Setor sucroenergético

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Etanol volta a dar ânimo às usinas

Setor, que investiu pesado em tecnologia agrícola, como mecanização, cana mais produtiva e, agora, drones, busca saída para crise,

Em meio a um ciclo de crise de quase sete anos, as usinas de açúcar e álcool do Centro-Sul do País voltaram a ganhar algum fôlego, impulsionadas pela crescente demanda do etanol nos postos de combustíveis. Em maio, o consumo foi recorde para o mês no País, de 1,43 bilhão de litros, alta de 44,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

No acumulado de janeiro a maio, o volume comercializado de etanol hidratado (o que é vendido nos postos) atingiu 6,9 bilhões de litros, 35% mais que no mesmo período do ano passado.

A expectativa é de que o consumo do combustível siga firme e absorva boa parte da cana que está em plena colheita, de acordo com usinas e especialistas ouvidos pelo Estado. Nesta safra, a 2015/16, a estimativa é colher 590 milhões de toneladas de cana, 20 milhões de toneladas a mais em relação ao ciclo anterior. A área plantada, que teve um boom entre 2003 e 2009, saltando de 6 milhões de hectares para 9 milhões de hectares, reflexo dos pesados investimentos de expansão e de consolidação do setor, com a entrada de grupos estrangeiros, deverá se manter estável.

Mas os avanços tecnológicos implementados durante o período de ouro no setor, com o plantio de variedades de cana mais produtivas e colheitadeiras mais eficientes, permitem aos grupos mais capitalizados extrair mais açúcar e etanol sem aumentar a área plantada. Ainda aproveitam o bagaço para gerar energia.

Os drones sobrevoam os canaviais da Raízen para apontar falhas no plantio e até identificar a incidência de pragas.

Em canaviais do Centro-Sul onde a mecanização domina cerca de 90% da área plantada da região, o que diminuiu drasticamente a queima da palha da cana e substituiu os cortadores de cana por mão de obra mais qualificada (ver matéria abaixo), já é possível ver drones sobrevoando as plantações e apontando falhas de plantio e pragas.

“Já usamos drones em nossas usinas há pelo menos três anos”, diz Pedro Mizutani, vice-presidente da Raízen Energia, joint venture entre o grupo Cosan e a Shell. A Raízen, com 24 usinas e capacidade para moer 60 milhões de toneladas de cana/ano, foi uma das pioneiras do setor a fazer diversificação de seus negócios, com a utilização do bagaço da cana para produzir energia. Com isso, o grupo conseguiu reduzir sua exposição aos ciclos de baixa do açúcar no mercado internacional. A empresa é uma das que mais comercializam no País energia de bagaço de cana, produto que já responde por cerca de 8% a10% do faturamento das usinas que vendem energia às distribuidoras.

A empresa também foi a primeira do setor a abrir seu capital, seguida pela São Martinho, considerada uma das mais eficientes do País, e pelo Tereos.

Nas sete usinas do grupo francês Tereos, o Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant) também já percorre há um ano os canaviais para indicar onde se pode obter maior eficiência no plantio. O investimento nessa tecnologia foi de R$ 350 mil, mas compensa, afirma José Olavo Vendramini, gerente de desenvolvimento técnico do Tereos. “Começamos os testes há dois anos e meio. Antes, os agrônomos sobrevoavam os canaviais com helicópteros para fotografar e calculavam falhas por amostragem, sem muita precisão”.

Apesar dos avanços, uma grande parte das usinas ainda passa por crise financeira, reflexo dos investimentos feitos em expansão de área e aquisições de usinas, entre 2003 e 2007, com o impulso dos carros flex no Brasil. O etanol era considerado, naquele período, a bola da vez e atraiu grandes investidores ao País. Com as aquisições, fazendeiros começaram a substituir suas áreas de grãos por cana e fecharam contratos de arrendamento de terras para as usinas, já que poucas indústrias do setor têm terra própria. Ao adquirir as usinas, os novos controladores herdaram os contratos de arrendamento de terras e os fornecedores de cana do antigo gestor.

O movimento de expansão começou a se arrefecer em 2008, com a crise financeira global, e reduziu de vez entre 2009 e 2010, com o congelamento dos preços da gasolina. Endividadas, boa parte das usinas começou a se desfazer de seus ativos e deixou de investir na renovação de seus canaviais. 

Retomada

A expectativa agora é de retomada da demanda por etanol, que tem potencial para chegar a 1,8 bilhão de litros mensais. A reação do consumo teve como reflexo um pacote de medidas anunciado pelo governo desde o início do ano, como a liberação do reajuste do preço da gasolina em fevereiro, a elevação do PIS/Cofins e a retomada parcial do imposto sobre a gasolina (Cide), em maio, além do aumento da mistura do etanol anidro na gasolina, de 25% para 27%. Iniciativas como a de Minas Gerais, que em março reduziu o ICMS para o etanol de 19% para 14% e aumentou o da gasolina de 27% para 29%, também podem elevar o consumo. Essas recentes ações foram bem recebidas pelo setor, mas as usinas afirmam que ainda é cedo para saber se poderão retomar os investimentos.

“O consumidor tem respondido bem migrando da gasolina para o etanol”, diz Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

O etanol tem garantido no início desta safra uma remuneração de 10% a 12% maior que a do açúcar, mas ainda é insuficiente para garantir rentabilidade às usinas, afirmam Fábio Venturelli, presidente da São Martinho, e Jacyr Costa, presidente da Guarani, controlada pelo Tereos.

“O início desta safra está mais voltada para o etanol. Já os preços internacionais do açúcar estão com viés de baixa por conta do superávit global, pelo quinto ano consecutivo”, diz uma fonte da trading ED&F Man.

Para Paulo Roberto de Souza, presidente da Copersucar, a expectativa é de que o mix das usinas seja mais para o etanol do que para o açúcar. Em 2014, a Copersucar tornou-se uma das maiores tradings globais de açúcar, ao formar uma joint venture com a Cargill, criando a Alvean.

“O Brasil está fazendo a sua parte e pode voltar a ser o grande protagonista global de etanol”, diz Plinio Nastari, da consultoria Datagro. A produção de etanol deve atingir 30,25 bilhões de litros nesta safra, alta de 6% sobre 2014/15. Já a produção de açúcar deve cair 3,6%, para 34,2 bilhões de toneladas. (O Estado de São Paulo 12/07/2015)

 

Açúcar: Produção reduzida

Os preços do açúcar demerara subiram fortemente na sexta-feira em Nova York, influenciados pelo corte feito pela consultoria Datagro em sua estimativa para a produção no Brasil em 2015/16.

Os contratos para março de 2016 fecharam em alta de 45 pontos, a 13,65 centavos de dólar por libra-peso.

A Datagro reduziu de 32,2 milhões para 30,7 milhões de toneladas a expectativa para a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil.

Segundo a consultoria, 59,5% da cana a ser colhida na região em toda a temporada deve ser destinada ao etanol, o que reduz a oferta para o açúcar.

Além disso, o Centro de Previsão Climática dos EUA alertou que o fenômeno El Niño tem 90% de chance de durar até 2016, o que deve reduzir a produção de açúcar na Tailândia, o quinto maior fornecedor global. (Valor Econômico 13/07/2015)

 

Açúcar: ICE pode testar mínima de 11,52 cents com pressão de fundos

Após a forte queda de 3,33%, ou 41 pontos, ontem, para 11,90 cents por libra-peso no contrato outubro, os futuros do açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) podem voltar a ter novos recuos no curto prazo, com movimentos técnicos. Com pressão de vendas dos fundos, a aposta é que a mínima de 11,52 cents, em 19 de junho, possa ser testada novamente.

"É um movimento mais técnico. Olhando a performance do açúcar ao longo dos últimos meses, cada vez que tenta subir e falha, como hoje (ontem), os fundos pulam em cima e vendem", avalia Michael MacDougall, diretor de Commodities do Banco Société Générale.

Além da pressão dos fundos, o mercado avaliou como baixista o crescimento de 5,33% no processamento de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil na última semana de junho ante igual período de 2014, segundo dados da União da Indústria e Cana-de-Açúcar (Unica). No entanto, o cenário pode ser revertido no curto prazo.

A safra da região brasileira segue mais alcooleira, a produção de açúcar foi 10% menor nos três primeiros meses da safra 2015/16 e, ainda, a qualidade da cana é pior, seja por conta da estiagem do ano passado, seja pelas chuvas durante este período.

Do exterior, os fundamentos ainda são ruins, com os estoques mundiais altos, a produção satisfatória da Índia e apenas uma incerteza sobre os impactos de uma estiagem local na produção da Tailândia.

No mercado paulista, com o feriado estadual de ontem não houve cotações para o açúcar do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). Na quarta-feira o açúcar encerrou em R$ 47,84 a saca. Também por conta do feriado, a BM&FBovespa não operou. (Agência Estado 10/07/2015)

 

Com salários atrasados, metalúrgicos entram em greve em Sertãozinho -SP-

Segundo sindicato, 600 funcionários da Dedini estão parados há quatro dias.

Categoria alega atraso nos salários e descumprimento de acordo no TRT.

Cerca de 600 funcionários da metalúrgica Dedini S/A Indústrias de Base estão há quatro dias em greve na unidade de Sertãozinho (SP), segundo o Sindicato dos Metalúrgicos. Os empregados entraram em greve na segunda-feira (6) para reivindicar o pagamento de salários atrasados.

De acordo com os sindicalistas, os metalúrgicos da empresa alegam que não receberam o pagamento integral referente ao mês de maio, e o salário referente a junho, que deveria ter sido depositado no dia 5 de julho, também não caiu. Os metalúrgicos dizem ainda que a empresa descumpriu acordo anterior firmado no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em que a Dedini se comprometeu a pagar o valor do dissídio da categoria.

O G1 tentou entrar em contato com a empresa na manhã desta sexta-feira (10), mas não obteve nenhuma resposta até a publicação desta matéria.

Segundo o presidente do sindicato, Samuel Marqueti, os funcionários participaram de uma audiência no início de junho no TRT da 15ª região, em Campinas (SP), onde a Dedini firmou um acordo de pagamento de dissídio aos empregados. A empresa, no entanto, não cumpriu o que foi negociado com a Justiça.

"Quando teve a última greve na empresa, ficou acordado o pagamento de algumas parcelas do dissídio. O pessoal voltou a trabalhar, mas a empresa descumpriu o pagamento do mês passado e está com o mês atual atrasado. O pagamento referente a maio foi efetuado pela metade. E o de junho não foi efetuado, já que eles deveriam ter pago no último dia 5. Além disso, também há pagamento de férias de funcionários em atraso", afirma Marqueti.

Assembléia

A paralisação, segundo Marqueti, chega a quase 100% dos funcionários da empresa. Na segunda-feira (13), os grevistas devem realizar uma assembléia pela manhã em frente à sede da Dedini para tentar uma reunião com os representantes da empresa.

Segundo Marqueti, os metalúrgicos já ingressaram com um novo pedido de julgamento de dissídio no TRT. "Estamos aguardando a data da audiência. Também vamos fazer uma denúncia por descumprimento da ata anterior. [A falta de pagamento] é um descaso com Sertãozinho, que é um dos pólos mais importantes da indústria metalúrgica", conclui.

Sem resposta

O G1 tentou entrar em contato com a assessoria de imprensa da Dedini, mas não obteve nenhuma resposta até a publicação desta matéria. (G1 10/07/2015)

 

Pesquisas com cana-de-açúcar visam produtividade de três dígitos

O objetivo das pesquisas com cana-de açúcar realizadas pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, por meio do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, é atingir a produtividade de três dígitos e auxiliar na construção do patrimônio biológico brasileiro. A informação é do diretor do Centro de Canas do IAC, em Ribeirão Preto, Marcos Landell, durante o que abordou a Engenharia Genética e Novas Tecnologias, no Ethanol Summit 2015.De acordo com Landell, em seus 20 anos de atuação, o Programa Cana IAC foi responsável por 23% das variedades lançadas no Brasil na última década e pelo aumento de 30% na produtividade, com o manejo pelo critério da Matriz de Ambiente. O desenvolvimento de variedades para regiões restritivas, com déficit hídrico, gerou um perfil de cana mais eficiente no aproveitamento da água disponível no solo. A técnica vem sendo aplicada por produtores que têm produção em todo o período de safra. "No entanto, os conceitos básicos tem sido incorporados pelos pequenos produtores. Com essas informações eles podem desenvolver a cultura da melhor maneira possível e adotar estratégias para reduzir o déficit hídrico", explicou.

O sistema MPB (Muda Pré Brotada) é uma tecnologia de multiplicação que poderá contribuir para a produção rápida de mudas, associando elevado padrão de fitossanidade, vigor e uniformidade de plantio, afirmou Landell. Outro grande benefício é a redução na quantidade de mudas que vai a campo. Para o plantio de um hectare de cana, o consumo de mudas cai de 18 a 20 toneladas, no plantio convencional para duas toneladas do MPB. A nova tecnologia é direcionada a aumentar a eficiência e os ganhos econômicos na implantação de viveiros, replantio de áreas comerciais e possivelmente renovação e expansão de áreas de cana-de-açúcar. A estrutura também é usada como um núcleo-escola para efetuar o treinamento de produtores e profissionais do setor sucroenergético nacional e internacional.

Landell afirmou que o Programa Cana IAC tem trabalhado com o melhoramento genético para obtenção de variedades específicas para a produção de etanol de segunda geração. As variedades têm que apresentar um perfil de alta produção de biomassa (alta produtividade) e elevado teor de fibra de açúcares. Após os cruzamentos, as sementes seguem para Ribeirão Preto e lá são germinadas em estufas e seguem para o campo. Após alguns anos de seleção massal, na qual se observam produtividade, teor e qualidade de fibra, esses materiais vão sendo selecionados até que se obtenha uma variedade com as características desejadas.

Além de Marcos Landell, participaram do painel o diretor de Negócios e Melhoramento Genético do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), Willian Burnquist; Ladislau Martin Neto, diretor executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária); Luiz Louzano, diretor de Biotecnologia para a América Latina da Basf e Daniel Bachner, diretor global para cana-de-açúcar da Syngenta.

A Ethanol Summit 2015 reuniu mais de 1.500 participantes, entre empresários, autoridades de diversos níveis governamentais, pesquisadores, investidores, fornecedores e acadêmicos do Brasil e do exterior. (Brasil Agro 13/07/2015/

 

Etanol pode reduzir a crescente importação de gasolina

Um levantamento feito pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) mostra que a maior demanda por etanol pode reduzir os custos do governo com importação da gasolina. O estudo reforça a importância do biocombustível na matriz energética brasileira.

O volume de etanol hidratado comercializado no País antes das alterações na tributação da gasolina era de 1,25 bilhão de litros por mês. Atualmente, está em cerca de 1,5 bilhão de litros, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Esse aumento de quase 250 milhões de litros mensais no consumo interno de hidratado representa uma redução de 130 milhões de litros na demanda por gasolina pura (gasolina A, sem anidro), diz Elizabeth Farina, presidente da Unica.

Além disso, a elevação do nível de mistura de etanol anidro na gasolina de 25% para 27% também permitiu uma economia adicional de cerca de 70 milhões de litros mensais de gasolina pura.

De acordo com o departamento econômico da Unica, entre 2011 e 2014, as importações brasileiras de gasolina totalizaram 11,02 bilhões de litros, gerando um prejuízo total estimado em torno de R$ 3 bilhões à Petrobrás (decorrente da venda de gasolina no mercado doméstico a um preço inferior aquele pago no mercado internacional). Essas importações geraram déficit de US$ 8,37 bilhões na balança comercial do País neste período, segundo a entidade.

Somente em 2014, a balança comercial de gasolina A foi negativa em US$ 1,35 bilhão (mais de R$ 3 bilhões). Esse montante é equivalente a 35% de todo o déficit comercial brasileiro no ano, avaliado em US$ 4 bilhões.

O impacto negativo persiste em 2015. Nos primeiros quatro meses deste ano, as importações de gasolina já somaram 1,43 bilhão de litros (alta de 66% sobre 2014), a um custo de R$ 611,94 milhões ao País. No comparativo entre importação e exportação, o resultado fica negativo em US$ 606 milhões entre janeiro e abril de 2015 – o equivalente à perda de quase R$ 2 bilhões diante da desvalorização cambial.

Vale lembrar que em 2009, a participação do etanol hidratado era de mais de 30% no consumo de combustível e agora, mesmo com o recente aumento, a participação é de 22%. (O Estado de São Paulo 12/07/2015)

 

Copersucar estima déficit global de açúcar de 1,5 mi t em 2015/16

A Copersucar, maior comercializadora de açúcar e etanol do mundo, prevê um déficit de 1,5 milhão de toneladas no mercado global de açúcar em 2015/16, ante um excedente de 8 milhões de toneladas em 2014/15, disse à Reuters o presidente da companhia, Paulo Roberto Souza, no intervalo de uma conferência organizada nesta sexta-feira pela consultoria Datagro, em Londres. (Reuters 10/07/2015)

 

Espaço maior para a energia de bagaço de cana

Apesar de garantir maior rentabilidade do que o açúcar e o etanol, a venda de energia extra produzida com bagaço de cana ainda está restrita a um terço das usinas em operação no País.

Vale lembrar que todas as usinas sucroalcooleiras do Brasil são autossuficientes em cogeração de energia com bagaço da cana. No entanto, das 354 unidades em operação, apenas 127 vendem sua energia extra para o mercado distribuidor, com contratos de longo prazo.

Atualmente, a cogeração representa de 8% a 10% do total da receita das usinas. No mercado à vista, o preço da energia de biomassa atingiu seu pico de R$ 822 no ano passado e hoje está em torno de R$ 320.

A capacidade instalada das usinas é de 9.339 MW (megawatt), incluindo consumo próprio, o equivalente a cerca de 70% da Usina de Itaipu, de acordo com levantamento da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). A energia produzida com o bagaço é sazonal, de abril a dezembro, período de colheita da cana e também de estiagem no País. Até 2021, a capacidade instalada das usinas poderia atingir 22 mil MW, estima a Unica. (O Estado de São Paulo 12/07/2015)

 

Sob pressão, companhias aéreas dos EUA investem em biocombustíveis

Pressão para reduzir emissões de carbono e custos mais baixos ajudam busca por novos combustíveis.

Em breve, um vôo da United Airlines vai decolar do Aeroporto Internacional de Los Angeles com destino a San Francisco usando combustível gerado a partir de resíduos agrícolas e óleos derivados de gordura animal.

Os passageiros não sentirão muita diferença -os motores ainda vão troar e os assentos na classe econômica continuarão lotados-, mas, para as companhias aéreas e a indústria de biocombustíveis, o voo representará um marco: pela primeira vez, uma companhia aérea americana vai operar voos usando combustível alternativo.

Há anos, os biocombustíveis são considerados parte importante da solução para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

A United diz que pretende investir US$ 30 milhões em uma das maiores produtoras de biocombustíveis para aviação, a Fulcrum BioEnergy, o maior investimento em combustíveis alternativos já feito por uma companhia aérea americana. O valor, no entanto, representa uma gota do gasto da empresa com combustíveis. Em 2014, a frota da United gastou 14,8 bilhões de litros de combustível, ao custo de US$ 11,6 bilhões.

Cada vez mais, as companhias aéreas são pressionadas a reduzir as emissões de carbono. O governo Obama propôs no mês passado que sejam definidos novos limites para as emissões da aviação, e a Organização Internacional de Aviação Civil, órgão da ONU, deverá concluir negociações sobre a limitação da poluição por carbono em fevereiro de 2016.

"Os biocombustíveis devem cumprir um papel importante no setor de aviação, por reduzirem as emissões de carbono", disse Debbie Hammel, especialista em recursos no Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, que se concentra nos biocombustíveis.

As companhias aéreas dizem que têm motivos para se adaptar, não apenas para reduzir as emissões, mas também para cortar o que costuma ser seu principal custo, o combustível dos jatos.

A Fulcrum, sediada na Califórnia, desenvolveu uma tecnologia que transforma os resíduos residenciais em combustível sustentável para aviação, um tipo que pode ser misturado diretamente aos combustíveis tradicionais para jatos. Ela está construindo uma refinaria de biocombustíveis em Nevada, a ser inaugurada em 2017, e tem planos para mais cinco fábricas. A Fulcrum disse que sua tecnologia pode reduzir em 80% as emissões de carbono de uma companhia aérea.

O acordo da United com a Fulcrum é um dos muitos feitos pelas companhias aéreas nos últimos anos. A Alaska Airlines pretende usar biocombustível em pelo menos um de seus aeroportos até 2020. A Southwest Airlines anunciou no ano passado que adquiriria cerca de 11 milhões de litros por ano de combustível feito de resíduos de madeira pela Red Rock Biofuels.

No ano passado, a British Airways se uniu à Solena Fuels para construir uma refinaria de combustível perto do Aeroporto de Heathrow em Londres, que ficará pronta em 2017.

O acordo da United foi o segundo grande passo da empresa em direção aos combustíveis alternativos. Em 2013, a companhia concordou em comprar cerca de 57 milhões de litros de biocombustível em três anos de uma produtora da Califórnia chamada AltAir Fuels, que fabrica biocombustível a partir de óleos naturais não comestíveis e resíduos agrícolas.

A United espera que os primeiros 19 milhões de litros da AltAir sejam entregues até setembro.

Nas duas primeiras semanas, quatro a cinco voos por dia vão utilizar uma mistura de 30% de biocombustível com 70% de combustível tradicional para jatos. Depois disso, o combustível será misturado ao estoque geral, segundo a United. "O projeto da AltAir serve como catalisador destinado a abrir caminho para a indústria", disse Angela Foster-Rice, diretora da United para assuntos ambientais e sustentabilidade.

Ao queimar produtos de biocombustíveis como resíduos agrícolas, que já absorveram carbono durante sua vida útil, os motores a jato evitam lançar na atmosfera mais carbono de combustíveis fósseis, disse Foster-Rice.

As companhias aéreas não parecem ter muita opção.Elas não podem recorrer a alternativas como a eletrificação, disse Hammei, do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais. Daí a importância de que os combustíveis sejam produzidos de forma sustentável.

Apesar do interesse das companhias aéreas, ainda há obstáculos para o desenvolvimento de biocombustíveis em larga escala -com custo racional e suprimentos confiáveis.

E. James Macias, executivo-chefe da Fulcrum, disse que a empresa poderá produzir seu biocombustível por "muito menos" de US$ 0,26 por litro. (A United comprou seu combustível para jatos por cerca de US$ 0,55 o litro, em média, no primeiro trimestre, e disse que seu acordo com a Fulcrum é competitivo em relação ao preço do combustível tradicional.)

Em 2050, a indústria de aviação pretende cortar suas emissões de gases do efeito estufa pela metade em relação aos níveis de 2005, segundo a Associação Internacional de Transportes Aéreos.

Mas não será fácil chegar lá. "Por isso é muito importante investir e se dispor a assumir parte do risco", disse Foster-Rice, "e incentivar as companhias a se concentrarem no combustível para jatos a um preço competitivo". (The New York Times 11/07/2015)

 

Açúcar: fatores externos e problemas internos - Arnaldo Luiz Corrêa

Os fatores externos estão afetando o mercado de açúcar impedindo que a reação de preços na bolsa de NY tenha longa duração. No meio da semana que passou vimos as cotações do açúcar despencarem pesadamente. Culpe-se o preço das commodities caindo no mercado chinês, ou da bolsa de valores daquele pais, que tem se desvalorizado de maneira pesada. O petróleo, por exemplo, apenas neste mês já perdeu quase 12% (WTI) e 8% (Brent). Embora o preço médio da gasolina no Centro-Sul ainda esteja abaixo do mercado internacional em aproximadamente 7.4%, com essa queda do petróleo, o reajuste de preços da gasolina por parte da Petrobrás pode ser adiado caso se mantenha a tendência de baixa do petróleo. Não é boa notícia para as usinas.

O que originalmente pensávamos que mais cana iria ser direcionada ao etanol em função de preços mais remuneradores do que o açúcar, o que se tem visto nos últimos dias é uma queda no preço do hidratado em função da pressão de venda por parte das usinas para fazer caixa e atender seus compromissos financeiros mais prementes. Além disso o real se desvalorizou de forma acentuada essa semana o que deve ter ajudado ao mercado de açúcar em NY cair mais. Não é boa notícia para as usinas.

Além de tudo, o número de moagem de cana publicado pela Unica esta semana atingiu recorde de 46.5 milhões de toneladas e é claro que o mercado - mais imediatista que um adolescente - reagiu de pronto como se não houvesse amanhã. Algumas empresas estão colocando o número de moagem para 2015/2016 próximo a 600 milhões de toneladas.

Apesar do cenário acinzentado, NY acabou encerrando a semana basicamente inalterado no primeiro mês de vencimento, com o contrato de outubro/2015 fechando a 12.41 centavos de dólar por libra-peso, pouco mais de 2 dólares por tonelada acima do fechamento da semana anterior. Os demais meses, no entanto, fecharam mais fracos com quedas de até 3 dólares por tonelada. Dessa forma, nada existe para se animar pois o outubro sofre a influência da percepção de curto prazo que o mercado tem. O spread outubro/2015- março/2016, que chegou a negociar a 160 pontos de desconto, fechou a 124 pontos, depois de ter estreitado até 105 pontos.

O custo de produção de açúcar pelo modelo da Archer é de R$ 38.9823 por saca posto usina, o que equivale aproximadamente a 12.54 centavos de dólar por libra-peso FOB Santos. Ou seja, hoje a exportação tem margem negativa. Apesar dos diferentes custos que temos visto no mercado, acredito que o hidratado tem uma rentabilidade ligeiramente maior, mas ainda assim nada que justifique o mercado internacional de açúcar se animar.

O preço médio de fechamento do açúcar em NY no mês de junho foi de 11.75 centavos de dólar por libra-peso, quase 22% abaixo do preço médio de janeiro, a queda mais acentuada relativa a esses dois meses desde 2010. O preço médio de 11.75 centavos de dólar por libra-peso remete ao modelo da Archer estimando o pico máximo de preço para outubro/2015 (mês de negociação de março/2016 na bolsa) em 15.69 centavos de dólar por libra-peso.

Nesta semana tivemos em São Paulo, mais uma edição do Ethanol Summit, um dos principais eventos do mundo voltados para as energias renováveis, particularmente o etanol e os produtos derivados da cana-de-açúcar, que ocorre a cada dois anos organizado pela UNICA. No primeiro painel que anunciava uma palestra do presidente da Petrobras Aldemir Bendine, a plateia foi surpreendida com a desculpa dada pelo executivo da estatal do petróleo, que lamentava ter que se retirar mais cedo em função de outro compromisso inadiável. Ou seja, uma falta total de respeito para com aqueles que estavam presentes ansiosos para ouvir do presidente acerca da situação da empresa e suas relações hoje no setor sucroalcooleiro.

Custo a crer que para um evento dessa importância, que ocorre a cada dois anos, o prezado executivo não tenha se dignado a bloquear sua agenda. A verdade nua e crua é que receoso do possível constrangimento pelo qual iria passar na mesa da plenária e das possíveis provocações do excepcional jornalista William Waack, que uma vez mais conduziu o evento com maestria, certamente não deixaria escapar a oportunidade para tocar no assunto “petrolão". O executivo da estatal saiu pela porta dos fundos. Em sua breve apresentação à plateia tropeçou no vernáculo a sapateou sobre a pobre língua portuguesa. É essa a cara do Brasil de Dilma e seus executivos amestrados.

 

Cortador de cana é uma profissão em extinção

Colheitadeiras mais eficientes vêm substituindo a mão de obra.

Se não fosse pelo seu podão (faca grande afiada), o pernambucano Ademir Ferreira da Costa, de 43 anos, poderia até passar despercebido. Sua profissão, de cortador de cana, hoje é quase uma exceção no Estado de São Paulo, maior produtor do País.

Costa faz parte de um pequeno grupo que migra todos os anos para o Centro-Sul do País para trabalhar na colheita de cana. Se, há quase dez anos, Costa dividia espaço com vários de seus conterrâneos, hoje trabalha nos canaviais lado a lado com grandes e pesadas colheitadeiras – que plantam e colhem a cana. Cada máquina dessas, que chegam a custar até R$ 1 milhão, substitui, em média, 80 trabalhadores e colhe 100 mil toneladas de cana por safra.

A colheita mecanizada de cana já atinge 90% da safra em São Paulo e quase o mesmo índice na região Centro-Sul do País. Em São Paulo, a queima da palha da cana é proibida desde o ano passado em áreas aptas à mecanização e tem de ser abolida totalmente até 2017 para não mecanizáveis, segundo Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). “Os cortadores podem atuar em áreas inferiores a 150 hectares ou em áreas com declives superiores a 12%, onde máquinas têm dificuldade para entrar.”

“Trabalho há nove safras com cana. Venho para São Paulo todo ano para colher laranja e depois ir para os canaviais”, conta Costa, que mora na cidade de Itobi, a cerca de 250 quilômetros da capital de São Paulo, para atender as usinas nas região.

Para a safra 2015/16, Costa está mais animado. “Tem mais cana para colher e a expectativa é de melhorar o salário”, diz. Em época de boa safra, chega a tirar até R$ 3 mil por mês, dependendo de sua produtividade. Por dia, conta, ele chega a cortar entre 9 e 10 toneladas de cana. A média por pessoa é de 7 toneladas de cana por dia.

Nascido em Caruaru (PE), Costa mudou-se com parte de sua família para Juazeiro do Norte, no Ceará. Trabalhou como roceiro e até tentou ganhar a vida como jardineiro em uma fábrica de refrigerante da cidade. “Ganhava um salário mínimo. Não dava para sustentar minha família”, diz o cortador de cana, que tem cinco filhos.

Ao decidir vir para São Paulo, deixou a família para trás. Mas volta todo fim de colheita, em dezembro, para depois começar tudo de novo entre fevereiro e março.

Emprego reduzido

O setor sucroalcooleiro já chegou a empregar 2 milhões de pessoas na atividade durante o Proálcool, programa de estímulo à produção de etanol. Hoje, são cerca de 600 mil trabalhadores, dos quais 150 mil na área agrícola, disse Rodrigues. (O Estado de São Paulo 12/07/2015)

 

Datagro corta em 4,6% estimativa de produção de açúcar no Centro-Sul

A Datagro cortou suas projeções para a produção de açúcar na temporada 2015/16 no Centro-Sul do Brasil por causa da maior conversão da cana-de-açúcar em etanol. A agência agora espera que a produção de açúcar some 30,7 milhões de toneladas, ante 32,2 milhões de toneladas da última estimativa - uma redução de 4,66%.

A Datagro manteve sua estimativa para a moagem da cana na região em 591 milhões de toneladas. A produção de etanol no Centro-Sul deve ser de 27,87 bilhões de litros, em dado que inclui o produto à base de milho.

Segundo o presidente da entidade, Plínio Nastari, a porcentagem da cana sendo transformada em etanol atualmente é de 59,5% no Centro-Sul e de 58,9% para o Brasil como um todo. Já a proporção de açúcar para a exportação é de 27,1%.

Durante apresentação das estimativas nesta sexta-feira, 10, em Londres, Nastari disse não esperar que a proporção do etanol ante o açúcar aumente muito mais. "Há um limite para o quanto podemos alterar (a produção) e estamos chegando bem perto dele", disse.

Nastari disse, ainda, que a produção total de cana no Centro-Sul aumentou ligeiramente, mas estimou que 14 milhões de toneladas não devem ser processadas até o fim da temporada. O presidente da Datagro também mencionou que a estação chuvosa reduziu o nível de açúcar contido na cana. (Dow Jones 10/07/2015

 

OIA projeta déficit global de açúcar de 6,2 mi t em 2016/17

A Organização Internacional do Açúcar (OIA) projetou o déficit global de açúcar na temporada 2016/17 em 6,2 milhões de toneladas, ante um déficit de 2,5 milhões em 2015/16, segundo gráfico apresentado pela entidade nesta sexta-feira em uma conferência organizada pela consultoria Datagro, em Londres.

O diretor-executivo da OIA, José Orive, disse que estoques em queda, um maior consumo e uma maior demanda por etanol deverão contribuir para a ampliação do déficit do mercado em 2016/17.

2015/16

A Copersucar, maior comercializadora de açúcar e etanol do mundo, prevê um déficit de 1,5 milhão de toneladas no mercado global de açúcar em 2015/16, ante um excedente de 8 milhões de toneladas em 2014/15, disse à Reuters o presidente da companhia, Paulo Roberto Souza.

Já a consultoria Datagro projetou um déficit de 1,4 milhão de toneladas no mercado global de açúcar no ano comercial 2015/16 (entre outubro e setembro), ante um excedente de 3,9 milhões de toneladas em 2014/15, disse o presidente da empresa, Plínio Nastari. (Reuters 10/07/2015)

 

Ceres teve prejuízo líquido de US$ 5,9 milhões no 3ºtri fiscal de 2015

A Ceres, empresa americana de biotecnologia, reportou hoje um prejuízo líquido de US$ 5,9 milhões no terceiro trimestre fiscal de 2015 (encerrado em 31 de maio), ante um resultado líquido também negativo de US$ 7,73 milhões no mesmo intervalo do ano anterior.

A receita total no período foi de US$ 1,125 milhão, elevação de quase 40% em relação aos US$ 806 mil do trimestre encerrado em 31 de maio de 2014.

A Ceres dedica-se ao desenvolvimento de híbridos de sorgo para a produção de etanol e energia. A companhia estava em fase pré-operacional desde que foi fundada, em 1996, na Califórnia. Mas é no Brasil, onde chegou em 2009, que a empresa começou a estabelecer sua primeira operação comercial no ano passado, a safra 2014/15 de sorgo teve início em novembro, na entressafra da cana.

Em comunicado que acompanhou o balanço, a companhia informou que o plantio de híbridos de sorgo forrageiro da companhia na América do Norte alcançam pouco mais de 1,2 mil hectares na atual temporada, bem acima dos 243 hectares do ciclo passado. Esse aumento é derivado, conforme a Ceres, da ampliação do número de clientes que avaliam o potencial do uso desses materiais em larga escala. As preocupações com a seca e o abastecimento de água em algumas regiões dos EUA também influenciaram a decisão de plantio dos clientes, de acordo com a Ceres. O motivo é que o sorgo é mais resistente a situações de stress hídrico.

Os custos totais e as despesas operacionais da empresa caíram 17,7% no trimestre de março a maio, em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 7,01 milhões. (Valor Econômico 10/07/2015 ás 19h: 35m)

 

Preço do etanol sofre redução nos postos de combustíveis de Goiânia

Valor caiu para até R$ 1,74; motoristas aproveitam para encher o tanque. Procon diz que clientes precisam ficar atentos à qualidade do produto vendido.

Motoristas estão aproveitando a queda no preço do etanol nas bombas de combustíveis em Goiânia para encher os tanques dos veículos. Em alguns postos, o valor caiu de R$ 2,19 para R$ 1,74.

Ao notar a alteração no preço, o professor de educação física Leonardo Moraes correu para o posto de combustíveis. “O que me motivou [a encher o tanque] foi essa diferença, essa grande discrepância do mês passado para cá”, disse.

Em alguns locais, o motorista precisa esperar até 20 minutos para ser atendido devido à grande procura. Entretanto, é necessário ficar atendo para a qualidade do combustível vendido.

A Superintendência Estadual de Proteção aos Direitos do Consumidos (Procon-GO) está fiscalizando os postos que oferecem os preços mais atrativos. Os técnicos fazem análises do etanol para saber se a qualidade é boa e se a quantidade fornecida é o que realmente consta na bomba. Até o momento, nenhum dos postos visitados apresentou irregularidades.

Segundo o diretor do Sindicato dos Postos de Combustíveis de Goiás (Sindiposto), Gustavo Faro, não há um motivo específico para essa redução no valor do etanol. “Esses preços são devido a promoções que cada posto decide fazer para atrair o cliente, mas não houve nenhuma redução nos impostos sobre o produto, então são preços temporários”, explicou. (G1 12/07/2015)

 

A indústria demite e continuará a demitir

A crise em que a indústria está mergulhada há anos se tornou mais aguda. Nos últimos seis meses, 60% das indústrias de transformação e extrativas adotaram medidas para reduzir o uso da mão de obra, de acordo com a sondagem especial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre o emprego no setor.

Por causa do alto custo das demissões, da necessidade de retenção de profissionais capacitados, das dificuldades para encontrar substitutos adequadamente treinados quando a economia voltar a crescer e dos custos de treinamento da mão de obra de que necessitar, as indústrias vêm evitando cortes de pessoal.

A redução do número de turnos de trabalho foi a medida empregada por 38% das empresas consultadas pela CNI para reduzir o uso da mão de obra, de modo a compensar a queda da demanda. A não renovação de contratos por prazo determinado, a promoção do uso de banco de horas e a concessão de férias coletivas não programadas foram outros recursos a que as indústrias recorreram nos últimos seis meses para evitar corte de empregos.

Mesmo assim, pelo menos metade delas demitiu parte de sua força de trabalho no primeiro semestre. Do ponto de vista do emprego, a crise afetou mais as empresas de médio porte, pois 54% delas informaram ter demitido pessoal nos últimos seis meses; das indústrias de pequeno porte, 49% demitiram; e, das grandes, 48%.

Se a crise persistir por mais tempo, empresas que até agora têm evitado cortar pessoal poderão ser forçadas a fazê-lo. A pesquisa da CNI constatou que, para 43% das empresas, a expectativa para os próximos seis meses é de redução do número de empregados ou adoção de medidas extraordinárias para a diminuição da utilização da mão de obra. Um quarto delas pretende fazer as duas coisas (demitir e reduzir o uso do pessoal empregado).

Sem investimentos no volume necessário para modernizar e ampliar sua capacidade produtiva, carente de políticas públicas eficazes de estímulo a ganhos de produtividade e à inovação, e submetida a severa concorrência de produtos estrangeiros, a indústria vem perdendo espaço até no mercado interno. A crise que se acentuou no início do segundo mandato presidencial de Dilma Rousseff tornou mais difícil sua situação. Fez cair ainda mais sua produção e lhe criou mais dificuldades financeiras. Mesmo assim, ela só demite quando não tem alternativa. Parece ter chegado a essa situação. (O Estado de São Paulo 11/07/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Produção reduzida: Os preços do açúcar demerara subiram fortemente na sexta-feira em Nova York, influenciados pelo corte feito pela consultoria Datagro em sua estimativa para a produção no Brasil em 2015/16. Os contratos para março de 2016 fecharam em alta de 45 pontos, a 13,65 centavos de dólar por libra-peso. A Datagro reduziu de 32,2 milhões para 30,7 milhões de toneladas a expectativa para a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil. Segundo a consultoria, 59,5% da cana a ser colhida na região em toda a temporada deve ser destinada ao etanol, o que reduz a oferta para o açúcar. Além disso, o Centro de Previsão Climática dos EUA alertou que o fenômeno El Niño tem 90% de chance de durar até 2016, o que deve reduzir a produção de açúcar na Tailândia, o quinto maior fornecedor global.

Café: Ânimo grego: A possibilidade de um acordo da Grécia com os credores internacionais animou os negócios com commodities como o café arábica na última sexta-feira. Os contratos futuros de café com entrega para setembro fecharam o dia cotados a US$ 1,2625 por libra-peso, valorização de 100 pontos. De acordo com analistas, a alta do café foi proporcionada pela queda do dólar em relação a outras divisas, o que ocorreu graças à proposta de reforma econômica que os gregos fizeram a seus credores, solicitou mais 53,5 bilhões de euros. No mercado, a expectativa era de que um acordo, fosse anunciado no sábado. No Brasil, maior produtor de café do mundo, o produto boa qualidade foi negociado de R$ 440 a R$ 450 por saca de 60,5 quilos na sexta­feira, de acordo com o Escritório Carvalhaes, baseado em Santos.

Suco de laranja: Efeito Flórida: Pressionados pela nova estimativa de produção de laranja na Flórida, os contratos futuros de suco de laranja congelado e concentrado (FCOJ, na sigla em inglês) registraram a terceira queda seguida na última sexta-feira. Os lotes para setembro encerram o pregão na bolsa de Nova York a US$ 1,1915 por libra-peso, redução de 105 pontos. Os preços do suco, que já vêm sofrem com a persistente queda do consumo global, foram ainda mais pressionados pela revisão de estimativas feita pelo USDA. Segundo o órgão, a produção de laranja na Flórida, segundo maior polo citrícola do mundo, ficará em 96,7 milhões de caixas na safra 2014/15, alta 0,3% na comparação com as 96,4 milhões de caixas projetadas em junho. Nos EUA como um todo, oferta de laranja deve totalizar 147,4 milhões de caixas.

Algodão: Estoque chinês: Ao revisar para cima a estimativa para o estoque global de algodão e sobretudo o estoque chinês, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reduziu as cotações da pluma na última sexta-feira na bolsa de Nova York. Os contratos futuros da commodity com vencimento em dezembro fecharam o negociados a 65,52 centavos de dólar por libra peso, queda de 34 pontos. Na sexta-feira, o USDA reduziu a projeção para o estoque mundial de algodão ao final da safra 2015/16 em 1,9%, de 23,09 milhões de toneladas a 23,54 milhões de toneladas. A China foi a principal responsável por essa mudança, com a estimativa elevada de 13,62 milhões de toneladas a 14,16 milhões de toneladas. No Brasil, o preço médio do algodão em pluma no oeste da Bahia ficou em R$ 71 por arroba, de acordo com levantamento da Aiba. (Valor Econômico 13/07/2015)