Setor sucroenergético

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Receita por tonelada cresceu 7% na safra 2014/15, para R$ 107,90

As usinas do Centro-Sul do Brasil obtiveram na safra 2014/15, encerrada em março, uma receita de R$ 107,90 por tonelada de cana, valor 7,2% maior na comparação com os R$ 100,70 por tonelada de 2013/14. Ainda assim, contudo, permanece abaixo dos R$ 116,1 por tonelada de 2011/12. Os números foram divulgado há pouco pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

Por hectare, a receita das usinas registrou leve recuo de 0,6%, a R$ 7.965,00 em 2014/15 em comparação com R$ 8.012,00 em 2013/14. Em 2011/12, as empresas obtiveram R$ 7.963,00 por hectare de canavial.

Ainda segundo a UNICA, os fornecedores de cana receberam, em média, R$ 65,60 por tonelada de produto entregue às usinas em 2014/15, mais do que os R$ 61,20/t de 2013/14. (Agência Estado 21/05/2015)

 

Com demanda elevada, preço do etanol deve subir

Bioenergia

A cogeração de energia exige investimentos de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões para as usinas que começam do zero, diz Antonio Pádua Rodrigues, diretor da Unica.

Renovação

O setor necessita de uma renovação de 1,5 milhão de hectares de canavial.

Os investimentos superam R$ 10 bilhões.

Contraste

O clima mais favorável deverá elevar em 5% a produtividade da cana no centro-sul nesta safra. Mas o envelhecimento da cana gera uma produtividade 2% inferior, eliminando parte do ganho com o clima.

Efeito safra

A avaliação do mercado de que a oferta de café deverá subir, principalmente com a melhora na produção brasileira, fez o primeiro contrato do produto recuar para US$ 1,28 por libra-peso nesta quinta-feira (21) em Nova York). A queda foi de 5,6% no dia.

Muito a fazer

Essa recuperação de preços vem, no entanto, em um momento de aumento dos custos de produção e de incidência de doenças e pragas, o que vai exigir uma boa gestão do produtor, segundo os analistas do Cepea.

O mesmo volume de consumo de etanol hidratado de março, 1,4 bilhão de litros na região centro-sul- deve ter se repetido em abril e será mantido neste mês. Os números desses dois meses ainda não foram divulgados.

Isso mostra o quanto a demanda por etanol está aquecida neste ano, uma vez que em março do ano passado, o consumo foi de apenas 900 milhões de litros.

Mantido esse ritmo, a demanda pelo álcool hidratado da safra 2014/15 poderá chegar ao final deste ano próxima de 14 bilhões de litros.

Esse volume ficaria perto da estimativa de produção da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) para toda a safra, que é de 16,3 bilhões de litros.

Ao contrário do que ocorreu neste ano, o primeiro trimestre do próximo ano poderá ser de preços mais aquecidos para esse combustível.

Antonio de Pádua Rodrigues, diretor da Unica, diz que esse ajustamento entre demanda e produção vai ser resolvido via preços, que vão subir.

Atualmente entre R$ 1,24 a R$ 1,25 por litro para o produtor, o etanol deverá atingir de R$ 1,47 a R$ 1,50 nas usinas. E esse repasse deverá atingir o bolso dos consumidores.

Na avaliação de Pádua, o etanol a R$ 1,45 por litro nas usinas ainda tem uma paridade favorável em relação à gasolina.

Ao contrário dos anos anteriores, o setor vive de boa notícias neste ano, segundo Elizabeth Farina, presidente da Unica.

As medidas tomadas -como alteração na Cide (imposto sobre os combustíveis), aumento da mistura de etanol anidro na gasolina e diferenciação tributária em alguns Estados- indicam uma mudança de rumos.

Mas há uma premência para o setor obter um operacional positivo, na média. "Voltar para o azul", diz ela.

As receitas nominais de 2014/15 estão nos mesmos patamares das da safra 2010/11, mas os custos subiram muito nesse período.

Farina afirma que os investimentos no setor não virão apenas porque as usinas têm alguns momentos de recuperação, mas isso só ocorrerá quando as mudanças de rumo forem efetivas e eficazes.

Ela estima que 30% das usinas passam por uma situação delicada e que necessitam de uma renegociação das dívidas.

As estimativas de safra da Unica apontam que no período 2015/16 serão moídas 590 milhões toneladas de cana-de-açúcar.

As usinas vão destinar 58% dessa cana para a produção de etanol, com rendimento atual maior do que o do açúcar.

Já a produção de açúcar recua para 31,8 milhões de toneladas, 0,6% menos do que em 2014/15, enquanto a produção total de etanol sobe para 27,3 bilhões de litros, 4% mais. (Folha de São Paulo 22/05/2015)

 

Unica divulga suas estimativas para a safra 2015/16

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), em conjunto com os demais sindicatos e associações de produtores da região Centro-Sul do Brasil e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), anunciou hoje sua estimativa para a safra 2015/2016 de cana-de-açúcar. A projeção indica uma moagem de 590,00 milhões de toneladas, crescimento de 18,66 milhões de toneladas em relação ao total processado na safra anterior (2014/2015), que somou 571,34 milhões de toneladas.

Esse aumento da moagem decorre especialmente da expectativa de maior produtividade agrícola da lavoura a ser colhida na safra 2015/2016, devido a melhora nas condições climáticas observadas até o momento.

Segundo o diretor Técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, “a retração na renovação dos canaviais no último ano e o consequente envelhecimento da lavoura devem ser mascarados pelo regime hídrico mais adequado ao crescimento da planta observado no início de 2015”. De fato, a nossa expectativa é de que ocorra um aumento no rendimento da lavoura nesse ano, mas o número final estimado para a safra ainda vai depender do índice de precipitação dos próximos meses, ponderou o executivo.

A menor renovação dos canaviais em 2014 pode ser evidenciada a partir do perfil da lavoura disponível para colheita na safra 2015/2016. Os dados compilados indicam que a área de cana de primeiro corte deve representar apenas 14,5% da área total disponível para colheita no atual ciclo, contra 17,6% verificados na safra 2014/2015.

“A redução na taxa de renovação dos canaviais reflete a difícil situação financeira observada em parcela significativa das unidades produtoras e, apesar de ter seu impacto minimizado esse ano, deverá promover uma redução na disponibilidade de cana para colheita em algum momento nas próximas safras”, acrescentou Rodrigues.

Além da menor renovação e dispêndio reduzido nos tratos culturais da lavoura, a crise vivenciada pelo setor sucroenergético deve promover o fechamento de dez unidades produtoras na safra 2015/2016, com perda de capacidade de moagem estimada em cerca de 12,50 milhões de toneladas. Essa tendência tem sido observada desde 2008, com um total de 67 empresas fechadas apenas na região Centro-Sul do país nesse período.

Rodrigues destaca que “a perda gradual de capacidade de esmagamento pode dificultar a moagem de toda a cana-de-açúcar disponível para a colheita na safra 2015/2016 caso o clima seja mais chuvoso do que o padrão histórico observado para o período”. Portanto, é possível que a moagem seja inferior a quantidade divulgada caso a possibilidade de inverno mais úmido se confirme, acrescentou.

Qualidade da matéria-prima

A projeção para a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana é de 135,00 kg na safra 2015/2016, contra 136,58 kg registrados no último ciclo agrícola.

Na safra 2014/2015, o clima extremamente seco favoreceu a concentração de açúcares pela cana-de-açúcar. Esse cenário não deve se repetir neste ano, reduzindo a perspectiva de melhoria na qualidade da matéria-prima.

Adicionalmente, existe a possibilidade de florescimento da cana em algumas áreas e, no último mês, se observou o acamamento da lavoura (cana-de-açúcar deitada devido a ventos intensos) em importantes regiões produtoras. Esses aspectos contribuem para a queda na concentração de açúcares nos colmos da planta.

Produção de açúcar e de etanol

Do total de cana-de-açúcar a ser moída na safra 2015/2016, a Unica estima que 58,10% deverá ser destinada à produção de etanol, aumento de 1,12 ponto percentual em relação ao registrado na safra 2014/2015 (56,98%).

Com isso, a produção de açúcar projetada para a safra 2015/2016 é de 31,80 milhões de toneladas, quantidade similar àquela apurada na safra 2014/2015 (31,99 milhões de toneladas). Como resultado, as exportações do produto pelas empresas do Centro-Sul também devem permanecer em patamar próximo ao verificado no último ano (22,18 milhões de toneladas).

Cabe destacar que essa tendência de redução na proporção de cana direcionada à fabricação de açúcar é claramente observada nesse início de safra.

Os dados preliminares apurados pela Unica mostram que apenas 35,86% da cana processada na safra 2015/2016 até 15 de maio de 2015 (74,27 milhões de toneladas) foi direcionada à fabricação de açúcar. Esse valor é sensivelmente inferior aos 39,45% verificados em igual período da safra 2014/2015.

Com isso, a produção acumulada de açúcar na atual safra alcançou 2,85 milhões de toneladas no final da primeira quinzena de maio, registrando queda de 16,47% em relação aos 3,41 milhões de toneladas verificadas na mesma data da safra 2014/2015. A produção de etanol hidratado, por outro lado, apresentou, no mesmo período, expressivo aumento de 16,04% (2,34 bilhões em 2015/2016, contra 2,01 bilhões na última safra).

Especificamente nos primeiros quinze dias de maio deste ano, a proporção de cana-de-açúcar destinada à fabricação de açúcar atingiu 38,33%, ante 42,39% observados na mesma quinzena da safra 2014/2015.

Esse cenário com mix de produção mais alcooleiro fundamenta-se na necessidade de liquidez por parte das unidades produtoras com problemas financeiros, na queda do preço do açúcar no mercado internacional e nas alterações que aconteceram no mercado doméstico de etanol combustível no Brasil.

Entre as alterações observadas domesticamente, cabe destacar o restabelecimento parcial da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) incidente sobre a gasolina; o ajuste do Pis/Cofins aplicado ao derivado; a elevação do nível de mistura do etanol anidro adicionado à gasolina; e a ampliação da competitividade do etanol hidratado combustível devido a mudanças nas alíquotas de ICMS cobrado sobre o produto e sobre seu concorrente (a gasolina) em vários Estados. Nesse contexto, destaca-se a alteração promovida em Minas Gerais, com a redução de 19% para 14% do ICMS incidente sobre o etanol hidratado, paralelamente ao aumento de 27% para 29% na alíquota do mesmo imposto aplicado à gasolina C.

Essas medidas já repercutiram na demanda pelo biocombustível e devem dar suporte à expectativa de maior produção de etanol na safra 2015/2016.

As estatísticas compiladas pela Unica a partir de levantamento junto às unidades produtoras mostram que em abril o volume de hidratado comercializado pelas usinas e destilarias da região Centro-Sul aumentou 49,51% em relação ao valor observado no mesmo período da safra 2014/2015.

Na mesma linha, informações publicadas pela Agência do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam, em março de 2015, um crescimento de 50,93% nas vendas de etanol hidratado pelas distribuidoras.

De acordo com o diretor da Unica “as cotações futuras do preço do açúcar no mercado internacional e o potencial de preço do etanol no mercado doméstico ainda indicam uma receita favorável ao biocombustível”. Para que esse quadro se reverta, é necessária uma retração significativa e pouco provável do preço do etanol ou, de forma equivalente, uma elevação do preço do açúcar em reais, acrescentou o executivo.

Nesse contexto, a produção esperada de etanol na safra 2015/2016 é de 27,28 bilhões de litros, alta de 4,33% no comparativo com os 26,15 bilhões de litros contabilizados na safra 2014/2015. Deste montante, 10,95 bilhões de litros serão de etanol anidro (crescimento de 1,78% sobre o volume do último ano) e 16,33 bilhões de litros de etanol hidratado (aumento de 6,10%).

A maior produção de etanol e a redução esperada nas exportações do produto, estimadas em 1 bilhão de litros para a atual safra, devem ampliar a oferta do biocombustível no mercado doméstico e reduzir a necessidade de importação de combustíveis pelo País.

Para a presidente da Unica, Elizabeth Farina, “parece um contrassenso, mas a situação atual deve estimular um aumento na oferta de etanol em um período de crise intensa no setor produtivo”. Segundo a representante da entidade, trata-se de um momento conjuntural que não deve se repetir nos próximos anos se a crise vivenciada pela indústria não for revertida.

Farina avalia como positivas as medidas que foram estabelecidas pelo governo federal no início deste ano, mas considera prematuro falar em retomada dos investimentos e reversão da tendência de fechamento de unidades produtoras.

“As medidas restabeleceram apenas de forma parcial a diferenciação tributária entre etanol e gasolina. Além disso, ainda precisamos de maior segurança em relação a estabilidade e previsibilidade do ambiente institucional e regulatório no setor de combustíveis. Para retomar o crescimento, o setor precisa voltar a obter retorno positivo no curto prazo. Sem isso, não há como fazer investimentos em capacidade”, acrescentou a diretora-presidente da Unica. (Unica 21/05/2015)

 

Disputa pelas usinas do Grupo Ruette em SP deve ser acirrada

Cinco investidores assinaram acordos de confidencialidade com a Antonio Ruette Agroindustrial, mais conhecido como Grupo Ruette, para negociar a aquisição de seus ativos sucroalcooleiros.

Conforme antecipou o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, as gestoras Black River e Brookfield e os grupos sucroalcooleiros Guarani, Nardini Agroindustrial e Santa Isabel estão no páreo.

As empresas têm até o dia 5 de junho para apresentar suas propostas.

Outros dois grupos estrangeiros, um americano e outro asiático, também solicitaram informações sobre a companhia e devem recebê-las ainda nesta semana, de acordo com fontes do mercado.

Com duas unidades industriais no Estado de São Paulo, que somam uma capacidade de moagem de 3,6 milhões de toneladas de cana, o Grupo Ruette foi posto à venda em abril, depois de um acordo ("standstill") com credores financeiros.

Antes disso, a empresa havia apresentado oficialmente um pedido recuperação judicial, mas voltou atrás após a assinatura desse acordo, que a "blindou" de cobranças e protestos (pelos credores signatários) por 180 dias.

O grupo tem dívidas de R$ 600 milhões e estima-se que suas duas usinas possam ser vendidas por um valor próximo a esse endividamento.

Conforme fontes do segmento, o desfecho da negociação não será necessariamente a venda das duas usinas para um único player.

A visão de pessoas próximas à empresa é que faz mais sentido negociar as usinas separadamente, na medida que cada uma delas agrega um valor diferente a cada pretendente, em virtude das sinergias em potencial.

Uma das sete usinas da Guarani, controlada pela Tereos Internacional, está a 40 quilômetros de uma das unidades da Ruette.

Mas ao lado também está uma usina da Nardini.

A outra unidade à venda está em Ubarama, mais próxima da usina Santa Isabel, em Novo Horizonte.

Conforme apurou o Valor, no fim das contas os atuais acionistas do Grupo Ruette poderão inclusive manter uma participação acionária no negócio, desde que consiga atrair um sócio estratégico que assuma a parte correspondente da dívida do ativo que adquirir.

A reportagem apurou, ainda, que o Grupo Ruette também considera colocar em ação um plano de pagamento dos credores, que prevê a amortização da dívida em oito anos, caso, após o período de vigência do acordo, a venda das usinas não seja efetivada.

Procurada, a usina Santa Isabel não retornou as ligações.

A Nardini Agroindustrial enviou nota na qual afirma que, em função da situação econômica que atravessa o segmento sucroenergético, está focada em realizar suas atividades já existentes. Brookfield e Black River não comentaram.

O diretor para o Brasil do grupo Tereos, Jacyr Costa Filho, afirmou que uma possível negociação para a compra de ativos do Grupo Ruette "não está no radar" da sua controlada Guarani, uma das maiores companhias da área.

O executivo disse que o foco da empresa é melhorar a produtividade e os resultados da operação sucroalcooleira, apesar de não descartar avaliar ativos caso haja oportunidade "que faça sentido".

Em meio às negociações de venda de suas usinas, o Grupo Ruette também está tendo que administrar execuções de bens movidas por bancos que não aderiram ao "standstill', ou seja, não precisam respeitar o acordo de não cobrar o montante que têm a receber ou seus juros.

Nessa situação estão o BNP Paribas, o Safra e o Bicbanco. Juntas, essas instituições têm a receber cerca de R$ 60 milhões, e para isso estão buscando o arresto e a penhora de bens. (Valor Econômico 22/05/2015)

 

Unica projeta produção de açúcar estável em 2015/16 no Centro-Sul

Em sua primeira estimativa para a safra 2015/16 no Centro-Sul do país, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) projetou uma produção de açúcar estável e um crescimento na fabricação do biocombustível, que deve bater um novo recorde.

Nas projeções da entidade, serão produzidos na temporada 31,80 milhões de toneladas da commodity, praticamente estável em relação a 31,99 milhões de toneladas do ciclo anterior, o 2014/15.

A melhor remuneração trazida pelo etanol explica essa estabilidade, apesar de uma moagem 3,27% maior de cana (590 milhões de toneladas) projetada para a temporada.

A previsão da entidade é que a destinação do caldo para a produção do biocombustível suba 1,12 ponto percentual em relação ao ciclo anterior, para 58,10%.

Como consequência, o mix para a fabricação de açúcar será menor, de 41,90%, ante 43,02% de 2014/15.

Assim, a safra tende a ser mais alcooleira, na visão da entidade.

Devem ser produzidos em 2015/16 um recorde de 27,277 bilhões de litros, um aumento de 4,33% em relação aos 26,146 bilhões fabricados em 2014/15.

Para o hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, a Unica prevê o maior aumento, de 6,10%, para 16,330 bilhões de litros.

Para o anidro, que é misturado à gasolina na proporção de 27%, a produção deve crescer 1,78%, segundo a Unica, para 10,947 bilhões de litros. (Valor Econômico 21/05/2015 às 17h: 21m)

 

Produção de etanol do CS será recorde; fabricação de açúcar cai

O centro-sul do Brasil produzirá 31,8 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2015/16, queda de 0,6 por cento ante o ciclo anterior, enquanto a produção de etanol será recorde, com um tempo mais favorável para os canaviais em relação à safra passada, previu nesta quinta-feira a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

A produção de etanol terá aumento anual de 4,3 por cento, atingindo 27,28 bilhões de litros, superando a marca histórica da safra passada, com usinas destinando mais cana para a produção do biocombustível, mais remunerador que o adoçante, de acordo com a primeira projeção da Unica para a temporada iniciada oficialmente em 1º de abril.

O patamar histórico, entretanto, não espelha a grave crise pela qual passa boa parte das indústrias, afetadas por adversidades climáticas nos últimos anos, aumento de custos e elevado endividamento, que levou 67 usinas à recuperação judicial, segundo a Unica.

A moagem de cana do centro-sul, que tem respondido nos últimos anos por aproximadamente 90 por cento da produção de cana do Brasil, deverá somar 590 milhões de toneladas, alta de 3,3 por cento ante a fraca safra passada, atingida em 2014 por uma seca praticamente sem precedentes em Estados como São Paulo e Minas Gerais. O volume previsto, no entanto, ficará abaixo do recorde da safra 2013/14, de 597 milhões de toneladas.

Esse aumento da moagem ante 2014/15 decorre especialmente da expectativa de maior produtividade agrícola da lavoura a ser colhida na safra 2015/2016, devido a melhora nas condições climáticas, apesar dos baixos investimentos feitos nos canaviais por um setor, de maneira geral, abalado por problemas financeiros.

"A retração na renovação dos canaviais no último ano e o consequente envelhecimento da lavoura devem ser mascarados pelo regime hídrico mais adequado ao crescimento da planta observado no início de 2015", disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, em comunicado.

Segundo Pádua, o setor precisaria reformar 1,5 milhão de hectares de canaviais por ano, o que não tem acontecido.

"Então precisaríamos de 10 bilhões de reais por ano para investir em replantio. As linhas do BNDES nunca passaram de 4 bilhões. Às vezes, não chegou à metade disso", disse Pádua a jornalistas, ressaltando que muitos canaviais estão envelhecidos.

Mesmo assim, a expectativa é de que ocorra um aumento na produtividade da lavoura neste ano, disse a Unica. Mas o número final estimado para a safra ainda vai depender do índice de precipitação dos próximos meses, ponderou Pádua.

Com um endividamento crescente e uma fraca remuneração obtida com a venda de açúcar e etanol nos últimos anos, dez usinas deixarão de operar na atual temporada, totalizando 90 unidades paradas na região desde 2008, segundo o diretor.

ESTÍMULO DO CONSUMO

Do total de cana moída na safra 2015/2016, a Unica estima que 58,1 por cento deverão ser destinados à produção de etanol (e o restante para o açúcar), aumento de 1,12 ponto percentual em relação ao registrado na safra passada, com o produto hidratado tendo ficado mais competitivo em relação à gasolina após reajuste da Petrobras no final do ano passado.

"A grande mudança que houve foi que agora o governo diz que a questão de preço da gasolina é com a Petrobras. Quem determina o tamanho do mercado é o consumidor. Enquanto o etanol estiver competitivo, ele vai continuar demandado", disse o diretor técnico.

Além disso, as cotações futuras do preço do açúcar no mercado internacional e o potencial de preço do etanol no mercado doméstico ainda indicam uma receita favorável ao biocombustível.

MOAGEM EFETIVA EM QUEDA

A moagem de cana e a produção de açúcar e etanol do centro-sul na primeira quinzena de maio da safra 2015/16 recuaram fortemente ante o mesmo período da temporada anterior, apontaram dados da Unica nesta quinta-feira.

A produção de etanol do centro-sul na primeira parte do mês somou 1,3 bilhão de litros, queda de 18,3 por cento ante mesmo período da safra 14/15. Já a produção de açúcar atingiu 1,24 milhão de toneladas, recuo de 35 por cento na comparação anual.

Isso resultou em uma queda na produção de açúcar e etanol no acumulado da safra.

A produção de açúcar do centro-sul do Brasil, maior produtor e exportador global, somou 2,85 milhões de toneladas até 15 de maio (-16,5 por cento na comparação anual), enquanto a produção de etanol atingiu 3,2 bilhões de litros (-1,7 por cento).

Segundo Pádua, a redução na taxa de renovação dos canaviais reflete a difícil situação financeira observada em parcela significativa das unidades produtoras e, apesar de ter seu impacto minimizado este ano pelo clima, deverá promover uma redução na disponibilidade de cana para colheita em algum momento nas próximas safras. (Reuters 21/05/2015)

 

Unica estima uma safra ainda mais alcooleira em 2015/16

Com poucas surpresas, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) projetou ontem que a safra 2015/16 no Centro-Sul será de recorde na produção de etanol e de estabilidade na de açúcar.

Na visão da entidade, as mudanças daqui até o fim da moagem, em dezembro, dependerão, em sua maior parte, do mercado de hidratado, combustível usado diretamente no tanque dos veículos.

Se o consumo forte desse etanol persistir nos próximos meses, a estimativa atual de produção pode até ser revisada para cima.

Nos cálculos da Unica, a moagem de cana vai crescer 3,7%, para 590 milhões de toneladas.

O aumento será todo destinado à produção de etanol, que deve subir 4,33%, para 27,277 bilhões de litros, superando o recorde do ciclo anterior.

A oferta de hidratado é que a mais deve subir, conforme a entidade: 6,10%, para 16,330 bilhões de litros.

A de anidro, que é usado na mistura com a gasolina, será 1,78% maior, e deve alcançar 10,947 bilhões de litros.

No fim das contas, nesta primeira projeção a Unica prevê um mix (destinação do caldo da cana) para o etanol 1,12 ponto percentual maior que no ciclo anterior, para 58,10%.

Como consequência, o mix para o açúcar será menor, de 41,90%, ante 43,02% em 2014/15.

Entre as variáveis que podem mudar o rumo da safra está o comportamento do consumo de hidratado.

Se a demanda de março, de 1,5 bilhão de litros, se estender aos próximos 12 meses, a demanda pelo produto neste ciclo pode ir a 18 bilhões de litros, 10,4% acima da oferta projetada para a região.

Para atender a essa demanda, as usinas podem, caso o preço compense, destinar ainda mais caldo para produzir o biocombustível, segundo o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues.

É possível, segundo ele, enxugar em até 1,2 milhão de toneladas a oferta de açúcar das usinas do Centro-Sul, destinando mais caldo da cana para fabricar hidratado. (Valor Econômico 22/05/2015)

 

Desembolso do BNDES vai cair

Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao segmento sucroalcooleiro deverão recuar para entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões em 2015, segundo o chefe do Departamento de Biocombustíveis do banco de fomento, Carlos Eduardo Cavalcanti.

Em 2014, foram R$ 6,8 bilhões. Uma das fontes de cortes já foi definida. Cairão pela metade os recursos destinados a financiar a estocagem de etanol.

A linha de crédito destinada ao plantio de canaviais ainda não tem previsão orçamentária, conforme Cavalcanti.

Ao Valor, o executivo afirmou que o banco deverá destinar R$ 1 bilhão para armazenagem do biocombustível, exatamente a metade do montante ofertado e altamente demandado em 2014.

No ano passado, o banco de fomento desembolsou R$ 1,961 bilhão com essa finalidade, mais que o dobro do realizado em 2013 (R$ 800 milhões).

Os recursos saíram a TJLP mais 2,7%, sem limite de valor por operação, lembra Cavalcanti.

"Para 2015, certamente esse custo será maior". O executivo disse que o banco ainda não definiu as condições do Prorenova. O programa, que já chegou a ter uma dotação orçamentária anual de R$ 4 bilhões, dependerá das "condições financeiras" que serão definidas internamente no banco, segundo ele.

A instituição ainda procura definir quando vai liberar os R$ 770 milhões represados de operações do Prorenova contratadas em 2013.

"Esperamos encaminhar uma solução às empresas até o fim deste semestre", afirmou o executivo. (Valor Econômico 22/05/2015)

 

Nova refinaria faz Iraque focar em açúcar bruto do Brasil

A nova refinaria de açúcar da Etihad na Babilônia, no Iraque, está elevando a produção antes do previsto, mudando boa parte da necessidade de importação do país para açúcar bruto originado no Brasil, em lugar de açúcar branco, disseram fontes do mercado.

"A refinaria Etihad revolucionou a oferta do Iraque", disse uma fonte sênior do mercado.

Um maior volume de importação de açúcar bruto pelo Iraque indica que as tradicionais compras de açúcar branco de refinarias regionais, como a Al Khaleej, Dubai, irão cair.

Duas fontes do mercado estimaram que o Iraque importou pelo menos 300 mil toneladas de açúcar da brasileira Alvean, uma joint venture entre a Cargill e a Copersucar, nos últimos seis meses.

Uma terceira fonte citou quatro carregamentos de 40 mil toneladas cada da Alvean para o Iraque desde o ano passado, incluindo um navio que deverá ser carregado em Santos nos próximos dias.

Todo o açúcar é proveniente do Brasil, segundo as fontes.

Representantes da usina da Etihad não estavam disponíveis para comentar.

A refinaria começou a operar este ano e está agora processando cerca de 2 mil toneladas diárias, com um potencial de alcançar 3 mil toneladas diárias provavelmente dentro de um ano, disseram as fontes do mercado.

Uma das fontes estimou que a Al Khaleej vendeu cerca de 300 mil toneladas de açúcar branco para o Iraque até o momento neste ano, ante cerca de 600 mil toneladas no mesmo período do ano passado.

O Iraque geralmente importa mais de 1 milhão de toneladas de açúcar refinado por ano.

Fontes do mercado disseram que a refinaria elevou a produção nos últimos meses mais rápido que o esperado.

"Nós nos surpreendemos com a rapidez com que ela estava operando", disse uma fonte do mercado europeu. "A refinaria está funcionando incrivelmente bem". (Notícias Agrícolas 21/05/2015 às 10h: 44m)

 

Agência Xinhua: China diminuirá uso de fertilizante químico

A China está diminuindo o uso de fertilizantes químicos para baixar custo e aumentar a eficiência.

A partir deste ano, programas pilotos de redução de fertilizante incluirão milho cultivado no nordeste e em algumas partes do norte e centro da China, vegetais produzidos em estufas no norte da China e maçãs no noroeste e na área da Baia Bohai, disse na terça-feira He Caiwen, funcionário do Ministério da Agricultura.

Os programas fazem parte dos esforços da China para fazer com que o uso de fertilizantes chegue em seu maior nível em 2020, disse ele, notando que a fertilização excessiva é um problema que atrapalha a produção de alto valor agregado do país, como vegetais e frutas.

A aplicação de tecnologia de fertilização intensiva e o uso elevado de novos tipos de fertilizantes como o orgânico serão algumas maneiras para reduzir a fertilização química, segundo ele. (Notícias Agrícolas 21/05/2015)

 

CTC: mecanização deve alcançar 97% dos canaviais no Centro-Sul em 2015

A mecanização deve chegar a 97% do total dos canaviais do Centro-Sul do Brasil neste ano, de acordo com dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), divulgados nesta quinta-feira, 21, na sede da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), em São Paulo. 

Em 2014, eram 93,4%. O porcentual leva em consideração as áreas que permitem a entrada de máquinas.

Em locais de declive mais acentuado, o corte ainda é manual.

O CTC informou, ainda, que o plantio da cana no Centro-Sul, em 2014, para ser colhida neste ano, durante a safra 2015/16, foi 14% menor em relação a 2013. (Agência Estado 21/05/2015)

 

Fila de navios para embarcar açúcar diminui de 35 para 33 na semana

O total de navios que aguardam para embarcar açúcar nos portos brasileiros diminuiu de 35 para 33 na semana encerrada em 21 de maio, segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil.

O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 16 de junho. Foi agendado o carregamento de 1,15 milhão toneladas de açúcar.

A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 677,02 mil t, ou 58% do total. Paranaguá responderá por 39% (449,46 mil t) e Recife, por 3% (30,45 mil t).

Em Santos, o terminal da Copersucar deve embarcar 311,41 mil t. No da Rumo, estão agendadas 305 mil t, e no Teag, da Cargill/Biosev, 60,61 mil t no período analisado. A maior parte do açúcar a ser embarcado é da variedade VHP, açúcar bruto de alta polarização, com 1,14 milhão de toneladas. Os embarques do cristal A-45 somam 8 mil t e os de B-150, 7,75 mil t. O A-45 e o B-150 são exportados ensacados. (Agência Estado 21/05/2015)

 

Miriam Leitão: Gasolina volta a dar prejuízo à Petrobras

O fim do ganho com a importação de gasolina cria mais um dilema para o governo. Se aumentar os preços do combustível, alimentará mais ainda a inflação, que está em 8,17% em 12 meses; se mantiver os preços sendo vendidos com defasagem pela Petrobras, vai piorar a situação da empresa. A única solução seria o petróleo cair de novo, e o dólar não subir, variáveis que o governo não controla.

Quando o preço do petróleo despencou, a Petrobras ganhou bastante dinheiro comprando mais barato do que revendia aqui dentro. Pelos cálculos de Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), de novembro do ano passado a março deste ano, a empresa ganhou US$ 7 bilhões com essa diferença de preço na gasolina e no diesel. Mas, depois disso, o barril voltou a subir. Ele havia chegado a US$ 50 e voltou a ficar entre US$ 63 e US$ 65. Felizmente, o dólar, que havia subido muito, cedeu um pouco. Mesmo assim, o CBIE calcula que a gasolina voltou a ter defasagem, em 4,5%. A Tendências calculou, no dia 7 de maio, que estaria em 5%, e Fábio Silveira, da Go Associados estima 3%. O diesel, no entanto, continua acima dos preços externos em 9%.

-Os números mostram que ainda há ganhos com o diesel, mas já há uma mudança com a gasolina. Ela lucrou até abril, mas em maio já começou a ter perdas, embora ainda pequenas, afirmou Fábio Silveira.

O grande erro foi ter deixado a defasagem minar a saúde financeira da Petrobras tanto tempo. Foram perdas de R$ 55 bilhões durante o primeiro governo Dilma, entre janeiro de 2011 e dezembro de 2014, pela conta feita por Adriano Pires, que segue o conceito do custo de oportunidade, ou seja, a diferença entre os preços praticados no mercado interno e as cotações internacionais. Isso, calculado em relação a tudo o que ela vende, seja produzido aqui, seja importado.

Essa diferença ficou enorme quando os preços dispararam no mercado internacional. Felizmente, o câmbio ficou mais baixo naquele período, reduzindo parte das perdas. Depois, o petróleo despencou lá fora e assim os preços passaram a remunerar a Petrobras, que exibiu isso, em parte, no balanço do primeiro trimestre deste ano.

-O dólar subiu muito e foi até R$ 3,20, o que reduziu um pouco o ganho. Depois, o câmbio caiu, mas o petróleo teve uma recuperação de preços lá fora. Agora, só resta torcer para que o petróleo não continue a subir nem o câmbio. Mas o governo já deveria começar a se preocupar com esta defasagem e aumentar o preço da gasolina, disse Pires.

Fábio Silveira explica que parte dos investidores está adiando suas apostas de alta nos juros americanos. Isso foi reforçado com a ata do Fed divulgada ontem. Com isso, há volta de investimentos para os mercados de petróleo, pressionando a cotação.

-O preocupante é a tendência. O preço do barril voltou a subir. Isso complica a situação da Petrobras, que vai precisar de uma alta na tabela para acompanhar a defasagem. Vamos ver se conseguirá um reajuste nos seus preços, explicou Silveira.

Elevação de preços numa hora dessas pode ser difícil. O país, em recessão, com o IPCA na casa dos 8% ao ano, e, depois do maior tarifaço de energia já dado na história, será complicado politicamente. Mas o fato é que, por fatores externos, a gasolina começa a se afastar novamente do realismo tarifário.

A Petrobras tem a caminhada dela a fazer para se recuperar da situação de politraumatizada pela corrupção, má gestão e interferência política.

Deve anunciar em breve o seu plano de negócios em que informará como pretende reduzir a alavancagem. Venderá ativos e diminuirá investimentos, pela expectativa do mercado. O problema é que terá que vender ativos que façam caixa e algumas das participações da empresa estão com cotação muito baixa. Não poderá cortar muito os investimentos, do contrário, não crescerá a produção.

-O mercado está mais vendedor do que comprador. Por isso, na venda de ativos, a empresa terá que saber que movimentos fará. Além disso, espera-se uma queda de 25% no plano de investimento de 2015 a 2019, mas qualquer empresa muito alavancada tem que aumentar produção e receitas, disse Pires.

Neste momento, tudo o que não deveria acontecer é voltar a defasagem dos preços da gasolina, e é exatamente o que começa a ocorrer, para aumentar as agruras da nossa maior empresa e da conjuntura econômica. (O Globo 21/05/2015)

 

Ministra garante que não haverá redução de custeio na safra 2015-2016

Ministra se reuniu com Joaquim Levy (Fazenda) para tratar das medidas que serão anunciadas pelo governo.

A ministra Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) afirmou nesta quinta-feira (21) que o Plano Agrícola e Pecuário não trará “nenhum real de redução” para o custeio da safra 2015-2016. Ela tratou de detalhes do plano durante reunião com o ministro Joaquim Levy (Fazenda) na quarta-feira (20).

“Não haverá nenhum real de redução em custeio. Nós poderemos ter é boas surpresas”, disse a ministra durante entrevista na manhã desta quinta. Ela destacou a importância de o ministro da Fazenda ter vindo ao encontro do Mapa para tratar do Plano Agrícola e Pecuário da próxima safra.

“O último ministro da Fazenda que esteve no Mapa foi Delfim Neto, porque era ministro das duas pastas. O ministro Levy, quando fez questão absoluta de vir até aqui, demonstra sensibilidade e sinaliza que a Fazenda leva a sério a agropecuária brasileira”, destacou a ministra.

“Os ajustes deste ano atingirão todos os segmentos, e com o agronegócio não será diferente em relação aos juros. Mas o setor receberá uma atenção especial. Não porque os produtores são especiais, mas porque é um setor que responde muito rápido nas exportações e no barateamento do consumo interno”, afirmou Kátia Abreu. “Investir na agropecuária não é gasto, é investimento que traz retorno para o país. (Mapa 21/05/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Tal qual biruta:  Diante das incertezas dos investidores com relação à safra brasileira de café, as menores projeções têm dado a tônica dos preços na bolsa de Nova York. Foi o que ocorreu ontem após a trading Volcafé mudar sua estimativa de déficit para superávit de oferta global em 2015/16, provocando um tombo nas cotações. Os contratos do arábica para setembro caíram 745 pontos, para US$ 1,3125 a libra-peso. A empresa calcula agora um excedente de 1,3 milhão de sacas, ante uma projeção anterior de déficit de 1,4 milhão de sacas. A correção foi feita diante da perspectiva mais otimista com a produção do Brasil. No mercado interno, as negociações seguiram paralisadas, com preços nominais para o café de boa qualidade entre R$ 450 e R$ 460 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Menos chocolate: Preocupações com uma diminuição da produção mundial de cacau nesta safra deram novo fôlego às cotações ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para setembro subiram US$ 39, a US$ 3.149 a tonelada. A formação do El Niño pode causar seca no oeste da África e na Indonésia, que produzem 70% da amêndoa no mundo. A produção de Gana sofreu ainda com doenças e clima seco no início do ano por causa dos ventos do deserto do Saara. Os embarques de cacau do país já começam a atrasar, segundo o "Financial Times". Há analistas que apostam que a colheita de 2014/15 no país pode ter sido a menor desde 2009. No mercado interno, o preço médio da amêndoa em Ilhéus e Itabuna caiu R$ 1, para R$ 126 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Cautela nas vendas: O ritmo lento das vendas de soja dos Estados Unidos da safra 2015/16 tem levantado preocupações com a demanda e pressionou ontem os preços na bolsa de Chicago. Os contratos para agosto recuaram 2 centavos, a US$ 9,2975 o bushel. Entre 8 e 14 de maio, os exportadores americanos negociaram 77,5 mil toneladas de soja para entrega na próxima safra, ante 88 mil toneladas na semana anterior, de acordo levantamento semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. A demanda está lenta mesmo em meio aos baixos preços do grão para esta época do ano e diante da perspectiva de uma nova produção recorde global na próxima temporada. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão em Paranaguá caiu 0,05%, para R$ 64,98 a saca.

Trigo: Problemas à vista: Alterações climáticas em importantes áreas produtoras de trigo ao redor do mundo voltaram a impulsionar os preços do cereal ontem nas bolsas dos Estados Unidos. Em Chicago, os lotes para setembro fecharam a US$ 5,295 o bushel, avanço de 9,5 centavos. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os contratos para setembro subiram 12,75 centavos, US$ 5,6775 o bushel. O sul das Grandes Planícies vai continuar a receber fortes chuvas no fim de semana, segundo a empresa de meteorologia DTN. No Texas, há relatos de brotamento do trigo, o que prejudica a qualidade nutritiva do cereal. O tempo seco na Rússia e temores com o clima no Canadá também estão no radar. No mercado interno, o preço médio da tonelada no Paraná caiu 0,18%, para R$ 664,93, segundo o Cepea/Esalq. (Valor Econômico 22/0/2015)