Setor sucroenergético

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Caça a BR

Se a operação de etanol da Raízen permanece em ponto morto, à espera de dias melhores, a área de combustível de aviação está a pleno a vapor. Rubens Ometto Silveira Mello e Shell vão investir cerca de R$ 200 milhões nos próximos dois anos para instalar bases de operação em mais 20 aeroportos.

A Raízen chegará, assim, aos 80 terminais, encostando na BR, presente em 100 aeroportos. (Jornal Relatório Reservado 09/07/2015)

 

Copersucar

A Copersucar tirou da gaveta o projeto de abrir seu capital.

A idéia é vender até 30% das ações.

Mas é bom ver para crer.

O IPO da sucroalcooleira é um bumerangue que vai e volta, vai e volta, vai e volta. (Jornal Relatório Reservado 09/07/2015)

 

Cosan e Shell confirmam investimento em gasoduto ao governo de SP

O secretário de Energia de São Paulo, João Carlos Meirelles, revelou nesta segunda-feira, 7, que a Cosan e a Shell, controladoras da distribuidora de gás Comgás, confirmaram a intenção de investir na construção de um gasoduto que trará combustível do pré-sal da bacia de Santos para São Paulo. O modelo acionário do projeto, contudo, ainda não está definido. O presidente da Cosan, Marcos Lutz, limitou-se a dizer que a companhia "pode ter participação" no projeto, mas não vinculou obrigatoriamente essa participação ao aporte de recursos. O projeto está estimado em R$ 8 bilhões.

A expectativa do governo de São Paulo é de que o gasoduto esteja em operação dentro de sete anos - seriam dois anos para a estruturação do projeto e o cumprimento de questões burocráticas e cinco anos para a construção do gasoduto em si. Lutz pondera, contudo, que o cronograma do gasosuto pode estar vinculado ao plano de investimentos da Petrobras. Caso a estatal postergue o aumento da produção de petróleo no pré-sal de Santos, a oferta de gás, associado à produção do petróleo, também pode ser menor do que aquela projetada inicialmente.

O gasoduto deve praticamente dobrar a oferta de gás no estado, com a adição de 15 milhões de metros cúbicos diários (m³/d) de gás. Até a conclusão do projeto, o governo de São Paulo e as empresas envolvidas no empreendimento, conhecido como Rota 4, podem optar pela utilização de gás natural liquefeito (GNL) importado. O insumo seria regaseificado em uma unidade da Petrobras no Rio de Janeiro e, em uma operação de swap, a Petrobras viabilizaria o aumento da oferta de gás em território paulista.

A intenção de ampliar a oferta de gás natural em São Paulo pode atrair outros parceiros interessados em acessar o combustível a preços mais competitivos, aposta o governo paulista. O Grupo AES, um dos maiores geradores de energia do País, não tem intenção de participar do projeto de construção, mas é um potencial interessado na oferta de gás, segundo o presidente Britaldo Soares.

Térmicas

O aumento da oferta de gás em São Paulo também é considerado fundamental para a viabilização de outro projeto anunciado pelo governo paulista nesta terça-feira, 7: a construção de seis térmicas em uma área pertencente à Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), na capital paulista. Cada unidade teria capacidade de 250 MW e demandaria investimento de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão.

Para viabilizar o projeto avaliado em até R$ 6 bilhões, a Emae foi autorizada a lançar um edital de chamamento público ao setor privado. E a AES, segundo Britaldo, tem "total interesse" em participar da construção dessas térmicas, sempre na condição de acionista majoritária. "São projetos de geração de energia localizados dentro do centro de carga", afirma Britaldo. A AES, além da Tietê, é controladora também de outras empresas, incluindo a Eletropaulo, distribuidora de energia com atuação em São Paulo.

A AES Tietê já possui planos para construir outras duas grandes térmicas abastecidas com gás natural em São Paulo. O projeto conhecido como São Paulo já foi viabilizado do ponto de vista de oferta de gás, a partir de um acordo de fornecimento com a Petrobras. O projeto ainda não foi leiloado, contudo, em função de o preço da energia dos leilões não trazer rentabilidade a tais investimentos. O segundo projeto, conhecido como Araraquara, ainda depende de disponibilidade de gás.

Questionado sobre a decisão do governo de São Paulo de autorizar a Cesp, outra empresa controlada pelo governo estadual, a participar de sociedades de propósito específico (SPE), Briltaldo disse que a estatal pode ser uma "boa parceira" em investimentos em São Paulo. O primeiro passo da Cesp, segundo o secretário Meirelles, será a participação em projetos de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

Cosan

Contudo, o presidente da Cosan, Marcos Lutz, revelou nesta terça que a companhia não tem interesse em adquirir as participações detidas pela Petrobras em distribuidoras de gás. O entrave, segundo o executivo, está associado à proposta da estatal em se desfazer apenas de participações minoritárias.

A venda de ativos da Petrobras nessa área está vinculada aos rumores de que a Gaspetro é uma das empresas incluídas no plano de desinvestimentos da estatal. Além da Gaspetro, a Petrobras teria interesse em se desfazer de participações na BR Distribuidora, Liquigás e Braskem, entre outras empresas e ativos. O nome das companhias incluídas no plano de desinvestimento é mantido em sigilo pela estatal para que não haja desvalorização dos ativos. (Agência Estado 09/07/2015)

 

Solução para a crise sucroenergética só após 2018

A crise em que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff meteram a cadeia produtiva sucroenergética não terá solução antes de 2018. Até lá, mais usinas encerrarão suas atividades, também crescerá o número de unidades industriais que entrarão em processo de recuperação judicial, a indústria de base viverá momentos piores do que os já dramáticos agora e o desemprego saltará e provocará graves problemas sociais nas regiões produtoras de cana.

A análise é de conhecido e respeitado empresário que atua na indústria de base e é também grande produtor de cana-de-açúcar na região de Ribeirão Preto. Ele relata que o BNDES não tem liberado recursos para usinas que estariam aptas ao acesso de crédito, notadamente em processos de produção de bioeletricidade a partir da biomassa (bagaço e palha de cana).

Há casos, afirma ele, em que uma usina vendeu energia em leilão da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e desistiu do projeto de investimento para a cogeração depois que o BNDES negou pedido de financiamento. A usina preferiu pagar as multas do que prosseguir e avançar em seu projeto original.

A falta de sinergia entre os usineiros também preocupa. É visível o distanciamento entre o Fórum Nacional Sucroenergético, que formalmente representa os sindicatos do açúcar e do álcool, com a União da Indústria da Cana-de-Açúcar - Unica, que representa os produtores do Centro-Sul. O distanciamento aumentou com a saída do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues da presidência do Conselho Deliberativo da Única.

Embora emitindo sinais de apoio ao setor, a ministra da Agricultura Kátia Abreu até o momento não apresentou nenhuma proposta concreta para a crise da cadeia produtiva canavieira. Para piorar a situação, nem as lideranças do setor conseguem definir qual é a verdadeira pauta e agenda de reivindicações dos produtores junto ao governo federal (Ronaldo Knack é Jornalista e bacharel em Administração de Empresas e Direito. É também fundador e editor do BrasilAgro; ronaldo@brasilagro.com.br

 

Açúcar: Visão questionável

Possíveis reflexos negativos da baixa das cotações do petróleo sobre o mercado de etanol no Brasil determinaram a alta do açúcar ontem na bolsa de Nova York.

Os contratos com vencimento em março encerraram a sessão negociados a 13,20 centavos de dólar por libra-peso, 33 pontos menos que na véspera.

Para alguns analistas americanos, o fato de o petróleo ter caído pode desestimular a produção brasileira de etanol e abrir mais espaço para o açúcar, ainda que no Brasil essa teoria tenha poucos seguidores.

Em entrevistas ao Valor na semana passada, os grupos São Martinho e Zilor, por exemplo, traçaram cenários positivos para o etanol nos próximos meses, enquanto o processamento de cana no Centro-Sul continua a ser mais direcionado à produção do biocombustível. (Valor Econômico 10/07/2015)

 

Produtores de cana de Piracicaba estão preocupados

Qualidade do açúcar recuou nesta temporada, devido ao volume de chuvas.

Os produtores de cana da região de Piracicaba, no interior de São Paulo, estão preocupados com os níveis de açúcar na safra deste ano. Por causa dos altos volumes de chuva nos últimos meses, a qualidade do produto está abaixo do esperado.

O nível de Açúcar Total Recuperável (ATR), índice que mede a qualidade da cana, chega a 30 quilos por tonelada no acumulado desta safra nos canaviais da cidade. Em junho do ano passado, essa média era de 135 quilos de ATR para uma tonelada.

Com o acúmulo de água nas plantações, o nível não passa dos 110 quilos. Em algumas lavouras, o preço que o produtor recebe pela cana pode chegar a R$ 10 a menos por tonelada.

A situação é vista em todo o Centro-Sul do país. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a quantidade de ATR na segunda quinzena de junho recuou 3,37% em relação ao mesmo período do ano passado, para 129,90 quilos por tonelada.

Como o período de frio chegou somente agora, a cana ela vem em um crescimento melhor que no ano passado. Ela já tinha um ATR menor por conta da cana estar vegetando. E com a chuva ela continua vegetando e molha essa cana e ela tem realmente um ATR menor,  diz o tecnólogo em açúcar e álcool José Rondolfo Penatti.

Além da preocupação com a quantidade de açúcar, a colheita e a moagem estão atrasadas por causa da chuva. A umidade do solo impede o funcionamento das máquinas e o transporte da cana para as usinas.

Este é o terceiro ano consecutivo que a cultura enfrenta dificuldades na região. A seca do ano passado comprometeu 50% da produção. É por isso que a chuva dos últimos meses surpreendeu tanto os produtores. (Canal Rural 08/07/2015 às 20h: 33m)

 

Moagem de cana no Centro-Sul cresceu no fim de junho

O volume de cana-de-açúcar processado pelas usinas e destilarias do Centro-Sul do país na segunda metade de junho alcançou 46,5 milhões de toneladas, segundo levantamento recém divulgado pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). O resultado representou uma alta de 5,33% em comparação à mesma quinzena de 2014 (44,1 milhões de toneladas). Em todo o mês de junho, a moagem somou 86 milhões de toneladas, ante 85,7 milhões em junho de 2014.

Apesar do avanço na moagem na última quinzena do mês, o volume de cana processado no acumulado da safra 2015/16, iniciada “oficialmente” em abril, ainda continua abaixo do total de 2014/15. Até o último dia 1º de julho, o volume de matéria-prima moída atingiu 200,5 milhões de toneladas, contra 203 milhões de toneladas registradas em idêntico período do ano passado.

Para o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, o clima no Centro-Sul nos próximos meses será determinante para a definição do tamanho da safra 2015/16. Mas ele reforçou, em comunicado, que “parte das unidades não deve conseguir processar toda a cana disponível para moagem”.

Seguindo a tendência observada em toda a safra, a proporção de cana direcionada ao etanol cresceu comparativamente a 2014: 56,4% do total na segunda quinzena de junho foi para a produção do biocombustível, ante 54,3% na mesma quinzena da safra anterior.

Com isso, a produção de etanol totalizou 2 bilhões de litros nos últimos 15 dias de junho e 3,7 bilhões de litros no mês. No acumulado do ano-safra, a produção de etanol chegou a 8,6 bilhões de litros, 1,6% mais que no período análogo de 2014/15.

Rodrigues destaca que “esses resultados, seja quinzenal ou no acumulado mensal, representam recordes históricos de produção no Centro-Sul”.

Do volume de etanol produzido na última metade de junho, 784,1 milhões de litros referem-se ao anidro e 1,2 bilhão ao hidratado. No acumulado da safra, são 2,9 bilhões para o anidro (20,9% menos na comparação anual) e 5,7 bilhões para o hidratado (alta de 17,62%).

A produção de açúcar, por sua vez, somou 2,5 milhões de toneladas na segunda quinzena de junho, queda de 2,9% sobre a quantidade observada no mesmo período da safra 2014/15. Desde o início da safra 2015/16 até 1º de julho, a produção de açúcar alcançou 9,26 milhões de toneladas, com defasagem superior a 1 milhão de toneladas em relação volume produzido até igual data de 2014.

A Unica também destacou que as vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do Brasil somaram 2,5 bilhões de litros em junho, sendo 124,1 milhões de litros destinados ao mercado externo e 2,4 bilhões de litros ao consumo doméstico. No mercado interno, o volume comercializado de etanol anidro diminuiu 1,8% em relação a junho de 2014, para 831,4 milhões de litros. Já as vendas de etanol hidratado voltaram a bater recorde no mês, com 1,5 bilhão de litros negociados e um crescimento expressivo de 51,8% sobre junho de 2014.

Em comunicado, Rodrigues, diz que “o crescimento do consumo reflete a atratividade econômica do biocombustível na maior parte do mercado consumidor e reforça a expectativa de uma safra mais alcooleira”. A maior demanda por etanol hidratado também ampliou as transferências do produto do Centro-Sul para as regiões Norte e Nordeste em junho, acrescentou.

Entre o início de abril e o dia 1º de julho, as vendas totais de etanol atingiram 6,9 bilhões de litros, aumento de 17,2% quando comparado a igual período do ano anterior. A comercialização somente do etanol hidratado cresceu 44,5%, para 4,5 bilhões de litros. (Valor Econômico 08/07/2015 às 16h: 12m)

 

Aprobio apresenta estudo sobre Impacto ambiental do biodiesel

O presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmo Battistella, o vice-presidente da entidade, Orlando Palocci, e o seu diretor superintendente, Júlio Minelli, estiveram, no dia 8 de julho, em Brasília (DF) acompanhados do professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), para apresentar um estudo sobre o impacto ambiental e de saúde publica de acordo com o uso progressivo de biodiesel nos veículos movidos a diesel no Brasil.

Feito pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade, do qual Paulo Saldiva é presidente de honra, o estudo foi realizado em seis capitais, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, Curitiba e São Paulo, e mostra que o uso do biocombustível em proporções maiores que os atuais 7% por litro de diesel previstos em lei pode, até 2025, contribuir para reduzir 52 mil internações hospitalares por doenças relacionadas à poluição do ar e salvar quase 9 mil vidas pelos mesmos motivos, o que representa uma economia de mais de R$ 2 bilhões para os sistemas de saúde pública de estados e municípios.

Os representantes da Associação e o médico especialista em doenças respiratórias apresentaram a pesquisa ao presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel, deputado Evandro Gussi (PV-SP), na Diretoria de Fiscalização e Saúde do Ministério da Saúde, acompanhados do deputado Elvino Bohn Gass (PT-RS), diretor da mesma Frente Parlamentar. Por fim, o documento também foi entregue em reunião da Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel da Casa Civil da Presidência da República.

Segundo Saldiva, o biodiesel utilizado hoje na proporção de 7% por litro de diesel em todo o País ajuda a evitar nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro 200 mortes por ano por doenças relacionadas à poluição atmosférica. Este é o mesmo numero de pessoas que devem morrer de dengue em São Paulo, segundo o Ministério da Saúde.

“À medida que subir a presença do biodiesel na frota brasileira, este número, de mortes evitadas, aumenta”, explicou o professor Paulo Saldiva.

Erasmo Battistella reiterou que os resultados do estudo são surpreendentes e servem de instrumento para políticas publicas não só de energia e combustíveis, mas, acima de tudo, de saúde. “O setor produtor de biodiesel no Brasil entende que poderia ser adotado todas as cidades com mais de 500 mil habitantes o chamado B-20 [com 20% de biodiesel por litro de diesel] no transporte público. E no próximo ano chegar a B-10 [com 10% de biodiesel por litro de diesel] em todos os veículos que hoje circulam com B-7”, disse o presidente da Aprobio. (Brasil Agro 10/07/2015)

 

Navios carregados com milho do Brasil rumam aos EUA

A Cargill enviará 50 mil toneladas de milho brasileiro aos Estados Unidos na próxima semana, mostram nesta quarta-feira dados de escalas de navios, no que deverá ser o primeiro de muitos navios carregados que chegarão ao país com grãos da América do Sul este ano.

Produtores de carne suína e avicultores do sudeste dos EUA já compraram dois navios de milho sul-americano com chegadas previstas para agosto e setembro, enquanto pelo menos uma terceira embarcação tem chegada prevista para março, de acordo com operadores de exportação de milho norte-americano.

A Cargill está listada como contratante do navio Nord Voyager, que deverá descarregar 50 mil toneladas de milho originado no porto de Santarém (PA), segundo dados da agência marítima Williams. A Cargill, que tem um terminal portuário na cidade paraense, disse que não iria comentar.

O navio deverá atracar no porto de Wilmington, na Carolina do Norte, disseram os operadores.

A procura se explica porque, embora os EUA sejam os maiores produtores mundiais de milho, o grão é produzido na parte central do país, longe do sudeste, onde se concentram as criações de suínos e frangos, que consomem grandes quantidades de ração produzida com milho e soja.

A importação de pequenas quantidades de milho, soja e farelo de soja da América do Sul por criadores norte-americanos teve início em 2012, por culpa de uma seca que afetou a produção dos EUA. (Reuters 08/07/2015)

 

‘Melhor receber menos que nada’, diz operária

Trabalhadores temem perder emprego, mas redução de salários também gera críticas ao novo programa.

Empresas e associações ligadas aos setores que fazem parte do primeiro grupo alvo do Programa de Proteção ao Emprego ainda aguardam a divulgação das regras oficiais para definir se vão aderir ao PPE, criado para evitar demissões e como alternativa ao lay-off (suspensão dos contratos de trabalho.

A Unica, representante das empresas do setor de açúcar e álcool, disse ser a favor de toda ação que tenha como objetivo evitar o desemprego. “A entidade considera que o PPE pode ser um mecanismo importante de proteção aos trabalhadores neste momento de crise, evitando, inclusive, possíveis demissões e processos de lay-off.” Ressalta, contudo, que aguarda as regras e os critérios para adesão. Estão no primeiro grupo, além do setor sucroalcooleiro, a indústria automobilística, de componentes eletrônicos, metalurgia e química.Entre as montadoras, Fiat, Volkswagen e Mercedes-Benz ainda avaliam se vão aderir. A MAN, de Resende (RJ), afirmou não ter interesse, pois já adota medidas como lay-off e redução de jornada e salários em 10%. O alvo principal do PPE são empresas com programas de lay-off. Só as montadoras têm 7,4 mil operários com contratos suspensos.

"O PPE é bom porque dá garantia de emprego por um período, mas é ruim porque reduz o salário", diz Maitê Maia.

"De qualquer forma, é melhor receber menos do que nada."

Maitê, de 21 anos, é operária da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP) há cinco anos. Casada e mãe de um bebê de 7 meses, trabalha na produção do Gol e está no grupo de 2.357 funcionários que estão em lay-off desde segunda-feira. Para ela, o lay-off é vantagem porque o salário não foi reduzido.

Valdemar Ferreira dos Santos, de 47 anos, trabalha no setor de tapeçaria da General Motors em São José dos Campos (SP) há 20 anos e está em lay-off desde março. "Não concordo com o PPE. Acho que há outras medidas que poderiam ser adotadas que não significam arrocho para os trabalhadores."

Na fábrica de São Caetano do Sul (SP), a GM está demitindo cerca de 400 trabalhadores, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos local. A maior parte estava no grupo de 819 operários em lay-off desde novembro. A outra metade do grupo, que deveria voltar ao trabalho na segunda-feira, teve o prazo do programa prorrogado até outubro. (O Estado de São Paulo 10/07/2015)

 

Retorno de El Niño ameaça produção de commodities e já eleva preços

Temores de que o fenômeno climático chamado El Niño cause estragos no setor de commodities agrícolas nos próximos meses já elevaram os preços do trigo, milho e soja nas últimas semanas, com os investidores de commodities, produtores e operadores se preparando para uma queda na produtividade.

Nas últimas semanas, os serviços meteorológicos dos governos dos Estados Unidos, Austrália e Japão confirmaram o retorno do El Niño pela primeira vez desde a safra de 2009/2010, graças a um aumento de 4% na temperatura abaixo da superfície da água do Oceano Pacífico.

Depois de um longo período de estabilidade, os preços das commodities agrícolas subiram nas duas últimas semanas, em parte graças aos temores que o El Niño cause uma seca excessiva em regiões importantes de cultivo. A produtividade do trigo australiano, que responde por 14% das exportações mundiais do grão, poderia recuar até 50%, segundo analistas do Banco Nacional da Austrália.

O El Niño ocorre quando os ventos na área equatorial do Pacífico perdem velocidade ou mudam de direção. Isso aquece a água ao longo de uma vasta extensão do mar, o que, por sua vez, pode provocar mudanças nas condições meteorológicas ao redor do mundo, geralmente reduzindo as chuvas na Austrália e em partes do sudeste e sul da Ásia. No passado, os preços das commodities que não são usadas como combustível subiram, em média, 5,3% durante os 12 meses que se seguiram ao anúncio da ocorrência do El Niño, segundo o Fundo Monetário Internacional.

Em alguns anos, o efeito foi mais drástico. O El Niño fez os preços do óleo de palma saltarem até 150% durante um período de nove meses entre 1996 e 1997, diz Nicholas Teo, analista da CMC Capital Markets.

Mesmo assim, não há uma maneira de prever a severidade do fenômeno. Das 26 ocorrências do El Niño observadas desde 1900, apenas 17 resultaram em secas generalizadas na Austrália, segundo a Agência de Meteorologia do país.

“Todo El Niño é diferente, inclusive a sua duração e intensidade, da mesma forma que o seu impacto na produção agrícola”, disseram analistas do Rabobank numa nota a clientes. A nota acrescentou que o efeito poderia ser maior sobre os preços do café robusta, usado nos cafés instantâneos, do açúcar e do trigo, que são cultivados em países como Vietnã, Indonésia, Austrália e Brasil, mais propensos a serem afetados pelo El Niño.

O fazendeiro Garry Hansen, que planta trigo e possui rebanhos bovino e de ovelhas numa fazenda de 8 mil hectares em Coomandook, no sul da Austrália, já está preocupado com a seca da região, que viu pouca chuva nos últimos dois anos.

“Não temos muita umidade [...] e estamos um pouco preocupados com as previsões. Seria bom se chovesse”, diz Hansen, acrescentando que o nível de chuva em junho foi apenas 20% do normal. Ele diz que garantir que ervas daninhas não roubem água da lavoura de trigo é uma das poucas coisas que ele pode fazer para combater o El Niño.

“Você tem que gerenciar o negócio como se fosse chover, mas também maximizar a eficiência da água”, diz ele.

O trigo exportado de Brisbane, na costa leste da Austrália, próxima às áreas cultivadas que podem ser mais afetadas pelo El Niño, já está sendo negociado com um prêmio de 10% acima do preço do trigo despachado de Adelaide, no sul do país, diz Rob Imray, diretor administrativo da Farmarco Australia, uma firma de comércio de commodities.

Pode levar alguns meses para que outras commodities agrícolas sintam o efeito do El Niño. A produção de óleo de palma será prejudicada pela seca, mas a dimensão dos danos não será visível até seis meses depois da ocorrência do El Niño, afirmou num e-mail a Golden Agri-Resources, segunda maior produtora da commodity do mundo.

“Como o El Niño acabou de começar, ainda é muito cedo para estimar a produção de 2016”, afirmou a empresa, que é sediada em Cingapura. Ela informou ainda que os produtores de óleo de palma podem aplicar fertilizantes mais cedo do que o normal para ajudar a compensar a piora das condições climáticas.

O El Niño poderia beneficiar as firmas de comércio que atuam como intermediárias entre compradores e vendedores de alimentos. Essas empresas tendem a lucrar mais com as oscilações dos preços das commodities, desde que prevejam corretamente as condições climáticas e de mercado.

“Estamos observando [a situação] com olhos de lince para ver o que acontece”, disse em junho Sunny Verghese, diretor-presidente da Olan, uma negociadora de commodities sediada em Cingapura. Ele acrescentou que o El Niño poderia causar escassez de trigo, milho e açúcar em alguns países do hemisfério sul, embora chuvas mais intensas possam ajudar as lavouras de outras regiões.

De fato, os temores dos mercados em relação ao El Niño foram atenuados pelo bom começo da época das monções na Índia e em Bangladesh, diz Aurelia Britsch, analista sênior de commodities da firma de consultoria Business Monitor International Research. A estação das monções já registrou mais chuvas que o normal, apesar das previsões iniciais de que o volume de chuvas na Índia iria recuar 12%. O nível das chuvas nas regiões mais ao norte da Ásia, por sua vez, tem ficado em linha com suas médias históricas.

Uma pressão de alta exercida pelo El Niño sobre os preços dos alimentos poderia, também, ser anulada pelos abundantes estoques existentes de arroz, óleo de palma e açúcar, dizem analistas. E embora a seca possa pesar sobre as safras da Ásia, o aumento das chuvas causado pelo El Niño na América do Sul poderia ajudar as safras de soja, milho e açúcar da região. (Wall Street Journal 09/07/2015)

 

Em Alagoas, setor sucroalcooleiro passa por reestruturação

A Triunfo Agroindustrial, usina de cana-de-açúcar instalada em Boca da Mata (AL), está atenta a "oportunidades" no processo de "reestruturação" do setor sucroalcooleiro que a empresa observa no Estado. Em entrevista, o presidente do Conselho Operacional da companhia, Givago Tenório, contou que a Triunfo pode assumir o processamento de unidades já fechadas, movimento este que também ocorre com outras usinas locais, visando a maior eficiência. De acordo com o executivo, tudo passa pelo aumento da produtividade nas lavouras, com o manejo das mais produtivas, sendo que fusões e aquisições também podem ocorrer.

"As (usinas) que sobraram vão ter de aproveitar as áreas produtivas; não tem como deixá-las abandonadas. Assim, haverá reaproveitamento da terra", explicou. Entre 60% a 70% das usinas de Alagoas têm como expandir a moagem. No caso da Triunfo, o processamento pode passar das atuais 1,5 milhão de toneladas para 2 milhões de toneladas, segundo Tenório.

De 2010 para cá, o rendimento nas lavouras de cana de Alagoas diminuiu de 75 toneladas para 60 toneladas por hectare em razão do abandono dos canaviais pelas unidades em maior dificuldade financeira. No mesmo período, o Estado viu o número de usinas em operação cair de 24 para 20, com a safra passando de 30 milhões para 23 milhões de toneladas.

O Nordeste como um todo, que já moeu cerca de 90 milhões de toneladas em um ciclo, processou pouco mais de 50 milhões de toneladas em 2014/15. Para Tenório, o endividamento do setor foi o principal responsável por essa deterioração, que se agravou com o controle dos preços da gasolina. "Se tivéssemos políticas públicas e linhas de financiamento coerentes, toda essa reestruturação ocorreria em uns três anos, com ganho de produtividade", avaliou.

"A subvenção é importante, é emergencial, mas não é algo estruturante para o setor se reerguer", acrescentou, referindo-se à política de benefícios a fornecedores de cana - só em Alagoas, quase metade da matéria-prima é proveniente de terceiros.

"Potenciais"

O presidente do Conselho Operacional da Triunfo disse, ainda, que toda a região Nordeste "precisa aproveitar seus potenciais de clima e de terra e complementar com o que existe".

Segundo ele, dentre esses potenciais estão proximidade da região com Estados Unidos e União Européia, importantes importadores de etanol; custo de embarque de 5%, abaixo dos 20% registrados em outros pontos do País; e usinas localizadas perto dos portos, com distâncias que podem chegar a apenas 70 km, em São Paulo, por exemplo, as unidades de Ribeirão Preto estão a mais de 300 km de Santos.

Por fim, Tenório afirmou que o setor sucroenergético no Nordeste também deveria explorar mais a cogeração de energia elétrica, aquela produzida a partir da biomassa da cana, bem como o etanol de segunda geração (2G), também feito com bagaço e palha da planta. (Agência Estado 09/07/2015)

 

Governo vai anunciar medidas para ajudar setor automotivo

O governo anunciará nesta quinta-feira medidas para ajudar o setor automotivo a reduzir os estoques nos pátios das montadoras, e entre as ações constam melhores condições para exportações de veículos, informaram à Reuters duas fontes do governo.

"Serão medidas práticas", disse uma das fontes do governo, informando que as ações visam a conter a forte queda na produção de veículos no país.

Responsável por boa parte do PIB industrial do país, o setor automotivo encerrou o primeiro semestre com queda de 18,5 por cento na produção, acima do ritmo previsto para o ano pela Anfavea, de 17,8 por cento.

Antes do anúncio, ministros da área econômica e representantes dos bancos públicos e do setor automotivo vão se reunir no Palácio do Planalto para negociar os termos finais das medidas.

Participarão do encontro os ministros Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento), Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Aloizio Mercadante (Casa Civil).

Do lado dos bancos públicos participam representantes do Banco do Brasil, Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Indústria e Comércio Exterior e Caixa Econômica Federal.

Pelo setor automotivo participam o presidente da Anfavea, Luiz Moan, e os vices-presidentes da entidade.

Uma segunda fonte disse à Reuters que uma parte das medidas vai estar relacionada à facilitação das exportações de veículos, em linha com o Plano de Exportação.

No fim do mês passado o governo apresentou um Plano de Exportação sustentado em parte pela ampliação em 2,9 bilhões de dólares, ante 2 bilhões de dólares, dos recursos do BNDES Exim para pós-embarque este ano.

Também foi anunciado o aumento em 15 bilhões de dólares ao limite para aprovação de novas operações do Fundo de Garantia às Exportações (FGE).

CÂMBIO FAVORÁVEL

Com a demanda interna enfraquecida pelo desaquecimento da economia, governo e montadoras vão buscar ajustar os estoques e conter a forte queda na produção com a ampliação das exportações em um momento em que o câmbio está mais favorável às vendas externas.

Na época em que o governo anunciou o Plano de Exportações, a presidente Dilma Rousseff havia dito que o novo patamar de câmbio é um estímulo às exportações e que os recursos para ampliar o financiamento às exportações não seriam contingenciados mesmo em um momento marcado por forte ajuste fiscal das contas públicas. (Reuters 09/07/2015)

 

Chuvas atípicas devem se estender até próxima semana e prejudicar lavouras

As chuvas atípicas registradas no Sudeste do Brasil esta semana deverão se repetir em toda a semana que vem, com possibilidade de prejuízos para diversas culturas agrícolas do Brasil, projetou nesta quarta-feira a Somar Meteorologia.

"Devido à influência do El Niño e também por conta de que as águas do Atlântico estão mais quentes do que o normal em toda faixa litorânea do Brasil, as frentes frias estão conseguindo avançar com maior facilidade sobre o Sudeste e daí, mantendo esse padrão, que mais parece de verão (chuvoso)", disse o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Somar, em um relatório diário.

Segundo ele, os maiores volumes de chuvas estão ocorrendo sobre o Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

"Os trabalhos de campo, como colheita, plantio e realização de tratos culturais serão afetados, gerando atrasos e provocando perdas regionalizadas de produtividade e de qualidade", afirmou.

Na avaliação do especialista, a umidade está reduzindo a concentração de açúcar na cana, o que "acarretará uma redução na produção de açúcar e etanol".

O diretor operacional da Raízen, maior produtora de açúcar e etanol do mundo, Pedro Mizutani, disse na terça-feira que a produção dos canaviais do centro-sul do Brasil poderá ficar acima do esperado na atual safra 2015/16, superando 600 milhões de toneladas, com a ajuda do inverno chuvoso, mas se as precipitações persistirem nas próximas semanas nem todo o volume de cana seria processado nesta temporada.

Enquanto isso, o Paraná e Estados do Centro-Oeste colhem a segunda safra de milho da temporada 2014/15, com volumes recordes. Para Santos, o efeito das chuvas pode ser de danos nos grãos provocados pela umidade.

Ainda no Sul, agricultores plantam a safra 2015 de trigo, que pode ser prejudicada pelas chuvas excessivas.

Isso sem falar no café, cuja colheita está em andamento. As chuvas podem atrapalhar os trabalhos, derrubar grãos e prejudicar a qualidade do produto.

O viés positivo da presença das chuvas é que elas estão impedindo o avanço de massas de ar polar e de frio que podem prejudicar as lavouras de café.

"Não há riscos para ocorrência de geadas para esses próximos 15 dias", disse o agrometeorologista. (Reuters 08/07/2015

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Visão questionável: Possíveis reflexos negativos da baixa das cotações do petróleo sobre o mercado de etanol no Brasil determinaram a alta do açúcar ontem na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em março encerraram a sessão negociados a 13,20 centavos de dólar por libra-peso, 33 pontos menos que na véspera. Para alguns analistas americanos, o fato de o petróleo ter caído pode desestimular a produção brasileira de etanol e abrir mais espaço para o açúcar, ainda que no Brasil essa teoria tenha poucos seguidores. Em entrevistas ao Valor na semana passada, os grupos São Martinho e Zilor, por exemplo, traçaram cenários positivos para o etanol nos próximos meses, enquanto o processamento de cana no Centro-Sul continua a ser mais direcionado à produção do biocombustível.

Suco de laranja: Na contramão: As altas observadas nas bolsas asiáticas e o esfriamento das tensões envolvendo a Grécia não foram suficientes para oferecer sustentação às cotações do suco de laranja ontem na bolsa de Nova York. Mais uma vez as oscilações foram determinadas por movimentos técnicos, e os contratos com vencimento em setembro caíram 310 pontos, para US 1,202 por libra-peso. Pesaram no movimento baixista a ausência de danos provocados por furacões aos pomares da Flórida e a contínua queda do consumo global da bebida. Levantamento da consultoria Markestrat apontou que a baixa em 2014 foi de 3,2%, para 2,042 milhões de toneladas. Por causa do feriado, não houve indicação de preços para a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias no mercado spot paulista.

Soja: China e chuva: Os sinais de melhora no mercado financeiro da China, que lidera as importações globais de soja, abriram espaço para uma forte alta da soja ontem na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em agosto fecharam a US$ 10,2625 por bushel, com valorização de 29,50 centavos de dólar em relação à véspera. "Até ontem [quarta-feira] parecia que a China ia cair fora da face da terra e, de repente, o país está provocando um 'rally' nos pregões de commodities", exagerou Roy Huckabay, do Linn Group. Ele realçou, ainda, que as chuvas nas regiões produtoras dos Estados americanos de Illinois, Indiana e Ohio continuam a oferecer suporte aos preços. Nas principais praças de Mato Grosso, a saca de 60 quilos de soja segue em torno de R$ 60, conforme o Imea.

Milho: Chuva e China: A recuperação do mercado financeiro chinês e as chuvas nas regiões produtoras do Meio-Oeste americano também determinaram a alta das cotações do milho ontem na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em setembro encerraram o pregão negociados a US$ 4,2875 por bushel, 4,25 centavos de dólar a mais que na véspera. "O tempo chuvoso continua a ser uma preocupação para as culturas [milho e soja], mesmo depois de o USDA [Departamento de Agricultura dos EUA] ter reportado uma ligeira melhora nas condições das lavouras no início da semana", afirma análise divulgada pela Farm Futures. No Paraná, a saca de 60 quilos do cereal foi negociada, em média, por R$ 21,12, conforme o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura. (Valor Econômico 10/07/2015)