Setor sucroenergético

Notícias

Cana:Investidores estrangeiros ampliam moagem em 60% nas últimas 5 safras

Apesar das frustrações, a presença estrangeira no segmento de etanol e açúcar no Brasil tem crescido de forma expressiva. Levantamento feito pela jornalista Fabiana Batista, do Valor Econômico, mostra que, juntas, as 14 principais multinacionais que investiram em usinas de cana ampliaram a moagem em 60% nas últimas cinco safras.

A moagem realizada por usinas controladas por capital estrangeiro somou 154 milhões de toneladas na safra encerrada em 31 de março deste ano (2014/15). Foi um volume equivalente a 24% do total nacional, que alcançou 643 milhões de toneladas, conforme a Conab. No ciclo 2009/10, o ‘market shore’ foi de 16%.

Os cálculos consideram as moagens totais das usinas controladas por grupos estrangeiros mesmo quando eles têm sócios brasileiros minoritários. No caso da Shell, que ‘divide’ a Raízen Energia em partes iguais com a Cosan, foi considerado o volume equivalente a sua participação.

O maior dinamismo estrangeiro nesse segmento não está diretamente relacionado à satisfação com o negócio. Grande parte dessas companhias está entregando prejuízos consecutivos a seus acionistas. A questão é que, depois que se compra uma usina, é praticamente obrigatório continuar investindo no ativo, seja para ganhar escala ou para otimizar o uso da capacidade. Algumas companhias, tais como a americana Bunge e a espanhola Abengoa, até tentaram voltar a se desfazer de suas unidades, após perdas sucessivas. Mas não encontraram interessados.

Há três anos a Bunge amarga em seu balanço global prejuízos operacionais no segmento “Açúcar e Bioenergia”. Essa operação está concentrada nas oito usinas brasileiras, cuja aquisição, segundo o mercado, custou mais de US$ 2 bilhões à americana. Em 2012, a perda operacional do segmento alcançou US$ 118 milhões. No ano seguinte, US$ 34 milhões e em 2014, foi de US$ 23 milhões.

Quando as cotações do açúcar começaram a despencar, em meados de 2011, e os preços do etanol passaram a sofrer uma pressão maior da política de controle dos preços da gasolina no Brasil, quem havia entrado no setor, não conseguia mais sair. “As multinacionais que compraram grandes operações sofreram mais o ambiente hostil que se desenhou no mercado”, disse o presidente de uma das multinacionais presentes no segmento.

Além da Bunge, também é um exemplo clássico desse perfil a francesa Louis Dreyfus Commodities (LDC). De 2009 para 2010, a múlti se tornou a segunda maior do segmento a partir de uma impulsiva estratégia de aquisições – concluída com a compra da Santelisa Vale, que a fez dobrar de tamanho, para uma capacidade de moagem de 40 milhões de toneladas.

Entretanto, com dificuldade para capturar sinergias e diante de um elevado endividamento, sua controlada Biosev teve que desativar no último biênio duas unidades em São Paulo (São Carlos e Jardest) para tentar ganhar eficiência. Assim, a operação encolheu para uma capacidade de 36 milhões de toneladas – no último ciclo, processou apenas 28,3 milhões. Nos 24 meses encerrados em 31 de março de 2014, a companhia acumulou um prejuízo líquido superior a R$ 2,1 bilhões. No mesmo intervalo, as perdas operacionais foram de R$ 820 milhões.

Conforme especialistas, as dores do crescimento estrangeiro foram efeito da conjuntura ruim para o segmento, da dificuldade de lidar com a gigantesca operação agrícola vinda com o ativo industrial e também dos elevados valores pagos pelos ativos. A partir de 2007/08, no auge das expectativas positivas com o etanol no mundo, o Brasil recebeu bilhões de dólares de investimentos.

Em alguns casos, usinas foram compradas a valores equivalentes a US$160 por tonelada de capacidade, conforme cálculo da consultoria FG Agro. Já há alguns anos, é raro encontrar interessados em pagar o equivalente a metade desse valor.

A própria Biosev, quando vendeu 5% de seu capital para o IFC, braço corporativo do Banco Mundial, neste ano, o fez por um valor equivalente a US$ 86 por tonelada de capacidade – bem abaixo dos US$ 106 por tonelada pelos quais comprou os ativos da Santaelisa Vale, em 2009. Quando a Cosan, primeira consolidadora desse segmento, iniciou de forma mais agressiva a aquisição de usinas, esses valores dificilmente superavam US$ 50 por tonelada.

Concentração deve continuar

Muitas das companhias estrangeiras, outrora consolidadoras, não deverão continuar com apetite para aquisições nos próximos anos, tendo em vista as perdas expressivas que vêm amargando. No entanto, o movimento de concentração no segmento sucroalcooleiro, pulverizado em mais de 200 companhias no país, deverá continuar a se intensificar na medida em que o etanol e o açúcar saírem do longo ciclo de baixa em que se encontram e passarem a viver uma nova trajetória de valorizações.

Alguns novos interessados despontam neste momento como consolidadores. Entre eles estão as gestoras Black River e Brookfield, que avaliam no momento as usinas do Grupo Ruette, postas à venda em abril pelos credores. Investidores com esse perfil olham ainda outras sucroalcooleiras que estão na vitrine, tais como a Renuka do Brasil, controlada pela indiana Shree Renuka Sugar, e o Grupo Virgulino de Oliveira.

No grupo de potenciais consolidadores, segundo especialistas, ainda estão múltis que entraram comprando poucos ativos no Brasil para percorrer uma “curva de aprendizagem” em especial na área agrícola, que traz uma complexidade operacional pouco dominada pelas companhias estrangeiras que entraram no ramo – a maior parte, tradings.

Nesse grupo está, por exemplo, a gigante chinesa Cofco que, após adquirir as operações globais da Noble Agri, assumiu também as quatro usinas da asiática no Centro-Sul – que processaram no último ciclo 12,8 milhões de toneladas de cana.

Outro player que poderá dobrar sua fatia no segmento nos próximos anos é a anglo-holandesa Shell. Com 50% da Raízen Energia, maior empresa sucroalcooleira do país, a petroleira poderá, até o fim desta década, exercer o direito de compra dos 50% da sua sócia Cosan, conforme acordo firmado entre as duas companhias à época da fusão de seus ativos, em 2009. Com isso, elevaria sua participação na moagem de 30 milhões para 60 milhões de toneladas.

Conforme especialistas, diferentemente de muitas multinacionais que entraram no segmento comprando usinas em crise e com baixa eficiência, a Shell adquiriu metade da Cosan, que apesar de não estar obtendo com os ativos sucroalcooleiros todo o retorno que gostaria, também não está tendo prejuízos.

Na lista de empresas estrangeiras com usinas e que têm potencial de compradores no futuro, está a argentina Adecoagro. No ano que passou, concluiu seu cluster com três usinas em Mato Grosso do Sul com moagem prevista de 9 milhões de toneladas em 2015/16. Experiente na área agrícola, com cultivo de grãos e fibras na América do Sul, a companhia tem tido resultados operacionais positivos com a cana. No exercício de 2014, teve um Ebitda de US$ 153 milhões, equivalente a 71% do Ebitda total da empresa.

Também não é descartada como uma potencial consolidadora a suíça Glencore. Não que a empresa não tenha também registrado um passivo decorrente da única usina que adquiriu no país. Mas em cinco ciclos, mais que dobrou sua moagem e há dois registra caixa operacional positivo com o negócio.

Driblando a crise

Em meio a companhias que, na média, devem 10% mais do que faturam, existem no setor sucroalcooleiro usinas sucroalcooleiras de médio porte que, com administrações familiares, estão sofrendo poucos arranhões mesmo diante dos problemas que levaram ao fechamento de mais de 80 unidades no país nos últimos cinco anos. Esse grupo em melhor situação, formado por uma dezena de empresas, responde por cerca de 15% da moagem de cana no Centro-Sul, segundo estimativas do mercado, e alimenta a tese de que grande parte da crise que asfixia o segmento deriva da gestão.

A maior parte delas está concentrada no Estado de São Paulo e tem capacidade para moer entre 5 milhões e 15 milhões de toneladas de cana por ano. Estão nesse time grupos como Lincoln Junqueira, Zilor, Bazan, Colombo e Ipiranga Agroindustrial. Cada uma delas adotou uma estratégia de sobrevivência própria, geralmente baseada ou em um caixa elevado ou na manutenção de um baixo nível de endividamento. Mas têm em comum parcimônia para investir, o que fez a diferença após 2008, quando até usinas bem administradas se deram mal ao se expandir demais.

Todos os cargos estratégicos da Ipiranga Agroindustrial são ocupados pelos fundadores, os irmãos Tittoto. Hoje controlam três usinas, que deverão processar nesta temporada iniciada em abril (2015/16) 6,2 milhões de toneladas de cana. A gestão familiar implica a presença intensa dos sócios no dia a dia do negócio. O presidente, Leopoldo, por exemplo, trabalha das sete da manhã às sete da noite, faz plantão aos fim de semana no período de safra e lidera canaviais próprios que respondem por 75% da matéria-prima processada em suas fábricas.

No ciclo que terminou em 31 de março deste ano (2014/15), o grupo, que controla duas empresas - a Usina Ipiranga (com duas unidades) e a Usina Iacanga (com uma unidade) - apresentou lucro líquido em ambas as operações. Com o caixa gerado, conseguiu pagar os juros da dívida e realizar todos os investimentos (renovação de canaviais, manutenção agrícola e industrial), um feito em um segmento com custos em alta constante e preços de venda achatados. O endividamento bancário líquido foi de R$ 619 milhões em 2014/15, um leve aumento ante os R$ 617 milhões da temporada 2013/14. O prazo de vencimento da dívida da Ipiranga Agroindustrial (20% no curto prazo) é considerado adequado pelo mercado.

“A gente é familiar. Fica em cima da redução de custos e tem pouca gente. Nosso custo financeiro é baixo. Nossa dívida está em crédito rural ou linha de longo prazo do BNDES”, diz Tittoto. Na recém-iniciada safra 2015/16, a empresa terá um índice de 0,48 trabalhador para cada mil toneladas de cana processadas. Há cinco ano, esse índice era de 0,70. Em 2017, quando 100% da cana estiver sendo colhida por máquinas e a moagem do grupo tiver alcançado 7 milhões de toneladas, esse índice deve ir a 0,38.

Apesar de passar pela crise com alguns arranhões, a paulista Usina Colombo segue como referência de boa gestão no segmento. Com três unidades que processaram 8 milhões de toneladas de cana em 2014/15, o grupo sofreu mais nos últimos três anos, diz o presidente Gilberto Colombo. Como vinha de uma alavancagem muito baixa e resultados sólidos, a empresa nunca teve problemas de liquidez, mas quando publicar seu balanço do ciclo passado, em até dois meses, apresentará uma dívida 10% maior, diz o executivo, hoje com 75 anos e filho do fundador da empresa, João Colombo.

No exercício encerrado em dezembro de 2011, a dívida líquida foi de R$ 478 milhões, para uma receita próximo a de R$ 900 milhões. Em 2013, último balanço disponível, esse montante havia subido para R$ 765 milhões, para um faturamento de R$ 1,024 bilhão. “Os preços não estão cobrindo os custos. Tivemos que recorrer a um aumento da alavancagem”, lamenta Colombo.

Apesar disso, pesa atualmente no mercado uma preocupação quanto à sucessão do negócio familiar, ainda centralizada na figura do septuagenário. Esse, no entanto, não será um problema para a perpetuidade do grupo, na visão de Colombo. “Os nossos filhos e sobrinhos estão há 20 anos dentro da empresa, assumindo áreas de maior envergadura e estão dando conta do recado”, diz o empresário.

A mesma questão se estende a outro grupo sólido do segmento: o Bazan, que detém as usinas Bazan e Bela Vista, ambas no Estado de São Paulo. Há 21 anos o cargo de diretor presidente é exercido com mãos de ferro pelo empresário Angelo José Bazan, atualmente com 63 anos. Pesa positivamente, no entanto, o fato de a empresa deter uma estratégia de manter baixos níveis de endividamento.

No último balanço disponível, publicado em 2014 e referente ao exercício findo em dezembro de 2013, o grupo tinha uma dívida bancária total (curto e longo prazos) de R$ 100 milhões, para uma recita líquida de R$ 803 milhões. Todos os investimentos são feitos com o caixa da própria empresa, que preza também pela estratégia de deter terras e suprir 100% da sua demanda com canavial próprio.

Infinity

A Infinity Bioenergia, que tem seis usinas sucroalcooleiras e está em recuperação judicial desde 2009, vai apresentar um novo plano de pagamento a seus credores. Pelo cronograma aprovado em assembleia e homologado pela Justiça, a empresa deveria ter começado a quitar seus débitos no início deste ano, após um período de cinco anos de carência. Mas, conforme a Infinity, a crise na qual mergulhou o segmento no último quinquênio dificultou o cumprimento de seus compromissos.

Fundada pelo empresário Sérgio Thompson Flores e hoje controlada pelo Grupo Bertin, a Infinity tem dívidas superiores a R$ 1,5 bilhão. Na base do novo plano da empresa – que ainda será submetido à Justiça e aos credores -, está uma proposta de arrendamento por 12 anos das seis usinas. O contrato foi assinado em abril e está sendo feita uma avaliação sobre os investimentos necessários para a recuperação das unidades, segundo Angelo Guerra, sócio da Exame Auditores Independentes, que está sendo contratada pelos controladores da Infinity para estruturar o novo plano de pagamento.

Um contrato de arrendamento já foi até assinado com o empresário Alexandre Titoto, que é de uma família tradicional canavieira do Estado de São Paulo – e que atualmente é réu em um processo de homicídio ocorrido em 2003. O acordo firmado vence em abril de 2027 e pode ser prorrogado por doze anos. Prevê o pagamento anual de um determinado valor de arrendamento para cada uma das seis usinas da Infinity. Se todas voltarem a operar, o montante pode chegar a R$ 12 milhões. Para a Usinavi, principal ativo da Infinity, situado em Naviraí (MS), o valor a ser pago caso a unidade seja colocada em operação é de R$ 3,6 milhões por ano.

O arrendatário pagará, ainda, uma quantia correspondente a 10% do lucro líquido anual ao fim de cada exercício social. Mas o pagamento será realizado apenas se as unidades estiverem em operação. Na safra passada (2014/15), apenas três das seis usinas da Infinity processaram cana. A Usinavi moeu 1,7 milhão de toneladas, a Ibiralco, localizada em Ibirapuã (BA), processou 700 milhões e a Disa, em Conceição da Barra (ES), outras 700 milhões. (Brasil Agro 10/06/2015)

 

Açúcar: Tempo firme

A volta do sol no Centro-Sul do Brasil pressionou ontem as cotações do açúcar demerara na bolsa de Nova York.

Os lotes com vencimento em outubro fecharam cotados a 12,42 centavos de dólar a libra-peso, um recuo de 13 pontos.

Mapas da Clima Tempo indicam que a massa de ar quente e seco que está sobre a região Sudeste deverá perdurar até sábado, abrindo uma janela para o avanço da moagem e favorecendo a concentração de açúcar na planta.

Na segunda quinzena de maio, a produção de açúcar ficou acima do esperado e somou 1,966 milhão de toneladas, queda de 2,85% na comparação anual, segundo a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica).

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,12%, para R$ 50,74 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 10/06/2015)

 

Biosev teve prejuízo em 2014/15, mas Ebitda subiu

A Biosev, braço sucroalcooleiro da francesa Louis Dreyfus Commodities e segunda maior processadora de cana-de-açúcar do país, informou que registrou no último trimestre da safra 2014/15, encerrado em 31 de março, prejuízo líquido de R$ 221,7 milhões, inferior à perda de R$ 1,017 bilhão de igual intervalo do ciclo 2013/14.

Nos doze meses do exercício, o resultado líquido foi negativo em R$ 498,7 milhões, ante prejuízo de R$ 1,466 bilhão de toda a temporada 2013/14.

Mas, apesar de a última linha do balanço permanecer vermelha, os resultados operacionais melhoraram.

A empresa gerou no exercício como um todo um fluxo de caixa livre positivo de R$ 15,7 milhões, um avanço de R$ 207 milhões em relação a 2013/14, quando a operação consumiu R$ 191,9 milhões do caixa.

Em comunicado, a Biosev atribuiu o prejuízo na safra a uma variação na provisão de imposto de renda e contribuição social, que passou de R$ 365 milhões negativos, em 2013/14, para R$ 170 milhões positivos em 2014/15.

"Tivemos um fluxo de caixa neutro, após pagar juros e realizar os investimentos.

Isso reflete a readequação das nossas operações, anunciada há mais de um ano e que resultou na 'hibernação' da usina Jardest e na renegociação de contratos com fornecedores, entre outras medidas", disse Rui Chammas, presidente da Biosev, ao Valor.

No último trimestre da safra, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) ajustado à variação do valor justo dos ativos biológicos (canaviais) cresceu 88,9%, para R$ 508,6 milhões.

Nos 12 meses do ciclo 2014/15, o resultado cresceu 16,3%, para R$ 1,335 bilhão.

A margem Ebitda no trimestre subiu 3,3 pontos, para 34,9% ante igual intervalo de 2013/14.

Nos 12 meses do exercício, cresceu 2,7 pp, para 29,6%. No último trimestre de 2014/15, quando a empresa vendeu a maior parte de seus estoques de etanol, a receita líquida cresceu 71,2%, para R$ 1,459 bilhão.

Em toda a temporada 2014/15, o aumento foi de 5,8%, para R$ 4,513 bilhões.( Valor Econômico 10/06/2015)

 

Dívida da Biosev cresce R$ 1 bilhão com valorização do dólar

Com 76% de seu endividamento em dólar, a Biosev, segunda maior sucroalcooleira do país, teve no ciclo 2014/15, encerrado em 31 de março, um aumento de R$ 1,005 bilhão, ou 18,9%, em sua dívida bruta, em decorrência da valorização da moeda americana no período.

Ao fim de março, a dívida total da companhia, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, alcançou R$ 6,327 bilhões, ante o montante de R$ 5,322 bilhões de um ano antes.

"Os vencimentos do longo prazo têm datas diversas. Em suma, se o dólar voltar a se desvalorizar, a dívida será reduzida", explicou ao Valor o presidente da Biosev, Rui Chammas.

O aumento de R$ 1 bilhão foi todo realocado no bloco de débitos que vencem no longo prazo, após repactuação feita com os bancos credores.

Ao fim do exercício 2014/15, a Biosev detinha no curto prazo R$ 1,6 bilhão a vencer, 15,3% abaixo de um ano antes.

O endividamento no longo prazo cresceu 38%, para R$ 4,3 bilhões na mesma comparação.

"Estamos agora com 26% da nossa dívida no curto prazo, ante 36% de um ano antes", comparou Chammas.

Ele explica que o efeito no caixa da variação cambial no exercício 2014/15 se refletiu no pagamento de juros, que cresceu 29,6%, para R$ 485,2 milhões no período.

A maior parte do aumento em termos absolutos dessa despesa frente ao exercício anterior (R$ 103 milhões) é explicada pela valorização da moeda americana no período.

Hoje, a Biosev informou que teve no trimestre encerrado em 31 de março deste ano um prejuízo líquido de R$ 221,7 milhões, ante a perda de R$ 1,017 bilhão de igual intervalo de 2013/14.

Nos doze meses do exercício, o resultado líquido foi negativo em R$ 498,7 milhões, ante o prejuízo de R$ 1,466 bilhão obtido em 2013/14.

Apesar da última linha do balanço, os resultados operacionais cresceram.

A companhia conseguiu na temporada gerar fluxo de caixa livre positivo de R$ 15,7 milhões, um avanço de R$ 207 milhões, frente a 2013/14, quando a operação demandou R$ 191,9 milhões do caixa.

A companhia atribuiu o resultado líquido negativo a uma variação na provisão de imposto de renda e contribuição social, que passou de R$ 365 milhões negativos em 2013/14 para R$ 170 milhões positivos em 2014/15.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) ajustado à variação do valor justo dos ativos biológicos (canaviais) cresceu 88,9% no 4º trimestre da safra, para R$ 508,6 milhões.

Nos 12 meses do ciclo 2014/15, esse resultado operacional cresceu 16,3%, para R$ 1,335 bilhão.

A margem Ebitda no trimestre cresceu 3,3 pontos percentuais, para 34,9%, frente a igual intervalo do ciclo passado, e no exercício 2014/15, avançou 2,7 pp, para 29,6%.

“Esse crescimento reflete o melhor desempenho operacional da Biosev e é também resultado das melhorias de gestão implementadas ao longo do ano safra”, explicou Chammas.

Ele reforça que uma parte do resultado da companhia adveio da estratégia comercial, sobretudo no último trimestre, quando a opção foi carregar estoques de etanol para vender na entressafra.

"Ampliamos a venda de açúcar de mercado interno, em especial o refinado e o cristal líquido. A estratégia para o biocombustível também foi acertada", destaca o executivo.

No último trimestre da safra, quando a empresa vendeu a maior parte de seus estoques de etanol, a receita líquida cresceu expressivos 71,2%, para R$$ 1,459 bilhão.

Em toda a temporada 2014/15, a receita aumentou 5,8%, para R$ 4,513 bilhões.

Os maiores aumentos vieram da comercialização de açúcar e de etanol, que geraram receita 17% e 21% maiores, respectivamente, frente ao alcançado no ciclo 2013/14.

Os preços médios de venda do etanol no 4º trimestre foram de R$ 1,376 mil por metro cúbico, 3,2% acima dos R$ 1,333 mil registrados no 3º trimestre.

"A estratégia se pagou. Valeu a pena", destaca o executivo.

No balanço divulgado hoje, a empresa informou que, até 31 de março, havia feito o hedge de 1,231 milhão de toneladas de açúcar da safra 2015/16, ao preço médio em reais de 44,41 centavos por libra-peso (câmbio de R$ 2,845 e cotação média na bolsa de Nova York de 15,61 centavos de dólar por libra-peso).

No ciclo 2014/15, o preço médio de venda do açúcar foi de 45,40 centavos de real por libra-peso.

Na temporada 2014/15, a companhia processou 28,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, o que significou uma taxa de utilização da capacidade instalada de 77,8%.

No guidance para o ciclo 2015/16, iniciado em abril, a empresa prevê moer entre 29 milhões e 32 milhões de toneladas da matéria-prima.

"O clima neste ano tem se mostrado razoável e deve contribuir positivamente para a produtividade", afirma Chammas. (Valor Econômico 09/06/2015 às 21h: 00m)

 

Unica: Moagem de cana atinge 40,1 mi de toneladas no Centro-Sul na segunda quinzena de maio

O volume de cana-de-açúcar processado pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do Brasil atingiu 40,1 milhões de toneladas na segunda quinzena de maio, valor 5,53% superior ao montante registrado no mesmo período de 2014 (38 milhões de toneladas).

No acumulado desde o início da safra 2015/2016 até 1º de junho, entretanto, a moagem ainda está aquém daquela observada na última safra: 114,28 milhões de toneladas nesse ano, contra 117,31 milhões de toneladas em 2014.

Até o final de maio, 262 unidades produtoras encontravam-se em operação no Centro-Sul, número idêntico ao verificado em igual período do ano anterior. A expectativa é de que 20 unidades ainda iniciem a safra 2015/2016 nas próximas quinzenas.

Produtividade agrícola e qualidade da matéria-prima

Dados preliminares do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) indicam que a produtividade agrícola da lavoura colhida até maio de 2015 alcançou 82,7 toneladas de cana-de-açúcar por hectare. Este rendimento é superior aos 79,2 registrados pela região Centro-Sul no mesmo período de 2014.

Em relação à qualidade da matéria-prima colhida, a concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) atingiu 124,98 kg por tonelada cana-de-açúcar nos últimos 15 dias de maio, contra 127,78 kg verificados na mesma quinzena do ano passado.

No acumulado desde o início da safra 2015/2016 até 1º de junho, o teor de ATR totalizou 116,57 kg por tonelada, 1,84% abaixo dos 118,76 kg verificados em igual período de 2014.

Produção de açúcar e etanol

Seguindo a tendência das quinzenas anteriores, as usinas priorizaram a produção de etanol em detrimento da fabricação de açúcar na segunda metade de maio.

Do montante total de cana processada no período, 41,17% direcionou-se à produção de açúcar. No acumulado desde o início da atual safra até 1º de junho, este percentual totalizou 37,67%, contra 40,95% apurados até a mesma data de 2014.

O diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, ressalta que “a proporção de cana utilizada para a fabricação de açúcar nos últimos quinze dias de maio deste ano é o menor valor registrado para o período desde a safra 2008/2009”. Os números observados até o momento corroboram com a nossa expectativa de uma safra mais alcooleira, acrescentou Rodrigues.

Com isso, a quantidade produzida de açúcar nos últimos 15 dias de maio atingiu 1,97 milhão de toneladas, queda de 2,85% no comparativo com igual quinzena de 2014.

Em contrapartida, o volume fabricado de etanol aumentou 8,53% no mesmo período, atingindo 1,74 bilhão de litros. Nesse contexto, chama a atenção o avanço de 29,1% na produção de etanol hidratado: 1,13 bilhão de litros produzidos na segunda quinzena de maio, contra 877,13 milhões de litros em igual período de 2014.

No acumulado desde o início da safra 2015/2016 até 1º de junho, a fabricação de açúcar alcançou 4,78 milhões de toneladas, recuo de 12,02% sobre o ciclo agrícola anterior. No caso do etanol, a produção acumulada cresceu 1,70%, somando 4,91 bilhões de litros - com destaque para o crescimento da produção de etanol hidratado, que atingiu 20,32% com 3,48 bilhões de litros fabricados.

Vendas de etanol

O volume de etanol comercializado pelas unidades produtoras da região Centro-Sul somou 2,26 bilhões de litros em maio, aumento de 6,77% em relação ao mesmo mês de 2014.

Este crescimento decorre especialmente da ampliação das vendas de etanol hidratado ao mercado doméstico, que atingiram 1,46 bilhão de litros - forte alta de 33,02% em relação aos 1,10 bilhão de litros comercializados em maio do último ano. Na segunda metade do mês, o volume comercializado totalizou 732,04 milhões de litros, ante 575,96 milhões de litros computados na mesma quinzena da safra 2014/2015.

“O volume comercializado de hidratado segue em alta este ano, mantendo um patamar de quase 1,50 bilhão de litros mensais e preços atrativos em boa parte do mercado consumidor do Centro-Sul”, afirmou o executivo da UNICA.

Em relação ao volume vendido de etanol anidro no mercado interno, este somou 730,13 milhões de litros em maio. Já as exportações alcançaram apenas 73,76 milhões de litros, queda de mais de 50% sobre o valor registrado no mesmo mês de 2014 (166,66 milhões de litros). (Unica 09/06/2015)

 

Cana Ecológica ganha premiação de Responsabilidade Ambiental 2015

A Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (SIAMIG) informa que foi a vencedora da categoria Responsabilidade Ambiental 2015 no 9º Prêmio da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), entregue ontem em solenidade em São Paulo, com o trabalho ´Produção Ecológica da Cana de Açúcar Sem Queima Contribui para o Meio Ambiente e a Biodiversidade”. A entidade concorreu com 12 trabalhos inscritos nessa mesma categoria.

O trabalho premiado discorreu sobre a sustentabilidade da produção de cana de açúcar em Minas Gerais, que já alcançou um índice de 100% de mecanização nas áreas de colheita com declividade abaixo de 12%, o que possibilitou a redução na emissão dos gases do efeito estufa, a redução do uso da água na indústria, maior proteção ao solo com a palha que fica no campo, mão de obra mais qualificada e o retorno dos animais ao canavial.

O presidente da SIAMIG, Mário Campos, disse que a premiação é o reconhecimento do esforço feito pelos produtores mineiros de cana, açúcar, etanol e bioeletricidade na eliminação da queima da cana e introdução da mecanização da lavoura, cumprindo o Protocolo assinado pelo governo em 2008, quando assumiram eliminar esse procedimento até o final de 2014.

Esta edição do Prêmio AEA contou com 47 trabalhos inscritos nas seis categorias: Acadêmica, Jornalística, Responsabilidade Ambiental, Responsabilidade Social, Tecnologias Diesel e Tecnologias Otto. Os trabalhos foram minuciosamente analisados por uma banca de jurados, liderada por Alfredo Castelli, diretor de Acreditação de Laboratórios da AEA. (Brasil Agro 10/06/2015)

 

CTC lança programa exclusivo de assistência técnica a clientes

A partir desta safra, os clientes do CTC - Centro de Tecnologia Canavieira poderão usufruir dos principais serviços de consultoria especializada que a empresa possui. Com o objetivo de auxiliar as usinas no correto manejo do cultivo agrícola de cana-de-açúcar, os técnicos e especialistas estarão à disposição dos clientes por meio do programa CTC Valoriza.

"Reestruturamos nossa área de Assistência Técnica e lançamos o CTC Valoriza para atender de forma adequada os clientes do CTC. Funcionará como um programa de pontos. Assim que acumulados os pontos correspondentes ao serviço desejado, a usina deverá solicitar o serviço por meio da área restrita do site www.ctc.com.br", explica Jorge Donzelli, gerente de Assistência Técnica do CTC.

São vários os serviços disponíveis. Entre eles, destacam-se, por exemplo elaboração do plano agrícola, suporte no plantio e colheita mecanizados, planejamento de viveiros e técnicas de multiplicação de cana-de-açúcar, CTCSat, adubação mineral e uso de resíduos e consultoria em pragas e doenças.

"Ao longo dos nossos 45 anos de história e dedicação ao setor, adquirimos conhecimento e profissionais extremamente especializados em cada parte do processo produtivo. Nossa proposta é proporcionar cada vez mais benefícios aos nossos melhores clientes", conclui Donzelli. (Brasil Agro 10/06/2015)

 

Produção de açúcar no acumulado da safra 2015/16 cai 12% no Centro-Sul

A produção de açúcar no Centro-Sul em 2015/16 caiu 2,85%, para 1,966 milhão de toneladas na segunda quinzena de maio, na comparação com igual intervalo do ano passado, conforme dados divulgados há pouco pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

No acumulado da temporada, o recuo é de 12%, para 4,782 milhões de toneladas.

Conforme o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, a destinação do caldo da cana para a produção de açúcar na última quinzena de maio é a menor para o período desde o ciclo 2008/09.

“Os números observados até o momento corroboram com a nossa expectativa de uma safra mais alcooleira”, acrescentou Rodrigues.

Na segunda quinzena de maio deste ano 41,17% do caldo da cana foram destinados para a produção da commodity, ante 43,74% do mix de igual quinzena do ciclo anterior.

No acumulado da temporada 2015/16 até 1º de junho, o mix é de 37,67%, 3,28 pontos percentuais menor do que em igual intervalo da safra 2014/15.

A moagem de cana-de-açúcar cresceu 5,5% na quinzena, para 40,1 milhões de toneladas e, no acumulado, recuou 2,6%, para 114,3 milhões de toneladas.

A produção total de etanol subiu na quinzena 8,5%, para 1,736 bilhão de litros, enquanto que, desde o início da temporada, aumentou 1,7%, para 4,914 bilhões de litros.

A fabricação de etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos e cuja demanda está aquecida no país foi a que mais cresceu.

Conforme a Unica, o aumento foi de 29% na quinzena, para 1,132 bilhão de litros, e de 20,3%, para 3,477 bilhões de litros no acumulado da temporada.

A de anidro, que é misturado à gasolina na proporção de 27%, cresceu 16,4%, para 604,5 milhões de litros, enquanto que desde o início da safra até 1 de junho, recuou 26%, para 1,437 bilhão de litros. (Valor Econômico 09/06/2015)

 

Vendas de máquinas agrícolas recuam ao nível de maio 2009

O mercado brasileiro de máquinas agrícolas voltou a apresentar uma coleção de resultados negativos em maio, o que alimenta o risco de novas demissões no segmento no curto prazo e amplia as expectativas das fabricantes em relação ao segundo semestre, que historicamente é melhor que o primeiro.

Levantamento divulgado pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) indicou que, puxadas por tratores e colheitadeiras, as vendas domésticas alcançaram 4.148 unidades no mês passado, com quedas de 2,6% em relação a abril e de expressivos 32,6% na comparação com maio de 2014.

Na prática, o volume vendido retrocederu ao patamar de maio de 2009. “O impacto maior veio da crise de confiança na economia, que tem impedido a tomada de decisão para financiamentos e novos investimentos do agricultor”, afirmou Ana Helena Correa de Andrade, vice-presidente da Anfavea, responsável por máquinas agrícolas.

As exportações até que subiram em relação a abril – 2,6%, para 965 unidades -, mas seguem fracas, sobretudo por conta da retração das vendas para a Argentina, e em relação a maio de 2014 foram 32,4% mais baixas. Com isso, a produção nacional somou 5.580 unidades no mês passado, com quedas de 1,2% e 26,8% nas mesmas comparações.

“Esse número reflete um ajuste das empresas a um mercado que não está comprador”, disse Ana. O segmento encerrou maio com 17,11 mil postos de trabalho, 1,5% menos que em abril e 18,8% abaixo de maio de 2014. No total, as quedas do número de postos de trabalho na indústria de veículos automotores instalada no país como um todo foram de 1% e 9,2%, respectivamente.

Nos primeiros cinco meses de 2015, as vendas de máquinas agrícolas alcançaram 20.282 unidades no país, uma retração de 25,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. As exportações não foram um alento e recuaram 20,2%, para 4.275 unidades, e, assim, a produção nacional registrou uma redução de 23%, para 26.613 unidades.

Após a divulgação, na semana passada, do Plano Safra 2015/16, que definiu a oferta de crédito e os juros do Moderfrota no próximo ciclo – além das linhas de crédito com juros subsidiados pelo Tesouro em geral -, o segmento espera o anúncio do plano para a agricultura familiar, que tem reflexos diretos sobre as vendas de máquinas de menor porte.

Por ora, a Anfavea não alterou suas projeções para o desempenho do segmento de máquinas agrícolas em 2015. A entidade permanece com uma estimativa de redução de 19,4% nas vendas em relação ao ano anterior, para 55,3% mil unidades. No que diz respeito à produção, a redução esperada é de 16%, a 69,2 mil unidades, enquanto para as exportações está previsto um aumento de 1%, a 13,9 mil unidades.

Ana Helena Correa de Andrade reforça que a indústria vislumbra um segundo semestre melhor, uma vez que a negociação de colheitadeiras costuma ganhar ritmo entre outubro e novembro. Mas ressalva que uma reversão mais expressiva da queda das vendas não virá antes de 2016. (Brasil Agro 10/06/2015)

 

Biodiesel: Técnica de Modelagem da Embrapa é apresentada na Dinamarca

Modelagem matemática de processos industriais funciona como ferramenta no desenvolvimento de novas tecnologias. Analista da Embrapa apresenta durante congresso a aplicação da ferramenta na síntese de biodiesel por rota enzimática.

Diversas pesquisas com intuito de aprimorar os processos de produção de biocombustíveis são desenvolvidas por pesquisadores na Embrapa Agroenergia. Entre elas, está a modelagem computacional, que já é aplicada nesse centro de pesquisa em simulações, como por exemplo, mudanças nas condições de operação da obtenção do biodiesel por rota enzimática.

Sobre esta pesquisa, o trabalho “Modelagem matemática da produção de biodiesel por rota enzimática”, realizado em parceria com a Universidade de Brasília, foi apresentado pela engenheira de alimentos da Embrapa Agroenergia Priscila Sabaini, no 12º Simpósio Internacional em Engenharia de Sistemas de Processos e 25º Simpósio Europeu de Engenharia de Processos Auxiliada por Computadores. O evento aconteceu de 31/05 a 04/06, em Copenhagen, capital da Dinamarca.

“A modelagem entra como um auxílio na criação de uma nova tecnologia. Por meio dela é possível compreender todo o mecanismo existente, fornecendo subsídios para a realização de uma análise técnica com maior escala na produção do biocombustível”, afirmou Sabaini.

Priscila mostrou para os profissionais da área que existem diversas possibilidades para uso dessa ferramenta na síntese de biodiesel, que na Embrapa Agroenergia tem sido desenvolvida para a rota enzimática. “A proposta de rota enzimática é uma das frentes de pesquisa com esse biocombustível desenvolvida na Embrapa Agroenergia, uma alternativa à rota química, que é atualmente empregada nas usinas”, ressalta Sabaini.

O estudo apresentado será publicado na Revista Computer Aided Chemical Engineering, Volume 37, 2015. Para saber mais sobre o Simpósio, e quais foram os trabalhos apresentados durante o evento, acesse: http://www.pse2015escape25.dk/

O processo de modelagem

Um modelo computacional é criado a partir das reações e do mecanismo cinético. As reações são inseridas no programa na forma de equações matemáticas, e os parâmetros desse modelo são estimados de forma a reduzir a diferença da resposta simulada com os dados obtidos experimentalmente em laboratório. Dessa forma, ao final do processo é obtido um modelo matemático validado que consegue reproduzir a realidade.

“Temos equações por trás tentando descrever o que está acontecendo com um experimento real de laboratório, essa é a ideia da modelagem”, Priscila explica. “Você descreve por equações matemáticas os fenômenos físicos e químicos que acontecem na natureza, e as executa em um programa de computador, ajusta estas equações aos dados experimentais e observa os resultados na prática”, ressalta.

O trabalho foi realizado em conjunto com o professor da UnB Fabrício Machado e os pesquisadores da própria Unidade, Rossano Gambetta e Thaís Salum, com objetivo de aplicar o modelo desenvolvido em projetos envolvendo a produção de biodiesel por rota enzimática. (Embrapa 09/06/2015)

 

Líderes do G7 chegam a consenso e decidem eliminar combustíveis fósseis gradualmente

Líderes do G7 apoiaram nesta segunda-feira (8) metas ambiciosas para a redução das emissões de CO² e expressaram seu compromisso de abrir mão gradualmente dos combustíveis fósseis, medida considerada um bom presságio para a conferência climática de dezembro em Paris.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, os líderes das sete potências defenderam a redução das emissões globais de gases de efeito estufa entre 40% e 70% até 2050, com base nos níveis de 2010.

Os sete países também se comprometem a assumir sua parcela de responsabilidade "para alcançar uma economia global livre de carbono em longo prazo".

Para tanto, querem "transformar o setor de energia até 2050" em seus países. Em outras palavras, prescindir ao máximo dos combustíveis fósseis (gás, petróleo e carvão) em benefício das energias renováveis.

"ESSA É UMA DECLARAÇÃO HISTÓRICA QUE ANUNCIA O FIM DA ERA DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS"

"Essa é uma declaração histórica que anuncia o fim da era dos combustíveis fósseis", comemorou o coletivo European Climate.

Jennifer Morgan, responsável por questões climáticas do Instituto de Recursos Mundiais, disse que, "pela primeira vez, os líderes do G7 apoiam o objetivo de descarbonizar a economia".

As declarações sobre o clima da cúpula de dois dias no castelo de Elmau eram muito aguardadas, a seis meses da cúpula da ONU sobre o clima em Paris (COP).

A COP 21 deverá definir globalmente o caminho a seguir para limitar o aquecimento global.

O presidente francês, François Hollande, que fez dessa questão uma das suas prioridades, congratulou-se hoje pelos compromissos "ambiciosos e realistas" expressados.

REAÇÕES

"Elmau cumpriu suas promessas", concordou Martin Kaiser, do Greenpeace.

Em Bonn (oeste da Alemanha), onde ocorrem negociações multilaterais para preparar a conferência do clima de Paris, as reações eram menos entusiasmadas.

"Não está claro em que medida (os anúncios de segunda-feira) vão transformar o debate", comentou em Bonn Alden Meyer, analista da União dos Cientistas Preocupados (Union of Concerned Scientists, UCS).

Meyer destacou que os países do G7 formulam objetivos para todo o mundo, mas, em seguida, fazem poucos compromissos concretos em relação a si mesmos.

E para que a conferência de Paris seja um sucesso, será necessário obter o apoio de países altamente poluidores, como China, Índia, Rússia e Brasil.

Os países do G7 (Estados Unidos, Canadá, Japão, França, Alemanha, Itália, Reino Unido) representam 10% da população mundial, e cerca de um quarto das emissões de dióxido de carbono (CO2).

O G7 aprovou o objetivo de limitar o aumento da temperatura global do planeta a dois graus Celsius em comparação aos tempos pré-industriais.

Ele também reafirmou seu compromisso de "mobilizar" US$ 100 bilhões por ano até 2020 em dinheiro público e privado para financiar iniciativas para o clima.

O compromisso final, em que cada palavra é muito ponderada antes de ser dita, foi o "resultado de negociações difíceis", reconheceu a chanceler alemã, Angela Merkel.

Os quatro países europeus do G7 eram a favor de uma formulação apaixonada e ambiciosa, mas encontraram relutância por parte de Canadá e especialmente do Japão, cuja indústria de energia atribui uma grande importância para o carvão. (AFP 09/06/2015)

 

Executivos precisam ampliar visão sobre a cadeia do agronegócio

Especialista fala sobre as novas habilidades de gestão essenciais para quem quer atuar no setor.
Entender conceitos de marketing, compreender a cadeia de produção e ter uma visão completa da empresa e do setor são habilidades importantes para executivos de diversos segmentos, mas ainda mais essenciais para quem quer se destacar no setor do agronegócio.

A opinião é de Stéphane Maisonnas, diretor de masters e programas internacionais da escola de negócios francesa Audencia Nantes École de Management. O professor conversou com a jornalista Letícia Arcoverde, do Valor Econômico, quando esteve no Brasil no último mês para acompanhar a conclusão da turma francesa do curso de MBA em agronegócio desenvolvido pela Audencia Nantes em parceria com a brasileira ESPM. Em fevereiro do ano que vem, será a vez de uma turma de alunos brasileiros começar o curso na ESPM e terminá-lo com um módulo na Audencia.

Oriundos não só da França como de países como a África do Sul, Rússia e Mongólia, os 14 alunos estiveram no Brasil por um período de três meses em que tiveram aulas na escola brasileira e visitaram empresas do setor. “O Brasil é líder em diversos segmentos do agronegócio, como os de uso de agricultura para outros fins além da alimentação, e por isso deve contribuir para o desenvolvimento de profissionais na área”, diz Maisonnas, que tem formação em economia rural e engenharia agronômica.

Mais do que isso, Maisonnas acha que o Brasil e a França têm a oportunidade de colaborar na formação de gestores que fortaleçam o processo de profissionalização pelo qual passa o setor não só no Brasil, mas em todo o mundo. “Desenvolver uma produção agrícola responsável é um objetivo comum aos dois países, ainda que não pelos mesmos motivos”, continua.

Enquanto no Brasil há o problema do desmatamento para uso da terra para o agronegócio, na França a discussão envolve o uso cada vez menor de produtos químicos e pesticidas. “Ao treinar estudantes e profissionais de ambos os países para trabalharem juntos, é possível criar um espaço de colaboração que pode ajudar a adicionar valor ao produto”, diz.

Para o francês, o marketing entra como uma peça-chave para o setor – e uma área onde o Brasil poderia aprender com a França. No país, líder do setor no continente europeu, há um selo que marca a origem do produto e garante ao consumidor a procedência do alimento. “Hoje em dia é muito importante para o consumidor saber o que ele está comprando e se ele foi plantado e transportado de um jeito sustentável”, diz.

Globalmente, essa preocupação vem crescendo e, ainda que o Brasil não esteja no mesmo nível de discussão da França, ele considera que a conscientização de questões relacionadas a sustentabilidade está acontecendo em um ritmo mais rápido aqui do que aconteceu no país europeu.

Dessa forma, Maisonnas acha que a competência mais importante para um executivo da área é ter uma visão global do setor. Se antes era possível ser bastante especializado em uma área, hoje o essencial é entender as diversas formas como a companhia pode atuar.

“A carreira, no futuro, será cada vez menos linear e vai exigir que você mude e tenha funções diferentes em um mesmo empreendimento. Para se mover dessa forma, você precisa entender todo o negócio”, diz Maisonnas. Ele considera, inclusive, que é importante trazer executivos de outros setores como forma de “absorver sangue novo e misturar ideias”.

Combinar competências relacionadas à comercialização do produto localmente e também à exportação faz parte do conjunto de habilidades relevantes para os profissionais da área. “É importante conseguir navegar entre os dois tipos de gestão”, diz.

A parceria com a ESPM para o curso surgiu quando a Audencia decidiu desenvolver um programa de máster em agronegócio, um setor importante no oeste da França, onde a escola, com cerca de dois mil alunos, está localizada. Também contribuiu o fato de o setor valorizar cada vez mais a gestão responsável – que considera o impacto social, econômico e ambiental de um negócio -, uma área de estudo bastante desenvolvida na escola.

“Quando decidimos que o programa seria internacional, buscamos um parceiro local, pois é impossível falar sobre agronegócio sem falar de Brasil”, diz. Na visita ao país, em conversas com a ESPM, as duas escolas também identificaram a gestão do esporte como uma área de conhecimento comum, e vão estudar a criação de um novo programa em parceria. (Brasil Agro 10/06/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Tempo firme: A volta do sol no Centro-Sul do Brasil pressionou ontem as cotações do açúcar demerara na bolsa de Nova York. Os lotes com vencimento em outubro fecharam cotados a 12,42 centavos de dólar a libra-peso, um recuo de 13 pontos. Mapas da Clima Tempo indicam que a massa de ar quente e seco que está sobre a região Sudeste deverá perdurar até sábado, abrindo uma janela para o avanço da moagem e favorecendo a concentração de açúcar na planta. Na segunda quinzena de maio, a produção de açúcar ficou acima do esperado e somou 1,966 milhão de toneladas, queda de 2,85% na comparação anual, segundo a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica). No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,12%, para R$ 50,74 a saca de 50 quilos.

Café: Brasil no palco: As novas projeções da Conab divulgadas ontem para a safra 2015/16 de café do Brasil foram consideradas pessimistas e motivaram a alta das cotações na bolsa de Nova York. Os lotes do arábica para setembro subiram 80 pontos, para US$ 1,3955 a libra-peso. A Conab estimou que a produção total de café somará 44,28 milhões de sacas, 2,3% a menos do que no ciclo anterior. O volume também foi menor que as estimativas privadas divulgadas até agora e veio aquém das expectativas dos analistas. Ontem, o Ce Café informou que os embarques de café entre junho de 2014 e maio de 2015 somaram 36.697.386 sacas, alta de 9,42% sobre o mesmo período anterior. No mercado interno, o café de boa qualidade oscilou entre R$ 460 e R$ 470 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Laranja: Ajuste fino: Os contratos futuros do suco de laranja de vencimentos mais longos recuaram ontem na bolsa de Nova York com os últimos ajustes antes da divulgação das novas estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os papéis do suco concentrado e congelado para setembro caíram 80 pontos, a US$ 1,2405 a libra-peso. Os analistas acreditam que o USDA deve cortar em 1 milhão a 2 milhões de caixas sua projeção para a safra da Flórida, por causa do avanço do greening. A última estimativa foi de 96 milhões de caixas. A época de furacões também mantém os traders em alerta. Ontem, a agência de meteorologia dos EUA chamou a atenção para possíveis ventos no Estado. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja à indústria seguiu em R$ 9,88, segundo o Cepea.

Trigo: USDA no radar: As cotações do trigo subiram ontem nas bolsas americanas diante das chuvas previstas para os EUA e das apostas para o novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Em Chicago, setembro subiu 4,75 centavos, a US$ 5,3875 o bushel. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, o mesmo vencimento teve alta de 3,75 centavos, a US$ 5,5975 o bushel. A empresa de meteorologia DTN prevê chuvas moderadas a fortes no sul dos EUA, o que pode interromper a colheita. Há preocupações com o clima na Rússia, Índia e Austrália. Teme­se, ainda, que o USDA reduza a estimativa para a safra americana. No Paraná, a saca de trigo teve preço médio de R$ 35,46, segundo pesquisa do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura. (Valor Econômico 10/06/2015)