Setor sucroenergético

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Potash pode ter mais do que 9,5% do capital da Heringer Fertilizantes

Será que a Potash Corporation vai se contentar em ter apenas 9,5% da Heringer Fertilizantes, dona de quase um quinto do mercado nacional?

Certamente, não, pensam os próprios executivos da companhia.

Internamente, o que se diz é que os norte-americanos já negociam com o empresário Dalton Heringer a compra de uma participação adicional.

Já há quem vislumbre uma transferência do controle diferida no tempo. (Jornal Relatório Reservado 17/07/2015)

 

Açúcar: Efeito cambial

A oscilação do dólar ante uma cesta de divisas durante todo do dia fez os investidores de açúcar demerara ignorarem importantes previsões sobre a safra mundial.

Com isso, os papéis mais negociados da commodity terminaram em baixa. Os contratos para março de 2016 recuaram 13 pontos, a 13,62 centavos de dólar por libra-peso.

A moeda americana testou baixas e altas fortes diante do discurso do presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi sobre a Grécia.

O receio nos mercados financeiros encobriu os dados da Czarnikow, importante trading inglesa, que divulgou hoje projeção de déficit no mercado global de açúcar de 1,7 milhão de toneladas.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal caiu 0,12%, para R$ 48,42 a saca. (Valor Econômico 17/07/2015)

 

Fitch rebaixa rating de crédito da Tonon Bioenergia

A agência de classificação de risco Fitch rebaixou os ratings de Probabilidade de Inadimplência do Emissor (IDRs) em moedas local e estrangeira da sucroalcooleira Tonon Bioenergia para “RD” de “C”.

Ao mesmo tempo, afirmou o rating “C/RR4” para as notas seniores sem garantia de US$ 300 milhões para 2020 e os bonds de US$ 230 milhões com garantia para 2024, emitidas para a subsidiária integral Tonon Luxembourg, os papéis sem garantia para 2020 foram transferidos para a Tonon Luxembourg.

O rebaixamento, conforme a Fitch, reflete a conclusão da oferta de troca de débitos de US$ 300 milhões dos bonds sem garantia para 2020, com aproximadamente 95% de adesão.

Conforme a Fitch, os ratings podem ser rebaixados para “D” se a companhia não conseguir arcar com seus compromissos de amortização e pagamentos de juros ou formalmente pedir recuperação judicial. (Valor Econômico 16/07/2015 às 17h: 58m)

 

Czarnikow prevê déficit global de açúcar de 1,7 milhão de t em 2015/16

A trading inglesa Czarnikow projeta que o ciclo 2015/16 de açúcar, que começa no mundo em 1º de outubro, será de um déficit de 1,7 milhão de toneladas, o que, se confirmado, será o primeiro déficit em cinco anos.

A produção de açúcar em 2015/16 foi projetada pela trading em 186 milhões de toneladas, sendo que a produção vinda de cana-de-açúcar tende a ser recorde, de 149,7 milhões de toneladas. Para o consumo mundial em 2016, a primeira estimativa da Czarnikow é de crescimento de 2%, para 186,7 milhões de toneladas. Para 2015, a projeção é de aumento de 2,2% em relação a 2014, para 183,1 milhões de toneladas.

Apesar do déficit, os estoques globais da commodity ainda serão elevados, de forma que a Czarnikow projeta um volume de 23,6 milhões de toneladas, os mesmo níveis do ciclo 2008/09. “Consequentemente, pode levar tempo para que os efeitos desse déficit sejam vistos no mercado”, avaliou a Czarnikow em nota.

A Czarnikow avaliou que a confirmação da previsão de produção de açúcar e, portanto, também de déficit global, vai depender altamente do processamento de cana no Centro-Sul do Brasil e do mix (destinação do caldo da cana para etanol e açúcar).

Para a região brasileira em 2015/16 (safra local) a Czarnikow projeta uma oferta de 615 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, mas uma moagem efetiva de 596 milhões de toneladas, caso o clima no restante da safra em curso continue em linha com as médias históricas.

Para o mix de produção no Centro-Sul, a estimativa da Czarnikow é de 44,5% do caldo da cana para açúcar, o que significa um volume produzido de 34 milhões de toneladas da commodity, um crescimento de 6,25% em relação aos 31,9 milhões de toneladas de 2014/15. (Valor Econômico 16/07/2015 às 18h: 22m)

 

Indústria açucareira : Setor fecha 11 mil postos de trabalho

A pesquisa socioeconômica Raio X da Alimentação, da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA Afins), registra uma redução de 11 mil postos de trabalho no setor de açúcar, no 1º trimestre de 2015.

O quadro de retração no emprego é o mesmo do ano passado, quando foram fechadas 30 mil vagas na indústria açucareira. (Brasil Econômico 17/07/2015)

 

Dilma dá calote e diz que não há dinheiro para produtores do NE e do RJ

Setor elege Dilma Rousseff como persona non grata e diz que fará protestos quando ela ou ministros de seu governo visitarem os estados produtores de cana-de-açúcar.

Passado um ano da sanção da lei federal 12.999, que autorizava o pagamento da subvenção para socorrer os produtores de cana do Nordeste e do Rio de Janeiro, prejudicados com a última seca, e depois de inúmeras reuniões em Brasília, o Governo Federal, durante uma reunião realizada nesta quarta-feira (15), à tarde, no Ministério da Fazenda com as principais entidades do setor, informou que não há formas de pagar o benefício em razão da crise econômica.
A decisão foi anunciada pelo secretário executivo do Ministério da Fazenda, Tarcísio Godói, aos dirigentes da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) e da Associação Norte Fluminense dos Produtores de Cana (Aflucan). As entidades, que representam 27 mil agricultores, sentiram-se traídas, já que o governo em todas as reuniões sempre deu esperanças para o início do pagamento.

“Esperamos por 12 meses o cumprimento da lei, participamos de várias reuniões, e agora, da forma mais descarada do mundo o Governo, simplesmente, anuncia que não vai mais pagar e por que não disse isso antes? Por que ficou enrolando? Por que a presidente assinou o decreto antes de sua eleição? Foi para nos fazer de bobos?”, questiona o presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), Murilo Paraíso. “É inadmissível aceitar que o governo não seja sensível com o sofrimento dos canavieiros do NE e do RJ que sofreram prejuízos com a seca na safra 2012/2013 e que tinham na subvenção uma forma de amenizar um pouco as perdas”, argumenta Murilo.

“Como não há dinheiro para pagar a subvenção, se a lei foi sancionada por Dilma e seus antigos ministros assinaram o decreto regulamentando a legislação. Houve até a publicação da fonte de recurso para o referido pagamento no Diário Oficial em 2014″, questionou, o presidente da Unida, Alexandre Andrade Lima, que estava na reunião com Godói. “A presidenta sancionou a lei da subvenção há quatro meses da eleição presidencial sem a garantia de cumpri-la, ludibriando os 27 mil canavieiros. Ela usou a classe e agora vira às costas”, disse Alexandre a Godói, ressaltando que a presidente pagou com traição ao povo que lhe deu a mão.

Vale salientar que o pagamento da subvenção, equivalente a R$ 12,00 por toneladas de cana fornecida à indústria, até o limite de 10 mil toneladas por produtor, não é uma esmola, mas é um direito consolidado na lei 12.999 e o governo tem a obrigação de cumpri-la. Por esta razão, segundo Alexandre, Dilma enfrentará manifestações do setor se aparecer em algum evento em regiões produtoras de cana do NE. “Dilma se tornou uma personagem não grata na nossa região”, frisou Alexandre para o secretário Godói. A Aflucan ratificou a posição da Unida e prometeu igual iniciativa contra os representantes do governo federal quando eles forem visitar regiões canavieiras do estado do Rio de Janeiro. (Brasil Agro 17/07/2015)

 

Cade derruba liminar que favorecia empresa de gás da Petrobrás

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) conseguiu derrubar na Justiça liminar impetrada pela White Martins, sócia da Petrobrás no consórcio Gemini, criada para atuar no mercado de gás natural liquefeito (GNL). A White Martins foi à Justiça, em junho, para barrar a decisão do órgão anti-truste, que, no dia 24 de abril, tinha determinado a proibição de forma preventiva (suspensão temporária) de tratamento vantajoso de preços no fornecimento de gás por parte da Petrobrás ao consórcio até que o colegiado desse um parecer final sobre o caso.

O processo, que corre em segredo de Justiça, não só suspendia a medida preventiva do Cade, como também barrava toda a investigação e revisão do ato de concentração do negócio, que tem sido conduzida ao longo dos últimos 8 anos. O Cade recorreu da decisão na semana passada, conforme antecipou o Estado, para fazer valer sua determinação para impedir práticas anti concorrenciais por parte dessas empresas.

O consórcio Gemini, criado em 2004, é forjado pela Petrobrás, com 40% do negócio, e White Martins Gases Industriais Ltda, com os 60% restantes. Juntas, criaram a Gás Local, que distribui gás natural a granel em estado liquefeito (GNL). No acordo, a Petrobrás fornece o gás natural, enquanto a White Martins liquefaz esse gás^e a Gás Local realiza a sua comercialização e distribuição. O fato de a estatal fornecera; matéria-prima a preços subsidiados ao consórcio, da qual é sócia que tomou-se motivo de vários questionamentos no Cade. O Estado apurou que o fornecimento da matéria-prima a preços subsidiados provocou perdas à estatal da ordem de R$ 340 milhões desde que a companhia çomeçou a operar.

É comum que decisões finais do Cade sejam motivos de processo na Justiça. O que chamou a atenção, neste caso, é que a empresa foi à Justiça ainda com o processo em andamento", disse Victor Rufmo, procurador-chefe do Cade.

Procurada, a White Martins informou que não comenta casos que estão em juízo. A Petrobrás também preferiu não se manifestar.

Caso excepcional. Para derrubar a liminar na Justiça - o caso foi parar no Tribunal Regional Federal da Ia Região do Distrito Federal -, o Cade entrou com tutela antecipada para que sua decisão fosse restabelecida. "Essa é uma medida que só o Poder Público pode adotar. Foi um recurso raro adotado pelo Cade, que considera essa situação excepcional, uma vez que essa prática anticoncorrencial é adotada em São Paulo, maior Estado (consumidor de gás) da federação", afirmou Rufmo.

O consórcio Gemini, que atua nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio e Distrito Federal não podería atuar em regiões servidas por gasodutos. Na prática, não era o que ocorria. Em 20 07, a Comgás (do grupo Cosan), que distribui gás canalizado em parte do Estado de São Paulo, entrou como parte interessada no processo.

A empresa entende que a estatal adota práticas anti-competitivas, uma vez que a Petrobrás estaria fornecendo gás natural ao consórcio a preços menores do que o oferecido às distribuidoras de gás nas regiões onde a empresa atua, além de prejudicar companhias fornecedoras de gás natural comprimido

Procurada, a Comgás informou, por meio de um comunicado, que "acredita nas instituições brasileiras e em sua capacidade de analisar, julgar e coibir práticas anti-concorrenciais". (O Estado de São Paulo 17/07/2015)

 

Demissão na indústria paulista é a maior para junho desde 2005

A indústria paulista demitiu 27,5 mil trabalhadores em junho e acumula saldo negativo de 62,5 mil cortes em 2015, informou nesta quinta-feira, 16, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O resultado de junho é o pior para o mês na série histórica da pesquisa, iniciada em 2005.

"Há anos, a indústria vem perdendo postos de trabalho, porém a violência da perda deste ano de 2015 surpreende", afirmou, em nota, o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini.

Nas estimativas de Francini, a indústria de transformação paulista deve encerrar 2015 com pelo menos 150 mil empregos a menos na comparação com 2014, quando já houve perda de cerca de 130 mil postos de trabalho.

Na comparação com junho de 2014, a indústria paulista chegou a junho deste ano com um saldo negativo de 191 mil empregos. "Estamos surpresos, perplexos e tristes com a redução que estamos sofrendo e não vemos o seu término. Não sentimos que o pé bateu no fundo do poço para, agora, tomarmos impulso para voltar a subir", diz o diretor.

Com as demissões em junho, o nível de emprego da indústria paulista caiu 1% ante maio, na série com ajuste sazonal. Na mesma base de comparação, o Índice de Nível de Emprego recuou 1,12% na série sem ajuste sazonal.

Já em relação a junho de 2014, o indicador teve uma queda de 7,29%. Dos 22 setores avaliados pela Fiesp, 18 demitiram em junho, três mantiveram o quadro de funcionários e somente um contratou.

Setores. A indústria de veículos automotores continua sendo um dos setores com o maior número de demissões.

Em junho, o setor desligou 4.691 funcionários.

"Na esteira, o segmento de máquinas e equipamentos também exibiu significativas baixas, com a demissão de 4.081 trabalhadores", informa a Fiesp.

Outro segmento que tem registrado demissões nos últimos meses, o setor de açúcar e álcool respondeu por 1.987 demissões em junho. (O Estado de São Paulo 17/07/2015)

 

Procuradoria abre investigação formal de Lula por tráfico de influência

Suspeita é de que a Odebrecht teria obtido vantagens com agentes públicos de outros países por meio do ex-presidente.

A Procuradoria da República no Distrito Federal abriu um procedimento investigatório criminal (PIC) para investigar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a construtora Odebrecht. A suspeita é de que a empreiteira teria obtido vantagens com agentes públicos de outros países por meio de influência do petista, que deixou o Palácio do Planalto no fim de 2010. Reportagem do jornal O Globo revelou recentemente que o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Alexandrino Alencar acompanhou Lula em uma viagem por Cuba, República Dominicana e Estados Unidos, em janeiro de 2013.

A empresa teria pagado as despesas do voo do ex-presidente, mesmo não sendo uma viagem de trabalho para a empreiteira. No documento do voo, está registrado como "passageiro principal: voo completamente sigiloso." A empreiteira é uma das investigadas na Operação Lava Jato.

De acordo com a Procuradoria, no último dia 8 uma ação preliminar de investigação foi convertida em um processo formal de investigação. Essa investigação preliminar havia sido revelada em maio pela revista Época. Agora, investigadores podem usar todos os instrumentos investigatórios - incluindo ações invasivas como busca e apreensão, quebra de sigilo, etc - para apurar suposta prática de tráfico de influência internacional cometida pelo ex-presidente em favor da Odebrecht.

A empreiteira é alvo de outras investigações em curso. No mês passado, o presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, foi preso na 14ª Fase da Lava Jato. Além de Marcelo, Alexandrino Alencar foi preso pela PF.

A investigação está a cargo do Ministério Público Federal e é conduzida pela procuradora Mirela Aguiar. A conversão de uma notícia de fato em uma ação equivalente a um inquérito ocorreu na semana passada. Contudo, como não há participação da Polícia Federal e do Judiciário, o procedimento não é chamado formalmente de inquérito pela Procuradoria.

O Instituto Lula informou por meio de sua assessoria que recebeu com surpresa a informação de abertura de Procedimento Investigatório Criminal contra o ex-presidente. A instituição informou que entregou na semana passada à procuradora Mirella de Aguiar todas as informações e documentos sobre as viagens do ex-presidente e as atividades relacionadas a elas e sugere que haveria pouco tempo para a análise dos documentos. O instituto afirma ainda que serão provadas a legalidade e a lisura de todas as suas atividades. (Agência Estado 16/07/2015)

 

ES: Grupo de funcionários da Destilaria Disa interdirta a BR-101

Manifestação começou por folta de 6h15, em Conceição da Barra. Funcionários protestam por causa de salários atrasados.

Um grupo de funcionários de uma usina de álcool interditou o quilômetro 40 da BR-101, em Conceição da Barra, no Norte do Espírito Santo. A manifestação começou por volta de 6h15 desta quinta-feira (16).

Os funcionários protestam por causa de salários atrasados na Destilaria Itaúnas (Disa). A Disa foi procurada, mas não atendeu as ligações do G1.

A Polícia Rodoviária Federal acompanha o prosteto e informou que até as 9h, o protesto não tinha previsão de liberação da rodovia federal.

Nesta quarta-feira (15), o mesmo grupo interditou o mesmo trecho das 17h às 21h. Um longo engarrafamento se formou na via. (G1 16/07/2015)

 

Shell prevê que recuperação de preços do petróleo levará alguns anos

A anglo-holandesa Shell prevê que os preços do petróleo se recuperem gradualmente ao longo dos próximos cinco anos, com um progresso lento devido ao persistente excesso de oferta mundial e ao crescimento mais lento da demanda chinesa.

A gigante de energia aposta que o petróleo suba para 90 dólares por barril apenas em 2020, um pressuposto fundamental em sua movimentação para comprar a rival britânica BG por 70 bilhões de dólares, um negócio que deverá ajudá-la a se transformar em um líder na produção dispendiosa de petróleo em águas profundas e no mercado de gás natural liquefeito (GNL).

"Nós não estamos apostando que haja uma recuperação do preço do petróleo de uma hora para outra. Vai levar vários anos, mas nós acreditamos que irá retornar", afirmou à Reuters Andy Brown, diretor internacional de "upstream" da Shell, que supervisiona a produção de petróleo e gás da empresa fora da América do Norte.

"Até o momento, nós, como outras empresas, teremos de nos certificar que ficaremos robustas", disse ele, referindo-se aos profundos cortes de gastos realizados pelas petroleiras nos últimos meses, diante da redução de quase pela metade dos preços do petróleo desde junho do último ano.

Em um prazo mais curto, a Shell espera que o petróleo tipo Brent tenha apenas uma modesta recuperação a partir de dos atuais 58 dólares por barril, atingindo média de 67 dólares por barril em 2016 e de 75 dólares por barril em 2017. (Reuters 16/07/2015)

 

Maior detrator do etanol no governo tem nome, cara e cargo no MME

Na manhã desta sexta-feira (17), uma assembléia geral de trabalhadores em greve da unidade de Sertãozinho (SP) da Dedini, maior indústria de base focada no setor sucroenergético do País, pode decidir o futuro da empresa. Negociações entre o Sindicato dos Metalúrgicos e a direção da empresa, feitas em Piracicaba e também no Tribunal Regional do Trabalho, em Campinas, não chegaram a nenhum resultado prático.

Os trabalhadores estão sem receber seus salários, a empresa não cumpre acordos homologados pela Justiça do Trabalho e a situação chegou ao limite, como admitem lideranças sindicais. O próximo passo será um confronto que pode deixar rastros ainda piores do que aqueles que estão levando ao caos todo o tecido social dos principais centros da indústria de base do país, Sertãozinho e Piracicaba.

Avaliação feita durante recente evento promovido na Esalq/USP por Alexandre Figliolino, do Banco Itau BBA, aponta que pelo menos 100 usinas estão na alça da mira daquelas que devem ingressar com pedidos de recuperação judicial ou, pior, simplesmente encerrar suas atividades, nos próximos meses.

A frase do ex-presidente Lula, de que “o pior ainda está por vir”, dita durante encontro político em Brasília no início desta semana, se encaixa muito bem naquilo que se assiste na cadeia produtiva sucroenergética. O assunto não é novo e foi apontado no final de 2007 por nós, do Brasil Agro, durante evento promovido em Brasília.

Em 2008 a situação se agravou com a eclosão da crise financeira imobiliária nos EUA e de lá para cá, as lideranças do setor não conseguiram enfrentar com competência os desmandos e os ‘malfeitos’ deste governo petista que quebrou o País e que envergonhará as nossas próximas gerações, tamanho é o prejuízo imposto pela corrupção e pela falta de gestão.

Neste momento em que se abrem as entranhas do poder, com ações como as do juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná, do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e agora também do Ministro Teori Zavascki do Supremo Tribunal Federal, para apontar e desnudar aqueles que são os autores destes desmandos todos, cabe uma reflexão para se saber quem são os responsáveis pela quebra da cadeia produtiva sucroenergética verde-amarela.

Segundo o representante de um dos ministérios integrantes do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool - CIMA, criado através do Decreto nº 3.546, de 17 de Julho de 2000, um dos maiores detratores do setor tem sido Ricardo Dornelles (foto), diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia.

Dornelles têm sido muito prestigiado por ‘consultores’ e promotores de eventos ‘chapa-branca’, aqueles promovidos com o único intuito de bajular pseudo-lideranças. Ainda recentemente, em Dourados (MS), durante evento dirigido a empresários do setor, ele chegou a ser muito elogiado pelos senadores sulmatogrossenses Delcídio Amaral (PT) e Waldemir Moka (PMDB), quando argumentou que a crise era fruto da falta de competência dos empresários que deveriam produzir mais, melhor e a menores custos.

Nenhuma alusão às ações predatórias do governo, que ele também ainda, infelizmente, representa. impostas via Petrobras que acumula prejuízos de R$ 60 bilhões pela manutenção de preços artificiais dos combustíveis e pela vergonhosa isenção da CIDE na gasolina. Só estas duas medidas defendidas pelo ‘doutor’ Dornelles foram suficientes para desempregar 600 mil trabalhadores rurais nos últimos cinco anos, fechando ainda dezenas de usinas e levando outras tantas para processos de recuperação judicial.

Atas do CIMA e depoimentos de integrantes do conselho atestam que Ricardo Dornelles sempre agiu contra os interesses do setor sucroenergético. Mas não foi só. Quando Lula, em 2003, anunciou o Plano Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, Dornelles foi um dos incentivadores e apoiadores para o uso de mamona como matéria-prima. Mal saberia o ‘doutor’ que o diesel de mamona, embora fosse contemplado com generosas verbas governamentais, nunca seria emplacado como viável e sequer foi aprovado pela ANP como combustível.

Em 2007, Dornelles usou seu cargo para tentar boicotar evento que discutiria em Brasília o futuro dos biocombustíveis, segundo um ex-ministro que continua próximo de Lula e Dilma. Há poucos meses, depois de ser apontado aqui neste espaço como ‘detrator’ do etanol, Dornelles convocou o diretor de uma das entidades representativas do setor, para tentar nos fazer calar.

Mal sabia o ‘doutor’ que nem ele, nem o diretor e nem a entidade que o mesmo ainda representa, teriam a força para nos censurar. Neste tempo em que ocupa a diretoria do Departamento de Combustíveis Renováveis, certamente a maior marca do ‘doutor’ Dornelles foi a de adular Edison Lobão, o senador e ex-ministro de Minas e Energia, denunciado como corrupto no escândalo da Lava-Jato. Certamente ambos se merecem. (Ronaldo Knack é Jornalista e bacharel em Administração de Empresas e Direito. É também fundador e editor do BrasilAgro; ronaldo@brasilagro.com.br)

 

Cana: Salvar o setor ou quebrar o Brasil? - Por Antonio Cesar Salibe

Já me utilizei destas páginas por inúmeras vezes a fim de alertar para a falta de estratégia brasileira quando o assunto é a segurança energética no curto, médio e longo prazos. Ter ou não ter uma estratégia que garantam o abastecimento de combustíveis para o Ciclo Otto pode se tornar, em breve, na salvação ou na derrocada de uma nação.

Vamos aos fatos.

Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o Brasil vai demandar em 2023 de 82 bilhões de litros de combustíveis líquidos, considerando, que a oferta projetada para o atendimento desta demanda seria de 29 bilhões de litros de gasolina A, 20 bilhões de litros de etanol anidro e 7 bilhões de litros de etanol hidratado, temos um déficit de oferta de 26 bilhões de litros de gasolina equivalente para 2023.

A pergunta é: quem ocupará esta demanda projetada? Gasolina nacional? Gasolina importada? Etanol anidro e hidratado nacional ou importado?

Tentarei argumentar sobre estas possibilidades. Considerando a idéia de que os 26 bilhões de litros sejam supridos por gasolina produzida no Brasil, nem o governo, nem a Petrobras, acreditam nisso, prova é que o governo projeta incremento zero na produção nacional de gasolina, uma vez que não projetou e nem tem projetada, nenhuma refinaria de petróleo para o País. Então descartamos a primeira hipótese.

O segundo quesito (gasolina importada), acho pouco provável, isso porque, hoje, com a importação prevista de 4 bilhões de litros, já temos um problema logístico grave, imagine termos que multiplicar por mais de seis vezes esse total de combustíveis importados. Não teríamos portos e nem tampouco um sistema de dutos, ferrovias ou rodovias necessários para fazer chegar aos centros de distribuição de todo o território nacional esse combustível.

Vamos nos ater então à terceira opção, qual seja, abastecermos a janela de 26 bilhões de litros de combustíveis líquidos com etanol, anidro ou hidratado, nacional ou importado. Importado? Esbarraríamos no mesmo problema da gasolina, a falta de infraestrutura, então descartemos. Nacional? Hoje, no atual modelo que temos, com as usinas altamente endividadas, também considero pouco provável.

Assim, podemos chegar a uma conclusão extremamente preocupante: com o que abasteceremos nossos motores daqui a nove anos?

Levando em consideração ainda os dados do ministro Eduardo Braga, de Minas e Energia, se essa demanda por combustíveis líquidos se concretizar, de hoje (2015) até 2023, vamos precisar de nada menos que 131 bilhões de litros de gasolina equivalente cuja origem ainda não temos como precisar.

Vamos à matemática: 131 bilhões de litros de gasolina equivalente, multiplicados pelo preço da gasolina importada na refinaria em reais por litro no dia 2 de junho passado, com o dólar cotado a R$ 3,174, temos que o Brasil precisaria desembolsar, neste período, nada menos que R$ 230 bilhões.

Agora pergunto, qual seria o impacto desses 230 bilhões de reais na balança comercial brasileira, ao longo desses anos, num momento em que já estamos fragilizados economicamente?

Se considerarmos os números que apontam para um endividamento do setor sucroenergético da ordem de R$ 70 bilhões, qual seria a saída mais estratégica para o Brasil? Mandar para os árabes R$ 230 bi de um dinheiro que não temos e que vai quebrar nosso país e ainda não conseguir fazer chegar esse combustível a todos os rincões deste país de contornos continentais, ou salvar, de alguma forma, o setor que gera milhões de empregos diretos e indiretos e ainda beneficiar a balança comercial do País?

As medidas a serem adotadas devem ser urgentes. Refinanciamento de dívidas, retorno total da CIDE. Enfim, uma definição muito clara do papel do etanol, orgulho nacional, na matriz energética brasileira, do contrário, temo que em poucos anos, nossos carros fiquem sucateados, mesmo novos, por falta do que colocar em seus tanques de combustíveis líquido.

Em economia a máxima: "quem não tem competência, não se estabelece", não pode ser ignorada ou mesmo menosprezada por questões partidárias ou por falta de visão.

A parábola da flecha envenenada pode ilustrar bem o que estamos vivendo hoje. Diz a parábola, para supormos que um homem tenha sido ferido por uma flecha envenenada. Seus parentes preocupados encontram um hábil cirurgião que poderia remover a flecha, mas o homem ferido se recusa a deixar o médico operá-lo até que tenha recebido respostas satisfatórias a uma longa lista de perguntas. "A flecha não será tirada", o homem ferido declara, "até que eu saiba a que casta pertence o homem que me feriu, sua altura, a vila de onde ele vem, a madeira a partir do qual a flecha foi produzida, e assim por diante." Claramente, tal tolo morreria muito antes que suas perguntas pudessem ser respondidas.

Assim, ao invés de continuarmos discutindo como sair da crise, devemos nos apressar, pois o veneno já está fazendo seu efeito...e pode ser tarde demais.( Antonio Cesar Salibe é Presidente Executivo da Revista Stab, edição maio/junho de 2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Efeito cambial: A oscilação do dólar ante uma cesta de divisas durante todo do dia fez os investidores de açúcar demerara ignorarem importantes previsões sobre a safra mundial. Com isso, os papéis mais negociados da commodity terminaram em baixa. Os contratos para março de 2016 recuaram 13 pontos, a 13,62 centavos de dólar por libra-peso. A moeda americana testou baixas e altas fortes diante do discurso do presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi sobre a Grécia. O receio nos mercados financeiros encobriu os dados da Czarnikow, importante trading inglesa, que divulgou hoje projeção de déficit no mercado global de açúcar de 1,7 milhão de toneladas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal caiu 0,12%, para R$ 48,42 a saca.

Café: Estoques americanos: A moeda americana voltou a influenciar o mercado de café na bolsa de Nova York. Os futuros do arábica para setembro caíram 90 pontos, a US$ 1,285 por libra-peso. Além do peso do movimento do dólar, que oscilou o dia todo ante uma cesta de divisas e acabou quase estável, também influenciou o mercado a informação de que há um elevado nível de estoque do grão nos Estados Unidos. Em junho, os estoques de café do país somavam 5,5 milhões de sacas, 220,66 mil sacas mais que no mês anterior, de acordo com a Associação de Café Verde dos EUA. "O mercado ficou surpreso com o número e isso colocou abaixo os preços de Nova York e Londres", disse Carlos Mera, analista senior de commodities do Rabobank. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica subiu 0,16%, a R$ 416,93 a saca.

Soja: Clima e demanda: A soja não suportou a pressão do clima mais favorável nos EUA e dos embarques americanos tímidos para esta época do ano. Assim, os lotes para setembro fecharam ontem em baixa de 6 centavos na bolsa de Chicago, a US$ 10,1025 por bushel. Previsões indicam tempo seco e quente para o Meio-Oeste dos EUA na próxima semana, o que pode levar os produtores do país a abandonar menos áreas do que o inicialmente estimado, uma vez que ainda há chance para plantios mais tardios. Em relação às exportações, o país vendeu 552,5 mil toneladas na semana até 9 de julho, mas o volume da safra 2014/15 foi de apenas 45,5 mil toneladas, 36% menos que a média das últimas quatro semanas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de soja no Paraná ficou em R$ 67,57, alta de 0,30%.

Trigo: Colheita acelerada: Pressionado pelo avanço da colheita da safra de inverno tanto nos EUA quanto na Europa, os contratos futuros do trigo caíram pela quinta sessão consecutiva ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes para dezembro recuaram 3,50 centavos, a US$ 5,71 o bushel. Em Kansas, onde se negocia um cereal de melhor qualidade, o mesmo vencimento recuou 6 centavos, para US$ 5,73. Projeções do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgadas na semana passada indicaram que a produção global somará 721,96 milhões de toneladas em 2015/16, um pouco acima da previsão anterior. Soma-se a isso as estimativas de estoque que apontam para um volume quase recorde de 17 milhões de toneladas. No Paraná, a saca do cereal foi negociada em alta de 0,62%, a R$ 33,96, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 17/07/2015)