Setor sucroenergético

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Setor sucroenergético pede aumento da Cide de R$ 0,22 para R$ 0,62/litro da gasolina

Representantes do setor agroenergético trabalham junto ao governo federal para que a Contribuição Sobre Intervenção no Domínio Econômico (Cide) passe dos atuais R$ 0,22 para R$ 0,62 por litro de gasolina vendido nos postos. A proposta é liderada pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e consiste, segundo o presidente da entidade, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, em uma atualização monetária do valor original da Cide - originalmente de R$ 0,28 por litro da gasolina - desde que a contribuição foi criada, em 2002.

Um dos principais instrumentos para melhorar a competitividade do etanol ante a gasolina, a Cide foi utilizada pelo governo nos últimos anos para evitar que o reajuste do combustível de petróleo fosse repassado das refinarias ao consumidor. Com isso, o governo reduziu gradativamente o valor contribuição até zerá-lo e só retomou a cobrança parcialmente este ano, com um valor menor que o original, mesmo assim com o intuito de melhorar o caixa e contribuir com o ajuste fiscal.

"É uma correção necessária da inflação desde 2002, já que os custos do setor cresceram muito", disse Carvalho ao Broadcast. De acordo com ele, a discussão junto ao governo é feita com cautela e começa pelo Ministério da Agricultura, favorável à demanda do setor. "A demanda começa via Agricultura, com a ministra Kátia Abreu, que é favorável, e mensagens enviadas à Fazenda, além da participação de deputados que conhecem o setor", completou.

Carvalho, no entanto, admite que o fato de a gasolina novamente se tornar deficitária para a Petrobras, com a alta do dólar e do petróleo, pode prejudicar o pedido feito ao governo. Isso porque um reajuste no combustível de petróleo teria de ser feito nos preços da própria gasolina e não por meio da Cide, cujos recursos vão para o governo federal e não para a Petrobras.

O presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, afirmou que a recomposição da Cide está sendo discutida na entidade que representa o setor produtor de etanol e açúcar, mas que ainda não há uma posição fechada sobre o assunto. "Isso está sendo discutido, mas ainda não concluímos o trabalho para um pleito ao governo, apesar dos estudos serem elaborados", explicou.

Rocha lembra que, além da Cide, outros temas estão na pauta do setor, como a necessidade de o governo, via Inovar Auto, pressionar montadoras para aumentar a eficiência do uso do etanol nos motores flex fuel. Nos modelos atuais, o uso do etanol é viável economicamente caso o preço do combustível esteja em 70% do cobrado pela gasolina nas bombas. A idéia é ampliar esse porcentual com o desenvolvimento de novos motores.

"Outro tema é a criação de uma taxação da gasolina pela emissão de carbono que é muito maior que a do etanol, combustível limpo e renovável", explicou. Segundo os dois lideres do agronegócio, a cadeia produtiva de etanol quer que o País marque uma posição de estímulo ao uso de etanol na COP-21, a Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, a ser realizada em Paris no fim deste ano.

Já a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, considerou o valor cobrado de Cide sobre a gasolina "insuficiente" para ajudar o setor a se reerguer, em entrevista ao Broadcast na semana passada. Além disso, a executiva também defendeu a posição firme do setor junto ao governo para que o etanol seja tratado como combustível diferenciado pelos benefícios ambientais.

"É natural que um planejamento para o setor de etanol envolva, além de questões de abastecimento, que são necessárias, questões ambientais, de redução de emissões (de gases do efeito estufa)", relatou a presidente da Unica. (Agência Estado 16/06/2015)

 

Açúcar: Estoques de sobra

As cotações do açúcar voltaram a cair ontem na bolsa de Nova York, refletindo os elevados estoques do produto no mercado internacional.

Os contratos do açúcar demerara para entrega em outubro caíram 15 pontos, a 11,68 centavos de dólar a libra-peso.

Apesar da produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil estar um pouco abaixo nesta safra, já que as usinas estão preferindo utilizar o volume maior da colheita de cana para a produção de etanol, a quantidade de açúcar ainda é elevada.

"As usinas devem priorizar a produção de etanol agora, deixando o açúcar para depois", comentou Arnaldo Luiz Corrêa, analista da Archer Consulting, em relatório semanal.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo caiu 0,6%, para R$ 49,60 a saca. (Valor Econômico 17/06/2015)

 

Setor sucroenergético terá alta produtividade em 2015/16, diz CNA

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) considera que a safra 2015/16 de cana da região Centro-Sul do país será caracterizada pela recuperação da produtividade agrícola que, na safra passada, ficou abaixo da média histórica devido à estiagem.

Entretanto, a rentabilidade do setor sucroenergético continuará ainda abaixo das expectativas em função dos custos de produção.

Levantamento feito pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) da CNA estima aumento de 9,8% nos preços do etanol hidratado e de 8,6% para o anidro, com base na variação do preço da gasolina divulgada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central.

No caso do açúcar VHP, o aumento no preço para o produtor deverá chegar a 7,2%, com base nos valores médios dos contratos futuros do açúcar e dólar com vencimento em julho e outubro deste ano, período em que historicamente acontece o pico da comercialização do produto.

Os custos de produção agrícola estimados pelo Pecege/CNA mostram peso decisivo do calcário (+18,33%) e dos fertilizantes, grande parte dos insumos são importados, com reajuste no preço calculado em 11,34%.

Em compensação, dois itens pesarão menos: inseticidas (­11,61%) e herbicidas (­1,49%). Os encargos do produtor com mão-de-obra estão previstos para crescer 8,04%. (Valor Econômico 16/06/2015 às 15h: 58m)

 

Produção de etanol não é vantajosa no país

São Paulo foi o único estado que teve preço médio mensal de etanolcompetitivo na maior parte desse período. No caso do etanol anidro, as vendas são relacionadas à gasolina e a demanda pode ser incrementada por políticas que alterem sua proporção na gasolina comum. Assim, mesmo que o governo tenha se distanciado do processo de formação de preços do etanol desde a desregulamentação, ainda existem alguns instrumentos políticos de incentivo à indústria, tanto com a política de estímulo à compra de veículos flex, quanto a manutenção do mercado do etanol anidro.

Consumo de etanol aumenta no país

Apesar da política de incentivo aos carros do tipo flex, o aumento das vendas de veículos com a opção de etanol não gerou um impacto tão significativo para o consumo deste tipo de combustível.

Segundo o documento da FGV, entre 2008 e 2010 o número de licenciamento desse tipo de veículo aumentou em 25% enquanto o consumo do etanol hidratado se elevou em apenas 10%. Desde 2009 o número de carros licenciados tem aumentado, porém isso também não contribuiu para o preço. As baixas ocorreram principalmente pela seca naquele ano e resultaram na queda do consumo de etanol em 2010, que só se recuperou em 2013.

A produção tanto do etanol anidro como do hidratado também pode ser afetada pelo preço do açúcar. A partir dos preços do etanol e do açucar que o produtor deve direcionar sua produção, já que há uma grande flexibilidade das usinas. A crise financeira de 2008 agravou a situação do setor, já fragilizada pela queda dos preços do açucar que ocorreu em 2007 e um alto nível de endividamento do setor sucroalcooleiro também ajudou na piora de cenário. Assim, ocorreu uma queda na quantidade de usinas da região centro-sul, principal produtora de etanol, a partir da safra de 2010/2011.

Indústria hoje

A indústria portanto tem sentido uma redução das políticas direcionadas ao etanol, com o controle de preços da gasolina entre 2011 e 2014 reduzindo consideravelmente a competitividade do etanol.

Mais do que isso, os altos níveis de endividamento do setor, as perspectivas ruins em relação ao consumo e os preços do açúcar levaram a um cenário de redução do número de usinas, promovendo uma reorganização da indústria do etanol.

Em março de 2015, o governo resolveu auxiliar a indústria e determinou um aumento do teor de etanol anidro na gasolina de 25% para 27%. Apesar do aumento garantir uma demanda para o etanol, isso pode gerar uma redução da produção destinada ao etanolhidratado, elevando seus preços.

O artigo da FGV também destaca que nem sempre o aumento da proporção de etanol na gasolina deve gerar uma redução no preço da gasolina já que os altos custos de transporte do etanol podem acabar resultando em um preço por litro superior ao da própria gasolina, que era naturalmente competitiva em relação ao etanol hidratado. (Canal Rural 15/06/2015)

 

Liquidez aumenta, mas preço do açúcar cai

Na segunda-feira, 15, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal (mercado paulista), cor Icumsa entre 130 e 180, fechou a R$ 49,60/saca de 50 kg, queda de 2,13% em relação à segunda-feira anterior. O Indicador não fechava na casa dos R$ 49,00 por saca de 50 kg desde o final de fevereiro.

Segundo pesquisadores do Cepea, a liquidez no mercado spot paulista aumentou nos últimos dias, e as negociações têm envolvido volumes maiores.

Compradores buscam realizar novas aquisições no mercado spot à vista, além do que já havia sido contratado.

Quanto à oferta, o clima favoreceu a colheita nos últimos dias e, consequentemente, a produção de açúcar nas usinas pressionou as cotações.

Além disso, a queda no mercado internacional também pesou sobre os valores no Brasil. (Reuters 16/06/20150

 

Preços do etanol recuam no mercado paulista: hidratado -1,1% e anidro -0,5%

Os preços do etanol voltaram a cair no mercado paulista. Entre 8 e 12 de junho, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado (estado de São Paulo) foi de R$ 1,2261/litro (sem impostos), baixa de 1,1% em relação ao período anterior.

Para o anidro, a maior parte dos negócios vem ocorrendo via contratos, o que se intensificou desde maio.

O recuo no Indicador Cepea/Esalq do anidro (estado de São Paulo) se limitou a 0,5%, fechando a R$ 1,3831/l (sem impostos) no intervalo de 8 a 12 de junho.

Pesquisadores do Cepea indicam que, além do aumento da produção com o avanço da colheita, grande parte das usinas elevou as ofertas em decorrência da necessidade de “fazer caixa”.

Distribuidoras também tiveram maior interesse de compra, tanto para atender ao mercado de SP como o nordestino, o que limitou as desvalorizações. (Agência Estado 16/06/2015)

 

Olacyr de Moraes, o ex-rei da soja, morre aos 84 anos

O empresário Olacyr de Moraes, conhecido como o rei da soja, morreu na manhã dessa terça-feira, aos 84 anos. A morte foi informada em sua conta oficial do Facebook.

O empresário será enterrado ainda hoje no Cemitério Horto da Paz, em Itapecirica da Serra, segundo a Folha de S. Paulo.

Nascido em Itápolis, no interior do Estado de São Paulo, em 1931, Olacyr Francisco de Moraes começou a investir cedo.

Por quase duas décadas, esteve entre os homens mais poderosos do país. Com patrimônio que chegou a ser estimado em 1,2 bilhão de dólares, o rei da soja entrou para a lista dos 200 homens mais ricos do planeta, sendo também o mais jovem brasileiro a entrar no ranking da Forbes.

Com 40 empresas, seu império estava entre os dez maiores conglomerados do Brasil. Seus negócios agropecuários o alçaram ao maior produtor de soja do mundo.

A partir da década de 1970, Olacyr passou a investir em outros projetos, com destaque para a Ferronorte, uma gigantesca ferrovia de 5200 quilômetros que iria do norte de Mato Grosso ao porto de Santos e seria o principal canal de escoamento da produção de grãos da região.

Foi aí que o jogo virou. Depois de levar sucessivos calotes de governos estaduais e prefeituras para realizar a obra, o empresário acabou se afundando em dívidas com credores.

Para pagar as contas, Olacyr passou boa parte dos últimos anos de sua vida vendendo fazendas, usinas, imóveis e todo tipo de bens. Em 2014, foi diagnosticado com um câncer de pâncreas e, cerca de um ano depois, sucumbiu à doença. (Agência Estado 16/06/2015)

 

Coca-Cola tem nova garrafa plástica feita de plantas

A Coca-Cola anunciou na semana passada, durante uma exposição em Milão, na Itália, que vai mudar as suas já famosas garrafinhas por um modelo que agride menos o meio ambiente. As chamadas PlantBottle serão compostas de materiais vindos de plantas, como a cana de açúcar.

Com o objetivo de diminuir os impactos ambientais que as garrafas de plástico causam no planeta, a empresa patenteou a receita da embalagem feita inteiramente de materiais renováveis. Basicamente, a matéria-prima é a cana de açúcar, e seus restos também são reaproveitados na composição.

As PlantBottles têm o mesmo visual, a mesma função e são recicladas da mesma forma que a versão anterior, com o diferencial que deixam menos destruição pelo mundo, como pela diminuição na emissão de dióxido de carbono na atmosfera. A nova fórmula pode ser usada para produzir qualquer tamanho de garrafa e para qualquer tipo de bebida (refrigerantes, chás, sucos, água, entre outros).

A mudança mais recente nas garrafinhas da marca aconteceu em 2009, quando foi anunciado que teriam 30% de materiais reutilizáveis na composição. Desde então, foram vendidos aproximadamente 35 milhões de exemplares, que evitaram a emissão de 315 000 toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. (Veja.com 15/06/2015)

 

Concedida liminar em ação sobre inconstitucionalidade da lei das queimadas

O advogado Cláudio Urenha Gomes, do Sindicato Rural de Ribeirão Preto e o presidente daquela entidade, Joaquim Augusto Azevedo Souza divulgaram, na tarde desta sexta-feira, 12, o parecer de Moacir Góes concedendo liminar à ação direta de inconstitucionalidade proposta contra a lei municipal 13313/14 dispondo “ sobre a proibição de queimadas de canaviais localizados no município de Ribeirão Preto e dando outras providências.”

Goes acolheu, assim, o argumento de que o Município usurpou competência dos outros entes políticos para legislar em matéria de meio ambiente, observando que a legislação federal e estadual permite o emprego de fogo em práticas agropastoris e florestais, mediante queima programada; pontua que os prazos estabelecidos na lei estadual consideram a questão social relativa à massa trabalhadora na atividade de colheita de cana de açúcar e a questão operacional, pois a proibição da queima inviabilizaria a safra agrícola e industrial.

Argumenta que o Município é incompetente para legislar sobre meio ambiente, nos termos do artigo 30 da Constituição Federal e essa lei municipal . 13.313/14 afronta os artigos 19; 23, parágrafo único, n. 14; 144; 191; 192, §§ 1º e 2º; e 193, caput e inciso XX, da Constituição Estadual. Pede a suspensão liminar da eficácia da norma impugnada. 3.

“ Por entender relevantes os fundamentos do pedido cautelar (fumus boni iuris) e considerando a possibilidade de a norma em questão acarretar prejuízos, com eventuais lesões de difícil reparação aos representados pelo autor da ação (periculum in mora)- explicita o relator - concedo a liminar, com efeito ex nunc, para suspender a validade da Lei Municipal n. 13.313/14.”. (Jornal Sindicato 16/06/2015)

 

MPT de Alagoas solicita à Justiça bloqueio de bens da Usina Seresta

Dinheiro seria utilizado para o pagamento de salários atrasados.

Funcionários do corte de cana já haviam fechado rodovia em protesto.

O Ministério Público do Trabalho em Alagoas(MPT-AL) pediu à Justiça, em caráter liminar, a apreensão e a indisponibilidade dos bens da Usina Seresta e de seus sócios, para garantir o pagamento de salários atrasados a trabalhadores que atuam no corte de cana. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (15).

A reportagem do G1 tentou entrar em contato com a usina por telefone, mas foi informada por um funcionário de que não havia ninguém da assessoria de comunicação ou da direção da empresa que pudesse responder aos questionamentos.

De acordo com a assessoria de imprensa do MPT, em maio, o órgão havia ajuizado uma Ação Civil Pública contra a empresa Usinas Reunidas Seresta S.A. e seus sócios, pelo atraso no pagamento de multas rescisórias a 800 trabalhadores.

No mês de maio, os trabalhadores chegaram a bloquear os dois sentidos da rodovia BR-101, no município de Teotônio Vilela, para cobrar o dinheiro devido.

Uma audiência foi marcada para tentar solucionar a situação. Nela, representantes da empresa reconheceram que haviam atrasado os salários de abril, e que até o início de junho o pagamento seria regularizado em parcelas: até o dia 29 de maio seriam pagos 60%, enquanto os outros 40% seriam pagos até o dia 2 de junho.

O MPT também requereu à Justiça que a empresa e os sócios sejam condenados a pagar verbas rescisórias aos trabalhadores despedidos sem justa causa, indenização por dano moral aos empregados e R$ 2 milhões por dano moral coletivo. O dinheiro seria destinado ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). (G1 15/06/2015)

 

Setor Sucroenergético é o caminho para fortalecer a economia brasileira

Quando fui eleito pela primeira vez, em 1987, escolhi a defesa do setor rural como uma das principais bandeiras dos meus mandatos. Sou deputado federal há oito mandatos consecutivos. São 24 anos dedicados à representação do meu partido, do meu Estado, mas antes disso, já dedicava minha vida ao trabalho e auxílio ao homem do campo.

Fui fundador e presidente do Sindicato Rural de Inhumas, cidade em que nasci e vivo até hoje. Presidi a Cooperativa Agropecuária do Mato Grosso Goiano e tive a honra de também ser secretário de Agricultura do Estado de Goiás, reconhecido pela vocação rural. Sou produtor de leite, milho, cana-de-açúcar, café, gado de corte, laranja e fui presidente do Sindicato dos Produtores de Álcool de Goiás. Tenho o orgulho de ter presidido a Comissão de Agricultura da Câmara. Sempre atuei em defesa da pesquisa, extensão e proteção ao homem do campo.

Hoje o agronegócio é o setor mais forte da economia brasileira, representa quase um quarto do PIB, e tem garantido, a duras penas, que o nosso País não entre em uma crise sem precedentes devido a decisões equivocadas na condução econômica. Mas isso não quer dizer que tem sido fácil. Em 2015, as previsões mais otimistas apontam para um crescimento de 2,8% do PIB agrícola em um cenário de encolhimento da economia.

Para se produzir no Brasil é preciso enfrentar a cada dia um grande desafio. Falta infraestrutura, investimento em produção e distribuição de energia e em logística para o escoamento da safra. Tudo isso prova que, apesar da força que o agronegócio tem, ainda há muito para avançar.

Defender o setor rural é, sem dúvida nenhuma, defender o nosso País, acima de tudo. O Brasil tem papel chave no abastecimento do mundo e, em tempos difíceis como o que estamos vivendo, não podemos permitir o enfraquecimento desse setor.

Por isso, faço questão de contextualizar para me ater a uma área específica do agronegócio que vem sofrendo uma dupla crise. Trata-se do setor sucroenergético, que vem sofrendo com a inércia do governo federal em resgatar uma dívida com esse ramo econômico. Dívida essa que vem se acumulando com o setor há vários anos e que agora, se soma a uma atual crise política e econômica vivida em todo o País.

Infelizmente, a palavra “crise”, que está na boca do brasileiro neste ano de 2015, já se faz presente na vida do produtor de cana há um bom tempo. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar prevê o fechamento de pelo menos dez usinas neste ano, somando-se a mais 50 que já deixaram de atuar desde 2008. Isso significa a extinção de mais de 100 mil empregos.

Cabe aqui destacar um paradoxo. Apesar de não ter políticas públicas nem incentivos voltados para o aumento da produção, o volume processado de cana-de-açúcar nas usinas do Centro-Oeste e do Sul do Brasil deve crescer quase 19 milhões de toneladas nesta safra em relação à safra do ano passado, chegando a 590 milhões de toneladas. A estimativa foi divulgada pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar.

Infelizmente é preciso lembrar que o aumento será possível somente devido às condições climáticas, que este ano estão mais favoráveis, e pela ousadia dos produtores rurais, não pelo incentivo que eles deveriam receber. Se uma simples mudança climática é capaz de melhorar esse cenário, qual o potencial que esse setor teria se recebesse o apoio necessário? Não há dúvidas de que a produção de cana é uma vocação brasileira e que precisa ser retomada com força para o desenvolvimento de muitos municípios.

Entendemos que, em um ano de cortes profundos em todas as áreas, fica difícil para o Governo Federal se atentar para esse setor, que já vem negligenciado nos últimos anos. Mas é neste momento adverso que a União tem de a obrigação de alargar sua visão e enxergar oportunidades. E a produção de álcool e açúcar é uma saída para ajudar o país a sair da crise. Se der atenção à produção de cana, não é o governo que estará ajudando o setor sucroenergético. É o setor que vai ajudar o País.

No Brasil há mais de 400 unidades industriais e quase 70 mil produtores independentes de cana-de-açúcar. Todos eles fazem parte do setor responsável pela geração de mais de 1 milhão de empregos diretos, distribuídos por 20% dos municípios brasileiros. O PIB chega a 40 bilhões de dólares e as exportações anuais chegam à ordem de 15 bilhões de dólares.

O setor tem que reconhecer alguns pequenos avanços. Uma das poucas vitórias foi o Governo Federal ter acolhido nossa proposta de aumentar o percentual de álcool anidro na gasolina de 25% para 27%. Mas não devemos nos esquecer de que foram meses de discussão e debates no Congresso Nacional. Onde foi aprovado, em agosto do ano passado, a Medida Provisória nº 647, de 2014, que aumenta o percentual de biodiesel no diesel, com a inclusão de uma emenda que autoriza o governo a elevar também a mistura de etanol anidro na gasolina.

É um fôlego a um setor importantíssimo para a economia brasileira. Aumentando a demanda do etanol em 1 bilhão de litros por ano e tem aliviado a tensão pela qual passa o setor.

Isso mostra que é fundamental que continuemos a dialogar, pressionar e apontar soluções para defender com muita força o setor sucroenergético. Um importante espaço para esse trabalho tem sido a Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético, recriada na Câmara dos Deputados no último dia 7 de maio e da qual tenho a honra de ser vice-presidente.

O objetivo dessa Frente Parlamentar é mobilizar e somar esforços no Congresso Nacional para propor e discutir medidas que garantam a retomada do crescimento do setor de álcool e açúcar. Um setor tão produtivo economicamente para o País não pode deixar de ter representantes que lutem pelo seu crescimento e valorização.

E com sua criação vai ser possível dá mais força a essa luta, que não é em defesa do setor sucroalcooleiro apenas, mas de toda a cadeia que é movimentada pela produção, em defesa da geração de empregos e de uma economia mais forte. Tenho a expectativa de que mais espaços para a defesa do desenvolvimento sucroenergético no País tenham voz do governo em outras instâncias.

Neste momento sombrio da economia, com nuvens recessivas pairando sobre a cabeça dos brasileiros, aposto todas as fichas na produção e comercialização do álcool e do açúcar como um dos motores para tirar o nosso País do atoleiro. É um setor forte, que só precisa de atenção para gerar mais emprego, mais renda, riqueza e desenvolvimento ao nosso País (Roberto Balestra, deputado federal pelo Partido Progressista. Presidente da Comissão de Política Agrícola, da Frente Parlamentar Agrícola. Vice-Presidente da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético). (Diário da Manhã 16/06/2015

 

Produtores de grãos ainda aguardam liberação de recursos do Plano Safra

A liberação efetiva dos recursos do novo Plano Safra ainda não aconteceu e agricultores projetam mais dificuldade na análise de crédito e de limites bancários para o financiamento da próxima safra de grãos, disse nesta terça-feira o principal representante dos produtores de soja de Mato Grosso.

"Nosso temor é que, mesmo anunciado um plano com mais recursos, esses recursos sejam menos alcançados pelo produtor lá na ponta em função da burocracia e das dificuldades impostas pelos agentes financeiros", disse o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Ricardo Tomczyk.

O governo federal apresentou no início de junho o Plano Safra 2015/16 com um recorde de 187,7 bilhões de reais ofertados em linhas de crédito, ante 156,1 bilhões de reais em 2014/15, mas com elevação nos recursos de custeio e comercialização e queda nos empréstimos para investimentos.

"O plano na prática ainda não rodou. Nossa expectativa mais otimista é que a partir de julho comece a se disponibilizar esse crédito nas agências, com a ressalva que provavelmente haverá um aperto maior nas análises, um aperto maior na liberação de limites", disse Tomczyk a jornalistas, antes de participar do seminário Perspectivas para o Agribusiness 2015 e 2016, realizado pela BM&FBovespa, em São Paulo.

A demanda por crédito deverá aumentar na preparação da nova safra, uma vez que as margens de lucro do produtores estão mais apertadas pela alta nos custos de insumos --muitas vezes precificados em dólar-- e pela queda nas cotações dos grãos.

"Já foi um ano em que o produtor teve que usar parte de sua reserva (financeira) para fazer jus a seu fluxo de caixa. Os custos em reais aumentaram, precisa-se de mais reais para se fazer a mesma operação", afirmou.

O presidente da Aprosoja-MT não descartou que haja um pequeno aumento na inadimplência dos produtores na nova temporada.

As compras de insumos essenciais para a próxima safra de soja do Brasil, que começa a ser plantada a partir de meados de setembro, avançaram em junho, mas o ritmo segue mais lento em relação ao ano passado, o que levanta a preocupação de que alguns negócios não se realizem e de eventuais problemas logísticos nas entregas, principalmente de fertilizantes, segundo especialistas. (Reuters 16/06/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Estoques de sobra: As cotações do açúcar voltaram a cair ontem na bolsa de Nova York, refletindo os elevados estoques do produto no mercado internacional. Os contratos do açúcar demerara para entrega em outubro caíram 15 pontos, a 11,68 centavos de dólar a libra-peso. Apesar da produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil estar um pouco abaixo nesta safra, já que as usinas estão preferindo utilizar o volume maior da colheita de cana para a produção de etanol, a quantidade de açúcar ainda é elevada. "As usinas devem priorizar a produção de etanol agora, deixando o açúcar para depois", comentou Arnaldo Luiz Corrêa, analista da Archer Consulting, em relatório semanal. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo caiu 0,6%, para R$ 49,60 a saca.

Cacau: Teto em oito meses: Os preços do cacau mantiveram sua trajetória de alta ontem na bolsa de Nova York em meio a especulações em torno da redução da produção na nova safra por causa do El Niño. Os lotes para setembro subiram US$ 37, a US$ 3.235 a tonelada, o maior valor para os contratos mais negociados desde 30 de setembro, época em que as cotações dispararam ante especulações em torno do ebola. O fenômeno está associado à falta de chuvas no oeste da África e no sudoeste da Ásia, as principais regiões produtoras de cacau do mundo. Os traders já estão receosos com a possibilidade de Gana não entregar todo o cacau prometido da última safra. No mercado interno, o valor médio da arroba em Ilhéus e Itabuna subiu R$ 1, para R$ 126, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Entornando o caldo: Se até o início do mês as chuvas nos Estados Unidos vinham criando um bom ambiente para o plantio de soja, agora o excesso de umidade já começa a preocupar, o que sustentou os preços na bolsa de Chicago. Os lotes para agosto subiram 21 centavos, a US$ 9,4175 o bushel. Até domingo, a área "boa" a "excelente" representava 67% do total plantado, 2 pontos a menos do que na semana anterior. As chuvas também atrapalharam o plantio, que ficou 3 pontos percentuais atrás da média histórica e alcançou 87% da área esperada até agora. O cenário não deve ser revertido, já que o Meio-Oeste deve continuar a receber fortes chuvas nesta semana, como apontou a empresa de meteorologia DTN. No Paraná, o preço médio subiu 0,39%, para R$ 57,13 a saca, segundo o Deral/Seab.

Milho: Cargas d'água: A preocupação com o excesso de umidade que paira no mercado da soja também é vista nas negociações do milho, cujos preços subiram ontem na bolsa de Chicago. Os papéis para outubro fecharam a US$ 3,5975 o bushel, avanço de 7 centavos. Com a semeadura já encerrada nos Estados Unidos, a situação das lavouras apresentou uma leve piora na semana passada. Até domingo, a área considerada "boa" a "excelente" recuou 1 ponto percentual, para 73% das lavouras, enquanto a área "pobre" a "muito pobre" ganhou 1 ponto percentual e representa 5% do total, segundo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). No mercado interno, o indicador Esalq/ BM&FBovespa teve uma alta de 0,48%, para R$ 24,91 a saca. (Valor Econômico 17/06/2015)