Setor sucroenergético

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Noble deve vender duas das quatro usinas no Brasil

A Noble Agri, controlada pela chinesa Cofco, deverá vender pelo menos duas de suas quatro usinas de açúcar e álcool no Brasil.

Quem mais pressiona pela negociação é o fundo soberano de Cingapura, o Temasek, acionista minoritário da empresa.

O motivo?

Prejuízos, prejuízos e mais prejuízos. (Jornal Relatório Reservado 27/05/2015)

 

Terra fértil: Mitsubishi negocia a compra de terras no Centro-Oeste

A Mitsubishi avança nas lavouras brasileiras.

Por meio da Agrex, produtora e trading de grãos, negocia a compra de fartas extensões de terra no Centro-Oeste. (Jornal Relatório Reservado 27/05/2015)

 

Cana: preço é inferior ao custo de produção

O produtor rural Ismael Perina, de São Paulo, fala sobre o mercado de cana-de-açúcar e explica que o quadro atual é menos complexo do que era no ano passado, pois o consumo de etanol voltou a aumentar. Entretanto, segundo ele, para essa safra não há esperança de grandes preços.

Além disso, os preços hoje estão em torno de R$ 60 a tonelada, enquanto o custo de produção está em cerca de R$ 70, aponta Perina. (Canal Rural 26/05/2015 às 13h: 54M

 

Açúcar: Influência do dólar

O açúcar demerara recuou ontem na bolsa de Nova York, em meio a uma nova alta do dólar.

Os lotes para outubro fecharam em queda de 24 pontos, a 12,42 centavos de dólar por libra-peso.

A valorização da moeda americana estimula as vendas pelos produtores do Brasil, uma vez que eleva a rentabilidade das exportações.

As cotações refletem também novas projeções de oferta, que indicam excedente de açúcar na atual safra global.

Ainda assim, o mercado segue atento à sinalização de especialistas sobre a volta do fenômeno climático El Niño, que costuma ter efeitos negativos sobre a produção de cana-de-açúcar em países como Brasil, Índia e Tailândia.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 50,75 por saca, queda de 0,59%. (Valor Econômico 27/05/2015)

 

Cresce fatia estrangeira na moagem de cana

Apesar das frustrações, a presença estrangeira no segmento de etanol e açúcar no Brasil tem crescido de forma expressiva.

Levantamento feito pelo Valor mostra que, juntas, as 14 principais multinacionais que investiram em usinas de cana ampliaram a moagem em 60% nas últimas cinco safras.

Nesse intervalo, o processamento da matéria-prima no país cresceu apenas 6,5%.

A moagem realizada por usinas controladas por capital estrangeiro somou 154 milhões de toneladas na safra encerrada em 31 de março deste ano (2014/15).

Foi um volume equivalente a 24% do total nacional, que alcançou 643 milhões de toneladas, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No ciclo 2009/10, o "market share" foi de 16%.

Os cálculos consideram as moagens totais das usinas controladas por grupos estrangeiros mesmo quando eles têm sócios brasileiros minoritários.

No caso da Shell, que "divide" a Raízen Energia em partes iguais com a Cosan, foi considerado o volume equivalente a sua participação.

O maior dinamismo estrangeiro nesse segmento não está diretamente relacionado à satisfação com o negócio.

Grande parte dessas companhias está entregando prejuízos consecutivos a seus acionistas.

A questão é que, depois que se compra uma usina, é praticamente obrigatório continuar investindo no ativo, seja para ganhar escala ou para otimizar o uso da capacidade.

Algumas companhias, tais como a americana Bunge e a espanhola Abengoa, até tentaram voltar atrás e se desfazer de suas unidades, após perdas sucessivas.

Mas não encontraram interessados.

Há três anos a Bunge amarga em seu balanço global prejuízos operacionais no segmento "Açúcar e Bioenergia".

Essa operação está concentrada nas oito usinas brasileiras, cuja aquisição, segundo o mercado, custou mais de US$ 2 bilhões à americana.

Em 2012, a perda operacional do segmento alcançou US$ 118 milhões. No ano seguinte, US$ 34 milhões e em 2014, foi de US$ 23 milhões.

Quando as cotações do açúcar começaram a despencar, em meados de 2011, e os preços do etanol passaram a sofrer uma pressão maior da política de controle de preços da gasolina no Brasil, quem havia entrado no setor, não conseguia mais sair.

"As multinacionais que compraram grandes operações sofreram mais o ambiente hostil que se desenhou nesse mercado", disse o presidente de uma das multinacionais presentes no segmento.

Além da Bunge, também é um exemplo clássico desse perfil a francesa Louis Dreyfus Commodities (LDC).

De 2009 para 2010, a múlti se tornou a segunda maior do segmento a partir de uma impulsiva estratégia de aquisições, concluída com a compra da Santelisa Vale, que a fez dobrar de tamanho, para uma capacidade de moagem de 40 milhões de toneladas.

Entretanto, com dificuldade para capturar sinergias e diante de um elevado endividamento, sua controlada Biosev teve que desativar no último biênio duas unidades em São Paulo (São Carlos e Jardest) para tentar ganhar eficiência.

Assim, a operação encolheu para uma capacidade de 36 milhões de toneladas, no último ciclo, processou apenas 28,3 milhões.

Nos 24 meses encerrados em 31 de março de 2014, a companhia acumulou um prejuízo líquido superior a R$ 2,1 bilhões. No mesmo intervalo, as perdas operacionais foram de R$ 820 milhões.

Conforme especialistas, as dores do crescimento estrangeiro foram efeito da conjuntura ruim para o segmento, da dificuldade de lidar com a gigantesca operação agrícola vinda com o ativo industrial e também dos elevados valores pagos pelos ativos.

A partir de 2007/08, no auge das expectativas positivas com o etanol no mundo, o Brasil recebeu bilhões de dólares de investimentos.

Em alguns casos, usinas foram compradas a valores equivalentes a US$ 160 por tonelada de capacidade, conforme cálculo da consultoria FG Agro.

Já há alguns anos, é raro encontrar interessados em pagar o equivalente à metade desse valor. A própria Biosev, quando vendeu 5% de seu capital para o IFC, braço corporativo do Banco Mundial, neste ano, o fez por um valor equivalente a US$ 86 por tonelada de capacidade, bem abaixo dos US$ 106 por tonelada pelos quais comprou os ativos da Santelisa Vale, em 2009.

Quando a Cosan, primeira consolidadora desse segmento, iniciou de forma mais agressiva a aquisição de usinas, esses valores dificilmente superavam US$ 50 por tonelada. (Valor Econômico 27/05/2015)

 

AL: Setor sucroalcooleiro pede apoio para alta da Cide

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recebeu, nesta terça-feira (26), um grupo de representantes do setor sucroalcooleiro de Alagoas que apresentou uma série de sugestões para tirar essa parte da economia da crise. Uma das sugestões foi elevar o valor pago a título de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), incidente sobre a gasolina, hoje no valor de 22 centavos de real.

Para os produtores, se a Cide cobrada hoje fosse de 60 centavos de real representaria uma arrecadação de cerca de R$ 12 bilhões. “O que queremos é competitividade. E isso estimularia o consumidor de carros flex a usar o etanol. Hoje, o setor está concentrado em produzir açúcar e não etanol. E o excesso de açúcar no mercado é um dos fatores que está provocando muita dificuldade para o nosso setor”, disse José Ribeiro Toledo Filho, presidente da Cooperativa Regional dos Açúcares e Álcool de Alagoas.

Os empresários apresentaram números ao presidente Renan Calheiros para demonstrar a viabilidade da sugestão. De acordo com o grupo, em 2009, o país produzia 16 bilhões de litros de álcool e, em 2014, o volume já havia caído para 13 bilhões, o que teria sido provocado pela pequena diferença entre o preço da gasolina e do etanol. “A frota de carros flex nos permite projetar um potencial consumidor de 32 bilhões de litros de etanol”, observou José Ribeiro.

“Vamos buscar um diálogo com o Governo, conversar com o Joaquim Levy [ministro da Fazenda], enfim, temos de encontrar solução porque não podemos deixar esse setor que hoje emprega mais de um milhão de pessoas no país passar por tanta dificuldade”, disse Renan. Desde 2008, mais de 80 usinas de cana-de-açúcar no país fecharam por não conseguirem renegociar as dívidas. (Alagoas 24 Horas 26/05/2015)

 

Concentração no segmento deve continuar

Muitas das companhias estrangeiras, outrora consolidadoras, não deverão continuar com apetite para aquisições nos próximos anos, tendo em vista as perdas expressivas que vêm amargando.

No entanto, o movimento de concentração no segmento sucroalcooleiro, pulverizado em mais de 200 companhias no país, deverá continuar e se intensificar na medida em que o etanol e o açúcar saírem do longo ciclo de baixa em que se encontram e passarem a viver uma nova trajetória de valorizações.

Alguns novos interessados despontam neste momento como consolidadores.

Entre eles estão as gestoras Black River e Brookfield, que avaliam no momento as usinas do Grupo Ruette, postas à venda em abril pelos credores. Investidores com esse perfil olham ainda outras sucroalcooleiras que estão na vitrine, tais como a Renuka do Brasil, controlada pela indiana Shree Renuka Sugars, e o Grupo Virgolino de Oliveira.

No grupo de potenciais consolidadores, segundo especialistas, ainda estão múltis que entraram comprando poucos ativos no Brasil para percorrer uma "curva de aprendizagem" em especial na área agrícola, que traz uma complexidade operacional pouco dominada pelas companhias estrangeiras que entraram no ramo, a maior parte, tradings.

Nesse grupo está, por exemplo, a gigante chinesa Cofco que, após adquirir as operações globais da Noble Agri, assumiu também as quatro usinas da asiática no Centro-Sul, que processaram no último ciclo 12,8 milhões de toneladas de cana.

Outro player que poderá dobrar sua fatia no segmento nos próximos anos é a anglo-holandesa Shell. Com 50% da Raízen Energia, maior empresa sucroalcooleira do país, a petroleira poderá, até o fim desta década, exercer o direito de compra dos 50% da sua sócia Cosan, conforme acordo firmado entre as duas companhias à época da fusão de seus ativos, em 2009.

Com isso, elevaria sua participação na moagem de 30 milhões para 60 milhões de toneladas.

Conforme especialistas, diferentemente de muitas multinacionais que entraram no segmento comprando usinas em crise e com baixa eficiência, a Shell adquiriu metade da Cosan, que, apesar de não estar obtendo com os ativos sucroalcooleiros todo o retorno que gostaria, também não está tendo prejuízos.

Na lista de empresas estrangeiras com usinas e que têm potencial de compradoras no futuro, está a argentina Adecoagro.

No ano que passou, concluiu seu cluster com três usinas em Mato Grosso do Sul com moagem prevista de 9 milhões de toneladas em 2015/16.

Experiente na área agrícola, com cultivo de grãos e fibras na América do Sul, a companhia tem tido resultados operacionais positivos com a cana.

No exercício de 2014, teve um Ebitda de US$ 153 milhões, equivalente a 71% do Ebitda total da empresa.

Também não é descartada como uma potencial consolidadora a suíça Glencore.

Não que a empresa não tenha também registrado um passivo decorrente da única usina que adquiriu no país.

Mas em cinco ciclos, mais que dobrou sua moagem e há dois registra caixa operacional positivo com o negócio. (Valor Econômico 27/05/2015)

 

Produção de cana, em contrapartida, costuma sofrer com o fenômeno

Além de destacar os possíveis reflexos da ocorrência do El Niño sobre a produção de grãos de países como Estados Unidos, Brasil, Argentina e China (ver matéria El Niño pode favorecer colheitas de grãos), o estudo da consultoria FCStone também lembra que o fenômeno climático costuma ter efeitos deletérios sobre a produção de cana, e consequentemente sobre a oferta de açúcar, em diversas regiões do planeta.

No caso do Brasil, que lidera a oferta mundial da commodity, o fenômeno pode provocar chuvas durante o inverno na região Centro-Sul, que, se confirmadas, tendem a atrapalhar a colheita da matéria-prima, diminuir a capacidade de processamento e, ainda, reduzir a concentração de açúcares nas plantas por conta da maior umidade no solo.

No entanto, a consultoria pondera que, para que isso influencie o mercado de forma expressiva, "seria necessário um volume muito grande de chuvas durante a temporada mais seca do ano, devido a um El Niño muito intenso, para prejudicar significativamente a produção de açúcar".

O fenômeno também altera o clima no Sudeste Asiático, reduzindo o regime de chuvas tanto na Índia como na Tailândia, também importantes produtores mundiais de açúcar, e limitando a produtividade dos canaviais.

Porém, a correlação entre menos precipitações e produção reduzida não é direta, uma vez que os dois países conseguem manter produtividades elevadas apesar de monções irregulares.

Em ambos, o fenômeno deverá ter reflexos "moderados" sobre a produção, segundo a consultoria.

A FCStone ressalta, ainda, que embora o fenômeno possa reduzir a produção de açúcar nesta safra, o movimento poderá não se traduzir em preços imediatamente mais elevados.

No ano passado, as especulações em torno da possibilidade de ocorrência de El Niño provocaram forte reação no mercado, mas sua não concretização derrubou as cotações. (Valor Econômico 27/05/2015)

 

Indiana Shree Renuka Sugars lucra US$ 690 mil no 4º tri de 2014/15

A companhia indiana Shree Renuka Sugars, que detém operações sucroalcooleiras no Brasil e na Índia, informou que teve no trimestre encerrado em 31 de março (4º trimestre da safra 2014/15 no Brasil) um lucro líquido de US$ 690 mil, ante a perda líquida de US$ 14,9 milhões de igual trimestre do exercício anterior.

No acumulado dos 12 meses da temporada 2014/15, a empresa teve um prejuízo líquido de US$ 290,9 milhões ante a perda de US$ 246 milhões de 2013/14.

O resultado operacional da companhia, que controla quatro usinas de cana-de-açúcar no Brasil, foi de US$ 1,235 milhão no trimestre, ante a perda operacional de US$ 13,8 milhões em igual intervalo de 2014.

Nos 12 meses da temporada, o resultado operacional foi de US$ 71,5 milhões, contra um lucro operacional de US$ 103,4 milhões do exercício de 2013/14.

No trimestre, a receita líquida da empresa caiu 12,7%, para US$ 270,1 milhões. No acumulado do ciclo, a queda da receita foi de 15%, para US$ 1,618 bilhão.

A receita com açúcar foi a que mais caiu no trimestre e no acumulado do exercício.

No último trimestre do ciclo caiu 18%, para US$ 216,9 milhões, e nos 12 meses da temporada recuou 23,5%, para US$ 927,3 milhões.

A cogeração de energia foi a única operação em que a receita cresceu, entre os produtos mais vendidos pela empresa indiana.

No trimestre foi a US$ 38,7 milhões, um aumento de 4,1%, e no ano, alcançou US$ 76,8 milhões, alta de 3%.

A receita da indiana com etanol caiu 9,8% no trimestre, para US$ 14,7 milhões. No ano, houve um recuo de 4,9%, para US$ 54,7 milhões. (Valor Econômico 26/05/2015 às 18h: 27m)

 

Angola: Biocom inicia produção definitiva de açúcar e energia em Junho

A companhia de bioenergia de Angola (Biocom) inicia a produzir definitivamente açúcar, energia eléctrica e etanol, a partir do próximo mês de Junho deste ano, informou segunda-feira naquela fazenda, o director de relações institucionais, Luís Bagorro.

O responsável que apresentava informações à ministra da Industria, Bernarda Martins que visitou aquela infra-estrutura, referiu que o projeto tem todas as condições criadas para que no próximo dia 16 de Junho se inicie sem interrupção o seu funcionamento.

Luís Bagorro precisou que a fábrica prevê produzir na primeira safra 36 mil toneladas de açúcar, 5.6 metros cúbicos de etanol e cerca de 230 gigawatts de energia eléctrica, que servirá para abastecer principalmente a cidade de Malanje.

Por seu turno a ministra da indústria, Bernarda Martins, disse que a província de Malanje tem todas as condições para dar resposta a preocupação do governo no que toca a diversificação da economia com a entrada em funcionamento na sua totalidade das principais indústrias em construção em Malanje.

Bernarda Martins apelou aos empresários nacionais e estrangeiros a investirem em Malanje, tendo em conta as potencialidades que a província oferece em várias áreas e as condições preparadas pelo governo para o investimento privado.

Na província, a ministra da indústria, fez o lançamento do Pólo industrial de Malanje e visitou as fábricas de sapatos com capacidade de produção diária de 250 pares, a unidade fabril de processamento de soja, fazenda companhia de alimentos vocacionada a produção de farinha torrada e fuba de bombó. (Angola Press 26/05/2015)

 

BNDES negocia para expandir vendas à África

Banco conversa com instituições no continente para ampliar financiamento a exportações de máquinas agrícolas e outros bens.

Dentro de uma estratégia de ampliar as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos para a África, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) conversa com instituições financeiras africanas de fomento para viabilizar linhas de financiamento para bens de capital. Um dos segmentos com maior potencial de expansão no continente, segundo análise do banco, é o de máquinas e implementos agrícolas. Entre 2013 e 2014, as vendas desses produtos para países africanos aumentaram 10,2%, totalizando US$ 157,8 milhões no ano passado. "Estamos numa fase de mapeamento, de identificar parceiros financeiros e montar estruturas de financiamento", diz Henrique Ávila, chefe da Área de Comércio Exterior do BNDES. Na semana passada, uma equipe do banco participou da reunião anual do África Development Bank, instituição pan-africana voltada para o financiamento de projetos de infraestrutura. Na última semana de abril, representantes do African Eximbank, banco focado na promoção do comércio no continente, estiveram no país para participar da feira de tecnologia agrícola Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).

A programação, costurada com a ajuda do BNDES, incluiu reuniões com dezenas de fabricantes de máquinas e equipamentos para lavoura. "Identificamos nos últimos dois anos um interesse crescente das empresas brasileiras pelo mercado africano", conta Ávila. Em 2012, as exportações brasileiras de máquinas e aparelhos agrícolas, inclusive tratores, somaram US$ 135,9 milhões (preço FOB, para retirada na fábrica ou no local de armazenamento), de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). No ano seguinte, o total cresceu para US$ 143,1 milhões, um aumento de 5,3% na comparação anual. Além das negociações com instituições pan-africanas, o BNDES busca estreitar o contato com parceiros regionais e locais. "As exportações têm crescido principalmente por conta do Programa Mais Alimentos Internacional", diz Gustavo Lorena Pinto, economista do Departamento de Suporte a Operações na África, do BNDES.

Criado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, o programa tem o objetivo de estimular as vendas externas desse tipo de bem de capital. "Não é só uma questão de gerar mercado, mas de preservar o que já existe", afirma o engenheiro Ítalo Belmonte, autor de um estudo sobre o potencial de exportações de máquinas e implementos agrícolas para a África, em conjunto com Gustavo e Cláudio de Alencar Pádua. Realizada a partir de entrevistas com 83 empresas do setor instaladas no país, a pesquisa indica que a principal concorrente dos produtos brasileiros nesse segmento é a China, que tem o preço baixo como maior atrativo de suas máquinas e implementos agrícolas. Dentro desse contexto, as condições de financiamento, por influenciarem o preço, tendem a "desempenhar papel relevante na concretização de novos negócios na África", concluem os autores. Além do setor agrícola, Gustavo Lorena Pinto identifica oportunidades para o Brasil no mercado africano nas áreas de geração hidrelétrica; equipamentos para produção de açúcar e álcool e para construção civil e pesada; mineração; e máquinas para mineração.

Para Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas, da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as exportações podem amenizar os efeitos da queda de 20% nas vendas projetada este ano para o mercado interno. No ano passado, as empresas que integram a câmara setorial registraram vendas de R$ 9,5 bilhões. Segundo Bastos, o volume de operações já executadas dentro do Mais Alimentos Internacional alcançou R$ 1,2 bilhão em 2014. Desse total, 30% (R$ 360 milhões) ficaram com empresas que fazem parte da câmara setorial. "Isso dá cerca de 3,5%. Não é um número expressivo mas ajuda a cobrir a queda nas vendas", argumenta Bastos, acrescentando que a África ainda é um mercado incipiente. "Temos muito interesse na continuidade do Programa Mais Alimentos Internacional. Qualquer valor que a gente consiga exportar já é um alívio." A atuação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em alguns países africanos e as condições similares de solo, clima e vegetação, principalmente na região subsaariana, são apontadas por Henrique Ávila, do BNDES, como fatores favoráveis aos exportadores de máquinas agrícolas. Apesar do potencial, a penetração no mercado africano esbarra na falta de recursos dos agricultores locais: entre 1980 e 2003, o uso de tratores por mil hectares de terras aráveis na África subsaariana caiu de dois para 1,3. (Brasil Econômico 27/05/2015)

 

Assaltantes sequestram e roubam funcionários de usina do interior

Pelo menos 30 trabalhadores da lavoura de cana em Capivari foram surpreendidos pelos criminosos e obrigados a entrar em um ônibus.

Três assaltantes fizeram 30 funcionários de uma usina de cana reféns durante um assalto em Capivari, no interior de São Paulo, na madrugada desta terça-feira, 26. Eles foram dominados quando iniciavam o trabalho na lavoura.

Antes os bandidos já haviam assaltado o motorista e o ajudante de um caminhão de outra usina, em Santa Barbara d'Oeste. Depois pegaram os trabalhadores da cana que foram levados de ônibus até uma rodovia da região, tendo todos os objetos que possuíam roubados no trajeto.

Em seguida, os bandidos ainda usaram o coletivo para fechar a Rodovia do Açúcar (SP-308) e assaltar uma mulher que transitava pelo local e que ficou sem o carro.

Os três fugiram no veículo da vítima com direção ao município de Elias Fausto e não foram localizados pela polícia.

Investigação

Os trabalhadores assaltados ficaram sem pequenas quantias em dinheiro e objetos como celulares, relógios, anéis e alianças. Eles contaram que os bandidos não teriam se sensibilizado com os pedidos para que fossem poupados, já que são de baixa renda e nada tinham de grande valor.

Procurados pelo Estado, policiais de Capivari disseram que o crime está sendo tratado sob sigilo para não atrapalhar as investigações. (O Estado de São Paulo 26/05/2015)

 

Curitiba teme perdas com possível venda do HSBC

A cidade de Curitiba teme uma grande queda de arrecadação, caso o HSBC seja vendido e o novo comprador transfira sua sede para outro município, como São Paulo.

O banco é o maior contribuinte da capital –são R$ 86 milhões, quase 10% da arrecadação do ISS de Curitiba.

"Ainda não se sabe o que ocorrerá, mas nos preocupa, não só pela arrecadação, como por empregos, pela renda da cidade, pela cadeia de fornecedores formada e pela atuação social do banco", diz Eleonora Fruet, secretária municipal de Finanças.

O cenário ideal é que a unidade brasileira do banco britânico fique em mãos estrangeiras sem presença no Brasil, como as de chineses ICBC e CCB e do canadense Scotiabank, diz o sindicato local de bancários.

"Sem estrutura no país, poderiam continuar na cidade, diferentemente de um banco nacional, como o Bradesco", diz o presidente da entidade, Elias Jordão.

O Santander, outra instituição que também sinalizou interesse na aquisição, já tem 72 agências na região metropolitana de Curitiba –quase o dobro das unidades do HSBC na área.

"Conversamos com o Banco Central, o Cade e parlamentares para minimizar o impacto. Pedimos que não olhem apenas o lado financeiro, mas o social também."

Os presidentes do HSBC, André Guilherme Brandão, e do Santander, Jesús Zabalza, já agendaram reuniões com o prefeito Gustavo Fruet. (Folha de São Paulo 27/05/2015)

 

Agronegócio projeta resultado positivo em meio a incertezas

Com um PIB de R$ 1,2 trilhão projetado para 2015, o agronegócio brasileiro mantém as expectativas de bom desempenho no desalentado cenário econômico nacional.

No ano passado, as exportações do agronegócio geraram superávit comercial de US$ 80 bilhões, enquanto os outros setores da economia tiveram déficit de US$ 84 bilhões na balança comercial.

As vendas externas do agronegócio totalizaram US$ 96,8 bilhões, com recuo de 3,2% na comparação com os US$ 99,97 bilhões registrados em 2013, segundo dados do Ministério da Agricultura.

As projeções para 2015 indicam que a produção agropecuária brasileira deve continuar crescendo, mas os desafios que o país enfrenta para ajustar sua economia aos novos tempos mostram que a manutenção do ritmo de expansão das exportações do setor não é uma tarefa fácil. "A economia brasileira no seu todo vivenciou um início de ano negativo", destaca Geraldo Barros, coordenador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

Segundo ele, no primeiro quadrimestre de 2015, o faturamento em dólar dos produtos exportados pelo setor caiu 14% em relação ao mesmo período de 2014, principalmente devido à queda do preço em moeda americana.

No período, as exportações somaram US$ 25,5 bilhões.

"O volume exportado reagiu com mais força em março, mas o incêndio nas imediações do corredor de exportação em Santos, aliado ao resultado negativo do mês de fevereiro, pesou sobre o resultado dos quatro primeiros meses do ano", assinala Barros.

"Para os próximos meses, caso se mantenha a desvalorização cambial, pode haver maior incentivo para o crescimento das quantidades exportadas", diz, observando, no entanto, que o faturamento em dólar pode não atingir o mesmo patamar alcançado em 2014.

Por grupos de produtos do agronegócio, as projeções dos exportadores para 2015 indicam um possível crescimento da soja (farelo e óleo), apesar da queda de 34% de janeiro a abril em relação ao mesmo período de 2014.

Na produção animal, a carne bovina ainda deve sofrer o impacto da seca sobre o rebanho. Para frango e suínos, há espaço para crescimento, mas as exportações dependerão das condições concretas da demanda externa.

Na agroindústria, modestos avanços são esperados para café, açúcar, etanol e óleos vegetais. Nos quatro primeiros meses de 2015, segundo dados do Ministério da Agricultura, as exportações de café demonstraram melhor desempenho, com expansão de 23,5%.

"A produção mundial vem se mantendo alinhada com o consumo, não há sobras de café. Isso dá ao Brasil uma vantagem comparativa, pois temos capacidade para movimentar um volume expressivo de café, de boa qualidade. Embarcamos em média de 3 milhões de sacas ao mês, nos últimos três anos", diz Guilherme Braga, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

No caso do milho, apesar das oscilações negativas (no ano passado, o produto registrou queda de 22,4% do volume exportado), as projeções são amplamente favoráveis, pelo menos em longo prazo.

"O milho vai ser o cereal de maior demanda no mundo", afirma o ex-ministro Alysson Paulinelli, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho).

"Como os grandes produtores mundiais já estão na fase de esgotamento de sua produção de milho, como Estados Unidos e Europa, o Brasil, com terras e tecnologia, é o país em melhores condições de ocupar esse espaço", diz.

Outro produto com boas perspectivas é o tabaco, produzido em grande parte na região Sul. No primeiro trimestre de 2015, as exportações de tabaco do Brasil cresceram 45% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando 21,2 mil toneladas.

A Souza Cruz é uma das principais exportadoras do produto, com uma fatia de 25%. Nos primeiros três meses deste ano exportou 25,9 mil toneladas, com 28% de aumento ante o mesmo período de 2014.

"O tabaco já representa 13% do total das exportações do agronegócio brasileiro, e rende em divisas, em média, US$ 2,5 bilhões por ano", informa Dimar Frozza, diretor de tabaco da empresa. (Valor Econômico

 

Governo negocia até R$ 10 bi em ferrovias

Diante da dificuldade em destravar os 10 mil quilômetros de novas ferrovias anunciadas em 2012, o governo resolveu assumir uma postura mais pragmática.

Em reunião ontem com as três principais concessionárias de trilhos do país, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, ouviu uma proposta que pode engordar em até R$ 10 bilhões o volume de investimentos do programa de infraestrutura que a presidente Dilma Rousseff pretende anunciar no dia 9 de junho.

Caso tenham seus contratos de concessão renovados antecipadamente, as três empresas ­ América Latina Logística (ALL), MRS Logística e Vale Logística Integrada (VLI), se comprometem a investir entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões na modernização de suas respectivas malhas.

O aporte, segundo fontes oficiais, seria acrescentado ao que as empresas já estavam prevendo desembolsar independentemente das prorrogações.

A extensão dos atuais contratos, assinados nos anos 1990 e com vencimento na próxima década, entrou na agenda do governo nas últimas semanas e uma decisão sobre o assunto deve ser tomada antes do dia 9.

Um ponto em especial é alvo de atenções: depois de comprada pela Cosan, a ALL tem um plano robusto de investimentos para os próximos quatro a cinco anos, mas boa parte do dispêndio está condicionado à prorrogação das concessões.

Seus contratos expiram entre 2026 e 2028. Sem um horizonte maior, a empresa alega que não haveria tempo hábil para a recuperação dos investimentos.

Por outro lado, o aporte da ALL é visto pelo governo como essencial, por permitir condições de modernização na sobrecarregada malha ferroviária paulista.

A partir de 2016, com a provável inauguração do trecho da Ferrovia Norte-Sul entre os municípios de Ouro Verde (GO) e Estrela D'Oeste (SP), o governo considera que é urgente viabilizar o aumento da capacidade ferroviária já existente no Estado de São Paulo para não criar futuros gargalos para as cargas em direção ao Porto de Santos.

Além de discutir a renovação dos contratos, Barbosa usou a reunião como termômetro para medir o interesse das empresas na própria concessão da Norte-Sul. O governo quer transferir à iniciativa privada dois trechos da ferrovia: Palmas (TO), Anápolis (GO), com obras já concluídas e em operação ainda incipiente pela estatal Valec, e Ouro Verde-Estrela D'Oeste, que tem mais de 80% das obras executadas e previsão de entrega em 2016.

Nesse trecho, quem vencer o leilão poderá assumir o resto das obras. A VLI opera o único lote da Norte-Sul em pleno funcionamento, que liga o município de Açailândia (MA) a Palmas.

Segundo fontes do governo, a discussão sobre a participação dessas concessionárias nos trechos que serão privatizados foi "produtiva".

O governo também pretende incluir na próxima rodada de concessões a chamada "Ferrovia da Soja", entre Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO), que já teve seus estudos de viabilidade aprovados pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

O risco de falta de interessados fez com que o projeto fosse mantido na gaveta até agora.

Ainda pairam dúvidas sobre o modelo de concessão. Mal visto pelo mercado e pelo Ministério da Fazenda, o sistema pelo qual a Valec compra e revende a capacidade de carga das ferrovias não deve prosperar, pelo menos tal como foi anunciado em 2012.

Para alguns casos, como na Norte-Sul, é avaliada cobrança de outorga onerosa. (Valor Econômico 27/05/2015)

 

Afinal, por que o açúcar é tão mal falado?

O açúcar se tornou o vilão das dietas e da alimentação. Além de muitas vezes ser tratado como responsável pela obesidade, é possível encontrar inúmeras receitas e opções de regimes com a exclusão do açúcar. Para entender por que o açúcar é tão mal falado, convidamos o sociólogo Raul Lody, antropólogo e autor do livro "Caminhos do açúcar", e o endocrinologista Dr. Marcio Mancini, responsável pelo Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP, para esclarecer os principais mitos sobre o tema.

Segundo Lody, para entender o cenário da "vilanização" é preciso ter conhecimento da história cultural do ingrediente. "O açúcar surgiu há milhares de anos e passou a ser reconhecido no mercado na Idade Média, quando comerciantes árabes aproximaram o mundo oriental do ocidental no processo de trocas. O açúcar era uma especiaria, assim como o cravo e a canela. Tinha um preço elevado e, portanto, acessível apenas para os ricos. Na época, o produto era mais caro que a grama do ouro e considerado como um medicamento ou até presente, entregue para reis, papas e nobreza", explica.

Porém, em paralelo, o sabor doce já era apreciado desde muito tempo. Aliás, era o sabor adocicado que ajudava as primeiras tribos de humanos a diferenciarem um alimento bom para consumo de um perigoso. Antes da expansão do açúcar, os pratos usavam o açúcarde beterraba e o mel de abelha. Foram os portugueses que abriram o mercado do ingrediente durante as Grandes Navegações com caminhos para o comércio entre os países. No Brasil, Portugal encontrou solo adequado para o grande plantio da cana-de-açúcar. Já na Revolução Industrial, surgiram novas necessidades para a indústria alimentar, consolidando milhares de receitas com o componente.

No Brasil, o açúcar se tornou uma importante fonte de renda e virou parte da cultura. "Como cultura, o açúcar é o mocinho. O brasileiro tem uma relação forte com o ingrediente e isso é refletido até na enorme produção dos doces no Brasil. O paladar para o doce é extremamente cultural. Da mesma forma que uma pessoa não nasce falando um idioma ou optando por uma religião, as receitas doces foram introduzidas no paladar, o que denominamos como memória cultural", explica Lody.

Apesar de ser o "mocinho" cultural, o ingrediente, tão estabelecido na dieta brasileira, tem sido citado como o "vilão" da saúde, colocado como principal causador de doenças, como a obesidade. "O açúcar como vilão é uma conclusão generalizada de dados e estudos individuais. Cada pesquisa tem um determinado viés, e nem sempre é ajustada a outros fatores que envolvem a saúde, como o estilo de vida de cada um.", afirma o Dr. Marcio Mancini, chefe do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica da Disciplina de Endocrinologia e Metabologia do Hospital das Clínicas.

Assim, a ligação do açúcar com a obesidade e outros problemas de saúde é tênue e os dados limitados. Muitas vezes, estudos sofrem interpretações exageradas impondo conclusões não necessariamente corretas.

De acordo com o Dr. Mancini, "É preciso ingerir calorias com equilíbrio e sem exageros, não excluindo um determinado alimento. Muitas vezes, as pessoas que consomem açúcarao extremo são as mesmas que comem mais gordura e fazem menos atividade física. Então, é complicado eleger um vilão, seja ele qual for", diz.

Enfim, açúcar faz mal?

Não, o açúcar não faz mal, desde que o seu consumo seja equilibrado. O ingrediente é a principal fonte de energia do cérebro e ativa o neurotransmissor serotonina, responsável pela sensação de prazer e bem-estar. "Esse ingrediente age no organismo como qualquer outro. Se você consumir o sal ou gorduras em excesso, não fará bem também", explica Dr. Mancini.

Muito tem se falado sobre o açúcar como responsável pela obesidade. "É mito dizer que esse ingrediente é o culpado pela obesidade. Essa doença não pode ser incriminada isoladamente, pois é um problema com diferentes indícios. Pessoas com obesidade e até mesmo com diabetes não precisam eliminar totalmente o açúcar da sua alimentação. O imprescindível para esses casos é ingeri-lo com acompanhamento médico", finaliza Dr. Mancin (Unica 26/05/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Influência do dólar:  O açúcar demerara recuou ontem na bolsa de Nova York, em meio a uma nova alta do dólar. Os lotes para outubro fecharam em queda de 24 pontos, a 12,42 centavos de dólar por libra-peso. A valorização da moeda americana estimula as vendas pelos produtores do Brasil, uma vez que eleva a rentabilidade das exportações. As cotações refletem também novas projeções de oferta, que indicam excedente de açúcar na atual safra global. Ainda assim, o mercado segue atento à sinalização de especialistas sobre a volta do fenômeno climático El Niño, que costuma ter efeitos negativos sobre a produção de cana-de-açúcar em países como Brasil, Índia e Tailândia. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 50,75 por saca, queda de 0,59%.

Café: Piso em 16 meses: O café arábica caiu ontem pela quinta vez consecutiva na bolsa de Nova York e alcançou o menor valor em quase 16 meses, sob a influência da alta do dólar e de projeções do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a produção do Vietnã. Os contratos para setembro fecharam em baixa de 295 pontos, a US$ 1,2685 por libra-peso, o menor valor desde 30 de janeiro de 2014. O USDA elevou sua estimativa para a safra 2015/16 vietnamita, de 25,5 milhões para 28,67 milhões de sacas. Essa mudança na projeção soma-se às recentes estimativas de órgãos públicos e privados sobre a safra do Brasil, que indicam um aumento da produção no país este ano. No mercado interno, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 430 e R$ 440, de acordo com o Escritório Carvalhaes.

Laranja: Demanda fraca: Uma nova queda nas vendas de suco de laranja nos EUA levou os contratos da bebida a uma forte desvalorização em Nova York. Os lotes para setembro fecharam ontem em baixa de 250 pontos, a US$ 1,1625 por libra-peso. Levantamento da consultoria Nielsen, divulgado pelo Departamento de Citros da Flórida, indicou que as vendas no varejo americano recuaram 8,7% nas quatro semanas encerradas em 9 de maio, para 136,3 milhões de litros. O movimento reforça uma redução da demanda que já se estende por mais de dois anos. O dado mudou as atenções dos investidores, que até então vinham precificando as projeções de redução das safras no Brasil e na Flórida. No mercado interno, a caixa de 40,8 kg destinada à indústria permaneceu em R$ 10,83, de acordo com o Cepea/Esalq.

Trigo: Pressão cambial: A continuidade do movimento de valorização do dólar pesou sobre os preços do trigo nas bolsas americanas ontem. Em Chicago, os contratos para setembro encerraram a sessão em queda de 22 centavos, a US$ 5,01 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os papéis de mesmo vencimento caíram 22,75 centavos, a US$ 5,3425 por bushel. A elevação da moeda americana reduz a já combalida competitividade do trigo dos EUA no mercado internacional. O país vem enfrentando dificuldades em exportar o cereal em função das cotações mais baixas do produto de outras origens, a exemplo do Leste Europeu. No Paraná, a saca de 60 quilos da commodity foi negociada ontem ao valor médio de R$ 35,50, recuo de 0,34%, conforme o Deral/Seab. (Valor Econômico 27/05/2015)