Setor sucroenergético

Notícias

Cana: 80 usinas estão paradas no Brasil

O diretor-técnico da União da Indústria de Cana-deAçúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, comenta a crise no setor sucroenergético.

No Brasil, 80 usinas estão paralisadas e existe a possibilidade de mais de 10 pararem.

Rodrigues explica que a situação teve origem em 2009, com a crise financeira mundial

 No entanto, ele destaca a política de preços da gasolina como o fator mais determinante. (Cana Rural 19/05/2015 às 14h: 00m)

 

Governo dá incentivo fiscal de R$ 94 mil para projeto da Louis Dreyfus

O governo federal vai dar um incentivo fiscal de R$ 94,2 mil, no âmbito do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), para que a Louis Dreyfus Commodities Agroindustrial invista na irrigação de 1,5 mil hectares de culturas de citros.

O enquadramento de investimentos da empresa nesse regime tributário foi aprovado pelo Ministério da Integração Nacional em portaria publicada no “Diário Oficial da União” de hoje.

O projeto inclui uma balsa flutuante, quatro conjuntos de moto-bomba, um reservatório de distribuição, adutora e seus acessórios e carreadores, em um investimento total de R$ 1 milhão.

As obras vão beneficiar a Fazenda Monte Belo, localizada em Ribeirão Bonito (SP). (Valor Econômico 19/05/2015)

 

Google aposta no uso de dados para aumentar produtividade agrícola Agronegócios

O Google Inc. está fincando um pé no cada vez mais aquecido setor agrícola, investindo em um sistema que processa dados de sementes e solo para ajudar agricultores a elevar a produtividade e economizar dinheiro.

Ontem, a Farmers Business Network Inc. encerrou uma rodada de captação de US$ 15 milhões liderada pela Google Venture, a divisão de capital de risco do Google. A “startup” pretende usar os recursos para expandir seu serviço de análise de lavouras para mais Estados americanos e culturas.

A empresa, que é sediada em San Francisco e foi criada em janeiro de 2014, usa sistemas de computadores para avaliar dados públicos e privados sobre produtividade das safras, padrões climáticos e práticas de plantio. A empresa vende orientações a produtores sobre como aumentar a produtividade de suas safras e reduzir usos ineficazes de fertilizantes ou pesticidas.

“Os dados são a ferramenta que vai liderar a próxima onda de ganhos de produtividade no espaço [agrícola]”, diz Andy Wheeler, sócio da Google Ventures que, com o investimento na Farmers Business Network, vai ganhar um lugar no conselho de administração da startup. “Estamos nos estágios iniciais de aproveitamento desses dados.”

O Google e outros investidores, como a firma de capital de risco Kleiner Perkins Caufield & Byers, que investe há mais tempo na Farmers Business Network, estão financiando a empresa nessa área de rápido crescimento, que une o poder computacional do Vale do Silício às tecnologias de sementes e equipamentos cada vez mais desenvolvidas que se espalham pelo cinturão agrícola dos Estados Unidos.

A análise de vastos volumes de dados sobre o clima e desempenho de safras pode ajudar os agricultores a produzir mais milho, soja e outras culturas e eliminar aplicações desnecessárias de fertilizantes ou pesticidas, segundo as empresas e produtores.

Algumas das maiores empresas agrícolas, como a gigante do agronegócio MonsantoCo. , têm investido nesse segmento. A Monsanto gastou mais de US$ 1 bilhão em aquisições nos últimos anos para formar sua divisão de agricultura de precisão. Uma das firmas que a Monsanto comprou, a Climate Corp., tem ex-executivos do Google entre seus fundadores e também já recebeu investimentos da Google Ventures.

O conglomerado de alimentos Cargill Inc. está desenvolvendo seu próprio serviço e a fabricante de sementes e químicos Du Pont Co. informou que, nos próximos dez anos, espera faturar US$ 500 milhões anualmente com serviços de dados agrícolas.

Firmas novatas como a Farmers Business Network, Farmobile LLC e a FarmLink LLC alardeiam sua independência das gigantes do agronegócio ao competir por uma fatia dos investimentos dos agricultores num momento em que a renda de muitos deles sofre os efeitos de uma queda drástica nos preços dos grãos e da soja desde 2012.

Os produtores que usam o serviço da Farmers Business Network, a um preço de US$ 500 por ano, fornecem à empresa dados de produtividade de safras passadas, quais tipos de sementes foram plantadas, uso de fertilizantes e outras práticas.

A empresa padroniza os dados e os analisa com base em informações de outros agricultores e no seu próprio banco de dados. Ela, então, devolve ao produtor uma análise mostrando como está o desempenho de sua lavoura comparado a outras plantadas em solo e com sementes semelhantes e sugere ajustes no plantio e rotação de culturas. Ferramentas para avaliar o uso de pesticidas e fertilizantes também estão sendo desenvolvidas.

“Com informações mais transparentes, acreditamos que há um jeito melhor de plantar”, diz Charles Baron, um dos fundadores e vice-presidente de produto da Farmer Business Network que foi ex-gerente de produto do Google para projetos de energia.

Baron diz que o serviço da empresa irá se aperfeiçoar com a adesão de mais agricultores. Atualmente, ela cobre 2,8 milhões de hectares de lavouras em 17 Estados e analisa 16 tipos de culturas, como milho, soja, trigo, girassol e grão de bico. Os recursos captados ontem ajudarão a empresa a se expandir ainda mais nos EUA, analisar outros tipos de lavouras e desenvolver mais serviços, diz ele.

O investimento também amplia a participação do Google em algumas startups voltadas para a agricultura e alimentação. A empresa já investiu na Impossible Foods, uma empresa da Califórnia que está desenvolvendo hambúrgueres e queijos a partir de vegetais, e na Glanular Inc., de San Francisco, que produz software para gestão agrícola.

O Google está avaliando outros possíveis investimentos em plataformas que coletam dados meteorológicos e de plantações, que sistemas como o da Farmers Business Network podem interpretar para os produtores, diz Wheeler.

“À medida que a população mundial continuar crescendo, vamos continuar precisando obter uma produtividade cada vez maior dos ativos agrícolas que temos”, diz ele. (The Wall Street Journal 20/05/2015)

 

Senado eleva limite de empréstimos subsidiados do BNDES em R$50 bi Economia

O plenário do Senado Federal aprovou o projeto de conversão da Medida Provisória 663 que aumenta em 50 bilhões de reais o limite de recursos que podem ser emprestados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com subvenção da União, elevando o total para 452 bilhões de reais, informou a Agência Senado.

A medida segue para sanção presidencial.

O relator na comissão especial que analisou a MP, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), acrescentou ao texto original determinação para que bimestralmente sejam publicados na Internet o impacto fiscal das operações do Tesouro com o BNDES e os valores inscritos em restos a pagar nas operações de equalização de taxa de juros, com o objetivo de aumentar a transparência das operações do BNDES. (Reuters 19/05/2015)

 

Real interesse brasileiro é a ferrovia da soja

Apesar do anúncio da ligação entre o Atlântico e o Pacífico, Brasil quer obra no Centro-Oeste.

O discurso transcontinental em torno do projeto de construir uma ferrovia binacional cortando Brasil e Peru é o exemplo mais claro da distância que ainda separa os protocolos de intenção assinados nesta terça-feira, 19, com os chineses e aquilo que, efetivamente, tem chances reais de vingar, ainda que no longo prazo.

Protocolos à parte, o interesse central do governo brasileiro neste projeto é muito inferior aos 4,7 mil km de ferrovia que seriam necessários para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico. Mais especificamente, o que se procura é viabilizar os 883 km do traçado que liga as cidades de Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, até Campinorte, em Goiás. Este ramal abriria as portas da “quase pronta” Ferrovia Norte-Sul para o agronegócio. Seria uma revolução no escoamento da principal região produtora de grãos e carne do País.

Fico

Bem antes de ter cargas e pessoas viajando pela Ferrovia Transcontinental, portanto, o que de fato se busca é a construção da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), empreendimento brasileiro que já foi alvo de uma série de estudos e já passou pela avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU).

No máximo, as ambições reais do governo avançam mais uns 600 km para chegar até Vilhena (RO), onde seria possível acessar a hidrovia do Rio Madeira. Fora isso, tudo o mais é incerto, e os asiáticos sabem disso.

Nos próximos dias, o premiê chinês Li Keqiang e sua comitiva passarão pelo Peru, Colômbia e Chile. Em solo peruano, disse Li, será assinado um “acordo para elaboração de estudo básico sobre a viabilidade de construção da ferrovia”, ou seja, ainda não há definição sobre qual será o traçado da via, seus custos e impacto socioambiental.

Hidrelétrica

Os chineses já conhecem os riscos de anunciarem projetos que não se confirmaram. Em julho do ano passado, durante a visita do presidente da China, Xi Jinping, o governo anunciou um “acordo de cooperação estratégica” entre a estatal Furnas e a gigante chinesa China Three Gorges, para erguer a hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, no Pará, projeto estimado em mais de R$ 30 bilhões. O projeto, porém, passou longe dos discursos oficiais desta terça-feira, 19. Até hoje a usina não teve a sua viabilidade ambiental comprovada. (O Estado de São Paulo 20/05/2015)

 

Produtores de açúcar buscam ação na OMC contra Índia e Tailândia

Produtores de açúcar no Brasil estão compilando evidências para persuadir o governo brasileiro a lançar um processo comercial contra a Índia e a Tailândia por conta de subsídios, em um caso que salienta as crescentes tensões comerciais globais agravadas por uma queda nos preços das commodities.

Eduardo Leão, diretor executivo da Unica, associação do setor, disse que o grupo contratou um escritório de advocacia internacional para analisar programas de subsídios, os quais podem ter custado ao Brasil 1,2 bilhão de dólares por ano em receitas perdidas.

“Estamos determinados a contestar ambos os países”, disse Leão. “Nosso papel agora é aprofundar nossa análise e convencer o governo de que estamos sendo prejudicados por estes subsídios.”

O Brasil, maior exportador de açúcar do mundo, levantou questionamentos sobre incentivos para produtores tailandeses e indianos de cana e de açúcar no Comitê Agrícola da Organização Mundial do Comércio.

O país tem ficado cada vez mais preocupado com estes programas, em uma época na qual os preços globais do açúcar estão no patamar mais baixo em seis anos.

As embaixadas da Tailândia e da Índia no Brasil não retornaram imediatamente pedidos por comentários.

Os preços futuros de açúcar em Nova York, afetados por excesso de oferta, estão rondando o nível de 12 centavos de dólar por libra-peso, patamares vistos pela última vez em 2009.

O Brasil, cuja economia parece se dirigir para sua pior recessão em 25 anos, busca agressivamente proteger sua fatia do mercado global de alimentos, em um momento no qual a bonança nos preços das commodities perde força.

No ano passado, o governo iniciou um caso contra a Indonésia por conta da restrição a exportações de aves, e autoridades consideraram questionar os EUA por conta de subsídios à soja e ao milho. (Reuters 19/05/2015)

 

Política de preços para a gasolina beneficia distribuidoras privadas

Distribuidoras privadas de combustíveis se beneficiam da política de preços da Petrobras, ampliando seus ganhos com a importação de combustíveis a preços mais baixos.

A política de preços que garantiu à Petrobras lucro de R$ 5,3 bilhões em um trimestre de baixas cotações do petróleo no mercado internacional também beneficiou distribuidoras privadas de combustíveis no país. Mesmo com um cenário adverso, de vendas desacelerando e reajustes nos preços da gasolina e do diesel, Ipiranga e Raízen apresentaram ganhos expressivos no início do ano. Controlada pelo grupo Ultra, a primeira registrou um salto de 43% no Ebitda, na comparação com o primeiro trimestre do ano anterior. Ao lado da BR, Ipiranga e Raízen controlam 75% das vendas de combustíveis no mercado brasileiro. "As distribuidoras se aproveitaram de um cenário em que puderam comprar combustíveis mais baratos no mercado externo e vender com preços bem mais altos no Brasil", diz o analista Flavio Conde, do siteWhatsCall?

Na média do primeiro trimestre, a cotação internacional do petróleo Brent foi 50% inferior à praticada no mesmo período de 2014. Os preços internos dos combustíveis, porém, não acompanharam este movimento, pelo contrário, foram reajustados pela Petrobras no início de novembro, quando as cotações internacionais já estavam em queda. Segundo analistas, a diferença entre os preços da gasolina e do diesel no Brasil com relação às cotações internacionais chegaram a superar a casa dos 40% no início do ano. Em fevereiro, o superintendente de Abastecimento da ANP, Aurélio Amaral, disse que a agência já havia identificado um fluxo de importações por empresas privadas com o objetivo de se aproveitar das melhores margens. "Há outros agentes (além da Petrobras) fazendo importações significativas de combustíveis neste momento", afirmou.

Em seu balanço do primeiro trimestre, o grupo Ultra cita as melhores margens com a venda de combustíveis importados como um dos "efeitos pontuais" que garantiram o salto no Ebitda para R$ 715 milhões, ante R$ 499 milhões registrados nos primeiros três meses de 2014. "Os movimentos no mercado interno e externo de combustíveis geraram oportunidade de importação de produtos e benefícios temporários de ganho de estoque, com efeito combinado de R$ 108 milhões no primeiro trimestre de 2015", diz a companhia, no documento de divulgação dos resultados no período.

A Cosan, controladora da Raízen, não detalha os ganhos com importação de combustíveis, limitando-se a dizer que a melhora de 13,1% no Ebitda, que chegou a R$ 589,5 milhões, foi obtida "principalmente em função dos reajustes de preços e do aumento do volume vendido impulsionado pelo crescimento da rede de postos revendedores."

De fato, o balanço da Cosan mostra um crescimento de 3,3% nas vendas da Raízen, enquanto a Ipiranga registrou alta de apenas 1% no volume de vendas no período. Não há dados oficiais sobre os volumes importados pelas duas distribuidoras. Segundo especialistas, houve grande fluxo para São Paulo, mercado onde as margens são mais apertadas por contada grande competição.

O combustível importado chegava em navios com capacidades entre 30 milhões e 40 milhões de litros. Procuradas, Ipiranga e Raízen não comentaram o assunto. Uma comparação entre as estatísticas divulgadas pela ANP e pela Petrobras mostra que a participação da estatal na importação de derivados de petróleo pelo Brasil caiu de 70% no primeiro trimestre de 2014 para55%este ano, quando o país importou uma média de 623 mil barris por dia e a Petrobras, apenas345 mil barris por dia.Ao contrário do que ocorre coma Petrobras, porém, as distribuidoras privadas não têm prejuízos em períodos de petróleo mais caro no mercado internacional: neste cenário, deixam de importar e passam a abastecer todos os seus clientes com produtos adquiridos da Petrobras, que arca comas margens negativas na compra de produtos mais caros no mercado externo. Para o mercado, a facilidade com que as distribuidoras brasileiras podem arbitrar preços no mercado internacional é mais uma distorção da política de preços dos combustíveis vigente no país desde o início do governo Dilma Rousseff. Para a revenda, a concentração no mercado de combustíveis também contribui para a melhora das margens das distribuidoras. "São apenas três grandes empresas e 40 mil clientes, ou seja, há muito pouca competição", diz o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Paiva Gouveia, lembrando que as empresas têm ainda maior disponibilidade para trabalhar com "mix de produtos", praticando maiores margens em mercados menos competitivos, como a região Norte.

A concentração se acentuou na última década, com uma série de fusões e aquisições entre as maiores companhias do setor, que levou ao sumiço de marcas tradicionais como Esso e Texaco. Em 2009, a participação das três maiores somava 68,8% do mercado, segundo o Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom). Em 2014, último dado disponível, era de 74,7%. Para analistas, o bom desempenho das empresas do setor nos últimos anos pode facilitar os planos da Petrobras de vender uma fatia da BR Distribuidora, a líder do mercado, dentro de seu pacote de desinvestimentos, que prevê arrecadar US$ 13 bilhões até o final de 2016. No primeiro trimestre de 2015, o negócio de distribuição de combustíveis da Petrobras teve um lucro líquido de R$ 555 milhões, alta de 15% com relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho tem impacto da eliminação, em 2015, das provisões para o plano de demissões voluntárias da companhia, mas também reflete "as maiores margens médias de comercialização de combustíveis, associadas ao aumento no volume de vendas (1%)", informou a Petrobras. Ao contrário das duas distribuidoras privadas, porém, a BR não faz importações diretas, limitando suas compras a derivados produzidos ou importados pela própria estatal. (Brasil Econômico 20/05/2015)

 

Vendas de etanol disparam em Minas

Após a redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) incidente sobre o etanol hidratado, de 19% para 14%, o que tornou o preço do combustível renovável mais competitivo frente ao da gasolina, a comercialização do produto em Minas Gerais vem batendo recordes. Apesar da maior demanda, a situação das usinas instaladas no Estado continua crítica, já que os preços recebidos pelas mesmas estão abaixo do praticado no ano passado.

Segundo a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), as vendas de etanol estão em alta. Somente em março, mês que a redução do ICMS passou a valer a partir da segunda quinzena, a comercialização somou 105 milhões de litros de etanol hidratado, o que representou avanço de 101% frente a março de 2014 e de 26% sobre o volume comercializado em fevereiro. Para abril, que ainda não teve os números fechados, a expectativa da Siamig é atingir um volume de 150 milhões de litros, o que se alcançado será um recorde histórico para o Estado.

"Após a redução do ICMS os preços do etanol hidratado ficaram mais competitivos que os da gasolina e, com isso, estamos registrando consumo cada vez maior. Em abril chegamos até mesmo a identificar dificuldades das distribuidoras em entregar o etanol aos postos de combustível, isso pela forte demanda que causou dificuldade na hora de acertar a entrega. Também percebemos que a estrutura dos postos que comercializam etanol ainda é pequena no Estado, mas devido à boa perspectiva de negócios, vem ocorrendo uma mudança do panorama, com vários postos migrando a estrutura de outro combustível para etanol", explica o presidente Siamig, Mário Campos.

Preços

Apesar da forte demanda pelo combustível renovável, as usinas ainda não foram beneficiadas. Isso porque os preços pagos pelo etanol estão em baixa. De acordo com Campos, o valor pago ao produtor pelo litro de etanol está em média R$ 1,23, sem impostos, preço 8,9% inferior ao praticado em igual período do ano passado.

"Toda esta forte demanda ainda não refletiu em rentabilidade para o produtor. O que percebemos é que, em muitos casos, o etanol teria condição de estar ainda mais barato para o consumidor. Tanto os postos quanto as distribuidoras tiveram as margens elevadas com a comercialização do etanol durante o período, mas as usinas não conseguiram preços melhores. A situação é complicada, pelo fato de algumas estarem com dificuldade financeiras e necessitam vender o combustível para quitar dívidas. Além disso, o período de safra também pressiona os preços. necessário que o produtor ganhe mais, para manter a produção e a oferta em crescimento para atender a demanda", avalia Campos.

Ainda segundo o representante da Siamig, o valor mínimo necessário para garantir margem às usinas seria de R$ 1,35 por litro de etanol hidratado. " possível reajustar os preços pagos às usinas e garantir rentabilidade para o setor sem retirar a competitividade do etanol para o consumidor, garantindo também uma parcela de lucro aos postos e distribuidoras".

Safra

Em relação à safra atual, as expectativas são positivas. De acordo com o levantamento da Siamig, devido ao clima favorável, a moagem de cana-de-açúcar encerrou abril com crescimento de 14% em relação a igual período do ano passado e esmagamento de 4,1 milhões de toneladas de cana.

Como esperado, o mix da safra atual é mais alcooleiro, com a destinação de 66% do volume de cana para a geração de etanol. Até o final de abril, a produção de etanol total já somava 164 milhões de litros, elevação de 22% frente a igual intervalo da safra passada. Somente a produção de etanol hidratado ficou 41% maior, somando 130 milhões de litros, frente aos 91 milhões fabricados anteriormente. A produção de anidro recuou 19%, encerrando abril em 34 milhões de litros.

A produção de açúcar cresceu 10% e somou 136 mil toneladas. O índice de Açúcares Totais Recuperáveis por tonelada de cana-de-açúcar (ATR/TC), 102 quilos por tonelada de cana, ainda é pequeno quando comparado com a média da safra passada, 135 kg/tc, mas superior quando confrontado com igual período de 2014, quando o índice estava em 99 kg/tc. A expectativa é recuperar o volume ao longo do ano. (Diário do Comercio de Minas Gerais 19/05/2015)

 

Estimativa para laranja no Brasil faz suco subir em NY

A produção de laranja na região formada por São Paulo, Triângulo Mineiro e sudoeste de Minas Gerais, que abriga o maior parque citrícola do mundo, deverá alcançar 278,99 milhões de caixas de 40,8 quilos nesta safra 2015/16, conforme estimativa divulgada ontem pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), mantido pelas grandes indústrias de suco e por produtores da fruta.

Trata-se da primeira estimativa de safra fundamentada em um inventário de árvores citrícolas do cinturão em questão realizado pelo Fundecitrus em parceria com a organização de projetos e pesquisas Markestrat, a Faculdade de Economia e Administração (FEA/USP) de Ribeirão Preto e com a Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV/Unesp).

Não há, portanto, uma base de comparação. Reunidas na Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), as grandes indústrias, Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus Commodities, calcularam para a temporada 2014/15 uma produção de 308 milhões de caixas na região.

Conforme estimativas recentes do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), órgão ligados à Secretaria da Agricultura de São Paulo, no Estado a produção em 2015/16 deverá atingir 284,4 milhões de caixas, 2,2% a menos que em 2014/15.

Mas esse número também incluiu frutas de pomares sem expressão econômica. Como o número das indústrias para 2014/15 se tornou a principal referência sobre a oferta brasileira na formação das cotações do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) em Nova York nos últimos meses, a divulgação do volume previsto pelo Fundecitrus para 2015/16, a partir de um total de 174,13 milhões de árvores produtivas na região, motivou a valorização da commodity ontem na bolsa americana.

Os contratos futuros com vencimento em setembro, que atualmente ocupam a segunda posição de entrega, fecharam a US$ 1,1495 por libra-peso, em alta de 3,89% em relação à véspera.

Conforme cálculos do Valor Data, mesmo assim a segunda posição passou a acumular quedas de 0,3% neste mês, de 17,78% em 2015 e de 26,85% em 12 meses.

E essas quedas só não são maiores em razão dessa redução da oferta de laranja, também observada na Flórida, que reúne o segundo maior parque citrícola do planeta.

Como a menor produção tende a reduzir os estoques de suco de laranja na mão das grandes indústrias reunidas na CitrusBR ­ há quem projete queda de 447 mil toneladas, em 30 de junho próximo, para 200 mil no fim do primeiro semestre de 2016 , analistas acreditam que as cotações poderão encontrar maior sustentação apesar da retração do consumo em mercados como os EUA. (Valor Econômico 20/05/2015)

 

Acordos que podem superar US$53 bi e criarão fundo para infraestrutura

Brasil e China anunciaram nesta terça-feira um amplo conjunto de acordos de comércio, investimentos e cooperação financeira que podem superar os 53 bilhões de dólares, potencialmente assegurando um fluxo de capital importante no momento em que a economia brasileira busca se recuperar.

Durante a primeira visita do premiê chinês, Li Keqiang, à América Latina, também foi anunciada a criação de um fundo de 50 bilhões de dólares destinados à infraestrutura no Brasil, pela Caixa Econômica Federal e o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC, na sigla em inglês), confirmando reportagem da Reuters da semana passada.

Segundo o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, Cláudio Puty, os 53 bilhões de dólares representam uma soma das intenções de investimentos dos chineses no Brasil, sendo que parte deles pode vir ou não a ser financiada pelo fundo.
Esse fundo não necessariamente vai financiar investimentos chineses, segundo um representante da Caixa, que explicou que o objetivo é financiar projetos de infraestrutura, sendo eles tocados ou não por empresas chinesas.

Em 60 dias a Caixa a o banco chinês devem apresentar a modelagem dos empréstimos e os projetos que podem vir a ser financiados, que podem incluir algumas das concessões em infraestrutura que o governo pretende lançar mês que vem.

Talvez o projeto mais importante a ser financiado pelo fundo será uma ferrovia para ligar os oceanos Atlântico ao Pacífico, reduzindo o custo do frete de exportações para a China.

"A infraestrutura será beneficiada com um projeto de grande alcance para o Brasil, para a integração sul-americana via o Peru e para o comércio com a China", disse a presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de assinatura de atos ao lado de Li.

Os estudos de viabilidade da ferrovia devem ser apresentados aos governos do Brasil, Peru e China em maio de 2016, segundo o governo brasileiro.

Os acordos assinados, no que foi chamado de Plano de Ação Conjunta 2015-2021, vão da venda de jatos regionais da Embraer a novas linhas de crédito chinesas à Petrobras, passando pelo fim do embargo à carne brasileira pela China.

A injeção de capital da China não poderia vir em melhor momento para o Brasil, que está entrando em uma recessão e ainda ressente o fim do boom dos preços das commodities da década passada, que impulsionou a demanda chinesa por seus principais produtos de exportação, como minério de ferro e soja.

Os investimentos em infraestrutura são a principal aposta da equipe do governo Dilma para retomar a atividade econômica. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve ter contração de 1,20 por cento em 2015, segundo boletim Focus do Banco Central, depois de ter apresentado variação positiva de 0,1 por cento no ano passado.

Para a China, os acordos no Brasil representam uma oportunidade para suas empresas que buscam novas oportunidades de investimentos no exterior, à medida que a economia asiática desacelera.

Li disse que as empresas de construção e siderúrgicas chinesas estão prontas para ajudar em projetos de infraestrutura no Brasil, para reduzir os custos do frete nas exportações de commodities.

No passado recente, porém, maciços investimentos prometidos pela China ao Brasil acabaram em sua maioria por não se confirmarem. No fim de 2013, menos de um terço dos investimentos de cerca de 70 bilhões de dólares prometidos pela China no Brasil de 2007 até aquele ano tinha sido executado, com o restante em compasso de espera ou cancelado.

GRANDES EMPRESAS

Alguns dos acordos de cooperação firmados nesta manhã com a China envolvem grandes empresas brasileiras.

No caso da Petrobras, foram firmados dois acordos para financiamento de projetos somando 7 bilhões de dólares.

O maior deles, no valor de 5 bilhões de dólares, é com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB). Não está claro se a cifra é inteiramente nova ou se inclui um contrato de financiamento de 3,5 bilhões de dólares da petroleira com o CDB anunciado no começo de abril.

Já a Vale fechou nesta terça a venda de quatro navios Valemax, para transporte de minério de ferro, à China Merchantz Energy Shipping (CMES).

A mineradora brasileira também firmou acordo com o chinês ICBC para linhas de crédito de até 4 bilhões de dólares sob a forma de empréstimos sindicalizados, bilaterais, crédito à exportação e trade finance, entre outros instrumentos financeiros.

A Embraer, por sua vez, formalizou um contrato já conhecido para vender 22 aviões regionais a uma companhia aérea chinesa, em um negócio de 1,1 bilhão de dólares a preços de tabela. Há previsão de que o acordo seja ampliado adiante para incluir outras 18 aeronaves da fabricante brasileira.

Em outra frente, o chinês Bank of Communications anunciou a compra de cerca de 80 por cento do banco brasileiro BBM por estimados 525 milhões de reais, marcando a primeira aquisição do grupo no exterior.

"A proposta de aquisição do Banco BBM é a primeira compra do Bank of Communications no exterior. Também marca o primeiro passo da expansão do banco na América Latina", disse o banco chinês em comunicado, lembrando que a China vem sendo o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009.

Na pecuária, o Ministério da Agricultura brasileiro informou a habilitação para a exportação à China de oito unidades de abate de bovinos no Brasil que estavam suspensas, com a assinatura de compromisso para a habilitação de mais nove plantas em junho, quando a ministra Kátia Abreu irá ao país asiático. (Reuters 19/05/2015)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Quase dez: As cotações do cacau registraram a nona elevação seguida na bolsa de Nova York em meio a especulações de queda da oferta global nesta safra. Setembro subiu US$ 5, para US$ 3.130 a tonelada. Os investidores acreditam que o El Niño formado neste mês poderá resultar em secas no oeste da África e na Ásia, o que reduziria a produtividade da lavouras de cacau nessas áreas. Essa possibilidade agravaria o cenário para a produção, que deve cair em Gana, onde as plantações sofrem as conseqüências do tempo seco no início do ano e de doenças. Porém, o clima nas regiões produtoras atualmente tem se mantido favorável à cultura. No mercado doméstico, o preço médio do cacau em Ilhéus e Itabuna (BA) subiu R$ 0,50, para R$ 124,50 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Baixa em NY: As cotações do algodão caíram ontem em Nova York pressionadas por fatores macroeconômicos e otimismo com o plantio nos EUA. Os lotes para setembro caíram 88 pontos, a 65,90 centavos de dólar a libra-peso. A possibilidade levantada por um dirigente do Fed de que o banco central pode aumentar os juros apenas em 2016 gerou pessimismo com a economia americana e, consequentemente, com a demanda no país. Do lado dos fundamentos, os traders entendem que, apesar do plantio da safra 2015/16 seguir atrasado nos EUA, as chuvas têm sido boas para recuperar a umidade do solo, após a seca no sul do país no ano passado. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,44%, para R$ 2,0861 a libra-peso.

Soja: Sementes no solo: Boas perspectivas para o cultivo da soja nos Estados Unidos e a alta do dólar derrubaram os preços da soja ontem na bolsa de Chicago. Os papéis para agosto caíram 9,50 centavos, para US$ 9,38 o bushel. No domingo, o plantio da safra 2015/16 alcançou 45% da área reservada para o grão, bem à frente da média em cinco anos para essa época (36%). Há analistas que têm considerado que as fortes chuvas que caem no Meio-Oeste americano podem atrasar a semeadura do milho e provocar a migração de alguns lotes para o cultivo de soja da nova safra. Porém, o plantio de milho já está bastante avançado. A elevação do dólar ante outras moedas colaborou para manter a pressão sobre as cotações. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o grão em Paranaguá (PR) subiu 1,77%, para R$ 66,22 a saca.

Trigo: Qualidade em alta: Os contratos futuros do trigo registraram queda expressiva ontem nas bolsas dos EUA com as boas condições das lavouras no país. Em Chicago, setembro caiu 10,75 centavos, para US$ 5,1850 o bushel. Em Kansas, os papéis com igual vencimento cederam 14 centavos, a US$ 5,5050 o bushel. Os traders buscaram embolsar os lucros do dia anterior, já que a situação das plantações do trigo de inverno melhorou. Até domingo, 45% da área plantada estava em condições boas a excelentes, ante 29% na mesma época de 2014. O número foi um balde de água fria nas apostas de que as lavouras estariam perdendo qualidade com o excesso de chuvas. No mercado interno, o preço do cereal no Paraná apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,07%, a R$ 669,01 a tonelada. (Valor Econômico 20/05/2015)