Setor sucroenergético

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BNDES apóia quebra de paradigma na produção de cana

A capacidade de produção de álcool por hectare poderá dobrar em dez anos se o país desenvolver variedades de cana resistentes a pragas, adaptadas a ambientes secos e plantadas com sementes geneticamente modificadas.

Consideradas inovações "disruptivas", que mudam as regras de competição de um mercado, as linhas de pesquisa e desenvolvimento do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) prevêem investimentos de R$ 1,2 bilhão nos próximos cinco anos e uma contribuição à economia estimada em mais de R$ 2 trilhões.

Projetos como o da cana transgênica, com maturação em longo e longuíssimo prazos, costumam exigir subsídio de dinheiro público e bandeira branca entre antigos concorrentes, que se reúnem em torno de um objetivo comum.

No caso do CTC, que tem como sócios 65% das usinas do Brasil, o dinheiro subsidiado vem do BNDES e de linhas oficiais de pesquisa.

"Na inovação, os segmentos que mais precisam de dinheiro do BNDES são as start-ups e o financiamento de tecnologias disruptivas. É um risco muito alto que o mercado não quer assumir", afirma Pedro dos Passos, chefe da área de Capital Empreendedor do BNDES.

FINANCIAMENTO

O capital inicial veio dos sócios: mais de 150 usinas, entre elas gigantes como Copersucar e Cosan, que se organizavam inicialmente por meio de uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). Todos contribuíam e se beneficiavam das descobertas, que eram basicamente o desenvolvimento de novas variedades de cana.

A profissionalização ocorreu com a dissolução da Oscip, contratação de cientistas e profissionais do mercado de biotecnologia e a formação de uma Sociedade Anônima em 2011. O atual presidente do CTC, Gustavo Leite, veio da Monsanto, multinacional da área de biotecnologia.

A vida financeira do CTC começou com a receita obtida na venda de variedades de cana. Com os contratos em mãos, a empresa conseguiu adiantar os recursos por meio da venda de recebíveis ao banco Itaú. Os recebíveis puderam ser dados como garantia para obter o primeiro empréstimo do BNDES.

O papel do capital de risco foi assumido também pelo banco estatal, que em 2014 comprou uma participação de R$ 300 milhões e se tornou sócio do CTC. A empresa planeja entrar no Bovespa Mais, mercado de acesso da Bolsa, devendo abrir o capital em até sete anos. (Folha de São Paulo 11/06/2015)

 

Biosev pretende acessar linhas de crédito para renovação de canavial

A Biosev, braço sucroenergético da trading Louis Dreyfus Commodities (LDC), já está se movimentando para acessar as linhas de renovação de canaviais (Prorenova) e de estocagem de etanol previstas no Plano Safra 2015/2016, anunciado na semana passada.

"Temos conversado com alguns bancos, que fazem a intermediação, para entender a rapidez com que conseguiremos acessar essas linhas", afirmou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o diretor presidente da companhia, Rui Chammas.

O Prorenova terá R$ 1,5 bilhão, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O montante equivale à metade do que foi alocado em 2014.

Com relação à estocagem de álcool, os recursos disponibilizados foram mantidos em R$ 2 bilhões. Para ambas as linhas, os juros são TJLP mais 2,7% ao ano, superiores aos do ano passado.

De acordo com Chammas, o crédito, mesmo sendo mais enxuto, tem de ser comemorado, dado o momento de ajuste fiscal em praticamente todos os setores da economia.

Num cenário assim, o executivo destacou que a Biosev pretende repetir a "tática" de carregar seus estoques de açúcar para serem comercializados durante a entressafra de cana-de-açúcar, no início do ano que vem, quando os preços da commodity geralmente estão em níveis mais elevados.

"Já estamos projetando uma concentração maior (de comercialização) durante a entressafra", afirmou.

Ao final de 2014/15, em 31 de março, a Biosev detinha reservas de 76 mil toneladas de açúcar, 9,1% mais na comparação com igual data do ano anterior.

No caso do etanol, os estoques eram 11,1% menores, com 85 milhões de litros, devido à comercialização mais aquecida no primeiro trimestre deste ano.

O período foi marcado por medidas de apoio ao biocombustível, como retorno da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) na gasolina, aumento da mistura de anidro no combustível fóssil e redução do ICMS incidente sobre o hidratado em Minas Gerais, que impulsionaram a demanda pelo produto. Chammas evitou dizer se a estratégia de carregar estoques se aplicará também ao etanol em 2015/16.

"Estamos acompanhando o mercado", disse.

Quantos aos investimentos, o diretor presidente da Biosev afirmou que vai manter o mesmo "conceito" de 2014/15 na atual temporada, incluindo aí disciplinas operacional e financeira "extremas".

No ciclo passado, o capex da empresa foi de R$ 1,13 bilhão.

A Biosev reportou ontem prejuízo líquido de R$ 221,7 milhões no quarto trimestre do ano-safra 2014/15, 78,2% menor do que as perdas de R$ 1,0 bilhão registradas em igual período de 2013/14. O período corresponde aos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano. Na temporada fechada, o prejuízo da empresa foi de R$ 498,7 milhões (-66%). Já a receita líquida alcançou R$ 1,4 bilhão no quarto trimestre (+71,2%), totalizando R$ 4,5 bilhões no ano (+5,8%).

O fluxo de caixa ficou positivo em R$ 16 milhões no ciclo, ante um negativo de R$ 192 milhões no anterior, graças à estratégia comercial da empresa, segundo Chammas. "Essa estratégia visa a maximizar o resultado na venda de açúcar, de etanol e de energia, com hedge, conhecimento de mercado e venda de produtos com maior valor agregado", afirmou.

Criada em 2009 a partir da fusão da LDC Bioenergia com a Santelisa Vale, a Biosev é a segunda maior processadora de cana do mundo, com 11 unidades localizadas em 4 polos agroindustriais no Brasil. Só o do Nordeste utilizou 95% de sua capacidade instalada em 2014/15, "melhor moagem das últimas três safras", conforme Chammas. A Biosev tem capacidade total de moagem superior a 36 milhões de toneladas por safra. (Agência Estado 10/06/2015)

 

Catanduva: BNDES Financia mais de R$ 470 mi à usinas da região

Em três anos, exatos R$ 509.832.030 milhões em empréstimos foram usados por empresas da região de Catanduva. A maioria dos contratos (95% deles) foi firmada por usinas do setor sucroalcooleiro. Os valores dos contratos de financiamento foram divulgados na semana passada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Na região a Noble Brasil S.A foi a empresa que liderou os financiamentos. O primeiro deles foi em 2012 para a implantação de terminal de transbordo ferroviário, com capacidade total para armazenagem de 75 mil toneladas e movimentação de 600 mil. O valor do contrato foi de R$ 100 mil. Em 2014 surgiram contratos para financiamento de estocagem de etanol combustível e o plantio de mais de 14 mil hectares de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo. No total, o valor do investimento foi de R$ 167,7 milhões.

A Companhia Agrícola Colombo, vem logo em seguida, com R$ 154,1 milhões em empréstimos desde 2012. O dinheiro foi gasto com o plantio de mais de 14 mil hectares de cana-de-açúcar, no Estado de São Paulo além do plantio de mais de 22 mil hectares de cana-de-açúcar.

A Santa Luiza Agropecuária solicitou o financiamento no ano passado e neste ano para o plantio de 9.149 hectaresde cana-de-açúcar no Estado de São Paulo e 11.424 hectares de cana-de-açúcar, sendo 3.300 hectares para novos canaviais e o restante para a reforma de canaviais existentes. O investimento foi de cerca de R$ 81 milhões.

Já a Nardini Agroindustrial, recorreu em 2013 ao BNDES para investimentos na Unidade Industrial de Vista Alegre do Alto para atingir a capacidade de processamento de 3,85 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, modernizar os procedimentos e aumentar a mecanização agrícola e apoiar investimentos sociais voltados para a comunidade. O valor do empréstimo foi de aproximadamente R$ 70 milhões.

A Concessionária Tebe foi a única da região a recorrer ao BNDES além das usinas de cana-de-açúcar. O empréstimo foi usado para investimentos no período de 2012 a 2014, relativos a ampliação, melhorias, monitoramento, entre outros investimentos na malha rodoviária. O valor do financiamento foi de cerca de R$ 36,2 milhões.

Novas regras

Ainda na semana passada, o BNDES divulgou as novas medidas da polícia que restringe o acesso de grandes empresas a financiamentos do banco com base na taxa mais baixa, a TJLP, atualmente em 6%. O objetivo é estimular o crédito privado a projetos de investimentos de longo prazo.

A alteração que recebeu o nome de Programa de Incentivo ao Mercado de Renda Fixa, junta a captação de verba do BNDES à emissão de debêntures corporativas (títulos de crédito para captar recursos).

Em tese, para se ter acesso ao limite máximo de TJLP definido pelo BNDES, a empresa deverá realizar a emissão de títulos de crédito ou outros títulos de renda fixa ou os certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio. As medidas se aplicam a empresas que faturam pelo menos R$ 1 bilhão.

Para obter 50% do financiamento na TJLP, no chamado patamar máximo é necessário levantar 25% com emissão de títulos. O restante vem a taxas de mercado como a Selic (juro básico definido pelo BC) ou IPCA (índice oficial de inflação). (O Regional 10/06/2015)

 

Colheita da cana em São Paulo começa com rentabilidade baixa

Em algumas regiões, custo de produção chega a superar o preço ofertado.

A colheita da cana-de-açúcar está em andamento.

A expectativa é que a produção nacional alcance 654 milhões de toneladas, mas os custos de produção desestimular o setor. Em São Paulo, o produtor tem ficado no prejuízo.

O preço pago ao produtor da região varia de R$ 62,00 a R$ 65,00 por tonelada, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Já o custo de produção está, em média, R$ 72,00.

Para a Associação de Fornecedores de Cana de Capivari (Canacap), o preço do açúcar no mercado externo tem influenciado no preço e é difícil prever se haverá aumento.

"Nós estamos com 12 centavos por libra peso, o que é bastante baixo".

O produtor vem nos últimos seis anos trocando dinheiro velho por dinheiro novo, ou perdendo dinheiro nas últimas safras.

O custo de produção tem sido um problema, tem subido constantemente nos últimos 5, 6 anos.

Com a alta do dólar, sobe o preço do açúcar, mas herbicida, adubo e todos os insumos que a gente usa estão cotados em dólar.

Então o custo de produção para este ano subiu consideravelmente, explica a presidente da Canacap, Maria Christina Pacheco.

Na lavoura do agricultor Reinaldo Sgariboldi a colheita não para, o trabalho é constante.

Ele é o maior produtor de cana-de-açúcar em Capivari, interior do estado. Em 2014, Sgariboldi perdeu 20% da produção por causa da estiagem.

Neste ano, a chuva veio na hora certa e não teve quebra a produtividade deve ser boa, cerca de 80 toneladas por hectare, mas o preço ainda é o mesmo do ano anterior.

O custo de produção aumentou mais de 20%, em média. Adubo, veneno, óleo diesel, mão de obra.

[O preço] não aumentou nada.

Desde 2011 nós estamos empatando, não sobra nada. Só investimos no maquinário e na lavoura para não deixar cair.

A tendência era melhorar, mas esse ano inverte, explica. (Canal Rural 11/06/2015 às 21h: 18m)

 

Na cana e na pecuária, pesquisa ainda prioriza a biotecnologia

Se na área de grãos a nova revolução tecnológica está voltada à informação, na cana e na pecuária a biotecnologia ainda predomina.

No CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), o plano de investimento, de R$ 1,2 bilhão em cinco anos, visa principalmente melhorar a competitividade dos canaviais.

"O milho teve um ganho de produtividade de 70% nos últimos anos. A cana cresceu por volta de 20%", diz Luis Roberto Pogetti, presidente do conselho do CTC.

O desafio é transportar genes comuns nos principais grãos, como o Bt (resistente a insetos), para a cana. "Em 2017, teremos cana transgênica aprovada pela CTNBio com a tecnologia Bt", diz.

Por meio da biotecnologia tradicional, o CTC busca a "cana campeã", ou mais produtiva, para cada região do país e variedades capazes de produzir mais açúcar em ambientes secos, além do etanol de segunda geração.

Na Embrapa Pecuária Sudeste, uma das principais linhas de pesquisa dedica-se à identificação de genes que contribuem para as características mais desejadas pelo consumidor na carne, como maciez e teor de gordura.

A idéia é que, com as informações coletadas, seja possível disponibilizar um conjunto de marcadores moleculares para selecionar animais que serão usados para a reprodução de descendentes com as características de interesse do pecuarista.

Outra importante linha de pesquisa da Embrapa procura avaliar os impactos da pecuária no efeito estufa. A atividade é considerada uma das responsáveis pela emissão de gases no mundo.

Mas a rede Pecus, que reúne 300 pesquisadores em todo o país, incluindo profissionais da Embrapa, estão demonstrando, por meio de artigos científicos, que a influência da pecuária brasileira no efeito estufa é menor do que a média mundial. Eles mostram também que é possível, por meio de sistemas de produção sustentáveis, reduzir as emissões. E indicam alternativas para mitigar os impactos nos principais biomas.

"A ideia é incluir, no inventário nacional de emissão de gases de efeito estufa, coeficientes mais adequados à realidade do Brasil", diz Patrícia Perondi, da Embrapa Pecuária Sudeste. (Folha de São Paulo 11/06/2015)

 

Juíza decreta falência da Albertina e Carolo leiloa parte de ativos

Em recuperação judicial há quase seis anos, a tradicional Companhia Albertina, de Sertãozinho (SP), teve sua falência decretada pela Justiça.

No despacho, datado de 5 de junho, a juíza Daniela Regina de Souza argumenta que não lhe restou outra alternativa, dado o laudo do administrador judicial que atesta a impossibilidade de a Albertina cumprir seu plano de pagamento.

Outra tradicional empresa do setor, a Usina Carolo, que segue em recuperação judicial, terá parte de seus ativos leiloados neste mês.

Juntos, os dois grupos sucroalcooleiros têm dívidas sujeitas à recuperação judicial de R$ 1 bilhão (em torno de R$ 200 milhões da Albertina) e seus problemas são anteriores à crise de 2008.

A Albertina, até então sob a gestão da empresária Viviane Carolo, vinha enfrentando problemas financeiros desde o início dos anos 2000, ainda em decorrência da queda dos preços do açúcar e do etanol nos anos 1990.

Em 2005/06, a empresa chegou a processar cerca de 2,2 milhões de toneladas de cana. A unidade encerrou definitivamente as operações no início de 2012, quando repassou à antiga LDC-SEV, atual Biosev, controlada pela francesa Louis Dreyfus, o direito de assumir 8 mil hectares em contratos de arrendamento de cana na região de Sertãozinho, onde a multinacional opera duas unidades.

À época, a Cosan que é um credor quirografário da Albertina, questionou o acordo na Justiça, o que se tornou um empecilho para aprovação de um segundo plano de pagamentos, dificultando a recuperação da companhia, dizem fontes.

A magistrada Daniela Regina de Souza determinou que a Biosev deposite em juízo todo o valor referente à cessão de contratos de arrendamento de cana.

Em nota, a multinacional informou que a decisão que decretou a falência da Albertina manteve válidos todos os contratos celebrados com a Biosev.

Em recuperação judicial há menos tempo do que a Albertina, desde o início de 2014  o grupo Carolo terá seus ativos de Minas Gerais, a usina Planalto e a fazenda Manchúria, levados a leilão no próximo dia 24. Avaliados em R$ 56,909 milhões, os ativos, localizados no município de Ibiá, serão leiloados pelo preço inicial de R$ 25 milhões.

Conforme o leiloeiro da Superbid Judicial, Renato Moysés, só a fazenda foi avaliada em R$ 21,6 milhões. São 1.271 hectares de área total, com 100 hectares cultivados com eucalipto e 600 hectares com cana-de-açúcar.

A propriedade tem sede, galpão de máquinas, energia elétrica, pista de pouso e duas represas. Já os ativos industriais incluem um conjunto de moendas, caldeiras e destilaria com capacidade para fabricar 300 metros cúbicos por dia do biocombustível.

"No leilão, será negociado o pacote todo", diz Moyses.

O grupo Carolo, que começou a operar com cana na década de 30 em São Paulo, tem dívidas de R$ 835 milhões.

Conforme o administrador judicial, Alexandre Borges Leite, os recursos arrecadados no leilão serão usados para quitar a fazenda, pagar credores que haviam liberado a propriedade mineira da alienação fiduciária para irem a leilão.

Além disso, servirão como caixa para fomentar a operação da principal unidade do grupo, a Usina Carolo. Localizada em Pontal (SP), a usina processou em 2014/15, 1,2 milhão de toneladas de cana. Já a usina Planalto, que vai a leilão, estava até a última safra arrendada para uma usina local, a Araguari. (Valor Econômico 11/06/2015)

 

Safra de cana-de-açúcar de MS avança apesar do excesso de chuvas

A Biosul - Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul, apresentou os dados da safra 2015/2016 com moagem até 31 de maio. O acompanhamento da safra de cana-de-açúcar no MS é informado quinzenalmente, a safra começou em abril/2015 e deve seguir até janeiro/2016.

A chuva acima da média atrapalhou um pouco a colheita, assim, na segunda quinzena de maio foram processadas 2,402 milhões de toneladas de cana, 44,6% maior que no mesmo período na safra passada.

O volume acumulado de cana-de-açúcar processada até o momento é de 9,787 milhões de toneladas, 51,14% maior em relação a 2014.

O índice que mede a qualidade da matéria prima, o ATR/TC (Açúcares Totais Recuperáveis por tonelada de cana) atingiu 128,18 kg na quinzena, volume 2,21% maior que o da safra passada e no acumulado atingiu 120,85kg, também maior em quatro pontos percentuais que o ano anterior.

Até a última quinzena de maio foram produzidas 236 mil toneladas de açúcar, quantidade 63,9% maior que a produção registrada anteriormente, que foi de 143,9 mil toneladas.

Dados referentes à produção de etanol registram que o acumulado até a segunda quinzena de maio foi de 124 milhões de litros de etanol anidro e 427,5 milhões de litros deetanol hidratado, resultando 552,4 milhões de litros de biocombustível produzido, volume 56,22% maior que na safra 2014/2015.

Segundo o Presidente da Biosul, Roberto Hollanda, "os números destacados com relação à safra anterior são muito mais fruto de um péssimo início que tivemos na safra passada do que evolução da safra atual. Ainda assim, continuamos com a previsão de crescer 15% emcana até o fim da safra. Na quinzena, a produção poderia ter sido maior, não fosse o excesso de chuvas". (Brasil Agro 11/06/2015)

 

El Niño pode afetar produção de cana, diz FCStone

Estudo da consultoria FCStone revela que o clima pode turbinar a produção global de soja e milho nesta safra 2015/16, beneficiando os Estados Unidos, Brasil e Argentina. Além de destacar os possíveis reflexos da ocorrência do El Niño sobre a produção de grãos, o estudo lembra que o fenômeno climático costuma ter efeitos deletérios sobre a produção de cana, e consequentemente sobre a oferta de açúcar, em diversas regiões do planeta.

No caso do Brasil, que lidera a oferta mundial da commodity, o fenômeno pode provocar chuvas durante o inverno na região Centro-Sul, que, se confirmadas, tendem a atrapalhar a colheita da matéria-prima, diminuir a capacidade de processamento e, ainda, reduzir a concentração de açúcares nas plantas por conta da maior umidade do solo.

No entanto, a consultoria pondera que, para que isso influencie o mercado de forma expressiva, “seria necessário um volume muito grande chuvas durante a temporada mais seca do ano, devido a um El Niño muito intenso, para prejudicar significativamente a produção de açúcar”.

O fenômeno também altera o clima no Sudeste Asiático, reduzindo o regime de chuvas tanto na Índia como na Tailândia, também importantes produtores mundiais de açúcar, e limitando a produtividade dos canaviais. Porém, a correlação entre menos precipitações e produção reduzida não é direta, uma vez que os dois países conseguem manter produtividades elevadas de monções irregulares.

Em ambos, o fenômeno deverá ter reflexos ‘moderados’ sobre a produção, segundo a consultoria. A FCStone ressalta, ainda, que embora o fenômeno possa reduzir a produção de açúcar nesta safra, o movimento poderá não se traduzir em preços imediatamente mais elevados.

No ano passado, as especulações em torno da possibilidade de ocorrência do El Niño provocaram forte reação no mercado, mas sua não concretização derrubou as cotações. 9Brasil Agro 11/06/2015)

 

Governo indiano anuncia crédito de US$ 938 milhões para usineiros do país

O governo indiano aprovou nesta quarta-feira empréstimo de 60 bilhões de rupias (US$ 938 milhões) para que os usineiros produtores de açúcar organizem a situação financeira e paguem as dívidas com os agricultores. Os usineiros estarão isentos de juros sobre os empréstimos no primeiro ano, segundo informações do ministro dos Transportes, Nitin Gadkari, ao anunciar a decisão, após uma reunião do Comitê de Ministros dos Assuntos Econômicos.

Os produtores de açúcar da Índia estão enfrentando uma crise financeira severa causada pelos elevados preços definidos pelo Estado para a cana-de-açúcar comprada dos agricultores. Além disso, a produção nacional excedente ao longo dos últimos anos e os preços baixos nos mercados globais também pressionam os preços.

O governo federal vem desenvolvendo um pacote de incentivos para o setor. Em abril, houve aumento das taxas de importação do adoçante de 25% para 40%, como uma forma de proteger o mercado interno. (Dow Jones 10/06/2015)

 

Agricultura entra na era da informação

Após ganhos de produtividade, desafio do produtor é fazer bom uso dos dados colhidos por máquinas no campo.

A agricultura está entre os setores que mais passaram por evolução tecnológica nas últimas décadas. E o Brasil foi um dos maiores beneficiados por essas inovações, se tornando líder de produção em vários segmentos.

Na década de 1970, a produção de soja era de 10 milhões de toneladas no país. Atualmente, beira os 100 milhões. O rendimento médio por hectare, que hoje é de 50 sacas por hectare, estava próximo de 28 naquele período.

Há dez anos, no entanto, não se tem mais evolução nessa produtividade --sinal de que é preciso quebrar novas fronteiras tecnológicas.

Após ter praticamente substituído os trabalhadores do campo por máquinas, a agricultura agora vive a era da automatização e dos drones.

Atividades mais arriscadas, como a pulverização, já podem ser feitas por máquinas controladas por controle remoto, enquanto os drones cumprem a função de observação das lavouras.

Em breve, o produtor espera utilizar esses aparelhos para intervenções pontuais de controle de pragas e de doenças, sem ter a necessidade de movimentar máquinas pesadas para atuar em toda a área.

A segunda revolução tecnológica no campo já começou. O passo mais importante, porém, está por vir: o domínio e a difusão das informações colhidas na lavoura.

Esse passo é tão importante que empresas antes dirigidas para a biotecnologia, como a Monsanto, se voltam também para essa área. Outras, com pouca afinidade até então com a agricultura, como o Google, passam a desenvolver sistemas para um melhor aproveitamento das informações do campo.

ERA DA INFORMAÇÃO

Entender e aprender a utilizar os dados obtidos pelas máquinas --de informações meteorológicas a sinais de incidência de pragas e doenças-- são um dos desafios dos produtores nesta nova fase.

"É preciso buscar uma inteligência aplicada que vise maior aproveitamento da semente utilizada, do plantio e da colheita", diz Nery Ribas, da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e de Milho de Mato Grosso).

O produtor Glauber Silveira diz que é preciso o desenvolvimento de uma tecnologia de gestão e de controle. As grandes máquinas, equipadas com instrumentos modernos, podem ser parte da solução, mas ainda não resolvem. São necessárias ferramentas que apontem para o produtor os avanços que estão sendo atingidos no país, principalmente por regiões.

E é aí que entra uma utilização adequada das informações já disponíveis. Silveira diz que empresas de pesquisa, como a Embrapa, deveriam disponibilizar para os produtores as variedades de sementes que estão sendo utilizadas, médias de produtividade por região, avanços em adubação e no sistema de controle de pragas.

Não adianta uma máquina grande se o plantio não for feito no período certo, se não for utilizada a semente correta ou aplicado o fungicida apropriado, segundo ele.

Na avaliação de Ribas, a tecnologia deve permitir que o produtor colha mais, mas com custos menores. A agricultura de precisão, que utiliza a tecnologia para realizar com maior eficiência operações no campo, como a pulverização, ainda é muito cara e, em alguns casos, traz pouca rentabilidade.

"É preciso entender e aprender com ela, utilizando um manejo adequado de sistemas produtivos", diz ele.

Muitas vezes, a agricultura de precisão é "mais uma agricultura de imprecisão", acrescenta. Recentemente, produtores de Mato Grosso tiveram sérios problemas com variedades de milho que prometiam combate a lagartas, o que não ocorreu.

O produtor, por sua vez, também tem de se adaptar às exigências das tecnologias, diz Silveira. Entre elas, ele cita as áreas de refúgio, essenciais para manter o equilíbrio das populações de pragas-alvo. Isso não vem sendo cumprido adequadamente, resultando em perda antecipada da tecnologia da semente (Folha de São Paulo 11/06/2015

 

Agronegócio olímpico sob condições adversas e sem regras para o fair play

Agronegócio no Brasil é uma olimpíada disputada a cada ano. Só que sob condições incertas e adversas, nunca dentro de instalações para alta performance, e com regras que promovam o fair play.

Saiu o PAP - Plano Agrícola e Pecuário: mais cerca de R$ 30 bilhões no crédito agrícola, porém com aumento de juros – esse é o salto do gato. Safra passada tivemos R$ 156,1 bilhões de crédito agrícola. Safra 2015/2016, teremos R$ 187,7 bi. Para o custeio teremos mais crédito, porém a juros controlados, que crescem de 4,5% para 7,5%, e produtores com receita acima de R$ 90 milhões, pagam 9% de juros controlados. Existirão apenas R$ 94,5 bilhões, ou seja, apenas 7,5% a mais em recursos comparado ao ano passado.

O setor reclama que os custos de produção cresceram 15%, e que a inflação será maior do que o montante do recurso oferecido para custeio a juros controlados. No custeio a juros livres, o aumento foi de 130% na disponibilidade, saindo de R$ 23 bi, para R$ 53 bi. Mas juros livres leia-se na faixa de 17% a 23% ao ano.

Para investimentos, o total dos recursos diminuíram 24% comparado ao ano passado, também dentro dos juros controlados. Ou seja, o aumento da oferta de crédito, de verdade, está se dando a juros livres, que poderão variar conforme a instituição financeira, de 17% a 23% ao ano.

Outras preocupações do campo estão no modelo de seguro rural, que apenas inicia neste ano com o SIS RURAL - Sistema Integrado de Informações do Seguro Rural, e a eterna dúvida da chegada dos recursos a tempo hábil na mão dos produtores.

O pessoal do arroz reclama de não consideração dos custos do arroz irrigado, responsável por 90% do arroz consumido no Brasil, que teve consideráveis aumentos de energia elétrica, após a promessa de que o custo da energia ia cair no país.

E o programa da agricultura de baixo carbono, essencial para o posicionamento de sustentabilidade do agronegócio brasileiro, perdeu 1/3 dos recursos na próxima safra, caindo de R$ 4,5 bi, para R$ 3 bi.

Quer dizer, dentro da circunstância dos ajustes econômicos nacionais, há um olhar positivo pelo aumento dos recursos. Porém, considerando o nível da incerteza sempre presente na atividade agropecuária, que não domina preços, tem custos logísticos infernais no país, além de burocracia paralisante, encarecendo e ampliando o risco da atividade, os juros obrigarão cada produtor a ser um atleta olímpico. A consequência é cada vez mais uma seleção forçada, onde apenas os extremamente mais vocacionados e atléticos superam.

Injusto com a grande maioria dos produtores brasileiros, e com a necessidade imperiosa de aumento do empreendedorismo e do cooperativismo no campo. A Olimpíada no Brasil existe todo ano, nos campos da agropecuária (José Luiz Tejon Megido, Conselheiro Fiscal do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), Dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM, Comentarista da Rede Estadão)

 

Commodities Agrícolas

Café: Sob o sol: Os preços do café arábica devolveram os ganhos de terça-feira e fecharam em queda ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para setembro caíram 100 pontos, a US$ 1,3855 a libra-peso. O corretor Marcus Magalhães, da Maros Corretora, afirmou que a colheita está avançando no cinturão produtivo, no Sudeste do Brasil, mas o café não aparece na proporção desejada. Ainda assim, os trabalhos de campo são favorecidos pelo tempo aberto, que deve se manter pelo menos até o sábado, segundo a Climatempo. Os investidores ainda buscam uma direção para o mercado após a indicação de que a safra de arábica deve aumentar em 2015/16, embora a produção total deva cair. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o arábica subiu apenas 0,06%, para R$ 435,12 a saca.

Cacau: Produção em risco: Os preços do cacau ganharam impulso ontem na bolsa de Nova York com as novas preocupações sobre a produção no oeste da África. Os lotes para setembro subiram US$ 25, a US$ 3.135 a tonelada. As entradas de cacau nos portos de Costa do Marfim e Gana continuam a cair, retomando receios com a safra atual. A Organização Internacional do Cacau disse ontem que a produção ganense pode estar sofrendo com a competição da atividade mineradora por recursos hídricos e mão de obra. Até agora, analistas vinham afirmando que a safra do país foi afetada pelos ventos do deserto (Harmattan) no início do ano e por falta de incentivo ao investimento nas lavouras. No mercado doméstico, o preço médio em Ilhéus e Itabuna seguiu em R$ 125 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Laranja: Aos quatro ventos: A manutenção da estimativa da safra de laranja da Flórida pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu os traders e pressionou as cotações, que só não caíram por causa da temporada de furacões. Os lotes para setembro subiram 20 pontos, a US$ 1,2425 a libra-peso. O USDA manteve a projeção de uma colheita de 96,4 milhões de caixas na safra em curso, 2014/15, enquanto os analistas esperavam um corte de até 2 milhões de caixas devido ao greening. Porém, os contratos encontram sustentação em meio à temporada de furacões. A agência de meteorologia do país emitiu um alerta de forte tempestade para a tarde de ontem no Estado. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a laranja à indústria caiu 2,38%, para R$ 9,60 a caixa de 40,8 quilos.

Algodão: Nada de novo: A projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a produção de algodão frustrou os investidores ao manter o cenário de oferta no país, o que levou a uma leve alta das cotações na bolsa de Nova York ontem. Os lotes para outubro tiveram alta de 38 pontos, a 66,76 centavos de dólar a libra-peso. O USDA continua estimando uma colheita de 3,15 milhões de toneladas nos EUA, sendo que os analistas apostavam em um aumento com relação à projeção de maio, já que as áreas produtoras do país receberam fortes chuvas que podem ter melhorado as condições das lavouras e também a produtividade. O USDA manteve inalteradas quase todas as suas projeções anteriores. Na Bahia, a pluma foi negociada a R$ 69,11 a arroba, segundo a associação local, a Aiba. (Valor Econômico 11/06/2015)