Setor sucroenergético

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ADM: Custo extra em terminal graneleiro no Pará

A novela do terminal graneleiro da ADM em Barcarena não tem fim.

O grupo terá de aumentar os investimentos em 20% para que a logística seja feita por hidrovias.

Tudo para atender a uma exigência do governo do Pará, que não quer mais o uso do modal rodoviário com a alegação de sobrecarga nas estradas locais.

Consultada, a ADM confirmou que o porto entrou em operação, mas não se pronunciou sobre o aumento de custos. (Jornal Relatório Reservado 03/06/2015)

 

Setor aprova aumento do volume de crédito

Custeio: O crédito ao médio produtor será de R$ 13,6 bilhões para custeio e R$ 5,3 bilhões para investimento. Os demais terão R$ 80,9 bilhões para custeio.

Álcool: Os recursos programados para a estocagem de etanol são de R$ 2 bilhões, com prazo máximo de dois anos. A taxa anual é TJLP mais 2,7%.

Investimentos: Os recursos programados são de R$ 38,2 bilhões. Moderfrota e PSI rural têm R$ 10 bilhões. As taxas de juros vão de 7% a 9,5%, dependendo do tamanho da propriedade do produtor.

Armazéns: Entre outros, os governo mantém programas de incentivos de investimento em armazéns (R$ 2 bilhões), cooperativas (R$ 1,6 bilhão) e cerealistas (R$ 400 milhões). Neste último caso, a taxa de juro chega a até 10% ao ano.

Empresários do agronegócio elogiaram o esforço do governo para ampliar o volume de recursos destinados ao crédito rural na próxima safra agrícola, mas encararam com cautela o fato de esse aumento ter sido garantido com juros livres.

"Com certeza foi além do que esperávamos. O país vive um momento de incertezas e perspectivas não muito boas e nosso receio era não haver recursos, mas esse volume vai nos proporcionar que tenhamos uma excelente safra", disse, em nota, João Martins, presidente da CNA, cargo que até recentemente era ocupado pela ministra Kátia Abreu.

Ele ressaltou que a alta dos juros não pode ser ignorada, mas reconheceu que a questão é decorrência do período inflacionário pelo qual o país passa.

"É um aumento significante e que vai ter peso nos custos de produção. Mas é melhor ter juros maiores com mais recursos do que não termos crédito suficiente".

"No geral, os R$ 187 bilhões anunciados saíram melhor que a encomenda. Acompanhamos as negociações no governo e vimos que segurar as taxas de juro do custeio abaixo de 9% ao ano realmente foi bem difícil", disse o presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Márcio Lopes. Fabrício Rosa, diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil), também comemorou o montante a juros controlados, mas afirmou que o volume expressivo de recursos a juros livres anunciados indicam um aprofundamento da estratégia de "mix" de recursos que o Banco do Brasil vem lançando mão para driblar a insuficiência de recursos a juros controlados para financiar o pré-custeio da safra.

Ainda à procura de saídas para a crise em que mergulhou nos últimos anos, o segmento sucroalcooleiro recebeu o novo Plano Safra com cautela.

Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), afirmou que os recursos e as condições anunciadas para as linhas de renovação de canaviais e estocagem de etanol estão dentro do esperado, mas ressalvou que não há clareza sobre os limites de financiamento que serão regidos pelas taxas de juros determinadas (TJLP + 2,7% a.a., ou 8,3%).

A estocagem terá R$ 2 bilhões, com prazo de pagamento de até 270 dias. A de renovação ficará com R$ 1,5 bilhão, com pagamento em até seis anos, com 18 meses de carência.

A indústria de máquinas e implementos agrícolas, por sua vez, gostou do novo plano.

"Em teoria, estamos cobertos", disse Pedro Bastos de Oliveira, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, que representa o setor.

Conforme Bastos, a indústria pleiteava que os programas PCA (armazenagem), Moderfrota (modernização do maquinário) e Pronamp (apoio ao médio produtor rural) oferecessem, juntos, ao menos R$ 13 bilhões aos agricultores, semelhante ao ano passado.

O plano trouxe R$ 17,29 bilhões, também considerados os recursos para o Programa de Sustentação de Investimento (PSI).

Mesmo assim, Oliveira afirmou que não há mudanças na previsão de queda de 15% a 20% nas vendas de máquinas agrícolas este ano. Luiz Moan, presidente da Anfavea, associação que representa as grandes multinacionais de máquinas que atuam no país, disse, em nota, que o plano, "além de estabelecer taxa de juros dentro do esperado pelo setor, reveste-se claramente em um apoio ao desenvolvimento da agropecuária nacional". (Valor Econômico 03/06/2015)

 

Unica critica proposta da agência de proteção ambiental dos EUA

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulgou nota nesta terça-feira,2, na qual se diz "frustrada" e "decepcionada" com a decisão da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) de reduzir as metas de utilização de biocombustíveis no país.

Ainda assim, os volumes de importação de combustíveis renováveis projetados para 2015, superiores aos de 2014, e as projeções para 2016, bem acima das de 2015, foram considerados satisfatórios pela Unica.

"Essa demanda abre portas para o acesso permanente dos Estados Unidos ao etanol de cana-de-açúcar brasileiro, cuja participação ainda é modesta, mas tem capacidade para suprir o mercado norte-americano", comenta, na nota, a presidente da Unica, Elizabeth Farina.

A EPA reconhece o etanol brasileiro como um biocombustível avançado, já que reduz os gases de efeito estufa em mais de 60% em relação à gasolina. Nos últimos três anos, o Brasil exportou mais de 1 bilhão de galões, ou aproximadamente 4 bilhões de litros de etanol para os EUA.

Nesse período, o combustível brasileiro representou apenas 2% de todo combustível renovável consumido pelos norte-americanos, mas equivaleu a quase 15% de toda a oferta de biocombustível avançado dos EUA.

Pela proposta apresentada na semana passada pela EPA, o uso de combustíveis renováveis no país em 2015 deve ser de 16,3 bilhões de galões, 4 bilhões de galões a menos ante o que diz o Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS) de 2007.

Desse total, 2,90 bilhões de galões devem ser de biocombustíveis avançados. Para o ano que vem devem ser consumidos 17,4 bilhões de galões de combustíveis renováveis, abaixo também dos 22,25 bilhões de galões definidos em 2007. (Agência Estado 02/06/2015)

 

Cresce competitividade do etanol; venda no varejo é a maior em 5 anos

Indicadores de preços do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, confirmam que a demanda interna por etanol aumentou, respondendo ao estímulo de medidas oficiais. Desde o início da safra 2015/16 na região Centro-Sul, em abril, o preço do etanol hidratado (Indicador semanal CEPEA/ESALQ), referente ao mercado paulista, caiu 4,9%. No mesmo período do ano passado, a queda foi de expressivos 14%. O Indicador CEPEA/ESALQ da última semana foi de R$ 1,2064/litro, sem frete e sem impostos (valor recebido por usinas).

Nos postos de todo o País, as vendas de etanol hidratado chegaram a 1,5 milhão de metros cúbicos em abril, o maior volume mensal desde o final de 2009, segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

No acumulado do quadrimestre, as vendas de hidratado estiveram 32,5% maiores que as registradas de janeiro a abril de 2014, subindo de 4,12 milhões de metros cúbicos para 5,46 milhões de metros cúbicos. Já as de gasolina C diminuíram 3,5%, também conforme levantamento da ANP, passando de 14,3 milhões de metros cúbicos para 13,8 milhões.

Como a competitividade do etanol hidratado frente à gasolina aumentou de abril para maio, o consumo do biocombustível pode ter tido novo aumento no mês que se encerrou.

Em São Paulo, por exemplo, a cotação média do hidratado em maio foi de R$ 2,001/l, correspondendo a 63,8% do valor da gasolina (R$ 3,135/l), em abril, a relação era de 64,7%.

O combustível derivado da cana-de-açúcar também segue vantajoso nos estados de Mato Grosso, onde o preço do etanol de maio equivaleu a 61,6% do valor da gasolina (ante 62,6% em abril), Minas Gerais (66,4% em maio e 67,5% em abril), Paraná (67,5% e 67,9%, respectivamente) e Goiás (65,4% no último mês e 67,8% em abril), dados ANP.

Além do aumento da tributação sobre a gasolina em 22 centavos/litro, ocorrida via PIS/Cofins de fevereiro a maio e, desde então, via PIS/Cofins e Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), esse aumento da demanda por etanol pode ser explicado também pela elevação do percentual de mistura de anidro na gasolina, de 25% para 27%, e a redução do ICMS sobre o hidratado em Minas Gerais, de 19% para 14%.

Projeções da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) para a safra que recém-iniciada apontam que a produção de etanol pode crescer 4,3%, para 27,28 bilhões de litros. Desse total, 10,95 bilhões de litros devem ser de anidro (+1,8%) e 16,33 bilhões de litros, de hidratado (+6,1%). (Cepea/Esalq 02/06/2015)

 

ADM paralisa usina de biodiesel na Alemanha por incerteza sobre demanda

A gigante norte-americana do agronegócio Archer Daniels Midland (ADM) interrompeu temporariamente a produção de sua usina de biodiesel em Leer, na Alemanha, devido à incerteza sobre o futuro do biocombustível no país, disse a empresa nesta terça-feira.
A ADM disse que reavaliará o mercado de biodiesel no terceiro trimestre deste ano.

O entusiasmo com biocombustíveis na Alemanha e outros países da União Europeia tem diminuído, com a Alemanha reduzindo as metas de utilização nos últimos anos.

Em junho de 2014, ministros de energia da União Europeia concordaram em limitar a produção de biocombustíveis feitos de produtos agrícolas também usados na alimentação, respondendo a críticas de que este uso provoca inflação e traz mais danos ambientais do que benefícios.

A ADM não informou a capacidade da usina de Leer, mas fontes do mercado disseram que a unidade produz 120 mil toneladas anualmente. A ADM afirmou que não tem planos de desativar outras usinas de biodiesel na Alemanha. (Reuters 02/06/2015)

 

Biodiesel: Cargill contratará 500 e aumentará produção em MS

Com investimentos de R$ 240 milhões e contratação de 500 pessoas a unidade da Cargill em Três Lagoas (MS), indústria que fabrica biodiesel, vai aumentar em 52% a sua produção. O investimento será feito em quatro projetos integrados: ampliação da capacidade de processamento de grãos, construção de refinaria de glicerina, ampliação dos modais ferroviários e também hidroviários. A ampliação deve ser concluída em dois anos.

A notícia foi dada pelo governador do Estado, Reinaldo Azambuja, em Campo Grande, na semana passada. Ele disse que no próximo dia 10, representantes da Cargill vão à capital para anunciar o investimento. "Dia 10 a Cargil vem aqui anunciar que dobra de tamanho o esmagamento de soja em Três Lagoas, isso porque o Estado tem ambiente de segurança, de competição e uma boa lei de incentivos", afirmou o governador.

Apesar do anúncio da ampliação, a Cargill ainda não tem previsão do início das obras, visto que ainda faltam as licenças do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). Porém, o EIA-RIMA (Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental) já foram concluídos.

Conforme assessoria de impressa da Cargill, o objetivo da ampliação é aumentar a capacidade de processamento de soja de 2,1 toneladas para 3, 2 toneladas por dia. Dessa forma, a fábrica produzirá mais farelo e óleo para produção do biodiesel. Atualmente, a fábrica está operando com 80% de sua capacidade total.

A indústria instalada em Três Lagoas é voltada para a fabricação de biodiesel, produto que também dá origem à glicerina, ingrediente usado em aplicações industriais. Com a construção da refinaria do projeto, será produzida uma glicerina com 99% de pureza, cujas aplicações são direcionadas às indústrias de cosméticos, alimentos e bebidas. (Correio do Estado 01/06/2015)

 

Juros do Plano Safra desestimulam investimentos, diz indústria de máquinas

Os juros mais altos do Plano Safra 2015/16 anunciados nesta terça-feira consolidam a perspectiva de retração nas vendas de máquinas e implementos agrícolas no país este ano, disse a entidade que representa as indústrias do setor.

"Esse Plano Safra terá um menor apetite (de contratações de investimentos) por parte dos agricultores", disse à Reuters o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão Bastos.

Segundo ele, os juros divulgados nesta terça-feira, embora não apresentem uma mudança em relação ao que vem sendo praticados nos últimos meses, não estimulam aquisições, que acabam sendo pagas ao longo de até uma década.

"Se você acreditar que o governo vai conseguir trazer a inflação de volta para o centro da meta (de 4,5 por cento ao ano), ninguém quer assumir agora um juro tão elevado e continuar pagando ele pelos próximos dez anos", ponderou Bastos.

O Plano Safra 2015/16 prevê um aumento de recursos para as linhas Moderfrota e PSI, usadas na aquisição de máquinas agrícolas, para 10 bilhões de reais, ante 8 bilhões anunciados para o Plano 2014/15.

Contudo, os juros saltaram de 4,5 por cento para até 7,5 por cento ao ano para produtores rurais com renda bruta de até 90 milhões de reais por ano. Para agricultores com renda acima deste valor, os juros passaram de 6 por cento para 9 por cento ao ano.

"A gente estava imaginando de queda nas vendas do setor de 15 a 20 por cento em 2015 em relação ao ano passado, e o número continua esse mesmo. Esse cenário não piora com o Plano Safra", disse o executivo.

O quadro de cautela nos investimentos dos agricultores é reforçado também pela queda nos preços das commodities agrícolas, principalmente da soja, ressaltou Bastos.

O volume de crédito disponível no Plano Safra 2015/16 terá crescimento de 20 por cento ante os recursos do programa anterior, principalmente por conta de uma maior disponibilidade de financiamentos com juros livres de mercado, apontando para um sensível aumento de custos dos produtores.

O novo plano, que prevê um total de 187,7 bilhões de reais em financiamentos, ante 156,1 bilhões de reais em 2014/15, terá elevação nos recursos de custeio e comercialização e queda nos empréstimos para investimentos, informou nesta terça-feira o governo federal. (Reuters 02/06/2015)

 

Grupo belga Solvay abre laboratório biotecnológico no Brasil de olho na biomassa

O grupo industrial químico belga Solvay abriu nesta terça-feira no Brasil seu primeiro laboratório completamente dedicado à biotecnologia industrial, a fim de impulsionar o desenvolvimento de inovações e soluções baseadas em uma química sustentável.

O laboratório, situado em Paulínia, no estado de São Paulo, se centrará principalmente em novos processo de pesquisa e de moléculas derivadas da biomassa, que em sua maioria se baseia em plantas ou vegetais e que existem com "abundância" no Brasil com seu clima favorável e enorme superfície, explicou a Solvay.

"Com este laboratório a Solvay pode nutrir mais sua pasta de inovação, empregando recursos renováveis e com soluções sob medida para cumprir os requisitos de sustentabilidade dos clientes em múltiplos mercados", afirmou Louis Neltner, diretor-geral do grupo de Pesquisa e Inovação da Solvay.

"Graças à ampla variedade de biomassa no Brasil, negócios agrícolas competitivos e conhecimentos em biotecnologia, o país tem todas as condições necessárias para desenvolver e cultivar produtos e soluções baseadas em recursos renováveis", acrescentou. (EFE 02/06/2015)

 

O verde que virou vermelho

Como um imposto verde acabou virando vermelho bem sintetiza os equívocos cometidos na economia no passado recente, o custo alto que se paga no presente e o enorme desafio de conseguir retomar o crescimento no futuro.

Política fiscal verde é uma moderna tendência mundial em resposta às mudanças climáticas. Ela usa a tributação como meio para punir o que mais polui e premiar a energia limpa. Ainda que o Brasil tenha aderido a tais compromissos, adotou neste século uma política tributária perfeita, mas na direção exatamente oposta a tais objetivos.

À custa das maiores renúncias tributárias conhecidas, da desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) à guerra fiscal do ICMS estadual, se reduziu a carga sobre a venda de automóveis, mas não sobre os transportes de massa, fora que neles os governos pouco investiram. Pior foi com os combustíveis fósseis, que muitos países passaram a tributar cada vez mais para fins ambientais, e o Brasil fez o contrário, mesmo tendo o que outros países não dispunham: o etanol como excelente alternativa energética.

Já foi confessado que o governo administrou os preços da gasolina e do diesel para tentar frear a inflação. Fez isso sem separar dotação no Orçamento para cobrir os correspondentes subsídios. Estes, na prática, foram transformados em redução de tributos sobre aqueles bens e, depois, em prejuízos bilionários e já mensurados para a Petrobrás, de modo que o governo perdeu receita e também patrimônio.

Esse caminho tortuoso jogou na crise importantes setores da economia, do agronegócio à construção pesada, e tornou inglório repetir o ajuste fiscal tanto já feito no passado, porque nunca foi tão deprimida a arrecadação proveniente desse setor estratégico.

A contribuição específica (Cide) representava 14% do preço na bomba da gasolina em 2002, ante os atuais 2,2%, mesmo depois do reajuste do início do ano - se fosse mantida aquela proporção, a alíquota deveria subir de R$ 0,10 para R$ 0,62 por litro.

Já o PIS/Cofins, também cobrado como um valor fixo por litro de combustível vendido, ficou congelado (em R$ 0,2616) por quase dez anos. Somados esses três tributos, a Petrobrás deveu R$ 16,2 bilhões em 2014, ante R$ 29,8 bilhões em 2006.

Essa perda de receita equivale, por exemplo, a um ano do gasto com atenção básica à saúde no Orçamento federal.

Outro valor, equivalente, deve ser perdido com royalties sobre petróleo, em que o efetivamente arrecadado tem caído muito mais fortemente que os preços internacionais e apesar da produção agora em alta.

A carga tributária total da Petrobrás caiu para o piso de 1,71% do Produto Interno Bruto (PIB) neste primeiro trimestre, 0,6 ponto abaixo do mesmo há quatro anos.

Nem é preciso dizer quanto faz falta tal receita para o ajuste fiscal.

Etanol:

Há, ainda, o efeito colateral do menor uso de etanol. Já foram fechadas 70 usinas e 30 estão em recuperação judicial, com perda de 60 mil empregos diretos. A venda de máquinas para o setor caiu pela metade. Mesmo assim, estudos projetam que, depois do carro flex, se reduziu a emissão de gases de efeito estufa em 250 milhões/t de CO2 e se evitaram 9 mil internações por problemas respiratórios e cardíacos decorrentes da poluição.

Para atender às metas mundiais com o meio ambiente, recuperar a receita, consolidar o ajuste fiscal e estimular a agroindústria nacional, é preciso recuperar paulatinamente a antiga proporção de tributos sobre derivados de petróleo e, depois, passar a reajustar as suas alíquotas automaticamente com os preços de revenda.

Também royalties deveriam passar a ser cobrados ou fiscalizados pela Receita Federal (não é uma taxa para custeio de agência reguladora) e o cálculo da participação especial na extração de petróleo deveria ser corrigido para atender ao princípio legal.

Vermelho, atual cor da moda na economia brasileira, pode e deve ser trocado pelo verde, a começar no seu imposto e na política fiscal.

Neste campo dos combustíveis e do meio ambiente há uma boa oportunidade para avançar rumo ao passado, que conciliava disciplina e crescimento, mas que foi jogado fora em troca da inflação, da qual não se escapou, mas só se adiou para hoje. (O Estado de São Paulo 02/06/2015)

 

Tereos tem prejuízo de R$ 106 milhões no 4º tri de 2014/15

A Tereos Internacional, empresa com operações em cana-de-açúcar e amidos no Brasil, na África e na Europa, além de atuação com processamento de milho na Ásia, informou que teve no trimestre encerrado em 31 de março deste ano (equivalente ao 4º trimestre da safra 2014/15) um prejuízo líquido de R$ 106 milhões, ante a perda de R$ 8,1 milhões de igual intervalo de 2014.

Em comunicado a investidores, a companhia explicou que o fraco desempenho derivou da menor rentabilidade do negócio sucroalcooleiro no Brasil e da pressão de margens na operação de amidos, efeito de um ambiente econômico mais fraco.

Nos doze meses da safra 2014/15, a companhia teve um prejuízo líquido de R$ 139 milhões, frente a um lucro líquido de R$ 33 milhões no ciclo 2013/14.

A receita líquida da empresa caiu 5% no 4º trimestre, para R$ 2,1 bilhões. No ano safra, o recuo foi de 3,6%, para R$ 8,040 bilhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado ao valor justo dos ativos biológicos (canaviais) caiu expressivos 72% no último trimestre do exercício, a R$ 36,8 milhões e 19,7%, para R$ 772 milhões no ano-safra 2014/15.

“Apesar do crescimento das vendas registrado pela divisão de cana-de-açúcar no Brasil, o impacto inflacionário sobre os custos não foi compensado pelos ganhos esperados de eficiência industrial, em parte devido às condições climáticas.

Em outros segmentos, os resultados foram impactados pelos menores preços de açúcar, amido & adoçantes e etanol na Europa, principalmente por conta das condições de mercado desafiadoras na Europa como um todo”, afirmou a companhia em nota.

Em 31 de março de 2015, a dívida líquida total da Tereos Internacional, incluindo o montante de partes relacionadas, era de R$ 4,3 bilhões, comparados a R$ 3,6 bilhões de 31 de março de 2014.

O forte aumento, conforme a companhia, é explicado, basicamente, pela variação cambial no período.

“Excluindo a variação cambial, a dívida líquida permaneceria estável em base anual”, ponderou a companhia em comunicado que acompanhou a divulgação dos resultados.

Com um Ebitda menor e com uma dívida maior, o índice de alavancagem, medido pela relação entre os dois indicadores piorou.

Em 31 de março, a dívida líquida / Ebitda ajustado atingiu 5,5 vezes, contra 3,7 vezes em 31 de março de 2014 e 5,0 vezes no trimestre anterior.

Em 31 de março de 2015, 57% da dívida bruta da Tereos Internacional era denominada em dólar, 18% em reais, 24% em euro e 1% em outras moedas. (Valor Econômico 02/06/2015 às 20h: 31m)

 

Bayer CropScience mira ervas daninhas em acordo com australiana

A Bayer CropScience, braço agrícola da gigante alemã Bayer, firmou um acordo de cinco anos com a empresa australiana Grains Research & Development Corporation (GRDC) para a descoberta e o desenvolvimento de novas soluções para o manejo de plantas daninhas.

“O principal objetivo é proporcionar aos produtores novas tecnologias para manejar ervas daninhas resistentes e auxiliar a sustentabilidade de sistemas de produção modernos”, disse a Bayer, em comunicado.

De acordo com a múlti, uma substancial redução do investimento das empresas nas pesquisas para o controle de ervas daninhas nas últimas duas décadas resultou em uma “lacuna” no desenvolvimento de tecnologias para herbicidas, desafiando a rentabilidade e a sustentabilidade dos agricultores.

A GRDC apoiará os trabalhos já desenvolvidos pela Bayer CropScience em seu centro de excelência global, inaugurado em novembro de 2014 em Frankfurt, na Alemanha.

A recente aceleração do avanço de ervas resistentes está também estreitamente relacionada ao uso massivo do glifosato, que disparou a partir dos anos 1990 nos EUA e na década seguinte no Brasil, com o avanço de cultivos que carregam o gene Roundup Ready (RR), da americana Monsanto.

O glifosato é um herbicida não-seletivo que deixa intactas as lavouras RR (geneticamente modificadas para resistir a ele) e mata as demais plantas.

Mas o surgimento de ervas daninhas resistentes ao produto tem aumentado as preocupações e os gastos dos agricultores ao redor do mundo. (Valor Econômico 02/06/2015)

 

Vale e Petrobras levam Bolsa a alta de 2,27%

O pregão da Bolsa de Valores de ontem foi marcado por altas expressivas, em meio ao avanço dos preços das commodities e com papéis ligados ao setor de infraestrutura também entre os destaques positivos. O Ibovespa fechou em alta de 2,27%, a 54.236 pontos, com volume financeiro somando R$ 6,88 bilhões. Para o gestor Joaquim Kokudai, sócio na JPP Capital Gestão de Recursos, o desempenho na bolsa resultou de um conjunto de fatores, incluindo preços de matérias-primas mais altos nesta sessão e espaço para recuperação do índice após a queda no mês passado. A emissão de um bônus de 100 anos e a descoberta de novos campos de petróleo pela Petrobras na véspera também contribuíram, disse o gestor.
O preço do minério de ferro acima dos US$ 60 também contribuiu, principalmente para a alta das ações da Vale. A expectativa de que o governo irá lançar ainda este mês programas nas áreas de infraestrutura e exportação, dentro de sua agenda positiva, também endossou apostas mais positivas, com novos comentários sobre o tema nessa sessão. De acordo com a presidente Dilma Rousseff, tal agenda irá incluir também a terceira fase do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Vale disparou: as PN tiveram alta de mais de 7%, diante da subida dos preços do minério de ferro à vista na China, enquanto os contratos futuros da commodity em Dalian atingiram a máxima em três semanas. Petrobras subiu ao redor de 4%, tendo como pano de fundo a alta do petróleo, um dia após a empresa emitir US$ 2,5 bilhões em um título de 100 anos. O BTG Pactual disse em nota a clientes que a captação poderia ter alguma conotação positiva para a ação, "apesar de não endereçar todo o problema de caixa da companhia".

Ecorodovias liderou as altas do Ibovespa, fechando com avanço de 8,4%, conforme o mercado segue na expectativa de anúncio de pacote ligado à infraestrutura. A operadora de ferrovias Rumo ALL, na sequência, avançou 7,6%. Oi fechou em alta de quase 6%, no mesmo dia em que a operadora de telecomunicações efetivou a venda de toda sua participação na PT Portugal para o grupo europeu Altice, com entrada de € 4,92 bilhões em caixa. Especulações relacionadas a fusões e aquisições no setor também seguiram fazendo preço nos negócios, em meio a expectativas sobre encontros com autoridades brasileiras e empresas estrangeiras. Uma fonte do governo disse à Reuters que o presidente mundial da norte-americana AT&T deve se reunir com a presidente Dilma Rousseff nas próximas semanas.

Cosan avançou 2,95%. O grupo de energia e infraestrutura confirmou na véspera a entrada na empresa de Paula Kovarsky, ex-analista do Itaú BBA, como diretora de relações com investidores.

Cemig e Copel ficaram na ponta contrária, com quedas de 2,05% e 1,04%, respectivamente, em dia de fraqueza do setor elétrico, após fortes ganhos na segundafeira. Suzano e Fibria recuaram, acompanhando o declínio de mais de 1% do dólar frente ao real, que abriu espaço para nova realização de lucros com os papéis. Os principais índices acionários dos Estados Unidos caíram, como salto no rendimento dos títulos públicos afetando ações de serviços públicos e outras grandes pagadoras de dividendos, mas houve ganhos nas ações de energia e otimismo de que a Grécia pode estar perto de acordo com credores. O índice Dow Jones caiu 0,16%, a 18.011 pontos. O S&P 500 cedeu 0,1%, a 2.109 pontos. O Nasdaq caiu 0,13%, a 5.076 pontos. (Brasil Econômico 03/06/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Efeito do dólar: A desvalorização do dólar em relação a diversas moedas, principalmente perante o real, deu gás para as cotações do café arábica ontem na bolsa de Nova York. Os contratos para entrega em setembro fecharam com avanço de 300 pontos, a US$ 1,3505 a libra-peso. A queda da moeda americana em relação ao real costuma reduzir o ímpeto vendedor do Brasil, maior produtor e exportador de café do mundo. O câmbio também incentivou os fundos especulativos a recomprar papéis, após registrarem uma forte posição vendida na semana passada. Os investidores devem ficar atentos nos próximos dias ao ritmo de colheita no Brasil, já que a previsão é de tempo firme no Sudeste. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica subiu 4,04%, para R$ 427,67 a saca.

Cacau: Ajuste técnico: As cotações do cacau reagiram ontem na bolsa de Nova York após seis quedas consecutivas em meio à ação dos fundos e à queda do dólar em relação a diversas moedas. Os contratos da amêndoa para setembro subiram US$ 60, para US$ 3.109 a tonelada. O movimento foi resultado principalmente de ajustes técnicos. Nas áreas produtoras do oeste da África, principal região produtora, o clima tem se mantido bom para as lavouras até o momento. Os produtores da Costa do Marfim deram indicações de que sua produção deve superar as expectativas, enquanto em Gana o cenário para a próxima safra está menos claro, após uma forte redução do volume na última colheita. No mercado interno, o preço médio da arroba em Ilhéus e Itabuna caiu R$ 3, a R$ 128, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Laranja: Passada a ventania: As cotações do suco de laranja registraram forte queda ontem na bolsa de Nova York diante do otimismo com o clima no decorrer da colheita na Flórida. Os contratos do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para entrega em setembro fecharam cotados a US$ 1,1250 a libra-peso, um recuo de 615 pontos. Nesta época do ano, os preços da commodity costumam subir ante especulações em torno do início da temporada de furacões nos Estados Unidos. Contudo, neste ano, o El Niño pode amenizar a formação dos ventos, o que deve reduzir as turbulências do período, afirmou Jack Scoville, da Price Futures Group, em nota. No mercado interno, o preço da laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq teve queda de 4,62%, a R$ 10,33 a caixa de 40,8 quilos.

Trigo: Impulso cambial: Os contratos futuros do trigo dispararam ontem nas bolsas americanas com a queda do dólar ante diversas moedas e com a leve deterioração das condições das lavouras dos EUA. Em Chicago, os papéis para setembro fecharam a US$ 5,1725 o bushel, alta de 18,50 centavos. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os lotes com igual vencimento fecharam a US$ 5,455 o bushel, alta de 22,25 centavos. A queda do dólar melhora a competitividade do trigo americano no mercado internacional. Além disso, 74% das lavouras de inverno no país estão em condições "boas" a "excelentes", 1 ponto a menos do que na semana passada. No mercado doméstico, o preço médio do cereal no Rio Grande do Sul apurado pelo Cepea/Esalq caiu 1,04%, para R$ 596,37 a tonelada. (Valor Econômico 03/06/2015)