Setor sucroenergético

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Controlador da Cosan diz que Dilma 'mudou para melhor'

Para Rubens Ometto, presidente do conselho de administração da Cosan, um dos maiores grupos do país, a presidente Dilma Rousseff "mudou muito" e o empresariado precisa "segurar sua ansiedade" por resultados concretos.

O empresário, que no primeiro mandato de Dilma fez duras críticas à gestão da presidente, está agora mais otimista. "O governo está indo na direção certa", disse em entrevista à Folha em Nova York, onde participou de encontro com a presidente e do seminário de infraestrutura promovido pelo governo.

Ometto elogiou o lançamento da nova fase de concessões, mas disse que o grupo não tem interesse em aderir ao programa neste momento. "Meu grande medo é querer fazer um monte de coisas e não fazer nada."

Segundo ele, o grupo está sentindo o mau momento da economia, com queda no consumo de gás, gasolina, diesel e etanol. A Cosan produz etanol, é dona da rede de postos Shell no Brasil, da distribuidora de gás

Comgás e da Rumo ALL, que tem concessões de ferrovias.

Ometto diz acreditar que seus negócios sofram "um pouquinho" até o primeiro semestre de 2016, mas que o ajuste é necessário. "O difícil é entrar no negócio de areia movediça, em que você não sabe a profundidade. Estamos abaixando para ter energia para pular."

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Folha - Como o senhor avalia a iniciativa da presidente de se aproximar dos Estados Unidos?

Ometto - É importante o Brasil se alinhar com países como os Estados Unidos. Esse negócio de só se alinhar com países mais pobres [não é o melhor caminho]. É uma mudança de direcionamento dela muito grande. A presidente mudou muito. Na política econômica, o trabalho com Joaquim Levy, de se aproximar dos países mais ricos. O que os Estados Unidos fez [espionar a presidente] não deveria ter feito. Foi importante a reação dela, de manifestar a posição do Brasil. Mas quem fica chateado é namorado, o homem de negócios tem de ser racional, depois tem de conviver. É impossível imaginar um país importante como o Brasil não conviver com um país como os Estados Unidos.

O senhor acredita que a viagem pode trazer resultados práticos para o Brasil?

Acho que pode resultar em muita coisa prática, mas a gente precisa segurar um pouquinho a ansiedade. Nada é feito assim da noite para o dia. Tem muita coisa que os Estados Unidos podem ajudar o Brasil em tecnologia, em energia. E muita coisa que o Brasil pode ajudar em matéria ambiental, de energia renovável, em alimentos. Não dá para imaginar o mundo se alimentando sem o Brasil. O Brasil cada vez mais precisa de infraestrutura para escoar toda essa safra. E, nesse caso, a Cosan vai ajudar muito com os nossos investimentos na ALL, para diminuir o custo da logística do agronegócio brasileiro. Estamos reorganizando tudo [na ALL], é um paradigma que será quebrado, porque o Brasil produz barato no campo e perde todo o dinheiro na logística.

O governo Dilma já havia lançado um programa de concessões e não conseguiu executar tudo. O senhor acredita que, desta vez, o governo será mais bem-sucedido?

O nosso projeto vamos entregar. Às vezes somos convidados para participar de outros, mas iremos numa segunda etapa. Tem algumas coisas que são sonhos e outras não [no programa]. Aquele negócio da ligação com o Peru [torce o nariz]. O lado bom é o apetite enorme do chinês em colocar dinheiro em infraestrutura num país como Brasil. Agora se é viável ou não Se não for viável, ao longo do tempo, você vai organizando e aproveitando para outras coisas. Sou um otimista por natureza. Ela [Dilma] sonha, é um sonho. Acho bacana sonhar. Eu sempre fui um sonhador. Você sonha e depois vai degrauzinho por degrauzinho e chegá lá.

A Cosan então não tem interesse em disputar projetos do programa de concessões?

Não temos interesse agora. Tenho de entregar a ALL na eficiência e na rentabilidade que a gente se propôs. Não adianta eu querer abraçar o mundo. Entre dois e três anos, vou deixar a Rumo ALL, que vai ser o novo nome da empresa, bem organizada, operando direitinho. Aí estaremos preparados para outros passos. Meu grande medo é querer fazer um monte de coisa e não fazer nada. O foco agora é cuidar do que já temos, que não é pouca coisa. É a espinha dorsal do escoamento da safra brasileira. Terminando isso, estaremos prontos para investir e ajudar onde for possível.

O senhor acredita que o governo conseguirá atrair os investimentos estrangeiros necessários para o programa?

Acho que sim. O mundo todo precisa desse escoamento, não fazem isso porque são bonzinhos. Eles fazem isso, porque precisam da gente.

O clima político no Brasil, com as denúncias da Lava Jato, interfere na tentativa de atrair o investidor?

Acho que interfere sim, mas o mercado financeiro tem memória curta e também não faz uma análise profunda como deveria ser feito. O Brasil é muito mais forte que qualquer crise política e financeira. Voce pega a história: os políticos vão, voltam, mudam e o Brasil está lá firme, crescendo e se desenvolvendo. E China e Estados Unidos têm de pensar no longo prazo. Hoje há excesso de dinheiro no mundo. Eles não têm também onde colocar dinheiro. Há taxa de juros negativa na Ásia. Então, o Brasil é uma ótima oportunidade para quem pensa em longo prazo.

E caso surja um estrangeiro querendo um parceiro local?

Eventualmente. Não fecho as portas para nada. Mas agora nesse momento, não temos [conversas]. Já temos sócios estrangeiros na ALL. Sabemos que eles sempre querem ter um parceiro brasileiro, especialmente quando há com uma crise política e econômica como essa. Somos brasileiros, fazemos a diferença, porque sabemos como proceder, lutamos pelo nossos direitos, politica e economicamente. Eu, como brasileiro e cidadão, luto para defender minhas empresas no Executivo e no Legislativo. Estou no meu direito. Claro que você não pode fazer certas coisas que aconteceram por aí, mas eles [estrangeiros] precisam de alguém que more no Brasil. Você pega a nossa parceria com a Shell na Raízen. É um negócio que teve sucesso. A Shell tem talento e a gente é brasileiro. Na hora que você mistura esses dois genes A Shell comprou a BP e antes entrou em Libra [campo do pré-sal]. É um parceiro que está mostrando disposição de investir não apenas no discurso.

A Petrobras anunciou um corte profundo no plano de investimentos. Como afeta os negócios do grupo?

Afeta um pouco, mas teria que ser feito. O projeto inicial do pré-sal teve alguns erros. Essa vontade gigantesca da Petrobras de participar de tudo e controlar tudo é um erro. É uma excelente companhia, com técnicos de primeira linha. Infelizmente teve esses problemas da Lava jato e do congelamento de preço [da gasolina] e se enfraqueceu. É companhia fantástica, mas não consegue abraçar o mundo. E nós como brasileiros queremos é que o óleo saia da terra. A Petrobras não tem dinheiro para fazer o que tem de ser feito, não tem recursos físicos, e você tem de dar oportunidade a outras empresas que tenham interesse. Então, tem que estimular essa lei que o [senador José] Serra está querendo fazer e permitir que não seja obrigatoriedade da Petrobras fazer tudo. Acho que outros grupos substituirão essa eventual redução de investimentos.

O grupo tem interesse em algum dos ativos que a Petrobras colocou à venda?

Estamos sempre conversando. Mas nada específico fortemente determinado. Temos muita coisa. ALL é investimento enorme, exige muito dinheiro e tem que crescer.

Qual o impacto da crise nos negócios do grupo?

Os nossos negócios não sofrem tanto com a recessão quanto outros. Mas em matéria de gás já percebemos que o consumo está reduzindo para a indústria e para as residências. Está diminuindo também o consumo de gasolina, diesel e etanol. Mas estamos bem posicionados. Vamos sofrer um pouquinho esse segundo semestre e talvez o primeiro [do ano que vem]. Mas pelo menos você está pisando em bases sólidas. O trabalho que a presidenta Dilma e o ministro Joaquim Levy estão fazendo de trazer à tona todo o negócio que estava embaixo do tapete [é muito importante]. Você hoje poderá saber exatamente quais são os números, como pode crescer e fazer um planejamento sólido. É bom às vezes ter seis meses ou um ano sem poder crescer tanto para então saber e voltar a crescer. O difícil é entrar no negócio de areia movediça, que você não sabe a profundidade. Por isso, tem que fazer [o ajuste]. Para pular, precisa abaixar um pouquinho. Estamos abaixando para ter energia para pular.

O clima político está dificultando o ajuste.

A política é a política. Não sou tão pessimista. Acho que o Brasil está mostrando que as instituições funcionam independentemente de quem seja. Um monte de coisa está sendo trazido à tona. No passado, você não sabia o que acontecia. Hoje, você está sabendo. Agora, política é política. Você tem interesses que são jogados de um lado e do outro e tem de saber amarrar. Mas acho que está melhorando.

Na última semana, o clima esquentou bastante, com as denúncias da Lava Jato.

É bom. Duro é casamento quando não tem briga. Quando há briga, tem relacionamento honesto. Estamos nesse caminho. Não esperava outra coisa. O empresário brasileiro está começando a enxergar que tem de andar na linha.

O resultado do ajuste ainda é imprevisível. Traz incertezas?

Faz parte da vida. Pegar um voo e colocar no piloto automático, todo mundo quer isso. Mas a vida não é assim. Em vez dele [Levy] conseguir 100, se ele conseguir 75, era melhor do que quem não fazia nada. Claro que não está conseguindo aprovar tudo que quer. A economia está em recessão, a arrecadação diminuiu, o que você vai fazer? É a vida. Ele vai ter outras idéias.

O grupo está tendo de tomar medidas para passar pelo período de recessão, como demissões?

Não. Claro que você tem sempre uma evolução com o uso de tecnologia e informática. Há sempre um aprimoramento, mas não tem nada assim como está ocorrendo na indústria automobilística, que não vende nada. A gente vende, açúcar e álcool são commodities, não tem problema de venda. O transporte da ALL, pelo contrário, tem demanda reprimida e vai crescer à medida que a gente coloque mais vagões e locomotivas em funcionamento. A distribuição de combustíveis e de gás continua. Obviamente tem que fazer algumas coisas para melhorar a eficácia do projeto.

Há algo, além das medidas já anunciadas pelo governo, que deveria ser feito para melhorar o ambiente de negócios?

Acho que o governo está na direção certa. A gente tem que segurar a nossa ansiedade. Sou capitalista, estou gostando de ver o direcionamento que elá esta fazendo no segundo mandato. A melhor maneira de você melhorar a eficiência e diminuir a inflação é por meio da concorrência. A única maneira de acabar com a corrupção é tirar o governo como empresário. O governo tem que fomentar, controlar, ter as agências controladoras, tem de regular, mas tem de sair do "business". Quanto mais o governo for nessa direção, e esse governo está começando a entender isso, muito mais eficiente ele vai ser. (Folha de São Paulo 06/07/2015)

 

Canas transgênica - Em busca de produtividade

Canas transgênica, com mais açúcar e com tolerância à seca são apostas do setor sucroenergético para elevar competitividade.

"Buscamos uma revolução para acelerar o processo de pesquisa e obter uma ampliação da competitividade

O setor sucroenergético está no caminho certo, mas ainda deve ser feito muito esforço para que haja rentabilidade e competitividade. Além de medidas de política pública, o setor deverá trabalhar fortemente em inovação.

Essa a avaliação de Luís Roberto Pogetti, presidente do Conselho Deliberativo da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

Ele enxerga uma certa recuperação já neste ano, com uma participação maior do etanol na demanda de combustíveis. Mas esse cenário não é ainda suficiente para uma mudança da lógica do "não investimento" no setor.

"Estamos tentando fazer uma revolução para acelerar o processo de diversas linhas de pesquisa que levam à inovação tecnológica e à ampliação da competitividade."

São projetos lentos, nos quais a indústria coloca "um bom dinheiro". Na composição com o BNDES, será R$ 1 bilhão em cinco anos, diz ele.

A cana ainda tem muito a oferecer. Ela teve ganho de produtividade de 20% em 20 anos. O milho teve 70%.

As principais linhas atuais de pesquisa incluem três projetos. O mais maduro é o da cana Bt (transgênica). O segundo é o de aumentar o açúcar na cana -talvez para 2020. E o terceiro visa a busca de uma cana com tolerância à seca, para depois de 2020.

A diretriz de pesquisa do conselho de administração do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) é avançar com a biotecnologia, com a "hibridação" para a busca da "cana regional campeã" e com o etanol de segunda geração.

Com esses avanços, o setor poderá obter bom aumento de produtividade. A cana já rende 30 mil litros por hectare em laboratório, bem acima dos atuais 7.000 litros no campo. "É potencial, mas buscamos algo mais real. Uma produtividade de 20 mil litros em dez anos e de 10 mil em cinco."

Mas o ganho de produtividade tem de vir acompanhado de uma visibilidade de longo prazo, como uma definição clara do papel do etanol na matriz energética.

Além disso, o etanol é o caminho mais barato e mais efetivo para melhorias nas questões ambientais. Mas há um custo. A sociedade deve escolher se vai pagar a prazo, mais barato. Ou se vai pagar a conta toda de uma vez, via um desastre, segundo Pogetti.

Com relação ao açúcar, o presidente do conselho diz que o país tem de cuidar para que os mercados não se fechem, devido à criação de subsídios. Se não for feito nada agora, não haverá um processo de inibição.

A missão de Pogetti no conselho da Unica não se limita à busca de diretrizes para etanol, açúcar e bioeletricidade. Também é coordenar agendas dos diversos setores que compõem a Unica atualmente. Vão de tradings, produtores de cana, de etanol e de açúcar a distribuidores e revendedores de combustíveis.

Como administrar tantos interesses? "Temos uma convenção: a Unica só pode atuar em assuntos de interesse comum. Meu papel é criar uma pauta alinhada com a visão estratégica do setor e fazer com que ela esteja harmonizada com os associados", diz ele. Um assunto que tenha potencial conflito, e não seja acomodado no interesse comum, é excluído da pauta.

A crise no setor trouxe algumas lições de casa. Há uma conscientização da necessidade da competitividade, o que faz com que o setor pague mais pelo material genético a ser utilizado no campo e gaste menos com insumos. Antes, agia-se de forma diferente, diz Pogetti.

Hoje, a visão é de longo prazo, o que inibe um pouco o investimento emocional. Não adianta crescer de forma desordenada e depois administrar um problema, diz ele.

Nos dias 6 e 7, a Unica promove encontro, em São Paulo, para discutir temas relacionados a produtos e energias renováveis oriundos da cana-de-açúcar. (Folha de São Paulo 04/07/2015)

 

Odebrecht tenta mostrar que tem fôlego financeiro

Com seu presidente preso na Lava Jato, empresa enfrenta desconfiança por conta da dívida de R$ 88 bilhões e pelos contratos com o governo.

Nas últimas duas semanas, executivos da Odebrecht têm percorrido bancos, clientes e parceiros para dar explicações e tentar acalmar os ânimos acirrados pelas acusações de que a empresa está envolvida em esquemas de corrupção. Debaixo do braço, carregam números para demonstrar que o grupo tem caixa para enfrentar a crise que chegou às portas da companhia desde que seu comandante, Marcelo Odebrecht, foi preso na Operação Lava Jato, no dia 19 de junho.

Em termos financeiros, a fotografia do momento mostra que a empresa de fato tem capacidade para pagar sem grandes dificuldades sua dívida de curto prazo, e os credores parecem relativamente tranquilos. Não vislumbram algum tipo de aceleração dos R$ 88 bilhões em dívidas da empresa. A maior parte vence no longo prazo e o custo é baixo, cerca de 7,5% ao ano, segundo cálculos de analistas. Quase metade do custo dos juros no Brasil hoje.

A empreiteira do grupo, entre as dezenas citadas ou investigadas na Lava Jato, é a que está em melhor situação. Das obras que fez para a polêmica Refinaria Abreu e Lima e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, já recebeu todos os aditivos que tinha pleiteado, segundo o diretor financeiro, Marco Rabello. Se quisesse, poderia pagar à vista até mesmo os títulos perpétuos, que não têm vencimento. Sua nota de classificação de risco ainda é de grau de investimento, ou seja, uma das melhores do mercado. 

Mas os desafios e dificuldades estão à espreita de um dos maiores grupos empresariais do País. Alguns negócios passam por dificuldades, mesmo antes da Lava Jato, como o setor de açúcar e álcool e a hidrelétrica de Santo Antônio. Os investidores da empresa de óleo e gás não estão tão confiantes na capacidade da companhia de pagar dívidas, e temem rompimento de contratos da Petrobrás. 

No segmento de transportes, alguns empréstimos novos estão travados. O estaleiro está paralisado porque seu cliente, a Sete Brasil, não paga. Além disso, empresários, executivos de bancos, parceiros, ex-funcionários, advogados e agências de classificação de risco já se perguntam como uma companhia tão ligada a governos estará daqui a cinco anos, em função das denúncias de pagamentos de propinas. 

As parcerias com o governo estão espalhadas por todo o grupo. No setor petroquímico, é sócia da Petrobrás na Braskem. Em óleo e gás, tem contratos estimados em US$ 7 bilhões com a estatal do petróleo (a empresa não revela o valor. O balanço retrata uma dívida de R$ 12 bilhões para as sete sondas que prestam serviço à estatal). No estaleiro, foi contratada para construir outras seis sondas. 

Na área de transportes e saneamento, tem no Fundo de Investimentos do FGTS seu principal parceiro. Já o BNDESPar é sócio no setor de transportes e o principal financiador do negócio de açúcar e álcool. O maior investimento em debêntures do BNDESPar está justamente em empresas da Odebrecht, cerca de 12% dos R$ 16 bilhões aplicados nesse tipo de título. Do FI-FGTS, a Odebrecht é a principal aplicação, com 17% de seu patrimônio líquido total.

Na empreiteira, o porcentual de contratos públicos não foi revelado pela empresa. Se contar somente os nacionais, é de 8%. Mas é no exterior onde estão os maiores contratos, que respondem por 80% do faturamento. Como lembra um cliente da empreiteira, “todo governo tem oposição. E esses contratos podem ser questionados”.

Os negócios com governos tão presentes na Odebrecht nas últimas décadas parecem contrariar o que desejava Emílio Odebrecht, pai de Marcelo. Em 1994, em entrevista à Folha de S. Paulo, o executivo defendia que o Estado deixasse de ser empresário, pois isso minimizaria a corrupção – algo que as empresas precisavam fazer para sobreviver. “Eu vou lhe dizer: para sobreviver nesse campo, já fiz. Agora se você me perguntar quando e com quem, eu não vou dizer nunca”. (O Estado de São Paulo 04/07/2015 às 16h: 00m)

 

Campo, indústria e ação global

O dinamismo do agronegócio tem sido o principal sustentáculo do comércio exterior brasileiro há vários anos. Ainda vigoroso no mercado internacional, ao contrário da maior parte da indústria, o setor faturou US$ 34,13 bilhões com as vendas externas e acumulou um superávit de US$ 28,13 bilhões de janeiro a maio deste ano. A receita correspondeu a 45,69% do total exportado pelo País e o resultado obtido quase garantiu o equilíbrio comercial. Nesses cinco meses, o saldo geral do comércio foi um déficit de US$ 2,30 bilhões. O semestre foi fechado com um pequeno superávit, de US$ 2,22 bilhões, e mais uma vez o jogo foi sustentado principalmente pelas vendas de produtos da agropecuária, em estado natural, como a soja em grão, e processados, como o suco de laranja e o açúcar cristal. Por quanto tempo o Brasil poderá depender tão amplamente do agronegócio como principal e mais segura fonte de dólares?

Mais um sinal de alerta foi aceso com a redução dos preços internacionais, mas a reação do governo federal tem sido muito lenta. As cotações da maior parte dos produtos agropecuários vendidos pelo Brasil está mais baixa que no ano passado. Os preços devem continuar em queda nos próximos dez anos, segundo as projeções divulgadas nesta semana pela FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Essa tendência será mantida principalmente pela combinação de dois fatores – maior oferta, decorrente de maior produtividade, e menor expansão da demanda global. Ainda assim, a maior parte dos preços, embora abaixo dos picos alcançados em 2007-2008, deverá continuar acima dos níveis do início dos anos 2000.

O cenário desenhado nas projeções da FAO é favorável ao Brasil. Segundo maior exportador de alimentos e matérias-primas agrícolas, atrás somente dos Estados Unidos, o Brasil poderá, segundo as estimativas, cobrir boa parte da demanda adicional, proveniente principalmente da Ásia.

O aumento da oferta, de acordo com o estudo, resultará principalmente de ganhos de produtividade, com rendimento maior das culturas, alguma conversão de pastos em lavouras e pecuária mais intensiva. A expansão da área usada na produção deve ser muito limitada, como tem ocorrido no último quarto de século. Mais investimentos em infraestrutura também poderão tornar o País mais competitivo.

Os ganhos de produtividade têm sido o grande fator de avanço da agropecuária brasileira há quatro décadas, detalhe ignorado por boa parte dos petistas. A contribuição da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuária (Embrapa) foi essencial para a modernização do setor. Os pesquisadores continuam cumprindo essa tarefa, como comprova o recém-anunciado lançamento de um tipo de soja adaptado ao Matopiba, formado por terras de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Para essa área a ministra da Agricultura, Katia Abreu, apresentou um plano de desenvolvimento.

Mas o cuidado com o poder de competição da agropecuária, essencial diante da perspectiva de preços mais moderados, responde só a uma parte do desafio. É urgente repensar toda a política de crescimento e de atuação no mercado global. Sem descuidar do agronegócio, é preciso formular uma política geral de competitividade, considerando também as necessidades da indústria. É indispensável abandonar a ilusão do protecionismo e tolices como a distribuição de benefícios fiscais e financeiros a setores e grupos eleitos como favoritos da corte. O estado lamentável da maior parte da indústria brasileira é consequência de erros como esses – além, é claro, da manutenção de um sistema tributário irracional e de outros entraves.

É indispensável abandonar a desastrosa diplomacia comercial implantada em 2003, jogar no lixo o terceiro-mundismo requentado e buscar parcerias com os mercados mais importantes. Se o Mercosul for um entrave, como tem sido, a resposta adequada será repensar a integração regional. As ideias apresentadas pelos ministros do Desenvolvimento e da Fazenda apontam nessa direção. Não está claro se a presidente Dilma Rousseff entende a necessidade da mudança. (Folha de São Paulo 05/07/2015)

 

'Nova' Arysta prevê avanço expressivo

Os últimos meses têm sido particularmente agitados para a Arysta LifeScience, fabricante de agroquímicos de origem japonesa. Adquirida em fevereiro deste ano pela americana Platform Specialty Products (PSP), a empresa se transformou na locomotiva que deve puxar o crescimento de sua nova controladora no segmento agrícola. A "nova Arysta", que está em processo de integração com outras duas companhias também recém­compradas pela PSP, estreia com um faturamento acima de US$ 2 bilhões e prevê avanço expressivo em 2015.

"Temos um mercado com uma expectativa de crescimento muito baixo ou até 'flat'. Mas estamos confiantes que com esse novo formato de negócio cresceremos a dois dígitos em 2015", disse ao Valor Fábio Torretta, CEO da Arysta LifeScience para América Latina, região que responde por quase 40% da receita global da múlti.

Aos ativos que já pertenciam à Arysta, a PSP juntou os da belga Agriphar, adquirida em outubro de 2014, e os da americana Chemtura AgroSolutions, negociada no mês seguinte. Juntas, as três empresas faturaram US$ 2,1 bilhões no ano passado, 40% acima da receita de cerca de US$ 1,5 bilhão apurada pela Arysta em 2014. O número ainda não leva em conta o efeito das sinergias vindas com a transação, estimadas em US$ 65 milhões.

A PSP é especializada em química de alta tecnologia, e não tinha operação agrícola até então. Interessada em disputar seu quinhão em um mercado que movimenta mais de US$ 55 bilhões por ano, a companhia saiu à caça de empresas com portfólios complementares em defensivos agrícolas.

Focada na Europa, a Agriphar aposta em fungicidas, e a Chemtura, forte nos EUA, em tratamento de sementes e inseticidas. Já a Arysta tem presença mais marcante em mercados emergentes, América Latina, Ásia e África e nos segmentos de herbicidas e biossoluções (produtos que aumentam a resistência das plantas, linha reforçada pela compra da francesa Goëmar em 2014). "Foi uma feliz combinação. E houve a decisão de que os produtos dessas empresas passassem a ser vendidos sob a marca Arysta", disse Antonio Carlos Costa, diretor de marketing da companhia para a América Latina.

O aumento do portfólio e o reforço da equipe (agora, são mil funcionários na região) vêm em boa hora, segundo Torretta, tendo em vista a perspectiva de que o mercado cresça apenas 2% este ano no país, como prevê o Sindiveg, que representa a indústria de defensivos. "Nos sentimos mais competitivos, o que é importante quando se tem anos mais difíceis pela frente", disse o CEO.

O negócio permitiu a ampliação da força de vendas da Arysta em 30% no Brasil, país que gera receita próxima de US$ 500 milhões e que ganhou uma unidade própria (antes, respondia à unidade América Latina), presidida pelo agrônomo João Marcos Ferrari. A partir de sua planta em Salto de Pirapora (SP), uma das 12 que mantém no mundo, a empresa planeja continuar voltada para soja, pastagem, cana e hortifrúti.

Em um mercado dominado por gigantes como Syngenta e Bayer CropScience, a Arysta relativiza o peso do market share. "Esse não é nosso 'drive' principal. Nosso foco é trabalhar mais com produtos de alto valor, de menos resíduos e toxicidade", disse o CEO Torretta, segundo o qual a Arysta está entre as "top 8" da América Latina. (Valor Econômico 06/07/2015)

 

Crise na indústria sucroalcooleira gera impactos no Triângulo Mineiro

Duas usinas fechadas e uma com as atividades suspensas prejudicam a economia de Ituiutaba, Ipiaçu, Capinópolis e outras cidades do Pontal. O impacto do desemprego no setor sucroalcooleiro sobrecarrega setores do setor público. Entidades ligadas à área, como a Federação dos trabalhadores na agricultura do estado de Minas Gerais (Fetae-MG) e sindicatos da categoria, estimam que seis mil postos de trabalho foram fechados na região.

No início do mês, comitiva formada por lideranças políticas e empresariais da região foi a Maceió (AL) tentar judicialmente a venda das usinas mesmo antes de concluído o processo de falência. O pedido, porém, não foi acatado pelo Tribunal de Justiça de Alagoas. Diante do impasse, grupos interessados em comprar as usinas aguardam algum avanço no processo.

Capinópolis é uma das cidades mais afetadas. De acordo com o vice-prefeito, Jorginho Jacob Habib, setores de atendimento assistencial à população foram prejudicados. "Além de sobrecarregar a assistência social, já estourando orçamento com cestas básicas e vários itens que são proporcionados para a população, estamos sofrendo muito com tantos desempregos da noite para o dia", afirmou.

Em Ipiaçú, a secretária de Governo, Márcia Maximino, afirma que o impacto refletiu consideravelmente no mercado imobiliário. "No auge da usina, as pessoas compraram casas, financiaram e conseguiram pagar. Outros tiveram que ir embora e abandonaram os imóveis. Temos vários imóveis em leilão, mas as pessoas que moram na cidade não conseguem comprar, pois não tem emprego", disse. (G1 03/07/2015)

 

Etanol tem queda em treze estados, mas sobe em doze

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros caíram em 13 estados, subiram em 12 e ficaram estáveis no Distrito Federal e em Roraima nesta semana, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

No período de um mês, os preços recuaram em 14 Estados, avançaram em 10 e no Distrito Federal e não se alteraram no Amapá e no Espírito Santo.

Em São Paulo, principal estado consumidor, a cotação recuou 0,97% na semana, para R$ 1,945. No período de um mês, acumula queda de 1,67%.

Na semana, o maior avanço das cotações foi registrado em Goiás (0,98%), enquanto o maior recuo ocorreu no Amapá (1,19%). No mês, a maior queda foi em Goiás, com recuo de 3,19%, e a maior alta ocorreu na Paraíba (1,64%).

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 1,599 o litro, no Estado de São Paulo, e o máximo foi de R$ 3,58 o litro, no Amazonas.

Na média, o menor preço foi de R$ 1,945 o litro, em São Paulo. O maior preço médio foi verificado no Acre, de R$ 3,052 o litro.

Competitividade

Pela 14ª semana consecutiva, o etanol permaneceu competitivo em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo, segundo dados da ANP compilados pelo AE-Taxas.

Os estados são ainda os maiores produtores de etanol do País. Nos demais e no Distrito Federal a gasolina permaneceu mais competitiva.

Segundo o levantamento, o etanol equivale a 63,31% do preço da gasolina em Goiás.

Em Mato Grosso, a relação está em 59,86%; em Mato Grosso do Sul, 69,11%; em Minas Gerais, em 66,39%; no Paraná, em 66,44%; e em São Paulo, em 62,54%.

A gasolina está mais vantajosa principalmente em Roraima, onde o etanol custa o equivalente a 85,31% do preço da gasolina - a relação é favorável ao biocombustível quando está abaixo de 70%. O preço médio da gasolina em São Paulo está em R$ 3,110 o litro. (Agência Estado 03/07/2015)

 

Coca-Cola cria garrafa com plástico 100% da cana-de-açúcar

A Coca-Cola anunciou no último mês que criou uma garrafa pioneira: feita de plástico 100% da cana-de-açúcar. Ou seja, o plástico derivado do petróleo ficou para trás.

A "PlantBottle" foi apresentada na Expo Milano, conferência de tecnologia e alimentação. Apesar da origem orgânica, a marca alerta: a garrafa não é comestível.

De acordo com a empresa, a embalagem se parece com as tradicionais. O sistema de reciclagem é o mesmo, por exemplo. Mas com um plástico feito a partir da cana e não do petróleo, a "pegada ambiental" deixada no planeta é muito menor.

A primeira tentativa bem-sucedida da Coca-Cola de se livrar do petróleo aconteceu em 2009, quando criaram uma garrafa com 30% de lástico à base de planta.

Essa versão 30% "verde" já foi distribuída em 40 países nos últimos anos, em um total de 35 bilhões de embalagens. Nos EUA, já responde por 30% da produção. No mundo, representa 7%.

Calcula-se que, assim, 315 mil toneladas métricas de dióxido de carbono anuais foram poupadas à atmosfera. Essa quantidade de gases poluentes seria o equivalente a queimar 36 milhões de galões de gasolina (ou 743 mil barris).

Ainda não há previsão do uso das PlantBottles 100%. Mas uma empresa debiotecnologia fechou acordo com a companhia para produzir em escala comercial a invenção.

O objetivo da companhia é produzir e usar exclusivamente PlantBottles até 2020.

"A Coca-Cola está determinada a liderar o processo para livrar a indústria das embalagens descartáveis da dependência dos combustíveis fósseis e das energias não-renováveis", disse um representante da empresa à CNN Money.

Eles alegaram também que vão ajudar empresas como Ford, Heinz, Nike, Procter & Gamble e SeaWorld a fazerem o mesmo com seus produtos.

Brasil

O Brasil pode lucrar - e muito - com essa iniciativa verde da Coca-Cola. É que já foi anunciado que toda a cana-de-açúcar usada nessas novas garrafas vem do Brasil.

Há também material secundário indiano - restos despejado a partir do processamento da cana naquele país.

A Coca também pretende usar novas tecnologias no futuro para transformar caules, cascas e restos de frutas em plástico orgânico. (Exame.com 05/07/2015)

 

PE: Eucalipto começa a substituir cana-de-açúcar em áreas da Zona da Mata

A iniciativa é da Usina Petribú que pretende implantar 18 mil hectares da nova cultura, incluindo uma parceria com os seus fornecedores.

A cana-de-açúcar começa a sair de cena numa região onde é cultivada há mais de 500 anos. Pela primeira vez, uma usina da Zona da Mata de Pernambuco inicia um processo para substituir uma parte do seu canavial em larga escala. O plantio de eucalipto começou no mês passado. Serão plantados 2 mil hectares por ano, e, se tudo sair como o planejado, alcançará um total de 18 mil hectares em 2021. À frente desta iniciativa, está o empresário Jorge Petribú que vem de uma família que vive da cana-de-açúcar há nove gerações. “É a maior e mais radical mudança de todas: a substituição definitiva da cultura canavieira nas encostas. Foi uma decisão econômica e difícil, mas há uma concorrência desleal com a cana plantada nessa área (de encosta), conta o diretor da Usina Petribú, Jorge Petribú. A empresa funciona há 106 anos e surgiu a partir um engenho banguê fundado há 286 anos.

O canavial cultivado nas encostas (área de declive) tem o custo mais alto do que o das áreas planas. Para fazer a colheita das áreas de declive, são necessárias quatro vezes mais horas de trabalho de homens e oito vezes mais horas de máquinas, segundo um levantamento feito pela Petribú. “Isso causa uma enorme diferença em relação às usinas do Sudeste e Centro-Oeste em custo operacional que é muito mais alto”, conta Jorge.

O custo mais alto do plantio nas encostas mais “a política econômica dos preços dos combustíveis dos últimos anos que contribuíram para o viés de baixa mundial no valor do álcool e do açúcar” contribuíram para mostrar a inviabilidade das áreas de declive, de acordo com o empresário. Dos 18 mil hectares a serem plantados com o eucalipto, 8 mil hectares ficarão em terreno próprio, 4 mil hectares serão arrendados e mais 6 mil hectares a serem cultivados pelos fornecedores de cana-de-açúcar. Um hectare ocupa uma área do tamanho de um campo de futebol.

Ao ser questionado sobre a condição dos fornecedores entrarem num cultivo de uma planta de ciclo mais longo, Petribú argumenta que já há algumas linhas de financiamento de longo prazo que podem ser usadas pelos fornecedores. As áreas da usina que continuarem com a cana-de-açúcar serão irrigadas para aumentar a produtividade. “A cana vai crescer mais verticalmente para compensar a perda gradativa do canavial”, afirma. A Petribú é uma das usinas mais inovadoras e organizadas do Estado.

O eucalipto plantado será usado pela termelétrica da própria usina, que tem a capacidade de gerar 69 megawatts (MW). Com o eucalipto, a térmica poderá produzir energia o ano inteiro. Atualmente, ela funciona com o bagaço somente nos meses em que ocorre a moagem da cana-de-açúcar, geralmente de agosto a março. Hoje, a energia elétrica representa 30% do negócio do grupo. A expectativa é de que alcance 50% do faturamento em 2021.

“A intenção é criar um novo cluster, usando o bagaço e madeiras plantadas para gerar bioeletricidade. O eucalipto está dentro de um conceito de floresta energética, propiciando uma geração distribuída, mais próxima aos grandes centros e que tem menos custos com a transmissão”, diz o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha.

A Zona da Mata de Pernambuco tem 40% a 60% da sua área com declives, o que dificulta a colheita mecanizada. A região também tem muitas áreas abandonadas de usinas que fecharam. “Já começou uma redução da área plantada da cana no Estado, o que provocou um empobrecimento da região. Acreditamos que a substituição pelo eucalipto é uma boa solução e vai contribuir para a diversificação da nossa matriz energética”, conclui o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Thiago Norões. A inspiração para implantar eucalipto na Petribú veio de uma experiência do Grupo Carlos Lyra, em Alagoas. (Jornal do Comércio 05/07/2015)

 

Mercados europeus se preparam para abalo depois de "Não" grego

Os mercados acionários e de dívida da Europa devem sofrer um forte abalo na segunda-feira depois que a população da Grécia rejeitou duros termos de austeridade previstos em um pacote de ajuda econômica ao país. Executivos do setor financeiro afirmam que a resposta do Banco Central Europeu é chave para se determinar o tamanho do contágio.

Muitos economistas, incluindo os do banco norte-americano JP Morgan, reconhecem que o resultado do referendo neste domingo vai provavelmente acelerar a saída da Grécia da zona do euro.

"Apesar da situação ser fluída, neste momento a saída da Grécia da zona do euro parece mais provável", disse Malcolm Barr, do JP Morgan, em relatório a clientes enviado neste domingo. Ele acrescentou que a exclusão grega do euro, que passou a ser conhecida como "Grexit", é o cenário base do banco.

"O 'Não' provavelmente significa saída do euro", disse o britânico Barclays.

Em negócios na região Ásia-Pacífico, o euro caía mais de 1 por cento contra o dólar e mais de 2 por cento contra o iene.

Apesar da desvalorização da moeda em si não ser prejudicial à economia da zona do euro, a reação de outros mercados de dívida no sul da zona do euro e o comportamento dos mercados acionários na segunda-feira serão uma melhor medida sobre o tipo de choque produzido pelo referendo grego.

Até sexta-feira, muitos investidores tinham assumido que o 'Sim' venceria o plebiscito.

A posição do Banco Central Europeu sobre se continuará a fornecer recursos emergenciais aos bancos gregos, fechados na semana passada e que estão reforçando controles sobre saques, será decisiva.

Fontes próximas do assunto afirmaram neste domingo à Reuters que o BCE continuará a financiar os bancos sob os níveis restritivos da semana passada.

Mas muitos bancos afirmam que o banco central precisa emitir um comunicado sobre medidas anticontágio da crise grega, talvez manifestando a possibilidade de acelerar ou expandir a política de aquisição de títulos conhecida como "quantitative easing" para acalmar os mercados.

"O BCE tem sido claro: se precisarmos fazer mais, faremos mais. Encontraremos os instrumentos necessários", disse Benoit Coeure, membro executivo do BCE, neste domingo. (Reuters 05/07/2015)

 

O Nome do Jogo - Por Arnaldo Luiz Corrêa

Nova York encerrou a semana com o contrato de açúcar para vencimento em outubro (que agora passa a ser o primeiro mês de negociação) a 12.44 centavos de dólar por libra-peso, uma valorização de 49 pontos, ou 10 dólares por tonelada na semana. Os demais meses, na curva que se estende até maio/2018, também fecharam em ligeira alta que variou entre 1 e 7 dólares por tonelada. Apesar de uma semana mais alentadora em NY para os altistas, no físico não existe nada tão animador assim no momento.

De interessante mesmo, o mercado futuro de açúcar em NY assistiu, na última terça-feira, a reedição da famosa entrega de maio agora na expiração do contrato de julho. Uma vez mais a trading asiática que recebera 1.9 milhão de toneladas no vencimento maio, também foi a solitária recebedora embora com volume bem mais modesto.

Se usarmos a mesma lógica que deve ter permeado ambos os recebimentos, não seria surpresa se em outubro a mesma trading (talvez acompanhada por outras) colocar-se novamente na posição de recebedora. Confesso que aprecio a estratégia que – presumo - eles adotaram. Tenho incansavelmente falado toda semana sobre o spread outubro/março, que chegou a negociar a 160 pontos e encerrou a semana (encurtada pelo feriado americano) em 133 pontos. Distorções como essa trazem oportunidades aos olhos mais atentos. Se os ventos favoráveis soprarem para essa estratégia, vai merecer aplausos.

A trading em questão tem destino para uma parcela de seus recebimentos atendendo às suas refinarias na Indonésia, Nova Zelândia e Austrália. O prêmio de branco atual (entre 90 e 100 dólar por tonelada) sustenta que mais açúcar bruto seja comprado tendo em vista a margem obtida com o refinado. É uma questão de arbitragem. Como NY tem alta limitada em função do volume de fixação em aberto ainda existente para o Centro-Sul e com a percepção nítida de que qualquer subida repentina dos preços encontrará os retardatários das fixações e de outras origens (Tailândia, por exemplo) que deverão aproveitar quaisquer oportunidades para fixar seus preços, conclui-se que o futuro tem um potencial de alta limitado. Assim, o nome do jogo é o basis.

Se o físico ficar relativamente controlado por um grande player por meio de volumoso recebimento via bolsa, alterações no mercado físico sejam elas determinadas por questões climáticas, de disponibilidade de açúcar (menor devido ao etanol vantajoso), de logística, ou outras, terão reflexo imediato prioritariamente no basis. A valorização do prêmio é – na minha ótica – o melhor dos mundos para quem detiver o físico. Conceitualmente, não podemos esquecer que o mercado físico é o resultado do mercado futuro mais ou menos o prêmio. Repetindo: o futuro está limitado às questões já abordadas, portanto o físico se valorizará via prêmio. Essa é a aposta.

Para ajudar a estratégia o mercado está vendo muitas tradings rolando posições internas de outubro para março. Quem não tiver comprado açúcar contra outubro pode se ver na situação de encontrar poucos vendedores caso o etanol continue remunerando melhor que o açúcar contra outubro. Ou o spread estreita ou os prêmios se fortalecem.

Acredito que já vimos o preço mais baixo do ano. O estudo da Archer mencionado aqui na semana passada aponta que nos últimos quinze anos o segundo semestre apresentou uma recuperação dos preços médios praticados – principalmente - no segundo trimestre do ano. Dessa feita, nossa estimativa é que os preços alcancem seu pico no ano por volta de outubro (quando março será o primeiro mês de negociação) e os preços podem alcançar 14.20-14.50 centavos de dólar por libra-peso. Evidentemente que isso é apenas um modelo e a experiência anterior mostra um erro de até 10% e não leva em consideração fatores exógenos como o preço do petróleo, a variação de moeda, o efeito El Niño, por exemplo.

A Agência Nacional do Petróleo divulgou o consumo de maio/2015 que atingiu 4,7 bilhões de litros contra 4,66 bilhões em maio do ano passado. Foi um aumento pífio de menos de 1%. A tendência é de queda e paradoxalmente isso pode afetar positivamente o etanol, pois o consumidor troca um combustível mais barato (etanol) por outro (gasolina) em situações de aperto financeiro no orçamento familiar. O consumo acumulado de doze meses (junho/2014 até maio/2015) atingiu 58,16 bilhões de litros, ligeiramente inferior ao acumulado do mês passado. É a segunda vez este ano que isso ocorre. A última vez que tivemos mais de duas ocorrências no mesmo ano foi em 2005. É o sinal que o consumo pode estar revertendo a tendência de crescimento.

As parvoíces proferidas por Dilma são de assustar. Já estão merecendo uma enciclopédia para registrar para a posteridade tantas bobagens e sandices produzidas pela presidente. Saudades de Sérgio Porto, o famoso cronista e escritor brasileiro, mais conhecido pelo seu pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, que criou na década de 60, em pleno regime militar, o Festival de Besteira que Assola o País, FEBEAPÁ. Dilma, certamente, fosse vivo ainda Sérgio Porto, seria considerada hors concours. O lado triste da história é que essa gente que está no poder há 12 anos não apenas destruiu a Petrobrás com a quadrilha que assaltou a empresa, mas levou de roldão o setor sucroalcooleiro que subsidiou a gasolina, favorecendo a venda de veículos, segurando a inflação e inflando a popularidade de Lula que conseguiu eleger uma farsante como ele. Estamos perdidos.

Gostaria de agradecer a todos aqueles que nos cumprimentaram pelos quinze anos de existência. Muito obrigado pelo prestigio. (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Alta em Londres: Sem referência nas negociações do açúcar demerara na bolsa de Nova York, que permaneceu fechada na sexta-feira por causa da antecipação do feriado de Dia da Independência nos Estados Unidos, as cotações do açúcar refinado subiram na bolsa de Londres. Os lotes para outubro fecharam a US$ 365,40 a tonelada, uma alta de 0,61%, ou US$ 2,20 ante o fechamento de quinta-feira. O mercado do açúcar tem se dividido entre o cenário de curto prazo, ainda de oferta elevada nos estoques globais, e as perspectivas para o médio a longo prazo, com a possibilidade de um déficit de oferta na safra global 2015/16, que começa oficialmente em outubro. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve uma alta de 0,28%, para R$ 47,28 a saca de 50 quilos.

Café: Sem vendas: As cotações do café robusta negociado na bolsa de Londres subiram na sexta-feira em meio à postura defensiva dos produtores do Vietnã, maior produtor dessa espécie no mundo. Os contratos com vencimento em setembro fecharam com alta de 0,1%, ou US$ 3, para US$ 1.748 a tonelada. Os produtores do país têm segurado as vendas, à espera de preços mais remuneradores. Também houve impulso da rolagem de posições entre os contratos para julho, próximos do vencimento. Segundo Jack Scoville, da Price Futures Group, muitos torrefadores também empurram o prazo de entrega para frente para evitar o recebimento do robusta do Brasil, que está nos estoques de Londres. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica caiu 1,25%, a R$ 406,83 a saca.

Cacau: Foco na moagem: Com a bolsa de Nova York fechada por conta de feriado nos EUA na sexta-feira, os investidores do mercado de cacau voltaram suas atenções às negociações na bolsa de Londres, que operou com baixo volume. Os contratos do cacau para entrega em setembro caíram 0,14%, ou 3 libras, para 2.181 libras a tonelada. Os traders negociaram com cautela à espera dos dados de moagem do segundo trimestre. O balanço do processamento de abril a junho na Europa será divulgado no dia 14, e o da América do Norte, no dia 16. As indústrias da Europa são as principais processadoras mundiais da amêndoa, respondendo por cerca de 40% de toda a atividade global. No mercado interno, o preço médio em Ilhéus e Itabuna caiu R$ 1, para R$ 127 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Pressão da colheita: Os preços do algodão de Mato Grosso apresentaram desvalorização em todas as praças de comercialização do Estado ao longo da semana passada. Na quinta-feira, última data com valores disponíveis, o algodão foi negociado por no mínimo a R$ 63,52 a arroba em Sorriso e a R$ 65,78 a arroba em Alto Garças, de acordo com levantamento do Instituto mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Na comparação com os preços de sexta-feira, os valores recuaram 0,47% em ambas as cidades. O mercado começa a ser pressionado pelo avanço da colheita da safra 2014/15, que alcançou 2,5% da área plantada em Mato Grosso na última quinta-feira, um atraso de apenas 0,25 ponto percentual em relação à mesma época do ano passado, de acordo com dados do Imea divulgados na sexta-feira. (Valor Econômico 06/07/2015)