Setor sucroenergético

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Petrobras quer sair da São Martinho

A Petrobrás Biocombustível estaria interessada em se desfazer da parceria com o Grupo São Martinho, segundo uma fonte do setor. Na semana passa, já circulava informação de que a empresa pretendia vender sua participação em sete usinas da Guarani, do grupo francês Tereos. Se isso acontecer, estatal estaria a um passo de deixar de vez o segmento de açúcar e álcool - a petroleira tem também participação na Bambui Bioenergia, em Minas Gerais.

"É um setor no qual ela (Petrobras) nunca deveria ter entrado, disse a fonte.

A Petrobrás Biocombustivel e São Martinho são sócias na Usina Boa Vista, localizada em Quirinópolis (GO). A estatal detém 49,05% da unidade, que tem capacidade para produzir 2 milhões de litros de etanol por dia. Ainda não se sabe se a São Martinho estaria disposta a comprar a participação da Petrobrás, mas, de acordo com a fonte, o grupo deve oferecer menos do que a estatal quer, exatamente como teria ocorrido na negociação com a Tereos.

São Martinho e Petrobrás Biocombustivel não comentaram o assunto. Já o diretor da Temos no Brasil, Jacyr Costa, disse à Reuters na semana na passada que não tinha sido informado oficialmente pela Petrobrás sobre intenção da estatal de sair do negócio.

Costa espera que a estatal faça o último aporte de R$ 250 milhões na companhia até outubro.

Entre os analistas do setor, a avaliação é de que a área de biocombustíveis tem dado dor de cabeça à Petrobrás e, por isso, tende a ser descontinuada, dado o plano de desinvestimento que prepara. No primeiro trimestre, o setor de biocombustível da Petrobras registrou prejuízo líquido de R$49 milhões. (Folha de São Paulo 29/06/2015)

 

Petrobras negocia venda de fatia na Guarani

Usina de processamento de cana-de-açúcar na Unidade Industrial Cruz Alta da Guarani, próximo de São José do Rio Preto.

Dentro do programa de desinvestimento, a Petrobras bateu o martelo e está negociando a venda de sua fatia na Guarani, terceira maior produtora de açúcar do Brasil.

Segundo EXAME.com apurou, a Petrobras quer se desfazer de 42,9% de sua participação na Guarani, que é controlada pelos franceses da Tereos internacional. A Guarani tem seu patrimônio avaliado em 2,35 bilhões de reais.

A saída do negócio, no entanto, não será nada fácil para estatal.

Sem muita escolha no mercado, a Petrobras quer vender sua participação para a própria Tereos. Mas os franceses só oferecem 200 milhões de reais pela fatia.

O problema é que a estatal, através da Petrobras Biocombustível, já investiu cerca de 1,5 bilhão de reais desde 2010, quando anunciou a parceria no setor de cana-de-açúcar.

E, por contrato, a Petrobras ainda teria de investir mais 240 milhões de reais neste ano para aumentar sua participação para 45,7% na Guarani.

No vermelho

Nos últimos quatro anos, a Tereos internacional, que tem como seu principal ativo a Guarani, viu seu lucro diminuir drasticamente.

Saiu de 260 milhões de reais em 2010 para 33 milhões de reais em 2014.

Muito desse baixo desempenho da companhia controlada pelos franceses é explicado pela queda mundial do preço do açúcar, o controle dos preços dos combustíveis pelo governo e a recente desvalorização do real.

Procuradas, tanto a Petrobras como a Tereos disseram que não iriam comentar as informações. (Exame.com 26/06/2015)

 

Picar a palha da cana no campo ou na indústria?

A prática do recolhimento de palha se estende pelo setor. O recolhimento de palha está presente em cerca de 3% dos canaviais. Este número representa aproximadamente 2 milhões de toneladas de palha recolhidas anualmente.

Apesar da expressiva quantidade de biomassa já recolhida ainda há uma enorme quantidade de palha disponível.

Nos últimos 10 anos, foram estudadas diferentes formas de aproveitamento da palha, onde diversas tecnologias foram colocadas à prova, tanto no campo quanto na indústria.

Mas ainda existem muitas dúvidas, entre elas: o mais viável é produzir fardos com cana picada no campo, ou produzir fardos com a palha inteira e levá-los para picar na indústria?. (Cana Online 26/06/2015)

 

Caminhos da Cana II: Turbinando o Etanol

O grande sucesso do Caminhos da Cana em 2014, que contou com cerca de 10 mil quilômetros percorridos com a realização de eventos em 25 cidades do interior de São Paulo e mais de 3 mil produtores entrevistados, aponta que as metas, mais do que alcançadas, foram superadas.

O projeto coordenado pelo Prof. Dr. Marcos Fava Neves, segue neste ano com a sua segunda edição. Em 2015 as expectativas e metas continuam arrojadas. Em 6 meses será alcançada novamente a marca dos 10 mil quilômetros em 25 cidades percorrendo todo o Brasil. A aposta para alavancar o Setor Sucroenergético é o Etanol. Iremos turbiná-lo unindo forças com associações, produtores e empresas para que juntos possamos alcançar os objetivos traçados.

Os eventos contam com uma estrutura dividida em 2 períodos, sendo que na parte da manhã, serão reunidos líderes e representantes dos diversos elos para um profundo debate sobre as questões e necessidades do Setor Sucroenergético e a tarde será ministrada palestra pelo Prof. Dr. Marcos Fava Neves contando com a participação de produtores e lideranças. A palestra aborda os desafios do setor de cana-de-açúcar e conta com a distribuição gratuita do livro Caminhos da Cana, de autoria do próprio palestrante.

Com o apoio da Bayer, Case IH, FEARP/USP, Fundace, Fapesp, Orplana, Canaoeste e apoio institucional da UNICA e CEISE, será elaborado o plano estratégico para o Setor Sucroenergético. A busca por ideias para melhorar a competitividade do mesmo e de suas associações será um dos pontos mais abordados durante o giro, além da indispensável pesquisa com os produtores que apontam resultados surpreendentes.

As datas das primeiras cinco cidades que receberão o Caminhos da Cana estão confirmadas:

Evento 1: Ituverava – 29/06

Evento 2: Sertãozinho – 23/07

Evento 3: Cravinhos – 24/07

Evento 4: Bebedouro – 12/08

Evento 5: Severínia – 13/08

Para mais informações entre em contato através do e-mail fpenariol@markestrat.org ou pelo telefone (16) 3456-5555. (Brasil Agro 26/06/2015)

 

Anvisa tem três meses para concluir estudos sobre agrotóxicos

A Justiça Federal acatou parte dos pedidos do Ministério Público Federal de Brasília (MPF/DF) e determinou que aAgência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conclua em, no máximo 90 dias, a reavaliação toxicológica de seis ingredientes ativos que fazem parte da composição de agrotóxicos usados no país.

A decisão, assinada pela juíza Luciana Raquel Tolentino, se refere à ação civil pública proposta em março de 2014 pela Procuradoria da República no Distrito Federal. Na época, o MPF/DF havia pedido o banimento de oito ingredientes que, segundo estudos técnicos, podem causar doenças graves como câncer. A decisão judicial, no entanto, não interrompe a concessão de registros a novos produtos que contenham os ingredientes questionados na ação.

Pela decisão judicial, a Anvisa terá até o fim do mês de setembro para finalizar os estudos referentes ao uso de glifosato, lactofen,carbofurano, abamectina, thiran e paraquate. Após o prazo, o órgão de vigilância deve informar os resultados à Justiça.

“Urge que a Anvisa, como órgão de especial atuação em todos os setores relacionados a produtos e serviços que possam afetar a saúde da população brasileira, finalize os processos de reavaliação toxicológica, os quais se arrastam desde o ano de 2008”, escreveu a magistrada em um dos trechos da decisão. (Notícias Agrícolas 26/06/2015)

 

Piauí - Governo incentiva produção e consumo de etanol no estado

Com o objetivo de promover a aproximação do Governo do Estado com investidores do agronegócio, o governador Wellington Dias visitou, nesta sexta-feira (26), as instalações das indústrias do Grupo Olho d’Água e a Comvap, maior produtor de açúcar e álcool anidro no Piauí. O Grupo Olho d’Água Comvap, há 77 anos no mercado açucareiro, possui fábricas instaladas em União, Teresina e José de Freitas. Na oportunidade, o governador destacou a importância do estado ter um leque diversificado de empreendimentos, que geram emprego e renda, abastecem o mercado de consumo interno e exportam produtos e ainda injetam recursos na economia.

“Aqui é uma empresa que agrega pequenos, médios e grandes produtores de cana-de-açúcar dentro do mesmo arranjo produtivo, o que beneficia muitos agricultores e gera emprego e renda. O grupo se destaca pelos investimentos em irrigação e na produção de energia limpa a partir do bagaço da cana. É uma empresa que contribui com o crescimento da economia do estado, pois paga impostos e gera empregos”, frisou Dias. O governador disse ainda que governo está trabalhando uma política fiscal que permita que o mercado externo não possa ter mais vantagem sobre o mercado interno. “É preciso que aquilo que se produz no Piauí tenha um diferencial para aquilo que se consome de outros estados. A tese é de que haja sempre uma condição do próprio Piauí se auto-abastecer”, destacou.

Durante a visita, o chefe do executivo do Estado afirmou que o Governo está adotando medidas para facilitar os trâmites burocráticos para a implantação de empresas e apoiar os investidores do Piauí. “Pra isso vamos descentralizar a Junta Comercial, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, o Instituto de Terras e o Corpo de Bombeiros. Isso facilita a concessão de licenças ambientais e acelera a prestação de serviços para os empresários”,pontuou.

Dias revela ainda que a negociação junto à Bancada Estadual para a redução da alíquota do imposto cobrado sobre o álcool está em fase final. “A Bancada já aprovou o incentivo para a redução de alíquota do álcool para ampliar o consumo do produto aqui, arrecadando Imposto Cobrado sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) dentro do estado. A intenção é que o álcool seja misturado à gasolina dentro do próprio estado, reduzindo o ICMS e adaptando os demais combustíveis para gerar uma receita complementar”, garantiu.

Segundo o diretor de operações do grupo, Luiz Fernando de Melo, o grupo empresarial produz cerca 1,14 milhões de toneladas de açúcar por ano e álcool suficiente para abastecer o mercado interno. “O Grupo Olho d’Água Comvap gera mais de 2500 empregos diretos e cerca de 5000 empregos indiretos. As empresas se destacam pela utilização de tecnologias modernas para irrigar 3,5 mil hectares; prevenção de acidentes de trabalho e estimulo à formação e qualificação dos seus funcionários e o respeito ao meio ambiente, com a preservação de mais de 50 mil hectares de terras”, revelou o diretor. (Floriano News 26/06/2015)

 

Mais duas usinas de etanol podem voltar a funcionar nesta safra em PE

Diretores da usina Cruangi assinaram um contrato de arrendamento da unidade com cooperativa de produtores de cana.

Apesar da crise econômica nacional, o setor canavieiro de Pernambuco quer reativar duas usinas nesta safra: Cruangi e Pedroza, nos municípios Timbaúba e Cortês, respectivamente. Com a ação, quatro mil empregos seriam criados na Mata Norte em 15 cidades.

A intenção é ampliar a experiência que resultou na reativação da Usina Pumaty, na Mata Sul pernambucana. Na última safra a unidade moeu 513 mil toneladas e faturou R$ 50 milhões por meio de uma cooperativa de produtores de cana, que arrendou e pôs a unidade para funcionar.

Um passo importante para a consolidação deste projeto ocorreu nesta quinta-feira (25). Diretores da usina Cruangi assinaram um contrato de arrendamento da unidade com a Cooperativa da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (COAF). Porém, os canavieiros só poderão reativá-la se o juiz José Gilberto de Souza, da 1ª Vara de Timbaúba, que é responsável pelo processo de Recuperação Judicial da unidade, validar o arrendamento e blindar a cooperativa de passivos da antiga administração da Cruangi.

Se for confirmado, cerca de R$ 3 milhões serão investidos no apontamento do parque industrial, e a usina estará funcionando em outubro, depois de três safras paradas, voltando a beneficiar toda cadeia produtiva da cana da região.

Após a forte crise nacional no setor sucroenergético, com o fechamento de várias usinas em Pernambuco, só quatro unidades estão ativas na Mata Norte. São elas: Laranjeiras em Vicência, Olha D’água em Camutanga, Santa Tereza em Goiana, e Petribu em Lagoa do Carro. Neste contexto, por falta de usinas para a moagem da cana, os produtores independentes têm deixado de plantar por falta de opção para escorrer a produção. Assim, o setor canavieiro tem encolhido nos últimos anos, com grande efeito negativo para a economia das cidade com vocação canavieira.

“A reativação da usina do porte de Cruangi, portanto, tem forte impacto socioeconômico para toda a região”, ressalta o presidente da COAF, Alexandre Andrade Lima. Ele estima que na primeira safra, a unidade moa algo em torno de 400 mil toneladas. A cana virá dos produtores dos municípios de Vicência, Bueno Aires, Nazaré, Aliança, Condado, Goiana, Macaparana, Timbaúba, Itambé, Ferreiros e parte de Carpina.

Lima destaca que a iniciativa conta com o apoio dos prefeitos da região e do Governo do Estado. A COAF já começou a fazer o apontamento no parque fabril de Cruangi, visando verificar os reparos e investimentos necessários para a unidade estar pronta para funcionar no começo de outubro. A estimativa é de um investimento na ordem de R$ 3 milhões.

Inicialmente, a usina focará na produção de etanol, mas, não está descartada a fabricação posterior de açúcar, que dependerá da valorização da commodities no mercado interno e externo.

A experiência do arrendamento da usina oportunizará aos canavieiros agregar valor a sua matéria-prima. Pelo regime de cooperativismo, todos os participantes vão receber tanto pela cana fornecida para ser moída em Cruangi, como também ganharão pelas sobras do exercício anual da cooperativa no etanol comercializado nas distribuidores de combustível.

Usina Pedroza

Mais outra usina, por meio da iniciativa de cooperativa dos canavieiros, será reaberta no Estado nesta safra. Outra cooperativa de produtores acaba de arrendar a Usina Pedroza, situada no município de Cortês, na Mata Sul, fechada na última safra.

A expectativa é começar a moagem no fim de outubro e esmagar cerca de 300 mil toneladas de cana. A reativação do parque fabril visa receber a cana dos produtores dos municípios de Ribeirão, Primavera, Catende e parte de Palmares.

“A iniciativa estimulará a manutenção da cadeia produtiva da cana através dos pequenos e médios agricultores destas localidades, que sofriam com a carência de usinas nas proximidades”, conta Lima. (AFCP 26/06/2015)

 

BNDES não poderá mais conceder empréstimos para a Petrobrás

Resolução do Banco Central deu três anos para o BNDES se enquadrar nos limites de prudência que impedem o banco de comprometer 25% do seu patrimônio com um único cliente.

A Petrobrás não poderá contar com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar investimentos. Uma resolução do Banco Central (BC) aprovada na quinta-feira, 25, deu três anos para o BNDES se enquadrar nos limites de prudência e impediu novos financiamentos e aportes em participação nas empresas nas quais o banco tenha excesso de recursos comprometidos, caso da Petrobrás.

Pelas regras, nenhum banco pode comprometer com um único cliente mais do que 25% do patrimônio de referência, um indicador financeiro. No caso do BNDES, esse limite é de R$ 24,112 bilhões, conforme dados do primeiro trimestre. Na conta entram tanto empréstimos ainda devidos quanto a participação acionária.

O problema é que o BNDES terminou 2014 com cerca de R$ 64 bilhões comprometidos com a Petrobrás, conforme um cruzamento de dados revelado pelo Estado no fim de abril. Considerando holding e subsidiárias, são cerca de R$ 42 bilhões em crédito e R$ 22 bilhões em participação acionária, muito acima do limite.

Uma fonte ouvida sob condição de anonimato pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, confirmou que o valor comprometido pelo BNDES com a Petrobrás está acima 50% do patrimônio de referência. Em nota, o banco confirmou que a exposição à Petrobrás excede o limite.

Exceções

Há cerca de 15 anos, por meio de resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN), o BC abria exceções ao BNDES na hora de calcular o comprometimento com a Petrobrás. Uma das exceções - que permite ao BNDES excluir as participações acionárias do cálculo do limite de 25% - acabará no próximo dia 30.

Pela resolução, a partir de 1º de julho, o BNDES terá que reduzir os excessos até 2024. Até lá, o fato de os valores passarem do limite “implica o impedimento da contratação de novas operações”. De 2016 a 2018, será preciso cortar o excedente em 20%. Na nota, o banco garantiu que a exigência “não terá impacto sobre a carteira atual de financiamentos” e que não será preciso vender ações para reduzir os excessos: “Até 2018, estão previstas amortizações de financiamentos, o que resultará em redução da exposição”.

As mudanças não mexeram com outra exceção, que permite ao banco considerar, no cálculo, cada subsidiária da Petrobrás como um único cliente - ou seja, o limite de R$ 24,112 bilhões vale para cada empresa do sistema Petrobrás.

Segundo o economista Fabio Klein, especialista em finanças públicas da consultoria Tendências, o excesso de recursos na Petrobrás pode afetar o lucro do BNDES caso a petroleira passe por problemas, mas é remota a possibilidade de um calote, que obrigasse o Tesouro a aportar recursos. “A Petrobrás fará de tudo para não fazer isso, porque o rating dela já está ruim”, disse Klein . O Estado de São Paulo 27/06/215)

 

Aperta-se o cerco a Dilma - Editorial O Estado de São Paulo

A clara disposição de Luiz Inácio Lula da Silva de se descolar de sua própria criatura aparentemente está sendo interpretada como um sinal de liberação geral da campanha de isolamento político de Dilma Rousseff e do consequente confinamento do governo aos estreitos limites de sua incompetência para lidar com a crise em que ele próprio mergulhou o País. A se confirmar essa tendência bem expressa no clima de salve-se quem puder em que a chamada classe política se debate, os desdobramentos da crise no plano político – no econômico é outra história – são imprevisíveis, uma vez que Dilma tem ainda três anos e meio de mandato pela frente, o que torna praticamente impossível empurrar a crise com a barriga até que nova eleição presidencial acomode a situação.

A conjugação de duas iniciativas cujos primeiros movimentos já se tornaram visíveis anuncia o quadro sombrio que se desenha para o Planalto. De um lado, forças de esquerda reunidas numa aliança de pequenos partidos ideológicos com a ala autoproclamada “progressista” do PT articulam a formação de uma “frente ampla” de combate ao ajuste fiscal e à política econômica “liberal” personificada na figura do ministro Joaquim Levy. De outro lado, dentro do PMDB ganha corpo a disposição de devolver a Dilma Rousseff a coordenação política por ela delegada, em desespero de causa, ao vice-presidente da República, Michel Temer, o que implicaria, pelo menos tacitamente, o rompimento da combalida aliança dos peemedebistas com o governo petista.

De acordo com o jornal Valor, a oportunidade – na verdade, o pretexto – para que Michel Temer devolva a articulação política ao Planalto seria o fim da votação do ajuste fiscal no Congresso, que deverá ocorrer provavelmente em agosto. Com isso, estaria cumprida a missão confiada por Dilma ao vice-presidente da República. A essa intenção dos caciques peemedebistas – estimulada tanto pelo fato de Lula estar procurando se descolar de Dilma quanto pela crescente deterioração da credibilidade e da popularidade da presidente – não estaria alheio Michel Temer, um político geralmente cauteloso, cuja preocupação maior seria a de calibrar o avanço na direção do descolamento de Dilma para não comprometer gravemente o projeto de ajuste fiscal do qual o PMDB se tornou avalista. De resto, muitos peemedebistas – que consideram pacífica a opção de lançar candidato próprio no pleito presidencial de 2018 – entendem que o PMDB deve se apresentar já para as eleições municipais do próximo ano livre da conotação eleitoralmente negativa de uma aliança com Dilma e o PT.

De qualquer forma, a articulação da tal “frente ampla” contra a política econômica “liberal” avança a cada dia, tendo à frente, entre outros líderes das correntes de esquerda do PT, o fundador do partido, ex-ministro de Lula e ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, que seria um dos responsáveis pela redação do manifesto do grupo, a ser divulgado no início de julho. Especula-se que por detrás desse movimento estaria o próprio Lula, embora essa possibilidade seja desmentida pelos articuladores. Afinal, não é despropositado imaginar que o ex-presidente se anime com a possibilidade de contar com o apoio de algo parecido com uma aliança de forças “progressistas” para embalar sua candidatura à Presidência em 2018 empunhando a bandeira do combate ao “liberalismo”. Isso se até lá Dilma e sua incompetência política e administrativa já não tiverem desmoralizado definitivamente o “progressismo” esquerdista aos olhos de um eleitorado que, na verdade, almeja condições dignas de vida representadas pela garantia de acesso a bens sociais e de consumo num ambiente de plena liberdade.

Esses dois movimentos – o do PMDB e o dos “progressistas” –, produtos de uma mesma circunstância, mas sem nenhuma relação um com o outro, significariam o cerco do Palácio do Planalto pela direita e pela esquerda, deixando pouco espaço para a ineficiente oposição partidária, representada pelo PSDB.

O risco desse tipo de jogo partidário é o de seus principais personagens se entre devorarem, deixando sozinho na cena algum ousado aventureiro. (O Estado de São Paulo 26/06/2015)

 

MG: Estado elimina queima da cana

O setor sucroalcooleiro atingiu também um marco importante em relação à sustentabilidade. Entre 2008 e 2014, o Estado eliminou a queima da cana em 100% das áreas com declividade abaixo de 12%, conforme decreto do governo federal a ser cumprido até 2018. Antes desse prazo, 97% da lavoura mineira já é mecanizada, ficando a queima controlada em apenas 3% de área, concentradas na Zona da Mata e algumas áreas do Sul de Minas.

Nos últimos seis anos, essa medida, segundo levantamento da Siamig, evitou no Estado a emissão de 6,1 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) na atmosfera. Houve ainda uma redução drástica do uso da água, que era necessária para a limpeza da cana, antes de entrar no processo de moagem. De 5m³ por tonelada, o volume caiu para menos de 1m³ por tonelada, em função do sistema de limpeza a seco utilizado agora.

A mecanização da lavoura culminou também no declínio da mão de obra de trabalhadores que faziam corte manual da cana. Cada máquina utiliza entre 15 e 20 pessoas e substituiu um contingente de cem trabalhadores. No entanto, segundo assegurou Mário Campos, essa mão de obra tornou-se qualificada e foi absorvida pelo fato de a produção do produto ter triplicado. Houve ainda recuperação das áreas de preservação permanente (APPs), com o afastamento da cana de açúcar e o consequente retorno de inúmeras espécies nativas, que eram espantadas pelo fogo.

O aproveitamento de todos os resíduos tem permitido que as usinas apostem na geração de energia, como forma de faturar com a alta dos preços do insumo. Entre este ano e 2017, segundo Campos, os usineiros investirão R$ 250 milhões para ampliar o potencial das térmicas movidas a biomassa. (O Tempo 26/06/2015)

 

EUA vão liderar acordos comerciais – Por Marcos Sawaya Jank

Via rápida de negociação concedida a Obama abre as portas para concluir neste ano a Parceria Trans-Pacífico.

Nesta semana, aconteceu o fato mais relevante em política comercial desde o surgimento da OMC (Organização Mundial do Comércio), há 20 anos. O Congresso dos Estados Unidos acaba de aprovar a nova TPA (Trade Promotion Authority), que concede mandato para o presidente Obama negociar acordos comerciais em blocos únicos, que ao final são submetidos à rejeição ou à aprovação sem emendas pelo Congresso.

A nova TPA terá grande impacto sobre o Brasil, pois abre a porta para a conclusão, ainda neste ano, da Parceria Trans-Pacífico (TPP, em inglês), que reúne 12 países, da Ásia (Japão, Malásia, Cingapu- ra, Vietnã, Brunei), das Américas (EUA, Canadá, México, Peru e Chile) e da Oceania (Austrália e Nova Zelândia).

Não tenho dúvida em afirmar que a TPP é o acordo preferencial mais amplo e profundo já negociado. Ela vai reduzir a zero 90% das tarifas de todos os bens comercializados entre os seus membros já em 2017, e o restante, em outros sete anos.

Prevê, ainda, a integração das áreas de serviços, proteção a investimentos, compras governamentais, comércio eletrônico, propriedade intelectual, concorrência, sanidade animal e vegetal, facilitação de comércio e regras trabalhistas e ambientais. Além do mais, não haverá tratamento diferenciado: os compromissos assumidos valem igualmente para todos os países, sendo que a diferença reside nos prazos de implementação.

A TPP propõe uma nova arquitetura de comércio que reforça a integração dos países em cadeias globais de suprimento. Propõe, ainda, a chamada "convergência regulatória", ou seja, a harmonização das leis e regulamentos dos países-membros. Na agricultura, por exemplo, a combinação de abertura comercial e convergência regulatória vai provocar forte desvio dos nossos fluxos de comércio para a Ásia, em favor dos concorrentes EUA, Canadá e Austrália.

Já se fala abertamente da integração da Coreia do Sul, da Tailândia e das Filipinas à TPP. A China, por sua vez, tenta construir o seu caminho alternativo com 15 países da região, mas certamente não vai deixar de buscar convergências se a TPP for concluída.

Com a TPA em mãos, o Executivo americano definitivamente toma a liderança na construção das regras que vão pautar o comércio global. É bom lembrar que os americanos têm acordos com todos os países da costa pacífica das Américas. A TPP os levará a cobrir uma boa parte da região Ásia-Pacífico.

Além disso, a TPA abre também a porta para a Parceria Transatlântica (TTIP), entre EUA e União Europeia. A UE, por sua vez, vem acelerando o passo na integração com dezenas de países de todas as regiões do mundo.

Winston Churchill dizia que "a América sempre fará a coisa certa, mas só quando já tiver tentado todo o resto". No nosso caso, 15 anos atrás nós tentamos fechar grandes acordos regionais nas Américas e com a Europa. Infelizmente esses acordos não vingaram, mais por razões ideológicas do que concretas, já que o setor privado os desejava.

Infelizmente continuamos fazendo a coisa errada ao privilegiar parceiros comerciais pequenos e complicados, em detrimento de uma integração com os polos econômicos mais dinâmicos do planeta (Marcos Sawaya Jank é especialista em questões globais do agronegócio. Atualmente trabalha em Cingapura. ( Folha de São Paulo 27/06/2015)

 

A nova era da energia renovável já começou no Brasil

Os bons ventos continuarão soprando forte e o sol, finalmente, brilhará sobre a matriz energética brasileira nos próximos anos. Até 2040, o Brasil deverá atrair US$ 300 bilhões em investimentos para geração de energia elétrica— a maior parte disso (70%) irá para projetos solares e eólicos, prevê o estudo Energy Outlook (NEO), feito pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF).

No total, o país vai adicionar 250 gigawatts (GW) de nova capacidade nos próximos anos, chegando a 383GW, um aumento de 189% sem sua capacidade total. Cerca de 89% disso, prevê o estudo, serão compostos de energias renováveis, inclusive de pequenas e grandes hidrelétricas.

No entanto, a grande mudança vem participação das renováveis eólica, solar e biomassa, que deverá saltar do atuais 14% de capacidade instalada para nada menos do que 51% em 2040.

"A crise no setor energético nos últimos meses, agravada pela seca, destacaram a necessidade do país diversificar sua matriz energética", diz Lilian Alves, analista da Bloomberg New Energy Finance.

"E o grande potencial de diversificação está nas fontes renováveis, não necessariamente em termelétricas a óleo combustível", enfatiza.

À medida que o país expande a capacidade e a geração a partir de fontes alternativas, ele aumenta sua segurança energética e a resiliência frente a fenômenos extremos.

O sol vai brilhar (no seu telhado)

De acordo com a especialista, a energia eólica, que nos últimos anos cresceu a velocidade de foguete por aqui, receberá R$ 84 bilhões; outros US$ 26 bilhões vão para biomassa, enquanto projetos de grandes e pequenas hidrelétricas receberão US$ 23 bilhões.

Um terço dos US$ 300 bilhões esperados até 2040 — vultosos US$ 125 bilhões — terá fins solares. Projetos de grande escala, com mais de 1 Megawatt (MW), receberão R$ 31 bilhões.

Já a geração distribuída deverá atrair US$ 93 bilhões, tornando-se a grande estrela dessa nova revolução energética.

Instalar sistemas fotovoltaicos no telhado de casa e em edifícios residenciais e comerciais deve virar um ótimo negócio, seguindo tendência mundial.

"Com a previsão de queda acentuada de custo nas próximas duas décadas, a população vai começar a olhar para a energia solar em busca de independência energética", avalia.

Algumas mudanças pavimentam essa transformação. Medidas adotadas pela Aneel na resolução 482, há dois anos, são um grande passo nesse sentido.

Além de regulamentar a produção de energia solar no país, as regras vislumbraram um sistema de compensação de créditos a favor do consumidor, o que ajuda a viabilizar economicamente os sistemas de energia solar.

"Movimentos como a possibilidade de retirar o ICMS sobre a eletricidade que é gerada pelos consumidores podem acelerar ainda mais esse processo", comenta a analista da BNEF.

Alterações na forma como consumimos energia, como o uso intensivo de aparelhos ar-condicionadis reforçam a importância dessa fonte para suprir picos de consumo.

"A demanda máxima antes acontecia entre 6h e 8h da noite, mas hoje ela se concentra no período das 2h às 4h da tarde, que é quando os projetos solares mais podem gerar energia", explica Lilian. A revolução das renováveis já começou. (Exame.com 26/06/2015)

 

Açúcar: Dias piores virão? - Por Arnaldo Luiz Corrêa

NY fechou a semana em alta. O vencimento julho/2015 que expira na próxima terça-feira encerrou o pregão de sexta-feira negociado a 11.67 centavos de dólar por libra-peso, 12 dólares por tonelada acima do fechamento da semana anterior. Todos os demais meses fecharam no positivo, com variações entre 3 e 9 dólares por tonelada na semana. Rumores de que a Tailândia tenha um excesso de açúcar da ordem de 1.5 milhão de toneladas é verdadeiramente um banho de água fria para aqueles que pensavam que o mercado pudesse ter uma reação.

Um veterano trader, que sempre operou bom volume nos futuros, acredita que o contrato futuro de NY pode ir para 10 centavos de dólar por libra-peso em função do que pode vir de notícias negativas da Tailândia. Tudo o mais inalterado, 10 centavos de dólar por libra-peso representariam hoje R$ 716 por tonelada. A última vez que isso ocorreu foi em 2010. Os fundos não indexados estão vendidos a descoberto em 100.000 lotes (5 milhões de toneladas de açúcar equivalente!!). E com os spreads desse tamanho estão nadando de braçada. Para chegar a R$ 716, no entanto, a equação NY vezes dólar precisaria depreciar em quase 15% do valor de hoje.

É fato que o açúcar continua tentando se recuperar das recentes quedas, mas nada acontece com os fundamentos que justifiquem alguma melhora nos preços. Esta semana correu o rumor à boca pequena que uma grande trading está se preparando para receber uma gigantesca quantidade de açúcar na entrega de outubro tirando proveito do escorchante spread que tem sido negociado. Não dá para saber se tem algum fundo de verdade nesta história. Além do que, em mercados largados como tem sido o açúcar nos últimos tempos, é fértil o campo das idéias e proliferam as elucubrações sobre estratégias. Existe, no entanto, algo que suporta essa teoria: a matemática. Um spread que encerrou a semana a 140 pontos mas teve um pico de 160 pontos, mostra que mesmo com o custo de US$ 2 por tonelada por mês de armazenagem mais US$ 5-6 por tonelada de custo financeiro, ainda sobrariam líquido 15 dólares por tonelada para quem recebesse o outubro com o intuito de reentregá-lo em março, por exemplo.

O sentimento geral é de que as usinas do Centro-Sul capitalizadas devem empurrar com a barriga suas vendas para depois de outubro fixando os contratos contra o março de 2016, embolsando assim o adicional que o spread está mostrando. Enquanto isso, vão abastecer o mercado com hidratado cujo volume de vendas mensal chega próximo de 1.5 bilhão de litros. No trimestre abril-junho, o total de vendas de hidratado já é superior em 18.67% o volume do mesmo período do ano passado. Mas, está longe ainda do volume negociado em 2009 que foi de 4.24 bilhões de litros.

A média diária dos fechamentos de junho (sempre pegando o primeiro mês na tela) até o momento é de 11.77 centavos de dólar por libra-peso, a menor desde novembro de 2008 quando estávamos no meio de uma crise internacional. Já a média em reais, que é de R$ 840.41 por tonelada FOB é a menor desde setembro do ano passado quando atingiu R$ 783.38.

Lembro da crise em maio de 1999 quando o açúcar bateu 4.36 centavos de dólar por libra-peso. Numa reunião acalorada escasseavam os argumentos entre os presentes que apontassem uma recuperação dos níveis de preço do mercado. Qualquer idéia, minimamente altista que fosse, era imediatamente rechaçada pela maioria dos presentes que já esperava um mercado a 2 centavos (acredite, isso é sério). Encurralado pelos outros participantes, o único altista sobrevivente presente, já sem mais o que dizer, deu seu argumento final: “o mercado vai ter que subir, Deus vai ter que fazer alguma coisa”, arrancando gargalhadas entre os presentes e aliviando um pouco o ambiente pesado. Não sei se foi Deus, mas o fato é que doze meses depois o mercado negociava o dobro do preço.

Na semana passada comentei aqui que as empresas que comercializam açúcar no mercado doméstico usando o índice ESALQ como parâmetro de fixação correm um enorme risco de base. Heloisa Lee Burnquist, pesquisadora e prestigiada professora da ESALQ, com uma lista quilométrica de serviços prestados ao setor sucroalcooleiro, PhD na Universidade de Cornell, uma das oito universidades americanas da respeitada Ivy League, e que nos envaidece sendo uma de nossas leitoras atentas, não concordou com minha observação. A professora argumenta que a existência de um sistema de pagamento de cana - Consecana – seria o racional dessa negociação utilizando o índice. É verdade. O que eu me referi, embora reconheça que não ficou claro no texto, é que as empresas devem evitar (por aumentar desnecessariamente o risco de base) ter parâmetros distintos de apreçamento nas duas pontas da negociação. Se compram açúcar usando ESALQ que o vendam usando ESALQ; se compram baseados em NY, vendam baseados em NY; mas não misturem as estações.

Risco de base pode quebrar uma empresa, e – não raramente - quebra: quem não lembra do que ocorreu há alguns anos com uma empresa no Centro-Sul que fez um contrato de venda de etanol de longo prazo precificando o produto contra o RBOB (contrato de gasolina)? Lembro-me de ter dado uma conferência naquela época e ter argumentado que a correlação entre os dois produtos (etanol e gasolina) era de 0.269 e isso trazia um risco absolutamente desnecessário. Ouvi de gente séria aquele velho argumento “altamente científico” que não admite contestação: “Ah, Arnaldo, mas tá todo mundo fazendo isso”. O resto da história vocês já sabem.

A correlação hoje de ESALQ com NY (últimos 100 dias) é de 0.7614. Pode não ser tão ruim, mas como sabemos, dados históricos não são garantia de que se comportarão da mesma maneira no futuro. Corrijo a frase do último relatório que pode ter deixado a professora com a impressão de que esse escriba tem algo contra a ESALQ: o mercado interno vai ter que evoluir e aprender a usar o mesmo parâmetro (ESALQ ou NY) nas duas pontas. Essas mudanças só ocorrem pela dor, nunca pelo amor.

A Archer Consulting completou dia 21 de junho 15 anos de criação. Em breve teremos novidades para nossos clientes e leitores. Novo site e novo logo estão a caminho. Nosso muito obrigado pelo apoio e confiança nessa caminhada (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Commodities Agrícolas

Café: Incertezas em NY: Os preços do café arábica fecharam no campo negativo na sexta-feira na bolsa de Nova York em meio a incertezas tanto com relação à oferta como quanto à demanda. Os papéis para setembro caíram 165 pontos, a US$ 1,3345 a libra-peso. No Brasil, a colheita está mais lenta do que no ano passado, mas o tempo firme previsto para os próximos dias deve permitir um avanço dos trabalhos, embora o volume e a qualidade continuem uma incógnita. Quanto à demanda, a Organização Internacional do Café (OIC) aposta em um aumento do consumo nos EUA, na contramão do Departamento de Agricultura do país (USDA), que acredita em um recuo de 1,1% em 2015/16. No mercado interno, o café de boa qualidade variou entre R$ 460 e R$ 480 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Algodão: Oferta mais restrita: A rapidez nas vendas de algodão dos Estados Unidos e as incertezas quanto à área da nova safra no país deram impulso aos preços da pluma na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os lotes para outubro subiram 260 pontos, a 68,21 centavos de dólar a libra-peso. Os exportadores americanos já venderam mais algodão da safra 2014/15 do que as 2,32 milhões de toneladas estimadas pelo Departamento de Agricultura do país (USDA) para toda a temporada, o que deve levar o órgão a reduzir sua projeção para os estoques finais da fibra no país. Traders afirmam ainda que a oferta do algodão de melhor qualidade está ainda mais restrita, o que colabora para sustentar as cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,24%, a R$ 2,1025 a libra-peso.

Milho: Produtividade no foco: As cotações do milho subiram de forma expressiva na sexta-feira na bolsa de Chicago diante do receio de que as chuvas no Meio-Oeste dos Estados Unidos reduzam a produtividade da safra 2015/16. Os papéis para setembro subiram 9,75 centavos, a US$ 3,925 o bushel. Com o plantio encerrado e as plantas em desenvolvimento, o temor dos traders é de que, em áreas alagadas, as raízes fiquem expostas, o que poderia prejudicar a nutrição das plantas e, consequentemente, reduzir sua produtividade. Algumas previsões indicam que as chuvas podem reduzir de intensidade nesta semana no Meio-Oeste, segundo informou a consultoria AGR Brasil, em nota. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho subiu 0,99%, para R$ 25,51 a saca.

Trigo: Por água abaixo: O excesso de chuvas no sul dos Estados Unidos, onde se concentra a produção de trigo no país, reforçou os receios de que a safra de inverno que está sendo colhida seja significativamente menor e de pior qualidade do que o esperado. Isso levou os preços do cereal a subirem nada menos do que 5% na sexta-feira nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes para setembro subiram 30 centavos, a US$ 5,68 o bushel. Em Kansas, os papéis de igual vencimento subiram 25,50 centavos, a US$ 5,69 o bushel. Os investidores também temem produções menores no Canadá, no Leste Europeu e na Europa central, onde o problema é a estiagem. No mercado doméstico, o preço médio do cereal no Rio Grande do Sul apurado pelo Cepea/Esalq registrou leve alta de 0,07%, a R$ 653,28 a tonelada. (Valor Econômico 29/06/2015)