Setor sucroenergético

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MS: Energética Santa Helena entra em recuperação judicial

A usina gera 1.295 empregos diretos em Nova Andradina.

O pedido de recuperação judicial,  medida tem como objetivo viabilizar que a empresa evite decretar a falência – da Energética Santa Helena (maior empregadora privada de Nova Andradina (MS) foi deferido pelo juiz Robson Celeste Candelorio, da 2ª Vara Cível de Nova Andradina.

Conforme o Jornal da Nova, a usina alegou que devido à recente crise econômica mundial, à alta dos juros, e, principalmente, limitação de crédito, houve uma forte retração, refletindo gravemente sobre a saúde econômico-financeira da empresa, que atua no mercado sul-mato-grossense há mais de 20 anos.

Além disso, a requerente se viu, com o passar dos meses da crise mundial, em delicada posição, não lhe restando outra opção senão a de requerer judicialmente o deferimento do processamento de sua recuperação judicial, visando viabilizar a superação desse estado de crise que considera passageiro, vez que vislumbra maneiras de preservar a empresa e sua função social.

O juiz nomeou como administrador judicial a empresa CPA (Consultores & Peritos Associados Ltda), de Campo Grande, fixando-o em um por cento (1%) do valor do passivo da Santa Helena, o que corresponde a R$ 1.143.065,96, o valor total da remuneração do Administrador. O prazo para o pagamento dos honorários na recuperação judicial será de 36 meses.

A usina gera 1.295 empregos diretos em Nova Andradina.

O prazo concedido para a apresentação do plano de recuperação judicial foi determinado em 60 dias, improrrogáveis, contados da publicação da presente decisão de deferimento do pedido. Também foram suspensas por 180 dias das ações e execuções contra a devedora, ou seja, a Santa Helena. (Correio do Estado 20/07/2015)

 

Mecanização dos canaviais mostra sua força

Em 1987, o grupo sucroalcooleiro São Martinho, que se resumia a uma única usina sucroalcooleira em São Paulo, empregava 12 mil pessoas e moía 4,5 milhões de toneladas cana, um índice de 3,8 trabalhadores para cada mil toneladas processadas. Em 2014, a companhia, com quatro usinas e moagem de 21 milhões de toneladas, tinha no seu quadro 13,4 mil pessoas, o equivalente a 0,64 funcionário para mil toneladas.

A possibilidade de extrair mais sacarose por cada pessoa empregada foi vital para o aumento estrutural da margem Ebitda da companhia, que, a despeito de toda a crise setorial, saiu nos últimos quatro anos do patamar de 40% para 48%, como lembra o diretor financeiro da São Martinho Felipe Vicchiato. "Um terço do nosso custo total é com pessoal".

Na média, as usinas brasileiras em geral caminham na mesma direção, mas com passos menos largos. Em 2014, empregaram 1,53 pessoa para cada mil toneladas de cana processada, segundo estimativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) feita a partir de dados do Caged. Considerado apenas o Centro-Sul, região onde a mecanização atinge 90% do total, o índice foi de 1,35.

Apesar de terem suspendido ou limitado investimentos em expansão em razão da crise financeira e de preços que afeta as usinas há cinco anos, as empresas do segmento que continuam na ativa, sobretudo às do Centro-Sul, tiveram que investir em mecanização, para atender à legislação que estipulou prazos para o fim da queima de canaviais.

Por isso, o grande salto já veio. Antes da mecanização se intensificar, em 2006, eram empregados no Brasil 2,6 trabalhadores para cada mil toneladas processadas. Atualmente em 1,53, esse índice tem potencial para ir a 0,7 ou 0,8, na visão do diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues.

Ele observa que a produtividade do trabalhador também está relacionada ao rendimento agrícola da plantação e à tecnologia das máquinas usadas na colheita. "Há usinas cujas máquinas estão colhendo mil toneladas por dia. Por outro lado, outras empresas usam máquinas que não ultrapassam a média de 500 toneladas diárias", compara Pádua.

Com 23 usinas que moeram 57 milhões de toneladas em 2014/15, a Raízen Energia, maior empresa do segmento, obteve no ciclo um índice de 0,56 empregado por mil toneladas de cana. Com uma folha de pagamento com 32 mil pessoas, a companhia vai a um índice de 1,06 se considerada apenas a cana própria que processa ­ ou seja, descontada a matéria-prima de terceiros.

O vice-presidente de Açúcar e Etanol da Raízen, Pedro Mizutani, diz que ainda há ganhos a realizar a partir da maior eficiência da mecanização. "Mas o avanço daqui para frente é menor. Não se prevê grandes saltos". Ao mesmo tempo que a tecnologia "dispensa" a presença de mais trabalhadores ­ como é o caso de uso de drones para monitorar as lavouras em vez de um exército de técnicos , também cria outras funções. "Com a colheita mecânica, por exemplo, precisamos ter um operador de máquinas enfardadeiras, que recolhem e agrupam a palha seca resultante da colheita", cita Mizutani.

A otimização do trabalho na fábrica deriva também do próprio fato de ter sido reduzido o número de "safristas", os trabalhadores temporários que eram contratados apenas para o período de colheita. "As mesmas pessoas que fazem a safra trabalham na entressafra, fazem o plantio. Como há trabalho o ano todo, esses funcionários já entraram no quadro permanente das empresas", diz Mizutani.

A São Martinho, que desde 2007 está com 90% de sua colheita mecanizada, está implantando um projeto amplo de automação de suas operações agrícolas e aumentando a adoção de ferramentas de agricultura de precisão. "Não são saltos, mas evoluções", diz Vicchiato. Entre os pontos do projeto está o uso de piloto automático em colheitadeiras. Atualmente, 60% delas são dirigidas por computador. A previsão da companhia é de que nos próximos dois anos esse percentual chegue a 100%. (Valor Econômico 22/07/2015)

 

Safras e Planos - Por Luiz Carlos Corrêa Carvalho

Foi lançado o Plano Safra 2015/16, com características novas, inserindo setores antes esquecidos, em pleno momento de contenção de gastos e cortes nos orçamentos, aumentando em 20% os recursos. Ponto para a ministra Kátia Abreu!

Como isso teria sido possível?

Em primeiro lugar, além da capacidade da ministra, caiu a ficha do Governo sobre o efetivo papel do agronegócio na realidade brasileira. No entanto, para os detratores, trata-se de um tema recorrente e que segue, infelizmente, adicionado por quatro ingredientes complexos: ideologia, ignorância, insensatez e ilusão.

A ideologia, como figura, é o olhar fixo no retrovisor do carro do tempo, sem direito a retorno, em que a qualidade do condutor não se mede, pois não há caminhos à frente, o condutor e o carro sendo simplesmente levados pelo tempo, sem noção de rumo e sem compromissos.

A ignorância, afilhada da ideologia e flertando com a insensatez, não tem como chegar ou não sabe aonde ir. Alimentada por uma ideologia, segue cada vez com maior desconhecimento do mundo real. Daí a insensatez de nunca mudar o rumo da conversa. Trata-se de um monólogo, uma tentativa de persuasão, uma ilusão. A ilusão é um tipo de esperança de se estar contribuindo com a democracia e a sociedade.

Talvez, o País viva outra década perdida, mas o agronegócio não! Segue crescendo, alimentando pessoas e fornecendo energia, avançando em produtividade e sabendo o que quer. Não há ideologia, ignorância e insensatez. Há, talvez, ilusão. Não aquela que é a base do monólogo exaustivo, mas a esperança do entendimento pela sociedade brasileira e pelos poderes constituídos quanto ao relevante papel do agronegócio na economia. O Plano Safra é, talvez, uma esperança.

A medida do sucesso do agronegócio é a expansão da oferta de seus produtos, explicada claramente como resultado principalmente do aumento da produtividade, e não da expansão da área. O produto brasileiro do agronegócio atravessa os mares e compete na Ásia, por exemplo.

O fator mais importante para seguir produzindo com competitividade é a urgente necessidade do investimento público em logística e infraestrutura. Além deste fator, seguir investindo em pesquisa e inovação e estar receptivo ao capital internacional são condições tão importantes quanto a redução dos riscos de produzir, via seguro rural.

Assim, voltando ao Plano Safra, por que não o tornar Lei Agrícola? Por que ser somente anual? A ministra terá disposição e força para isso. E será evolução!

A safra, de novo, cresce. Os custos também! As ações do produtor, em produtividade, seguem ameaçadas pelos custos fora da produção, no caminho do consumo. O Brasil, como todos sabem, tem um dos menores suportes à agricultura, o que pressupõe correr todos os riscos de produzir. Mas, aprendeu muito com isso e tem seu plano de negócios baseado em produtividade!

Nas palavras do economista Martin Wolf, “o Brasil terá de repensar o seu caminho para o desenvolvimento, recorrendo à reindustrialização e às exportações industriais. Somente contar com o boom de commodities é um risco elevado”. Enquanto isso patina, o agronegócio segue carregando o andor (Luiz Carlos Corrêa Carvalho é presidente da ABAG – Associação Brasileira de Agribusiness; Revista Agroanalysis, edição de julho/15)

 

Metalúrgicos da Dedini S.A. encerram greve após 15 dias em Sertãozinho

Salários atrasados de maio a julho serão pagos em 5 parcelas até agosto.

Em Piracicaba (SP), funcionários mantêm paralisação por FGTS e ferias.

Após 15 dias em greve, metalúrgicos da Dedini S/A Indústrias de Base voltaram ao trabalho na manhã desta terça-feira (21) com a promessa de que os salários atrasados nos últimos três meses serão pagos em cinco parcelas até a segunda quinzena de agosto.
Os metalúrgicos reclamavam ainda que a empresa descumpriu o acordo firmado no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em que se comprometia a pagar o valor do dissídio da categoria, também de forma parcelada.

Procurada pelo G1 na tarde desta terça-feira, a empresa não se manifestou sobre o fim da greve até a publicação desta matéria.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sertãozinho e Região, Samuel Márcio Marqueti, explicou que o acordo firmado entre trabalhadores e a diretoria da Dedini estabelece o pagamento dos salários atrasados de maio da seguinte forma: R$ 1 mil até sexta-feira (24) e o restante até 10 de agosto.

Os vencimentos de junho também serão pagos em duas vezes. Os trabalhadores devem receber R$ 2 mil até 31 de julho e a segunda parte em 14 de agosto. Já os atrasados de julho serão pagos em única parcela até 21 de agosto desse ano.

A categoria também conquistou reajuste de 42% no vale-alimentação, que passará de R$ 140 para R$ 200, a partir de 20 de agosto. “Eles deram a garantia de que, voltando ao serviço, teriam verba para quitar o acordo. Mas, ficou decidido que se não cumprirem nenhuma das cláusulas, vamos parar novamente”, disse Marqueti.

Crise no setor

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam que a geração de empregos em Sertãozinho no primeiro semestre desse ano teve o pior resultado desde o levantamento passou a ser realizado, há 12 anos.

Entre janeiro e junho, o saldo é de 1.152 postos de trabalho a menos na cidade. O índice negativo foi puxado principalmente pelos setores de comércio, construção civil e indústria, que juntos demitiram 1.825 trabalhadores.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos explica que a situação é mais crítica porque a crise econômica nacional afeta diretamente o setor sucroenergético, já prejudicado há pelo menos cinco anos.

“Nós já fizemos o que podíamos fazer. Agora, é a hora do governo se interessar e voltar investir no setor sucroenergético, no etanol. Chegou um ponto que as férias coletivas e outras manobras já não dão mais resultado”, afirmou Marqueti.

Greve em Piracicaba

Metalúrgicos da Dedini em Piracicaba (SP) também cruzaram os braços nesta segunda-feira (20),reivindicando o salário atrasado de junho, além do pagamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e férias vencidas.

Cerca de 500 trabalhadores também participaram de um protesto durante a manhã, que fechou parte da Rodovia Fausto Santomauro (SP-147), causando um congestionamento de dois quilômetros. Os grevistas também se reuniram com o prefeito Gabriel Ferrato (PSDB) para solicitar apoio do governo municipal. (G1 21/07/2015)

 

Lucro do Grupo Balbo cresce 32%, para R$ 33,3 milhões em 2014/15

O Grupo Balbo, detentor de três usinas de cana-de-açúcar em São Paulo, informou que teve no exercício encerrado em 31 de março (safra 2014/15) um lucro líquido de R$ 33,353 milhões, 31,7% acima do resultado obtido no ciclo anterior, o 2013/14.

O desempenho da empresa, sócia da trading Copersucar, reflete o efeito de custos menores. A receita do grupo, que também controla a Native, do ramo de alimentos orgânicos, caiu 3,1%, para R$ 749,6 milhões em 2014/15. Já o custo dos produtos vendidos recuou mais. Foi no referido exercício de R$ 546,6 milhões, retração de 5,2% ante ao custo de 2013/14.

Já o resultado financeiro foi negativo em R$ 67,3 milhões, 9% acima dos R$ 61,7 milhões do exercício 2013/14.

O montante reflete um endividamento maior. A dívida da empresa com empréstimos e financiamentos estava em R$ 629,2 milhões em 31 de março, 13,9% acima dos R$ 552,6 milhões de um ano antes. A dívida líquida, no entanto, foi de R$ 438,7 milhões, crescimento menor, de 3,2%, ante R$ 424,8 milhões de 2013/14.

Com a Copersucar, o passivo ficou praticamente estável em R$ 155,461 milhões. (Valor Econômico 21/07/2015 à 21h: 12m)

 

Petrobrás reduz o seu déficit externo

Estatal foi beneficiada pela queda no consumo de combustíveis no mercado interno, o que permitiu corte na importação do produto.

A queda no consumo de combustíveis, no mercado interno, ajudou a Petrobrás a reduzir o déficit em sua balança comercial no primeiro semestre de 20x5. O Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior (Mdic) apontou que, de janeiro a junho, a diferença entre importações e exportações feitas pela estatal totalizou US$ 5,72 bilhões. O montante é 54,5% inferior ao déficit acumulado no primeiro semestre de 2014.

A redução do déficit foi impulsionada pela forte retração nas importações de combustíveis para atender ao mercado doméstico. Até maio, último dado disponível, o consumo caiu em média 5% para os combustíveis, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP). De acordo com a agência reguladora, no semestre, a importação de gasolina e diesel do Brasil apresentou queda de 7,9% em volume, na comparação com 2014. Somente a importação de diesel caiu 20,8%, em volume.

Nos primeiros seis meses deste ano, o corte no volume das importações chegou a 42,9%, segundo o ministério. Em valores absolutos, somaram US$ 10,4 bilhões, ante US$ 18 bilhões no mesmo período do último ano. A queda permitiu à estatal conter as perdas com a revenda in¬terna de gasolina a preços mais baixos que a importação.

Para o professor da UFRJ, Edmar de Almeida, a retração está associada à desaceleração econômica. Aparte da queda no consumo de gasolina se reverte em alta do consumo de etanol, que teve uma boa safra neste ano.

Recessão diminui o crescimento, e o diesel está associado a atividade econômica pelo trans¬porte de cargas".

As exportações da petroleira, por sua vez, encolheram 21,55% no semestre. Mas o balanço esconde uma mudança de postura da companhia, a partir de maio, quando os preços internacionais voltaram a subir. Desde então, as exportações subiram quatro vezes em relação a maio e junho de 2014, volume maior do que todos os meses anteriores somados.

A variação sinaliza um "ajuste" na estratégia da companhia para equacionar a geração de caixa, avalia o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de infraestrutura (Cbie). "Como o consumo caiu, alguns contratos de importação já feitos podem ter gerado excedentes. O movimento indica um ajuste para não perder dinheiro, e ainda aproveitar os preços internacionais mais favoráveis", explicou o consultor.

Retração. Em contrapartida ao cenário desfavorável, a Petrobrás também registrou retração na produção de derivados. A estatal confirmou que a atividade das refinarias varia mensalmente, com o objetivo de alcançar "o melhor resultado econômico", de acordo com fatores como a cotação internacional, do petróleo e derivados importados e a previsão de demanda de combustíveis no País.

A companhia reconheceu, no primeiro trimestre, uma queda de 8% na produção de derivados em relação ao mesmo período de 2014. A estratégia da companhia foi, diante do momento ruim, realizar paradas programadas de manutenção do parque de refino, após quase dois anos de utilização na carga máxima» com cerca de 99% de uso das unidades.

Atualmente, estão paradas as unidades de Paulínia (Replan), em São Paulo, e Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. No primeiro trimestre, também a Landulpho Alves (Riam), na Bahia, ficou parada. As paradas foram parcialmente compensadas com a entrada em operação da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em dezembro do último ano, que é focada na produção de diesel. (O Estado de São Paulo 22/07/2015)

 

EUA apontam corrupção em negócios da Odebrecht

Telegramas do serviço diplomático americano apontam suspeitas de irregularidades nos negócios da empreiteira brasileira em ao menos quatro países durante segundo mandato de Lula, que, segundo os documentos, "ajudou a concluir um acordo" em Angola

A diplomacia americana monitorou os negócios da empreiteira brasileira Odebrecht no exterior e apontou para suspeitas de corrupção em obras espalhadas pelo mundo na segunda gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência (2007-2010). Telegramas confidenciais do Departamento de Estado norte-americano revelados pelo grupo WikiLeaks relatam ações da empresa brasileira e suas relações com governantes estrangeiros. Lula é citado em iniciativas para defender os interesses da Odebrecht no exterior. No dia 21 de outubro de 2008, a embaixada americana em Quito (Equador) descreve a pressão imposta sobre as empresas brasileiras pelo presidente daquele país, Rafael Correa.

O governo equatoriano ameaçava expulsar tanto a Odebrecht quanto a Petrobrás, alegando descumprimento de contratos. A embaixada americana em Quito, porém, alerta ao Departamento de Estado dos EUA que o motivo da pressão seria outro: corrupção. "Alfredo Vera, chefe da Secretaria Anticorrupção do Equador, levantou questões sobre os preços e financiamento dos contratos da Odebrecht", indicou o telegrama. "Apesar de não termos informações de bastidores no projeto San Francisco (usina), o posto ouviu alegações com credibilidade de corrupção envolvendo o projeto de irrigação da Odebrecht em Manabi de um ex-ministro de Finanças que se recusou a assinar os documentos do projeto diante de suas preocupações sobre a corrupção", afirmaram os EUA.

Outro alerta feito nos bastidores aos americanos se referia às condições do empréstimo do BNDES, para o mesmo projeto. "O posto também ouviu preocupações de um funcionário do Banco Central sobre termos desfavoráveis nos empréstimos do BNDES que apoiariam o projeto de irrigação", constata o telegrama. Segundo os EUA, ambos problemas teriam ocorrido em 2006, no último ano do governo de Alfredo Palacio. "Apesar de não termos a história completa da ira de Correa contra a Odebrecht, suspeitamos que a corrupção e a pobre construção da empresa amplamente devem explicar suas ações (em relação a Correa)", indicou a diplomacia.

Lula. Um ano depois, num telegrama de 5 de outubro de 2009, a embaixada americana no Panamá relata a Washington a situação delicada que vivia o então presidente local, Ricardo Martinelli. Numa conversa entre os diplomatas e um ministro do governo, Jimmy Papadimi-riu, os americanos são alertados de que um escândalo de corrupção estaria prestes a eclodir, envolvendo a Odebrecht.

"O administrador da campanha de Martinelli, e hoje ministro da presidência, Jimmy Papadimitriu, disse à Emboff (sigla em inglês para "oficial da embaixada") que notícias estavam a ponto de sair de que Martinelli recebeu uma grande contribuição para sua campanha da construtora brasileira Odebrecht, que estava conduzindo várias grandes obras públicas no. Panamá", indicou o telegrama e que cita como Martinelli passou a ser alvo de ataques quando deu à empresa brasileira um contrato de US$ 60 milhões para a construção de uma estrada "sem licitação".

Em 30 de outubro de 2007, outro telegrama apontou para as relações da Odebrecht com políticos estrangeiros. O caso se referia à viagem de Lula para Angola, naquele ano. A embaixada americana em Luanda escreveria naquele dia para Washington para descrever "uma produtiva visita de Lula". Segundo a mensagem, "a visita de Silva (Lula) ajudou a concluir um acordo entre a gigante construtora brasileira Odebrecht, a paraestatal angolana no setor do petróleo Sonangol, e a Damer, até então desconhecida empresa angolana, para construir uma usina capaz de produzir não apenas etanol para exportação, mas gerar 140 megawatts de eletricidade por ano pela queima de bagaço".

O papel de Lula não é colocado em questão. Mas a diplomacia dos EUA levanta questões sobre a parceria fechada pela Odebrecht: "O acordo, chamado na imprensa de um entendimento entre a Sonangol e a Odebrecht, aloca 40% das ações para a Odebrecht, 20% para a Sonangol, e os restantes 40% para a Darrier". "Fontes na embaixada brasileira afirmaram que a Odebrecht foi "evasiva" quando questionada sobre a Damer, enquanto outras fontes apontam que a Damer está conectada com o presidente angolano (José Eduardo) dos Santos". (O Estado de São Paulo 22/07/2015)

 

Mais barato que a gasolina, etanol ganha espaço em Belo Horizonte

Levantamento de preços feito pelo site Mercado Mineiro mostra que o litro do etanol corresponde, em média, a 65,03% do preço da gasolina.

O valor suficiente para encher o tanque de um carro com etanol em Belo Horizonte permite ao motorista rodar por 480 quilômetros. Com o mesmo valor, caso opte por usar gasolina, o condutor irá rodar quase 100 quilômetros a menos. Os seguidos reajustes aplicados ao combustível derivado do petróleo, associados à redução da alíquota do ICMS do álcool, tornou o produto mais vantajoso. Levantamento de preços feito pelo site Mercado Mineiro mostra que o litro do etanol corresponde, em média, a 65,03% do preço da gasolina nas revendas da capital mineira.

A capacidade do tanque de um Palio é de 48 litros de combustível. Segundo a ficha técnica do carro, ele roda 10 quilômetros com um litro de etanol. O produto é adquirido em BH por R$ 2,124 (média). Ao todo, R$ 101,95 são necessários para abastecer o automóvel por completo. No caso da gasolina, a performance é de 12,3 quilômetros por litro no trânsito urbano. Com o mesmo valor, considerado o custo médio de R$ 3,266 do produto derivado do petróleo, serão comprados apenas 31,21 litros, permitindo assim rodar por 383,88 quilômetros.

O levantamento mostra a inversão de preços ao longo do último ano. O etanol custava R$ 2,165 na pesquisa de julho do ano passado, manteve-se estável em janeiro e caiu para R$ 2,124 (queda de 1,9%). A gasolina seguiu direção oposta. Até julho do ano passado, o litro do combustível custava, em média, R$ 2,887 na capital mineira. Em janeiro, subiu para R$ 2,939, até atingir R$ 3,266 na pesquisa deste mês (alta de 13,12% no período de um ano).

Diante da alta de preços, é preciso selecionar as revendas com preços mais atrativos. A pesquisa mostra variação de 19,36% no preço da gasolina em postos de Belo Horizonte. O litro do produto varia de R$ 3,099 a R$ 3,699. No caso do etanol, a discrepância é ainda maior: 37,17% de diferença entre as revendas da capital mineira. O litro do combustível varia de R$ 1,895 a R$ 2,599 na capital mineira.

De olho nos preços, o consumidor tem procurado abastecer com etanol. O carreteiro José Mariante sempre observa o percentual da relação de preços indicado nos postos de combustível. Abaixo de 70% do valor da gasolina, ele vai de etanol. “Tem que correr atrás de tudo”, diz, sobre a necessidade de se economizar em tempos de inflação elevada. (O Estado de Minas 21/07/2015)

 

Setor de biodiesel depende de marco regulatório para crescer

Os jornalistas Daniel Fraiha e Luigi Mazza, do site Petronotícias, entrevistam a seguir o presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmo Battistella, para quem o mercado brasileiro de biodiesel ainda é pouco competitivo e por isto tem muito a crescer.

Competitividade e políticas de regulação. São essas as duas principais demandas do mercado brasileiro de biodiesel, que, apesar do crescimento no consumo e na produção ao longo dos últimos anos, enfrenta ainda dificuldades para se estabilizar no país. Com enorme potencial para o desenvolvimento de combustíveis renováveis, o Brasil carece ainda de investimentos e políticas voltadas para o incentivo à indústria. Nesse cenário, a criação de um marco regulatório é uma necessidade urgente, afirma o presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmo Battistella, para quem o mercado brasileiro ainda é pouco competitivo. Um maior estímulo do governo ao setor pode garantir demandas a médio e longo prazo, o que permitiria investimentos de maior porte para o desenvolvimento dessa produção. “Teremos 0% de exportação este ano. Não vamos exportar porque não temos competitividade. Falta deixar nossa produção competitiva, com uma política industrial”, explica Battistella, que aponta também para os benefícios econômicos e sociais gerados com a ampliação do mercado de biodiesel no país. (Petro Notícias 21/0/7/2015)

 

Porto de Santos tem recorde de movimentação com exportação de soja, açúcar e óleo

O maior porto do país, o de Santos, registrou um recorde de movimentação de cargas no primeiro semestre de 2015, com crescimento de 4,3 por cento ante 2014 impulsionado pelos embarques de importantes commodities exportadas pelo Brasil, como soja, açúcar e óleo combustível, além de produtos em contêineres.

Os maiores volumes exportados --que permitiram ao porto superar o recorde semestral que havia sido registrado em 2013 (53,7 milhões de toneladas)-- têm ajudado a evitar maiores problemas para a balança comercial brasileira, num momento de queda nos preços de produtos básicos, entre outros.

"O resultado foi ainda mais expressivo do que havíamos projetado e decorreu, principalmente, do aumento verificado nas exportações, que cresceram 6,1 por cento em relação a 2014, disse o diretor presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Angelino Caputo, em nota.

O complexo soja (que inclui soja em grão, farelo e óleo) foi o destaque no período, com embarques de 13,6 milhões de toneladas, alta de 3 por cento ante o ano anterior. O açúcar, segunda carga de maior movimento em Santos, atingiu 7,2 milhões de toneladas, alta de 2,4 por cento na mesma comparação.

As exportações de óleo combustível cresceram 19,7 por cento no semestre em relação a 2014, a terceira carga mais movimentada em 2015, com 1,2 milhão de toneladas. As outras cargas de maior movimentação foram a celulose (1,6 milhão de toneladas), óleo diesel e gasóleo (997,5 mil t), sucos cítricos (970 mil t) e milho (928 mil toneladas), que registrou crescimento de 21,8 por cento ante o mesmo período do ano passado.

A movimentação de cargas conteinerizadas também marcou um recorde para o período, atingindo 1,8 milhão de TEUs (unidade de tamanho), alta de 6,6 por cento em relação a 2014, quando a movimentação de contêineres havia sido história. Em toneladas, o crescimento atingiu 13,4 por cento, para 19,8 milhões.

Nas importações, o complexo portuário santista registrou aumentou de apenas 0,5 por cento em relação a 2014. A carga de maior movimentação neste fluxo foi o enxofre, com 933 mil toneladas, seguido do adubo (928 mil t) e sal (507 mil t). A carga com maior incremento na importação, em relação ao ano anterior, foi o minério de ferro, com alta de 24 por cento, para 312 mil toneladas.

CORRENTE DE COMÉRCIO CAI

Em receitas, o total movimentado pelo porto de Santos registrou queda de quase 11 por cento ante 2014, para 51 bilhões de dólares, num ambiente macroeconômico mais difícil e em meio à maior oferta global de importantes produtos básicos exportados pelo Brasil, como a soja.

As exportações totais realizadas pelo porto no semestre recuaram 11,5 por cento, para 25,3 bilhões de dólares, enquanto as importações apresentaram redução de cerca de 10 por cento, para 25,7 bilhões de dólares. (Reuters 21/07/2015)

 

Petrobras confirma irregularidades em contrato de nafta com Braskem

A Petrobras confirmou nesta terça-feira que uma comissão interna encontrou irregularidades na aprovação de um contrato de 2009 para fornecer nafta à petroquímica Braskem e que enviou um relatório com essas informações ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal.

A Petrobras afirmou em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que começou a investigar o contrato após ter acesso aos termos da delação premiada do doleiro Alberto Youssef e do ex-direitor da estatal Paulo Roberto Costa no âmbito da operação Lava Jato.

"A Comissão Interna, baseada nos trabalhos realizados e restrita à sua competência regulamentar, identificou não-conformidades em relação aos procedimentos internos de aprovação do contrato de fornecimento de nafta petroquímica à Braskem, firmado em julho de 2009", disse a estatal em comunicado.

No sábado, a TV Globo afirmou que os dois revelaram que a Braskem pagou um suborno para fechar um acordo que permitiria à empresa pagar valores abaixo do mercado pela nafta, causando perdas para a Petrobras.

A Braskem negou em um comunicado que obteve uma vantagem injusta no contrato de nafta, citando um trecho de um relatório interno da Petrobras que diz que "não foi possível, a esta comissão, identificar o prejuízo financeiro causado à Petrobras".

A companhia também disse que sempre realizou negociações transparentes, seguindo as melhores práticas de governança corporativa.

A Braskem é uma joint venture entre a Petrobras, que detém 47 por cento das ações com direito a voto, e o conglomerado Odebrecht, que possui 50,1 por cento.

A Odebrecht está atualmente envolvida na operação Lava Jato, que investiga um esquema bilionário de corrupção em contratos da Petrobras com as maiores empreiteiras do país e que teria desviado recursos para partidos políticos, políticos, operadores e ex-executivos da estatal.

Os escritórios da Braskem foram vasculhados pela Polícia Federal como parte dessa investigação em junho. (Reuters 21/07/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Dólar ainda elevado: O café arábica registrou ontem a quinta sessão consecutiva de perdas na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em setembro fecharam em baixa de 150 pontos, a US$ 1,2595 por libra-peso. O dólar recuou um pouco ontem em relação ao real, mas como a moeda americana permanece em um patamar considerado elevado, esse cenário continua estimulando as vendas de café por parte dos produtores brasileiros, que recebem mais pelos grãos exportados. Com mais oferta no mercado, os preços tendem a cair. Do lado dos fundamentos, o tempo seco no Brasil também contribui para o avanço da colheita de café nas regiões produtoras do país. No mercado interno, o dia foi de leve alta. O indicador Cepea/Esalq para o grão subiu 0,06%, para R$ 411,85 a saca.

Suco de laranja: Reação em NY: Após recuar mais 1% na segunda-feira, os preços do suco de laranja reagiram ontem em Nova York. Os papéis para novembro fecharam a US$ 1,2265 por libra-peso, alta de 245 pontos. De modo geral, o quadro da commodity segue "baixista" do lado da demanda, em meio à persistente queda do consumo nos EUA. No começo da semana, a Nielsen informou que o consumo nas quatro semanas encerradas em 4 de julho foi o menor desde 2002 no varejo americano. Do lado da oferta, porém, a infestação de greening na Flórida ­que detém o segundo maior pomar de citros do mundo ­ exerce pressão "altista" sobre os preços da bebida. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada à indústria permaneceu estável em R$ 9,75, segundo o Cepea/Esalq.

Soja: Demanda aquecida: A soja superou as perdas da sessão passada e registrou elevação na bolsa de Chicago ontem. Os contratos para setembro fecharam em alta de 8,25 centavos, a US$ 10,0650 por bushel. Dados divulgados ontem pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reforçaram a avaliação de que a demanda está aquecida. O órgão indicou que foram fechados contratos para a exportação de 110 mil toneladas de soja. Em relação ao clima, ainda há incertezas sobre os impactos do excesso de umidade nas últimas semanas sobre as lavouras americanas, ainda que o USDA tenha relatado que 62% dos plantios estão em boas a excelentes condições. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a saca de 60 quilos em Paranaguá ficou em R$ 73,05, alta de 0,37%.

Trigo: Demanda fraca: Na contramão do que ocorreu com os grãos, os preços do trigo fecharam em retração ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os contratos do cereal para dezembro caíram 9,25 centavos, a US$ 5,3325 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, o mesmo vencimento recuou 7,50 centavos, para US$ 5,3775 o bushel. Conforme analistas, as cotações do trigo se desvalorizaram diante de falta de demanda nos Estados Unidos. A avaliação é que as vendas de trigo recuaram significativamente na comparação com o mesmo período do ano passado. Além disso, o avanço da colheita americana amplia o estoque do país, pressionando as cotações para baixo. No mercado do Paraná, o dia foi de valorização. A saca do cereal no Estado foi negociada em alta de 0,12%, a R$ 34,20, segundo o Deral/Seab. (O Estado de São Paulo 22/07/2017)