Setor sucroenergético

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Valorização do dólar levou Tonon e Clealco a prejuízos

A alta de mais de 40% do dólar em relação ao real no período de doze meses encerrado em 31 de março gerou impactos negativos de R$ 800 milhões no balanço da Tonon Bioenergia e de R$ 252 milhões no do Grupo Clealco na safra 2014/15. Por conta do câmbio e da queda de produtividade dos canaviais, efeito da seca do ano passado, as duas empresas, que informaram seus resultados ontem, tiveram prejuízos líquidos maiores no ciclo.

No caso da Tonon Bioenergia, que tem 90% de seu endividamento atrelado à moeda americana, a variação cambial contribuiu para que a companhia, que tem três usinas de cana no Centro-Sul, registrasse prejuízo líquido de R$ 647,6 milhões no exercício encerrado no fim do primeiro trimestre. Na safra 2013/14, a perda havia sido de R$ 175,4 milhões.

A valorização do dólar entre março de 2014 e o mesmo mês deste ano trouxe também um "incômodo" adicional ao balanço da Tonon, além do prejuízo mais amargo. Em 31 de março, a empresa registrava um patrimônio líquido (PL) negativo de R$ 370 milhões. "O efeito do câmbio foi devastador e deixou o balanço horrível. Mas só haverá efeito no caixa em 2019 e 2020. Se não fosse o câmbio, o PL não teria sido negativo", afirmou ao Valor o presidente da empresa, Rodrigo Aguiar.

O principal executivo da Tonon, que tem como sócio o fundo de private equity FIP Terra Viva, gerido pela DGF Investimentos, garantiu que a situação de liquidez de curto prazo está equacionada após a renegociação anunciada nesta semana com os bondholders (detentores de bonds emitidos pela empresa) ­ que culminou na entrada de US$ 70 milhões em dinheiro novo e na "economia" de US$ 30 milhões por ano que não serão mais desembolsados para pagar os cupons semestrais das notas seniores de US$ 300 milhões que foram alvo da renegociação. "Afastamos o risco de refinanciamento no curto prazo", afirmou Aguiar.

Já no caso da Clealco, que possui três usinas no Estado de São Paulo e faturamento superior a R$ 1 bilhão, o dólar mais valorizado e a queda de produtividade agrícola decorrentes da seca foram decisivos para um prejuízo líquido de R$ 198 milhões no exercício 2014/15. Em 2013/14, a companhia havia registrado uma perda líquida de R$ 92 milhões.

Diante de resultados abaixo do esperado nos últimos três ciclos, os acionistas do grupo decidiram em maio trocar a diretoria e reter investimentos que, nos últimos três anos, acumularam R$ 750 milhões. No ano fiscal encerrado em 31 de março, a dívida bancária da empresa cresceu 33,5%, para R$ 1,135 bilhão.

Desde maio no grupo e egresso da área sucroalcooleira da multinacional americana Bunge, o novo diretor comercial e de novos negócios do Grupo Clealco, Gabriel Carvalho, informou que a empresa concluiu no fim do primeiro semestre do ano o alongamento por cinco anos de um montante de R$ 250 milhões em dívidas que venceriam no curto prazo.

Com isso, a dívida de curto prazo, que em 31 de março era de R$ 516 milhões, caiu pela metade. Mas o efeito, disse o executivo, só aparecerá no balanço do primeiro trimestre desta safra 2015/16 (abril, maio e junho). "Foi um voto de confiança dado pelos credores, em um momento em que o mercado financeiro está extremamente hostil com o setor".

Até 31 de março deste ano, a empresa tinha despesas financeiras anuais na casa de R$ 100 milhões, o equivalente a um custo anual inferior a 10%, uma vez que a dívida bruta está na casa de R$ 1,1 bilhão. (Valor Econômico 16/07/2015)

 

Açúcar: Pressão do câmbio

Um novo repique do dólar em relação ao real voltou a favorecer as vendas de açúcar demerara pelos produtores brasileiros, o que se refletiu diretamente nos preços da commodity em Nova York.

Os lotes para março de 2016 fecharam ontem com perdas de 14 pontos, a 13,75 centavos de dólar por libra-peso.

A sinalização dada por Janet Yellen, presidente do Fed (o banco central dos EUA), de que o país elevará as taxas de juros ainda este ano contribuiu para mais uma alta do dólar.

O Brasil é o maior fornecedor mundial de açúcar e a valorização da moeda americana estimula as vendas pelos produtores do país porque eleva a rentabilidade das exportações.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 48,48, ligeira baixa de 0,08%. (Valor Econômico 16/07/2015)

 

Emissões de CRAs quintuplicam e atingem quase R$ 2 bilhões

As captações via Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) alcançaram aproximadamente R$ 2 bilhões no primeiro semestre deste ano, montante cinco vezes maior na comparação com os R$ 419 milhões emitidos em igual intervalo do ano passado. As informações foram divulgadas nesta terça-feira, 14, pela Cetip .

Considerando apenas o mês de junho, foram realizadas duas captações de R$ 675 milhões cada, sendo uma pela Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, e outra pela Suzano Papel e Celulose.

Já o estoque atingiu R$ 3,7 bilhões no fim do mês passado, aumento de 236% em relação ao mesmo período de 2014. O estoque é o volume que está na carteira de investidores, excluindo as aplicações já vencidas ou resgatadas. (Agência Estado 15/07/2015)

 

Carga tributária do etanol

A reportagem "Usinas têm alívio com ICMS menor do etanol em Minas" ("Mercado", 14/7) esquece-se completamente de mencionar que o Estado de São Paulo é o maior promotor histórico do setor sucroalcooleiro.

Ao tratar a redução do ICMS em Minas Gerais como principal fator para alívio nas usinas no país, a reportagem deixa de informar que, em São Paulo, desde 2003, o governador Geraldo Alckmin baixou o imposto para 12%, o menor do país e dois pontos percentuais abaixo do que o cobrado atualmente em Minas. São Paulo é o maior mercado consumidor do Brasil e o maior produtor de etanol do país em iniciativas que hoje garantem a sobrevivência do setor em todo o país. (Folha de São Paulo 16/07/2015)

 

Uso de etanol reduziu mais de 300 milhões de toneladas de CO2

A utilização do etanol, seja na mistura com a gasolina (anidro), ou no seu uso autônomo como combustível nos veículos Flex (hidratado), evitou nos últimos 12 anos (de março de 2003 a maio de 2015) a emissão de mais de 300 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Para atingir essa mesma redução com o cultivo de árvores, seria preciso plantar e manter ao longo de 20 anos mais de 2,1 bilhões de plantas nativas. Isso de acordo com o Carbonômetro, ferramenta criada pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) para acompanhar a quantidade de poluente que deixou de ser emitida com o uso do etanol nos veículos Flex.

Hospedado no site ‘Etanol Verde’, o Carbonômetro indica que o elevado potencial do biocombustível de cana ajudou o País a mitigar mais CO2 do que a soma das emissões anuais da Argentina (190 milhões de toneladas), Peru (53,1 milhões de toneladas), Equador (35,7 milhões de toneladas), Uruguai (7,8 milhões de toneladas) e Paraguai (5,3 milhões de toneladas).

Para o consultor em Emissões e Tecnologia da UNICA, Alfred Szwarc, o resultado mostra que o etanol de cana produzido no Brasil é uma das alternativas energéticas mais limpas disponíveis comercialmente no mundo.

“A redução é bastante expressiva. Os dados são da mesma ordem de grandeza que a emissão anual de CO2 da Polônia (317 milhões de toneladas), país considerado um dos grandes emissores mundiais de gases causadores do efeito estufa”, destaca Szwarc.

O consultor lembra que, apesar dos seus benefícios, a promoção global do etanol ainda é limitada e precisa de mais incentivos, principalmente na Europa.

“O biocombustível brasileiro continua sendo objeto de barreiras tarifárias em diversos países, principalmente na União Européia. É incompreensível que isso ocorra no momento em que o mundo busca por soluções ambientalmente sustentáveis e o etanol poderia ser utilizado em maior escala. Enquanto isso, os combustíveis fósseis, altamente poluentes, não enfrentam nenhuma limitação para a sua comercialização e uso”, enfatiza o consultor da UNICA.

Lançada em março de 2003, a tecnologia Flex Fuel permite ao consumidor escolher, toda vez que for abastecer seu veículo, qual o combustível mais vantajoso, o etanol ou a gasolina. Antes disso, os donos dos carros só podiam fazer esta escolha no momento da compra do automóvel.

“Como a redução na emissão de CO2 que o etanol proporciona em todo o seu ciclo de vida, da produção até sua utilização, é de cerca de 90% em comparação com a emissão da gasolina, esse deve ser um dos principais critérios de escolha na hora de abastecer o veículo Flex”, conclui o representante da UNICA. (Reuters 15/07/2015)

 

Unica passa a integrar organização global para biocombustíveis

Os integrantes da GRFA representam cerca de 90% da produção global.

Organização visa a estimular o uso de biocombustíveis no mundo.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) informou nesta quarta-feira (15) que passa a fazer parte da Aliança Global de Combustíveis Renováveis (GRFA, na sigla em inglês), organização que visa a estimular o uso de biocombustíveis no mundo.

"Estamos ansiosos para trabalhar com os membros de mais de 44 países produtores de biocombustíveis para promover coletivamente a ampliação do uso de combustíveis renováveis, além de defender a necessidade de uma política pública sólida para esse setor", afirmou, em nota, a presidente da Unica, Elizabeth Farina.

Os integrantes da GRFA representam cerca de 90% da produção global de biocombustíveis, com a participação de 45 países. (Agência Estado 15/07/2015)

 

Setor sucroenergético pede eficiência maior para etanol hidratado

O setor sucroenergético retoma as conversas com o governo para buscar espaço ao etanol no mercado brasileiro. Como o Broadcast havia adiantado em junho, o setor preparava uma pauta de discussão e essas demandas foram apresentadas nesta terça-feira, (14/7), em encontro com o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro.

Lideranças do segmento defenderam que a paridade entre etanol hidratado e gasolina em carros flex seja superior aos atuais 70% e que a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) incidente sobre a gasolina seja elevada para algo próximo a R$ 0,60 por litro. Os assuntos tratados foram relatados à reportagem pelo vice-presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, Renato Cunha, que participou do encontro.

A reunião ocorreu em Brasília. Começou às 18h30 e foi até quase as 21 horas. Além de Monteiro e de Cunha, estiveram presentes integrantes da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Sucroenergético, liderada pelo deputado Sérgio Souza (PMDB/PR).

Conforme Cunha, a alteração na paridade entre hidratado e gasolina passaria pelo aperfeiçoamento do Inovar-Auto, programa do MDIC voltado a pesquisas em torno da competitividade do setor automotivo. Segundo ele, em outros países o etanol chega a ter eficiência energética de até 80% do combustível fóssil. Quanto à Cide, Cunha afirmou que é preciso "sair da improvisação e entender as regras".

"Temos de chegar a um planejamento de correção da Cide. Para nós, o valor que deveria ser corrigido é de R$ 0,60 por litro, mas hoje está em R$ 0,22 por litro", comentou ele, que também preside o sindicato das indústrias sucroalcooleiras de Pernambuco, o Sindaçúcar-PE.

O encontro ontem em Brasília também tratou dos compromissos que o Brasil deve assumir na Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, a COP-21, a ser realizada em Paris no fim do ano. Nesse contexto, o etanol, como combustível renovável, teria papel de destaque, disse Cunha.

Discutiu-se ainda o papel do Conselho Interministerial de Açúcar e Álcool (Cima), que, na avaliação da liderança, precisa ser "revigorado" e ter maior participação nas decisões envolvendo o setor sucroenergético. Partiu do Cima, por exemplo, a efetivação do aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 25% para 27%, anunciado em março.

"O setor precisa de regras, não queremos benesses. Somos uma alternativa ambientalmente correta e viável para o consumidor que tem carros flex", concluiu. (Agência Estado 15/07/2015).

 

Expansão na área de defensivos

A multinacional alemã Basf, uma das maiores empresas que atuam no segmento de agroquímicos no país, está otimista com o crescimento de suas operações de "barter" com produtores rurais no país. A expectativa da companhia é que essa modalidade de negociação responda por entre 30% e 35% de seu faturamento com as vendas de defensivos este ano.

"Esse percentual ficou um pouco abaixo de 30% nos últimos anos, mas o 'barter' vem em processo de consolidação", afirmou ao Valor Francisco Verza, vice-presidente da unidade de proteção de cultivos da Basf no Brasil.

Conforme o executivo, o atual cenário de variações no câmbio e nos preços das commodities, juntamente com uma concessão de crédito mais rígida e a juros mais elevados, reforça a insegurança no setor. Por outro lado, aumenta a importância do "barter", uma vez que a operação ajuda a "isolar" os efeitos negativos desses fatores. "E continuamos estendendo a possibilidade de 'barter' para outros produtos, como café, açúcar, etanol e algodão, sempre com a intermediação de uma trading", contou.

Verza explica que essas operações tendem a seguir concentradas em regiões de Cerrado, em Estados do Centro-Oeste e também no Matopiba (região de confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) ­ esta última ainda com muitas áreas novas de plantio, onde a rentabilidade corre mais risco. Na safra 2007/08, o "barter" representou 13% das vendas totais de defensivos agrícolas no país; em 2013/14, a fatia caiu para 4%. (Valor Econômico 16/07/2015)

 

Commodities : Áreas agrícolas crescerão 1,5% ao ano

A área destinada às principais culturas agrícolas brasileiras deverá crescer a uma taxa média de 1,5% ao ano nos próximos dez anos, com destaque para cana-de-açúcar, e os preços devem permanecer relativamente estáveis, estimaram a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). (Reuters 15/07/2015)

 

Sem BNDES, obras terão de atrair recurso do mercado

Projetos que saíram do papel neste ano foram financiados por títulos.

Com recursos cada vez mais escassos do BNDES, os poucos projetos de infraestrutura que saíram do papel neste ano foram financiados por meio da venda de títulos a fundos de pensão, investidores individuais e estrangeiros do mercado de capitais, como ocorre no mundo todo.

São investidores que, no Brasil, aplicam praticamente sem risco na dívida do governo, com juros que passam de 14% ao ano, e que exigem retorno acima disso para encarar o risco de atrasos nas obras, licenças ambientais que não saem, além de problemas de engenharia e de execução de várias naturezas.

Para viabilizar esses financiamentos, o governo desistiu de "tabelar" o lucro dos empreendimentos e aceitou elevar a rentabilidade das concessões. Também deu isenção fiscal para os investidores pessoa física e estrangeiros que aplicarem em títulos de dívida associados a obras de infraestrutura, as debêntures incentivadas.

Um desses projetos financiados pelo mercado de capitais foi a dragagem do canal Piaçaguera, em Cubatão (SP), que dá acesso aos portos privados da Usiminas e da VLI (Valor da Logística Integrada), empresa controlada pela Vale, a canadense Brookfield, a japonesa Mitsui e o fundo FI-FGTS.

Orçada em cerca de R$ 650 milhões, a dragagem permitirá a entrada de navios de grande porte nos dois portos. A Usiminas decidiu pagar sua parte com recursos próprios. Já a VLI desenvolveu uma engenharia financeira para fazer as tarifas que serão pagas pelos navios que passarem pelo canal, daqui dois anos, bancarem sua parte na obra.

O financiamento foi feito por meio da captação, em março, de R$ 320,9 milhões em debêntures incentivadas emitidas pela Salus, uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) criada para desenvolver o projeto.

Ao todo, as debêntures incentivadas já captaram R$ 11,2 bilhões desde quando foram criadas, em 2011.

A dragagem é uma parte pequena do projeto de mais de R$ 2,2 bilhões da VLI para seu porto privado no litoral paulista, que será financiado por um mix de emissão de dívida, empréstimo no BNDES, e de recursos dos acionistas.

A expectativa é elevar a capacidade de escoamento de 2,6 milhões para 14,7 milhões de toneladas por ano de produtos como enxofre, fertilizantes, amônia, rocha asfáltica, grãos e açúcar.

ISENÇÃO FISCAL

Pela debênture da Salus, o investidor pessoa física receberá o equivalente ao que ganharia se aplicasse no título do governo Tesouro IPCA (antiga NTN-B) com vencimento em 2022 mais um prêmio de 0,5 ponto percentual, líquido de IR –algo como 15,46% neste ano (113% do CDI).

O investidor institucional, caso dos fundos de pensão e de investimento, no entanto, receberá menos porque tem IR de 15% –cerca de 13,14% líquido em 2015, taxa não muito acima do que têm acesso comprando título público.

Para equilibrar a conta, a Anbima (associação do mercado de capitais) pleiteia que o governo estenda a isenção fiscal também para os institucionais, que têm capacidade maior do que a pessoa física para financiar o setor. (Folha de São Paulo 16/07/2015)

 

PE: Usinas de cana voltam a moer com arrendamento

Em meio à crise do setor sucroalcooleiro no Sudeste, com o fechamento de usinas e demissão de trabalhadores, Pernambuco contabiliza a reativação de dois parques industriais nesta safra 2015/2016. Uma delas é a usina Cruangi, localizada em Timbaúba, na Zona da Mata Norte, cuja produção foi suspensa em 2012. A unidade deverá retomar as atividades através de um contrato de arrendamento entre os proprietários e a Cooperativa do Agronegócio dos Fornecedores de Cana (Coaf). A Usina Pedrosa, do grupo Farias, inativa desde 2013, foi arrendada pela família Carneiro Leão e vai moer neste ano, com a expectativa de criação de 3 mil empregos na região da Mata Sul.

O modelo de cooperativismo adotado pela Cruangi é o mesmo da usina Pumaty na safra 2014/2015, quando foram investidos R$ 10 milhões pelos fornecedores de canacooperados e produzidos 50 milhões de álcool hidratado, gerando o crédito de R$ 7 milhões de ICMS aos cofres do estado. À frente das negociações com a Cruangi, o presidente da Associação de Fornecedores de Cana de Pernambuco (ACF), Alexandre de Andrade Lima, disse que o contrato de arrendamento foi assinado e a usina se encontra em "apontamento", preparando-se para a moagem, prevista para setembro.

A Cruangi está em processo de recuperação judicial. Quando paralisou as atividades, a usina tinha uma dívida de cerca de R$ 8 milhões só com os fornecedores de cana. Sem contar com o passivo trabalhista. Por isso, dependerá de autorização da Justiça para retomar as atividades. O investimento inicial foi de R$ 3,5 milhões para reativar o parque industrial.

O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar), Renato Cunha, confirma que o modelo usado para reativar a Usina Pedrosa, localizada em Cortês, será o arrendamento mercantil entre os grupos Farias e Gerson Carneiro Leão. Neste caso a usina suspendeu as atividades por estratégia de negócios do Grupo Farias. A expectativa para a safra 2015/2016 é de serem esmagadas 350 mil toneladas de cana. Segundo Cunha, o setor enfrenta dificuldades devido à baixa remuneração do etanol e do preço em queda do açúcar. (Diário de Pernambuco 14/07/2015)

 

Cinco países compram 53% de produtos do agronegócio brasileiro em junho

Embarques para China, EUA, Países Baixos, Alemanha e Rússia somaram US$ 4,82 bilhões no mês passado.

China, Estados Unidos, Países Baixos, Alemanha e Rússia foram os principais países importadores de produtos brasileiros do agronegócio em junho deste ano. No total, as compras desses cinco países somaram US$ 4,82 bilhões e representaram quase 53% das importações. Entre os setores que mais se destacaram no mês passado, estão o complexo soja, carnes, café, produtos florestais e fumo.

De acordo com dados do Sistema de Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro (AgroStat), a China ficou na primeira posição nas importações de junho, com US$ 3,29 bilhões. Em seguida, aparecem Estados Unidos, com US$ 540,26 milhões, e Países Baixos, com US$ 520,74 milhões. Na quarta posição está a Alemanha, com US$ 235,67 milhões, e na quinta, a Rússia, com US$ 231,25 milhões.

China

As maiores importações chinesas foram do complexo soja, com US$ 2,95 bilhões: US$ 2,94 bilhões de soja em grãos e US$ 16,83 milhões de óleo de soja. Em seguida, aparecem os produtos florestais, com US$ 144,90 milhões: US$ 129,02 milhões de celulose, US$ 10,36 milhões de papel e US$ 5,53 milhões de madeira.

O setor de carnes foi o terceiro mais importado pela China, com US$ 84,11 milhões: US$ 63,70 milhões de carne de frango, US$ 20,12 milhões de carne bovina e 288,38 mil de carne suína.

EUA

Os produtos florestais foram os principais produtos importados pelos EUA em junho deste ano, com US$ 215,66 milhões. No setor, a celulose teve destaque e atingiu US$ 99,69 milhões, seguida pela madeira, com US$ 92,16 milhões, e pelo papel, com US$ 23,80 milhões. O café ficou na segunda posição, com US$ 87,30 milhões, e em terceiro, o fumo e seus produtos, com US$ 41,63 milhões..

Assim como a China, também nos Países Baixos o destaque foi o complexo soja, com importações de US$ 255,21 milhões. Nesse conjunto, o principal produto foi a soja em grãos, com US$ 128,10 milhões. Em segundo ficou o farelo de soja, com US$ 127,03 milhões e o óleo de soja, com US$ 84,48 mil.

Em seguida, ficaram os produtos florestais, com US$ 88,83 milhões: US$ 86,16 milhões de celulose e US$ 2,67 milhões de madeira. Os sucos ocuparam a terceira posição nas importações dos Países Baixos de produtos brasileiros do agronegócio no mês de junho: US$ 73,77 milhões. Deste valor, US$ 72,49 milhões foram de suco de laranja, e US$ 1,28 milhão foi de sucos de outras frutas.

Alemanha

O destaque das importações da Alemanha em junho também foi o complexo soja, com US$ 103,69 milhões. O farelo de soja foi o principal produto importado, com US$ 74,53 milhões, seguido da soja em grãos, com US$ 29,17 milhões.

Em seguida aparece o café, com US$ 76,29 milhões: US$ 75,53 milhões de café verde e café torrado e US$ 758,27 mil de extrato e sucedâneos de café.

As carnes foram o terceiro item importado pela Alemanha, com US$ 13,52 milhões. O destaque foi da carne de frango, com US$ 6,95 milhões, seguida da carne bovina, com US$ 4,02 milhões, e da carne de peru, com US$ 2,16 milhões.

Rússia

Ainda segundo os dados do AgroStat, as carnes também foram o principal item importado pela Rússia em junho, com US$ 159,47 milhões. O destaque foi a carne suína, com US$ 72,28 milhões, seguida da carne bovina, com US$ 70,16 milhões.

A carne de frango brasileiro ocupou o terceiro lugar nas importações russas em junho, com US$ 16,30 milhões, seguida da carne de peru, com US$ 427,60 mil.

O complexo sucroalcooleiro brasileiro foi o segundo a se destacar nas importações da Rússia no mês de junho, com US$ 26,70 milhões. Em terceiro ficou o fumo e seus produtos, com US$ 18,42 milhões (Mapa, 15/7/15

 

Gargalo na importação de fertilizantes ameaça vendas no Brasil

As importações brasileiras de fertilizantes, atrasadas neste ano devido ao cenário de custos mais elevados, deverão enfrentar um gargalo logístico nos portos neste semestre, ameaçando a entrega aos agricultores que deixaram para comprar o insumo pouco antes do plantio da safra de verão, em setembro.

A avaliação é da consultoria INTL FCStone, para quem a capacidade brasileira de importação de fertilizantes é insuficiente para atender a demanda pelo produto nos próximos meses, ainda que o consumo seja menor neste ano, em meio a juros mais elevados e desvalorização do real que encarece os produtos importados.

O Brasil, embora seja uma potência agrícola global, importa cerca de três quartos de sua necessidade anual de fertilizantes. No segundo semestre, os negócios tradicionalmente envolvem maiores volumes do que no primeiro.

A analista de fertilizantes da FCStone, Mony Belon, disse à Reuters ser "bem possível" que aqueles que deixaram para comprar o fertilizante na boca da safra, de última hora, fiquem sem receber o produto, por conta do atraso nas importações e dos problemas logísticos.

"Conforme está muito atrasada (a importação), mesmo prevendo redução da demanda, ela (a demanda) vai ser superior à capacidade de importação", disse Mony, lembrando que a venda de fertilizantes ao consumidor final recuou quase 10 por cento no primeiro semestre, ante o mesmo período de 2014.

A FCStone estima que as vendas de fertilizantes vão se recuperar neste segundo semestre ante o primeiro, mas ainda assim devem cair 5 por cento ante o recorde de mais de 32 milhões de toneladas de 2014.

A consultoria estima a necessidade de importação mensal de fertilizantes para julho, agosto e setembro entre 2,7 milhões e 3,3 milhões de toneladas, "já acima da capacidade portuária brasileira".

"Pode haver uma queda maior que os 5 por cento (projetados para o ano) em função do problema logístico", acrescentou a analista. Segundo ela, a eventual falta do produto para abastecer os agricultores pode intensificar a redução esperada da demanda.

Além do custo mais alto dos fertilizantes devido ao câmbio, os preços dos produtos agrícolas não estão mostrando o mesmo brilho que elevou a rentabilidade dos agricultores nos últimos anos.

A analista ressaltou que a relação de troca entre adubo e importantes produtos, como soja e milho, está mais desfavorável ao agricultor neste ano.

No primeiro semestre de 2015, a relação de troca de fertilizante por soja ficou 36,8 por cento mais custosa para o agricultor do que no ano passado. Para o milho, a alta foi de 21,9 por cento.

A consultora lembrou que desde o início do ano as importações estão mais lentas, já que o setor iniciou o ano com estoques mais elevados e também por atrasos nas compras de agricultores menos capitalizados.

"Os distribuidores com estoques altos acabaram não importando mais produtos com uma folga maior de tempo... e como tem deficiência de armazenagem não importaram com antecedência em momento de menor demanda", disse.

CLIMA

O clima chuvoso também está afetando as operações em Paranaguá (PR), principal porto de desembarque de fertilizantes no Brasil.

"Os dados de 'line up' (de navios) de fertilizantes da semana anterior mostraram um forte aumento no tempo de espera nos portos, e as condições climáticas desfavoráveis têm feito a atividade de desembarque ser paralisada frequentemente", disse a FCStone.

Segundo a analista, há em Paranaguá mais de 1 milhão de toneladas de fertilizantes em espera para o desembarque, após dias de desembarques suspensos diante das chuvas intensas.

E a perspectiva é de que a região siga apresentando volume de chuvas acima da média este ano, o que pode gerar novas paralisações, acrescentou Mony. (Reuters 15/07/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Pressão do câmbio: Um novo repique do dólar em relação ao real voltou a favorecer as vendas de açúcar demerara pelos produtores brasileiros, o que se refletiu diretamente nos preços da commodity em Nova York. Os lotes para março de 2016 fecharam ontem com perdas de 14 pontos, a 13,75 centavos de dólar por libra-peso. A sinalização dada por Janet Yellen, presidente do Fed (o banco central dos EUA), de que o país elevará as taxas de juros ainda este ano contribuiu para mais uma alta do dólar. O Brasil é o maior fornecedor mundial de açúcar e a valorização da moeda americana estimula as vendas pelos produtores do país porque eleva a rentabilidade das exportações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 48,48, ligeira baixa de 0,08%.

Cacau: Moagem em foco: Depois de subirem na terça-feira ao maior valor em dez meses, os preços do cacau perderam força na bolsa de Nova York ontem. Os lotes para setembro encerraram em baixa de US$ 17, a US$ 3.353 por tonelada. As atenções do mercado estão voltadas para os dados sobre a moagem da amêndoa nos EUA, que serão divulgados hoje. Na terça-feira, os números do processamento na Europa surpreenderam a indústria. De acordo com a Associação Européia de Cacau, a moagem de cacau no continente cresceu 0,6% no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período de 2014, para 309,68 mil toneladas. Ainda assim, no acumulado do ano, há queda de 0,6%. Em Ilhéus e Itabuna (BA), a arroba foi negociada à média de R$ 126, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Estoques chineses: O algodão devolveu ganhos ontem e registrou queda expressiva na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em dezembro fecharam em baixa de 126 pontos, cotados a 64,87 centavos de dólar por libra-peso ­ o menor valor desde 24 de junho. De acordo com analistas, os preços do algodão estão pressionados pela expectativa de que a China venda até o fim de agosto em torno de um milhão de toneladas da fibra que tem em seus estoques. A queda também é agravada pela desvalorização do petróleo, o que tende a reduzir os preços das fibras sintéticas, aumentando sua competitividade em relação ao algodão. No oeste da Bahia, a arroba da pluma foi negociada ontem a R$ 71,43, conforme a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Soja: Trégua do clima: Os efeitos do dólar mais forte e de notícias climáticas favoráveis nos Estados Unidos mantiveram os preços da soja no campo negativo ontem. Os contratos com vencimento em setembro fecharam em queda de 17,25 centavos de dólar, a US$ 10,1625 por bushel. O dólar em alta ante outras moedas pesa sobre a soja porque torna menos competitiva a compra da oleaginosa por estrangeiros. Além disso, depois de semanas de excesso de chuvas, que prejudicaram os trabalhos de campo e aumentaram as preocupações com a qualidade das lavouras, o Meio-Oeste americano enfrenta agora um cenário de clima mais seco. No Paraná, a saca de 60 quilos ficou em R$ 62,58 ontem, queda de 0,92%, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab). (Valor Econômico 16/07/2015)