Setor sucroenergético

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Raízen tem em estoque quase metade do etanol produzido na safra passada

A Raízen, associação entre a Cosan e a Shell, ainda tem em estoque quase metade do etanol produzido na safra passada. Formalmente, o grupo diz que, por questões estratégicas, decidiu segurar as vendas à espera da melhora dos preços.

No setor, contudo, o que se diz é que os estoques inchados se devem a uma razão bem mais prosaica: faltou comprador, sobretudo no mercado externo. (Jornal Relatório Reservado 26/05/2015)

 

Hidratado cai em SP

Os preços médios do etanol hidratado (usado diretamente no tanque dos veículos) para o motorista recuaram 0,049% em São Paulo entre 17 e 23 de maio, em relação à semana anterior, para R$ 2 por litro.

Em quatro semanas, os preços médios do produto no Estado caíram 1,13%.

Os dados compõem um levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e divulgado ontem.

O biocombustível subiu em 13 Estados no período, caiu em nove e permaneceu estável em quatro.

A maior valorização semanal foi no Paraná, de 2,49%, e no Piauí, de 1,20%.

Já o indicador semanal Cepea/Esalq para o etanol hidratado em São Paulo recuou 0,82% na semana de 18 a 22 de maio, na comparação com a semana anterior, para R$ 1,2230 por litro. (Valor Econômico 26/05/2015)

 

Incentivo do governo é prioridade para cadeia de etanol de milho

No Direto ao Ponto deste domingo, dia 24, o diretor da Usimat, Sérgio Barbieri, explica o início na atividade de processamento de milho para fabricação de etanol.

A Usimat é a primeira usina flex do Brasil.

Segundo ele, a indústria de cana, que já operava antes, era ociosa durante boa parte do ano e com a grande demanda de milho consegue usar toda a capacidade.

Para isso, realizou diversas adaptações para recebimento, secagem e fermentação dos grãos.

Um dos maiores benefícios, segundo Barbieri, é a oportunidade de fixar e melhorar a qualidade do profissional que atua na indústria e ainda diluir os custos fixos da indústria. (Cana Rural 25/05/2015)

 

Temos que definir o papel do etanol na matriz energética

O executivo Luis Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) desde o início de março, no lugar do ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, quer intensificar com o governo federal a discussão de uma agenda positiva para o setor sucroalcooleiro. Com uma estrutura mais enxuta por conta da crise das usinas, a Unica quer fazer mais com orçamento menor. "Temos que definir qual o papel do etanol na matriz energética brasileira", disse Pogetti, que também preside o conselho de administração da Copersucar.

No início do ano, o governo anunciou a retomada da Cide (imposto sobre combustível), elevação do PIS/ Confis para a gasolina e aumento da mistura do etanol na gasolina. O que mais o setor espera do governo?

Temos que ter clara a definição de qual o papel do etanol na matriz energética brasileira. O objetivo é reestabelecer a importância do etanol como combustível renovável.

A Cide não foi implementada integralmente, mas poderia.

A Unica também pleiteava uma ajuda financeira às usinas. Uma espécie de `Proer´ ao setor.

Sabemos que o setor passa por um momento delicado e que esse tipo de financiamento por parte do governo é difícil. Antes, boa parte da cana das usinas em situação delicada era absorvida por outras em situação mais confortável. Agora, se as usinas quebrarem, a produção da cana será afetada.

E o cenário para o açúcar, cuja expectativa de recuperação de preços é somente para o ano que vem?

Avaliamos contestar na Organização Mundial do Comércio (OMC) os subsídios da Tailândia e da Índia à commodity e intensificando uma campanha contra a demonização do açúcar, apontado como grande vilão da saúde. (Agência Estado 25/05/2015)

 

Copersucar

Para os empresários retomarem a confiança no país, é preciso afastar a intervenção do Estado na economia de mercado, defende o presidente do conselho de administração da Copersucar, Luís Roberto Pogetti, premiado como Executivo de Valor do setor de Agronegócios. Maior trading de etanol e açúcar do mundo com faturamento superior a R$ 16 bilhões, a Copersucar viu nos últimos cinco anos as usinas de cana-de-açúcar no Brasil mergulharem numa profunda crise, em grande parte, motivada pela elevada intervenção do governo no mercado de combustíveis.

Nos últimos anos, segundo ele, as empresas do setor sucroalcooleiro apenas deram curso aos investimentos já em andamento, decididos em anos anteriores, postergando novas decisões de investimentos.

Na visão de Pogetti, é mandatório também que o governo retome o equilíbrio das contas públicas, por meio de redução de gastos, no lugar de aumento de impostos.

Precisa ainda adotar para todos os setores da economia políticas públicas com visão de longo prazo.

Para o setor sucroalcooleiro, Pogetti avalia que o segundo semestre deste ano ainda será de dificuldades e de baixos investimentos.

“Ainda há um ciclo de baixa das cotações internacionais do açúcar e defasagem de preço de etanol. Essa indústria, de modo geral, não tem novos projetos de investimento e está operando no limite de sua capacidade de produção”, avaliou o executivo. (Valor Econômico 25/05/2015 às 20h: 19m)

 

Mato Grosso vai ficar 600 km mais longe dos portos do Brasil

Assembléia Legislativa prevê uma taxa de 9% sobre produtos exportados.

Tributar a exportação é o mesmo que deixar o estado mais longe dos portos.

A afirmativa é verdadeira, mas não estamos falando de consequências de uma mudança climática ou catástrofe natural, dessas que acontecem nos filmes de Hollywood.

Esta é uma típica catástrofe nacional, pois a distância dos portos pode "aumentar" em função de um novo tributo que querem criar sobre as exportações de grãos e fibras, proposto pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT).

A ideia defendida (ainda por poucos dos nossos deputados) prevê a incidência de uma taxa de 9% sobre o preço bruto da soja, milho e algodão exportados por Mato Grosso.

Produzimos no nosso estado produtos globalizados e a consequência disso é que a definição de preços se dá pelo mercado internacional. A soja e o milho têm como base o preço dado pela bolsa de Chicago e o algodão o preço da bolsa de Nova York.

A principal implicação disto é que qualquer custo que atinja uma determinada região de produção do mundo é revertida automaticamente em custos para quem produz. Isso acontece quando surge uma nova praga, quando pagamos o frete até o porto, e pode acontecer caso seja colocado um novo tributo sobre as exportações, como o proposto.

É claro que quem vai sentir os primeiros efeitos de algo assim será o produtor rural, mas como o nosso agronegócio representa mais de 50% do PIB do Estado, com certeza mais cedo ou mais tarde toda a economia do estado pagará pelos efeitos negativos de uma ação deste tipo.

Na pior das hipóteses, nossos produtores podem sucumbir aos custos reduzindo as áreas de produção, gerando desemprego imediato e diminuindo a renda em todos os elos da cadeia. Na melhor das hipóteses, o mercado tratará de reorganizar as coisas, causando mais uma vez a concentração da produção rural.

Isso ocorre porque a logística, na verdade a falta dela – faz com que o tamanho médio das áreas de soja de Mato Grosso tenha que ser maior que no resto do País para que a rentabilidade do produtor seja garantida. De acordo com o censo agropecuário de 2006 do IBGE, no estado a área média é de mais de 1.100 hectares, 2,5 vezes maior que as áreas de Goiás, 4 vezes maior que do Mato Grosso do Sul, 25 vezes maior que as do Paraná e 33 vezes maior que do Rio Grande do Sul.

De maneira geral, assim como na lei da evolução de Darwin, as propriedades de Mato Grosso maiores sobreviveram e as pequenas saíram do negócio, ou foram incorporadas, ou conseguiram crescer.

Na prática, para sobreviver e ser mais competitivas, as fazendas terão que crescer para gastar menos, economizando com a mão de obra do campo, reduzindo custos administrativos, reavaliando a compra de insumos e etc. Isso trará um menor giro do dinheiro na economia, afetando especialmente os pequenos municípios.

Tributar a exportação desses produtos tem o mesmo efeito que deixar o nosso estado mais longe dos portos e, consequentemente, os benefícios da dinâmica da nossa economia agrícola mais longe do povo (Otávio Celidonio é engenheiro agrônomo e superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). (G1 25/05/2015)

 

Vendas de etanol hidratado aumentam e atingem 1,5 bilhão de litros em abril

Dados publicados na segunda-feira, 25 de maio, pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e compilados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) indicam que as vendas de etanol hidratado pelas distribuidoras aumentaram pelo 3º mês consecutivo no Brasil, atingindo 1,5 bilhão de litros em abril de 2015. Com esse resultado, o renovável respondeu por 23,3% do consumo nacional de combustíveis do ciclo Otto, percentual muito superior aos 15,6% registrados em abril de 2014.

No Estado de São Paulo, o volume comercializado de etanol hidratado - aquele usado diretamente no tanque dos veículos - superou pelo segundo mês consecutivo a demanda de gasolina C. Em abril deste ano, as vendas estaduais do biocombustível somaram 804,24 milhões de litros, maior marca dentre os últimos 5 anos, enquanto as de gasolina alcançaram 794,25 milhões de litros. Nos últimos três meses, a participação do hidratado na demanda do ciclo Otto já ultrapassa a casa dos 40% no Estado.

Esta forte expansão no consumo brasileiro de etanol decorre do aumento dos preços da gasolina - derivado do restabelecimento parcial da CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) e do reajuste do PIS/COFINS. Reflete também a ampliação da competitividade do combustível renovável diante das alterações nas alíquotas de ICMS incidentes sobre o produto e sobre seu concorrente (a gasolina) em vários Estados.

Em Minas Gerais, por exemplo, a partir de 16 de março de 2015 o ICMS incidente sobre o hidratado carburante diminuiu de 19% para 14% e, paralelamente, a alíquota do mesmo imposto aplicado à gasolina C aumentou de 27% para 29%. Como reflexo desta mudança, as vendas de etanol somaram mais 140 milhões de litros no último mês, recorde histórico para o Estado. Desta forma, sua participação na demanda ciclo Otto atingiu 21,16%, contra um percentual médio de 9,5% em 2014.

“Nossa expectativa é de que este movimento de expansão das vendas de hidratado continue nos próximos meses, dando suporte ao maior direcionamento da cana-de-açúcar à produção de etanol”, destaca o diretor Técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues. (Unica 25/05/2015)

 

Terceira fonte de energia mais importante do país, biomassa da cana atinge 10 mil MW

A biomassa sucroenergética - energia limpa e renovável, produzida a partir dos resíduos da cana-de-açúcar, como o bagaço e a palha - terceira fonte mais importante da matriz de energia elétrica do Brasil em termos de capacidade instalada, alcançou mais um grande feito nesta segunda-feira (25/05), atingindo o marco de 10 mil MW em potência efetivamente fiscalizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Atrás apenas das fontes hídrica e gás natural, a biomassa da cana representa 7% da matriz energética brasileira, sendo quase 2,5 vezes superior à capacidade instalada pelas termelétricas à base de óleo combustível e de diesel e a aproximadamente três vezes ao parque gerador à base do carvão mineral.

Para Zilmar de Souza, gerente em Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), isto representa a importância da biomassa para o setor elétrico e também para a sustentabilidade da matriz de energia elétrica. “No fim do ano, durante a COP-21 em Paris, enquanto os países discutirão como lidar com as mudanças climáticas, a bioeletricidade sucroenergética mostra, na prática, como contribuir para garantir o suprimento energético com sustentabilidade. Trata-se de um grande estudo de caso de sucesso brasileiro”, comenta Souza.

Segundo o representante da Unica, em 2014, somente o volume de exportação de bioeletricidade para o sistema elétrico brasileiro, sem considerar a energia elétrica gerada para o autoconsumo, evitou a emissão de mais de oito milhões de toneladas de CO2. Outro marco importante da biomassa.

Continuidade da expansão da bioeletricidade da cana na matriz ainda preocupa

Embora tenha atingido 10 mil MW em capacidade instalada, a expansão da bioeletricidade da cana ainda é um ponto de atenção para o setor sucroenergético. Em 2010, de acordo com a ANEEL, a fonte chegou a instalar 1.750 MW, equivalente a 12,5% de uma usina Itaipu. Todavia, em 2015, a previsão é que a biomassa seja responsável pelo acréscimo de apenas 633 MW, ou seja, 36% do que foi instalado em 2010, mostrando que a fonte poderia ter um papel atual ainda mais relevante na matriz de energia elétrica, caso tivesse havido uma continuidade em sua expansão anual.

Para Souza, é necessário evitar uma política do tipo stop and go (ou go and stop) e promover de uma vez a definição de uma agenda positiva clara, estável e estimulante de longo prazo para o setor sucroenergético. “Mantendo-se o movimento de melhora de preço nos leilões regulados, que estamos observando ultimamente, e das condições institucionais no setor elétrico, a fonte biomassa da cana já mostrou que tem potencial para aprofundar seu papel como uma das soluções na garantia do suprimento energético e da sustentabilidade da matriz elétrica brasileira”, conclui o gerente da Unica. (Unica 25/05/2015)

 

Dólar mais caro afetou resultado de empresas agrícolas no início do ano

O câmbio ditou no primeiro trimestre de 2015 o resultado das três empresas de produção agrícola do país com capital aberto na BM&FBovespa.

Para SLC Agrícola e Vanguarda Agro, a valorização do dólar pressionou os resultados, uma vez que inflou as despesas financeiras.

Já a BrasilAgro escapou, favorecida, entre outras coisas, por não ter dívidas na moeda americana.

"Para nós, a depreciação [do real] é superpositiva: aumenta a receita e não tem impacto no estoque da dívida", disse ao Valor Julio Toledo Piza, CEO da BrasilAgro.

Dedicada ao desenvolvimento de terras agrícolas, a BrasilAgro registrou um lucro líquido de R$ 16,12 milhões nos três meses encerrados em 31 de março (correspondente ao terceiro trimestre fiscal da empresa), ante prejuízo líquido de R$ 2,36 milhões no mesmo intervalo do ano passado.

A receita líquida, por sua vez, somou R$ 33,73 milhões, recuo de 6,5% frente ao mesmo intervalo de 2014.

O lucro da empresa, explicou Piza, derivou de um resultado operacional superior ao do ano passado, com melhoras na produtividade das colheitas, além da redução de despesas administrativas.

Já a baixa da receita deveu-se, principalmente, ao menor volume comercializado. "Houve pouca venda feita em março.

Nesta safra, nosso plantio no Piauí foi feito mais tarde e a colheita atrasou", contou. Operacionalmente, a Vanguarda também teve notícias positivas, a produtividade da soja em 2014/15 foi a mais elevada que já obteve em Mato Grosso.

Mas a empresa, que tem 50% do custo e 84% da dívida em dólar, registrou uma variação cambial negativa de R$ 51,1 milhões nos primeiros três meses de 2015 (dos quais R$ 32,6 milhões sem efeito caixa), o que colaborou para o prejuízo líquido de R$ 1,3 milhão.

No mesmo intervalo de 2014, a companhia reportou um lucro líquido de R$ 33,18 milhões. A receita líquida cresceu 21,7% na mesma comparação, para R$ 399 milhões.

Cristiano Soares Rodrigues, diretor financeiro e de relações com investidores da Vanguarda, disse que a queda do real frente ao dólar é favorável à companhia, ainda que, no primeiro trimestre, os números da empresa reflitam o impacto negativo dessa desvalorização.

Segundo ele, se por um lado a elevação da moeda americana pesou no resultado financeiro do período, por outro tende a ser benéfica para a comercialização das commodities.

"Quanto mais alto o dólar, melhor o resultado operacional no segundo, terceiro e quarto trimestres".

Como a Vanguarda, a SLC Agrícola (que tem 22% de sua dívida em dólar) sentiu o peso do câmbio sobre suas contas a pagar vinculadas à moeda americana.

Mas também espera que essa variação cambial seja compensada pela receita nos próximos trimestres.

"Mesmo com a queda nos preços das commodities, nossa expectativa é continuar tendo margens normais, em níveis históricos, ao longo de 2015 e 2016", afirmou o CEO Aurélio Pavinato.

A SLC registrou uma margem Ebitda ajustada de 18,4% no primeiro trimestre, 12 pontos percentuais abaixo do mesmo intervalo de 2014.

Mas prevê uma recuperação para a casa de 25% no decorrer do ano.

O lucro líquido da empresa totalizou R$ 33,21 milhões de janeiro a março, 24,7% aquém do mesmo período do ano passado.

Na avaliação de Catarina Gervai Pedrosa, analista chefe do Besi Brasil, os resultados de SLC e Vanguarda refletem um cenário que combina maior volume de vendas (reflexo do elevado volume colhido) e preços menores das commodities no mercado internacional.

"E o custo não caiu, por isso a margem foi apertando", afirmou.

O Besi não acompanha a BrasilAgro.

Para a analista, a SLC é uma empresa "mais madura", que tem um "plano de crescimento bem equacionado", embora, como todo o setor, esteja exposta aos efeitos das variações do clima e dos estoques mundiais.

A Vanguarda, por sua vez, tem enfrentado alguns problemas, em especial com o portfólio de terras, o que tem obrigado a empresa a devolver áreas e investir mais em melhoria do solo.

"Isso tudo prejudica os resultados. Em uma área com terra arenosa, a produtividade pode ficar 20% ou 30% menor, o que resulta em receitas menores e custos maiores", disse Catarina.

De acordo com a especialista, três questões importantes tendem a influenciar o desempenho dessas companhias agrícolas nos próximos trimestres: o montante ofertado e as taxas do Plano Safra 2015/16, que serão divulgados no início de junho, além das condições do clima na safra americana (que está em desenvolvimento) e dos preços dos grãos, que apontam para baixo.

Nenhuma das três companhias anunciou quanto irá plantar na nova safra 2015/16, que começará a ser semeada em setembro próximo.

Piza, da BrasilAgro, prevê margens "ainda interessantes", mesmo que abaixo das obtidas este ano.

Já Cristiano Rodrigues, da Vanguarda, lembra que os preços das commodities recuaram, mas os custos ainda não acompanharam.

"Na nossa cabeça, o objetivo é melhorar a produtividade para ter rentabilidade num ano difícil", concluiu. (Valor Econômico 25/05/2015)

 

Agronegócios: Total de empresas que exportam mais de US$ 1 bi cai 50%

O Brasil teve 50% menos empresas bilionárias neste ano nas exportações do agronegócio. De janeiro a abril, apenas três superaram essa marca. Em igual período do ano passado, eram seis.

BRF, ADM e Louis Dreyfus deixaram a lista das bilionárias, hoje composta por Bunge, Cargill e JBS.

A queda de preços das commodities no mercado internacional faz o país perder receitas, e essas seis empresas participaram com 10,5% das exportações totais do Brasil no período. Em 2014, a participação havia sido de 12,3%.

Além das empresas do agronegócio, as de mineração também vendem menos ao exterior. Só a Vale, ao exportar US$ 4,1 bilhões, teve queda de receitas de US$ 3,35 bilhões no quadrimestre em relação ao mesmo período de 2014.

Dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) indicam que, entre as 40 principais empresas exportadoras deste ano, 19 são do setor de agronegócio.

Perderam espaço as de grãos e as de carnes. As líderes em grãos são Bunge e Cargill, enquanto JBS e BRF estão à frente nas carnes.

Apesar da conjuntura desfavorável para a maioria das empresas, as do setor de celulose ganharam corpo.

Classificadas entre as 20 principais do setor, Suzano e Fibria elevaram a participação nas exportações do país.

A demanda por papéis no lar --como guardanapos e toalhas-- e oscilações menores de preços da celulose, em relação às demais commodities, seguram as receitas com as vendas externas.

As empresas de suco de laranja também melhoraram o desempenho e ganharam participação na exportação.

A Citrosuco aumentou em 16% as receitas neste primeiro quadrimestre em relação a igual período de 2014, enquanto a Sucocítrico Cutrale faturou 9% mais.

As 40 principais empresas exportadoras tiveram receitas de US$ 27,1 bilhões de janeiro a abril, queda de 21% sobre igual período de 2014.

Vale e Petrobras cooperaram muito para essa queda. A primeira teve recuo de 45% nas exportações, em dólares, enquanto a Petrobras perdeu 25% no período.

Um dos destaques ficou para a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé, que teve uma elevação de 103% nas exportações deste ano. Com preços internacionais melhores e aumento de volume, as exportações de café da cooperativa somaram US$ 294 milhões no período.

IMPORTAÇÕES

Se as exportações não vão tão bem como as do ano passado, as importações também recuam em 2015.

Pressionados por custos mais elevados, os produtores vão pisar no freio em alguns gastos, e as empresas se preparam para isso.

Entre os setores que têm as maiores quedas nas importações no quadrimestre estão os de máquinas agrícolas e os de insumos para a proteção de cultivos.

Já as compras externas de fertilizantes mantêm alta neste ano. A Yara, que liderou as importações, gastou US$ 432 milhões, alta de 24%. (Folha de São Paulo 23/05/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café Arábica: Sem liquidez: A negociação de café no Brasil na semana passada foi praticamente nula, de acordo com avaliação da consultoria Safras & Mercado. "Os produtores seguem retraídos, atentos à colheita da safra 2015/16 e às entregas de grãos negociados antecipadamente desta safra. Mas, negócios novos são esporádicos, com os vendedores se afastando do mercado diante do cenário desfavorável das bolsas", disse o analista Lessandro Carvalho. No balanço da semana, a referência do café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais caiu de R$ 450 a saca em 15 de maio para R$ 435 na última quinta-feira, baixa de 3,3%. A firmeza do dólar limitou um impacto ainda maior das perdas nas bolsas. Já o conilon tipo 7 em Vitória, Espírito Santo, permaneceu estável na semana, em R$ 285 a saca.

Milho: Perto do mínimo: Os valores de negociação do milho no mercado doméstico são os menores em seis meses, indicou levantamento feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq/USP). Os preços médios da commodity em Mato Grosso do Sul, norte e noroeste de Mato Grosso e no oeste da Bahia estão abaixo dos mínimos fixados pelo governo. Em regiões como no norte do Paraná e em Rio Verde (GO), os valores estão próximos dos mínimos oficiais. O preço mínimo estipulado pelo governo até o fim deste ano é de R$ 17,67 a saca de 60 quilos para o Sul, Sudeste, Mato Grosso do Sul e Goiás. Para Mato Grosso, o valor mínimo vigente é de R$ 13,56 a saca. O indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 25,07 ontem, uma queda de 0,16%.

Etanol hidratado: Hidratado cai em SP: Os preços médios do etanol hidratado (usado diretamente no tanque dos veículos) para o motorista recuaram 0,049% em São Paulo entre 17 e 23 de maio, em relação à semana anterior, para R$ 2 por litro. Em quatro semanas, os preços médios do produto no Estado caíram 1,13%. Os dados compõem um levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e divulgado ontem. O biocombustível subiu em 13 Estados no período, caiu em nove e permaneceu estável em quatro. A maior valorização semanal foi no Paraná, de 2,49%, e no Piauí, de 1,20%. Já o indicador semanal Cepea/Esalq para o etanol hidratado em São Paulo recuou 0,82% na semana de 18 a 22 de maio, na comparação com a semana anterior, para R$ 1,2230 por litro.

Boi: Alta no varejo: Os preços da carne bovina no varejo de São Paulo subiram, em média, 0,5% na semana passada, de acordo com a Scot Consultoria. Os cortes dianteiros (como paleta, patinho e acém) têm sustentado os preços da carne no Estado. Esses cortes têm menor valor agregado e puxam as vendas em momentos de redução do poder de compra da população, conforme Alex Santos Lopes da Silva, analista da Scot. Já os cortes traseiros recuaram, em média, 0,2%. Silva lembra que as cotações da arroba do boi gordo avançaram 28% em 2014. No acumulado deste ano, a alta chega a 3,3%. "O frigorífico tenta repassar [ao consumidor] parte dessa alta que tem ocorrido na fazenda, mas é difícil", disse. O indicador Esalq/BM&FBovespa registrou um recuo de 0,19% ontem, para R$ 146,87 por arroba. (Valor Econômico 26/05/2015)