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Fatia do açúcar nas exportações será a menor desde 2008

O peso das exportações de açúcar nos embarques totais do Brasil deverá atingir em 2015 seu mais baixo patamar desde 2008.

O efeito baixista da alta do dólar sobre as cotações da commodity na bolsa de Nova York é a principal razão para essa queda, também influenciada pelos grandes estoques mundiais do produto.

Em 2014, os embarques renderam US$ 9,5 bilhões, uma queda de 20% em relação aos US$ 11,8 bilhões de 2013.

Essa queda da receita (US$ 2,3 bilhões) seria suficiente para reduzir em mais de 50% o déficit na balança comercial brasileira no ano passado, que totalizou US$ 4,4 bilhões.

Entre janeiro e maio de 2015, as vendas de açúcar ao exterior atingiram US$ 2,9 bilhões, 9,5% menos que em igual intervalo de 2014.

A participação desses embarques nas exportações totais do país ficou em 3,9%.

Segundo estimativas da consultoria FCStone, a fatia se tornará ainda menor até o fim deste ano, uma vez que a tendência é que o país postergue embarques normalmente feitos entre julho e outubro para entre dezembro e março.

"No ano passado, a Tailândia jogou as cotações muito para baixo até outubro, pois tinha estoques para desovar. Neste ano, a situação tende a se repetir", afirmou João Botelho, analista da FCStone.

Se essa tendência se confirmar, a participação do açúcar nas exportações brasileiras será a menor desde 2008, quando a fatia ficou em 2,17%, conforme levantamento da FCStone.

Em volume, os embarques entre janeiro e maio deste ano chegaram a 8,3 milhões de toneladas, levemente superiores aos do mesmo período de 2014.

Portanto, são os preços médios em dólar que de fato estão tendo impacto negativo sobre o resultado final.

Conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), os preços médios de exportação no intervalo foram os menores em cinco anos.

Entre janeiro e maio, cada tonelada foi embarcada ao preço médio de US$ 348,95, 10,4% inferior ao de igual intervalo do ano passado.

A última vez que o preço médio de embarque ficou nesse patamar foi em 2009, quando a tonelada foi exportada, na média, por US$ 344,85.

A produção mundial de açúcar tem sido maior que a demanda há pelo menos cinco anos.

São esses superávits consecutivos que vêm pressionando para baixo as cotações internacionais da commodity.

Subsídios ao aumento da produção na Índia e na Tailândia estão colaborando para prolongando o cenário de superávit.

Com a oferta global já elevada, as cotações do açúcar na bolsa de Nova York ficam ainda mais sensíveis à valorização do dólar, sobretudo em relação ao real.

Isso acontece porque o Brasil é o maior exportador global da commodity e a moeda americana mais forte estimula os embarques do país, que é visto como o único que pode alterar sua produção significativamente no curto prazo, já vez que as usinas têm a possibilidade de direcionar suas instalações industriais para o etanol.

Para 2015, a FCStone projeta um volume menor para as exportações brasileiras de açúcar, na casa de 23,5 milhões de toneladas, o que, somado com os preços médios mais baixos, reforçam a tese de uma receita mais enxuta com açúcar neste ano. (Valor Econômico 15/06/2015)

 

Usina Rio Verde, de Goiás, entra em recuperação judicial

A Usina Rio Verde, com sede na cidade goiana de mesmo nome, entrou em recuperação judicial.

A aprovação do pedido foi proferida pela juíza Lídia de Assis e Souza Branco, da 2ª Vara Cível do município, no dia 9. Com capacidade para moer 600 mil toneladas de cana por safra, a usina era sócia da Copersucar desde 2001, com 0,3% de participação, mas deixou o quadro da trading no início deste ano.

A empresa delega à relação comercial com a antiga parceira parte da responsabilidade pela derrocada.

Na petição inicial que resultou no deferimento do pedido de recuperação, a Rio Verde, assessorada pelo escritório Murillo Lobo & Advogados, pediu a proteção contra credores e também que a Justiça determine a liberação dos estoques de etanol arrestados (confiscados) em maio deste ano pela Cooperativa dos Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, que, apesar de não ter vínculo societário com a Copersucar, é a fornecedora da trading e detém em seu quadro de associados os mesmos sócios que ela.

Operacionalmente, quem concede antecipação de crédito às usinas sócias é a cooperativa e, no caso da usina goiana, o volume arrestado havia sido oferecido como garantia de um adiantamento de crédito.

A Usina Rio Verde relatou que estava com uma alavancagem acima do desejável em função de investimentos feitos nos últimos anos.

Mas sustentou que o que inviabilizou suas operações foi uma mudança em regras contratuais feitas unilateralmente pela cooperativa, que excluiu o "seguro de performance", que garante que a usina vai entregar a produção da safra seguinte, da lista de instrumentos de garantia para adiantar crédito aos sócios.

Os proprietários da usina detalharam na petição entregue à Justiça que tentaram resolver a situação com a direção da cooperativa durante todo o segundo semestre do ano passado, mas que, diante do insucesso das negociações, resolveram rescindir a sociedade e vender diretamente sua produção.

O "x" da questão é que a produção em estoque da usina pertence à cooperativa, que tem o penhor do produto como garantia de uma dívida (adiantamento de crédito) de cerca de R$ 45 milhões.

Após o desligamento da Usina Rio Verde, a Copersucar obteve na Justiça o direito de arrestar 100% de seus estoques de etanol, decisão que foi mantida na primeira e na segunda instâncias pela Justiça de São Paulo.

Em nota, a cooperativa negou que tenha mudado as regras e afirmou que cumpre rigorosamente os contratos com seus cooperados. Informou, ainda, que sempre ofereceu a possibilidade de três tipos de garantias para conceder adiantamento de crédito aos associados: o próprio estoque, uma fiança bancária ou o seguro de performance.

No caso do seguro de performance, o que ocorreu, conforme fontes, é que, após o pedido de recuperação judicial da Aralco, até então também sócia da Copersucar, a companhia seguradora que emitia essa modalidade de seguro retirou o produto do mercado.

Até hoje, a seguradora não ressarciu a cooperativa e a Copersucar dos R$ 70 milhões devidos pela Aralco, que também tinha como garantia esse mesmo tipo de seguro.

A trading e a cooperativa movem um processo contra a seguradora para tentar recuperar o montante. (Valor Econômico 15/06/2015)

 

Etanol cai em 14 estados, sobe em 10 e fica estável no DF, AP e SE

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros caíram em 14 Estados, subiram em outros 10 e ficaram estáveis no Distrito Federal, Sergipe e Amapá nesta semana, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No período de um mês, os preços caíram em 15 Estados e Distrito Federal, subiram em 10 e não se alteraram em Roraima.

Em São Paulo, principal Estado consumidor, a cotação cedeu 0,15% na semana, para R$ 1,975. No período de um mês, acumula queda de 1,30%. Na semana, o maior avanço das cotações foi registrado em Pernambuco (0,82%), enquanto o maior recuo ocorreu em Goiás (1,50%). No mês, a maior alta foi registrada também em Pernambuco (2,29%) e a maior queda, em Goiás (3,63%).

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 1,579 o litro, no Estado de São Paulo, e o máximo foi de R$ 3,61 o litro, no Amazonas. Na média, o menor preço foi de R$ 1,975 o litro, em São Paulo. O maior preço médio foi verificado no Acre, de R$ 3,051 o litro.

Etanol x gasolina

Pela 11ª semana consecutiva, o etanol permaneceu competitivo em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo, mostram dados da ANP, compilados pelo AE-Taxas. Nos demais e no Distrito Federal a gasolina permaneceu mais competitiva.

Segundo o levantamento, o etanol equivale a 63,90% do preço da gasolina em Goiás. Em Mato Grosso, a relação está em 60,42%; em Mato Grosso do Sul, 69,22%; em Minas Gerais, em 66,17%; no Paraná, em 67,30%; e em São Paulo, em 63,10%. A gasolina está mais vantajosa principalmente em Roraima, onde o etanol custa o equivalente a 85,34% do preço da gasolina - a relação é favorável ao biocombustível quando está abaixo de 70%.

O preço médio da gasolina em São Paulo está em R$ 3,13 o litro. Na média da ANP, o preço do etanol no Estado ficou em R$ 1,975 o litro. (Agência Estado 12/06/2015)

 

Suplemento de milho pode ser substituído por subproduto do biodiesel

No período das águas, os produtores podem substituir integralmente o milho da alimentação do gado por glicerina bruta [GB], um dos componentes da produção do biodiesel, que tem a soja como matéria-prima. Já no tempo da seca, a substituição deve ser de até 66%, já que os animais comem mais, e a quantidade de sal ficaria acima da recomendação nutricional.

A pesquisa é da equipe coordenada pelo professor da Universidade Federal de Mato Grosso, campus Sinop, Eduardo Henrique Bevitori Kling de Moraes, e financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Mato Grosso [Fapemat].

As conclusões resultaram em duas dissertações de mestrado, que geraram dois artigos. Um intitulado Glicerina bruta em suplementos para bovinos de corte a pasto no período seco e o outro Glicerina bruta para bovinos de corte em pastejo no período das águas: viabilidade produtiva e econômica.

O professor conta que, até então, sabia-se que podia utilizar a glicerina bruta na alimentação dos bovinos, mas o percentual de substituir totalmente o milho não havia sido atingido. A glicerina bruta é pastosa, como se fosse um mel, e obtida pelo processo de fabricação do biodiesel. Na produção, de um lado sai o biodiesel e do outro, a glicerina bruta.

Sobre a diferença na resposta do gado durante a seca, o pesquisador aponta que a quantidade de suplemento disponibilizada foi diferente. Enquanto no período das águas se forneceu cerca de 1 kg, na seca a quantidade foi de 4 kg, quatro vezes mais.

“A composição da glicerina possui muito cloreto, muito sal, e o sal é um dos fatores limitantes de consumo para os animais”. A diferença na alimentação dos animais foi pela necessidade de ganho de peso, já que eles estavam maiores e consumiam mais energia e proteína.

Além de mostrar a alternativa de alimento para o gado, o trabalho, segundo o pesquisador, também tem o intuito estimular o Governo na inclusão do biodiesel na frota de caminhões e veículos que consomem óleo diesel. “Uma forma alternativa de produção de combustíveis”, defende o cientista.

Quanto à viabilidade econômica, Moraes pondera que vai depender dos valores de comércio da glicerina bruta e do milho. Hoje, o milho sai na vantagem pelo valor e pela facilidade de acesso, já que é plantado em vários lugares e encontrado em muitos estabelecimentos. Já a glicerina bruta é fornecida por uma indústria específica.

Ele ressalta que a GB não era descartada e pode ser usada para outras finalidades. A utilização da glicerina bruta não sofre resistência dos produtores, e o estudo mostrou que não há diferença nos níveis de engorda dos animais.

O experimento foi realizado em Sinop [479 km de Cuiabá], no período das águas, entre março e maio de 2013; e na estiagem, entre junho e agosto de 2013.

Das matérias-primas usadas na produção de biodiesel no Brasil, o óleo de soja é a principal fonte: 2,2 milhões de m³. Em seguida aparece a gordura animal, com 578,4 mil m³, e o óleo de algodão, com 64,3 mil m³, conforme dados de 2014 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis [ANP].

O Estado que mais gera glicerina na produção do biodiesel é o Rio Grande do Sul, somando 72,9 mil m³. Na sequência vêm Goiás, com 59,9 mil m³, e depois Mato Grosso, com o total de 47,5 mil m³. (Brasil Agro 15/06/2015)

 

Álcool é favorável a consumidor há um ano em São Paulo

As usinas repassaram 2,92 bilhões de litros de etanol hidratado para as distribuidoras em abril e maio deste ano, segundo a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). O volume aponta alta de 41% em relação a 2014.

Essa intensa demanda tem um motivo. O consumidor se volta para o álcool porque há 56 semanas a utilização do produto é mais vantajosa do que a da gasolina.

Se considerado um período mais longo, a vantagem do etanol dura 107 semanas, com apenas uma interrupção -na entressafra de 2014, quando o valor do etanol foi superior a 70% o da gasolina.

Os dados fazem parte da pesquisa semanal da Folha e se referem apenas aos postos da capital paulista.

Pesquisas indicam que, quando o preço do etanol supera 70% do da gasolina, o uso do derivado de petróleo fica mais vantajoso.

A paridade atual entre o preço do etanol e o da gasolina é de 63% nos postos de abastecimento, a menor desde junho de 2011.

Naquele ano, o desempenho dos preços do etanol foi bem inferior ao da gasolina na entressafra. A pesquisa da Folha apontou que o álcool chegou a custar 84% da gasolina, tornando-o economicamente menos vantajoso.

Essa competitividade atual do etanol hidratado está levando os consumidores a utilizar próximo de 1,4 bilhão de litros por mês.

Como a produção é estimada em 16,3 bilhões de litros nesta safra 2015/16 na região centro-sul, esse preço confortável para os consumidores deverá desaparecer no fim deste ano.

Não faltará álcool, mas o preço do etanol será determinado pela oferta -mais escassa na entressafra- e pela demanda. Se esta continuar intensa, a entressafra de 2016 certamente será marcada pela volta da vantagem da gasolina em relação ao álcool.

Dados da Unica indicaram nesta semana que, em vista da procura do produto pelos consumidores, as usinas estão destinando mais cana para a produção de etanol do que para a de açúcar.

Do início desta safra até o fim de maio, as usinas produziram 3,5 bilhões de litros de etanol hidratado, 20,3% mais que em igual período anterior.

A produção de etanol anidro recuou para 1,4 bilhão de litros, 26% menos, enquanto a de açúcar caiu 12%, para 4,8 milhões de toneladas.

VÁLVULA DE ESCAPE

O etanol hidratado tem sido a válvula de escape das usinas. Elas precisam das vendas do hidratado para gerar faturamento e pagar dívidas e custo de produção.

As vendas do etanol hidratado ficaram favoráveis também porque a volta da Cide (o imposto sobre combustíveis) elevou os preços da gasolina para os consumidores.

Alguns Estados, como Minas Gerais, mudaram a tributação sobre os combustíveis, tornando o etanol mais competitivo ante à gasolina.

São Paulo, que já tem uma tributação mais favorável, vem sustentando boa parte dessas vendas.

Um dos atrativos do etanol também tem sido a redução da disparidade dos preços entre safra e entressafra. E a oferta de etanol deverá perdurar por mais tempo nesta safra, que promete ser mais longa do que a anterior.

Ela começa com atraso, principalmente na região centro-sul. A moagem de cana atingiu 114 milhões de toneladas até o início de junho.

Enquanto em São Paulo há recuo de 14% em relação a igual período de 2014, nos demais Estados há avanço de 16% na moagem.

Na semana: O preço médio do etanol é inferior a R$ 2 por litro na cidade de São Paulo. Pesquisa da Folha indicou R$ 1,989 por litro, ante R$ 3,138 do da gasolina.

Pesquisa: O etanol está favorável, mas o consumidor tem de pesquisar na hora de abastecer. Em alguns postos, o litro do álcool já recuou para R$ 1,799. Em outros, no entanto, os preços se mantêm em R$ 2,499 por litro.

Gasolina: No caso desse combustível, a diferença de um posto para outro chega a 20%. O valor mínimo encontrado pela Folha foi de R$ 2,899 por litro. O maior está em R$ 3,49.

Algodão: A área utilizada para o cultivo do produto recuou para 933 mil hectares na safra 2014/15, aponta a Céleres. É um espaço 15% inferior ao da safra anterior. Já a produção do algodão pluma recua para 1,44 milhão de toneladas, também 15% menos. (Folha de São Paulo 13/06/2015)

 

Salário de executivo cresce mais que receita de empresas

Em um terço das maiores empresas de capital aberto do país, o pagamento anual total de salários e bônus a diretores e conselheiros cresceu bem mais do que a receita, entre 2014 e 2013.

Os resultados fazem parte de uma atualização feita pela Folha de levantamento organizado por Renato Chaves, sócio da consultoria Mesa Governança Corporativa, com dados de 2013. A lista considera 46 empresas com receita acima de R$ 5 bilhões.

Os dados sobre receita e remuneração foram pesquisados nos formulários de referência que as empresas têm de publicar anualmente, segundo norma da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Em média, a receita das 46 empresas cresceu 13% na comparação entre 2013 e o ano passado. A remuneração global dos administradores registrou um avanço próximo: 12%.

Quatorze companhias tiveram alta nos gastos com conselho e diretoria bem acima do avanço da receita.

Em dez delas, a remuneração global de diretores e conselheiros cresceu pelo menos 13 pontos percentuais acima da receita.

Em outras quatro, salários de diretores e conselheiros subiram entre 9% e 67% no período, enquanto receita se manteve ou caiu.

 Uma das empresas é a Oi, que registrou queda de 0,6% na receita, mas a remuneração cresceu 67% -de R$ 15,4 milhões para R$ 25,8 milhões.

Na Cosan, a receita cresceu 33%, mas a remuneração teve alta ainda maior -97%. Seguiram caminho parecido Banrisul, Itaú Unibanco, Fibria e Vale

INFLAÇÃO

O levantamento mostra ainda que em 24 dessas grandes companhias a remuneração da alta cúpula dos administradores subiu acima da inflação de 2014, medida pelo IBGE, de 6,41%.

Há empresas em que o aumento nesses ganhos ficou aquém da receitas, como a Vale, em que a receita caiu 13% e o pagamento aos gestores subiu 19%.

"A inflação é um parâmetro importante, porque baliza a negociação dos salários dos demais funcionários. Ganhos extras não devem ser apenas de algumas mentes brilhantes", diz Chaves.

Em média, as 46 empresas gastam 0,19% da receita com remuneração de administradores. Há 15 que pagam mais. Fibria (0,71% da receita de R$ 7 bilhões), Cielo (0,61% da receita de R$ 7,8 bi) e Itaú (0,49% de R$ 52 bilhões em receita) são as que mais gastam proporcionalmente.

Em algumas, caiu a remuneração -casos de Gerdau (-66%) e Cyrela (-67%). (Folha de São Paulo 13/06/2015)

 

Brasil deve colher uma supersafra com mais de 204 milhões de ton

Conab revisou para cima a produção de grãos. Crescimento é de 5,6% sobre a safra passada.

A safra de grãos não para de surpreender. A Conab divulgou nova previsão de safra essa semana elevando ainda mais os números. A produção nacional deve chegar a 204,525 milhões de toneladas, um crescimento de 5,6% sobre a safra passada.

“É extremamente significante porque ele mostra a resposta dos nossos agricultores à demanda crescente de alimentos no mundo e que nós estamos em condições de dar respostas a isso”, fala o diretor de economia agrícola do Ministério do MAPA, Wilson Vaz.

Na comparação com a estimativa do mês passado, os técnicos da Conab verificaram no campo um incremento de 2,3 milhões de toneladas. Isto se deve principalmente ao milho segunda safra, que cresceu 3% e à soja – mais 1%.

Tanto a produção de soja quanto a de milho segunda safra são as maiores da história. Esse resultado, segundo a Conab, se deve vários motivos: uso de mais tecnologia no campo, condições favoráveis de clima - sobretudo em estados que são grandes produtores como Mato Grosso, e bom mercado.

“O Brasil nunca exportou tanto em soja como recentemente e internamente o consumo segue também dentro de uma expansão”, fala o diretor de política agrícola da Conab, João Marcelo Intini.

A Conab destacou a boa produtividade. A do arroz, no Rio Grande do Sul, bateu 7,7 mil quilos por hectare, e a da soja, em Mato Grosso, chegou a 3,160 mil quilos por hectare.

“O detalhe é que nessa produção nossa nós utilizamos muito área de segunda safra, isso significa que nós estamos desmatando menos para produzir mais”, explica o presidente da Conab, Rubens Rodrigues.

Os números do IBGE e da Conab se aproximam cada vez mais. De acordo com a previsão anunciada também essa semana pelo IBGE, a safra deve ficar em 204,3 milhões de toneladas. (Globo Rural 14/06/2015)

 

Tudo aquilo que não precisamos - Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana amargando nova queda e ficando bastante confortável abaixo dos 12 centavos de dólar por libra-peso. Na semana, o vencimento julho encerrou a 11.72 centavos de dólar por libra-peso, 33 pontos abaixo do fechamento da semana anterior. E a oscilação negativa repetiu-se ao longo de toda a curva de preços até o longínquo maio de 2018, entre 19 e 25 pontos para baixo, isto é, uma queda entre 4 e 8 dólares por tonelada.

O velho e surpreendente spread outubro 2015/março 2016 demonstra que o mercado físico aposta suas fichas que a trading asiática que recebeu 1.9 milhão de toneladas de açúcar na expiração do contrato maio/2015 em NY, não deve ter encontrado destino para todo o volume recebido. Tudo que esse mercado NÃO precisa é que a citada trading reentregue parte de sua posição no próximo vencimento que ocorre daqui a apenas doze pregões. Enquanto seu lobo não vem, o citado spread negocia a um singelo desconto de 30.81% ao ano equivalente.

Os preços do açúcar em reais por tonelada estão mais atrativos nos meses com vencimento mais longo. Explica-se: tanto o mercado de açúcar em NY como a curva de dólar apresentam melhores valores nos vencimentos mais longos, o primeiro em função de o mercado estar em custo e carrego (não existe percepção nesse momento de que haja pressa alguma para comprar açúcar) e o segundo pela própria estrutura do custo do dinheiro no Brasil vis-à-vis lá fora. Dito isto, as usinas devem priorizar a produção de etanol agora deixando o açúcar para depois. Se isso vai ou não afetar os spreads (deveria!!), só aguardando.

O BNDES, um órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, reuniu na semana passada, em seu escritório em SP, os principais formadores de opinião do setor. Empresários, executivos, analistas, consultores, etc. O objetivo da reunião, feita por convite, era mostrar o estudo que o banco está desenvolvendo para avaliar o impacto da utilização de contratos de longo prazo no retorno do investimento em nova capacidade produtiva de etanol hidratado, tanto para ampliação como implantação de usinas. O que isso quer dizer?

A proposta é criar um modelo que atraia investidores para a construção ou ampliação de unidades novas de produção de etanol hidratado, que teriam acesso a contratos de longo prazo (15 anos) a preço fixo baseado no modelo do tal estudo. As ressalvas que o pessoal técnico do banco impôs são que o estudo não poderia impactar inflação, não poderia trazer desequilíbrio fiscal, não poderia trazer nenhum tipo desgaste político (via aumento de combustíveis, ou da CIDE, por exemplo) e que o contrato só serviria para unidades novas.

Com essa iluminada ideia, teríamos dois mercados de hidratado no Brasil: um preço para unidades novas e outro preço para unidades antigas. As unidades novas teriam que fornecer o hidratado baseado numa formula que não guarda vínculo com a gasolina por 15 anos !! Uma receita para o fracasso retumbante de qualquer projeto. Nenhuma palavra foi emitida sobre qualquer mudança na formação de preços dos combustíveis que, pelo que pareceu a alguns dos presentes, é matéria intocável. Se depender desse governo, como eu já disse aqui há dois anos, nós vamos assistir –desolados – à desconstrução do setor. Ideias como essas poderiam ser comuns nos Politburos chefiados pelos ditadores da antiga União Soviética na época da Guerra Fria. Ouvidas hoje causam espanto e a certeza de que não existe a menor possibilidade do Brasil do PT dar certo.

Num mercado em que absolutamente nada ocorre, tem pelo menos as opções de açúcar em NY para se distrair um pouco, com boa chance de colocar algum dinheiro no bolso. Veja o março de 2016, por exemplo, que fechou a 13.50 centavos de dólar por libra-peso. Quem vender o straddle, ou seja, vender simultaneamente a call (opção de compra) e a put (opção de venda) do mesmo preço de exercício, no caso também 13.50 centavos de dólar por libra-peso, embolsa um prêmio de 210 pontos. Se o mercado fechar acima de 13.50, o vendedor está fixado a 15.60 centavos de dólar por libra-peso. Se fechar abaixo desse nível, o vendedor fica comprado a 11.40 centavos de dólar por libra-peso. Mesmo que a volatilidade – que hoje é de 23.70% - exploda para 35% (difícil, mas nunca se sabe numa situação de estresse), ainda assim os 210 pontos entrarão no ponto de equilíbrio um mês antes do vencimento (ou seja, as chamadas de margem em função do aumento da volatilidade que afeta o valor de mercado dos prêmios vendidos retornam para o caixa).

A dívida do setor é estimada pelo modelo desenvolvido pela Archer Consulting em 82,476 bilhões de reais contra um faturamento estimado para o ano safra de 2015/2016 de 69,701 bilhões de reais. Em português claro, é impagável no atual cenário. Vamos continuar a passar por momentos difíceis de renegociação e ajustes no setor antes que possamos sequer ter ideia de expandi-lo para atender à demanda potencial que está aí.

O Brasil continua à deriva, com inflação alta, juros altos, aumento do desemprego (no setor, principalmente) e um PIB negativo que deverá chegar aos 2%. Herança maldita de um governo podre por dentro e por fora. Enquanto vamos afundamos lentamente, o Partido dos Trabalhadores se reuniu em Salvador, Bahia com todos os membros que ainda estão soltos, para saber se apoiam ou não as medidas do governo que é deles mesmo. A dupla de farsantes que comanda o País acredita que a crise é culpa da imprensa.

A Archer realiza o II Curso Avançado de Opções Agrícolas (Noturno), de 17 a 20 de agosto, das 19 às 23 horas, a ser realizado em São Paulo próximo ao metrô Paraíso. Para mais informações envie um e-mail para priscilla@archerconsulting.com.br (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Fôlego em NY: Impulsionados pela possibilidade de redução da oferta global, os contratos futuros do cacau registraram alta na sexta-feira na bolsa de Nova York e reverteram a queda do dia anterior. Os papéis para setembro subiram US$ 41, a US$ 3.145 a tonelada. Os últimos diagnósticos de formação do El Niño e as previsões que indicam que o fenômeno deverá se manter ativo pelo menos até o fim do ano preocupam os traders, já que o evento costuma provocar secas no Sudeste Asiático e também no oeste da África, que já está no foco dos investidores nos últimos dias por causa da queda das entregas de amêndoas nos portos. No mercado doméstico, o preço médio do cacau em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, seguiu em R$ 125 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Laranja: Enfim, uma queda: Os preços do suco de laranja enfim interromperam a trajetória ascendente iniciada na semana retrasada e fecharam em baixa na sexta-feira em Nova York, por conta de um movimento de realização de lucros após sete altas seguidas. Os contratos para setembro fecharam com recuo de 190 pontos, a US$ 1,229 a libra-peso. As cotações vinham sendo impulsionadas pelos possíveis danos que a temporada de furacões nos Estados Unidos pode causar aos pomares de laranja da Flórida, mas a queda do consumo de suco nos últimos anos, no varejo americano e em outros países desenvolvidos, voltou a agir como barreira às valorizações. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias, subiu 0,73%, para R$ 9,67, segundo o Cepea.

Algodão: Ecos da China: Os preços do algodão subiram na sexta-feira na bolsa de Nova York e recuperaram parte das perdas da véspera, influenciadas pela confirmação de que a China começará a desovar seus estoques. Os lotes para outubro fecharam em alta de 38 pontos, a 65,78 centavos de dólar a libra-peso. Na quinta-feira, Pequim sinalizou que divulgaria em breve um plano para as vendas da pluma dos estoques estratégicos do país, inflados nos últimos anos. Embora a medida já fosse esperada pelos analistas, investidores e órgãos que fazem levantamento de oferta e demanda, a confirmação oficial da mudança na política pressionou as cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,2%, para R$ 2,0941 a libra-peso.

Milho: Milhões em estoque: Os fundamentos voltaram a dar o tom das negociações dos futuros do milho na bolsa de Chicago e conduziram as cotações do cereal ao campo negativo na sexta-feira. Os contratos do grão com vencimento em setembro fecharam a US$ 3,5875 o bushel, uma baixa de 4,25 centavos. O mercado segue sob pressão do aumento da estimativa do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para os estoques globais em 2015/16, calculados agora em 195,19 milhões de toneladas. As previsões de chuvas no fim de semana no Meio-Oeste americano foram vistas com otimismo pelos produtores, uma vez que o plantio do cereal já se encerrou no país e a umidade é benéfica para as lavouras. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa registrou queda de 0,4%, para R$ 24,79 a saca. (Valor Econômico 15/06/2015)