Setor sucroenergético

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MS: Grupo Ipiranga assume controle da Usina São Fernando

A Usina São Fernando de Dourados foi vendida esta semana para o grupo Ipiranga da região de Ribeirão Preto, São Paulo. A informação é de uma fonte que pediu para não ser identificada. Os novos donos adquiriram a empresa assumindo tanto o ativo quanto o passivo, isso quer dizer que além dos bens imóveis o grupo fica responsável também pelas dívidas que a indústria deixou.

Desde 2013 a Usina São Fernando enfrenta crise financeira. No dia 13 de abril daquele ano a indústria entrou em recuperação judicial. A decisão foi do juiz Jonas Hass da Silva Júnior, da 5ª Vara Cível de Dourados, que considerou a empresa sem capacidade em honrar com os compromissos. Na época a São Fernando devia R$ 1.246.755.441,39.

Em 2014 produtores rurais de Dourados e Laguna Carapã denunciaram que estariam enfrentando dificuldades para receber dinheiro da usina decorrente de arrendamentos. Neste mesmo ano um grupo econômico de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos comprou 49% da Usina São Fernando. O valor investido, seria de R$ 2 bilhões.

Em fevereiro de 2015 a usina teve documentos vasculhados pela Polícia Federal e meses depois teve os bens apreendido e devolvidos após recurso impetrado pelo jurídico da empresa.

A FM Cidade 101 tentou contato por diversos telefones com a Usina São Fernando mas nenhuma ligação foi atendida. Em breve mais detalhes sobre o caso. (FM Cidade 101 17/07/2015)

 

Açúcar: Reflexo do dólar

Os futuros do açúcar demerara despencaram na sexta-feira na bolsa de Nova York, novamente sob os efeitos do dólar valorizado em relação ao real e das preocupações com a demanda.

Os lotes para março de 2016 caíram 27 pontos a 13,35 centavos de dólar por libra-peso.

O Brasil é o maior fornecedor mundial de açúcar e a alta da moeda americana estimula as vendas por parte dos produtores do país, na medida em que aumenta a rentabilidade das exportações.

Com mais oferta no mercado, os preços tendem a cair. Em relação aos fundamentos, as previsões indicam clima favorável para a colheita de cana no Brasil e menor importação da Indonésia, o que tende a manter a pressão sobre as cotações.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o cristal subiu 0,08%, para R$ 48,46 a saca. (Valor Econômico 20/07/2015)

 

PT rasgou o compromisso histórico do Proálcool com o ambiente

A presidente Dilma Rousseff perdeu uma grande oportunidade quando esteve nos Estados Unidos, ao final de junho, de discutir verdadeiramente a suposta pauta da reunião com o presidente Barack Obama: ambiente, energias renováveis e combate ao efeito estufa.

Ao noticiar o tema, Dilma assumiu o compromisso de reflorestamento de 12 milhões de hectares até 2030. Mas a presidente, provavelmente constrangida pelos malfeitos dos governos do PT, também na área de ambiente, não teve condições de se posicionar e expor os motivos de o Brasil se tornar referência em preservação. Tudo à custa do produtor rural, sem nenhum apoio do Estado. Ao contrário dos EUA, que pagam a seus agricultores exatamente o valor da receita que a área produz.

No Brasil, a cultura é achacar o produtor. Os órgãos do governo responsáveis pelo ambiente nada produziram no sentido de educar e orientar, principalmente os pequenos e médios agricultores. Só jogaram a responsabilidade nas costas dos proprietários, com taxas e punições abusivas.

A insensibilidade e o descaso do PT atingiram a produção de etanol, energia limpa e renovável, orgulho do país. É só voltar à crise do petróleo, iniciada em 1973. O preço do barril, em valores atualizados para 2014, saltou de US$ 17 para US$ 92, em 1980. Como reação, o governo, em 1975, lançou o Programa Nacional do Álcool, o Proálcool, que se tornou então referência mundial.

O PT rasgou aquele compromisso histórico com o ambiente. Manobrou a opinião pública, levando parte da população a acreditar que o acesso a veículos, fruto do endividamento familiar, substituiria qualquer outro transporte digno e menos poluente. Hoje, os brasileiros endividados sabem que foram enganados. A gasolina encareceu, o poder de compra dos salários caiu, o desemprego aumentou e os centros urbanos continuam sem alternativa para o transporte público. O governo do PT enganou e poluiu o Brasil.

Todos os malfeitos e irresponsabilidades foram praticados pelo governo do PT, que implantou a gestão mais corrupta da história da Petrobras. Isso constrangeu o brasileiro, que sempre teve orgulho da empresa. Dilma e Lula transformaram a Petrobras na empresa de capital aberto mais endividada do mundo.

Se não bastasse isso, de olho na reeleição, Dilma passou a controlar o preço dos combustíveis, punindo as usinas de açúcar, álcool e energia. A vinculação com o preço congelado da gasolina fez com que chegássemos a uma triste realidade: 80 usinas fechadas, 67 em recuperação judicial e, das 355 em operação, a previsão é de fechamento de mais 10 no centro-sul e em igual número no Nordeste. Ainda neste ano

Já os americanos, sem clima propício para a cana de açúcar, utilizam o milho para fazer o etanol. Mesmo com uma produção mais cara e menos rentável, produziram 51,7 milhões de litros no ano passado, enquanto o Brasil atingiu 27,5 milhões de litros no mesmo período.

O mal que o governo petista causou ao ambiente é irreparável. Apenas o uso do etanol e da bioeletricidade seria suficiente para posicionar o país acima da média mundial em energias limpas e renováveis, que hoje é de 13,2%. Dilma não pôde olhar nos olhos de Obama e pedir que encabeçasse um movimento nos países mais ricos e poluidores para nos recompensar com a cobrança de uma taxa calculada pela emissão de CO. E muito menos desafiá-lo a implantar um código florestal próximo ao nosso.

Por esses e mais 1 milhão de outros motivos é que o brasileiro NÃO CONFIA no PT, em Lula e muito menos em Dilma (Ronaldo Caiado, senador pelo DEM-GO, é líder do partido no Senado; Folha de São Paulo 19/07/2015)

 

STF analisará ação de usina de açúcar contra a União

Empresa pede indenização pela defasagem de preços entre abril de 1986 e janeiro de 1997.

O Supremo Tribunal Federal (STF) julgará recurso que discute a responsabilidade civil da União por eventuais danos causados a produtores do setor sucroalcooleiro, em razão de alegada fixação de preços dos produtos derivados da cana-de-açúcar em valores inferiores ao custo de produção. O tema está em debate no Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 884325, que teve repercussão geral reconhecida, por maioria, em deliberação no Plenário Virtual da Corte.

A autora do recurso, Usina Matary, de Pernambuco, teve pedido de indenização negado pela primeira instância. A empresa buscou a reforma da sentença, sucessivamente, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e no Superior Tribunal de Justiça, porém sem sucesso.

No STF, a empresa narra que, entre abril de 1986 e janeiro de 1997 os preços dos produtos do setor foram estabelecidos pelo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) em valores inferiores aos custos médios de produção, o que resultou em danos patrimoniais aos produtores da área. Alega que esses danos são indenizáveis pela União com base na responsabilidade civil objetiva do Estado.

Para a usina, a indenização deve ser correspondente à diferença entre os preços fixados pelo IAA e aquele apurado tecnicamente pela Fundação Getúlio Vargas à época, multiplicada pela qualidade de derivados de cana comercializados pela autora. A empresa também sustenta a existência de repercussão geral, argumentando a notória relevância econômica e social da matéria.

A União, por sua vez, alega a prescrição da pretensão indenizatória, em razão do transcurso do prazo de cinco anos. Sustenta ainda que, para ter direito à indenização, a usina precisaria demonstrar a efetiva ocorrência do dano e a relação de causalidade entre a ação governamental de administração dos preços dos produtos e o resultado danoso. Além disso, explica que os resultados dos negócios da usina não dependem somente dos preços finais dos produtos, mas de inúmeros fatores ligados à produtividade da empresa. (Globo Rural 17/07/2015)

 

Raízen estuda recolhimento de palha desde 2004

A Raízen é a maior produtora de energia elétrica do mundo, a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar, cogera 940 MW e tem capacidade instalada e comercialização anual de energia elétrica de 2,2 milhões de MWh. Todas as 24 unidades do grupo são auto-suficientes no consumo de energia e 13 de suas unidades já têm contratos de longo prazo para a venda de energia. Dez delas têm o Selo Energia Verde, desenvolvido pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), em um acordo de cooperação com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e concedido às usinas geradoras de bioeletricidade que atendem a critérios de sustentabilidade constantes do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético Paulista, assinado pelo governo de São Paulo e o setor em 2007, e requisitos de eficiência energética.

A primeira experiência com recolhimento de palha do Grupo Raízen foi em 2004, por meio de um projeto piloto na Usina da Barra, em Barra Bonita, SP, conta Antonio Fernando Lima, diretor de produção agrícola da Raízen. Foi por meio do enfardamento de palha. De lá para cá, os estudos se intensificaram, e ocorrem nas unidades que contam com estação de limpeza a seco como a Ipaussu e Rafard, pois a quantidade de terra que segue com a palha é grande, segundo Antonio Fernando, em torno de 8 a 10 quilos por tonelada de palha, e sem equipamentos que reduzem a quantidade de impurezas, os danos na indústria são grandes.

O recolhimento da palha é por meio de enfardamento de palha inteira, na indústria há um sistema de desenfardamento, onde são retiradas as cordinhas, depois a palha segue para o triturador. Antonio Fernando salienta que a Raízen está atenda à evolução do processo de uso da palha, mas que maiores investimentos só ocorrerão se houver garantias de retorno. “Hoje, infelizmente, o governo não nos dá segurança”. (Cana Online 17/07/2015)

 

Greve geral coloca em risco futuro da Dedini

Uma assembléia geral convocada para as 7h desta segunda-feira (20) pode ser decisiva para o futuro da Dedini, maior indústria de bens de capital com foco no setor sucroenergético. O Sindicato dos Metalúrgicos de Sertãozinho disponibiliou vários ônibus para levar à Piracicaba trabalhadores que estão em greve pelo atraso de salários.

Pela primeira vez, metalúrgicos de Sertãozinho e Piracicaba participam de uma assembléia que decidirá a paralização total das atividades da sede da empresa. “Tentamos tudo o que estava ao nosso alcance”, explica Samuel Marqueti, líder dos metalúrgicos de Sertãozinho.

Nos últimos dias, ele esteve no Tribunal Regional do Trabalho em Campinas, participou de uma reunião com a alta cúpula da Dedini em Piracicaba e coordenou várias assembléias de trabalhadores. Em entrevista ao TV BrasilAgro que foi ao ar ontem pela STZTV e que estará disponibilizada a partir do início da tarde na WEB TV do www.brasilagro.com.br, o secretário municipal da Indústria e Relações do Trabalho de Sertãozinho, Carlos Roberto Liboni confirmou que ele e até o próprio prefeito Zezinho Gimenes estão preocupados em relação ao futuro da Dedini.

“Conversamos com o presidente da empresa, Sérgio Leme, que nos explicou a difícil situação que atravessa a Dedini. Assim como todas as outras indústrias de base, a crise do setor sucroenergético, além de inviaibilizar novas encomendas por parte das usinas, sofre também os efeitos da insolvência de unidades industriais que encerraram suas atividades, ingressaram com pedidos de Recuperação Judicial ou estão inadimplentes”.

Liboni aposta num entendimento entre os trabalhadores e a direção da Dedini, mas reconhece que há o sério risco da empresa encerrar suas atividades na unidade de Sertãozinho, que emprega 600 trabalhadores. “Os salários estão atrasados, a empresa alega que não tem recursos e não conseguiu cumprir nenhum dos acordos formalizados junto à Justiça do Trabalho”, garante Samuel Marqueti. (Brasil Agro 20/07/2015)

 

Lucro da Usina Colombo cresce 66% em 2014/15, para R$ 158 milhões

A Usina Colombo, tradicional grupo sucroalcooleiro com três usinas no Estado de São Paulo e faturamento superior a R$ 1 bilhão, informou hoje que teve no exercício de 15 meses encerrado em 31 de março de 2015 (safra 2014/15) um lucro líquido de R$ 158,7 milhões, 66% acima dos R$ 91 milhões registrados nos 12 meses do exercício anterior, findo em 31 de dezembro de 2013.

A empresa teve uma perda financeira menor no exercício. O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 96,2 milhões, ante os R$ 124,0 milhões negativos do ano fiscal anterior.

Apesar da última linha do balanço mais positiva, o endividamento da sucroalcooleira cresceu. A dívida total da Colombo com empréstimos e financiamentos subiu 7,3%, para R$ 1,157 bilhão nos 15 meses encerrados em março deste ano, sendo R$ 286,015 milhões com vencimento em menos de 12 meses (um aumento de 4,7%).

A dívida líquida da Usina Colombo alcançou R$ 803 milhões em 31 de março deste ano, um aumento de 5% frente aos R$ 765 milhões de 31 de dezembro de 2013.

Em parte em decorrência do exercício fiscal mais longo, de 15 meses, a receita líquida do grupo subiu 26% no período, para R$ 1,292 bilhão, ante R$ 1,024 bilhão do ano fiscal anterior, de 12 meses. Em 31 de março deste ano, a companhia tinha em estoques R$ 96,1 milhões em produtos, 58%, ou R$ 137 milhões, a menos que os R$ 233 milhões em 31 de dezembro de 2013.

No ciclo 2014/15, as três unidades da Usina Colombo processaram 8 milhões de toneladas de cana.

A totalidade da matéria-prima processada pelas unidades é fornecida pela Companhia Agrícola Colombo, empresa controlada pela mesma família. Devido aos custos elevados de produção e manutenção de canaviais e de colheita, a empresa agrícola teve no exercício de 15 meses encerrado em 31 de março deste ano um prejuízo líquido de R$ 129,3 milhões, ante o resultado líquido também negativo de R$ 79,5 milhões do ano­fiscal anterior, de 12 meses e findo em 31 de dezembro.

O custo dos produtos vendidos da companhia agrícola foi de R$ 499 milhões no último exercício fiscal, 2% abaixo do registrado no ciclo anterior. No entanto, continuou acima da receita líquida, de R$ 414 milhões, o que redundou num prejuízo bruto de R$ 81,7 milhões, ainda menor que a perda bruta de R$ 124,8 milhões do ano fiscal findo em 31 de dezembro de 2013. (Valor Econômico 17/07/2015 às 15h: 26m)

 

Etanol: Sobe e desce na bomba

O preço médio do etanol no país teve redução de 0,42% em junho deste ano, em relação ao mês anterior, segundo o índice Ticket Car.

O litro do combustível custava R$ 2,63 no mês passado.

Roraima apresentou a maior redução no preço do litro do biocombustível entre maio e junho deste ano, de 2,56%, seguido por Paraná, que teve retração de 1,94%.

O preço mais barato do álcool em junho foi encontrado em São Paulo (R$ 1,99), e o mais caro, no Acre (3,06).

O diesel teve a segunda maior variação negativa em junho, na comparação com maio de 2015, de 0,20%. O litro era vendido a R$ 2,95 no mês passado.

A gasolina manteve-se estável, a R$ 3,46. O Paraná foi o Estado onde o custo do produto teve a maior retração no período, de 0,84%. Em Alagoas, ocorreu o maior incremento, de 1,46%.

O maior preço da gasolina em junho foi cobrado no Acre (R$ 3,81, o litro). O mais barato, em São Paulo (R$ 3,17). (Folha de São Paulo 20/07/2015).

 

DuPont faz acordo com empresa chinesa que produzirá etanol celulósico

A DuPont fechou um acordo com a refinaria chinesa Jilin para produzir etanol celulósico no país asiático. O etanol celulósico é um biocombustível de segunda geração, feito a partir da celulose presente na madeira e em partes não comestíveis de vegetais, como o milho.

A Jilin usará as enzimas fornecidas pela DuPont para produzir esse tipo de etanol. Até o final da década, o mercado de etanol celulósico deve ultrapassar 1,7 bilhão de barris por ano, de acordo com as duas empresas. Para a DuPont, a venda de enzimas e da tecnologia de produção do etanol celulósico é uma maneira de crescer no mercado de combustíveis renováveis.

Nos Estados Unidos, a empresa vem trabalhando para colocar em funcionamento uma refinaria própria do biocombustível em Iowa. A previsão inicial era de que as instalações estivessem prontas em meados do ano passado, mas a falta de trabalhadores impediu que o cronograma fosse cumprido. (Valor Econômico 17/07/2015 às 16h: 15m)

 

PR: Fornecedores da Sabaralcool recorrem à justiça para reaver terras

Há mais de dois anos sem receber o arrendamento das terras por parte da usina de moagem de cana-de-açúcar Sabaralcool, localizada em Perobal, à 47 quilômetros de Umuarama, proprietários de terras da região estão desesperados, pois também não conseguem reaver as terras arrendadas. Muitos estão em situação degradante, uma vez que o dinheiro era a única fonte de renda. Segundo a direção do Sindicato Rural de Perobal, alguns estão perdoando a dívida e entregando a plantação como forma de reconquistar o que já era deles.

No dia 12 de fevereiro deste ano, mais de 20 agricultores se reuniram no Sindicato Rural de Umuarama para tentar uma negociação com a usina. Antes daquele encontro outros três haviam acontecido. Na reunião, por telefone, um representante da Sabaralcool informou que uma segunda empresa estava em negociação para assumir a usina de Perobal e com isso as dívidas com os produtores seriam sanadas. Porém, conforme informação do Sindicato Rural de Perobal, nada foi resolvido daquela data até hoje e os produtores continuam sem pagamento e suas terras.

O prejuízo não afeta só aos arrendadores, mas promove perdas em aspectos sociais, econômico e ambiental para região. Muitos produtores procurados pela reportagem preferiram omitir a identidade, devido ao medo de represarias ou alguma situação que piore as negociações. Entretanto, eles argumentam que os pequenos proprietários não contam com outra fonte de renda e isso influência no social, uma vez que sem o dinheiro a qualidade de vida cai. Outra situação é o ambiental, muito das propriedades estão descuidadas o que ocasiona erosão e assoreia os mananciais.

A reportagem do jornal Umuarama Ilustrado tentou por várias vezes contato com representantes da usina em Perobal e na sua sede em Engenheiro Beltrão, porém não houve retorno dos responsáveis em nenhuma das ligações.

Via judicial

Sem solução por negociações amigáveis, alguns produtores da região decidiram buscar na justiça um meio de reaver pelo menos suas terras, mesmo alguns não tendo condições de reestruturar a propriedade. Entre os que estão conseguindo obter as terras arrendadas estão os clientes dos advogados Márcio Toesca e Flávia Toesca.

Conforme Márcio Toesca, antes de entrar com a ação, ele encaminhou uma notificação extrajudicial à Sabaracool pedindo uma negociação amigável entre as partes, a qual não teve andamento. Desta forma, o advogado teve como última alternativa recorrer à justiça. “Meu cliente ficou sem receber durante 2013 e 2014, além de suas terras estarem degradadas. Neste sentido pedimos a resolução contratual, pois houve quebra de contrato”, explicou.

Toesca explicou que a empresa contraiu um empréstimo bancário e deu a cultura como forma de garantia e por isso, alguns produtores estão perdoando as dívidas e entregando a colheita para conseguir reaver as terras. “Sem o pagamento do empréstimo, o banco entrou na justiça para pegar essa garantia. Então o proprietário acaba tendo a terra de volta, mas não tem disponibilidade da plantação, pois está como garantia do banco”, ressaltou.

Orientação do advogado

Os advogados Márcio e Flávia Toesca, orientam aos produtores que procurem notificar a empresa seis meses antes do contrato vencer, para não ser renovado automaticamente. Já os contratos vencidos, estes devem buscar orientação judicial para na justiça pedir o despejo pela falta de pagamento e a degradação do solo. (Umuarama Ilustrado 19/07/2015)

 

MG: Crise causa fechamento de usinas e demissão no setor sucroenergético

Endividamento financeiro acumulado e excesso de produção subsidiada de açúcar no mundo estão entre os principais fatores, juntamente com a crise financeira do país, que resultaram no fechamento de quatro usinas no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba e a perda de seis mil empregos. De acordo com o Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado de Minas Gerais (Siamig), isso se deve especialmente à baixa remuneração tanto do açúcar quanto do etanol.

O presidente da entidade, Mário Campos Ferreira Filho (foto) , explica que a situação enfrentada pelo setor hoje é reflexo de políticas implementadas entre 2010 e 2014 que elevaram a dívida para 110% do faturamento anual. “Em muitos casos, o pagamento dessa dívida tem inviabilizado a continuidade da operação. O governo estabeleceu grande interferência no mercado de combustíveis, mantendo o preço da gasolina estável neste período. Como o setor produz combustível concorrente à gasolina, ele foi altamente prejudicado por não conseguir repassar os aumentos de custos na produção ao preço final, resultando em perda de competitividade do etanol. Com isso, oito usinas fecharam as portas em Minas Gerais”, avalia.

Por outro lado, as perspectivas são de melhora, pois o setor de produção do etanol é um dos únicos no Brasil que aumentaram o nível de vendas por conta da redução do ICMS mineiro de 19% para 14%. Mário Campos explica que se antes o setor não tinha mercado e bom preço, com esta medida o produtor agora tem mercado para vender, mas o preço ainda não é suficiente para garantir a recuperação imediata do setor. Mesmo com a crise, o setor, composto por 37 unidades em funcionamento no Estado, ainda emprega 80 mil pessoas.

Conforme o presidente da Siamig, o início da recuperação se dará a partir de 2016 em virtude da retomada da incidência da Contribuição para Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre combustíveis que fará o preço médio da gasolina na bomba aumentar 7%. Para o consumidor, a relação de preço etanol/gasolina em Minas Gerais caiu de 74% em 2014 para 65% este ano, favorecendo a venda do etanol. Hoje, o consumo mensal do combustível cresceu 160%, subindo de 54 milhões de litros para 141 milhões. Porém, o preço ainda não é repassado ao produtor e à usina, pois as melhorias são absorvidas por postos e distribuidoras.

Segundo Campos, produtores exportadores de açúcar, especialmente no Triângulo Mineiro, conseguiram sobreviver por um tempo, porém o excesso do produto no mercado, causado pela produção subsidiada de vários países, também fez o preço do açúcar despencar, sendo o menor dos últimos seis anos. (Jornal da Manhã 19/07/2015).

 

Reajuste de salário perde para inflação

Os acordos de negociação salarial firmados em junho tiveram reajuste médio de 7,7% e não foram capazes de repor a inflação acumulada em 12 meses. Com o índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 8,8%, os trabalhadores brasileiros com carteira assinada tiveram, em termos reais, uma perda média de 1% nos rendimentos.

Os dados integram o levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base em dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). “É um quadro bastante diferente do observado nos anos anteriores, quando (os trabalhadores) acumularam aumentos reais”, diz o boletim.

Em abril, os salários já haviam encolhido 0,6%, descontada a inflação. “Redução real não ocorria desde a crise de 2008 e 2009”, afirmou o coordenador da pesquisa e responsável pelo site salários.org.br, Hélio Zylberstajn.

Esses dois casos, de reajustes perdendo para a inflação, são consequência da escalada do INPC para níveis acima dos 7% a partir dos primeiros meses de 2015. Desde maio de 2013, os reajustes médios variaram entre 7% e 9%, o que garantia, conforme destaca a Fipe, aumentos reais médios de 1,5 a 2,0 pontos porcentuais.

Além da alta da inflação, o comportamento mais fraco dos salários passa pelo ajuste em andamento na economia. “Uma política monetária e fiscal contracionista é uma forma de combater a inflação e, portanto, os ajustes salariais também tendem a ser mais modestos”, afirma Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos. Na s avaliação dela, o comportamento mais fraco do salário pode ser benéfico neste momento de recessão porque leva as empresas a demitirem menos. “Se os salários forem flexíveis, menos empresas vão ter de demitir.”

Setores, Na análise dos dados do sistema Mediador, do MTE,por setor de atividade, a Fipe detectou que os trabalhadores celetistas da administração pública aparecem como os que tiveram o maior ganho médio nos 12 meses encerrados em junho de 2015, com aumentos de 2,7%, já descontada a inflação. Em seguida, aparecem os segmentos de limpeza urbana e asseio (2,3%), condomínios e edifícios (2,2%) e estacionamentos e garagens (2%). Os trabalhadores com carteira assinada de bancos e serviços financeiros aparecem em quinto lugar, com um ganho médio real de 1,8%.

Na outra ponta, o setor do agronegócio da cana foi o único i a registrar perda real nos reajustes médios dos últimos 12 meses até junho, com queda de 0,6%. Em penúltimo lugar, aparecem as empresas jornalísticas, em que o ganho real foi nulo, sendo os reajustes apenas suficientes para compensar a inflação. Os segmentos com menores ganhos reais médios foram de extração e refino de petróleo (0,2%), educação e formação profissional (0,3%) e indústrias extrativas (o,4%).

No recorte geográfico, os cinco Estados com reajustes reais mais significativos foram Sergipe (1,42%), Ceará (1,41%), São Paulo (1,40%) , Paraná (1,37%) e Alagoas (1,36%)* Na outra ponta, reajustes no Acre (-0,22%) e no Amapá (-0,1,6%) impuseram perdas reais aos contratados com carteira assinada. Em seguida, aparecem Goiás com ganho médio de 0,37% acima da ,/inflação, e Tocantins e Roraima, com o,62%.

Na avaliação do diretor de Pesquisa Econômica da GO Associados, Fabio Silveira, os próximos meses deverão ser de agravamento no mercado de trabalho com piora no emprego e na renda. “O que incomoda é que ainda não é possível visualizar uma retomada do País”, (O Estado de São Paulo 18/07/2015)

 

Cana: subvenção de R$ 187 mi pode não sair, avalia Unida

Produtores de cana-de-açúcar do Nordeste já admitem que a subvenção de R$ 187 milhões, prevista na Lei Federal 12.999 e sancionada no ano passado pela presidente Dilma Rousseff, dificilmente sairá. Em reunião na última quarta-feira, 15, com o Ministério da Fazenda, em Brasília, representantes do setor ouviram que a liberação dos recursos pode não ocorrer em virtude das dificuldades econômicas do País. "Vamos continuar trabalhando, mas está ficando cada vez mais difícil esse dinheiro sair", informou à reportagem o presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), Alexandre Andrade.

Sancionada em junho de 2014, a Lei 12.999 caduca em dezembro deste ano. "Temos seis meses para receber a subvenção, mas quatro meses seriam necessários apenas para questões operacionais envolvendo a liberação", ponderou o presidente da Unida, entidade que representa mais de 25 mil agricultores na região. A subvenção, de R$ 12 por tonelada, é válida para até 10 mil toneladas de cana e beneficia produtores do Nordeste e do Rio de Janeiro que fornecem a matéria-prima para usinas locais. O objetivo do recurso é compensar financeiramente agricultores afetados pela estiagem na safra 2012/13. Outra Lei, a 13.000/14, também previa uma subvenção de R$ 0,25 por litro de etanol para produtores dessas regiões afetados pela seca, mas igualmente não saiu do papel.

Em 2012/13, as usinas do Nordeste processaram 52 milhões de toneladas de cana. Nas últimas safras, o volume moído na região se manteve entre 50 milhões e 55 milhões de toneladas. De acordo com Andrade, a reunião nesta semana em Brasília foi a quarta a tratar da liberação dos recursos. Conforme ele, não foi agendado nenhum novo encontro com o governo para as próximas semanas. (Agência Estado 17/07/2015)

 

Arnaldo Luiz Corrêa: O mercado bem que ensaiou uma reação, mas...

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana com o vencimento outubro/2015 cotado a 11.96 centavos de dólar por libra-peso, um colapso de 45 pontos em relação à semana anterior (perda de 10 dólares por tonelada). Os meses com vencimento mais curto sofreram mais como reflexo da falta de demanda.

NY bem que tentou subir. Na segunda e terça-feira, por exemplo, o outubro chegou a apreciar 96 pontos em relação à mínima da semana anterior (11.84 centavos de dólar por libra-peso). O número de contratos em aberto no açúcar, no entanto, caiu com a alta de preços, indicando que não teriam ocorrido novas compras (que em tese quer dizer havia compradores dispostos a abrir novas posições no nível de preços), mas sim uma cobertura de posições vendidas a descoberto (ou seja, vendedores que estavam recomprando suas posições para tomar lucro apenas). No entanto, surpreendentemente os fundos aparecem agora como ligeiramente long (comprados), isto é, estavam vendidos, recompraram suas posições elevando o nível de preços do mercado e acabaram com uma posição líquida comprada em 9.000 contratos (450 mil toneladas de açúcar equivalente).

Só que o mercado caiu na semana. A percepção que se tem agora é de que os fundos podem ter “errado a mão” colocando um alerta de que o pregão abra em baixa na segunda feira. Vamos ver.

A entrega de açúcar tailandês contra o vencimento do contrato de açúcar branco em Londres ocorrido na semana passada, dá uma imagem clara de como está o mercado mundial da commodity com os produtores atravessando grande dificuldade para encontrar um destino para sua mercadoria. Muito embora a perspectiva do balanço global da oferta e demanda aponte para um déficit, o fato incontestável é que o déficit é insuficiente para reduzir os estoques mundiais. Ou seja, antes que o comprador surja com sua lista de compras ele vai primeiro consumir o que está no quintal de casa. Com isso a pressão sobre os mercados e sobre os spreads mais curtos é apenas consequência.

O mercado de açúcar sofre o efeito de três eventos impactantes:

O primeiro é que o volume de moagem até o momento é maior do que o ano passado e, como já dissemos aqui, embora o peso disso, em si, seja irrelevante, o mercado carente de boas notícias acaba potencializando qualquer notícia minimamente baixista; o segundo é que pelos números divulgados pela ANP e publicado aqui há algumas semanas, o consumo de combustível deve crescer menos. Os 5.22% de crescimento anualizado no período compreendido entre junho/2014 e maio/2015 vão perder forca ao longo deste ano calendário. Menos consumo significa menos gasolina, menos anidro, menos hidratado, mais disponibilidade de açúcar; o terceiro, e não menos importante, é o recrudescimento do cenário político que tende a piorar e deve afetar o real.

Esses três eventos combinados tornam difícil uma recuperação de preços de magnitude. Pelo modelo que temos mencionado aqui, o preço médio esperado no mês outubro (que se refere ao mês de negociação de março de 2016) é de 13.77 centavos de dólar por libra-peso. Como o vencimento março/2016 encerrou a sexta-feira negociado a 13.35, isso da uma dimensão do extraordinário marasmo que teremos pela frente.

O preço médio do litro da gasolina no Brasil de abril até junho foi de R$ 3.3000. Apenas como comparação, o preço médio negociado no mundo nesse mesmo período foi de R$ 4.5600 o litro. Isso não quer dizer que estejamos defasados nessa magnitude já que o preço médio informado é global (no Reino Unido, por exemplo é de R$ 5.7300 o litro). De qualquer modo a defasagem brasileira comparando com o preço do petróleo equivalente no mercado internacional é de aproximadamente 6%.

O volume de contratos em aberto em NY mostra quão enfraquecido o mercado está. A posição é de apenas 790.000 contratos. É a mais baixa do ano e a mais baixa de um mês de julho desde 2012. Menor crédito por parte das tradings e instituições financeiras para as operações de hedge das usinas diminuem a janela de fixação e consequentemente o volume. Se olharmos a posição em aberto de julho e compararmos com março (que deveria contemplar ainda os hedges em futuros feitos para os embarques de maio e julho, pico de volume no Centro-Sul) a queda é a maior desde 2010 (7.5%).

 

Louis Dreyfus compra terminal de grãos na Rússia

A multinacional francesa Louis Dreyfus Commodities (LDC) informou hoje que sua subsidiária LDC Vostok LLC adquiriu um terminal de grãos na Rússia na região de Rostov. Atualmente em fase de desenvolvimento, esse terminal está localizado numa área de 20 hectares em Azov, distrito localizado às margens do rio Don, e inclui dois berços de atracação e seis silos. O valor da operação não foi informado.

Após a conclusão, o terminal será utilizado para o transbordo de grãos em embarcações marítimo fluviais com uma capacidade inicial de exportação de 500 mil toneladas por ano, com o objetivo de ultrapassar 1 milhão de toneladas nos próximos anos.

A expectativa é de que o novo terminal comece a operar em sua primeira fase no começo de 2016. Conforme a LDC, o projeto tem o apoio da agência de investimento de Rostov.

O chefe regional de grãos para a Europa e Mar Negro da LDC, Cesar Soares, disse que essa aquisição está totalmente em linha com a estratégia de investimento regional da companhia. Ainda, que vai tornar a empresa mais eficiente, na medida que o terminal ampliará a capacidade de exportação da companhia. “É também o primeiro passo na direção de desenvolvimento de alternativas logísticas, considerando que é um pequeno porto mas que escoa uma grande parte dos volumes totais de exportação da Rússia”, afirmou o executivo.

A LDC é uma das principais multinacionais do agronegócio, com atuação em dezenas de países, inclusive no Brasil. Em 2014, sua receita líquida atingiu US$ 64,7 bilhões com o transporte e o processamento de aproximadamente 80 milhões de toneladas de commodities, 4% acima do realizado em 2013. (Valor Econômico 17/07/2015 às 15h: 28m)

 

Setor Canavieiro: Uma mobilização que não pode parar

Os números são os piores possíveis: desde 2007, o Brasil viu 83 usinas de cana-de-açúcar entrarem em falência ou suspender a operação. São mais de 80 mil empregos perdidos no setor sucroenergético. Mesmo na região de Ribeirão Preto, usinas tradicionalíssimas como a Santa Lydia, a Albertina e a Carolo interromperam suas atividades: outras, a exemplo da Santa Elisa, tiveram sua propriedade transferida para grupos internacionais e, ainda assim, enfrentam grandes dificuldades. A mobilização em defesa do setor sucroenergético, que me levou a propor na ALESP, ao lado do deputado Roberto Morais, a criação da Frente Parlamentar de Defesa do Setor Sucroenergético, não pode parar enquanto esse segmento econômico, tão representativo pelo que gera de empregos e renda para o próprio país, não tiver a atenção merecida por parte do governo federal. É uma crise originada justamente do governo federal devido o afã da presidente Dilma – querendo se reeleger a qualquer custo – de manter artificialmente o preço da gasolina e afetar, diretamente, a competitividade de preço do etanol: proporcionalmente, o estado mais atingido pela crise na atividade canavieira é Alagoas, onde o setor sucroenergético representa cerca de 20% do PIB e é o maior gerador de emprego e renda: naquele estado, quatro usinas fecharam nos últimos três anos, mais de dez mil empregos desapareceram e a maioria das empresas sobreviventes enfrenta sérias dificuldades financeiras.

No último dia 10 de junho, com a presença, entre outras lideranças regionais, de Tomaz Aquino Lima Pereira, presidente da ASSOVALE (Associação Rural do Vale do Rio Pardo) a Câmara dos Deputados discutiu, em Brasília – no Dia Nacional da Mobilização - a crise vivida pelo setor sucroenergético. Edson Dias Bicalho, secretário-geral da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar) e presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas de Bauru e Região, como representante dos trabalhadores, propôs unidade entre todos os elos da cadeia do setor para enfrentar as dificuldades. No Estado de São Paulo, a Fequimfar representava trabalhadores de 102 unidades produtoras: atualmente, são apenas 77. Vinte e cinco empresas fecharam as portas e cerca de 40 mil postos de trabalho foram extintos.

Diante desse quadro negativo o setor sucroenergético, que tem tudo para estar funcionando a todo vapor numa época em que se discute a redução e o fim do uso dos combustíveis fósseis, está morrendo aos poucos; só sobreviverá se houver a união de todos os elos da cadeia produtiva - empresários, trabalhadores, fornecedores e plantadores de cana – para buscar, junto ao governo federal, saídas para a crise por ele mesmo criada. Um setor que gera dividendos da ordem de US$ 40 bilhões para o PIB brasileiro não pode continuar sendo tratado com tanto descaso e tanta irresponsabilidade.

De parte da Assembleia Legislativa de São Paulo, posso afirmar: a mobilização continua pois temos noção e consciência do papel do setor sucroenergético na geração de energia limpa, de empregos e de renda para o nosso Estado e para o nosso país (Welson Gasparini é deputado estadual (PSDB), advogado e ex-prefeito de Ribeirão Preto)

 

Análise: A guerra só começou e a economia pode ser a maior vítima

Declaração de Eduardo Cunha torna impossível o cenário político do País e dificulta aprovação de projetos a favor da economia nacional.

A declaração de guerra feita pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ao Palácio do Planalto torna imprevisível o cenário político do País e aponta para a dificuldade cada vez maior de aprovar projetos que ajudem a fortalecer a economia nacional.

Acusado por Julio Camargo, um dos delatores da Operação Lava Jato, de pedir propina de US$ 5 milhões, Cunha teve reação furiosa que fechou os canais para qualquer tipo de relacionamento entre o hoje principal protagonista do Poder Legislativo com o Palácio do Planalto.

Se, inegavelmente, Cunha foi atingido politicamente pela divulgação dessa delação, também é certo que o governo terá, a partir de agora, um inimigo declarado dentro do Congresso. O presidente da Câmara poderá até definhar e desaparecer por conta das acusações que Camargo fez contra ele. Mas, até lá, tentará produzir o máximo possível de estragos ao governo, a quem responsabiliza pelas acusações que sofreu. No primeiro dia da guerra, operou para criar duas CPIs que têm o governo como alvo: a do BNDES e a dos Fundos de Pensão.

O ponto é esse. Se Cunha perde força com as denúncias, o governo também se enrola mais nas dificuldades com o Legislativo. E isso pode se transformar num abraço de afogados, repetindo, por exemplo, a briga que derrubou politicamente os então senadores Antonio Carlos Magalhães e Jader Barbalho.

Planalto e Cunha brigam desde o fim do ano passado, quando o deputado peemedebista colocou na rua sua candidatura à presidência da Câmara e viu o governo e o PT torpedearem sua campanha sem sucesso.

Como presidente da Câmara, Cunha aproveitou a fragilidade do governo para ocupar espaços e trazer para o Congresso o comando da agenda política do País. Agenda essa que o governo espera retomar agora com uma eventual derrocada do deputado, provocada pelas investigações da Lava Jato.

Um dado político importante, porém, é que Eduardo Cunha não foi eleito presidente da Câmara apenas por conta de sua personalidade forte. Ele chegou aonde chegou por ser a voz de todos os parlamentares do Congresso que se sentem escanteados pelo governo nas suas reivindicações - seja de apoio, cargos, verbas, espaço, etc. Cunha tem funcionado como uma espécie de aríete do Congresso nas portas do Executivo, representando seus colegas e seus companheiros do PMDB. E, por conta disso, controla importante força política.

E, nos movimentos de Cunha na guerra contra o governo, o impacto imediato poderá ser sentido na economia, já bastante combalida no primeiro semestre. Com suas articulações políticas, Cunha vai operar para barrar a aprovação de medidas do interesse da equipe econômica dentro do ajuste fiscal. Pode, também, contribuir para ampliar o clima de baixa confiabilidade de investidores externos que poderiam se interessar em atuar no Brasil.

Isso é tudo o que o governo não precisa. Neste momento, o maior desafio da presidente Dilma Rousseff é justamente fazer a economia dar algum tipo de sinal de vida. Principalmente num momento em que os fantasmas do desemprego e da inflação voltaram a assombrar o dia a dia dos brasileiros.

Dados do Caged, referentes ao mês de junho, mostram que o País perdeu 111.199 vagas com carteira assinada neste mês. É o pior junho desde 1992 para o emprego. Isso já representa o fechamento de quase 350 mil postos com carteira no primeiro semestre. Com o desemprego se ampliando, o governo precisa de todo o seu esforço para aquecer a economia.

Com a guerra política deflagrada, entretanto, é impossível garantir a serenidade necessária para que as medidas econômicas possam avançar. (O Estado de São Paulo 18/07/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Reflexo do dólar: Os futuros do açúcar demerara despencaram na sexta-feira na bolsa de Nova York, novamente sob os efeitos do dólar valorizado em relação ao real e das preocupações com a demanda. Os lotes para março de 2016 caíram 27 pontos a 13,35 centavos de dólar por libra-peso. O Brasil é o maior fornecedor mundial de açúcar e a alta da moeda americana estimula as vendas por parte dos produtores do país, na medida em que aumenta a rentabilidade das exportações. Com mais oferta no mercado, os preços tendem a cair. Em relação aos fundamentos, as previsões indicam clima favorável para a colheita de cana no Brasil e menor importação da Indonésia, o que tende a manter a pressão sobre as cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o cristal subiu 0,08%, para R$ 48,46 a saca.

Café: Também o câmbio: Os preços do café arábica cederam em Nova York na sexta-feira, refletindo o comportamento do dólar e indicadores técnicos. Os lotes para setembro fecharam em baixa de 45 pontos, a US$ 1,2840 por libra-peso.A alta do dólar foi estimulada no fim da semana passada pelas especulações sobre o momento da elevação dos juros dos EUA e questões relacionadas à dívida grega. E a moeda americana valorizada estimula as vendas de café pelos produtores do Brasil, pois eleva a rentabilidade das exportações. Por outro lado, as chuvas que atrasam a colheita de café em Minas Gerais podem voltar a sustentar os preços do grão no curto prazo. No mercado interno, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 460 e R$ 470, conforme o Escritório Carvalhaes.

Milho: Ação dos fundos: O menor apetite dos fundos pela compra de posições em milho ajudou a manter o grão em baixa na sexta-feira na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em dezembro fecharam com perdas de 9,75 centavos na sexta-feira, a US$ 4,3125 por bushel. Nas últimas semanas, os investidores ampliaram de maneira significativa suas posições compradas em milho (que indicam as apostas na valorização do grão), em meio às preocupações com as chuvas nas regiões produtoras dos EUA. Contudo, diante da ausência de novidades que pudessem movimentar o mercado, restou aos fundos pouco ímpeto para continuar com as compras. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a saca de 60 quilos da commodity ficou em R$ 26,53 na sextafeira, com alta de 0,68%.

Trigo: Liquidação: A liquidação de posições por parte dos fundos pressionou as cotações do trigo na sexta-feira. Os contratos futuros do cereal com vencimento em dezembro fecharam o pregão na bolsa de Chicago a US$ 5,6350 por bushel, queda de 7,5 centavos de dólar. Na bolsa de Kansas, onde o trigo de melhor qualidade é negociado, os lotes com entrega para o mesmo mês caíram 7 centavos de dólar, negociados a US$ 5,66 por bushel. Nos dias anteriores, o clima mais favorável para a colheita nos EUA vinha pesando sobre as cotações, na sexta-feira, isso se somou ao movimento dos fundos. Além disso, a valorização do dólar e a demanda mais fraca pelo cereal nos EUA também pressionam as cotações. No Brasil, o preço médio do trigo no Paraná ficou praticamente estável, a R$ 644,48 por tonelada, conforme o Cepea. (Valor Econômico 20/07/2015)