Setor sucroenergético

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Etanol de milho

A CHS, uma das maiores produtoras de etanol de milho dos Estados Unidos, iniciou os preparativos para construir sua primeira fábrica no Brasil.

O grupo negocia com o governo do Mato Grosso do Sul um pacote de benefícios para instalar um cinturão de fornecedores na região de Dourados. (Jornal Relatório Reservado 05/06/2015)

 

Tereos se "arma" contra o efeito do câmbio na dívida

Com mais de 80% de sua dívida em moeda estrangeira, a Tereos Internacional, que no Brasil controla a sucroalcooleira Guarani, se "arma" para passar pela turbulência cambial em curso. Em entrevista ao Valor, o diretor para o Brasil do grupo Tereos, Jacyr Costa Filho, diz que a companhia tem um caixa reforçado, de R$ 1,180 bilhão, e que está protegida com a receita em dólar que está por vir decorrente de exportações de açúcar. Em 31 de março deste ano, a companhia tinha a vencer no curto prazo dívida bancária de R$ 1,6 bilhão ­ já 15% mais elevada que há um ano devido ao rally cambial. Na quarta-feira, um dia depois da divulgação dos resultados, os papéis da empresa na BM&FBovespa amargaram queda de 17,82%, enquanto o Ibovespa recuou 1,32%. Em entrevista ao Valor, o diretor para o Brasil do grupo Tereos, Jacyr Costa Filho, afirmou que a companhia, que tem operações na Europa, África e Ásia, tem acesso a crédito mais barato fora do Brasil, e que não terá dificuldades em equacionar o aumento do endividamento de curto prazo, inflado pela desvalorização do real frente ao dólar e ao euro ­ de 40% e 20%, respectivamente, no último trimestre da safra. Se for considerada toda a dívida bancária da companhia (curto e longo prazos), o aumento em 12 meses foi de R$ 624 milhões: em 31 de março de 2014, estava em R$ 4,027 bilhões e um ano depois, em R$ 4,651 bilhões. Ao fim do primeiro trimestre deste ano, a empresa informava que 57% de sua dívida bruta era denominada em dólar, 24% em euro, 18% em real e 1% em outras moedas. Costa filho lembrou ainda que, diferentemente do que ocorre neste momento no Brasil, a liquidez na Europa está maior. "Estamos tendo suporte das instituições financeiras credoras no refinanciamento de nossos débitos". Ele menciona a renegociação de US$ 330 milhões de dívida da Guarani no fim do ano passado com um pool de bancos estrangeiros a uma taxa menor que a vigente no financiamento original. Na última quarta-feira, além de um aumento do endividamento, a companhia apresentou em seu balanço um prejuízo líquido de R$ 106 milhões no 4º trimestre do ciclo 2014/15, ante perda de R$ 8,1 milhões em igual intervalo de 2013/14. No acumulado do ano safra, o resultado líquido foi negativo em R$ 139 milhões, frente a um lucro de R$ 33 milhões no ciclo 2013/14. Outros indicadores vieram igualmente negativos, como o Ebitda, que caiu 72% no trimestre e 19% no ano­safra. Consequentemente, o nível de alavancagem, medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda, aumentou para 5,5 vezes, contra 3,7 vezes em 31 de março de 2014. Além desses resultados, também chamou a atenção do mercado a comunicação, apenas no 4º trimestre, de problemas relacionados à performance industrial. Na visão de fontes que acompanham o segmento, essa informação já teria que estar disponível a investidores no máximo na divulgação dos resultados do 3º trimestre, uma vez que foi quando a moagem foi concluída. "As razões do resultado ruim estão na performance industrial. Nós não conseguimos gerar todo o bagaço de cana que gostaríamos. Tivemos perdas industriais e aumento de custos por interrupções. Foi um problema gerencial, mas agora estamos com equipe nova ", afirmou Costa Filho. Sobre a divulgação apenas ao fim do 4º trimestre, a Tereos explicou que teve perdas industriais durante toda safra 2014/15. (Valor Econômico 05/06/2015)

 

Açúcar: Participação na balança comercial cai para o menor nível em 7 anos

A recente desvalorização do real intensificou a queda dos preços de exportação do açúcar, que tem contribuído cada vez menos para o superávit da balança comercial brasileira. "A elevada correlação entre o dólar e as cotações internacionais do açúcar vem levando à diminuição dos preços em dólares recebidos pelos exportadores brasileiros", explica a consultoria INTL FCStone em relatório. Segundo dados da Secex, observa-se uma queda de mais de 44% do valor médio em dólares da mercadoria exportada desde abril de 2011.

Isso combinado a uma estagnação e até mesmo queda nos volumes de exportação nos últimos anos tem produzido um efeito negativo sobre a balança comercial brasileira. A redução cada vez mais acentuada da entrada de divisas no país oriundas da venda desta commodity resultou na menor participação em 7 anos, considerando o preço médio do primeiro quadrimestre de 2015. Em 2010, o valor das exportações do produto chegou a ser mais de 6% do total exportado pelo país, mas este ano é de apenas 3,95%.

Os preços da commodity na Bolsa de Nova York são altamente correlacionados com o dólar (taxa de câmbio), isto é, o aumento da taxa de câmbio brasileira (a desvalorização do real) tende a causar uma variação negativa nos preços do açúcar em dólares. Essa relação é esperada, uma vez que o Brasil representa um quinto da produção mundial e mais de 30% das exportações do produto, enquanto a maior parte dos custos de produção estão denominados em real.

A partir de 2012, o preço do açúcar passou a ter uma relação muito mais próxima com o câmbio brasileiro, alcançando mais de 90% de correlação negativa em 2015. O principal motivo é que, em uma situação de excesso de oferta, o Brasil é visto como o único país que pode alterar a produção significativamente no curto prazo, uma vez que as usinas têm a possibilidade de direcionar suas capacidades produtivas para o etanol.

Apesar disso, o analista da INTL FCStone, João Botelho, explica que os sistemas de subsídios impedem a diminuição da oferta no curto prazo, mesmo com preços muito baixos. "A grande participação de produtores altamente subsidiados no mercado internacional, além da situação financeira crítica da maior parte do setor sucroenergético nacional, impede que as empresas brasileiras aproveitem o câmbio mais favorável para aumentar as exportações de açúcar", avalia.

Depois de avançar quase continuamente na década passada, quando as exportações passaram de 6,5 para 28 milhões de toneladas em 2010, as vendas externas do país se estagnaram nos últimos quatro anos, registrando apenas 24,1 milhões de toneladas em 2014.

Perspectivas

As perspectivas para os próximos meses e até anos continuam não sendo muito positivas. Apesar da diferença entre produção e consumo de açúcar vir se estreitando, os elevados estoques construídos nas últimas cinco temporadas devem continuar pressionando o mercado. Além disso, os principais concorrentes das usinas brasileiras na exportação da commodity não vêm mostrando sinais de que devem diminuir suas produções, mesmo com os preços baixos.

Com isso, o mais provável é que as cotações internacionais do produto continuem apresentando correlação forte com o dólar. "Disso podemos inferir que novas desvalorizações no real devem continuar diminuindo a participação do açúcar na balança comercial e, assim, a entrada de divisas no país", resume Botelho. (Brasil Agro 03/06/2015)

 

Moagem de cana da Guarani cresce 3% na safra 2014/15

A moagem de cana-de-açúcar pelas unidades produtoras da Guarani, controlada pela Tereos Internacional, cresceu 3% na safra 2014/15, encerrada em março. No total, o processamento atingiu 20,2 milhões de toneladas, com rendimento 13% menor em virtude da estiagem, de 82 toneladas por hectare.

Os dados consolidados da temporada foram comentados nesta quarta-feira, 03, por executivos da empresa, durante teleconferência. O nível de sacarose na cana da Tereos alcançou 142 kg de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), aumento de 6% na comparação com o ciclo 2013/14.

Quanto aos produtos, foram fabricadas 1,45 milhão de toneladas de açúcar (-4%) e 647 milhões de litros de etanol (+21%). O mix de produção na temporada pendeu para o álcool, com 63% da oferta de cana indo para a fabricação do biocombustível.

Ontem, a Tereos reportou prejuízo líquido de R$ 106,1 milhões no quarto trimestre do ano-safra 2014/2015, correspondente ao primeiro trimestre de 2015, aumento de 1.210% em relação ao prejuízo reportado um ano antes, de R$ 8,1 milhões.

As receitas líquidas no trimestre somaram R$ 2,1 bilhões, queda de 5% na comparação com o quarto trimestre de 2014.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 36,8 milhões, queda de 72% na comparação com o ano anterior. A margem Ebitda ajustado despencou 299,7%, ficando em 1,7%, ante 5,9% no mesmo período do ano-safra anterior.

As despesas financeiras líquidas diminuíram para R$ 15,4 milhões, ante os R$ 55,2 milhões registrados no quarto trimestre da safra 2013/14, “devido aos ganhos cambiais sobre remessas de recursos para o Brasil no âmbito do refinanciamento da Guarani”.

Alavancagem

O nível de alavancagem da Tereos Internacional aumentou de 3,7 vezes em 31 de março de 2014 para 5,5 vezes em igual data deste ano, segundo os executivos da empresa.

O período corresponde ao ano-safra 2014/15 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, onde a companhia tem as unidades produtoras da Guarani. Ainda segundo os executivos, houve redução nos investimentos (capex) durante o ciclo. Desde o pico registrado em 2012/13, a diminuição na abertura de novos investimentos é superior a R$ 400 milhões. O objetivo agora é que os investimentos fiquem perto dos níveis de manutenção.

Aporte da Petrobras

Na safra 2014/15 a Petrobras Biocombustível concluiu um aporte de R$ 240,2 milhões na Guarani, através do qual, a participação da Tereos Internacional na Guarani passou a ser de 57,1%.  Além disso, em dezembro de 2014, a Guarani contratou um financiamento de US$ 330 milhões com uma taxa de 2,30% + LIBOR com prazo de cinco anos e carência de dois. “Este refinanciamento permitiu à Tereos Internacional alongar substancialmente o prazo médio de sua dívida”, informou. (Agência Estado 03/06/2015)

 

Exportador não entrega açúcar e leva multa milionária

SJT homologa sentença da justiça britânica que condena empresa e executivo.

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) homologou sentença estrangeira que condenou uma empresa brasileira de comércio internacional e um executivo do ramo ao pagamento de 6 milhões de dólares e 1,6 mil libras, cada um, a título de indenização por contrato de venda de açúcar firmado em 2008 com uma companhia britânica, o qual não foi cumprido. O relator foi o ministro Og Fernandes.

A homologação de sentença é o procedimento de competência do STJ que dá condição para a execução interna de decisões judiciais proferidas em outros países. Nesse procedimento, o tribunal analisa a regularidade do processo, como o respeito ao contraditório, à ampla defesa e aos direitos fundamentais, mas não entra no mérito da demanda.

O ministro Og Fernandes verificou que a empresa brasileira foi regularmente citada por carta rogatória no Brasil para apresentar defesa no processo que tramita no exterior. Por isso, entendeu que sua alegação de ofensa à ampla defesa não procede, ainda que a condenação tenha sido à revelia. A empresa alegou que não teria “recursos para responder à ação no país estrangeiro”, mas o relator observou no processo que nem sequer houve pedido de justiça gratuita perante o STJ ou o juízo federal em Recife (que deram cumprimento à carta rogatória).

De acordo com Og Fernandes, há jurisprudência no STJ segundo a qual, se a revelia foi legalmente decretada na origem, não há violação à ordem pública brasileira. Sobre outros pontos levantados pela defesa em sua contestação, o ministro concluiu que envolvem questões de mérito, motivo pelo qual não podem ser analisados em mera homologação. (Globo Rural 03/06/2015)

 

Anúncio mostra 'upgrade' do setor dentro do governo

Para Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e coordenador do GV Agro, apesar das taxas mais altas, Plano Safra é positivo e indica prestígio de Kátia Abreu no governo.

O aumento de 20% no volume de crédito do novo Plano Safra em tempos de ajuste fiscal mostra a importância do setor agropecuário e o "prestígio da ministra Kátia Abreu dentro do governo", disse o coordenador do GV Agro, Roberto Rodrigues.

O Sr. considerou positivas as medidas do Plano Safra 2015/16?

Sem dúvidas, foi melhor do que eu esperava. Estamos vivendo um momento complicado no Brasil, de ajuste fiscal, com todos os segmentos sendo apertados em suas demandas. Há uma redução permanente de recursos de crédito e aumento da taxa de juros. No entanto, para o agronegócio, o anúncio feito pela presidente Dilma Rousseff é de aumento. Isso mostra um 'upgrade' do agronegócio dentro do governo e principalmente o prestígio da ministra Kátia Abreu dentro do governo - nesse momento complicado, ela conseguiu aumentar o volume de recursos. É bem verdade que os juros aumentaram suficientemente também, mas o salto do volume de recursos é importante. O Plano Safra pode significar melhoria da imagem do governo junto ao agricultor. Mas, tudo vai depender do que vai acontecer daqui para a frente; uma coisa é o anúncio, outra é a liberação em tempo hábil.

Os juros a até 8,75% ao ano são satisfatórios, tendo em vista a taxa atual Selic e a inflação?

É muito positivo. Agora, é preciso lembrar que uma boa parte dos recursos também virá do crédito convencional, a taxas livres, e aí pode ser que a média fique acima disso - mas seguramente abaixo da Selic, a quase 14%. Os juros sobem 40%, 50% em relação ao ano passado, o que é um peso; mas, de maneira geral, o plano é positivo. A coisa menos positiva é a questão do seguro rural, que teve um volume de recursos orçados menor do que no ano passado.

O governo também reduziu de R$ 44 bilhões para R$ 33 bilhões o volume de investimentos. Isso pode afetar quais áreas?

Neste ano, as compras de máquinas agrícolas não chegaram a 70% das do ano passado. Os produtores estão preocupados: os custos de produção subiram e os preços agrícolas estão caindo. É um cenário de margens mais estreitas - e eventualmente até negativas em algumas regiões do País, por causa de logística e infraestrutura. Os produrores estão investindo menos, precisam colocar as barbas de molho e não dar passos maiores que a pernas. Não acredito, porém, que a redução do volume de investimentos seja uma coisa muito séria. Certos segmentos, como por exemplo o setor sucroenergético, demandam mais atenção do que as commodities principais, e aí sim precisaria haver alguma coisa mais específica na área de investimentos. (O Estado de São Paulo 03/06/2015)

 

Mais dinheiro para o campo Agronegócios

Com R$ 187,7 bilhões de financiamento, 20% mais que no ano anterior, o setor rural deverá manter um bom desempenho na safra 2015/2016, se nenhuma surpresa muito negativa ocorrer nos próximos meses. O plano para a próxima temporada, lançado em Brasília na terça-feira, proporciona alguma segurança à agropecuária numa fase especialmente difícil da economia nacional, com aperto nas contas públicas e juros altos para o combate à inflação. Os juros serão mais altos que os do plano anterior, mas continuarão, na maior parte, abaixo dos níveis de mercado. O dinheiro, tanto quanto se pode julgar neste momento, deverá ser suficiente para a demanda dos produtores. Poderá haver algum descontentamento, mas a agropecuária sem dúvida recebe uma atenção especial da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como ressaltou a ministra da Agricultura, Katia Abreu.

Garantir uma boa produção no campo é agora especialmente importante, por causa das dificuldades da indústria, da inflação muito alta e porque é necessário reforçar as contas externas. Com superávit comercial de US$ 20,52 até abril, o agronegócio confirmou mais uma vez sua condição de setor mais eficiente e mais competitivo da economia brasileira.

Sem esse resultado, o saldo geral do comércio exterior teria sido muito pior que o déficit de US$ 5,07 bilhões acumulado em quatro meses, segundo as contas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Pelo novo critério há pouco adotado pelo Banco Central (BC), os números gerais são um pouco diferentes, mas também muito ruins.

Cerca de metade do crédito (R$ 94,5 bilhões) será destinada ao custeio com juros controlados. As taxas desses empréstimos deverão variar de acordo com o porte e o tipo de atividade e o custo máximo será de 8,75% ao ano. Será essa, também, a taxa limite para os empréstimos destinados a investimento, no caso dos juros controlados.

Programas prioritários de investimento – apoio ao médio produtor, compras de máquinas e equipamentos, armazenamento, irrigação, inovação e agricultura de baixo carbono – deverão ter tratamento diferenciado. O volume para empréstimos a taxas livres passará de R$ 23 bilhões para R$ 54 bilhões, com acréscimo nominal de 130%. O aumento será possibilitado pela aplicação de recursos captados com as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).

Essa destinação foi decidida pelo Conselho Monetário Nacional, formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central. As taxas, embora livres, deverão ficar entre 12% e 13%, segundo estimativa citada pelo secretário de Política Agrícola do Ministério, André Nassar.

Ao apresentar o plano, a ministra Katia Abreu mencionou a intenção de reforçar e aperfeiçoar o seguro rural, com recursos previstos de R$ 668 milhões. A ministra citou também a necessidade de investir em logística – transporte e armazenamento – para tornar mais eficientes e mais baratos o manejo e o escoamento da produção. As deficiências em logística, disse a ministra, têm sido enfrentadas de forma decisiva.

Há, obviamente, um excesso de entusiasmo nessa declaração. Tem-se investido muito menos que o necessário, nessa área, e isso se deve principalmente às falhas do governo em sua política de concessões. Novas ofertas devem ser anunciadas nos próximos dias. Se os critérios forem mais sensatos e menos ideológicos, deverá ser mais fácil atrair o interesse do setor privado. Mas esse interesse dependerá, também, da confiança na política de ajuste e nas perspectivas da economia.

Segundo estudo recente da Confederação Nacional dos Transportes, será necessário investir R$ 195,2 bilhões em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e terminais para melhorar o escoamento das principais safras de grãos – milho e soja.

A melhora do pavimento das estradas poderia proporcionar uma economia anual de R$ 3,8 bilhões. Mas um plano completo deveria envolver um remanejamento de todo o sistema, porque o Brasil, ao contrário de outros grandes produtores, depende excessivamente do transporte rodoviário. (O Estado de São Paulo 04/06/2015)

 

Chance de acordo sobre clima entre Brasil e EUA

Visita da presidenta Dilma a Washington no dia 30 poderá ser marcada por compromisso.

Obama disse em abril, na Cúpula das Américas, que esperava "avanços bastante concretos" durante a visita de Dilma ao seu país.

Dilma também poderá discutir tecnologias avançadas para os biocombustíveis.

Os EUA, maior produtor de etanol do mundo, e o Brasil, maior fornecedor de etanol feito a partir da cana-de-açúcar, decidiram em2007 cooperar em pesquisa e desenvolvimento nesse campo.

"As conversas entre os dois países são um sinal político muito importante", disse André Nahur, coordenador do clima no Brasil para o grupo ambiental WWF.

Organizações brasileiras e americanas preparam um documento conjunto com sugestões a serem entregues a ambos os governos durante a visita de Dilma, segundo Nahur. (Brasil Econômico 05/06/2015)

 

Petrobras: Dois pesos? - Por Sonia Racy

Empreiteiras brasileiras acreditam que há algo de podre – e não só no reino da Dinamarca. A dinamarquesa Maersk e mais outras 21 empresas internacionais com sedes na Itália, Holanda, EUA, Grécia e Cingapura foram citadas nas delações premiadas da Lava Jato como envolvidas no esquema de corrupção da Petrobrás.

Entretanto, elas não foram alvo de bloqueio cautelar da estatal – medida que impediria temporariamente assinatura de novos contratos com ela. Para as companhias nacionais, o bloqueio está valendo.

As empresas citadas no processo são, além da Maersk, Jurong, Kawasaki, Keppel Fels, Mitsubishi, Rolls-Royce, Samsung, SBM, Sembcorp Marine, Skanska, Techint, Toyo, Mitsui, Toshiba, Sargent Marine, Astra Oil, GB Marine, Trafigura, Glencore, Ocean Rig, Pirelli e Sevan.

Procurada, a Petrobrás diz que adotou o bloqueio cautelar nos casos em que havia provas concretas. E que duas empresas, Techint e Skanska, foram e continuam bloqueadas.
A estatal também afirma que a Toyo Setal foi bloqueada, mas por conta de ofício do MPF, informando sobre acordo de leniência, desbloqueou a empresa. Esclarece ainda que a SBM também não está sendo convidada a participar de futuras licitações até que terminem as investigações. (O Estado de São Paulo 03/06/2015

 

BC mantém ritmo e eleva Selic a 13,75%, mesmo patamar de dezembro de 2008

O Banco Central manteve o ritmo de aperto monetário e elevou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual nesta quarta-feira, para 13,75 por cento ao ano, levando a Selic ao mesmo patamar de dezembro de 2008, em meio a um cenário de inflação persistentemente alta e queda na atividade econômica.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) foi unânime e em linha com a expectativa de economistas ouvidos em pesquisa Reuters e do mercado de juros futuros.

O BC repetiu o comunicado da reunião anterior, ao dizer que decisão foi tomada "avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação".

Para economistas, ao repetir o comunicado, o BC deixou a porta aberta para uma nova elevação dos juros.

"Isso significa que o ciclo continua e a minha expectativa é de (uma alta de) 25 (pontos básicos) na reunião de julho. Óbvio que vai depender do que acontecer com a expectativa de inflação em 12 meses até chegar lá. Se melhorar, deve haver outra (alta) de 25 e encerra o ciclo", disse o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima.

A equipe de economistas do Credit Suiss aposta que os juros subirão ainda mais, para 14,25 por cento, em julho.

Mesmo reconhecendo que o Copom, ao repetir o comunicado, pode ter sinalizado que os juros continuarão subindo, alguns economistas, contudo, acreditam que a economia fraca levará o BC a encerrar o ciclo de aperto.

"Acreditamos que a atividade em queda deve convencer o Copom a interromper o ciclo depois da alta de hoje", disse o economista-chefe do Itaú, Ilan Goldfajn. "Entendemos que o Copom concluirá que a Selic no patamar atual, de 13,75 por cento, já é suficiente para promover uma desinflação importante em 2016."

O mercado já vinha se preparando para um ajuste dessa magnitude, a quinta alta seguida de 0,5 ponto percentual, após autoridades do BC repetirem em diversas ocasiões que os avanços no combate à inflação ainda se mostravam insuficientes, e que o objetivo da política monetária é levar a inflação para a meta de 4,5 por cento no fim do próximo ano.

O BC iniciou o ciclo de aperto monetário em outubro, logo após as eleições presidenciais, elevando inicialmente a Selic em 0,25 ponto percentual, a 11,25 por cento ao ano.

Em todas as reuniões do Copom subsequentes o aumento foi de 0,50 ponto percentual, mas a inflação segue ao redor de 8 por cento em 12 meses, apesar do esfriamento da economia.

"A minha interpretação é que o BC já poderia ter parado de subir juros. Ele está querendo resgatar a credibilidade com o mercado... Para mim, se o BC não houvesse sinalizado uma alta de 0,50 p.p. e parasse de subir juros hoje, não seria visto como leniente pelo mercado", disse o diretor de gestão de recursos da Ativa Corretora, Arnaldo Curvello.

Após ver sua credibilidade ser colocada em xeque quando decidiu reduzir os juros em 2011 e 2012 a níveis recordes, mesmo diante de pressões inflacionárias, o BC vem reforçando seu comprometimento com a ancoragem das expectativas no centro da meta.
"É a decisão certa e mais um passo para reconstruir a credibilidade da política e reforçar o quadro de inflação como âncora da economia", disse o economista sênior do Goldman Sachs, Alberto Ramos, após o anúncio do Copom.

"No entanto, a tarefa de Banco Central ainda não acabou. Estamos chegando relativamente perto do final do ciclo, mas a taxa de câmbio e a atividade irão determinar se precisamos de uma ou duas mais altas neste processo", disse o economista.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, tem repetido que o BC vai permanecer vigilante para assegurar que a inflação caminhe para a meta de 4,5 por cento ao fim de 2016.

Por ora, economistas de instituições financeiras seguem enxergando a inflação em 5,5 por cento no fim de 2016, um ponto percentual acima do objetivo do BC, deixando margem para o aperto monetário seguir em frente apesar de alguns especialistas já alertarem que um ajuste tão duro pode trazer danos desnecessários à atividade.

A alta dos juros, que encarece o custo dos empréstimos no país, ocorre em um momento de enfraquecimento da atividade econômica. No primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) teve retração de 0,2 por cento sobre os três meses anteriores, com o consumo das famílias recuando 1,5 por cento na mesma base, o maior declínio desde o último trimestre de 2008, período de crise global. (Reuters 04/06/2015)