Brasil tem excedente de 20 milhões de toneladas de milho que são exportados in natura. “Perdemos a oportunidade de agregar valor ao cereal, transformando, por exemplo, em etanol ou em DDGS, que é matéria-prima para ração animal de muita qualidade”, diz Tomczyk. Ele avalia como um contrassenso o País ser exportador do cereal e comprador de gasolina.

Um dos debatedores, o senador Blairo Maggi (PR) ressaltou que a utilização do milho para combustível não deixa o país desabastecido de alimento. “Há milhares de produtores de milho no Brasil, dos mais diversos tamanhos de propriedades. A oportunidade de trabalhar com este novo produto irá gerar renda e sustentabilidade”, afirmou.

O deputado federal Marcos Montes (PSD), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, salientou que os parlamentares precisam ser demandados para discutirem temas pertinentes ao setor. “Gosto muito desta discussão e vejo como algo importante para os produtores de milho do país”, afirmou.

O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), André Nassar, também acredita que a discussão sobre alimento versus combustível está superada. Segundo ele, o ministério precisa verificar o que é economicamente eficiente para traçar políticas públicas. “Usar a usina de cana é interessante. Também é mais interessante moer (o milho) para fazer etanol do que colocar em rodovia para exportar”, frisou. Para o representante do Mapa, a distribuição direta é uma forma de viabilizar o etanol do milho, mas não é simples.

Clayton Anselmo, representante da CHS (cooperativa norte americana com atuação no Brasil), disse que 75% do mercado de distribuição de combustíveis está concentrado em três empresas. “Temos concentração de mercado na distribuição e fragilidade na produção”, ressalta. A questão tributária também é fundamental de ser discutida, pois o recolhimento é feito pela distribuidora e não pelos postos, então tudo arrecadado com este imposto fica para o estado que consome o combustível, não para o que produz. “Isso explica porque os Estados não incentivam o consumo do etanol hidratado”, argumenta.

Evento

 O Fórum de Etanol de Cereais é uma realização da Aprosoja e Aprosoja Brasil, com patrocínio da Novozymes. Também participaram dos debates Sérgio Bortolozzo e Alisson Paolinelli, da Abramilho, Ricardo Santin, da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Antônio Álvaro, da Embrapa Sorgo e Milho, Piero Vicenzo Parini, do Sindalcool-MT, Cassio Iplinsky, Usina Rio Verde, Sérgio Barbieri, da Usimat, Pedro Luiz Fernandes, da Novozymes, Otávio Celidônio, superintendente do Imea. (Notícias Agrícolas 15/05/2015 às 16h: 50m)

 

Brasil pode lucrar US$ 84 bilhões com exportação

Como segundo maior exportador de soja do mundo, por exemplo, o Brasil tem potencial para exportar ainda mais, desde que sejam eliminados os gargalos no transporte interno que tornam certas regiões produtoras de soja no Brasil menos competitivas do que nos Estados Unidos.

Um novo estudo realizado pela Bain & Company, em parceria com o Fórum Econômico Mundial e o International Trade Centre (ITC) sugere uma alternativa para o crescimento do comércio internacional brasileiro e mostra que é possível lucrar a curto prazo.

O valor apresentado é de US$ 84 bilhões - o equivalente a aproximadamente 3,5% do produto interno bruto (PIB) do País.

O Brasil está crescendo a um ritmo inferior à média mundial. No ano passado foi registrada a maior queda de exportações e importações desde 1998 - 7% e 4,4%, respectivamente. Aqui, onde a cadeia de suprimento convive com inúmeras barreiras, o primeiro passo para melhorar a situação é identificar os setores que possuem maior potencial de avanço e levantar quais obstáculos da cadeia de suprimento deveriam ser priorizados para liberar esse potencial. Isso transformaria o Brasil novamente em um país competitivo e viabilizaria o fluxo de mercadorias. "Além dos ganhos de US$ 84 bilhões, a simplificação traria economias imensuráveis ao longo do processo", diz Fernando Martins, sócio da Bain & Company. (Notícias Agrícolas 15/05/2015)

 

Dedini: Trabalhadores de metalúrgica fazem greve após atraso dos salários

Pagamento de abril não foi depositado, dizem funcionários de indústria.

Paralisação ocorre em meio à crise enfrentada por setor sucroenergético.

Trabalhadores da Dedini S/A, indústria de equipamentos para usinas de açúcar e etanol emSertãozinho (SP), paralisaram as atividades há oito dias. Eles reivindicam o pagamento de salários atrasados e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que, em alguns casos, segundo os próprios funcionários, deixou de ser recolhido há pelo menos três anos.

Nenhum representante da unidade foi encontrado para comentar o assunto.

A greve acontece em meio à crise do setor sucroenergético, que afetou a geração de empregos em Sertãozinho. Em 2014, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a cidade encerrou o ano com um saldo negativo de 2.046 contratos.

Em março deste ano, 1.146 vagas foram fechadas. Só no setor de indústria e transformação, 912 funcionários foram desligados, frente a 371 contratados.

Atrasos

Segundo os trabalhadores, o salário referente ao mês de abril não foi depositado. “A empresa só pagou o mês de março e o restante a gente não sabe quando vem. Está difícil. O duro é que tem fundo de garantia e férias atrasadas também. Enquanto isso a gente fica esperando, mas a coisa não está boa não”, diz o operador de guindaste João Parra Neto, que trabalha há 38 anos na empresa.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sertãozinho, Samuel Marqueti, afirma que 800 trabalhadores estão parados e exigem o pagamento do salário de abril, que deveria ter sido efetuado no dia 5 de maio, bem como a quitação de parcelas do FGTS e das férias.

A pauta dos grevistas inclui, ainda, o pagamento de verbas rescisórias para funcionários demitidos, um total de 200 pessoas apenas este ano.

Durante uma assembléia realizada em frente à empresa nesta quarta-feira (13), os trabalhadores decidiram manter a greve, uma vez que a única proposta de negociação apresentada pela empresa foi recusada. “Ela ofereceu pagar mais R$ 500, mas os trabalhadores querem todos os pagamentos que não foram feitos”, afirma o presidente do sindicato.

Marqueti afirma que a crise na indústria já acontece há muitos anos sem os responsáveis apresentarem uma solução para os trabalhadores. Na próxima sexta-feira (15), os funcionários voltarão a se reunir em nova assembléia para decidir os rumos da greve. “Faremos o que for necessário para garantir os direitos deles”, diz o representante.

A Dedini S/A ainda possui uma unidade em Recife (PE), uma em Maceió (AL) e três em Piracicaba (SP), onde 600 trabalhadores também paralisaram as atividades. (G1 13/05/2015)

 

Os estragos pela incompetência e corrupção só aumentam

“As entregas de fertilizantes ao consumidor final do Brasil somaram 1,39 milhão de toneladas em abril, queda de 20,9% ante igual mês de 2014, segundo a Anda” – Valor Econômico, 14/5/15

“Exportações do agronegócio têm queda de 14% no 1º quadrimestre” – Cepea/Esalq, 14/05/2015

“Lançamentos imobiliários têm queda de 66% no 1º trimestre” – Valor Econômico, 14/05/2015

“Supermercados puxam a maior retração do comércio em 12 anos” – Agência Estado, 14/05/2015

“141 mil alunos com contratos vigentes não tiveram a renovação de financiamentos do Fies” – O Estado de São Paulo 14/05/2015

“Brasil fica em 60º em ranking de educação com 76 países” – O Estado de S.Paulo, 15/05/2015

Repare o leitor que as manchetes acima foram colhidas apenas no dia de ontem e representam o descalabro em que a dupla “arrasadora” Lula & Dilma – cujo slogam agora é “Pátria Educadora” - colocou o nosso Brasil varonil. Efetivamente nunca governantes provocaram tamanho prejuízo ao País tirando dos brasileiros a esperança de viverem um futuro digno.

Depois das primeiras denúncias da corrupção que o PT e seus partidos aliados colocaram na Petrobras, esperava-se que a cota dos “malfeitos” (Dilma prefere este termo ao invés da roubalheira) tinha se esgotado. Que nada, a cada dia aparecem mais e mais notícias envolvendo as quadrilhas de ladrões dos cofres públicos que se instalaram a partir da chegada de Lula ao poder e que, além de se manter, aumentaram com a eleição de Dilma.

Mas, com efeito, pior tragédia do que o assalto ao dinheiro público, tem sido a incompetência de gestão desta gente. Dilma só não caiu ainda porque conseguiu terceirizar em parte seu governo. Temer, cuidando da política, Levy da economia e Kátia Abreu do agronegócio, mola propulsora e que segura todos os arroubos e desmandos da economia nacional.

O inacreditável é que em pleno processo de ajuste – garrote, melhor dizendo! – fiscal, esta senhora, que não merece o mínimo respeito dos brasileiros honestos e trabalhadores, insiste em manter a farra de apadrinhar nada menos do que 39 ministros que custam aos cofres públicos a bagatela de R$ 60 bilhões anuais (Fonte: O Globo), E, convenhamos, ninguém produzindo absolutamente nada!

Ao mesmo tempo em que a política virou caso de polícia o Brasil caminha a passos largos para enterrar, de vez, o mais bem sucedido projeto e programa de produção de energias limpas e renováveis do mundo.

Dói e envergonha o que está ocorrendo com a cadeia produtiva sucroenergética com destaque para a indústria de base que desenvolveu uma tecnologia de ponta e que está se esfacelando pela incompetência e arrogância da dupla Lula & Dilma. A greve dos trabalhadores da Dedini pode ser o empurrão que faltava para que a empresa encerre suas atividades.

Bem que os deputados que formaram a nova “Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético”, em Brasília, poderiam deixar de agradar apenas aos usineiros como gesto de retribuição ao dinheiro que ganharam para as suas campanhas, e olhar com o respeito que merece a crise sem precedentes que está derretendo a nossa indústria de base.

A falta de novas encomendas e pedidos, aliada a inadimplência das 83 usinas que já fecharam e mais as 70 que encontram-se em processo de recuperação judicial constituem-se na origem pelo que passa a indústria de base que se monstra incapaz de reagir também pela falta de lideranças que deveriam mostrar maior criatividade e vocação para o trabalho (Ronaldo Knack é Jornalista e bacharel em Direito e Administração de Empresas. É também fundador e editor do BrasilAgro; ronaldo@brasilagro.com.br)

 

A força do setor sucroenergético - Por Roberto Balestra

Tenho demonstrado uma grande preocupação com a situação do produtor rural do Estado de Goiás e do país. Faço isso pois entendo a força que esse setor tem para a nossa economia e a importância para milhares de famílias, que sobrevivem da produção rural. E esta também é uma preocupação de muitos dos mais de 85 mil eleitores que confiaram em mim para representá-los nesse mandato.

Quando peço apoio ao produtor, tenho certeza que falo em nome de milhares de brasileiros, e mesmo em nome daqueles que não tem o setor rural como bandeira, e que muitas vezes nem sabem que o campo em crise significa a crise batendo à sua porta e chegando na sua mesa.

Infelizmente mesmo com a luta de todos os que representam o setor rural no Congresso Nacional, há setores da atividade produtiva que não conseguem escapar das muitas dificuldades que se apresentam. É o caso do setor sucroenergético, que enfrenta uma das maiores crises da sua história.

Recentemente, uma reportagem da Folha de São Paulo mostrou que mais dez usinas devem fechar as portas na safra desse ano, se somando a mais 50 que já deixaram de atuar desde 2008, extinguindo mais de 100 mil empregos. Os motivos são muitos, mas é preciso destacar a falta de preocupação do poder público com esse cenário nos últimos anos. Esse momento delicado não está sendo discutido pela sociedade, e nem pelo governo federal, infelizmente. E essa deveria ser uma preocupação de todos os brasileiros, pois, principalmente em tempos de gasolina nas alturas, a produção de etanol seria uma alternativa aos consumidores.

Por isso, agradeço os parlamentares pela instalação da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético no último dia 7. O grupo será presidido pelo colega deputado Sérgio Souza, do Paraná e eu terei a honra de ocupar a primeira vice-presidência.

O objetivo da frente parlamentar é mobilizar e somar esforços no Congresso Nacional para discutir e propor medidas que garantam a retomada do crescimento do setor de álcool e açúcar. Eu, que acompanho de perto esse setor, tenho certeza que o seu potencial não é aproveitado no país como deveria.

No Brasil há mais de 400 unidades industriais e quase 70 mil produtores independentes de cana-de-açúcar. Todos eles fazem parte do setor responsável pela geração de mais de 1 milhão de empregos diretos, distribuídos por 20% dos municípios brasileiros. O PIB chega a 40 bilhões de dólares e as exportações anuais chegam a ordem de 15 bilhões de dólares. Um setor tão produtivo economicamente para o país não pode deixar de ter representante que lutem pelo crescimento e valorização.

A criação dessa Frente, com certeza, dá mais força a essa luta, que não é em defesa do setor sucroalcooleiro apenas, mas de toda a cadeia que é movimentada pela produção, em defesa da geração de emprego e de uma economia mais forte (Roberto Balestra é deputado federal pelo Partido Progressista). Diário da Manhã 13/05/2015)

 

Brasil e EUA apontam números com boas safras

O Brasil está praticamente finalizando a colheita de verão e estimando a de inverno. O resultado indica que, pela primeira vez, o país ultrapassará os 200 milhões de toneladas de grãos. Há 14 anos, o Brasil comemorava a chegada aos 100 milhões de toneladas.

Já os Estados Unidos, fechada a safra recorde de 2014/15, fizeram nesta terça-feira (12) a primeira estimativa completa para a safra 2015/16, que está sendo semeada.

Assim como ocorreu no ano passado, a próxima safra voltará a ser gorda. A produção de soja, pelo segundo ano consecutivo, superará os 100 milhões de toneladas.

Após a produção de 108 milhões no ano passado, os norte-americanos colherão 105 milhões neste ano.

Os dados são do Usda (Departamento de Agricultura dos EUA), que espera avanço de produção no Brasil em 2015/16. A safra de soja renderia 97 milhões de toneladas para o país, enquanto os argentinos ficariam com 57 milhões.

Com tanta previsão de soja no mercado, os preços voltaram a cair nesta terça (12) no Bolsa de Chicago. O primeiro contrato recuou para US$ 9,67 por bushel (27,2 quilos), 1,6% menos do que no dia anterior.

No caso do milho, Brasil e Estados Unidos devem produzir 4% menos na próxima safra. Já a Argentina elevará a produção em 2%.

Apesar dessas quedas, o volume de produção continua elevado, com os norte-americanos atingindo 346 milhões de toneladas; os brasileiros, 75 milhões; e os argentinos, 25 milhões.

Os preços desta terça-feira mostraram a preocupação do mercado com esses volumes. O primeiro contrato do cereal caiu 0,4% na Bolsa de Chicago, para US$ 3,57.

A produção mundial de milho recua para 990 milhões de toneladas, 1% menos do que na safra 2014/15. Já a safra mundial de soja fica estável em 317 milhões de toneladas, segundo o Usda.

Com a repetição de um volume grande de grãos, os preços devem continuar sem chances de alta, o que pode diminuir pressões de custos para indústrias e pressionar menos a inflação dos alimentos no mundo.

Um dos pontos de preocupação para os produtores é que os dados do Usda indicam uma elevação de 43% nos estoques de soja nos Estados Unidos. O volume iria para 13,6 milhões de toneladas em 2015/16.

Mas analistas da AgRural, de Curitiba, apontam que tradicionalmente o Usda subestima o consumo de soja nas projeções iniciais. Ou seja, esse estoque poderá ser menor. (Folha Online 13/05/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: De olhos bem fechados: Os investidores do mercado do café preferiram ignorar uma nova indicação de aumento da safra brasileira em 2015/16 e conduziram os preços para o campo positivo ontem na bolsa de Nova York. Os lotes do café arábica para julho subiram 210 pontos, a US$ 1,375 a libra-peso. Depois que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) previu na quarta-feira uma produção de 52,4 milhões de sacas no Brasil em 2015/16, ontem foi a vez de Safras & Mercado projetar uma colheita de 50,4 milhões de sacas no novo ciclo, 1,2% a mais que a produção que estimou para 2014/15. A queda do dólar ante o real colaborou para manter um suporte técnico para as cotações ao desestimular as vendas externas de café. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica caiu 0,3%, para R$ 425,47 a saca.

Cacau: Receio com oferta: As especulações em torno de uma quebra de safra de cacau maior que o esperada em Gana e preocupações com a produção em outros importantes centros provocaram a sexta alta seguida dos preços da amêndoa ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para setembro subiram US$ 29, a US$ 3.075 a tonelada. Os investidores já têm considerado a possibilidade de que a colheita em Gana fique abaixo de 700 mil toneladas em 2014/15. Na Costa do Marfim, líder na produção global, as entregas do cacau nos portos têm desacelerado nas últimas semanas. Também há receio de que o El Niño formado neste mês provoque seca em áreas produtoras. No mercado doméstico, o preço médio em Ilhéus e Itabuna subiu para R$ 124 a arroba, segundo o Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Aumento das vendas: Os preços do algodão subiram ontem na bolsa de Nova York pelo segundo dia seguido reflexo do aumento das vendas externas americanas e da queda do dólar. Os lotes para julho fecharam a 66,53 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 1,16%, ou 76 pontos. Entre os dias 1 e 7 de maio, os exportadores dos Estados Unidos comercializaram 10,62 mil toneladas para serem entregues ainda nesta temporada, mais do que o dobro do negociado na semana anterior, segundo relatório do Departamento de Agricultura do país (USDA). A desvalorização do dólar ante diversas moedas ainda incentiva as exportações americanas ao atrair a demanda internacional. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,41%, para R$ 2,1126 a libra-peso.

Milho: "Soluço" em Chicago: As cotações do milho pegaram carona ontem na valorização dos futuros do trigo e avançaram na bolsa de Chicago, também sustentadas por projeções de área nos Estados Unidos e compras técnicas. Os lotes para julho subiram 5,75 centavos, a US$ 3,68 o bushel. Os preços do milho e do trigo costumam ter variações correlatas, já que um pode ser substituído pelo outro na produção de rações. Houve influência ainda do corte de 767 mil hectares na projeção da consultoria Informa Economics para a área plantada com milho nos EUA na nova safra (2015/16). A empresa prevê agora uma extensão de 35,9 milhões de hectares semeada com o grão no país, o que representa uma redução de 2% ante a safra de 2014/15. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&F Bovespa teve queda de 0,12%, para R$ 25,39 a saca. (Valor Econômico 15/05/2015)