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Petrobras quer sair da Guarani, mas terá negociação difícil com Tereos

A Petrobras já decidiu, como parte de seu plano de desinvestimento, que não pretende manter sua participação em sete usinas deaçúcar e etanol da Guarani, uma das maiores empresas do setor no Brasil, mas terá uma dura negociação com o grupo francês Tereos, controlador do negócio, disseram duas fontes próximas do assunto.

A estatal de petróleo informou os sócios franceses em uma reunião em meados de abril, na sede da companhia, no Rio, que pretendia vender sua fatia atualmente em 42.9 por cento no negócio.

Ouviu em troca, segundo essas fontes, que o setor de açúcar e etanol passa por grandes dificuldades, no rastro de um longo período de baixa nos preços desses produtos, e que os ativos estariam subavaliados.

Ainda assim pediu para que a Tereos fizesse uma oferta para comprar de volta a fatia no negócio, mas não está disposta a aceitar os cerca de 200 milhões de dólares que os franceses indicaram que ofertariam (não chegaram a fazer uma oferta formal).

A situação ilustra os obstáculos que a petroleira deverá enfrentar em sua meta de levantar pelo menos 3 bilhões de dólares somente neste ano com seu plano de vendas de ativos que pode chegar a 13,7 bilhões de dólares no total.

A Petrobras se comprometeu em 2010, quando fechou o acordo com a Tereos, a repassar 1,6 bilhão de reais em um período de 5 anos, ao final do qual deteria 45,7 por cento da Guarani, companhia controlada pela Tereos Internacional, empresa com sede em São Paulo e com ações negociadas na BMFBovespa, que por sua vez é controlada pela Tereos francesa.

Segundo a Tereos, a Petrobras ainda precisa fazer um aporte de 250 milhões de reais para chegar à fatia estabelecida no negócio (com base no que já investiu nos últimos anos sua participação atual é de 42,9 por cento).

Procurado para comentar as informações repassadas pelas fontes, o diretor da Tereos no Brasil, Jacyr Costa, disse à Reuters na tarde de domingo que não foi informado oficialmente pela Petrobras sobre intenção de sair do negócio e que espera que a estatal faça o último aporte de 250 milhões de reais até outubro.

"Estamos satisfeitos com nosso relacionamento", afirmou Costa. "Se eles querem sair, esta é uma hipótese, é claro que vai ser discutido".

Questionado se a Tereos estaria disposta a comprar de volta a fatia, Costa disse: "Nós não estamos no mercado para comprar ou vender usinas no momento".

A Petrobras, cuja dívida superou 400 bilhões de reais, sendo a companhia de petróleo mais endividada do mundo, está lutando para executar o plano de desinvestimentos até o final de 2016.

No caso do etanol, há outros problemas. A Tereos já controla a Guarani e tem direito de preferência sobre qualquer proposta. E se uma terceira parte se interessar em ficar com a fatia da Petrobras, terá apenas uma participação minoritária em um negócio que atravessa mares turbulentos.

Os preços do açúcar em Nova York, referência internacional, estão no menor valor em seis anos. E as usinas tentam se recuperar de um período de cinco anos em que os preços do etanol foram massacrados por uma política governamental de manter os valores da gasolina artificialmente mais baixos, para segurar a inflação.

Em suas últimas demonstrações financeiras, a Petrobras avaliou seu investimento na Guarani em 1,25 bilhão de reais, de acordo com o método de equivalência patrimonial.

"O momento (do negócio) é péssimo, porque os preços estão baixos, particularmente os do açúcar, e isso deprime muito o valor econômico do negócio de usina," disse à Reuters Julio Maria Borges, um dos principais consultores do setor sucroalcooleiro no Brasil.

"Potencial comprador vai existir, é tudo questão de preço. Se a Petrobras estiver disposta a assumir uma perda na venda, ela vai vender", afirmou Borges.

A Petrobras oficialmente não confirma a intenção de vender a fatia na Guarani.

Mas na semana passada uma fonte com conhecimento direto dos planos da estatal disse à Reuters que a empresa, de fato, está considerando vender ativos não essenciais que incluem usinas de etanol.

Costa, da Guarani, disse que o contrato entre a Petrobras e a Tereos inclui a possibilidade de a Petrobras vender sua participação para uma terceira parte, hipoteticamente, mas um possível acordo nesse sentido vai ter que obedecer a uma série de condições.

Além da participação nas sete usinas da Guarani, a Petrobras, sempre por meio de sua subsidiária Petrobras Biocombustível, tem uma fatia de 49 por cento na Usina Boa Vista, em sociedade com o grupo São Martinho, e uma fatia de 40 por cento na Usina Bambuí, em Minas Gerais, em parceria com a Bambuí Bioenergia. (Reuters 22/06/2015)

 

Resultados da Copersucar pioraram no ciclo 2014/15

Maior trading global de açúcar e etanol, a Copersucar, com sede em São Paulo, sentiu na pele as difíceis condições de mercado na maior parte da safra 2014/15 e encerrou o exercício, no dia 31 de março, com resultados piores que os registrados no ciclo 2013/14.

De acordo com balanço fechado ontem, a empresa teve um prejuízo líquido de R$ 8,4 milhões na última temporada, ante o lucro líquido de R$ 78,6 milhões da anterior. Após um ajuste feito em decorrência de uma mudança envolvendo o prêmio de 2% que era pago à cooperativa Copersucar na compra dos produtos que comercializa, a trading informou que seu resultado líquido passou a ser positivo em R$ 68 milhões, ainda assim 47,3% mais baixo que o de 2013/14 (R$ 129 milhões).

Esse prêmio, explicou Luís Roberto Pogetti, presidente do conselho da administração da trading, era uma espécie de dividendo antecipado. Ele não é mais pago desde outubro, na esteira da constituição da Alvean Sugar SL, joint-venture formada com a Cargill para a comercialização de açúcar no mercado internacional.

A criação da Alvean (dividida em partes iguais pelos dois sócios) foi, aliás, a iniciativa de maior expressão da Copersucar em 2014/15, como destacaram Pogetti e Paulo Roberto de Souza, diretor presidente da trading, em entrevista ao Valor. Os resultados proporcionais da joint-venture, bem como o da controlada Eco-Energy Global Biofuels, focada em etanol nos EUA, estão incorporados nos resultados apresentados.

Conforme Souza, de uma maneira geral é possível afirmar que foi um exercício mais difícil para as operações de açúcar do que com os negócios com etanol. Ocorre que as cotações da commodity se mantiveram pressionadas no mercado internacional por causa da valorização do dólar, ao passo que, no mercado doméstico, os preços do etanol reagiram nos últimos meses. Por conta do encarecimento da gasolina, cujos preços voltaram a absorver a Cide, a demanda por etanol hidratado registrou forte alta e bateu recorde no país.

"Foi um exercício razoável para o etanol, mas com um estoque de passagem maior. No caso do açúcar, comercializamos todo o volume, mas com preços aquém do planejado", disse Souza. No total, a Copersucar comercializou 7,2 milhões de toneladas de açúcar no exercício 2014/15, 5,5 milhões destinadas às exportações e 1,7 milhão ao mercado interno. No caso do etanol, foram 4,3 bilhões de litros no total, 3,8 bilhões dos quais vendidos no Brasil.

Com esses volumes, e sob influência dos preços mais baixos do açúcar e da transferência das operações de originação de açúcar para a Alvean, a receita líquida da trading alcançou R$ 21 bilhões em 2014/15, 9% menor que em 2013/14 (R$ 23,1 bilhões). Conforme a Copersucar, o açúcar representou 27% das receitas e o etanol, 26%. A Eco-Energy respondeu pelos 47% restantes.

Além da criação da Alvean, Pogetti também destacou outras iniciativas importantes da trading ao longo do último ciclo. Uma delas foi a retomada do Terminal Açucareiro Copersucar (TAC), no porto de Santos, após o incêndio que destruiu parte de suas instalações. Outra foi o início das operações do Terminal Copersucar de Etanol (TCE), em Paulínia, no interior paulista, com capacidade de tancagem para 180 milhões de litros.

As três iniciativas, somadas à expansão da base logística da Eco-Energy, absorveram a maior parte dos investimentos de R$ 713,5 milhões realizados pela empresa em 2014/15, ante os R$ 237,3 milhões aportados em 2013/14. No atual ciclo (2015/16), disse Pogetti, a ordem é colher os frutos dos investimentos realizados e esperar a conjuntura "clarear" antes de pensar em novos aportes de peso. (Valor Econômico 23/06/2015)

 

Usinas de açúcar fixam preço de mais da metade da safra 2015/16

As usinas brasileiras fixaram o preço do açúcar em 56,47% dos contratos de exportação dentro da safra 2015/16, estima a Archer Consulting.

O levantamento considera o período até 31 de maio e mostra leve queda em relação à temporada anterior.

O preço médio alcançado foi de 15,44 centavos de dólar por libra-peso, ou o equivalente a 41,71 centavos de real por libra-peso, já incluído o prêmio de polarização, correspondente ao teor de sacarose no açúcar.

Segundo a Archer, o câmbio médio nessas fixações foi de R$ 2,70 por US$ 1. Ainda conforme a consultoria, em igual data do ano passado a fixação antecipada de preços pelas usinas atingia 57,94%, a 17,52 centavos de dólar por libra-peso.

Em reais por tonelada, contudo, o valor fixado é superior: R$ 925,59 há um ano em comparação com os atuais R$ 956,69.

Pelas projeções da Archer, o Centro-Sul do País irá processar 581 milhões de toneladas de cana em 2015/16, volume 1,33% superior às 570,10 milhões de toneladas do ciclo passado.

A produção de açúcar deve se manter praticamente estável, com 32,6 milhões de toneladas, enquanto a de etanol deve crescer pouco mais de 1%, para 26,6 bilhões de litros. (Agência Estado 22/06/2015)

 

Raízen usa ferrovia para transporte de biodiesel

É a primeira vez que o combustível é transportado por essa modalidade de Rondonópolis (MT) para o Sudeste.

A Raízen, joint-venture entre Shell e Cosan, informou nesta segunda, dia 22, que deu início no último dia 11 ao transporte de biodiesel entre o Sudeste e o Centro-Oeste via ferrovia.

Até então o transporte era feito por rodovia.

O escoamento se dá entre Rondonópolis (MT) e Paulínia (SP) e, de acordo com a companhia, serão transferidos 50 milhões de litros do biocombustível por ano para a cidade paulista.

Uma ferrovia próxima às regiões produtivas evita que as cargas sejam escoadas unicamente pelo modal rodoviário, que tem custos operacionais maiores.

A nova operação fortalece uma vantagem competitiva de Rondonópolis, que é a intermodalidade, diz, em nota, o diretor de Operações da Raízen, Luiz Renato Gobbo.

Nessa operação, a Raízen adota a logística reversa.

Os vagões que chegam a Paulínia com o biodiesel voltam com derivados do petróleo. (Canal Rural 22/06/2015 às 19h: 31m)

 

Angola: Biocom em expansão em Malanje

Receitas de produção devem ascender a 200 milhões de dólares.

O director-geral da Biocom Carlos Matias prevê para a presente campanha a produção de seis mil metros cúbicos de etanol e 205 gigawatts/horas de energia elétrica.

Até 2021, a fabrica deverá aumentar a sua produção para 256 mil toneladas de açúcar, período durante o qual a unidade agro-industrial atingirá a capacidade máxima de funcionamento na primeira fase.

“A Biocom é uma empresa angolana com o objectivo de produzir açúcar, nosso principal produto, também etanol e energia eléctrica”, disse.

Em Angola, dados apontam que o consumo de açúcar é de 400 mil toneladas/ano e a Biocom está apostada em produzir este ano 36 mil toneladas que serão comercializadas no território nacional.

O Pólo Agro-industrial de Capanda (PAC) constitui já o centro de interesse de diferentes investidores e de quadros nacionais engajados no relançamento e diversificação da economia nacional, segundo Carlos Matias.

“Quando os accionistas decidiram constituir a empresa e instalar-se aqui em Cacuso não se tinha indústria”, disse, acrescentando que para se poder avançar “então, temos que começar com o princípio e a base de tudo que são as pessoas”.

Matias defendeu a formação “de todos os níveis, desde o técnico, ao profissional, da operação mais simples à mais complicada”.

O director-geral da Biocom Carlos Matias em declarações à Televisão Pública de Angola reafirmou que a tarefa de formação de pessoas é continua.

O Pólo Agro-industrial de Capanda ocupa uma área de 411 mil hectares, dos quais 293 mil destinados ao desenvolvimento florestal.

A Biocom é uma parceria entre o Estado angolano, representado pela Agencia Nacional de Investimento Privado e Sonangol Holdings, o Grupo Damer e a Odebrecht Brasil. (Voz da América 23/06/2015)

 

Exportação de açúcar do Brasil aponta para crescimento em junho

As exportações de açúcar bruto do Brasil podem fechar junho com crescimento na comparação com maio e em relação ao mesmo mês do ano passado, considerando dados de embarques compilados pelo governo até a terceira semana do mês.

Os embarques diários de açúcar bruto no mês atingiram média de 83,5 mil toneladas em média, ante 66,6 mil toneladas em maio e 74,3 mil toneladas em junho do ano passado.

Até o momento no mês, as exportações somaram 1,169 milhão de toneladas de açúcar bruto, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), num momento em que o centro-sul do Brasil está com a safra a pleno desenvolvimento.

Já as exportações de café estão mais lentas na média diária, somando 115,1 mil sacas de 60 kg, ante 131,5 mil sacas em maio e 131,1 mil sacas em junho do ano passado.

As exportações de soja do Brasil mantiveram um forte ritmo no mês até a terceira semana de junho, com os volumes diários exportados superando o total do mês passado, quando o governo brasileiro verificou um recorde histórico nos embarques mensais.

Na média diária, a exportação de soja atingiu 491,3 mil toneladas, ante 467,1 mil toneladas no mês anterior e 344,7 mil toneladas no mesmo período de 2014.

O Brasil está no pico do escoamento de uma safra recorde de soja. (Reuters 22/06/2015)

 

Açúcar e cogeração turbinam lucro e Ebitda da São Martinho

O retorno obtido com a estratégia adotada para a comercialização de açúcar no quarto trimestre da safra 2014/15, encerrada em 31 de março, impulsionou os resultados do Grupo São Martinho no período e, claro, teve reflexos positivos sobre seus números no acumulado do exercício, que também foram diretamente influenciados pelo maior peso da cogeração de energia elétrica nos negócios.

Uma das maiores produtoras de açúcar a etanol do país, a empresa encerrou o quarto trimestre de seu ano fiscal com lucro líquido de R$ 56,6 milhões, 784,4% mais que em igual intervalo do ciclo 2013/14 (R$ 6,4 milhões). Na comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado à variação do valor justo dos ativos biológicos (canaviais) aumentou 116,9%, para R$ 319,9 milhões. Assim, a margem Ebitda ajustada chegou a 44,5%.

Conforme Fabio Venturelli, presidente da São Martinho, esses resultados até superaram as expectativas. Boa parte do açúcar que a empresa deixou para vender no último trimestre da safra ­ no total, o volume comercializado foi 51% superior ao do mesmo período do ciclo anterior ­ estava sem câmbio fechado e foi beneficiada pela valorização do dólar no período. Tanto que, em real, o preço médio de venda computado (R$ 1.022 por tonelada) foi o maior já registrado pela companhia.

Além do açúcar, destacou Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores da São Martinho, o aquecimento da demanda doméstica por etanol hidratado (usado diretamente nos tanques do veículos) nos primeiros meses deste ano também influenciou positivamente os resultados da empresa no quarto trimestre do exercício. Melhor remunerada pelo açúcar e pelo hidratado, a companhia viu sua receita líquida subir para R$ 718,3 milhões no quarto trimestre de 2014/15, 64% mais que no mesmo intervalo da temporada 2013/14.

No acumulado do exercício, os avanços foram igualmente expressivos, sustentados também pelos resultados positivos obtidos com a operação de cogeração de energia a partir do bagaço de cana nos três primeiros trimestres. A receita líquida da São Martinho somou R$ 2,3 bilhões em todo o exercício 2014/15, 19,2% acima de 2013/14, o lucro líquido atingiu R$ 286,1 milhões, em alta de 111,9%, e o Ebitda ajustado aumentou 42,4%, para R$ 1,1 bilhão.

Os executivos da companhia afirmaram que ainda é difícil saber quais os pontos da estratégia adotada em 2014/15 ­ e que "maximizaram os três produtos" (açúcar, etanol e cogeração), conforme destacou Venturelli, poderão ser replicados no exercício que começou em abril (2015/16), mas já se sabe que é um ciclo bem diferente, até porque as chuvas têm sido consideráveis nas últimas semanas.

De qualquer maneira, será uma safra de menos investimentos e de capturas das sinergias geradas pela aquisição, em São Paulo, da totalidade das ações da Santa Cruz S/A Açúcar e Álcool, concluída em agosto. Essa aquisição, por sinal, adicionou cerca de R$ 500 milhões à dívida líquida da São Martinho, que chegou a R$ 2,6 bilhões em 31 de março passado, 65,9% mais que no fim do exercício 2013/14. (Valor Econômico 23/06/2015)

Nova PIS/Cofins deve esfriar exportação de etanol dos EUA para o Brasil

O governo brasileiro deve publicar nas próximas horas uma alta na tarifa de importação de etanol para 11,75 por cento, beneficiando usinas locais e provocando preocupação em tradings dos Estados Unidos, principal exportador para o Brasil.

No fim de maio, o Senado aprovou a Medida Provisória (MP) 668 que aumenta as alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins sobre importações, incluindo as de etanol.

A presidente Dilma Rousseff assinou a lei no fim da sexta-feira, disse a assessoria do Palácio do Planalto nesta segunda-feira.

Ainda não está claro se a presidente incluiu algum veto a partes da lei aprovada no Senado. O Diário Oficial da União desta segunda-feira não incluiu o texto assinado pela presidente, mas a Secretaria de Imprensa do Planalto disse que a lei poderia ser publicada em edição extra do Diário Oficial na tarde desta segunda-feira.

O aumento da tarifa de importação entra em vigor assim que for publicado no Diário Oficial.

O etanol importado pelo Brasil recebe atualmente tarifação de 9,25 por cento, embora o importador receba créditos tributários que compensam a tarifa.

"O crédito irá terminar quando o governo elevar a tarifa, portanto é uma alta efetivada de 11,75 por cento", disse o analista-chefe da Bioagência, Tarcilo Rodrigues.

O Brasil importou 357 milhões de litros de etanol dos Estados Unidos de janeiro a maio, alta de 26 por cento ante o mesmo período de 2014, segundo dados da alfândega brasileira.

Operadores disseram que os carregamentos de etanol dos EUA para o Brasil em 2015, destinados principalmente para o Nordeste, foram provavelmente negócios fechados quando os preços ainda estavam atrativos em 2014.

"A arbitragem não está mais atrativa nesta direção, mas o aumento da tarifa irá esfriar totalmente esse comércio", disse o analista Arnaldo Corrêa, da Archer Consulting.

Comerciantes norte-americanos de etanol também expressaram preocupação, dizendo que o aumento do PIS/Cofins será uma "barreira significativa" para as exportações. Os estoques de etanol dos EUA estão perto do maior nível desde 2012 e os preços nos mercados futuros estão pressionados. (Agência Estado 22/06/2015)

 

Após fusão com a BG, Shell terá 20% da produção global no Brasil

Protagonista do maior negócio da indústria do petróleo nos últimos dez anos, o presidente da Royal Dutch Shell, Ben van Beurden, não descarta aumentar a exposição da empresa no Brasil, ampliando o já bilionário programa de investimentos que será colocado em prática após a fusão com a BG.

Depois que a fusão de US$ 70 bilhões for concretizada, o que é esperado para o início de 2016 após as aprovações regulatórias em diversos países, o Brasil será o país com maior participação no portfólio de produção da Shell. Mesmo com sua parceria Petrobras envolvida em um escândalo de corrupção, o executivo holandês afirma que está acompanhando atentamente, mas confia na competência técnica da estatal.

Beurden estima que o Brasil vai responder por 20% da produção global da companhia quando entrarem em operação os projetos em desenvolvimento pelas duas empresas, entre eles Libra, do qual a Shell tem 20%, e os campos gigantes do pré-sal onde a BG é sócia, como Lula e Sapinhoá, só para citar alguns. O executivo destaca, no entanto, que o apetite da Shell não para aí e está disposto a aumentar a presença aqui. Ele não descarta participar da 13ª Rodada da Agência Nacional do Petróleo (ANP), prevista para outubro.

"Acredito que os fundamentos do Brasil são muito fortes e, particularmente, se você olhar da nossa perspectiva, estamos investindo em um recurso de classe mundial. Temos que ser otimistas. E eu sou", disse, concluindo que vai "olhar seriamente" os dados do leilão da ANP.

A Shell escolheu o Brasil para a reunião anual do seu conselho de administração e do comitê executivo. Uma prova do apetite da anglo-holandesa pelo país é que o Brasil deve ficar de fora do programa de venda de ativos de US$ 30 bilhões previsto para acontecer entre 2016 e 2018.

Em conversa com o Valor, Beurden listou projetos no país, entre eles a distribuidora Raízen, parceria com a Cosan, e explicou que investir no leilão de Libra veio da constatação de que a participação na área de exploração e produção era pequena.

"Sempre tivemos a percepção de que nossa presença não era grande o suficiente considerando o tamanho do país, suas reservas, e também devido à geologia. Achamos que precisávamos estar mais expostos ao Brasil e o negócio com a BG vai corrigir isso".

A Shell investiu US$ 35 bilhões em 2014, grande parte no programa de crescimento orgânico da companhia. Em 2015, o plano é reduzir o investimento por meio de corte de custos forçado pela queda dos preços do petróleo.

"Queremos tomar um pouco de vantagem da fraqueza da cadeia de fornecedores. Estamos adiando investimentos, renegociando contratos e, é claro, nos questionando sobre alguns projetos", explicou. "Mas ainda estamos olhando mais do que US$ 20 bilhões [de investimento] em 2015. Para o futuro é complexo prever porque teremos que considerar o portfólio da Shell e da BG, combinar os dois e decidir que áreas priorizar".

É certo que a Shell vai se desfazer de ativos, mas Beurden garante que "não será uma liquidação". Segundo ele, a Shell será grande investidora, com programa anual de US$ 35 bilhões a US$ 40 bilhões. A aposta para o longo prazo é que os preços do petróleo fiquem na faixa de US$ 70 a US$ 90 por barril. Ontem o barril do Brent fechou a US$ 63,34, por exemplo.

Sobre o programa de venda de ativos, o executivo adianta que duas áreas principais, e que justificaram a fusão com a BG, ficarão de fora: as áreas de exploração e produção em águas profundas e os negócios de gás integrado, como a companhia se refere aos projetos de Gás Natural Liquefeito (GNL).

Já os projetos de petróleo e gás de fontes não convencionais devem passar por um pente fino. O envolvimento da Petrobras no que já é um dos maiores escândalos de corrupção em investimento no mundo foi discutido antes da oferta pela BG, que é sócia relevante da estatal no pré-sal.

Beurden afirma que é "desconfortável" ler as notícias envolvendo a estatal brasileira, mas diz que como parceira da Petrobras em Libra, a Shell não percebeu nenhum efeito secundário nos projetos.

"É claro que quando o acordo com a BG for concluído a Petrobras será um parceiro ainda maior. Discutimos muito isso com o nosso 'board' antes de apresentar a proposta de fusão e tomamos uma decisão fundamental, baseada no fato de que a Petrobras é muito importante para o Brasil. É uma companhia que conhecemos bem sob o ponto de vista técnico e comercial e entendemos como uma empresa de primeira classe quanto à expertise técnica e competência", disse.

O executivo da Shell afirmou ainda que foi considerada a possibilidade de envolvimento da BG na investigação, já que a britânica é sócia de áreas no pré-sal onde foram feitos projetos liderados pela diretoria de Serviços da Petrobras, sob comando de Renato Duque (preso pela polícia) e o delator Pedro Barusco (chefe da engenharia).

"Até o momento esse claramente não é o caso. Mas é muito difícil ter uma visão. Ainda é cedo e nunca se sabe o que mais pode vir dessa investigação", disse. "Fizemos uma due dilligence com as nossas contrapartes na BG depois de discutirmos os termos comerciais e posso dizer que foi a primeira pergunta que fizemos. E é claro que só se pode dar garantias baseado no que se sabe. E eu não sei o que eu não sei. Mas até agora não há indicação concreta de risco [de envolvimento da BG]", afirmou.

Admitindo preocupação com atrasos nos cronogramas de entrega de plataformas, Beurden contou que a oferta pela BG sofreu um "desconto" em função dos problemas identificados, que não foram suficientes para afugentar a Shell. "O nosso negócio, de certa forma, é o gerenciamento de riscos. Então, talvez tenhamos surpresas, talvez tenhamos alguns acontecimentos negativos, mas nesse contexto, não é diferente de nenhum outro projeto". (Valor Econômico 23/06/2015)

 

Brasil recebe primeira frota de ônibus a hidrogênio

O Estado de São Paulo recebeu na segunda-feira, 15, a primeira frota brasileira de ônibus a hidrogênio para transporte urbano no País e da América do Sul. Os três coletivos, livre de emissão de poluentes, fazem parte de projeto dirigido pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

Os veículos inaugurados não emitem poluentes, utilizando apenas vapor d´água que é eliminado pelo escapamento dos ônibus. Os ônibus também apresentam 45% de energiarenovável - contra 14% do resto do mundo -, colocando o país em uma posição de destaque mundial. Além do Brasil, os únicos países capazes de desenvolver e operar ônibus com tal tecnologia são Alemanha, Canadá e Estados Unidos.

Representando a futura geração da mobilidade sustentável, os coletivos já em circulação foram estampados com imagens de três pássaros da fauna brasileira, o Ararajuba, o Sabiá-Laranjeira e o Tuiuiú.

O projeto foi coordenado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), Agência Brasileira de Cooperação (ABC), direção do Ministério das Minas e Energia (MME), e recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e da Agência Brasileira de Inovação (FINEP). (Brasil Agro 23/06/2015)

 

Usinas à biomassa superam 10 GW em capacidade em abril; geração sobe 21%

O Brasil registrou uma capacidade instalada de 10,6 gigawatts (GW) em usinas de energia elétrica movidas à biomassa no final de abril, de acordo com dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que também reportou a produção de 2,2 GW médios em eletricidade pelas plantas no mês, que marca o início da safra de cana-de-açúcar.

A capacidade das 231 usinas a biomassa do país representa pouco menos que a potência da hidrelétrica de Belo Monte, que está sendo construída no Pará e somará 11,2 GW.

A geração das usinas de biomassa, predominantemente bagaço de cana, teve um avanço de 21 por cento em abril em relação ao mesmo mês de 2012, com destaque para a produção das usinas instaladas em São Paulo (941 MW médios), Mato Grosso do Sul (322 MW médios), Goiás (288 MW médios) e Minas Gerais (189 MW médios).

A CCEE também destacou, em informe de imprensa, que as usinas eólicas em operação no país fecharam abril com 6,1 GW em capacidade, divididos em 240 empreendimentos. (Reuters 22/06/2015)

 

Rede liga ex-dirigente da Odebrecht a ex-diretor da Petrobras

O ex-dirigente da Odebrecht, João Antônio Bernardi Filho, preso na 14ª fase da Operação Lava Jato, está no centro de uma rede de negócios que o liga a ex-diretor da Petrobras. Ele divide a sociedade da empresa Oil & Gas Service com Alexandre Santos de Oliveira, de acordo com o banco de dados da Receita Federal. Oliveira é genro de Irani Carlos Varella, ex-diretor da Petrobras Uruguai e ex-assessor especial da então presidente da estatal, Graça Foster.

De acordo com o jornal o Globo, Bernardi também é sócio da empresa Hayley, que recebeu propinas de um milhão de dólares de Júlio Camargo, representante da investigada Toyo Setal e delator do esquema de corrupção da estatal. Os investigadores da Lava-Jato suspeitam que a rede de empresas do ex-dirigente da empreiteira operava para movimentar dinheiro de negócios suspeitos envolvendo a Petrobras e seus fornecedores, o que inclui a Odebrecht.

O endereço declarado da Hayley, em Montevidéu, capital do Uruguai, está vazio. Segundo o jornal, no local já funcionou um escritório de advocacia, mas vizinhos e funcionários do prédio nunca ouviram falar da empresa. A firma uruguaia é sócia da Hayley do Brasil, que funciona em escritório de advocacia de Cristina Maria da Silva Jorge, também com prisão decretada pelo juiz Sérgio Moro.

Bernardi parece ter mantido os esquemas da rede de negócios ativo, mesmo após o escândalo de corrupção da Petrobras ser revelado. Um dos indícios é um email enviado, em abril, à Cristina Jorge, com perguntas sobre a empresa. A mensagem foi rastreada pela Polícia Federal e, para Moro, “ilustra que João Antônio Bernardi Filho persistiu no controle da Hayley”. Isso porque, logo após receber a mensagem do repórter, Christina a enviou a Bernardi, pedindo orientação: “seguem as perguntas, aguardo seu comentário”.

De acordo com a reportagem, com a prisão de Bernardi, os investigadores esperam esclarecer pontos nebulosos na trajetória do empresário. Uma das frentes aponta para a Oil & Gás Service, que o envolveria mais diretamente a Petrobras, por ser fruto de uma parceria com Alexandre Oliveira.

Alexandre Oliveira disse ao jornal que já não é mais sócio de Bernardi, e por isso ignora os negócios do empresário. Varella não foi localizado para esclarecer se conhece Bernardi. (Região Noroeste 21/06/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: USDA agita mercado: Os preços do café subiram ontem na bolsa de Nova York diante de novos cálculos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para oferta e demanda. Os lotes do arábica para setembro avançaram 240 pontos, a US$ 1,325 a libra­peso. Em relatório divulgado na sexta-feira, o USDA indicou que projeta um estoque final no Brasil na safra 2015/16 de 4,3 milhões de sacas, 1,5 milhão de sacas a menos que o estimado para 2014/15, o que representaria o menor estoque de passagem desde 2011. O aperto é resultado de uma colheita menor no ciclo 2014/15 e do aumento das exportações. Para os estoques globais de 2015/16, a projeção do USDA é de 31,5 milhões de sacas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica teve alta de 1,16%, para R$ 415,81 a saca.

Laranja: Pesquisa ignorada: Os contratos do suco de laranja em Nova York fecharam no campo positivo ontem, apesar da divulgação de mais uma queda nas vendas do produto nos Estados Unidos. Os lotes do suco concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para setembro fecharam em alta de 120 pontos, a US$ 1,23 a libra-peso. O movimento acompanhou as demais commodities agrícolas, que ganharam impulso com a queda do dólar. Os traders ignoraram a pesquisa da consultoria Nielsen divulgada pelo Departamento de Citros da Flórida, segundo a qual as vendas do suco no país caíram 6% nas quatro semanas encerradas dia 6 de junho, para 131,93 milhões de litros. No mercado interno, o preço médio da laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq manteve-se em R$ 9,70 a caixa de 40,8 quilos.

Soja: Chuvas incessantes: As previsões de mais chuvas no cinturão produtor de soja dos Estados Unidos reacenderam os receios com relação às lavouras e sustentaram os preços do grão na bolsa de Chicago. Os lotes para agosto fecharam com ganhos de 19 centavos, a US$ 9,7425 o bushel, o maior valor desde 8 de maio. A empresa de meteorologia DTN previu mais dias com chuva no Meio-Oeste americano, com exceção do Missouri e leste de Kansas. As precipitações da semana passada atrasaram o plantio da safra 2015/16, que alcançou no domingo 90% da área esperada. A janela ideal para a semeadura termina na quinta-feira. A umidade provocou também uma leve deterioração das áreas já plantadas. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para a soja em Paranaguá subiu 0,35%, para R$ 68,11 a saca.

Trigo: Impulso climático: As chuvas no sul dos Estados Unidos, aliadas à queda do dólar e a receios com a oferta russa, sustentaram as cotações do trigo ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes para setembro subiram US$ 5,06 o bushel, uma alta de 13,5 centavos. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento fecharam em alta de 8 centavos, a US$ 5,21 o bushel. Os traders trabalharam com a hipótese, confirmada depois do fechamento, de que a colheita nos Estados Unidos havia atrasado por causa das últimas chuvas. Houve influência também da possível redução da oferta da Rússia, tanto por causa do tempo seco, que afeta as lavouras, como pela taxa de exportação que será cobrada a partir de 1º de julho. No Paraná, o preço da saca caiu 0,26%, para R$ 34,03, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 23/06/2015)