Setor sucroenergético

Notícias

Paula Kovarsky, ex-Itaú BBA, deve assumir posição no Grupo Cosan

A ex-analista do Itaú BBA Paula Kovarsky deve assumir uma posição no grupo de energia e infraestrutura Cosan, disse à Reuters uma fonte a par do assunto.

Paula deixou o Itaú BBA no início desta semana, onde era analista responsável pela cobertura do setor de Óleo, Gás e Petroquímico.

A fonte, que falou sob condição de anonimato, não soube informar para qual empresa do Grupo Cosan e para qual função a ex-analista do Itaú BBA seria designada.

Procurada, a assessoria da Cosan preferiu não comentar o assunto. (Reuters 20/05/2015)

 

Monsanto diz que venderia negócio de sementes da Syngenta em caso de fusão

A Monsanto, maior empresa de sementes do mundo, disse nesta quarta-feira que planeja vender todos os ativos de sementes e variedades da Syngenta, além de alguns ativos químicos, para obter a aprovação de órgãos reguladores para seu plano de comprar a rival suíça.

O presidente da Monsanto, Brett Begemann, disse em nota que a companhia norte-americana enxerga a aquisição da Syngenta como um movimento em direção à "redefinição do futuro da agricultura" e que está confiante que pode dar uma resposta às preocupações regulatórias sobre a fusão de duas gigantes do setor de agroquímicos e sementes.

A Syngenta já rejeitou uma oferta de 45 bilhões de dólares, mas a Monsanto continua tentando fechar o negócio. (Reuters 20/05/2015)

 

Preço médio do etanol hidratado deve subir 11% na safra 15/16, prevê a SCA

O preço médio do etanol hidratado deve ficar em R$ 1,57 o litro na safra 2015/16, iniciada em abril, de acordo com projeção do CEO da trading SCA, Martinho Ono, apresentada no 13º Seminário Tereos Guarani, em São Paulo. Esse valor representa alta de 11% sobre a média de R$ 1,41 o litro observada em 2014/15. De acordo com o executivo, a previsão leva em conta o aumento do preço da gasolina em 2014 e o retorno da Cide sobre o combustível fóssil.

Ono afirmou que o aumento do preço da gasolina, que concorre diretamente com o hidratado no mercado de carros flex fuel, por ora, ainda não foi absorvido pelas usinas no preço do etanol.

O preço da gasolina subiu em torno R$ 0,22 por litro em fevereiro decorrente da volta da cobrança da Cide na gasolina, mas a elevada oferta de etanol no mercado fez com que as usinas não conseguissem aumentar seus preços na mesma proporção do concorrente fóssil.

Conforme Ono, a redução do ICMS sobre o hidratado em Minas Gerais, de 19% para 14%, também é um fator positivo para a demanda pelo biocombustível. O CEO da SCA estima que o consumo no Estado seja 142% neste ciclo na comparação com 2014, com 150 milhões de litros por mês. "Se a demanda continuar assim, Minas Gerais poderá se tornar um importador de etanol", comentou.

Quanto ao anidro, misturado em 27% à gasolina, Ono prevê cotação média de R$ 1,54 por litro em 2015/16, 10% superior à de 2014/15. As operações de exportação e importação de anidro, entretanto, estão "sem janela", quando se leva em conta o preço do produto negociado na Bolsa de Chicago, disse ele.

Gasolina

Em relação ao combustível fóssil, o CEO da SCA informou que o preço interno hoje está 9,2% defasado em relação às cotações internacionais, apesar da alta recente depois da volta da Cide. (Agência Estado 20/05/2015)

 

SP: Safra de cana de crescer 6% em 2015/2016

Produção nacional de etanol deve superar açúcar, somando 59% do total.

A produção de cana-de-açúcar deve ser 6% maior em São Paulo na safra 2015/2016.

O anúncio foi feito hoje pela Secretaria de Agricultura do estado num encontro do setor.

O destaque é para a produção brasileira de etanol, que deve ter aumento de 1,5 bilhão de litros, em comparação com a temporada passada.

Os números foram divulgados pelo secretário estadual de Agricultura, com base em estimativa do Instituto de Economia Agrícola (IEA).

Estamos otimistas em relação a safra. Estamos estimando um crescimento em torno de 5% a 6% da produção da cana e isso se deve menos a fatores estruturais, que poderiam sinalizar uma retomada.

Neste instante é mais pela questão climática. Houve um momento de chuvas adequadas, a cana está mais desenvolvida, então nós vamos ter um aumento de produtividade.

Não temos nenhum avanço significativo em área e não temos nenhuma retomada mais vigorosa da reforma dos canaviais.

Nós precisamos retomar a reforma dos canaviais e melhorar a produtividade agrícola, mas isso só se fará quando se tiver uma perspectiva mais segura de cenários futuros de preços de etanol e vai se desdobrar no açúcar, indica o secretário de São Paulo, Arnaldo Jardim.

Segundo especialistas, a próxima safra brasileira também deve ser mais alcooleira, na proporção de 59% de etanol e 41% de açúcar.

De acordo com as principais consultorias especializadas no mercado, o país deve processar mais de 600 milhões de toneladas de cana-de-açúcar nessa safra.

Porém, o desafio é moer essa quantidade de cana pelo atraso que nós tivemos nesse início de safra, pela previsão de chuvas que nós teremos no meio de safra e, especialmente, pelas manutenções precárias que as indústrias fizeram ou não fizeram.

Nós acreditamos que haverá muitas paradas técnicas durante a safra, prejudicando o tempo de aproveitamento das indústrias e isso me faz projetar que das 600 milhões de toneladas existentes, nós devemos processar algo em torno de 580, 585 milhões de toneladas.

Isso é 2% a 3% mais que o ano passado em termos de produção de açúcar, calcula Martinho Seitii Ono, da SCA Trading.

A previsão dos especialistas é de que sejam produzidos nesta safra 1,5 bilhão de litros a mais em relação à safra passada.

Isso porque a demanda no mercado brasileiro de etanol está aquecida e o consumo subiu 40% desde o início do ano. A produção total deve ficar em 27 bilhões de litros. Já a produção de açúcar está projetada em 35 milhões de toneladas.

Nós devemos ter uma safra igual a do ano passado, com um consumo maior.

Portanto, nós estamos dizendo que do meio para o final da safra, quando o mercado consegue perceber que o consumo está maior que a oferta, você vai ter um aumento de preço e isso acaba reduzindo o consumo, projeta o presidente da Canaplan e da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) estima que se permanecer a atual conjuntura para o setor, pelo menos dez usinas fechem as portas no país este ano.

Outras 60 já saíram da atividade nos últimos quatro anos.

Uma das exceções nesse mercado é o grupo francês Tereos, que tem filiais no país.

A aposta é de que a recuperação do setor aconteça no médio prazo.

Eu acredito que a sinalização já está dada, de introdução da Cide, valorização do etanol em relação ao combustível fóssil e o aspecto social e ambiental que o etanol tem, nós teremos uma valorização disso e, inevitavelmente, trará novos investimentos.

Mas no curto prazo eu vejo dificuldades, pensa o diretor da divisão Brasil do grupo Tereos, Jacyr Costa Filho. (Cana Rural 20/05/2015 às 19h: 11m)

 

Relação entre etanol e gasolina cai para 63,22% na 2ª semana do mês em SP

Levantamento encaminhado nesta terça-feira, 19, pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, mostrou que a relação entre o preço médio do etanol e o valor médio da gasolina alcançou o nível de 63,22% na segunda semana de maio na cidade de São Paulo. O número apurado representou recuo ante o verificado na primeira semana do mês, quando a relação havia sido de 64,84%. Na segunda semana de maio de 2014, a relação foi de 69,86%.

Conforme especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando o preço do derivado da cana-de-açúcar representa mais de 70% do valor da gasolina. A vantagem é calculada considerando que o poder do etanol é de 70% da gasolina. A relação atual também está abaixo das verificadas em períodos idênticos de 2011 (69,69%), 2012 (68,92%) e 2013 (69,99%).

Em outro tipo de pesquisa da Fipe, que leva em conta a metodologia do tradicional Índice de Preços ao Consumidor (IPC), o valor médio do etanol apresentou queda de 1,53% na segunda quadrissemana do mês (últimos 30 dias encerrados em 15 de maio) ante baixa de 2,23% na primeira quadrissemana (últimos 30 dias encerrados em 7 de maio). Quanto à gasolina, o combustível saiu de uma variação negativa de 0,72% na primeira leitura de maio para um recuo de 0,67%, na segunda quadrissemana do mesmo mês. (Agência Estado 20/05/2015)

 

El Niño pode melhorar qualidade da cana de fim de safra, diz consultoria

Durante o 13º Seminário Tereos Guarani, o sócio-diretor da consultoria Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, avaliou que a ocorrência do El Niño pode até atrapalhar a colheita da cana-de-açúcar, mas, em contrapartida, deve contribuir para melhorar a qualidade da planta processada no final da safra, entre setembro e novembro.

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico, o El Niño provoca chuvas mais volumosas em algumas áreas produtoras de cana do Centro-Sul do Brasil, o que atrasa a colheita. A previsão é de que o fenômeno se manifeste neste meio de ano, justamente o momento de pico de safra na região.

Pela previsão da Canaplan, as usinas e destilarias do Centro-Sul devem moer 566 milhões de toneladas de cana no ciclo 2015/2016, queda de 1% na comparação com a temporada passada. (Agência Estado 20/05/2015)

 

Trabalhadores da Usina São Domingos Decretam Estado de Greve

Ontem o Sindicato da Alimentação de Catanduva (Sinal) iniciou as assembléias nas usinas da região.

Trabalhadores da Usina São Domingos poderão aderir à greve nos próximos dias. Eles decretaram estado de greve por não concordarem com a proposta da empresa.

Ontem o Sindicato da Alimentação de Catanduva (Sinal) iniciou as assembléias nas usinas da região. O objetivo é mobilizar os trabalhadores quanto às negociações do setor, com data-base em 1º de maio.

De acordo com informações da Assessoria de Imprensa do Sindicato, a assembleia foi realizada na Usina São Domingos nesta segunda-feira. “Foi repassada a proposta da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), apresentada na primeira rodada de negociação com a Federação da Alimentação, em São Paulo, proposta que já foi recusada pelos sindicalistas”.

“Os trabalhadores da Usina São Domingos rejeitaram essa proposta e se mobilizaram em estado de greve, ou seja, estão acompanhando as negociações e podem, a qualquer momento, cruzarem os braços, caso não haja avanço nas propostas. Isso não significa que a greve seja iminente, uma vez que há trâmites burocráticos a serem seguidos pelo sindicato”.

“Vale salientar que o Sindicato da Alimentação de Catanduva deixou uma proposta à direção da Usina São Domingos e na tarde de ontem estavam em reunião para tratar do reajuste salarial e do programa de Participação nos Lucros e Resultados”.

A reportagem de O Regional tentou contato com a administração da Usina na tarde de ontem e foi informada de que não havia ninguém para falar com a imprensa naquele momento. O espaço sobre a possível greve continua aberto. (O Regional 19/05/2015)

 

Moagem de cana da Guarani ficará estável em 2015/16, diz Tereos

O diretor da divisão Brasil do grupo Tereos, Jacyr Costa Filho, previu que a companhia, que controla a sucroalcooleira Guarani, deve processar em suas sete usinas em São Paulo entre 20 milhões e 20,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no ciclo 2015/16, iniciado oficialmente em abril.

O volume, se confirmado, significará uma estabilidade em relação aos 20,2 milhões de toneladas de 2014/15.

O viés, contudo, segundo o executivo, é de um aumento na produtividade da cana, dadas as chuvas ocorridas nos últimos dias e que devem beneficiar o rendimento dos canaviais que vão ser colhidos no fim da moagem, em novembro.

Costa Filho, que concedeu entrevista ao Valor agora há pouco em evento da empresa em São Paulo, também acredita que o mix da safra (destinação do caldo da cana) terá o mesmo perfil de 2014/15, ou seja, com a maximização da produção do etanol.

Assim, como tem um parque industrial majoritariamente açucareiro, a Guarani deve ter um mix de 60% para o açúcar e 40% para o etanol, que é o máximo que a companhia consegue destinar para a fabricação do biocombustível.

“No Centro-Sul, a safra 2015/16 será mais alcooleira, pois além de trazer remuneração mais elevada, o produto tem mais liquidez”, afirmou Costa Filho. (Valor Econômico 20/05/2015 às 18h: 46m)

 

SCA Trading estima moagem de cana do centro-sul do Brasil em 582 mi t

A SCA Trading, que atua na exportação e importação de etanol no Brasil, estimou nesta quarta-feira a moagem de cana do centro-sul do Brasil em 2015/16 em 582 milhões de toneladas, ante 571,1 milhões de toneladas em 2014/15.

A trading, que divulgou a projeção durante um evento do setor em São Paulo, indicou que o aumento em relação à temporada passada vai se dar, entre outros fatores, pela cana da safra passada deixada nos campos para a temporada atual.

"Enxergamos que muitas usinas com manutenções não feitas ou mal feitas no ano passado tiveram paradas técnicas mais frequentes no andamento da safra, o que resultou em cana bisada maior para esta. Estamos estimando esse volume de moagem maior devido principalmente a essa cana bisada", afirmou o diretor da SCA Trading, Martinho Seitti Ono, durante conferência.

A previsão de processamento ainda ficará abaixo do recorde de 597 milhões de toneladas da temporada 2013/14.

A produção de etanol hidratado na atual temporada foi vista em 16,6 bilhões de litros, ante 15,4 bilhões em 14/15 e 14,6 bilhões em 13/14, com um maior volume de cana sendo destinado à produção do biocombustível em detrimento do açúcar.

Já o volume de etanol anidro a ser produzido foi visto em 10,4 bilhões de litros em 15/16, ante 10,8 bilhões na safra anterior e 11 bilhões em 13/14. (Reuters 20/05/2015)

 

CNA defende medida provisória que isenta máquinas agrícolas de emplacamento para impedir elevação de custos ao produtor rural

Entidade também quer, entre outros pontos, isenção do IPVA.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) é favorável a qualquer medida que impeça a elevação dos custos da produção rural. Desta forma, está discutindo e defende propostas com esta finalidade para aprimorar o texto da Medida Provisória (MP) 673/2015, que acaba com a obrigatoriedade de emplacamento e licenciamento de tratores e máquinas produzidos a partir de 1º de janeiro de 2016, desde que destinados exclusivamente à atividade agrícola.  

A MP altera o que está previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e determina que tratores e máquinas agrícolas façam apenas o registro único específico, junto ao órgão estadual de trânsito, para identificação do veículo ou do maquinário. Apesar de avaliar a MP como positiva, a CNA defende outros pontos que não estão no texto, como a isenção do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).

Segundo o coordenador de Assuntos Estratégicos da CNA, Anaximandro Almeida, no caso de um trator com preço médio de R$ 145 mil, o custo do proprietário com o IPVA seria de R$ 4,4 mil, uma vez que este imposto equivale, aproximadamente, a 3% do valor do veículo. Já o produtor rural que possui uma colheitadeira que vale de R$ 700 mil a R$ 1 milhão, o IPVA ficaria em torno de R$ 21 mil a R$ 30 mil. A proposta de isenção do IPVA foi defendida pela CNA nas duas últimas audiências públicas, realizadas na Câmara e no Senado, para discutir a MP.

“A MP 673 recebeu 82 emendas ao texto original. A maioria propõe melhorias no texto para tornar mais claro o processo de registro único de tratores e máquinas agrícolas e determina que o registro seja gratuito, para não onerar o setor produtivo. Mas cabe ao Poder Legislativo aperfeiçoar o texto original”, ressalta Anaximandro Almeida.

A Resolução 429/2012, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), tornou obrigatórios o emplacamento e o licenciamento de máquinas agrícolas. Assim, cria-se a possibilidade de tratores e máquinas agrícolas pagarem, além do IPVA, taxa de licenciamento anual, seguro obrigatório (DPVAT), bem como realizarem vistorias. Ou seja, seria mais uma forma de onerar o produtor rural, pois a obrigatoriedade de emplacamento e licenciamento terá início apenas em 2017. 

Ainda de acordo com o coordenador de Assuntos Estratégicos da CNA, os tratores que, esporadicamente, circulam por rodovias, representam apenas 3% da frota. Como a grande maioria destes veículos sequer sai da propriedade, a questão de emplacamento e licenciamento é pouco relevante.

Na sua avaliação, outros pontos importantes dizem respeito a regras e condutas para garantir a segurança do condutor e demais usuários nos raros deslocamentos nas proximidades das propriedades, como horários específicos de tráfego, limites de velocidade permitida e sinalização vertical da rodovia informando o trânsito dos tratores, entre outras. Estas regras ajudariam a evitar acidentes e multas nos casos que, eventualmente, os tratores circulam por rodovias.

A MP será discutida em comissão especial instalada para discutir o tema. O presidente do colegiado é o senador Acir Gurgacz (PDT-RO) e o relator é o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA). (Notícias Agrícolas 20/05/2015)

 

Taxa de exportação sobre grãos leva custos a produtor

Em tempos de crise, uma das tentações dos governos é engordar a arrecadação com novos tributos.

Um dos propulsores da balança comercial do país, o agronegócio passa a ser uma área atraente. E isso amedronta os produtores.

A bola da vez são os agricultores de Mato Grosso, onde circula pela Assembléia Legislativa proposta de volta da tributação sobre as exportações de produtos básicos, como soja, milho e algodão.

O exemplo da Argentina nesse campo não foi muito feliz. Houve uma desestruturação da agropecuária do país, que perdeu, inclusive, importância na América do Sul.

O exemplo mais claro é o do trigo, cuja área foi reduzida, a produção caiu e o país deixou de fornecer o cereal ao Brasil, que agora compra dos Estados Unidos.

"É muito preocupante essa postura de alguns deputados de tentar tributar, em parte, a exportação de grãos e de fibras", diz Ricardo Tomczyk, presidente da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso).

O agronegócio representa mais de 50% do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado, e o retorno do ICMS traria sérias consequências para os produtores do Estado, segundo ele.

Uma delas seria a redução de área de plantio, tendo em vista que Mato Grosso já é vítima de uma logística desfavorável -tanto na saída dos produtos como na importação de insumos- e de elevados custos de produção.

Uma eventual taxação das exportações reduziria a renda dos produtores, principalmente a dos pequenos e médios, que têm escala menor de produção.

O resultado seria uma concentração ainda maior da produção, que passaria para as mãos de grandes produtores ou do capital estrangeiro.

"É um tiro no pé porque o agronegócio tem grande efeito sobre a economia do Estado", diz o presidente da Aprosoja.

A vulnerabilidade do agronegócio diminuiria também as atividades nos setores de serviços, indústria de máquinas e insumos, derrubando a arrecadação e reduzindo empregos, prevê Tomczyk.

Estudo do Imea (Instituto Mato-Grossense de de Economia Agropecuária) indica que, tomando como base uma taxa de 9% nas exportações, os produtores de soja teriam um prejuízo de R$ 437 por hectare na safra 2015/16. No caso do milho, o prejuízo seria de R$ 1.302 e no de algodão, de R$ 769 por hectare.

O estudo do Imea mostra ainda que, com base nas exportações ocorridas em 2014, a taxação de soja, milho e algodão somaria R$ 2,1 bilhões em 2015.

Novos números: A Céleres revisou os números de produção de grãos. A soja, com produtividade média de 3,02 toneladas por hectare, deverá atingir 94,7 milhões de toneladas em 2014/15. O volume supera em 10% o da safra anterior.

Milho: A produção de inverno do cereal foi revisada para 48,4 milhões de toneladas, 1,3% maior do que a anterior. Considerando a safra de verão, a produção total do milho deverá atingir 81 milhões de toneladas na safra 2014/15, segundo a Céleres.

Algodão: A consultoria estima área de plantio de 933 mil hectares em 2014/15, uma queda de 15% em relação à anterior. Já a produção recua para 1,44 milhão de toneladas de algodão em pluma, 15% menos do que na anterior.

Preços: Açúcar e café tiveram queda forte na Bolsa de commodities de Nova York nesta quarta-feira (20). Soja e milho também caíram em Chicago, mas com intensidade menor.

Café: Clima mais favorável em algumas áreas de produção, entre elas Colômbia e América Central, puxaram os preços para baixo, segundo analistas de mercado. (Folha de São Paulo 21/05/2015)

 

Petrobras pode ser obrigada a republicar balanço do 1º tri

A Petrobras pode ser obrigada a republicar o balanço do primeiro trimestre de 2015, se ficar comprovado que a companhia lançou no resultado valores de operações que aconteceram depois de março, indicou nesta quarta-feira o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Leonardo Pereira.

O chefe do órgão regulador evitou mencionar a empresa em particular, mas adiantou que uma decisão da autarquia será tomada com base em orientação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), órgão independente que emite pareceres sobre contabilidade das empresas, e que em geral são adotados pela CVM como norma para as companhias listadas em bolsa.

"Se ficar comprovado que uma empresa desrespeitou a norma do CPC sobre esse assunto, pode ter que republicar", disse Pereira a jornalistas em evento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Já envolvida num escândalo de corrupção, a Petrobras voltou a ser alvo de polêmica desde a semana passada, quando anunciou que teve lucro líquido de 5,3 bilhões de reais no primeiro trimestre ante estimativa média de analistas de resultado positivo de 2,5 bilhões.

O balanço incluiu o montante de 1,3 bilhão de reais referentes a uma reversão de provisão relacionada a dívidas de distribuidoras da Eletrobras, permitida após um acordo entre as empresas.

O acordo foi concluído apenas em maio, depois que o conselho de administração da Eletrobras aprovou em 17 de março a repactuação da dívida de suas distribuidoras com a empresa.

Em comunicado ao mercado, a Petrobras afirmou nesta quarta-feira que a reversão dos valores foi formalizada em 7 de maio, mas que o processo de negociação foi iniciado em março, "portanto, no primeiro trimestre".

A norma CPC 24 rege qual tratamento contábil as empresas devem dar a eventos subsequentes ao período a que se referem as demonstrações financeiras.

Um trecho da norma diz: "No caso de eventos subsequentes que evidenciam condições que já existiam na data final do período contábil a que se referem as demonstrações contábeis, a entidade deverá retroagir e ajustar os valores reconhecidos em suas demonstrações para que reflitam tais eventos".

A Petrobras citou o CPC 24 no comunicado desta quarta-feira, indicando que cumpriu a regra ao reconhecer na demonstração contábil do primeiro trimestre os efeitos da conclusão do processo de negociação da dívida das distribuidoras. (Reuters 20/05/2015)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Dinheiro no bolso: As cotações do cacau caíram ontem na bolsa de Nova York, pressionadas por realizações de lucros após altas nas nove sessões anteriores. Os contratos para setembro recuaram US$ 20, a US$ 3.110 a tonelada. Para analistas, a queda foi técnica, já que, na terça-feira, o mercado entrou em "sobre compra". Ao mesmo tempo, circulam rumores de que a quebra de safra em Gana pode superar 20% e que o país pode descumprir contratos. No mercado interno, a oferta na Bahia neste início de ciclo está três vezes maior que na safra passada, segundo a TH Consultoria. A demanda industrial dá sinais de fraqueza e fechou 2014/15 com o menor volume processado em seis safras. Segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau, o preço em Ilhéus e Itabuna subiu para R$ 127 a arroba.

Laranja: Produção menor: Dados que indicam redução da oferta continuaram repercutindo no mercado futuro do suco de laranja, que registrou nova alta ontem na bolsa de Nova York. Os lotes do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para setembro subiram 190 pontos, a US$ 1,1685 a libra-peso. O Fundecitrus indicou na terça-feira que a produção de fruta no Sudeste do Brasil deve ser de 278,99 milhões de caixas em 2015/16, uma queda de quase 10% em relação à estimativa das indústrias de suco para 2014/15. Com base nesse cálculo, a CitrusBR, entidade que representa as indústrias que atuam na região, indicou que a produção de FCOJ deve cair 28% nesta safra, para 810,7 mil toneladas. No mercado interno, o preço da laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq seguiu em R$ 10,83 a caixa de 40,8 quilos.

Milho:Oferta abundante: Os preços do milho voltaram a cair ontem na bolsa de Chicago, por conta das boas perspectivas para a safra americana e das incertezas sobre a demanda. Os lotes para setembro recuaram 2,50 centavos, a US$ 3,6675 o bushel. O Meio-Oeste dos EUA deve continuar a receber chuvas, o que é bom para a germinação e o desenvolvimento nas áreas recém plantadas, afirma a empresa DTN. Do lado da demanda, há rumores de que a China pode reduzir suas importações de DDG (subproduto do processamento de milho em etanol utilizado na fabricação de rações), pois seus estoques estariam cheios, segundo a consultoria AGR Brasil, em Chicago. Também houve pressão da alta do dólar e da gripe aviária nos Estados Unidos. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa caiu 0,08%, para R$ 24,97 a saca.

Trigo: De olho no clima: Os futuros do trigo voltaram a ganhar sustentação nas bolsas americanas ante preocupações com o clima em regiões produtoras dos EUA. Em Chicago, os lotes para setembro subiram 1,5 centavo, a US$ 5,20 o bushel. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento subiram 4,5 centavos, a US$ 5,55 o bushel. O sul das Grandes Planícies deverá receber novas tempestades nos próximos dias, segundo a empresa de meteorologia DTN, o que pode provocar alagamentos e prejudicar áreas em estágio inicial de maturação. Na Rússia, áreas produtoras devem enfrentar tempo quente e seco, segundo a consultoria AGR Brasil, em Chicago. No mercado doméstico, o preço médio do trigo no Rio Grande do Sul apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,06%, a R$ 583,90 a tonelada. (Valor Econômico 21/05/2015)