Setor sucroenergético

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Etanol: recuperação à vista?

A retomada dos reajustes da gasolina, o aumento da adição de etanol e a volta da Cide melhoram as expectativas.

Desde 2010, quando começou a política de controle de preço da gasolina, o mercado de etanol não mostrava tanto fôlego. O consumo desse combustível cresceu 51% no País em março, sobre o mesmo mês de 2014, em consequência das recentes medidas de reajuste da gasolina e de aumento do porcentual de adição de álcool àquela. O reforço nas vendas puxou a produção e o combustível ganhou espaço na escolha de processamento nas usinas em detrimento do açúcar. Com 28 bilhões de litros produzidos na safra 2014-2015, o álcool atingiu o maior consumo da história, com preço de 10 a 15 centavos de real por litro acima do registrado no ano passado, segundo estimativa da consultoria Datagro.

A participação do etanol hidratado no consumo dos veículos leves chegou a 23% em março, diante de 16% no mesmo mês de 2014, com uma recuperação importante, ainda que longe dos 45,4% registrados em 2009. Nos estados com taxação de combustíveis diferenciada, o avanço foi ainda maior. Em São Paulo, o espaço ocupado pelo álcool aumentou de 30%, em março de 2014, para 41,7%, no mesmo mês deste ano.

O crescimento mais significativo ocorreu em Minas Gerais, de 8,5% para 16,6%, resultado da entrada em vigor da lei que reduziu de 19% para 14% o ICMS do etanol e elevou de 27% para 29% o imposto sobre a gasolina. A expectativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar é de o álcool conquistar a curto prazo 20% do mercado de carros leves em Minas.

O desempenho pode reduzir as perdas dos agricultores, que enfrentam um endividamento médio equivalente a 103% das suas vendas, ou cerca de 70 bilhões de reais. É insuficiente para incentivar, porém, um novo ciclo de investimentos, segundo a Unica e especialistas do setor. “A retomada dos investimentos está diretamente ligada a uma percepção de risco de longo prazo e à confiança de que não haverá mais controle dos preços da gasolina”, diz Plínio Nastari, presidente da Datagro. Os agentes ainda não estão convencidos de que a mudança de rumo da política do governo federal veio para ficar.

Uma das medidas mais importantes para as vendas de etanol foi o aumento, em janeiro, de impostos incidentes sobre a gasolina, com o restabelecimento parcial da Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), zerada em 2012, e o ajuste do PIS-Confins, que juntos elevaram em 22 centavos de real o preço do litro do álcool. Outro impulso veio com a alteração, por duas vezes neste ano, do preço de referência dos combustíveis, pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).

Em consequência, a gasolina subiu 8,42% em fevereiro e foi o item que mais pressionou a inflação do mês, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar dos reajustes realizados, a Datagro calcula restar uma defasagem de 11% em relação à cotação internacional. Nos últimos anos, o preço da gasolina vendida no Brasil ficou em média 16% inferior ao do mercado mundial. A ampliação, em março, da proporção do etanol anidro na gasolina C, de 25% para 27% deve gerar uma demanda adicional de 1,1 bilhão de litros do produto na safra 2015-2016.

As medidas foramparte do ajuste fiscal do governo. “Precisamos sentir confiança para investir. No caso de a inflação subir acima do esperado, por exemplo, o governo voltaria a zerar a Cide?”, pergunta Elizabeth Farina, presidente da Unica. Foi para segurar a inflação que Brasília adiou além do recomendável o reajuste da gasolina, balizador do consumo do álcool. A executiva enxerga, porém, sinais de uma redução mais duradoura da interferência política na determinação dos preços de combustíveis.

O aumento do consumo do etanol poderá contribuir para a redução das importações de gasolina. No primeiro trimestre, foi importado 1,02 bilhão de litros, 63,1% acima do registrado no mesmo período de 2014. A Datagro estima a necessidade de o País importar entre 22 bilhões e 26 bilhões de litros de gasolina em 2023, se os padrões atuais para o setor forem mantidos. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o governo está atento à necessidade de atender ao crescimento da demanda de combustíveis nos próximos anos e a promoção de um ambiente favorável à expansão do etanol é uma opção em sintonia com os objetivos da política energética nacional.

O aumento do consumo de etanol repercute positivamente no agronegócio. A receita por tonelada de cana cresceu 7,2%, na safra 2014-2015, em relação à anterior e chegou a 107,9 reais. O valor é, porém, inferior aos 116,1 reais de 2011-2012, uma referência do setor. “Ainda é um desafio fechar as contas no azul”, diz a presidente da Unica. Segundo a entidade, na safra 2013-2014 as unidades produtoras comprometeram 15% do seu faturamento com pagamento de juros. “A não recuperação da receita, somada à crescente despesa financeira, caracteriza uma situação preocupante”, diz Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica.

Apesar da melhora da situação do etanol, a entidade prevê o encerramento das atividades de dez usinas em São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás neste ano. A cana será processada em outras unidades. Por outro lado, três usinas deverão retomar as suas operações na próxima safra, entre elas uma unidade da Dow Química em Minas Gerais. Desde 2008, cerca de 80 usinas foram fechadas no País, com uma perda de capacidade de moagem de 12,5 milhões de toneladas de cana. O Brasil tem 380 usinas e uma safra estimada em 590 milhões de toneladas de cana em 2015/2016 na Região Centro-Sul, onde estão 90% da produção nacional. Há 67 usinas em recuperação judicial, das quais 23 ainda operam.

Segundo o deputado federal Sergio Souza (PMDB-PR), presidente da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético, as usinas que não diversificaram as atividades enfrentam mais dificuldades para se manter. Há 170 unidades produtoras de energia de biomassa e a capacidade instalada, de 9.339 MW, poderia atingir 22 mil MW até 2021, quase o equivalente a duas usinas Itaipu. O setor aproveita o momento de preços elevados da energia. “É uma oportunidade importante, pois o governo busca saídas para a crise energética e a biomassa aparece como uma solução. É possível transformar a produção sazonal em perene, com a plantação de florestas”, diz Souza. A frente reivindica o lançamento de leilões e a criação de linhas de financiamento específicos para a biomassa, o estabelecimento de um marco regulatório para os biocombustíveis e a taxação do etanol importado.

O investimento para a implantação de um parque gerador oscila entre 200 milhões e 300 milhões de reais. Um valor considerável diante da situação de aperto das usinas, em dificuldades para arcar com os custos da manutenção básica. Só para renovar uma lavoura, são necessários 10 bilhões de reais por ano em todas as unidades produtoras do País. Sem recursos, os canaviais das usinas envelheceram e perderam a produtividade. A linha de financiamento do BNDES para esse fim, a ProRenova, criada em 2012, concedeu 4,8 bilhões de empréstimos nos últimos três anos, mas a sua reedição em 2015 é incerta.

Para o banco, o setor precisa passar por uma mudança estrutural, com uma aposta no ganho de produtividade via investimentos no desenvolvimento do etanol de segunda geração, obtido a partir do bagaço da cana e de plantas transgênicas. Nos últimos dois anos, o BNDES aplicou 1 bilhão de reais em projetos de etanol celulósico com três grandes usinas e o Centro de Tecnologia Canavieira. Para Farina, da Unica, são melhorias incrementais importantes, mas não diminuem a urgência de recuperação do caixa dos produtores. “Ninguém fará investimentos sem equacionar primeiro as suas dívidas.”. (Carta Capital 05/06/2015)

 

Infinity prepara outro plano a credores

A Infinity Bioenergia, que tem seis usinas sucroalcooleiras e está em recuperação judicial desde 2009, vai apresentar um novo plano de pagamento a seus credores. Pelo cronograma aprovado em assembléia e homologado pela Justiça, a empresa deveria ter começado a quitar seus débitos no início deste ano, após um período de cinco anos de carência.

Mas, conforme a Infinity, a crise na qual mergulhou o segmento no último quinquênio dificultou o cumprimento de seus compromissos. Fundada pelo empresário Sérgio Thompson Flores e hoje controlada pelo Grupo Bertin, a Infinity tem dívidas superiores a R$ 1,5 bilhão. Na base do novo plano da empresa, que ainda será submetido à Justiça e aos credores ­, está uma proposta de arrendamento por 12 anos das seis usinas.

O contrato foi assinado em abril e está sendo feita uma avaliação sobre os investimentos necessários para a recuperação das unidades, segundo Angelo Guerra, sócio da Exame Auditores Independentes, que está sendo contratada pelos controladores da Infinity para estruturar o novo plano de pagamento.

Um contrato de arrendamento já foi até assinado com o empresário Alexandre Titoto, que é de uma família tradicional canavieira do Estado de São Paulo e que atualmente é réu em um processo de homicídio ocorrido em 2003.

O acordo firmado vence em abril de 2027 e pode ser prorrogado por doze anos. Prevê o pagamento anual de um determinado valor de arrendamento para cada uma das seis usinas da Infinity.

Se todas voltarem a operar, o montante pode chegar a R$ 12 milhões. Para a Usinavi, principal ativo da Infinity, situada em Naviraí (MS), o valor a ser pago caso a unidade seja colocada em operação é de R$ 3,6 milhões por ano.

O arrendatário pagará, ainda, uma quantia correspondente a 10% do lucro líquido anual ao fim de cada exercício social.

Mas o pagamento será realizado apenas se as unidades estiverem em operação. Na safra passada (2014/15), apenas três das seis usinas da Infinity processaram cana. A Usinavi moeu 1,7 milhão de toneladas, a Ibiralco, localizada em Ibirapuã (BA), processou 700 milhões e a Disa, em Conceição da Barra (ES), outras 700 milhões. (Valor Econômico 08/06/2015)

 

El Niño pode reduzir moagem total de cana do centro-sul em 2015/16

As usinas de cana-de-açúcar do centro-sul do Brasil possivelmente não conseguirão moer o volume projetado de 590 milhões de toneladas da safra 2015/16, caso o fenômeno climático El Niño se desenvolva na intensidade que está se prevendo, disseram fontes da indústria e meteorologistas.

Há uma forte probabilidade neste ano de que o El Niño ocorra de forma mais intensa, o que normalmente significa um volume maior de chuvas no Sul do país e menos precipitação no Norte.

"Um forte El Niño é provável, pelo menos até o fim de 2015", disse Corey Cherr, líder da área de Agricultura e Pesquisa Climática da Thomson Reuters Lanworth.

Para a safra de cana, mais chuva significa dificuldade de colheita, já que as máquinas não conseguem entrar nos campos, e problemas com a quantidade de açúcar nas plantas.

"AS NOSSAS SIMULAÇÕES VEM MOSTRANDO QUE NOS PRÓXIMOS MESES AS CHUVAS DEVEM FICAR ACIMA DA MÉDIA"

A região centro-sul, que concentra cerca de 90 por cento da produção de cana do Brasil, já registrou um mês de maio mais úmido. As chuvas ficaram de 30 a 40 por cento acima da média em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, segundo a Somar Meteorologia.

"As nossas simulações vem mostrando que nos próximos meses as chuvas devem ficar acima da média", disse o meteorologista Tiago Robles, da Somar.

Segundo dados da Unica, o desempenho do setor na primeira quinzena de maio já foi prejudicado. A moagem no período ficou 26,5 por cento abaixo da registrada um ano antes, com a produção de açúcar caindo cerca de 36 por cento e a de etanol, 22 por cento.

"Esse é um tema bastante relevante no momento", disse Julio Maria Borges, diretor da consultoria especializada Job Economia.

Ainda que as chuvas possam melhorar a condição de parte da safra que ainda está se desenvolvendo, potencialmente elevando os volumes para a parte final do ano, as usinas talvez não consigam processar esses volumes, que ficariam nos campos para a próxima safra.

"Quando começa a ter mais chuva, o tempo disponível para moagem diminui. Então as usinas operam por menos tempo e vão processar menos cana", disse Celso Torquato Junqueira Franco, presidente da UDOP (União dos Produtores de Bioenergia), entidade que reúne usinas no Oeste Paulista.

Segundo ele, se a situação vista em maio ocorrer em outros meses, as usinas terão que estender o período de moagem para além de novembro, quando normalmente elas estariam parando.

O setor tem uma capacidade nominal de 650 milhões de toneladas, observou Borges.

Mas muitas empresas reduziram suas programações, algumas até mesmo paralisando unidades, devido à baixa lucratividade nos últimos anos.

Franco, que também é diretor executivo da usina Pioneiros, do grupo Santa Adélia, disse que o impacto do El Niño poderia ser mais sério se a safra tivesse um perfil mais açucareiro, já que a umidade reduz o conteúdo de açúcar da cana.

Mas esse não é o caso, com as usinas direcionando mais cana para a produção de etanol também neste ano, visando atender a maior demanda local.

Segundo ele, o único lado positivo na situação é um eventual efeito sobre os preços do açúcar, que poderiam subir com uma menor produção no Brasil.

Os preços do açúcar estão atualmente perto dos menores níveis em seis anos na Bolsa de Nova York, devido a um excedente global do produto.

"O El Niño é a única coisa no momento que pode reverter um cenário de preços depressivos", disse Borges. (Reuters 05/06/2015)

 

Monsanto planeja aumento de oferta pela Syngenta

A norte-americana Monsanto e seus assessores trabalham a todo vapor para resolver todos os receios da Syngenta sobre possíveis problemas regulatórios para um acordo cujos riscos podem facilmente superar os benefícios.

Bancos de investimento e analistas esperam que a Monsanto eleve sua oferta em cerca de 10 por cento, para cerca de 500 francos suíços por ação, enquanto outros dizem que a Monsanto não pode se dar o luxo de ter uma nova proposta recusada e estaria disposta a fazer uma oferta de 550 francos para adquirir a empresa suíça.

Por outro lado, as chances de que órgãos antitruste possam bloquear a fusão continuam altas, uma vez que a empresa combinada iria controlar mais de 40 por cento do mercado norte-americano de sementes.

"O acordo pode não acontecer", disse uma fonte próxima à Syngenta que pediu para não ser identificada.

A fonte disse que há um crescente ceticismo entre os diretores da Syngenta de que as barreiras antitruste possam ser superadas.

A Monsanto disse em 20 de maio que tornaria o acordo "muito limpo" e "realmente fácil de ser feito", nas palavras do seu diretor de operações Brett Begemann, citando a venda da unidade de sementes da Syngenta e certos ativos de agroquímicos. (Reuters 05/06/2015)

 

China aposta em irrigação para elevar produção de açúcar

País pretende utilizar a irrigação para levar tecnologia ao setor e diminuir dependência externa da commodity.

O segundo maior importador de açúcar do mundo está interessado em aumentar a produção interna da commodity. Preocupada com a demanda doméstica crescente e a baixa tecnologia da atividade canavieira no país, a China vê na irrigação uma possibilidade de conciliar desenvolvimento e produtividade.

Guangxi, região chinesa com expressiva tradição canavieira, possui apenas 6% de seus canaviais com algum manejo de irrigação.

Segundo relatório elaborado pela National Development and Reform Commission (NDRC), a região precisa elevar este número para 36%, o que possibilitaria a produção de até 75 toneladas por hectare.

O atual cenário da setor é desanimador para fornecedores, que preferem realizar a transição para outras culturas a enfrentar as dificuldades produtivas da cana-de-açúcar.

Segundo estimativas, a demanda doméstica chinesa pelo açúcar deve alcançar 18 milhões de toneladas em 2020, com possível deficit produtivo de 3 milhões de toneladas.

Por esta razão a NDRC adotou como meta implantar a irrigação em 39% dos canaviais das regiões de Guangxi e Yunnan, atualmente estas regiões somam apenas 9%. (Jornal Cana 05/06/2015)

 

Atividade agrícola molda biodiversidade segundo projeto

Tese de doutorado da USP analisou paisagem agrícola no Estado de São Paulo desde 1850.

A atividade agrícola, ao longo do tempo, tem sido fundamental para determinar a estrutura da paisagem e, por consequência, moldar a biodiversidade. Essa foi a conclusão central de um projeto temático de pesquisa que, entre 2008 e 2013, analisou o processo histórico de mudança da paisagem agrícola no Estado de São Paulo a partir de 1850.

O coordenador do projeto, Luciano Verdade, da Universidade de São Paulo (USP), destaca a tese de doutorado de Maria Aparecida Lisboa, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que analisa na região de Angatuba processo que ocorreu de forma generalizada em áreas do interior paulista. 

Ela conta que a paisagem foi profundamente mudada a partir de 1870, quando a floresta foi fragmentada para dar lugar a plantações de café e algodão. “Com a crise de 1929, as áreas de cultivo foram abandonadas e ocorreu processo de ‘revegetação’. Ao ver um fragmento de Mata Atlântica, achamos que ele esteve sempre ali, mas as transformações foram muitas.”

Só a partir de 1970, com impulso para fomentar a agropecuária, a mata começou a ser substituída por pastos. “Já no início do século 21, a produção de papel e celulose, mais competitiva do que a pecuária, impulsionou nova conversão dos pastos em florestas de eucalipto”, disse Verdade. Enquanto isso, os vários ciclos da cana-de-açúcar permeavam o processo.

Com as transformações, muitas espécies não conseguiram manter seu hábitat. Mas, para outras, surgiu a oportunidade de colonizar novos territórios. “Naquela região, temos mais áreas de conservação agora do que em 1870. Ainda temos ali 60% das espécies de aves originais e seis de grandes felinos. Só a onça-pintada desapareceu.”

Segundo o pesquisador, algumas espécies não ficaram limitadas à mata nativa e mostraram capacidade de utilizar a paisagem de forma mais abrangente. “Quando passamos a observar o que ocorre com as espécies em uma escala temporal ampla, considerando a paisagem em sua totalidade, compreendemos que é preciso usar as plantações de forma multifuncional, com manejo capaz de conciliar produção e conservação”. (O Estado de São Paulo 05/06/2015)

 

Cresce busca por cestas básicas após demissões em massa em Sertãozinho

Prefeitura diz que 1,6 mil kits estão sendo distribuídos por mês: alta de 20%.

Segundo Caged, 569 postos de trabalho foram fechados até abril na cidade.

A crise do setor sucroenergético e a consequente alta nas demissões em Sertãozinho (SP) – no ano passado, 2 mil postos de trabalho foram fechados e, esse ano, 569 trabalhadores já foram dispensados – levaram ao aumento na procura por benefícios assistenciais na cidade, que tem pouco mais de 118 mil habitantes.

Segundo dados da Prefeitura, o número de cestas básicas distribuídas aumentou 20% nos primeiros meses do ano. Ao todo, 1,6 mil kits com alimentos não perecíveis estão sendo entregues por mês, sendo a maioria para famílias de metalúrgicos recém-demitidos.

É o caso do caldeireiro Valdenir Rodrigues, que foi dispensado da usina em que trabalhava há 10 anos, junto com outros 100 funcionários, em setembro do ano passado. Sem conseguir se recolocar no mercado de trabalho e sem o seguro desemprego, ele recorreu à cesta básica distribuída pela Prefeitura.

Rodrigues diz que já distribuiu currículos em diversas empresas da cidade, mas não obteve resposta de nenhuma delas. O salário que a mulher recebe está sendo insuficiente para cobrir as despesas do casal e dos dois filhos, de 5 e 13 anos. A situação ficou pior depois que o caldeireiro sofreu um acidente.

“Já deixei as contas acumular para poder comer. Não sei mais o que fazer. O plano B é conseguir um emprego, mesmo que não seja na minha área. Vou encarar qualquer coisa porque preciso levar comida para casa”, afirma.

Ajuda temporária

A secretária de Desenvolvimento Social e Cidadania, Janaina Mói Crosara, explica que a cesta básica é um benefício estabelecido por lei, mas temporário. Por isso, após o aumento da procura, a pasta está fazendo a reavaliação constante das famílias, para priorizar aquelas que realmente necessitam do serviço.

“Nós estamos percebendo que muitas pessoas que antes conseguiam sustentar suas famílias, nesse momento perderam os empregos. Então, aqueles que nunca tinham utilizado esses benefícios eventuais, como a cesta básica, têm nos procurado com mais frequência”, diz.

Ainda de acordo com Janaína, o apoio da população, de igrejas, ONGs e outras entidades filantrópicas tem sido fundamental para auxiliar o trabalho da Prefeitura, que também enfrenta dificuldade devido à queda na arrecadação.

“Empresas, academias organizam eventos como corridas, apresentações culturais e solicitam alimentos como entrada, que são remetidos ao Fundo Social de Solidariedade. Então, com essas campanhas, nós estamos conseguindo atender a essa demanda”, afirma. (G1 06/06/2015)

 

Açúcar exportação: O mesmo volume de cinco anos atrás

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana com uma tímida alta em relação à semana anterior de apenas 7 pontos (ou US$ 1.50 por tonelada). O vencimento julho/2015 fechou cotado a 12.05 centavos de dólar por libra-peso, correspondendo a R$ 877 por tonelada FOB. Os demais meses de negociação na bolsa de NY apresentaram variações positivas ao redor de 15 pontos, uma apreciação de pouco mais de 3 dólares por tonelada. O spread outubro/2015 março/2016 negocia a 133 pontos de desconto implicando num custo de carregamento de 27.69%. Esse é o momento das usinas mais capitalizadas que não tenham ainda vendido seu açúcar na exportação rolar a posição para o vencimento março, pois estarão agregando pelo menos mais 12 dólares por tonelada no preço final de fixação.

O Centro-Sul está moendo 6.27% menos cana nesta safra comparando o acumulado até o final da primeira quinzena de maio: foram 74.3 milhões de toneladas de cana contra 79.3 milhões de toneladas na safra anterior. O volume de açúcar produzido no mesmo período também foi inferior em 17%, ou seja, 2.8 milhões de toneladas contra 3.4 milhões na safra passada. Etanol total também caiu: 1.7%. Sabe o que isso quer dizer? Nada. Absolutamente nada. Pelo menos por enquanto.

A curva de correlação mostra que as duas variáveis: a) produção quinzenal acumulada e b) o número final de safra, se descolam completamente entre a segunda quinzena de maio e a segunda quinzena de agosto, por várias razões: clima e problemas logísticos, entre as principais. Ou seja, o número de moagem a ser publicado em determinada semana no período acima citado tem quase nula importância no total efetivo da safra. Não dá, portanto, para estimar um número final de moagem apenas olhando o acumulado quinzenal, principalmente daqui até agosto já que a correlação dessas duas variáveis é pequena oscilando entre 0.35 e 0.49. Se o mercado quiser especular usando o acumulado como referência é um tiro no pé. Somente a partir de outubro é que o acumulado começa a desenhar o tamanho da safra, mesmo que ainda faltem aproximadamente 20% para ser moído (essa tem sido a média das últimas dez safras no Centro-Sul). Parece óbvia essa afirmativa, mas os fundos, em especial no marasmo em que o mercado se encontra, podem influir momentaneamente na trajetória de preços respaldados num argumento falacioso como esse e levar o mercado e os desavisados de plantão para o mesmo buraco.

A segunda estimativa da safra de cana do Centro-Sul para 2015/2016, apurada pela Archer Consulting é de 581 milhões de toneladas, assumindo uma produção de 32.6 milhões de toneladas de açúcar e 26.6 bilhões de litros de etanol. A presente estimativa é 1.33% maior do que a primeira (publicada em fevereiro) que contemplava efeitos climáticos mais severos que acabaram não se materializando e/ou foram compensados por outros fatores.

Nossa estimativa adicionou uma produção de 423 mil toneladas de açúcar em relação à estimativa de fevereiro e 345 milhões de litros de etanol, dos quais 143 milhões de anidro e 202 milhões de hidratado.

Curiosamente, em relação à safra 2014/2015 quando lançamos nossa segunda estimativa em março de 2014, apontamos que a safra seria de 575.514, número muito próximo do que acabou se efetivando que foi de 576.581 (uma diferença de apenas 0.19%).

A exportação brasileira de açúcar acumulada nos últimos doze meses (de junho de 2014 até maio de 2015) alcançou 24.2 milhões de toneladas, arrecadando um total de US$ 9.15 bilhões. O volume acumulado é 6.2% menor do que o período anterior (de junho de 2013 até maio de 2014). O valor médio das exportações no período analisado é de US$ 378.11 por tonelada. O preço médio da safra 2014/2015, compreendendo as exportações entre abril de 2014 e março de 2015 foi de US$ 383.46 por tonelada, 4.91% inferior ao valor apurado pelo modelo da Archer Consulting para as fixações das usinas no ano safra. Se compararmos o volume exportado acumulado até maio/2015 com o volume de maio/2010, que foi de 24.1 milhões de toneladas, podemos afirmar que estamos estagnados nesses cinco anos apesar de neste intervalo de tempo temos tido picos de até 29.2 milhões de toneladas (em agosto de 2013).

Já a exportação de etanol acumulada nos últimos doze meses (de junho de 2014 até maio de 2015) alcançou o volume de 1.23 bilhão de litros, uma queda de 53.4% em relação ao período anterior (junho/2013 até maio/2014). A forte demanda interna impossibilitou o crescimento desse mercado cujo valor médio de venda no período analisado foi de quase 600 dólares por metro cúbico.

A Archer realiza o II Curso Avançado de Opções Agrícolas (Noturno), de 17 a 20 de agosto, das 19 às 23 horas, a ser realizado em São Paulo próximo ao metrô Paraíso. Para mais informações envie um email para priscilla@archerconsulting.com.br (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Dilma acerta detalhes de pacote de concessões em infraestrutura

Plano será anunciado na semana que vem e deve movimentar entre R$ 110 bi e R$ 130 bi nos próximos anos.

A presidente Dilma Rousseff fechou ontem detalhes finais do pacote de concessão de obras de infraestrutura que será anunciado na semana que vem. O governo definiu que serão ofertadas ao setor privado 11 rodovias, num total de 4.382 quilômetros (km), 4 aeroportos em grandes capitais (Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Florianópolis), 7 aeroportos regionais, além de ferrovias, portos e rodovias já existentes. O plano, ao todo, deve movimentar entre R$ 110 bilhões e R$ 130 bilhões nos próximos anos.

Para 2015, o governo espera leiloar cinco rodovias, que representarão 2.063 km. Ao todo, os investimentos em rodovias devem somar R$ 66,1 bilhões, contando os novos projetos de rodovias somados ao investimento que o governo espera que o setor privado faça em trechos já existentes, para revitalização e ampliação.

No caso dos aeroportos, a previsão é de uma arrecadação em torno de R$ 8,5 bilhões com o repasse à iniciativa privada. O valor é elevado, mas pode ser explicado pela decisão do governo de reduzir a participação da estatal Infraero nos consórcios a apenas 15%.

Financiamento

O pacote deve trazer crédito mais caro para as concessões em rodovias e linhas mais vantajosas para tentar destravar um novo modelo de ferrovias. Segundo o Estado apurou, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve financiar até 70% dos investimentos em rodovias e ferrovias, mas haverá diferenças nas linhas dos dois modais.

O desenho traçado até o momento indica que, nas rodovias, de 40% a 50% desse crédito deve ser contratado com base na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), hoje bem abaixo da Selic, sendo o restante cobrado com base em taxas de mercado.

Já nas ferrovias, o governo quer tornar atrativo uma nova fórmula de concessão e para isso estuda oferecer a totalidade do financiamento a cargo do BNDES com base na TJLP.

Diferentemente do último pacote de logística, os juros subsidiados oferecidos pelo BNDES não devem fixar um spread e trarão uma taxa de risco que variará de acordo com o projeto, numa tentativa de tornar o pacote mais atrativo ao investidor privado. A leitura é que estabelecer um spread "atravancou" o último programa de investimentos.

O BNDES continuará como principal financiador, apesar da tentativa do governo de reduzir a fatia do banco. Uma das preocupações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é garantir rentabilidade atrativa para o investidor estrangeiro - ponto que ainda causa desconforto com outras áreas do governo.

O Planalto decidiu oferecer linhas de crédito mais atrativas para as ferrovias porque pretende alterar o modelo em vigência. No novo pacote, de acordo com uma fonte envolvida nas negociações, apenas um trecho de 850 km da Norte-Sul já concluído deve ser oferecido pelo sistema de outorga. (O Estado de São Paulo 08/06/2015)

 

Commodities Agrícolas

Laranja: Temporada de furacões: A preocupação com a formação de fortes ventos no sul dos Estados Unidos voltou a sustentar as cotações futuras do suco de laranja na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os contratos do suco concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para entrega em setembro fecharam com elevação de 295 pontos, a US$ 1,1915 a libra-peso. A NOOA, agência americana de meteorologia, divulgou na sexta-feira um alerta de formação de tempestade em uma área no sul da Flórida. O alerta retomou as preocupações de que se formem ventos e tempestades muito fortes que prejudiquem os pomares do Estado, que abriga o segundo maior parque citrícola do mundo. No mercado interno, a laranja para a indústria foi negociada no dia 3 de junho em queda de 2,85%, a R$ 9,88 a caixa de 40,8 quilos, segundo o Cepea/Esalq.

Algodão: Dólar forte: Os contratos futuros do algodão registraram desvalorização na última sexta-feira na bolsa de Nova York, refletindo o fortalecimento do dólar perante uma cesta de moedas. Os lotes da pluma para entrega em outubro recuaram 96 pontos, a 65,88 centavos de dólar por libra-peso. A alta da divisa americana, desencadeada pelos fortes dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos, reduz a atratividade do algodão americano no mercado internacional, o que levou os traders a corrigirem para baixo os preços da commodity. No entanto, investidores continuam atentos à perspectiva de que a área plantada nos Estados Unidos seja menor que o esperado. No mercado interno, a arroba da pluma em Itiquira (MT) foi negociada em alta de 0,30%, a R$ 63,56, segundo o Imea.

Soja: Demanda chinesa: As cotações futuras da soja cederam na última sexta-feira na bolsa de Chicago diante do fortalecimento do dólar e do desaquecimento da demanda chinesa. Os contratos para agosto recuaram 10,25 centavos, a US$ 9,2450 o bushel. O relatório de vendas externas de commodities dos Estados Unidos divulgado na última quinta-feira pelo Departamento de Agricultura do país (USDA) mostrou que, na semana entre 22 e 28 de maio, a China cancelou a compra de 200 mil toneladas de soja que havia feito para entrega ainda nesta safra (2014/15) e não acertou a compra de nenhum lote para a próxima temporada (2015/16). No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a oleaginosa caiu 0,26% no dia 3 de julho, para R$ 62,40 a saca. No mês, acumula desvalorização de 0,89%.

Trigo: Efeito câmbio: O mercado do trigo acompanhou o movimento das outras commodities agrícolas na sexta-feira e fechou em desvalorização nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes do cereal com vencimento em setembro recuaram 7,75 centavos, a US$ 5,2150 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, o mesmo vencimento caiu 6 centavos, para US$ 5,46 o bushel. A alta do dólar é particularmente prejudicial para os exportadores americanos de trigo, já que os preços do cereal nos Estados Unidos ficam muito mais elevados do que em outros centros produtores, como no Leste Europeu. No mercado do Paraná, maior produtor nacional de trigo, a saca do cereal foi negociada no dia 3 de junho em leve queda de 0,01%, a R$ 663,41 a tonelada, segundo o Cepea/Esalq. (Valor Econômico 08/06/2015)