Setor sucroenergético

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Odebrecht Agro segue no vermelho

Segunda maior produtora de etanol do país, a Odebrecht Agroindustrial registrou prejuízo líquido atribuível a seus acionistas de R$ 1,142 bilhão no exercício 2014/15, encerrado em 31 de março, ante lucro líquido de R$ 12,4 milhões em 2013/14. Mas como no ciclo anterior esse lucro havia sido garantido pela venda dos ativos de energia, sem essa venda teria havido uma perda de cerca de R$ 1,8 bilhão, o presidente da empresa, Luiz de Mendonça, comemorou o "avanço" e se mostrou otimista com os resultados que poderão ser colhidos em 2015/16.

Segundo ele, o indicador que melhor justifica esse otimismo é o Ebitda societário ajustado da companhia, que subiu de R$ 393 milhões em 2013/15 para R$ 933 milhões em 2014/15, desconsiderando o ganho de capital referente à venda dos ativos de energia e o resultado da operação de energia. A moagem conjunta de cana nas nove unidades controladas pela Odebrecht Agroindustrial subiu de 22,5 milhões de toneladas em 2013/14 para 23,8 milhões em 2014/15, e sua receita líquida cresceu 5% na comparação, para R$ 2,532 bilhões.

Marcou o exercício da companhia, como já informou o Valor, a renegociação de dívidas de R$ 7,2 bilhões no total, que contou com amplo apoio de outras divisões de negócios da Organização Odebrecht, e a dívida líquida total recuou de R$ 11,3 bilhões, em 2013/14, para R$ 10,3 bilhões em 2014/15. Mesmo assim, os investimentos realizados na temporada alcançaram R$ 1 bilhão.

"Em 2015/16, vamos investir R$ 600 milhões. E sempre em linha com a mudança estratégica que fizemos depois que terminou nosso primeiro 'ciclo da cana', quando deixamos para trás a expansão acelerada que vínhamos registrando para centrar o foco em ganhos de produtividade", afirmou Mendonça ao Valor.

Nesse contexto, destacou o executivo, entre R$ 400 milhões e R$ 450 milhões dos investimentos previstos para esta safra 2015/16, que começou melhor tanto para os negócios com etanol quanto com açúcar, serão direcionados à renovação e melhoria de canaviais, inclusive com a escolha de variedades de cana mais produtiva. (Valor Econômico 02/07/2015)

 

Rabobank eleva previsão para safra 2015/16 de cana no Centro-Sul

O Rabobank elevou sua projeção para a safra 2015/16 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil em 13 milhões de toneladas. O banco prevê agora processamento de 586 milhões de toneladas no ciclo que começou em abril, volume 2,62% maior na comparação com as 571 milhões de toneladas moídas na temporada passada. As estimativas constam de relatório trimestral divulgado nesta quarta-feira, 01, pela instituição.

De acordo com o banco, as usinas da principal região produtora do País devem alocar maior parcela de cana para a fabricação de etanol. No total, a produção de álcool deve atingir 26,7 bilhões de litros (+2,4%). Já a de açúcar deve apresentar ligeira queda de 0,4%, para 31,9 milhões de toneladas. Além disso, o banco avalia que as empresas terão incremento de receita neste ano, graças à maior moagem e aos preços elevados do etanol.

Para outras regiões do mundo, o Rabobank estima produção de 28,3 milhões de toneladas de açúcar na Índia, 1,8 milhão de toneladas a mais na comparação com as 26,5 milhões de toneladas esperadas pela indústria e pelo governo do país. Esse aumento deve ser puxado pelo Estado de Maharashtra, conforme o banco.

Na Tailândia, terceiro maior produtor, atrás apenas de Brasil e Índia, a instituição estima uma safra maior graças a incentivos dados pelo governo local, que estimula produtores a trocar algumas culturas, como arroz, por cana-de-açúcar. Tanto na Tailândia quanto na Índia as informações referem-se à safra 2014/15, que por lá só se encerra em 30 de setembro.

Mercado

O Rabobank diz que os preços internacionais do açúcar podem ser afetados pelo mix de produção no Brasil, que tem direcionado mais cana para o etanol, e também pela possibilidade de El Niño. Por ora, órgãos de monitoramento falam em 50% a 70% de chances de o fenômeno climático ocorrer. Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico, o El Niño provoca chuvas acima da média no Brasil e estiagem na Índia e na Tailândia. Do lado baixista, há a perspectiva de mais uma ampla produção de açúcar.

O próprio Rabobank afirma que sua estimativa de déficit de 3,6 milhões de toneladas para a atual temporada pode ser "facilmente" alterada para um superávit dada a fabricação do alimento ao redor do mundo. (Agência Estado 01/07/2015)

 

São Martinho anuncia fim da joint-venture com Amyris

O grupo São Martinho, um dos maiores produtores de açúcar e etanol do Brasil, anunciou o fim da joint-venture com a companhia americana de tecnologia Amyris e sua subsdiária Amyris Brasil, válida desde 2013.

Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a sucroalcooleira diz que o “não atingimento de determinadas metas contratuais pela Amyris impactou a viabilidade do projeto”.

“A Amyris poderá fornecer novas informações relativas à viabilidade do projeto visando discutir um potencial novo acordo. Todavia, a joint-venture e demais contratos entre as partes estarão automaticamente rescindidos em 31 de agosto de 2015, caso até tal data não seja celebrado um novo acordo, a critério da São Martinho”, continua o comunicado.

A São Martinho esclarece que não efetuou aportes na joint-venture. (Valor Econômico 01/07/2015 às 15h: 05m)

 

Variação cambial fez Zilor encerrar ciclo com perdas

O tradicional grupo Zilor, que conta com três usinas sucroalcooleiras no Estado de São Paulo, encerrou o exercício 2014/15, no dia 31 de março, com prejuízo líquido de R$ 58,2 milhões, ante o lucro líquido de R$ 795 mil registrado em 2013/14.

A perda foi determinada por uma variação cambial sem efeito caixa que teve um impacto negativo de R$ 148 milhões na última linha do balanço. Em geral, os demais resultados da empresa apresentaram melhoras, com a valiosa colaboração dos negócios nas áreas de cogeração de energia elétrica e biotecnologia.

"Mais uma vez a diversificação garantiu bons resultados, mas continuamos trabalhando para valorizar o açúcar e o etanol, cujos preços permaneceram em baixo patamar durante praticamente toda a safra 2014/15", afirmou ao Valor José Carlos Morelli, diretor administrativo e de relações com acionistas da Zilor.

De acordo com balanço recém concluído, a empresa obteve um lucro operacional de R$ 130,6 milhões em 2014/15, 25,2% maior que no ciclo anterior. Na mesma comparação, o faturamento cresceu 4,5% e alcançou R$ 1,528 bilhão.

Concentrada na divisão Biorigin, os negócios na área de biotecnologia cresceram 17,2%. As leveduras do grupo proporcionaram um faturamento de R$ 259 milhões em 2014/15. A partir de investimentos de R$ 220 milhões, que estão em curso desde o ano passado, a expectativa é duplicar esse valor nos próximos anos.

A cogeração, presente nas três usinas da empresa, também cumpriu bem seu papel. Conforme Moisés dos Santos Barbosa, responsável pelo centro de soluções compartilhadas da Zilor, nessa área a receita cresceu de R$ 117 milhões, em 2013/14, para R$ 158 milhões em 2014/15.

Responsáveis por pouco mais de 27% das vendas totais da companhia, os negócios com leveduras e energia apresentaram resultados líquidos positivos. E a Biorigin cumpre o papel de oferecer um "hedge natural" ao grupo, já que a maior parte de sua produção é exportada.

As três usinas da Zilor, localizadas nos municípios de Quatá, Lençóis Paulista e Macatuba, moeram 7,8 milhões de toneladas no ciclo passado, e o "mix" foi mais alcooleiro (54%) do que açucareiro (44%).

Com os investimentos em curso, o endividamento em 31 de março atingiu R$ 1,599 bilhão, ante R$ 1,435 bilhão um ano antes, mas esse valor também embute um impacto de R$ 172 milhões de variação cambial, conforme Morelli. Segundo ele, as dívidas de curto prazo representam 49% do total. (Valor Econômico 02/07/2015)

 

Petrobrás estuda buscar sócio ou abrir o capital da BR Distribuidora

Distribuidora de combustíveis é o primeiro ativo da lista de vendas que a petroleira pretende fazer para reforçar o caixa; analistas avaliam, no entanto, que empresa terá muitas dificuldades em atingir o objetivo de levantar US$ 57,7 bilhões até 2018.

A Petrobrás revelou o primeiro ativo da lista de desinvestimentos que pretende fazer até 2018, com previsão de levantar US$ 57,7 bilhões. A estatal informou que a diretoria executiva autorizou a elaboração de estudos para buscar alternativas estratégicas para a subsidiária Petrobrás Distribuidora (BR).

Entre as opções está a busca de um sócio estratégico e a abertura de capital, tornando a BR uma empresa listada no Novo Mercado, segmento da BM&FBovespa que exige melhores práticas de governanças corporativa. A Petrobrás ponderou que a realização de uma abertura de capital dependerá, no entanto, de condições favoráveis dos mercados de capitais nacional e internacional.

Apesar da movimentação, especialistas avaliam que a petroleira pode enfrentar dificuldades para tirar do papel o programa de vendas, fundamental para o seu processo de desalavancagem. Desde o segundo semestre de 2011, a empresa acumula apenas US$ 7,8 bilhões com desinvestimentos. Na oportunidade, a estatal divulgou um plano para o período 2011-2015, no qual estimava conseguir captar US$ 13,6 bilhões.

A desconfiança ganha ainda mais força quando considerado o desejo da estatal em obter US$ 42,6 bilhões entre 2017 e 2018. Para este ano e o próximo, a meta de desinvestimentos é de US$ 15,1 bilhões.

“O plano de negócios é muito obscuro, não traz informações detalhadas sobre as intenções da empresa, por isso é muito difícil fazer qualquer avaliação sobre as metas. A única afirmação plausível é que essa é realmente uma meta muito ambiciosa, acima dos padrões da indústria”, diz Edmar Almeida, professor do Grupo de Economia da Energia (GEE) da UFRJ.

A tarefa, já considerada difícil tendo como base o histórico dos últimos anos, deve se tornar ainda mais árdua diante do cenário atual. As perspectivas em relação ao preço do barril do petróleo são desfavoráveis e os potenciais interessados em ativos da estatal sabem da dificuldade financeira enfrentada pela companhia. Para piorar, a economia brasileira apresenta deterioração, o que também pode depreciar alguns ativos.

A nova gestão da empresa, agora sob o comando de Aldemir Bendine, e o real mais desvalorizado em relação ao dólar, por outro lado, são considerados facilitadores a eventuais novos negócios. “A visão que eles deram é que, se tem de vender, vamos vender. Antes, tinha uma relação quase sentimental com as empresas”, diz o consultor Flávio Conde, do blog WhatsCall, em referência à gestão da ex-presidente Graça Foster.

Gás

Entre executivos e especialistas dos setores nos quais a Petrobrás atua, é dado como certo o interessa da companhia em se desfazer de ativos controlados pela Gaspetro, por exemplo. No mês passado, o diretor da Comgás, Carlos Eduardo Brescia, disse que a Cosan, controladora da companhia, analisava o movimento de venda de ativos da companhia. A especulação no mercado é que a estatal receberá neste mês as propostas de empresas interessadas, a maior parte estrangeira.

Na mesma oportunidade, Brescia disse que a estatal pretendia vender só 49% da Transpetro, mantendo o controle da empresa. Participações na Liquigás, Braskem e em ativos de logística também seriam alvo de desinvestimento. As térmicas e ativos da área de exploração e produção também estariam à venda. (O Estado de São Paulo 01/07/2015 às 22h: 03m)

 

FAO/OCDE: Área agrícola no Brasil crescerá 20% até 2024

O agronegócio continuará a crescer no Brasil nos próximos dez anos e o uso da terra para as principais culturas (oleaginosas, grãos, arroz, trigo, cana-de-açúcar e algodão) deverá atingir 69,4 milhões de hectares em 2024, 20% mais que entre 2012 e 2014, diz o relatório “Perspectivas Agrícolas 2015­2024”, lançado hoje pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Agência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Se for confirmado, esse crescimento representará uma taxa de 1,5% ao ano nos próximos dez anos.

A soja deve continuar como o carro-chefe do agronegócio brasileiro e atingir a produção de 108 milhões de toneladas em 2024. De acordo com a FAO/OCDE, a maior parte do aumento da produção virá a partir de uma elevação de 23% na área destinada ao grão, estimada em 34,3 milhões de hectares em 2024. O rendimento médio das lavouras também deverá aumentar para 3,15 toneladas por hectare em 2024.

As exportações brasileiras com a oleaginosa deverão somar US$ 22,8 bilhões em 2024, pelas projeções dos órgãos internacionais, e a China continuará a ser o maior cliente do Brasil. A produção de óleo de soja é prevista em 10,2 milhões de toneladas em 2024, com crescimento anual de 205%. (Valor Econômico 01/07/2015 às 16h: 08m)

 

Governo contraria a lei e libera agrotóxico mais nocivo à saúde

Anvisa aprovou produto mais tóxico do que outros já existentes no mercado para o mesmo fim.

Herbicida é usado em plantações de café e cana; risco maior seria para agricultor e comunidades próximas.

Contrariando a lei, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a liberação de um agrotóxico mais nocivo à saúde do que outros já existentes no mercado com o mesmo princípio ativo e para o mesmo fim.

À Folha, a agência justificou a liberação como sendo um "erro". Afirmou que o produto foi classificado como mais tóxico porque não conseguiu fazer os testes corretamente. Agora, mesmo sem parte dos exames, a Anvisa vai reclassificar o produto como menos nocivo, a fim de regularizá-lo (leia texto ao lado).

Para que um defensivo agrícola possa ser comercializado, é necessário aprovação do Ibama (órgão ambiental), da Anvisa (saúde) e do Ministério da Agricultura, que avalia a eficácia agronômica e, por fim, emite o registro.

Os testes da Anvisa nessa etapa analisam a toxicidade aguda, que afeta principalmente o agricultor que manuseia e aplica o agrotóxico, além das comunidades no entorno das plantações.

A fabricante do produto liberado no ano passado, a Ourofino, já havia sido beneficiada de falhas na área de toxicologia da Anvisa em 2012, quando um ex-chefe do setor denunciou irregularidades.

Na ocasião, cinco produtos tiveram problemas, como "pular" a avaliação ou obter a aprovação apesar de serem mais tóxicos que os chamados produtos de referência.

Ao proibir a liberação de defensivos mais tóxicos do que os já existentes (produtos de referência), o objetivo da lei, de 1989, é estimular a indústria a desenvolver tecnologias menos danosas.

Após a Folha publicar uma série de reportagens sobre as irregularidades praticadas em 2012, a AGU (Advocacia-Geral da União) emitiu parecer em fevereiro de 2013 reafirmando que "nenhum agrotóxico pode ter toxicidade maior do que a daqueles já registrados para o mesmo fim".

O HERBICIDA

Em setembro de 2014, porém, o herbicida para cana-de-açúcar e café MegaBR, da empresa Ourofino, passou pela Anvisa e obteve registro no Ministério da Agricultura apesar de ter sido classificado como mais tóxico que seus produtos de referência, o Metrimex 500 SC e o Gesapax, da Syngenta.

O MegaBR teve classificação toxicológica de nível 2 (altamente tóxico). Já os de referência são de nível 3 (medianamente tóxico) e nível 4 (pouco tóxico), respectivamente. Todos são feitos à base da substância ametrina.

Nas aprovações suspeitas, em 2012, outro produto da Ourofino também se beneficiou pela Anvisa, o inseticida para cana SingularBR. O produto era mais tóxico que seu produto de referência, o Regent 800 WG, da Basf, e continua no mercado, pois o parecer da AGU não foi retroativo.

A empresa é a mesma que, em 2011, emprestou um jatinho ao então ministro da Agricultura, Wagner Rossi. O episódio acelerou a saída dele do governo. A CGU (Controladoria-Geral da União) investigou o caso e concluiu não haver "evidências suficientes" de irregularidade. (Folha de São Paulo 02/07/2015 às 02h: 03m)

 

Demanda do setor sucroenergético do NE por crédito do BB deve ser pequena

Os R$ 110,5 bilhões disponibilizados pelo Banco do Brasil (BB) para o Plano Safra 2015/16 devem ser pouco demandados pelo setor sucroenergético. De acordo com o presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), Alexandre Andrade, o alto endividamento das usinas impede que sejam preenchidas as condições necessárias para acesso aos recursos.

"E aqui no Nordeste há uma concentração maior de companhias (nessa situação)", afirmou ele em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Conforme o presidente da Unida, o "valor de retirada" (de recursos) pelas unidades produtoras não deve ser muito significativo.

No caso dos fornecedores de cana, por sua vez, há uma parcela apta a buscar o dinheiro oferecido pelo BB. Ainda assim, Andrade ponderou que o crédito rural é importante por ser mais uma alternativa de financiamento que a cadeia produtiva de açúcar e álcool dispõe.

O Plano Safra 2015/16 foi lançado em 2 de junho. Nesta quarta-feira, o BB divulgou o montante de crédito rural disponível para o programa. Dos R$ 110,5 bilhões, 26,24% (R$ 29 bilhões) são de juros livres e 73,76% (R$ 81,5 bilhões), controlados. A instituição informou que R$ 20 bilhões serão destinados para as empresas da cadeia produtiva do agronegócio. Os R$ 90,5 bilhões restante serão para produtores e cooperativas. (Agência Estado 01/07/2015)

 

Exportação de açúcar cresce 9% em junho ante maio

Brasil exportou 1,999 milhão de toneladas de açúcar bruto e refinado. A receita obtida com a exportação em junho foi 4% maior.

O Brasil exportou em junho 1,999 milhão de toneladas de açúcar bruto e refinado, volume 9% maior que as 1,834 milhão de toneladas embarcadas em maio e 7,7% superior ante as 1,855 milhão de toneladas registradas em igual mês de 2014.

Dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) divulgados nesta quarta-feira (1) mostram que do total embarcado no mês passado, 1,497 milhão de toneladas foram de açúcar demerara e 501,8 mil toneladas, de refinado.

A receita obtida com a exportação total de açúcar em junho último foi de US$ 641,8 milhões, 4% maior que a registrada em maio (US$ 617,3 milhões), mas 15% abaixo dos US$ 754,8 milhões computados em junho de 2014.

No primeiro semestre de 2015, foram exportadas 9,744 milhões de toneladas de açúcar (-3,6%), com receita de US$ 3,337 bilhões (-15,9%). (Agência Estado 01/07/2015)

 

Exportação de etanol cai 45,5% em junho ante junho de 2014

O Brasil exportou em junho 91,1 milhões de litros de etanol, praticamente estável na comparação com os 91 milhões de litros embarcados em maio. Em relação a junho de 2014, quando foram embarcados 167,3 milhões de litros, contudo, o volume é 45,5% menor. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 01, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

A receita cambial com a venda do biocombustível alcançou US$ 44,6 milhões em junho, queda de 4,3% ante os US$ 46,6 milhões registrados em maio. Em relação aos US$ 111,6 milhões de junho do ano passado, houve queda de 60%. No acumulado de 2015, as exportações somam 538,7 milhões de litros (-30,9%), com receita de US$ 293,9 milhões (-43,7%). (Agência Estado 01/07/2015)

 

Petrobras pode captar R$ 20 bi com sócio na BR

A venda de uma fatia da BR Distribuidora ou a atração de um sócio privado para a empresa será o primeiro passo do plano de venda de ativos da Petrobras, medida necessária para reduzir o nível de endividamento da estatal. Na noite de ontem, a companhia comunicou oficialmente a intenção de fazer isso. O plano, segundo apurou o Valor, é concluir a operação ainda neste semestre. "Vai ser desafiador, mas é o que queremos", disse uma fonte graduada.

A estatal considera a possibilidade de fazer as duas operações: realizar o IPO (sigla em inglês de oferta pública inicial) e atrair um sócio. "Não são excludentes", observou a fonte.

Com uma rede de 7,79 mil postos, a BR é líder de mercado, com participação de 37%, e teve receita líquida de R$ 98,9 bilhões em 2014. Suas duas grandes concorrentes no país são controladas por grupos de capital aberto. A Ipiranga pertence à Ultrapar e a Raízen tem controle compartilhado entre a Cosan, listada no Brasil, e a Shell. A Ipiranga teve receita de R$ 58,8 bilhões em 2014, enquanto a Raízen vendeu R$ 55,7 bilhões em combustíveis.

Com 70% de seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) vindo o negócio de distribuição de combustível, o grupo Ultra é considerado dentro da Petrobras como principal referência na bolsa.

O valor de empresa da Ultrapar, que soma o valor de mercado com a dívida líquida, equivale a cerca de 12 vezes seu Ebitda total. Usando essa mesma métrica, é possível estimar que a BR valeria perto de R$ 40 bilhões. Em tese, portanto, se vender metade do capital na bolsa a sócios, a Petrobras arrecadaria algo próximo R$ 20 bilhões.

Para essa conta, foi considerada uma margem Ebitda de 3,5%, que é a média registrada pela estatal entre 2011 e 2013, aplicada sobre a receita de 2014.

O Ebitda do ano passado não foi usado porque o resultado da BR foi prejudicado, de forma extraordinária, pelo reconhecimento de perdas com provisões por inadimplência com venda de combustíveis para controladas da Eletrobras na região Norte.

Pelo risco que eventos como se esse repitam no futuro, é possível que investidores queiram aplicar desconto no múltiplo de avaliação da BR, que então seria vendida com valor abaixo do Ultra.

Ao anunciar o plano de negócios para 2015/19, a Petrobras fixou meta realista de aumento da produção de petróleo ­ de 4,2 milhões de barris por dia para 2,8 milhões em 2020. O passo seguinte foi anunciar um ambicioso plano de venda de ativos, de US$ 58 bilhões em quatro anos. "Vamos combinar meta realista de produção com venda de ativos, atração de sócios, redução de custos e uma melhor forma de fazer as coisas. Forçamos essa situação de propósito e o anúncio em relação à BR é o primeiro grande movimento nessa direção", explicou uma fonte. No modelo de atração de sócios, a Petrobras planeja ter parceiros diferentes em negócios distintos.

Segundo o Valor apurou, haveria um dilema entre as opções de abrir o capital da BR Distribuidora ou vender uma fatia da empresa a um sócio estratégico, tema que vem sendo discutido há meses entre a direção da Petrobras e assessores financeiros da companhia.

Bancos de investimentos já levaram à companhia estudos que avaliam o potencial da distribuidora de combustíveis nos dois cenários. A conclusão é que a oferta de ações é a alternativa que permitiria à Petrobras extrair maior valor do negócio.

No entanto, segundo essas fontes, uma decisão a respeito do caminho a ser seguido depende da diretoria e, em última instância, do governo, que controla a estatal. Dentro da empresa, há alas que têm dúvidas sobre o modelo ideal.

Um desafio da abertura de capital (na verdade, uma reabertura, já que a empresa já foi negociada em bolsa) seria enfrentar um mercado de capitais que tem se mostrado muito hostil diante do baixo crescimento econômico e das investigações sobre um esquema de corrupção envolvendo a Petrobras.

Neste ano, houve apenas duas ofertas de ações na BM&FBovespa: uma operação da Telefônica para financiar a compra da GVT e a bem sucedida abertura de capital da Par Corretora, que tem a Caixa Econômica entre seus acionistas.

No caso de abertura de capital, segundo a empresa informou, a operação será feita por meio de uma oferta pública secundária, o que significa que o dinheiro arrecadado vai para a controladora Petrobras, mas não entra caixa na BR.

Outro ponto levantado por analistas observam é que o dinheiro da venda de participação na distribuidora de combustíveis ajuda, mas não resolve o endividamento da Petrobras, que atingiu R$ 332 bilhões no fim de março, com alta de 44% em um ano, e equivale a 5 vezes seu Ebitda. (Valor Econômico 02/07/2017)

 

Braskem é processada em Nova York em conexão com escândalo da Petrobras

Um acionista Braskem processou a companhia, acusando-a de envolvimento no escândalo de corrupção na Petrobras que causou fortes vendas de ações da petroquímica negociadas nos Estados Unidos.

O autor do processo, Douglas W. Peters, quer fazer uma ação coletiva. O processo foi aberto em um tribunal federal de Manhattan em nome de indivíduos ou instituições que compraram recibos de ações da Braskem entre 1o de junho de 2010 e 11 de março de 2015, segundo documentos da corte.

A Braskem e quatro executivos que trabalham para a empresa ou vinculados à companhia são acusados pelo processo de prestarem "informações relevantes falsas e enganosas sobre os negócios da empresa, operações e questões de governança". Tais alegações não exigem prova de que as comunicações foram feitas com conhecimento de que seriam erradas.

A lista de acusados inclui o presidente-executivo da Braskem, Carlos Fadigas, e seu predecessor, Bernardo Gradin. Marcela Drehmer, vice-presidente financeira da Odebrecht, acionista controlador da Braskem, também é citada no processo.

Em nota, a Braskem -que tem contratos de longo prazo para compra de nafta com sua também acionista Petrobras, disse que não foi notificada de qualquer pleito indenizatório nos EUA e, portanto, não comentará o assunto. Os outros acusados não puderam ser localizados de imediato para comentários.

O presidente-executivo da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, foi preso no mês passado, acusado pelo Ministério Público de ter papel importante no escândalo.

As ações da Braskem caíram 4,70 por cento neste pregão, enquanto o Ibovespa recuou 0,61 por cento. (Reuters 01/07/2015)

 

AL: Sindicato defende retorno da Cide em audiência pública

A crise do setor sucroalcooleiro foi tema de uma audiência pública realizada na terça-feira (30), na Assembleia Legislativa, proposta pelos deputados Galba Novaes (PRB) e Jó Pereira (DEM). Entre os convidados, Pedro Robério, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Alagoas, que classificou o atual momento como o pior já vivido pelo setor.

"Nas últimas três safras deixou de circular no Estado R$ 3 bilhões, o que corresponde a um terço do orçamento de Alagoas. Dos 102 municípios alagoanos, 54 produzem cana-de-açúcar. Na cadeia produtiva sucroenergética, serralharias, metalúrgicas e oficinas giram em torno das usinas e tudo isso está quebrado", declarou o representante do sindicato.

Para Robério, as ações para se tentar resgatar as atividades se baseiam em três pontos: a retomada da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) no mesmo valor equivalente ao da sua criação em 2002; uma equiparação do ICMS sobre o álcool e sobre o açúcar com os demais estados da região; e a permissão da venda direta de etanol das usinas para os postos de combustíveis.

Em Alagoas, o cenário do setor sucroalcooleiro é o de fechamento de usinas.

O deputado Galba Novaes disse que estava surpreso com a situação e informou que irá propor a criação de um Frente Parlamentar do Setor Sucroenergético para dar apoio à categoria. "Você tem um setor onde circula um terço dos recursos do Estado, é necessário que se faça um planejamento, para que Alagoas tenha até um incremento na sua receita", declarou o parlamentar.

Jó Pereira disse que um setor economicamente organizado, precisa hoje do suporte do poder público para continuar oferecendo à nossa população postos de trabalho, renda e tributos aos cofres do nosso Estado. (Tribuna Hoje 01/07/2015

 

Canavieiros endurecem com industriais e até com Dilma Rousseff

Estes motivos levaram os canavieiros nordestinos a participar de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Alagoas, nesta terça-feira (30/06), que contou com a participação de 10 deputados da Casa, além do secretário estadual da Agricultura, Álvaro Vasconcelos. O teor dos discursos foram fortes. A União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), entidade que representa 23 mil produtores de cana da região, liderada pelo presidente Alexandre Andrade Lima (foto), aproveitou para anunciar duras ações para combater o débito de algumas usinas de AL (R$ 200 mi), de PE (R$ 25 mi) e da PB (R$ 2 mi) com seus fornecedores de cana. O dirigente ainda mandou um aviso para Dilma Rousseff diante do descompromisso presidencial com o pagamento da subvenção ao setor com base na lei 12.999/14: "a paciência da classe acabou e se prepare para ver nossa luta em prol da garantia dessa lei, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela chefe do Poder Executivo".

Duas ações serão tomadas pela Unida para combater a inadimplência dos usineiros, sobretudo em solidariedade aos produtores alagoanos frente ao tamanho do passivo (R$ 200 mi). A primeira iniciativa já foi tomada. O órgão de classe se reuniu com o Ministério da Agricultura no último mês, e conseguiu negociar a suspensão das referidas empresas devedoras do recebimento da Cota Americana - programa federal de exportação de açúcar das usinas nordestinas para os EUA.

Outra medida está planejada e será tratada nos ministério da Fazenda e da Agricultura, logo após o governo liberar o pagamento da subvenção ao etanol nordestino, contida na lei 13.000/14. "Vamos pedir para que tais usinas inadimplentes sejam suspensas também desse benefício", disse Lima. Ele frisou que não é justo o governo federal dar um subsídio pelo etanol dessas unidades industriais que o combustível foi fabricado com a cana-de-açúcar (não paga) do fornecedor. Isso seria estimular a inadimplência delas, e, portanto, uma grande injustiça com o agricultor.

Manifestação à vista

"A paciência também acabou com o governo federal", bradou Lima da tribuna da Assembleia Legislativa de Alagoas, para um público formado por políticos, membros do governo estadual, dirigentes e fornecedores do setor canavieiro do Estado e do Nordeste. O fim da paciência está relacionada à indignação da classe canavieira diante do tempo de espera, sem êxito, de sucessivas promessas do governo para iniciar a liberação do pagamento da subvenção da lei 12.999, de julho de 2014, que corresponde a R$ 12 por tonelada de cana do agricultor, produzida na safra 2012/2013 - período auge da maior seca dos últimos 50 anos na Região.

A última promessa foi dada pelo Ministério da Fazenda, condicionando o pagamento após a aprovação do ajuste fiscal da União pelo Congresso Nacional, fato que já aconteceu, mas até agora nada de subvenção. O dirigente disse que cansou desse jogo sem fim, enquanto ver o prazo da lei perder a validade, que termina em dezembro.

Portanto, Lima aproveitou para anunciar que, junto com as associações dos canavieiros nos estados do NE e do RJ, estado este que também será beneficiado com a lei 12.999/14, promoverá manifestações contra Dilma quando ela visitar algum estado produtor de cana no Nordeste. Ele concluiu o discurso dizendo que a presidente, além de não garantir aos canavieiros o que consta na lei, ela sancionou a lei só para iludir os agricultores, porque naquela época faltavam quatro meses para ocorrer a eleição presidencial, o que fez com que a maioria votasse nela, sem que em nenhum momento, fosse falado de problemas financeiras e assim dificuldades para pagar a subvenção aos 23 mil canavieiros. (Brasil Agro 01/07/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: No balanço do dólar: Os preços do café arábica apresentaram queda expressiva ontem na bolsa de Nova York, em um dia de forte volatilidade, com influência da variação cambial. Os lotes para setembro caíram 540 pontos, a US$ 1,27 a libra-peso. O dólar subiu em relação a várias moedas por causa das preocupações com a Grécia e de dados melhores que o esperado sobre a economia dos Estados Unidos. A elevação da divisa incentiva o aumento das vendas externas do Brasil, o maior produtor e exportador de café do mundo. A variação cambial, porém, desencadeou movimentos dos fundos, já que produtores e torrefadores estão mais ausentes do mercado nas últimas sessões. No mercado doméstico, o preço do café de boa qualidade oscilou entre R$ 460 e R$ 480 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Laranja: Sexta queda seguida: Os futuros do suco de laranja registraram a sexta desvalorização consecutiva ontem na bolsa de Nova York, em meio ao tempo favorável aos pomares na Flórida e sob pressão da queda do consumo nos Estados Unidos, que já se polonga por mais de dois anos. Os papéis do suco concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para setembro fecharam a US$ 1,1665 a libra-peso, um recuo de 195 pontos. Em seis sessões, os preços da commodity acumulam uma queda de 675 pontos. O tempo na Flórida, que abriga o segundo maior parque citrícola do mundo, está um pouco seco, mas não há previsões de ventos fortes, que costumam ocorrer nessa época de furacões no país. No mercado interno, o preço médio da laranja apurado pelo Cepea/Esalq seguiu em R$ 9,83 a caixa de 40,8 quilos.

Soja: Vendas em Chicago: Após a forte alta de terça-feira, as cotações da soja devolveram uma parte dos ganhos na bolsa de Chicago ontem e fecharam no vermelho, ante vendas técnicas e de produtores. Os lotes para agosto caíram 8,75 centavos, a US$ 10,4075 o bushel. Os fundos, que lideraram as compras do dia anterior, liquidaram papéis para embolsar os lucros do dia anterior. Houve também vendas de produtores, que tentaram aproveitar os altos preços para fechar negócios. Porém, o mercado continua apreensivo com o clima nos Estados Unidos. A empresa de meteorologia DTN previa tempestades no Meio-Oeste, o que "é desfavorável para as lavouras em desenvolvimento, que precisam de mais insolação e menos chuvas". No Paraná, o valor da saca subiu 2,13%, para R$ 60,30, de acordo com o Deral/Seab.

Trigo: Oferta confortável: Os preços do trigo devolveram ontem a maior parte da alta de terça-feira nas bolsas americanas, com os traders novamente concentrados nos fundamentos. Em Chicago, os lotes para setembro caíram 27,25 centavos, a US$ 5,885 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, setembro caiu 17,75 centavos, a US$ 5,925 o bushel. A elevação do dia anterior foi ditada pela valorização do milho e da soja e teve pouca força para se manter ontem. Os dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) ficaram acima esperado pelos analistas, o que começou a se refletir ontem sobre as negociações. Nas lavouras de inverno dos EUA, o tempo ainda favorece a colheita. No Paraná, o preço médio da tonelada caiu 0,32%, para R$ 33,85, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 02/07/2015)