Setor sucroenergético

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Setor sucroenergético tem que se reinventar

Concordo com as colocações do jornalista Ronaldo Knack em seu artigo desta última sexta-feira:

(http://www.brasilagro.com.br/conteudo/solucao-para-a-crise-sucroenergetica-so-apos2018-por-ronaldo-knack.html#.VZ-hUflViko)

O setor sucroenergético não formou uma associação que pudesse ter "força" na representatividade junto às Instituições no Brasil, preferiu ficar individualizado (cada Dono(s) de Usina ou de Grupo fala por sí) e agora sofre com esta situação, piorada pela postura socialista implementada pelo governo Lulopetista.

Diferentemente do setor automobilístico que tem na Anfavea uma única voz perante os governos, vemos que há usinas que vão muito bem obrigado, enquanto muitas outras estão em situação falimentar e insistindo em continuar funcionando sem um mínimo de viabilidade!

Infelizmente esta é a realidade, e há maneiras de reagir? Acredito que sim, mas o setor tem que se reinventar e promover uma forte mudança de comportamento empresarial (Sebastião Henrique Gomes foi diretor da Cia. Energética Santa Elisa e da Açúcar Guarani)

 

Crise no setor canavieiro provoca fechamento de usinas e demissões

Crise na economia brasileira, excesso de açúcar no mundo e custo de produção superior ao valor de venda. Esse conjunto de problemas nos meses iniciais da safra de cana-de-açúcar confirmou a previsão pessimista feita pelo setor sucroenergético para a safra 2015/16 e já resultou no fechamento de usinas, em demissões e pedidos de recuperação judicial.

A Usina Albertina, em Sertãozinho (noroeste de São Paulo), teve falência decretada, após seis anos de recuperação judicial. Na mesma região, a Usina Ibirá, de Santa Rosa de Viterbo, interrompeu as atividades. No Triângulo Mineiro, outras duas usinas foram fechadas e há uma com as atividades suspensas. Já em Rio Verde (GO), uma usina entrou em recuperação judicial.

Uma das explicações para o problema, segundo diretores de usinas ouvidos pela Folha e especialistas, é a baixa remuneração do açúcar e do etanol, frente a custos de mão de obra que crescem cerca de 10% ao ano. Isso deixou o setor sem recursos financeiros.

Para o diretor-técnico da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), Antonio de Pádua Rodrigues, resta aos produtores processar a cana e colher, até pensando nas próximas safras, independentemente do cenário atual.

"Não tem o que fazer, tem é que enfrentar esses problemas. É preciso processar e colher, caso contrário no ano que vem não haverá canavial a ser colhido", afirmou.

Mais fechamentos

Segundo ele, o fechamento de usinas e pedidos de recuperação judicial ainda persistirão no decorrer da safra.

"Temos notado uma deterioração da margem das usinas ao longo dos anos. A saída tem duas portas, que são a da geração de energia elétrica e corte na pele, de mão de obra e custos", afirmou o pesquisador Haroldo Torres, do Pecege (Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas), da Esalq/USP.

Dados do programa mostram que o custo do açúcar chegou a R$ 942 (tonelada) na safra passada, ante o preço de venda de R$ 916 (-2,8%). Enquanto isso, o metro cúbico de etanol hidratado (usado diretamente nos carros flex) custou R$ 1.410, mas foi vendido a R$ 1.242 (-11%). Já a eletricidade teve custo de R$ 107 por MWh, com preço de venda de R$ 266.

Para esta safra, a previsão do mercado é que a tonelada de cana gere um custo total entre R$ 87 e R$ 90 às usinas, que só devem receber cerca de R$ 70 com o mesmo volume da planta.

A falta de rentabilidade do açúcar se explica pelo excesso do produto no mercado global. Em junho, a cotação chegou a ser a menor em seis anos e meio na Bolsa de Nova York.

Reflexo imediato da safra –iniciada em abril– são as demissões. A Raízen, gigante do setor, demitiu em Barra Bonita, Jaú e Dois Córregos, segundo sindicatos de trabalhadores. Já a Usina Batatais, com unidades em Batatais e Lins, cortou mais de cem trabalhadores.

A previsão do setor é que cerca de dez usinas encerrem as atividades na atual safra. Desde 2008, foram 50 paralisações, de um total de cerca de 370.

Em Sertãozinho, aliás, a crise do setor atingiu em cheio as indústrias –foram cerca de 3.000 demissões desde 2014. A cidade tem 650 indústrias, das quais 90% produzem componentes usados em usinas, segundo o Ceise-BR (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis).

Com isso, a distribuição de cestas básicas pela prefeitura subiu 20%. No Triângulo Mineiro, os municípios também alegam aumento de gastos na assistência social. (Folha de São Paulo 13/07/2015)

 

Açúcar: Oferta menor

As cotações do açúcar demerara fecharam ontem no campo positivo pelo segundo pregão consecutivo na bolsa de Nova York.

Os lotes para março de 2016 encerraram a sessão em alta de 15 pontos, a 13,80 centavos de dólar por libra-peso.

Na sexta-feira, a consultoria Datagro cortou sua estimativa para a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora do mundo, para 30,7 milhões de toneladas.

A previsão anterior era de 32,2 milhões de toneladas.

Ainda assim, o forte avanço da colheita de cana-de-açúcar no Brasil na semana passada e sinais de enfraquecimento da demanda na Ásia contribuem para conter a pressão altista sobre a commodity.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 48,49, alta de 0,75%. (Valor Econômico 14/07/2015)

 

Grupo Virgolino de Oliveira vai à Justiça contra Copersucar

Maior acionista individual da Copersucar, com 11,05% de participação na companhia, o Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) deixou a comercializadora de açúcar e etanol, firmou um acordo para manter a exclusividade de entrega das commodities por dois anos, mas decidiu recorrer à Justiça para não cumpri-lo.

Fontes ligadas à operação relatam que, diante da crise enfrentada e pelo fato de não ter receita com as operações, já que recebera antecipadamente pelo açúcar e pelo etanol contratado, o GVO ingressou com um pedido de liminar para não entregar os produtos à Copersucar.

Na prática, o GVO pretende “desbloquear” esses produtos, vendê-los a outros clientes e renegociar a dívida que possui com a Copersucar pela antecipação de receita. Caso não consiga a liminar para destravar uma receita futura com a venda do açúcar e do etanol, o GVO avaliaria até mesmo um pedido de recuperação judicial, informou uma fonte.

Uma das acionistas do GVO, Carmen Ruete, confirmou que a companhia deixou a Copersucar, mas afirmou que a operação ocorreu “numa boa, sem problemas”. Carmen e a família foram afastadas do comando do GVO e o executivo Joamir Alves assumiu a presidência da companhia sucroenergética em janeiro com a missão principal de equacionar um passivo estimado em R$ 3 bilhões.

Criada em 2008 a partir de uma cooperativa de usinas, a Copersucar comercializa com exclusividade açúcar e etanol de suas associadas, com 42 usinas, além de operar para outras companhias do setor. Na safra 2014/2015, a empresa teve prejuízo de R$ 10,9 milhões. Procurada a Copersucar não retornou. (O Estado de São Paulo 13/07/2015)

 

A dura crise como rotina em Sertãozinho

Efeitos da recessão pela qual passa o setor sucroalcooleiro foram devastadores para a cidade.

Os efeitos da crise econômica nacional foram especialmente perversos em Sertãozinho.

A cidade, que já foi referência nacional na geração de empregos e que ostenta o título de “capital do açúcar e do álcool”, sofre com a recessão que atingiu o setor sucroenergético e que arrastou consigo a forte indústria metalúrgica instalada na cidade, especializada na fabricação e manutenção de equipamentos para essa mesma indústria.

De quebra, os setores de comércio e serviços também foram afetados, em efeitos que ultrapassam fronteiras municipais.

A dependência da economia local em relação à cadeia produtiva da cana é brutal. De acordo com dados da Secretaria Municipal da Indústria e Comércio relativos ao início do ano, das cerca de 44 mil carteiras assinadas existentes na cidade, 20 mil estão ligadas ao setor sucroenergético, responsável por 70% do PIB (Produto Interno Bruto) local.

A crise do açúcar e álcool provocou efeitos devastadores na indústria local, fortemente dependente das usinas: com um índice de ociosidade industrial de 60%, teve início um processo maciço de demissões, que ainda não parou. Sem clientes, comércio e serviços também foram afetados. Em janeiro, um protesto com representantes de todas as áreas afetadas juntou cerca de 9 mil pessoas nas ruas para protestar contra a crise.

O impacto da crise do álcool e açúcar no município está retratado no boletim de junho da Fundace (Fundação para a Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Economia e Contabilidade), relativo ao mercado de trabalho.

O documento mostra que, entre maio deste ano e o do ano passado, o município perdeu 3.516 postos de trabalho, dos quais 2.390 só na indústria. Com cerca de 120 mil habitantes, os números do desemprego em Sertãozinho ultrapassam os de Ribeirão Preto (3.292), cuja população é cinco vezes maior.

“A situação ainda está bastante ruim, sobretudo por causa da dependência da indústria em relação ao setor do açúcar e álcool. Não temos nenhum contrato, nenhum novo projeto”, disse o diretor-técnico do Ceise-BR (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis), Paulo Gallo. “O que ameniza essa situação é a existência de alguns contratos para prestação de serviços, relacionados com manutenção, mas são paliativos”, completou.

Ainda na cana

E da mesma forma como a origem da crise em Sertãozinho originou-se na que se abateu sobre a indústria do álcool e da cana, a solução também deverá vir daí. Segundo Paulo Gallo, algumas medidas de incentivo do governo ao setor, como o aumento do percentual de anidro na gasolina (de 25% para 27,5%), são um bom começo. Mas ainda é preciso mais. “O problema é que o governo tem reações muito lentas”, afirmou.

Dependência e ‘pacto’

No dia 27 de janeiro deste ano, cerca de nove mil pessoas ocuparam as ruas de Sertãozinho para protestar contra a crise. Entre os participantes do Movimento pela Recuperação do Setor Sucroenergético estavam representantes da classe política, trabalhadores (empregados e desempregados), empresários, comerciantes e todos os que, direta ou indiretamente, foram afetados pelo efeito-cascata que se formou após a retração da cadeia produtiva da cana.

“Toda atividade econômica de Sertãozinho e região é alicerçada no setor metalúrgico e atrelada à retomada do setor sucroenergético. Com a crise, todas as categorias estão sofrendo as consequências. Não podemos ficar parados, esperando pelo pior”, disse na ocasião, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Sertãozinho (Sincomercio), José Carlos Canesin, em entrevista ao A Cidade.

Uma das consequências diretas do movimento de janeiro foi a criação de um “pacto social” – um conjunto de medidas destinadas a atenuar o impacto da onda de demissões no município. Entre elas, estava a venda de uma cesta básica de alimentos a preço de custo, garantia de manutenção de planos de saúde que os trabalhadores tinham quando estavam empregados, flexibilização para pagamento de dívidas de desempregados em estabelecimentos ligados à associação comercial, entre outras. Oficialmente, o pacto social continua em vigor.

A importância da cogeração de energia

A cogeração de energia elétrica pode se tornar uma das principais alternativa para Sertãozinho fugir da crise. O processo consiste na construção de usinas de biomassa para a geração de energia elétrica a partir do bagaço de cana.

“A cogeração de energia é a bola da vez, a saída em meio a uma crise hídrica séria. E as usinas que não cogeram sofrem mais com a crise que o setor enfrenta. Por isso a feira vai trazer alternativas para o segmento”, explicou Paulo Montabone, gerente geral da Fenasucro e Agrocana, uma das principais feiras nacionais do setor.

Este ano, o evento terá uma área especialmente voltada para a cogeração de energia elétrica. Uma frase de Paulo Montabone, durante a apresentação da Fenasucro, em abril, resume a importância da cogeração de energia elétrica para as usinas. “Hoje temos uma Itaipu e meia parada, podendo cogerar energia”. (A Cidade 13/07/2015)

 

Incertezas, apesar do consumo recorde de etanol

Depois de muitos anos relegado a segundo plano, o etanol volta a ganhar importância na matriz energética nacional. Prejudicado pela política de controle do preço da gasolina, que o tornava muito menos competitivo, o álcool hidratado reverteu a situação e registrou recorde de vendas em maio deste ano, alcançando 1,43 bilhão de litros no País, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Com isso, o consumo do etanol passou a representar cerca de 23% da demanda nacional de combustíveis por veículos flex, superando em muito os porcentuais de maio de 2014 (15,7%) e de 2013 (14,8%). Já o consumo de gasolina teve queda de 12% em maio em relação ao mesmo mês de 2014.

Essa evolução tem evidentes vantagens. Além de resultar em menor gasto pelo consumidor para encher o tanque do automóvel, o aumento do consumo de etanol reduz a necessidade de importação de gasolina e, com o uso mais intenso do bagaço de cana, pode ser gerada mais eletricidade. Tudo isso diminui a emissão de gases de efeito estufa.

A dúvida é se a alta do etanol é apenas conjuntural ou ajudará a criar ambiente favorável a novos investimentos no setor sucroalcooleiro, duramente prejudicado pela errática política do governo. Uma das medidas mais importantes tomadas neste ano para impulsionar as vendas de etanol foi o aumento de contribuições sobre a gasolina, como a Cide e o PIS/Cofins. Com a aceleração da inflação, empresários receiam de que o governo repita manobras recentes, como a de 2012, quando zerou a Cide sobre a gasolina.

São grandes as expectativas de aumento da demanda. Há pouco, a ANP apresentou uma projeção segundo a qual a produção nacional de etanol terá de crescer de 8% a 9% ao ano durante a próxima década para evitar um déficit de 200 mil a 600 mil barris por dia em 2024. Isso exigirá pesados investimentos num setor altamente endividado. Apesar da melhora nas vendas de etanol, prevê-se o fechamento de dez usinas no País este ano, embora três outras devam retomar a operação.

Os empresários não descartam a possibilidade de recuperação do setor nos próximos anos, com a renovação de canaviais e modernização das unidades de produção e refino, mas isso depende, em última análise, da confiança na manutenção, pelo governo, de uma política realista quanto ao preço dos combustíveis, contendo seu apetite por interferência nessa área. (O Estado de São Paulo 14/07/2015)

 

EUA: USDA reduz estimativa de estoque final em 2014/15

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu a sua estimativa de estoque doméstico de açúcar no fim do ano-safra 2014/15 para 1,729 milhão de toneladas curtas (1,57 milhões de toneladas) no relatório mensal de oferta e demanda de julho, ante o volume de 1,807 milhão de toneladas curtas (1,64 milhão de toneladas) estimado há um mês.

A estimativa de produção doméstica de açúcar em 2014/15 foi mantida em 8,560 milhões de toneladas curtas (7,77 milhões de toneladas). O USDA informou que 4,780 milhões de toneladas curtas (4,34 milhões de t) serão provenientes da beterraba e 3,780 milhões de toneladas curtas (3,43 milhões de t) da cana-de-açúcar. A previsão de importação foi reduzida de 3,522 milhões de toneladas curtas (3,20 milhões de toneladas) para 3,444 milhões de toneladas curtas (3,12 milhões de toneladas).

Para 2015/16, o USDA projetou safra de 8,765 milhões de bushels (7,95 milhões de toneladas), ante 8,720 milhões de toneladas curtas há um mês (7,91 milhões de t).

A previsão de estoque final norte-americano em 2015/16 foi aumentada para 1,648 milhão de toneladas curtas (1,50 milhão de toneladas), ante a previsão anterior de 1,533 milhão de toneladas curtas (1,39 milhão de toneladas). (Agência Estado 10/07/2015)

 

Usinas de açúcar e etanol ganham fôlego com redução de ICMS

A situação das usinas de açúcar e etanol do país só não é mais crítica na atual safra porque medidas como a redução da alíquota de ICMS em Minas Gerais estão dando um "fôlego" ao setor.

Desde março, o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) cobrado sobre o etanol baixou de 19% para 14%, o que tornou o combustível competitivo nos postos do Estado.

Pelo terceiro mês consecutivo, as vendas de álcool bateram recorde. Em março, foram comercializados 105,6 milhões de litros, ante os 52 milhões do mesmo mês de 2014.

Em abril, foram mais 140 milhões de litros (56,7 milhões no ano passado) e, em maio, 142,8 milhões, ante os 52,8 milhões do ano anterior, de acordo com a Siamig (entidade do setor em Minas Gerais).

"Imagine se Minas Gerais não tivesse feito isso? As medidas adotadas pelo menos ajudaram a evitar que a situação fosse ainda pior para o setor", disse o diretor-técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Antonio de Pádua Rodrigues.

Antes da medida, as vendas de etanol estavam estagnadas. Em fevereiro, foram vendidos 82,8 milhões de litros, ante 82,1 milhões do mesmo mês no ano passado. Em janeiro, foram 77,3 milhões de litros em 2015, enquanto em 2014 foram 70,3 milhões.

Para o pesquisador Haroldo Torres, do Pecege (Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas), da Esalq/USP, a desoneração do ICMS gerou ganho e liquidez ao setor, num momento em que as usinas passam por muitas dificuldades.

"Além do ICMS em Minas, a volta da Cide e o aumento da mistura do etanol na gasolina deram um fôlego ao mercado."

Para Pádua, há casos em que o litro do etanol chega a custar R$ 1,20 a menos que a gasolina em cidades mineiras.

"Essa combinação do diferencial de preços às vezes é mais importante. Muitos consumidores não medem a vantagem pela paridade entre os combustíveis, mas pelo preço nas bombas", disse.

O etanol é vantajoso ao consumidor se o preço do litro custar até 70% do valor da gasolina.

Segundo a Siamig, foram investidos R$ 400 mil numa campanha pregando o uso de etanol nos veículos, nos principais mercados consumidores de Minas Gerais. A entidade afirma, ainda, que há cinco anos o combustível não era competitivo em relação à gasolina. (Folha de São Paulo 13/07/2015)

 

Reativação da Cruangi anima produtores canavieiros

Unidade produzirá, inicialmente, apenas álcool. A previsão para a primeira safra é de 400 mil toneladas de cana-de-açúcar.

O vice-presidente da Asplan, Raimundo Nonato, participou na última sexta-feira (10), de uma reunião na sede da AABB, em Timbaúba, para debater o desenvolvimento socioeconômico que trará àquela região a reativação da usina Cruangi, que foi reaberta graças a um contrato de arrendamento feito pela Cooperativa da Associação dos Fornecedores de Cana de PE (Coaf). Políticos, produtores, associados da Coaf e autoridades participaram do encontro.

“A reativação de uma unidade industrial muda toda a realidade ao entorno da mesma, isto porque, de imediato, acontece a geração de empregos, a realização de novos negócios, enfim, abre-se o horizonte com a perspectiva de progresso e desenvolvimento, de forma que estou muito feliz em estar aqui hoje, representando a Asplan neste momento histórico”, disse Nonato, que na ocasião, a título de dar sua contribuição com a unidade prometeu destinar 1000 toneladas de cana para moagem em Carpina, apesar dos quase 70 km que separam a unidade de sua propriedade. “É uma forma singela de dar uma ajuda para que tudo dê certo”, disse Nonato que foi bastante aplaudido pela iniciativa.

Segundo declarações do engenheiro químico da Cruangi, Plácido Borba, para a Imprensa de Carpina, na recuperação do parque industrial da unidade devem ser investidos de R$ 3 a 5 milhões. A previsão de safra gira em torno de 400 mil toneladas. A reativação da unidade vai assegurar a reabertura de 150 postos de trabalho e a produção de 300 mil litros de álcool/dia. Quando tiver em plena atividade, o número de empregos na Cruangi deve chegar a 1.200. Nessa primeira safra, a usina não produzirá açúcar, somente álcool. (Brasil Agro 14/07/2015)

 

Etanol cai em 15 Estados e no DF, sobe em 8 e fica estável em três

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros caíram em 15 Estados e no Distrito Federal, subiram em 8 e ficaram estáveis no Amapá, Roraima e Tocantins na semana passada, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No período de um mês, os preços recuaram em 15 Estados, avançaram em 8 e não se alteraram em três e no Distrito Federal.

Em São Paulo, principal Estado consumidor, a cotação recuou 0,05% na semana, para R$ 1,944. No período de um mês, acumula queda de 1,57%. Na semana, o maior avanço das cotações foi registrado no Rio de Janeiro (0,76%), enquanto o maior recuo ocorreu em Goiás (1,60%). No mês, a maior queda foi também em Goiás, com recuo de 3,29%, e a maior alta ocorreu na Paraíba (1,58%).

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 1,599 o litro, no Estado de São Paulo, e o máximo foi de R$ 3,58 o litro, no Amazonas. Na média, o menor preço foi de R$ 1,944 o litro, em São Paulo. O maior preço médio foi verificado no Acre, de R$ 3,038 o litro.

Etanol x gasolina

Pela 15ª semana consecutiva, o etanol permaneceu competitivo em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo, segundo dados da ANP, compilados pelo AE-Taxas. Os Estados são ainda os maiores produtores de etanol do País. Nos demais e no Distrito Federal a gasolina permaneceu mais competitiva.

Segundo o levantamento, o etanol equivale a 62,76% do preço da gasolina em Goiás. Em Mato Grosso, a relação está em 60,10%; em Mato Grosso do Sul, 69,04%; em Minas Gerais, em 65,78%; no Paraná, em 66,39%; e em São Paulo, em 62,25%. A gasolina está mais vantajosa principalmente em Roraima, onde o etanol custa o equivalente a 85,31% do preço da gasolina - a relação é favorável ao biocombustível quando está abaixo de 70%.

O preço médio da gasolina em São Paulo está em R$ 3,123 o litro. Na média da ANP, o preço do etanol no Estado ficou em R$ 1,944 o litro. (Agência Estado 13/07/2015)

 

'Maré vai virar no preço do petróleo', diz analista da Shell

Wim Thomas, chefe de análise energética da multinacional, diz que Brasil tem vantagem no futuro por ser forte em várias fontes energéticas.

Para Wim Thomas, chefe da equipe de análise energética da Shell e membro do Conselho Mundial de Petróleo, o atual patamar dos preços de petróleo é insustentável e o cenário deve mudar.

"Com certeza no final deste ano devemos ver a maré virar para os preços de petróleo", diz. Em entrevista à Folha, ele afirma que nem a queda do petróleo nem a crise da Petrobras mudam os planos da Shell para o país –a empresa está no pré-sal, por meio do consórcio que explora o campo de Libra.

Segundo Thomas, o Brasil voltará a crescer e está numa posição "única no mundo", já que poderá escolher no futuro se desejará usar energia fóssil ou renovável.

Folha: O preço do barril de petróleo subiu um pouco nos últimos meses, mas ainda está longe do patamar anterior. As empresas terão de aprender a lidar com um novo cenário?

Wim Thomas: O problema começou com um excesso de oferta, acima do previsto. Mas com certeza no final deste ano devemos ver a maré virar para os preços de petróleo, porque os níveis atuais serão insustentáveis para trazer uma nova oferta significativa para o mercado. Falo da oferta fora da Opep e do mercado de xisto, com custos mais altos, e que precisa de preço maior.

O baixo preço do petróleo muda os planos da Shell para o Brasil?

Nosso horizonte de investimento no Brasil é de longo prazo e, quando falamos em águas profundas e pré-sal, estamos falando na próxima década. Nosso cenário mostra que o mundo precisará de mais recursos de petróleo e gás nos próximos 10 a 20 anos, especialmente as economias emergentes. E parte da solução será a produção do Brasil.

O uso em massa de energias alternativas ainda é uma questão de preço?

Altos preços ajudam a mudar de alguma forma. De outro lado, no momento, em muitos países, a geração de energia renovável está sendo movida puramente por regras e apoio governamentais, subsídios do governo etc. Será interessante ver como flutuações no preço do petróleo também acabarão por forçar essa indústria a ser mais eficiente em termos de custo e geração. E, no final, isso vai beneficiar a todos.

O mercado de etanol no Brasil, em que a Shell investe com a Cosan, vive altos e baixos. O que se pode esperar dele?

Quando o preço do petróleo se move, as pessoas pensam: bem, por que não devemos usar etanol? Isso é pensar numa lógica de forças competitivas normais. Mas muitos países têm exigências de mistura do etanol na gasolina, e esse volume é requerido independentemente do preço do petróleo. Isso já é um mercado para o etanol.

O mundo precisará de mais energia nas próximas décadas. Precisaremos de mais etanol e ele encontrará seu mercado no mundo. No Brasil, a maior parte da água consumida na produção de cana vem da chuva, é um cultivo mais sustentável. Esse é um dos motivos pelos quais a Shell investe aqui.

O momento econômico do Brasil mudou a estratégia da Shell para o país?

Nossa visão é que o Brasil tem as pessoas, os recursos, e o crescimento econômico virá novamente. Nos próximos 15 anos a demanda por energia do Brasil dobrará.

A grande interrogação é qual será a decisão de política energética do Brasil para o futuro. Vai exportar petróleo e gás e ficar com uma composição de oferta doméstica que seja metade fóssil e metade renovável? Ficar com ¾ de combustível fóssil até 2050? O Brasil está numa posição única, porque pode escolher o que deseja fazer.

E a Shell está bem posicionada para contribuir, seja qual for a decisão.

A Shell vai investir em novas áreas na 13ª rodada?

Olhamos para oportunidades em diversos países e as ranqueamos de acordo com atratividade econômica e aspectos técnicos. Se as áreas forem atrativas, olharemos para essa oportunidade com muita seriedade.

A Petrobras cortará investimentos. Como isso afeta o negócio da Shell no Brasil?

A maioria das empresas teve de recuar neste ano, por causa do preço do petróleo. Nosso principal projeto com a Petrobras ainda está em fase de exploração, são investimentos que vamos fazer de qualquer forma, para colher os resultados anos à frente. O que vemos mundialmente é que, quando uma companhia entra em crise, mas possui um corpo técnico de qualidade, emerge ainda mais forte. (Folha de São Paulo 14/07/2015)

 

A importância do setor sucroenergético para o mundo

Há alguns dias, foi publicado meu artigo “Retomada do setor sucroenergético em São Paulo”, o qual também enviei ao secretário estadual de Agricultura e Abastecimento e deputado federal Arnaldo Jardim. O texto detalha uma sugestão para o Estado de São Paulo acabar com a poluição provocada pelo consumo da gasolina, substituindo-a pelo nosso etanol.

Agora, após ler no site BrasilAgro sobre a discussão feita em audiência pública no dia 1 de julho, promovida pela Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC), quero chamar a atenção do governo federal pela importância do nosso etanol para o Brasil e para o mundo.

Segundo a notícia, a intenção do encontro foi aprofundar o debate sobre o papel do setor sucroenergético, a fim de subsidiar proposições a serem apresentadas pelo Brasil na 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 21), que ocorrerá no final de novembro, na França. A defesa foi feita na referida audiência pela Comissão, concluindo que “o etanol pode ser uma excelente saída para redução das emissões poluentes, assim como para a consolidação das matrizes energéticas limpas e renováveis no país”.

O professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Hilário Saldiva, um dos convidados do evento, argumentou: “Investir em combustíveis renováveis deveria ser uma ação de saúde pública”.Ele explicou que a poluição ambiental eleva os riscos de se contrair doenças e destacou que a poluição do ar mata, no mundo, cerca de sete milhões de pessoas anualmente, mais do que a malaria e a diarréia juntas. Ele defendeu também que “sendo o etanol um combustível que emite menos poluição, sua expansão resultaria diretamente em mais saúde para a população”.

Para o diretor geral da Agroícone, Rodrigo Lima, presente também na audiência, “o Brasil adotou, em 2010, compromissos voluntários de redução de emissão de gases nocivos, em uma proposta que incluía a ampliação do uso do etanol, porém não criou políticas de incentivo ao setor para fazer as metas de consumo de etanol serem alcançadas”. Ele lembrou “que em 2008 e 2009, o setor viveu seu auge e chegou a responder por 54% do consumo de combustível do país. Atualmente é responsável por pouco mais de 40% do mercado”.

O secretário da Política Agrícola do Ministério de Agricultura e Pecuária (MAPA), André Metoni Nassar, reconheceu que “o etanol é importante não apenas como fonte de oferta de energia, mas também para a redução de gás carbônico no país”.

O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) ressaltou também que “é preciso considerar novas áreas de expansão do plantio de cana-de-açúcar, principal matéria-prima do etanol no país”. Ele revelou que “na Amazônia há 24 milhões de hectares abertos com pastos que poderiam ser reduzidos em um terço sem prejuízo da produção pecuária para abrir espaço ao plantio de outras culturas sustentáveis, como a de cana-de-açúcar”.

O deputado federal Sergio Souza (PMDB-PR), integrante da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético e relator da comissão, acrescentou que “os parlamentares estão mobilizados na busca por políticas de investimentos e incentivos no setor, já reconhecido como sustentável e mitigador da emissão de gases de efeito estufa”.

Conforme se verifica pelos depoimentos das autoridades presentes à audiência, é preciso que o governo tome as providências necessárias para a retomada do setor sucroenergético, a fim de evitar mortes pela poluição dos combustíveis fósseis e melhorar sensivelmente o nosso meio ambiente, defendido também pelo Papa Francisco em sua Carta Encíclica “Laudato Si (Louvado Seja)”.

Para isto, insisto para que seja implantado o projeto que encontra-se arquivado no BNDES, elaborado em 2011 pelos especialistas da área de energia, no qual eles chegam à conclusão, a partir de ampla pesquisa de mercado, de que, se não construirmos mais 134 novas usinas, com capacidade de quatro milhões de toneladas de cana-de-açúcar cada uma, vai faltar açúcar e etanol em 2020/21.

Por outro lado, ainda no site Brasil Agro, é possível ler uma pesquisa do Ibope sobre, entre outras, a avaliação dos eleitores sobre o governo, por área. Tomo a liberdade de transcrever o resultado: combate à fome e à pobreza - desaprovam 68%; meio ambiente - desaprovam 63%; educação - desaprovam 74%; combate ao desemprego - desaprovam 83%; segurança pública - desaprovam 84%; saúde - desaprovam 86%; combate à inflação - desaprovam 86%; impostos - desaprovam 90%; taxa de juros - desaprovam 90%.

Diante deste resultado, eu pergunto: o que a presidente Dilma deve fazer para o bem do País? E respondo: em minha opinião, deve pedir desculpas ao povo e renunciar (Tarcisio Angelo Mascarim é secretário de Desenvolvimento Econômico de Piracicaba e diretor do SIMESPI)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Oferta menor: As cotações do açúcar demerara fecharam ontem no campo positivo pelo segundo pregão consecutivo na bolsa de Nova York. Os lotes para março de 2016 encerraram a sessão em alta de 15 pontos, a 13,80 centavos de dólar por libra-peso. Na sexta-feira, a consultoria Datagro cortou sua estimativa para a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora do mundo, para 30,7 milhões de toneladas. A previsão anterior era de 32,2 milhões de toneladas. Ainda assim, o forte avanço da colheita de cana-de-açúcar no Brasil na semana passada e sinais de enfraquecimento da demanda na Ásia contribuem para conter a pressão altista sobre a commodity. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 48,49, alta de 0,75%.

Café: Quarta alta seguida: O café arábica subiu ontem pelo quarto pregão seguido em Nova York, diante do maior otimismo com a situação da Grécia, questões cambiais no Brasil e influências climáticas na Ásia. Os papéis para setembro encerraram com ganhos de 255 pontos, a US$ 1,2880 por libra-peso. A desaceleração do movimento de alta do dólar sobre o real no fim da semana passada ajudou a sustentar o café, uma vez que o enfraquecimento da moeda brasileira desestimula as vendas pelos produtores do país por reduzir a rentabilidade das exportações. Do lado dos fundamentos, chuvas motivadas pelo El Niño no Vietnã e na Indonésia aumentaram o temor de que a produção local seja prejudicada. No mercado interno, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 440 e R$ 450, segundo o Escritório Carvalhaes.

Milho: Mais chuvas: O preço do milho permaneceu no maior nível em um ano em Chicago, ainda sob os efeitos do relatório divulgado na sexta-feira pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que reduziu as projeções para a oferta do grão em 2015/16. Os lotes com entrega em setembro fecharam ontem em alta de 6,25 centavos, a US$ 4,4075 por bushel. Previsões que indicam mais umidade no Meio-Oeste americano colaboraram para sustentar as cotações, já que as chuvas têm aumentado os temores em relação à qualidade das lavouras. Os fundos também ampliaram suas posições compradas de milho nos últimos dias, o que serve como fator adicional para a alta dos preços. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a saca de 60 quilos ficou em R$ 25,61, baixa de 1,65%.

Trigo: Estoques cheios: Os preços do trigo voltaram a recuar nas bolsas americanas ontem, pressionados pela previsão feita pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) de estoques globais recorde em 2015/16. Em Chicago, os lotes para setembro fecharam em ligeira baixa de 0,50 centavo, a US$ 5,7575 por bushel. Em Kansas, os papéis de mesmo vencimento recuaram 5,75 centavos, a US$ 5,6725 por bushel. Em relatório divulgado na sexta-feira, o USDA elevou suas projeções para o estoque mundial do trigo ao fim da atual temporada devido ao forte aumento do volume estocado na China, onde o uso da commodity na ração animal deverá diminuir em função da menor competitividade em relação ao milho. No Paraná, a saca do cereal ficou estável, em R$ 33,63, segundo o Deral / Seab. (Valor Econômico 14/07/2015)