Setor sucroenergético

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Açúcar: No vermelho

As cotações do açúcar cederam ontem na bolsa de Nova York diante da alta do dólar ante o real e das indicações de oferta disponível elevada.

Os lotes do açúcar demerara para outubro caíram 15 pontos, a 11,87 centavos de dólar a libra-peso.

Questões ligadas à política no Brasil fizeram o dólar subir ante o real, o que pressionou os preços da commodity, ao estimular as exportações das usinas do Brasil.

Os traders também voltaram a olhar para a situação da oferta, uma vez que os estoques nos portos do Centro-Sul do Brasil seguem elevados, dificultando as entregas do produto pela indústria, segundo Bruno Lima, analista da consultoria FCStone.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve queda de 0,06%, para R$ 47,52 a saca. (Valor Econômico 26/06/2015)

 

Funcionários da Usina Iracema entram em estado de greve

São cerca de 1,6 mil funcionários que rejeitaram a proposta de reajuste.

Os trabalhadores da Usina Iracema decidiram, em assembléia, rejeitar a proposta de reajuste da empresa do Grupo São Martinho e decretaram estado de greve. São cerca de 1,6 mil trabalhadores na empresa de Iracemápolis.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação de Limeira e região (STIAL), Artur Bueno Júnior, a partir de hoje, o sindicato pode decretar greve em 72 horas. "O objetivo é retomar a negociação para que os servidores tenham o reajuste de que precisam", comentou ele. (Gazeta de Limeira 25/06/2015)

 

Açúcar: Prioridade por novos mercados é positiva para exportação

Representantes do setor sucroenergético disseram que o Plano Nacional de Exportações, anunciado nesta quarta-feira, é positivo por colocar a busca por novos mercados como uma das prioridades. A presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, disse que o País detém 50% do comércio mundial de açúcar e será beneficiado pelas medidas de "desburocratização e facilitação das regras de operação" para os embarques.

Ela lembrou que em muitos mercados o Brasil compete com tarifas e limitações. "No caso da União Europeia, por exemplo, temos muitas tarifas. Só no etanol são 19 centavos de euro por litro. E precisamos rever tudo isso porque em 2017 terminam as cotas de importação (de açúcar) por lá e não podemos ficar de fora do mercado." Já nos Estados Unidos, acrescenta, há um mandado de biocombustíveis. "O plano (de exportações) certamente pode compor uma agenda de discussão entre os países", disse a executiva, referindo-se ao Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS, em inglês), que rege a utilização de biocombustíveis em território norte-americano.

Farina também disse que a proposta de retomar o Reintegra a 3% até 2018 é importante. O valor do crédito tributário restituído caiu desse patamar para 1% em março, visando a elevar a arrecadação federal em meio ao ajuste fiscal.

Para Jorge dos Santos, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool-MT), a questão tributária também precisa ser atacada. "O certo é estornar os débitos de rotatividade, como PIS/Cofins e ICMS. Se isso será permitido a partir de agora, é o reconhecimento de uma falha que havia. Não há dúvida de que você não exporta impostos", disse.

Lançado nesta quarta-feira, o Plano Nacional de Exportação é sustentado por cinco pilares: acesso a mercados, promoção comercial, facilitação do comércio, financiamentos e garantias à exportação e melhorias nos regimes de tributação. O governo prometeu dar previsibilidade a tais financiamentos, como o Proex, e reduzir a acumulação de créditos tributários. No acumulado de 2015 até 31 de maio, o Brasil embarcou 7,74 milhões de toneladas de açúcar bruto e refinado, volume 6,1% menor na comparação com igual período de 2014, segundo o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Em todo o ano passado, foram embarcadas 24,12 milhões de toneladas do produto, queda de 9,9% em relação a 2013. (Agência Estado 24/06/2015)

 

A importância de investir durante a crise

Feira é vitrine de produtos e tecnologias e oferece oportunidades de compras, com oferta de crédito e condições vantajosas de pagamento.

A esperança de um ano melhor para o setor sucroenergético marcou a abertura do 11o Agronegócio Copercana na tarde de terça-feira (23). Ao dar as boas-vindas aos participantes, o diretor da Copercana, Pedro Esrael Bighetti, falou sobre a importância de se investir no momento de crise e nas inaugurações realizadas pela cooperativa este ano.

O presidente da Canaoeste e Orplana, Manoel Ortolan, agradeceu as empresas parceiras, durante a abertura do Agronegócio Copercana, e citou as dificuldades climáticas, trabalhistas e condições adversas enfrentadas pelo setor, frisando que os momentos difíceis irão passar, a exemplo de outros pelo qual enfrentou o segmento. Também enfatizou a importância do produtor investir apenas no que é preciso. Diante disso, a Copercana e Canaoeste, têm agrônomos à disposição do cooperado para orientá-lo no manejo de sua lavoura. Ortolan fez ainda uma referência a uma palestra do ex-ministro Roberto Rodrigues, sobre o ipê que floresce em meio a um cenário adverso, contexto a ser alcançado pelo setor sucroenergético. Ao finalizar, fez referência aos 70 anos da Canaoeste, data que será comemorada no dia 22 de julho.

Já Antonio Eduardo Tonielo Filho exaltou a parceria da feira com o CEISE Br, do qual é presidente, lembrando que a indústria e a agricultura são importantes para a economia e juntas lutam por investimentos e melhorias. Tonielo Filho também parabenizou a Canaoeste pelas suas sete décadas.

O prefeito de Sertãozinho-SP, José Alberto Gimenez (PSDB), elogiou a família Copercana, Canaoeste e Sicoob Cocred, que se une para a realização da feira dando oportunidade aos produtores rurais com condições de parcelamento e financiamento. "Eu acredito demais no setor sucroenergético, já passamos por muitas crises e vencemos" alegou o prefeito, destacando que mesmo com a crise, a produção de cana-de-açúcar irá crescer 10% neste ciclo.

Ao encerrar a abertura oficial da 11a edição do Agronegócio Copercana, o presidente da Copercana e Sicoob Cocred, Antonio Eduardo Tonielo, ressaltou o crescimento da feira nos últimos cinco anos, lembrando que o evento já se tornou tradição dentro do Sistema, um dos motivos pelo qual os produtores aguardam a ocasião para realizar suas compras. Segundo ele, 2015 será mais difícil em questão de financiamento, mas apesar dos juros altos, a Copercana não vai medir esforços para estar ao lado do produtor e oferecer bons negócios. "Precisamos dar sustentação para o nosso pessoal" disse Tonielo, convidando todos a visitar a feira. (Brasil Agro 26/06/2015)

 

Produtores de açúcar da Austrália rejeitam proposta de comercialização da Wilmar

Produtores australianos de açúcar rejeitaram nesta quinta-feira uma proposta de comercialização da Wilmar, maior processadora de açúcar do país, dizendo que ela não garante bons preços.

A Wilmar, a MSF Sugar (controlada pela gigante tailandesa Mitr Phol) e a unidade australiana da chinesa Cofco planejam parar de vender açúcar por meio de uma entidade controlada pela indústria a partir de 2017.

O açúcar australiano é atualmente controlado por uma entidade independente, a Queensland Sugar Limited. As três processadoras querem escapar da entidade e usar sua própria divisão de exportações, que dizem que dará a elas mais controle de suas cadeias de fornecimento, maximizando lucros.

A tentativa, no entanto, é muito impopular entre produtores de açúcar da Austrália, o terceiro maior exportador global de açúcar bruto -- o Brasil é o primeiro.

Como a cana precisa ser processada no mesmo dia em que foi colhida, os produtores, com poucas alternativas de usinas nas proximidades, dizem que não têm outra opção que não vender para essas três processadoras e que não terão garantias de preços para sua colheita.

"Um produtor australiano de açúcar deve ter a livre escolha sobre seu destino econômico e a proposta da Wilmar não permite isso", disse Steve Guazzo, presidente da associação de produtores Canegrowers. (Reuters 25/06/2015)

 

Setor de cana diz que prioridade por novos mercados é positiva para exportação de açúcar

Representantes do setor sucroenergético disseram que o Plano Nacional de Exportações, anunciado nesta quarta-feira, é positivo por colocar a busca por novos mercados como uma das prioridades. A presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Elizabeth Farina, disse que o País detém 50% do comércio mundial de açúcar e será beneficiado pelas medidas de "desburocratização e facilitação das regras de operação" para os embarques.

Ela lembrou que em muitos mercados o Brasil compete com tarifas e limitações. "No caso da União Europeia, por exemplo, temos muitas tarifas. Só no etanol são 19 centavos de euro por litro. E precisamos rever tudo isso porque em 2017 terminam as cotas de importação (de açúcar) por lá e não podemos ficar de fora do mercado." Já nos Estados Unidos, acrescenta, há um mandado de biocombustíveis. "O plano (de exportações) certamente pode compor uma agenda de discussão entre os países", disse a executiva, referindo-se ao Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS, em inglês), que rege a utilização de biocombustíveis em território norte-americano.

Farina também disse que a proposta de retomar o Reintegra a 3% até 2018 é importante. O valor do crédito tributário restituído caiu desse patamar para 1% em março, visando a elevar a arrecadação federal em meio ao ajuste fiscal.

Para Jorge dos Santos, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool-MT), a questão tributária também precisa ser atacada. "O certo é estornar os débitos de rotatividade, como PIS/Cofins e ICMS. Se isso será permitido a partir de agora, é o reconhecimento de uma falha que havia. Não há dúvida de que você não exporta impostos", disse.

Lançado nesta quarta-feira, o Plano Nacional de Exportação é sustentado por cinco pilares: acesso a mercados, promoção comercial, facilitação do comércio, financiamentos e garantias à exportação e melhorias nos regimes de tributação. O governo prometeu dar previsibilidade a tais financiamentos, como o Proex, e reduzir a acumulação de créditos tributários. No acumulado de 2015 até 31 de maio, o Brasil embarcou 7,74 milhões de toneladas de açúcar bruto e refinado, volume 6,1% menor na comparação com igual período de 2014, segundo o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Em todo o ano passado, foram embarcadas 24,12 milhões de toneladas do produto, queda de 9,9% em relação a 2013. (Agência Estado 25/06/2015)

 

Usinas de etanol nos EUA produzem volume recorde de 994 mil barris/dia

A produção média de etanol nos Estados Unidos, feito a partir do milho, foi de 994 mil barris por dia na semana passada, maior nível já registrado, de acordo com dados publicados nesta quarta-feira, 24, pela Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês). O volume representou aumento de 1,4% ante a semana anterior.

De acordo com analistas, os lucros do setor de biocombustíveis estão superando as expectativas, o que explica o resultado. Considerando a queda acentuada dos preços internacionais do petróleo no final do ano passado, os lucros da produção de etanol estão "surpreendentemente robustos" neste ano, afirmou o economista Scott Irwin. Segundo ele, o aumento dos preços da gasolina nos Estados Unidos desde o início do ano ajudou a elevar as margens do setor, enquanto os preços do milho não se recuperaram inteiramente desde a queda do último outono.

Já os estoques do biocombustível diminuíram na semana encerrada no dia 19, para 19,8 milhões de barris, indicando maior demanda pelo produto.

Os números de produção de etanol nos Estados Unidos são um importante indicador da demanda interna por milho. No país, o biocombustível é fabricado principalmente a partir do cereal, e a indústria local consome cerca de um terço da safra doméstica do grão. ( Dow Jones 25/06/2015)

 

Wilmar agenda navios para carregar compra recorde de açúcar na bolsa

A Wilmar International disse que agendou o carregamento de quase todo o volume de 1,9 milhão de toneladas de açúcar que adquiriu até dois meses atrás no maior negócio em bolsa já realizado, mesmo com comerciantes preocupados com a fraca demanda global e baixos preços.

A empresa de Cingapura, uma das maiores tradings de açúcar do mundo, reservou espaço em navios para carregar todo o volume, exceto 100 mil toneladas, de açúcar que comprou quando o contrato maio do açúcar bruto na bolsa ICE venceu, em um negócio de 550 milhões de dólares.

A Wilmar pretende organizar com os vendedores o carregamento do volume restante esta semana, disse a empresa em um comunicado por e-mail.

Depois de meses de incerteza sobre o ritmo de carregamentos originados no Brasil e na América Central e do Sul, a notícia pode ajudar a restaurar a calma no mercado do açúcar bruto. Os preços oscilam perto das mínimas de 6 anos e meio, em meio ao quinto ano consecutivo de excedente no mercado.

Na quarta-feira, o desconto do contrato julho ante o outubro na bolsa de Nova York subiu para 0,54 centavo de dólar por libra-peso, o mais amplo desde o início de abril, com operadores correndo para liquidar posições.

As tensões são grandes com relação ao vencimento do contrato julho na próxima semana. O tamanho da compra da Wilmar, que impactou preços e diferenciais, "assustou todo mundo do mercado", disse um operador norte-americano. (Reuters 25/06/2015)

 

Em São Paulo relação de etanol e gasolina atinge menor resultado desde 2010

A relação entre o preço do etanol e o da gasolina voltou a diminuir na terceira semana de junho ante a anterior, na capital paulista, fechando no menor patamar dos últimos cinco anos. O resultado foi de 60,89% na terceira semana do mês, após 62,97% na segunda. Em igual período de 2010, essa equivalência havia ficado em 51,41%. Os números foram divulgados nesta quinta-feira, 25, pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe, André Chagas, ressaltou que os preços do etanol seguem favorecendo essa relação. Na terceira quadrissemana (últimos 30 dias terminados na segunda-feira, dia 22), o álcool combustível reforçou o ritmo de queda, ao cair 2,22%, na comparação com recuo de 1,97% na segunda medição. Já a gasolina, disse Chagas, "de quebra" também cedeu, ao apresentar variação negativa de 0,33%, ante baixa de 0,45% na segunda leitura de junho.

O grupo Transportes, do qual os itens fazem parte, teve inflação de 0,09% na terceira quadrissemana, em relação à alta de 0,24% anteriormente. O IPC-Fipe, por sua vez, manteve-se em 0,54%. O resultado veio maior que a mediana de 0,51% da pesquisa do AE Projeções. O piso mostrava inflação de 0,47%, enquanto o teto era de 0,55%.

Para especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando o preço do derivado da cana-de-açúcar representa mais de 70% do valor da gasolina. A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do etanol é de 70% do poder da gasolina. Com a relação entre 70% e 70,5%, é considerada indiferente a utilização de gasolina ou etanol no tanque. (Agência Estado 25/06/2015)

 

Economista do USDA aponta que agronegócio do Brasil crescerá mais que dos EUA

O Brasil deverá ser responsável por suprir de 30 a 40% do aumento da demanda mundial por alimentos, assumindo papel de destaque como fornecedor de grãos, sobretudo a soja, segundo o economista do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) Warren Preston.

Na avaliação dele, o agronegócio brasileiro crescerá mais que o norte-americano. Isso porque, diferentemente dos Estados Unidos, que não tem grande potencial para aumentar sua produção, o Brasil ainda possui áreas para serem transformadas em lavoura – como pastagens degradadas - e tem capacidade de aumentar sua produtividade.

Entretanto, segundo Preston, será necessário maior investimento em logística para o escoamento da produção. "Mesmo com o alto custo de transporte, a soja brasileira ainda tem uma vantagem competitiva. Mas é preciso investir em logística", alertou, durante palestra nesta terça-feira (23), no 7º Congresso Brasileiro de Soja, realizado em Florianópolis.

Para o consultor em logística da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Luiz Antônio Fayet, a falta de infraestrutura de transporte pode não só comprometer a exportação, como já tem reprimido a produção de grãos em algumas regiões brasileiras.

"Fizemos um levantamento que mostrou que no ano passado nós deixamos de produzir quatro milhões de toneladas de soja e milho por serem locais onde não compensava produzir, porque o custo para tirar não deixaria margem de lucro para o produtor. Qualquer variação no preço do grão ou piora nos preços logísticos, acaba inviabilizando a produção", afirmou.

De acordo com Fayet, com os investimentos atuais, a projeção é que somente em 2025 o Brasil tenha uma estrutura portuária com capacidade de atender à demanda de exportação atual do setor. Considerando a projeção de aumento da produção e o ritmo de melhoria da infraestrutura, seriam necessários de 18 a 20 anos para haver um equilíbrio entre a oferta e demanda.

"Nós precisamos de liberdade para o setor privado investir no setor portuário. Se tiver liberdade de fato, conforme quer a presidente Dilma, nós resolveremos o problema de portos, que é o problema fundamental. Com maior ou menor dificuldade, nós vamos chegar aos portos", analisa Fayet. (Notícias Agrícolas 25/06/2015)

 

Grandes empresas captam mais barato com título do agronegócio

Em tempos de juros em alta e escassez de recursos de linhas do BNDES, as grandes empresas com operações diretas ou ligadas ao agronegócio descobriram uma nova forma de captação de recursos a um custo mais baixo: a emissão de certificados de recebíveis do agronegócio (CRA).

Nomes como a produtora e distribuidora de etanol Raízen e a Suzano Papel e Celulose se valeram do instrumento, com emissões no valor de R$ 675 milhões cada. A produtora de alimentos BRF também pretende estrear nesse mercado, com uma oferta de pelo menos R$ 400 milhões. Outras companhias que preparam emissões para os próximos meses são a produtora de papel e celulose Fibria e a empresa de logística JSL, conforme apurou o Valor.

Com a entrada das grandes empresas, o volume de emissões de CRA disparou. O estoque dos papéis mais que dobrou nos últimos 12 meses e atingiu R$ 2,6 bilhões em maio, de acordo com dados da Cetip, que realiza o registro das operações. Os dados ainda não consideram as ofertas de Raízen e Suzano, registradas neste mês.

O volume de emissões de CRA ao longo deste ano deve alcançar até R$ 4 bilhões, puxadas pelas grandes empresas, segundo Eduardo Prado, executivo da área de renda fixa do Itaú BBA. "A tendência é que esse número aumente conforme o produto se torne mais conhecido de investidores e emissores", afirma.

A principal vantagem do CRA em relação a outras formas de dívida é o custo. Como o papel possui isenção de IR para pessoas físicas, os investidores topam "dividir" parte desse ganho com a empresa que capta os recursos.

A emissão da Raízen saiu a um custo equivalente ao da taxa interbancária (CDI), sem spread, enquanto a Suzano captou recursos a 101% do CDI. Para efeito de comparação, a credenciadora de cartões Cielo fechou em abril uma captação via debêntures, que não contam com isenção de IR, pagando aos investidores uma taxa de 105,8% do CDI.

As captações com recebíveis têm saído com taxas mais competitivas não apenas ante outras linhas locais como também em relação às emissões externas, segundo Mauro Tukiyama, diretor de renda fixa do Bradesco BBI. "A relação custo-benefício para o emissor hoje é muito atraente", diz. A comparação é importante porque várias das companhias que fizeram ofertas de CRA costumam acessar apenas o mercado internacional.

Criados em 2004, os certificados de recebíveis do agronegócio só começaram a emplacar oito anos mais tarde, quando a primeira oferta dos títulos foi registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). "Como ainda era pouco conhecido, o produto ainda precisou ser aprovado nas áreas de private banking [alta renda] dos bancos, o que só veio a ocorrer entre 2013 e o ano passado", afirma Bruno Tuca, sócio da área de mercado de capitais do Mattos Filho Advogados.

A expectativa é que a demanda dos investidores pelos recebíveis do agronegócio aumente ainda mais após as mudanças nas regras das letras de crédito imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA), segundo o advogado. A emissão das letras, que também contam com benefício fiscal, caiu após a decisão do governo de ampliar os prazos mínimos de emissão e resgate.

A conjuntura mais favorável para o setor, praticamente o único que se destaca em meio à retração da economia, também favorece as emissões. O CRA é o título hoje que, proporcionalmente, mais tem ocupado os bancos e escritórios de advocacia. "O agronegócio está salvando a lavoura", afirma, em tom de brincadeira, Alexei Bonamin, sócio do TozziniFreire Advogados.

Em um ano mais fraco para o mercado de capitais como um todo, o escritório atualmente está envolvido em oito ofertas de CRA. Entre os segmentos com potencial para realizar emissões com lastro em recebíveis, Bonamin aponta grandes exportadoras nos ramos de frigoríficos, celulose, laranja e café.

Do lado das companhias, a procura por fontes alternativas de financiamento também é reflexo direto da atual situação macroeconômica, segundo o executivo de um banco, que pediu para não ser identificado. "Muitas dessas empresas, que antes tomavam recursos subsidiados no BNDES, nem cogitavam vir a mercado", diz a fonte.

Na superfície, o CRA de uma empresa como Raízen ou Suzano não é muito diferente de um título de dívida, na qual o investidor corre o risco do crédito da companhia. Mas, ao contrário de uma debênture, que é lançada diretamente pela empresa devedora, no CRA a companhia "vende" um fluxo de recebíveis a uma securitizadora, responsável pela emissão no mercado. Embora mais complexa, a estrutura compensa graças ao benefício fiscal.

Os executivos que atuam nesse mercado não vêem um desvio no objetivo original do CRA nas emissões corporativas. "A destinação dos recursos para financiar o agronegócio precisa ser comprovada em todos os casos", afirma João Paulo Pacífico, sócio da securitizadora Gaia. Ele diz que já houve casos de grandes empresas que não conseguiram levar a operação adiante porque não conseguiram comprovar a destinação dos recursos para o setor.

Mesmo com o avanço recente, ainda não há uma regulação específica que trate da emissão de CRA. As ofertas que ocorreram até o momento se valem das regras dos recebíveis imobiliários. Outra demanda do mercado é a possibilidade de emissão de títulos com correção cambial, já que parte relevante da produção é cotada e vendida no exterior. Atualmente, existem duas consultas na CVM, que ainda não manifestou posição sobre o tema, segundo o advogado do Mattos Filho. (Valor Econômico 26/06/2015)

 

Justiça nega habeas corpus que pedia que Lula não fosse preso

Pedido ao TRF foi feito por consultor de Campinas sem ligação com Lula.

Consultor se referiu ao juiz Sérgio Moro com expressões como 'hitleriano'.

A Justiça Federal negou nesta quinta-feira (25) o habeas corpus preventivo que pedia que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não fosse preso na Operação Lava Jato. O pedido de liberdade havia sido ajuizado pelo consultor Maurício Ramos Thomaz, de Campinas (SP), com o objetivo de proteger o ex-presidente. Conforme o autor, Lula estaria na iminência de ser preso preventivamente, o que seria, conforme a petição, "coação ilegal".

O habeas corpus foi indeferido pelo desembargador federal João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), responsável por julgar processos da Operação Lava Jato. Segundo o magistrado, “não existe qualquer fundamento legal para a pretensão”. Além disso, “autor popular não traz qualquer informação concreta sobre aquilo que imagina ser uma ameaça ao direito de ir e vir do paciente [Lula]".

O desembargador também negou seguimento ao habeas corpus. Gebran disse que o autor usou em sua petição notícias de jornais, revistas e portais de informação, que “não servem como fundamento”. Gebran ainda decretou segredo de Justiça por 48 horas, devido ao excesso de consultas ao Portal do TRF4 relativas a esse habeas, o que está prejudicando o sistema processual eletrônico do tribunal.

O magistrado finalizou a decisão declarando que a petição será enviada ao Ministério Público Federal "para adoção de providências cabíveis", porque o autor usou linguagem "imprópria, vulgar e chula, inclusive ofendendo a honra de várias pessoas nominadas na inicial".

Segundo o TRF-4, no pedido, Thomaz se referiu ao juiz Sérgio Moro, que é responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, com expressões como "hitleriano", definindo o magistrado como "moralmente deficiente". Disse ainda que Moro teria "fraudado a sentença de Nestor Cerveró [ex-diretor da Petrobras]".

O habeas corpus se tornou de conhecimento público nesta quinta, depois que o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), que faz oposição ao PT e ao governo da presidente Dilma Rousseff, divulgou a informação em sua conta no Twitter.

O que disse o instituto do ex-presidente

O Instituto Lula, do ex-presidente, negou que o HC,  uma ação judicial que assegura a liberdade do favorecido e impede a prisão, tenha sido impetrado por ele ou por qualquer advogado ou entidade que o represente (veja ao final desta reportagem nota publicada pelo instituto). Qualquer cidadão tem o direito de acionar a Justiça para obter um habeas corpus em favor de qualquer pessoa.

De acordo com o Instituto Lula, a pessoa que tomou a atitude pode até estar tentando prejudicar o ex-presidente.

O Instituto Lula disse ainda estranhar o fato de o senador Caiado ter divulgado a imagem da página de acompanhamento processual do site do TRF-4 com os dados sobre o habeas corpus de Lula. O próprio instituto afirma que não tinha conhecimento do HC até ver a reprodução no Twitter do senador.

Veja íntegra da nota publicada pelo Instituto Lula:

NOTA À IMPRENSSA

“Ex-presidente não entrou com pedido de habeas-corpus em Curitiba, Folha de São Paulo, 25 de junho de 2015".

Esclarecemos que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não entrou com o pedido de habeas-corpus impetrado em Curitiba, no dia 24/6/2015. Lembramos que esse tipo de ação pode ser feito por qualquer cidadão. Fomos informados pela imprensa da existência do Habeas Corpus e não sabemos no momento se esse ato foi feito por algum provocador para gerar um factóide.

O ex-presidente já instruiu seus advogados para que ingressem nos autos e requeiram expressamente o não conhecimento do Habeas Corpus.

Estranhamos que a notícia tenha partido do Twitter e Facebook do senador Ronaldo Caiado.

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula”. (G1 25/06/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: No vermelho: As cotações do açúcar cederam ontem na bolsa de Nova York diante da alta do dólar ante o real e das indicações de oferta disponível elevada. Os lotes do açúcar demerara para outubro caíram 15 pontos, a 11,87 centavos de dólar a libra-peso. Questões ligadas à política no Brasil fizeram o dólar subir ante o real, o que pressionou os preços da commodity, ao estimular as exportações das usinas do Brasil. Os traders também voltaram a olhar para a situação da oferta, uma vez que os estoques nos portos do Centro-Sul do Brasil seguem elevados, dificultando as entregas do produto pela indústria, segundo Bruno Lima, analista da consultoria FCStone. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve queda de 0,06%, para R$ 47,52 a saca.

Algodão: Área no foco: Os contratos futuros do algodão dispararam ontem na bolsa de Nova York, refletindo a possibilidade de uma queda na área plantada nos Estados Unidos em relação ao previsto anteriormente. Os papéis para outubro fecharam a 65,61 centavos de dólar a libra-peso, alta de 77 pontos. Com o passar do tempo, crescem os receios de que os produtores plantem menos do que os 3,86 milhões de hectares projetados no início do ano pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Os traders acreditam que o órgão deve reduzir a estimativa de área no relatório que será divulgado na terça-feira. O aumento das vendas da pluma pelos americanos também impulsionou as cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,03%, para R$ 2,1076 a libra-peso.

Soja: Chove chuva: A previsão de fortes chuvas para o cinturão de grãos nos EUA deu um novo impulso aos preços da soja na bolsa de Chicago ontem. Os lotes para agosto subiram 19,75 centavos, a US$ 9,87 o bushel. O Serviço Climático Nacional dos EUA previa para ontem "tempestades severas" com precipitações de granizo no norte e centro das Planícies. A empresa de meteorologia DTN indicou que poderia haver alagamentos nas partes central e leste do Meio-Oeste do país. O período ideal de plantio de soja nos EUA terminou ontem. Os traders acreditam que o Departamento de Agricultura do país (USDA) reduzirá a projeção para a área plantada, inicialmente calculada em 34,23 milhões de hectares. No Paraná, o preço médio subiu 0,1%, para R$ 58,18 a saca, segundo o Deral/Seab.

Trigo: Chove sem parar: Embora uma boa parte das áreas de trigo nos Estados Unidos não tenha recebido muitas chuvas nesta semana, uma porção importante segue com fortes precipitações, o que colaborou para elevar as cotações do cereal nas bolsas americanas ontem. Em Chicago, os lotes para setembro subiram 14,75 centavos, a US$ 5,38 o bushel. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento subiram 10,50 centavos, a US$ 5,435 o bushel. A parte leste do Kansas tem recebido fortes chuvas esta semana, e o principal temor é de que a umidade prejudique a qualidade dos grãos colhidos. Os traders ainda temem safras menores no Canadá e no Leste Europeu, onde o problema é a seca. No Paraná, o preço da saca continuou em R$ 33,75, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 26/06/2015)