Setor sucroenergético

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Areia na biomassa da cana é desafio para a produção de etanol celulósico

Em meio ao desafio de tirar açúcares de dentro do bagaço e da palha da cana para transformá-los em um etanol de custo competitivo, as duas únicas usinas de produção do biocombustível de segunda geração em atividade no país, da GranBio e da Raízen Energia, partiram neste ano para sua primeira safra completa de operação e ajustes.

Na lista dos percalços a resolver, ganha destaque minimizar a corrosão dos equipamentos de aço causada pelas impurezas minerais (terra) vindas do campo com a matéria-prima.

Por essa e outras questões tecnológicas, as unidades deverão operar, no melhor dos cenários, com metade de suas respectivas capacidades instaladas neste ciclo 2015/16. Somadas, as duas unidades têm capacidade para produzir 122 milhões de litros de etanol celulósico por ano.

A maior delas, da Bioflex, controlada pela GranBio, holding da família Gradin, tem capacidade para 82 milhões de litros e foi inaugurada em outubro, em Alagoas.

Mas a Bioflex vem tendo dificuldades de manter uma operação contínua, sem interrupções. Isso porque a terra que entra na fábrica junto com a palha da cana, quando submetida a pressão e temperatura elevadas, corrói com agressividade as estruturas de aços da planta.

A danificação de válvulas, bombas e tubulações vinha acontecendo de forma constante, a ponto de ser necessária a paralisação da fábrica para ajustes.

Mesmo agora, ainda que em menor escala, essa erosão ainda é um problema. "Os equipamentos não foram testados para um elevado teor de minerais. Furava tudo, danificava bombas e tubulações. Tínhamos que parar o processo", explica o vice-presidente de novos negócios da GranBio, Alan Hiltner.

Segundo ele, uma série de ajustes já foram feitos, tais como o revestimento com cerâmica dessas estruturas danificadas e o redimensionamento do raio de algumas válvulas. Atualmente, a unidade está operando com 30% de sua capacidade instalada.

"A nossa expectativa é de conseguir atingir o uso da capacidade máxima até o fim deste ano". Desde outubro do ano passado, a Bioflex, localizada em São Miguel dos Campos (AL), produziu, no total, 2 milhões de litros de etanol celulósico, metade no último trimestre de 2014 e o restante neste ano.

A companhia ainda não arrisca projeções para 2015/16. "As três tecnologias que compõem o "coração" da segunda geração [pré-tratamento, hidrólise enzimática e fermentação] estão funcionando bem.

A maior dificuldade está na parte mecânica", diz Hiltner. Segundo ele, a palha da cana está entrando na fábrica da empresa com teor de impurezas de 8%.

Somando-se a produção da Bioflex e a da unidade de segunda geração da Raízen Energia, esta última inaugurada em dezembro, o volume de etanol celulósico fabricado no país ficou próximo de 3 milhões de litros, um volume apenas simbólico ante os 30 bilhões de litros produzidos na chamada primeira geração, que usa o caldo da cana-de-açúcar.

A Raízen Energia, controlada por Cosan e Shell, não está, ao menos por ora, padecendo com corrosão das estruturas metálicas de sua unidade de segunda geração, localizada na usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP).

Mas, até o momento, a empresa está usando basicamente o bagaço da cana, que é uma matéria-prima mais "limpa" do ponto de vista de impurezas minerais.

No entanto, o uso da palha da cana como matéria-prima complementar ou principal, será mandatório para o êxito dessa tecnologia.

"Portanto, se tivermos que fazer alguma modificação daqui para frente, será em sistemas eficientes de limpeza de palha", explica o diretor executivo de produção da Raízen Energia, Antônio Alberto Stuchi.

No projeto original de sua usina de segunda geração, a companhia elegeu para os equipamentos do chamado "pré-tratamento", ambiente mais suscetível à abrasão, dadas as altas temperatura e pressão nele presentes, o uso de um aço especial, resultado da junção de duas ligas super resistentes, explica Stuchi. Com isso, constata ele, não existe neste momento nenhum problema relacionado à erosão dos equipamentos.

No entanto, lembra ele, há um limite recomendado pelo fabricante para a presença de "areia" por tonelada de matéria-prima, que é de aproximadamente 4%.

O bagaço de cana sai da fábrica de primeira geração e entra na planta de etanol celulósico com 3% de impurezas, diz Stuchi.

"Ainda não temos muita experiência com a palha. Mas, normalmente, vem do campo com 5%, podendo chegar a 10% em épocas de chuvas", compara Stuchi.

Por isso, a idéia é colher a palha dos canaviais da Costa Pinto, e usá-la na caldeira para produzir eletricidade, desviando o bagaço, que contém menos impureza, para o processo de etanol celulósico. "Esse é o modelo que temos para a Costa Pinto.

Para os próximos projetos, teremos que adaptar", afirmou Stuchi, se referindo ao plano da empresa de, até 2024, construir outras sete plantas de segunda geração.

Nas contas do vice-presidente de açúcar e etanol da companhia, Pedro Mizutani, a usina de etanol celulósico deverá fabricar em 2015/16 entre 10 milhões e 15 milhões de litros, ainda abaixo da capacidade anual de 40 milhões de litros.

"A expectativa é que, em até dois anos, a planta esteja operando a plena capacidade", prevê Mizutani. (Valor Econômico 19/05/2015)

 

Presidente da Unica destaca cenário atual da indústria da cana nos EUA

Os avanços recentes em políticas públicas ainda não trouxeram ao setor sucroenergético a tão desejada tranquilidade econômica e financeira, porém, ao considerarmos o potencial dos produtos e da própria indústria, é possível acreditar em um cenário, a longo prazo, mais positivo. A declaração da presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina durante sua participação na “ISO Datagro New York Sugar & Ethanol Conference”, evento realizado no dia 13 de maio, em Nova York (EUA), resume bem o panorama esperançoso do setor.

Com uma receita média por tonelada de cana menor do que na safra 2011/12 e com os custos atuais ainda maiores, quando comparados ao período passado, as perdas econômicas seguem sendo grande motivo de preocupação. Entretanto, segundo Farina, as medidas governamentais implementadas nos últimos meses, como a volta parcial da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), a atualização do valor do PIS/Confins sobre a gasolina e o diesel, e o aumento da mistura do etanol anidro de 25 para 27%, podem sinalizar passos na direção correta.

“A diferenciação tributária representa um sinal positivo, mas para ser efetiva ela precisa compensar e valorizar os ganhos socioambientais oferecidos pelo etanol e pela bioeletricidade, na forma de externalidades favoráveis, por isso é necessário recompor o valor da CIDE, ” destacou a executiva da UNICA. “Precisamos de estabilidade e previsibilidade de regras de forma a restaurar a credibilidade de investidores", ponderou. Acrescentou ainda que continuamos a precisar de uma clara definição sobre o papel do etanol na matriz energética brasileira.

Quanto o aumento da mistura de etanol na gasolina, Farina afirmou que a medida deve elevar a demanda por anidro em torno de 1 bilhão de litros e que o setor está preparado para atender, ou seja, não faltará produto. Segundo ela, os atuais níveis de capacidade de produção das unidades produtoras oferecem total conforto para o atendimento desse novo pleito de consumo.

Sobre o açúcar, apesar de algumas campanhas de vilanização do consumo do produto, atrelada a medidas protecionistas adotadas por países produtores, como a Índia, a presidente da UNICA afirmou que o Brasil continua sendo competitivo.

“O País possui recursos naturais, tecnologia, força de trabalho e experiência para atender a demanda interna e externa pelos produtos da cana. O setor está fazendo a sua parte, mas é fato que muita coisa ainda precisa ser feita. Creio que a longo prazo o cenário será mais favorável, já que possuímos todos os ingredientes para retomar a onda de investimento e o sucesso da indústria, ” defendeu Farina.

Em sua nona edição, a ISO Datagro New York Sugar & Ethanol Conference, um dos mais importantes eventos do calendário mundial do setor sucroenergético, reuniu 385 líderes mundiais em negócios, especialistas e autoridades com origem em 28 países. O principal tema da conferência deste ano foi “Challenges of a word in tranformation” (Mudanças de um mundo em transformação). Além da executiva da UNICA, participaram do encontro o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha e o presidente da Biosev, Rui Chammas (Unica 18/05/2015)

 

Maior produção faz preço do etanol hidratado cair 3%

Queda nos postos de combustíveis é mais acentuada, 5%, aponta ANP e Cepea.

O aumento da produção faz com que os preços do etanol hidratado acumulem desvalorização de quase 3% nesta safra, iniciada em abril, de acordo com Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). No final de março, o litro do biocombustível era cotado a R$ 1,2683 nas usinas de São Paulo, valor que recuou para R$ 1,2331 na última semana, livre de impostos. Pelo relatório mais recente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) sobre a safra 2015/2016, as unidades produtoras do Centro-Sul do país fabricaram 1,94 bilhão de litros de etanol (+18,6%) em abril, dos quais 1,5 bilhão de litros de hidratado (+35,2%) e 438,07 milhões de litros de anidro (­16,4%). Nos postos, a queda é ainda mais acentuada. Conforme a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o litro do hidratado no estado passou de R$ 2,075 para R$ 1,971 no período, com desvalorização acumulada de 5%.

As quedas mais intensas nos postos refletem as variações negativas nas usinas ocorridas nas semanas anteriores, tendo em vista que o repasse entre os segmentos não é imediato, explica o Cepea.

Com relação ao anidro, a produção menor até agora contribuiu para a alta do produto. O litro do biocombustível registrou valorização de 3,6% entre o final de março e a semana passada, indo para R$ 1,3879.

Vale destacar que a demanda pelo anidro está maior, já que a mistura na gasolina passou de 25% para 27% em março.

Espera-se um incremento de 1 bilhão de litros no consumo desse tipo de álcool durante a safra 2015/2016, segundo cálculos do setor sucroenergético. (Canal Rural 18/05/2015 às 18h: 00m)

 

Bioflex consegue aval da CTNBio para sua nova levedura geneticamente modificada

A GranBio obteve da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) a aprovação comercial de uma levedura geneticamente modificada para uso na produção de etanol celulósico.

A partir do segundo semestre deste ano, a companhia, que detém um dos maiores projetos de etanol e químicos de segunda geração do país, vai começar a usar o novo micro­organismo na sua primeira fábrica de segunda geração, a Bioflex, em operação em Alagoas.

A levedura, batizada de Celere-2L, foi desenvolvida no Centro de Biologia Sintética da GranBio, em Campinas (SP), e é capaz de converter, em um mesmo processo fermentativo, todos os açúcares contidos dentro da celulose da biomassa da cana: os de cinco carbonos (C5) e os de seis carbonos (C6).

O Brasil, pioneiro na produção de etanol de primeira geração (a partir do caldo da cana), já dominava o desenvolvimento de leveduras para converter em etanol o C6, presente no caldo.

Mas, com o uso da celulose da cana, passou a ser necessária a tecnologia para processar o C5, como explica o cientista-chefe da GranBio, Gonçalo Pereira.

O desenvolvimento da Celere-2L levou cerca de dois anos. Por meio de engenharia genética, os pesquisadores inseriram cerca de dez genes na levedura para que ela passasse a converter também o C5.

"As leveduras brasileiras são muito robustas, aguentam alta pressão e têm desempenho elevado. Além de genes de outras leveduras, também inserimos um ou dois genes de outros micro­organismos e ajustamos a organização desses genes", resume.

Ele explica que converter o C5 é de extrema importância, pois significa elevar a produtividade do processo.

De um total de 100 quilos de palha (lignocelulose), 40 quilos são de açúcares C6 e 25 quilos de C5. Outros grupos buscam converter o C5 em açúcares para ampliar a produção de etanol celulósico.

No mercado, há outra levedura geneticamente modificada aprovada para essa finalidade na CTNBio, a RN1016, da holandesa DSM.

O aproveitamento do C5 também está no radar da usina de etanol celulósico de escala de demonstração do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

Com capacidade para produzir 3 milhões de litros anuais, a usina, no entanto, está tendo dificuldades técnicas no pré-tratamento.

"Ainda não encontramos o ponto ótimo dessa operação", afirmou o diretor de negócios de etanol celulósico do CTC, Viler Correa Janeiro.

Os desafios, segundo ele, se estendem, ainda, à otimização dos coquetéis enzimáticos, além da fermentação.

"Fizemos progressos em laboratório e em biotecnologia para avançar no desenvolvimento das enzimas. Nessa frente, temos parceria com a Embrapa ", disse Janeiro. (Valor Econômico 19/05/2015)

 

TRT mantém condenação da Usina Maringá por cheques sem fundo e salários atrasados

A 5ª turma de desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15) manteve decisão da 3ª Vara do Trabalho de Araraquara (SP) e reforçou em segunda instância a condenação da Usina Maringá por pagar com atraso e com cheques sem fundos salários e rescisões de contratos.

A usina, localizada na cidade do interior paulista, foi condenada a pagar R$ 1 milhão por danos morais coletivos e ainda multas de R$ 2 mil a R$ 20 mil por trabalhador lesado. Cabe recurso da empresa ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).

No acórdão, relatado pelo desembargador Edison dos Santos Pelegrini e divulgado nesta sexta-feira, 15, pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), a Usina Maringá admite o pagamento de verbas rescisórias com cheques sem fundos para cerca de 80 de 300 funcionários em 2013, alega que o fato ocorreu por problemas na captação de recursos com principais clientes e que posteriormente quitou os débitos com os dispensados.

Além disso, empresa admite o atraso em salários que também foram acertados posteriormente.

No entanto, os desembargadores negaram o recurso da usina. Segundo o MPT, apesar de a usina admitir os fatos e alegar que estava passando por dificuldades econômicas, após a sentença que a condenou em primeira instância, a usina até aprofundou a prática.

"Eles chegaram ao ponto de violação em massa dos direitos trabalhistas mais básicos e voltaram a entregar a trabalhadores cheques sem fundos mesmo depois de a usina condenada. Centenas de trabalhadores ficaram vários meses sem receber qualquer verba trabalhista e famílias passaram fome", informou o procurador do trabalho Rafael de Araújo Gomes, do MPT. (Agência Estado 18/05/2015)

 

Etanol de milho: Distribuição é o grande desafio

O etanol produzido a partir de cereais é um produto viável para o Brasil e, especialmente, para Mato Grosso. Estudos já comprovaram a viabilidade da adaptação das usinas que produzem o combustível a partir da cana-de-açúcar para utilização de milho na entressafra. O gargalo, a partir do início desta produção, é a distribuição do combustível no País.

O assunto foi levantado durante o II Fórum Brasileiro de Etanol de Milho e Sorgo, realizado na última quinta-feira, em Brasília. “Mato Grosso tem um potencial enorme, sabemos que é viável. Estamos com a faca e o queijo na mão e precisamos levar esta discussão para frente”, disse Glauber Silveira, ex-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT) e conselheiro consultivo da entidade.

O presidente da Aprosoja/MT, Ricardo Tomczyk, acredita que a política pública do governo federal de distribuição de combustível precisa ser revista. “Hoje, ela tira a competitividade do etanol, principalmente do feito a partir do milho, que é produzido no interior do país e longe dos mercados consumidores”, afirma. Para ele, uma solução seria a distribuição diretamente no mercado consumidor.

Atualmente, o Brasil tem excedente de 20 milhões de toneladas de milho que são exportadas in natura. “Perdemos a oportunidade de agregar valor ao cereal, transformando, por exemplo, em etanol ou em DDGs, que é matéria-prima para ração animal de muita qualidade”, diz Tomczyk. Ele avalia como um contrassenso o País ser exportador do cereal e comprador de gasolina.

Um dos debatedores, o senador Blairo Maggi (PR), ressaltou que a utilização do milho para combustível não deixa o país desabastecido de alimento. “Há milhares de produtores de milho no Brasil, dos mais diversos tamanhos de propriedades. A oportunidade de trabalhar com este novo produto irá gerar renda e sustentabilidade”, afirmou.

O deputado federal Marcos Montes (PSD), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), salientou que os parlamentares precisam ser demandados para discutirem temas pertinentes ao setor. “Gosto muito desta discussão e vejo como algo importante para os produtores de milho do país”, afirmou.

O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), André Nassar, também acredita que a discussão sobre alimento versus combustível está superada. Segundo ele, o ministério precisa verificar o que é economicamente eficiente para traçar políticas públicas. “Usar a usina de cana é interessante. Também é mais interessante moer (o milho) para fazer etanol do que colocar em rodovia para exportar”, frisou. Para o representante do Mapa, a distribuição direta é uma forma de viabilizar o etanol do milho, mas não é simples.

Clayton Anselmo, representante da CHS (cooperativa norte-americana com atuação no Brasil), disse que 75% do mercado de distribuição de combustíveis está concentrado em três empresas. “Temos concentração de mercado na distribuição e fragilidade na produção”, ressalta. A questão tributária também é fundamental de ser discutida, pois o recolhimento é feito pela distribuidora e não pelos postos, então tudo arrecadado com este imposto fica para o estado que consome o combustível, não para o que produz. “Isso explica porque os estados não incentivam o consumo do etanol hidratado”, argumenta. (Diário de Cuiabá 18/05/2015)

 

EUA ampliam exportações agrícolas para América do Sul

Os norte-americanos dobraram as exportações agrícolas para a América do Sul nos últimos quatro anos. Só em 2014 foram US$ 8 bilhões.

Se considerados os últimos dez anos, o aumento das vendas externas dos EUA para a América do Sul cresceram 300%, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos EUA).

Primeiro, pelo aumento de acordos bilaterais dos EUA na América do Sul, como os feitos com Colômbia, Chile e Peru. Além disso, a Argentina se desestruturou nos últimos cinco anos e perdeu força na região.

Brasil

A situação argentina favoreceu os norte-americanos, inclusive no Brasil. O país passou a importar mais trigo norte-americano e se tornou um dos três maiores compradores desse cereal dos Estados Unidos. (Folha de São Paulo 19/05/215)

 

Williams Brasil: exportação de açúcar em contêiner sobe no 1º trimestre

O Brasil exportou 431,91 mil toneladas de açúcar em contêiner no primeiro trimestre deste ano, 9,85% mais na comparação com as 393,19 mil toneladas registradas em igual intervalo de 2014, de acordo com a agência marítima Williams Brasil.

O maior volume foi escoado pelo Porto de Santos, de onde saíram 377,65 mil toneladas, ou 87,43% do total. Logo em seguida vem o Porto de Suape, com 25,21 mil toneladas (5,84% do total).

No trimestre, o pico de exportações de açúcar em contêiner foi em março, com 185,98 mil toneladas. Janeiro foi o mês em que esse tipo de embarque registrou o menor volume, com 107,87 mil toneladas.

De acordo com a Williams Brasil, a África do Sul foi o principal comprador nos três primeiros meses do ano, com 57,21 mil toneladas, ou 13,25% do total. Na sequência estão Sri Lanka, com 52,42 mil toneladas (12,14%), e Iêmen, com 43,05 mil toneladas (9,97%). (Agência Estado 18/05/2015 às 14h: 05m)

 

MT: Senador diz que Lula vetou usina de etanol em Lucas

Durante o evento, o senador Blairo Maggi garantiu ao grupo que o Congresso Nacional não se furtará de fazer o debate.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou durante o governo dele a instalação incentivos a instalação de uma usina para etanol a partir do milho em Lucas do Rio Verde. O apontamento foi feito pelo senador Blairo Maggi (PR), ontem, no II Fórum Brasileiro de Etanol de Cereais, na Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em Brasília. ““Quando Lula ainda era presidente, recebi o ex-prefeito de Lucas do Rio Verde, Marino Franz (PPS) que estava na luta para conseguir recursos para a construção de uma usina. Seria exclusiva para o aproveitamento de milho. Tentamos junto ao governo, mas não deu para convencer o presidente de que o projeto não competiria com a produção de alimento”, contou”, ao afirmar que hoje o ambiente é outro.

Outro ponto levantado por Maggi foi sobre a produção de alimentos, que, afirma, não compete com a produção de combustível. “Os americanos, muito sabiamente, fizeram o que deveríamos fazer. Levaram as indústrias para dentro da zona de produção, e por isso conquistaram um rápido crescimento no setor”, comparou.

Em consonância com Maggi, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura (MAPA), André Nassar, comentou que não vê “mais sentido nesse argumento”. Para ele, a questão está em estudar a viabilidade econômica da proposta. “Nos Estados Unidos, o custo da energia é metade daqui. Para o MAPA, politicamente é possível. Mas é preciso avaliar economicamente. Temos que fazer o milho virar um produto viável”, ponderou, por meio de assessoria.

Uma política de incentivo, sugeriu Nassar, seria premiar produtores por benefício ambiental na produção de milho e cana. Glauber Silveira, conselheiro consultivo da Aprosoja, lembrou que a viabilidade da proposta não está mais em discussão, uma vez que essa já foi comprovada. Em Mato Grosso, complementou Maggi, os produtores estão aproveitando as usinas de cana-de-açúcar para a produção do etanol.

Mas, Silveira apontou disparidades no mercado brasileiro, que exporta hoje cerca de 20 milhões de toneladas de milho. A primeira delas está no custo do etanol na bomba. O biocombustível sai da usina ao custo de R$ 1,20, mas é repassado ao consumidor a R$ 2,40, chegando a R$ 2,80 em Brasília. Outro ponto está na política de mercado do país, que importa gasolina e exporta a matéria prima do etanol. “Estamos importando gasolina e exportando milho? O etanol de milho é um grande potencial brasileiro”, apontou.

Articulação com o Congresso Nacional

Durante o evento, o senador Blairo Maggi garantiu ao grupo que o Congresso Nacional não se furtará de fazer o debate. Mas o avanço do tema depende, em grande parte, do setor. “O setor precisa saber o que ele quer, como ele quer e aonde quer chegar. Sempre fui um entusiasta e acho que esse é um caminho para uma atividade forte dentro do agronegócio brasileiro”, aconselhou.

Demanda

De acordo com a Aprosoja, os estados do Norte dependem do combustível produzido no Sudeste. Mato Grosso, a partir de uma demanda constante e continuada, tem potencial para redesenhar a cadeia de suprimentos de biocombustíveis no Centro-Norte do Brasil.

Em 2013, o estado consumiu 587 milhões de litros de gasolina. O fornecimento foi via São Paulo. Nos últimos 10 anos, a produção de milho em Mato Grosso saiu de 3,4 milhões para 21 milhões de toneladas. Hoje, a área de cultivo do grão é de 3 milhões de hectares, e deve chegar a 5,7 milhões em 2023. Até lá, o estado responderá por 63% da produção do Centro-Oeste.

Em todo o Brasil, a produção de milho chega 80 milhões de toneladas, numa área cultivada de mais de 15 milhões de hectares. (MT Agora 18/05/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Receio com aperto: Os preços do café subiram pela terceira sessão seguida na bolsa de Nova York ontem em meio a compras técnicas dos fundos de investimento. Os lotes do café arábica para entrega em julho fecharam com avanço de 490 pontos, a US$ 1,4315 a libra-peso, o maior valor desde 22 de abril. Parte dos investidores acredita que, após exportar um volume recorde de café na safra 2014/15, de 36,8 milhões de sacas, o Brasil tenha pouco café em estoque na nova safra para manter o mesmo ritmo dos embarques, ao mesmo tempo em que assegura a oferta para a demanda doméstica. Porém, outros ressaltam que os compradores industriais estão bem abastecidos, o que deve reduzir o aperto de oferta imediato. No mercado interno, o preço do café de boa qualidade variou entre R$ 440 e R$ 450 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes

Algodão: Solo úmido e fértil: As chuvas que caem no sul dos Estados Unidos estão aumentando o otimismo com relação à próxima safra de algodão e foram responsáveis ontem pela queda das cotações na bolsa de Nova York. Os lotes para outubro caíram 133 pontos, a 66,78 centavos de dólar a libra-peso. As precipitações têm revertido a seca grave que atingiu as lavouras da região no ano passado. Embora a área semeada deva recuar 11% em 2015/16, acredita-se que a produtividade deverá compensar essa diminuição. O inconveniente é que as chuvas também atrasam o plantio, que chegou a 35% da área no domingo. Porém, os analistas ressaltam que os produtores só precisam de mais sete dias sem chuva para terminar essa etapa. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,44%, para R$ 2,0861 a libra-peso.

Milho: Mercado climático: O mercado do milho voltou ao campo positivo ontem na bolsa de Chicago sob influência do trigo e de receios com o prolongamento das chuvas nas áreas produtoras dos Estados Unidos. Os contratos para setembro fecharam a US$ 3,7525 o bushel, uma elevação de 2,75 centavos. Alguns analistas têm dito que as chuvas no Meio-Oeste americano, que até agora têm sido favoráveis para o desenvolvimento das áreas recém semeadas, podem começar a ter efeito indesejado, criando ambiente favorável a doenças. Apesar das precipitações, o plantio no país continua avançado na comparação com a média dos últimos cinco anos e alcançou 85% da área reservada para o grão no domingo. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa caiu 0,08%, para R$ 25,26 a saca.

Trigo: Umidade demais: Previsões climáticas sustentaram de novo os preços do trigo ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes do cereal para setembro fecharam a US$ 5,2925 o bushel, elevação de 11,75 centavos. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento avançaram 13,25 centavos, a US$ 5,645 o bushel. Os temporais que têm ocorrido no sul das Grandes Planícies dos EUA, onde se concentra o cultivo do trigo de inverno no país, têm levantado preocupações com o alagamento de algumas áreas e proliferação de doenças. Porém, após o fim do pregão, o Departamento de Agricultura do país informou que a situação das plantações melhorou na última semana. No Paraná, o preço médio subiu 0,28%, para R$ 35,76 a saca, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 19/05/2015)