Setor sucroenergético

Notícias

Cogeração cresce menos no Brasil

Depois de ligarem as caldeiras a todo o vapor em 2014, as usinas de cana-de-açúcar que cogeram energia a partir de biomassa reduziram o ritmo de crescimento nesse mercado. No primeiro semestre deste ano, a cogeração de eletricidade vinda dessa fonte aumentou 14%, para 7,968 mil Gigawattshora (GWh), frente a igual intervalo do ano passado. Apesar do avanço de dois dígitos, as taxas caíram de forma expressiva em relação ao que foram há um ano, diz o consultor de bioeletricidade da União da Industria de Cana-de-Açúcar (Unica), Zilmar Souza. "No primeiro semestre de 2014, a cogeração havia sido 37% maior do que no mesmo período de 2013".

Segundo Souza, a desaceleração começou em março, juntamente com o fim dos estoques de biomassa trazidos de 2014, quando o preço da energia no mercado livre ainda estava elevado. Em janeiro deste ano, as usinas venderam ao sistema elétrico nacional 76% mais eletricidade na comparação com igual mês de 2014. Em fevereiro, esse aumento foi de 40%. Mas em março, a taxa encolheu para 6%, depois foi de 7% em maio e ficou novamente em 6% em junho. "Apenas em abril, esse percentual foi a 27%, mas o que se explica por ser o primeiro mês da nova safra", diz.

Em todo o ano de 2014, as usinas de cana cogeraram 19,400 mil GWh, 21% acima de 2013. Na visão de Souza, em 2015 o setor canavieiro tende a alcançar o desempenho de 2014, pois a capacidade instalada cresceu. Contudo, um salto mais expressivo depende de alguma sinalização de preços mais remuneradores. Há expectativa no setor de que isso aconteça na próxima entressafra da cana no Centro-Sul, ou seja, a partir de dezembro deste ano, até março de 2016.

O cenário se confirmaria caso o regime de chuvas no Sudeste não fosse suficiente para elevar os níveis dos reservatórios das hidrelétricas e, diante disso, o governo estabelecesse leilões para aquisição de energia para entrega no curto prazo.

"A Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] abriu um leilão para comprar eletricidade vinda do gás natural ao preço de R$ 581 por MWh. Não houve oferta por parte dessa fonte. A Unica já colocou a energia de biomassa à disposição".

A maior parte da energia cogerada pelas usinas de cana é vendida no mercado regulado, que oferece contratos de longo prazo (de 15 a 20 anos), via leilões da Aneel. Os preços máximos praticados nesse mercado não chegam a R$ 300 o MWh. Uma parcela, em média, de 10% a 15% da cogeração de biomassa é vendida no mercado livre que, em 2014, com a forte seca que afetou reservatórios das hidrelétricas, atingiu o teto do PLD (Preço de Liquidação de Diferenças, referência de preço para esse segmento), de R$ 822 o MWh. Foi esse valor, recorde, que estimulou as usinas a buscarem, em 2014, biomassa até de terceiros para ampliar a produção de eletricidade, diz Souza.

Contudo, no fim de 2014, o governo anunciou a redução do teto do PLD para R$ 388 o MWh, o que afetou a rentabilidade dos que pretendiam comprar biomassa a custos mais elevados para ampliar a cogeração. Conforme o consultor, o cenário ficou mais desestimulante nos últimos meses com as chuvas dentro do esperado e com a retração da atividade econômica no país, o que impactou a demanda por energia. A combinação dessas duas variáveis fez o PLD cair abaixo de R$ 200 o MWh. Segundo informações da Câmara de Comércio de Energia Elétrica (CCEE), o PLD médio até 31 de julho está em R$ 178,63 o MWh. (Valor Econômico 03/08/2015)

 

ATR Paraná projetado sobe 0,20% em julho

No final da tarde de quinta-feira (30), o Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado do Paraná (Consecana-PR) divulgou os dados referentes ao ATR para o mês de julho/2015. De acordo com os números, o ATR projetado para o mês de julho, subiu 0,20%, passando de R$ 0,4854 em junho, para R$ 0,4864 neste mês de julho.

Já o ATR acumulado, fechou em baixa de 0,49% em relação ao mês passado, cotado em R$ 0,4833 o quilo contra R$ 0,4857 do mês de junho. O ATR mensal teve desvalorização de 1,73%, cotado a R$ 0,4786, contra R$ 0,4869 do mês anterior.

Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo fecharam em R$ 53,11 a tonelada, alta de 0,20% ante os R$ 53,00 a tonelada no mês passado. A cana esteira também subiu: 0,21%. Ela foi negociada a R$ 59,33 a tonelada contra os R$ 59,20.

Já o  preço do ATR para o estado de São Paulo ficou em R$ 0,4653 para o mês de jul-15 e o preço acumulado de abr-15 a jul-15 em R$ 0,4734 p/ kg / ATR. (EFE 31/07/2015)

 

Açúcar: Pressão do dólar

A valorização do dólar em relação a outras moedas, inclusive o real, exerceu pressão sobre as cotações das commodities agrícolas em geral na sexta-feira e determinou a queda do açúcar na bolsa de Nova York.

Os contratos com vencimento em março encerraram a sessão negociados a 12,40 por libra-peso, em queda de 12 pontos em relação à véspera.

Do ponto de vista dos fundamentos, o mercado continua a acompanhar com atenção o avanço da colheita no Centro-Sul do Brasil e os reflexos das chuvas recentes sobre as produtividades dos canaviais.

As estimativas atuais para a produção de açúcar na região têm sido ajustadas para baixo nas últimas semanas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal caiu 0,04%, para R$ 47,35. (Valor Econômico 03/08/2015)

 

Delfim Netto diz que crise econômica não está afetando o agronegócio

O economista falou a Sebastião Nascimento. É a entrevista mensal de GLOBO RURAL

Entrevistei o professor Delfim Netto para a edição de GLOBO RURAL que está chegando às bancas. Entusiasta do agronegócio, Delfim ressalta que os males da política econômica não afetaram o setor. Disse que a produtividade alta das lavouras de soja e milho e a genética de ponta usada na pecuária de corte têm sido fundamentais para manter o Brasil na ponta dos maiores exportadores mundiais de carne, por exemplo.

Quando perguntei a Delfim Netto se ele acredita que a China irá diminuir a compra de alimentos brasileiros, já que o PIB do país asiático deu um breque, ele me explicou: “A China não importa commodities, e sim água, o que é diferente.”

“A China tem uma população gigantesca e muita terra para produzir soja, mas não tem água e irá continuar não tendo. E não é só soja. Um quilo de carne precisa de 15.000 litros de água.”

Mas a frase mais forte do professor em minha opinião brotou quando lembrei que ele havia dito, em agosto/setembro de 2014, que o apocalipse não nos esperava na esquina. Foi uma resposta a pergunta feita por um jornalista sobre uma possível paralisação total da economia brasileira.

Veja o que Delfim respondeu agora para GLOBO RURAL: “Pode ficar tranquilo. Nós não temos competência para impedir o crescimento do Brasil no longo prazo.”

Mas ele fez um adendo: A crise econômica não merece esse barulho colossal, “mas é importante compreender que a situação ficou delicada.” Completou dizendo que a eleição, que poderia ter dado uma solução ao pessimismo, infelizmente complicou a situação. “A presidente Dilma foi eleita com uma promessa e a negou no dia seguinte à eleição. Depois, enviou um projeto de ajuste para o Congresso. A Câmara devolveu o projeto como um aleijão, infestado de carrapatos.”

Delfim, que está com 87 anos de idade, falou ainda dos EUA, do impasse Câmara dos Deputados/Planalto, de Kátia Abreu e de impeachment da presidente. Ele considera que a resposta para os que pedem a deposição de Dilma está no respeito às instituições, e descarta qualquer aventura.

Sobre um tema, a melhora social do Brasil nos últimos anos, o professor é enfático: “É impossível negar. O Brasil cresceu dramaticamente nos últimos 20 ou 25 anos.” Confira. Está bastante atual a entrevista com o professor. (Globo Rural 31/07/2015)

 

Bradesco compra HSBC no Brasil por US$ 5,2 bi

Com a compra da subsidiária brasileira, que tem R$ 160 bi em ativos, o Bradesco alcança a cifra de R$ 1,193 tri em ativos e se aproxima do seu maior concorrente, o Itaú Unibanco.

O Bradesco comprou a filial brasileira do HSBC por US$ 5,2 bilhões. A aquisição será anunciada nesta madrugada, em Londres, depois de mais de dois meses de negociações e uma disputa que também teve entre os candidatos ao negócio o espanhol Santander e o Itaú. 
O banco brasileiro comprou toda a operação do HSBC no País - os negócios de varejo e atacado. Com a subsidiária brasileira, que tem R$ 160 bilhões em ativos, o Bradesco alcança a cifra de R$ 1,193 trilhão em ativos e se aproxima do maior concorrente, o Itaú Unibanco.

Sétimo maior banco do Brasil, o HSBC tem 5 milhões de clientes, atendidos por uma rede de 853 agências, e cerca de 21,4 mil funcionários. Possui ainda a financeira Losango, que oferece crédito para compras na agência de turismo CVC, e nas redes Hering e Colombo. Sua participação no mercado, entretanto, é de apenas 2,25%.

A venda da subsidiária brasileira foi anunciada em junho pela matriz, como parte de uma reestruturação global para aumentar a rentabilidade do banco. (O Estado de São Paulo 03/08/2015)

 

México estabelece limite de exportação de açúcar aos EUA

O México irá estabelecer um limite máximo de exportações de açúcar para os Estados Unidos de 983.248 toneladas para o período entre 1º de outubro de 2015 a 30 de setembro de 2016, disse o ministro da Economia mexicano em comunicado no diário oficial do país nesta sexta-feira.

Os dois países assinaram um acordo no fim de 2014 para acabar com uma disputa comercial no setor de açúcar, mas o Departamento de Comércio dos EUA disse no fim de abril que retomou as investigações de anti-dumping e de compensação do açúcar importado do país vizinho devido a pedidos de que continuasse o inquérito. (Reuters 31/07/2015)

 

Preço do etanol cai em 12 estados e sobe em 13, segundo ANP

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros caíram em 12 Estados, subiram em outros 13 e no Distrito Federal e ficaram estáveis no Amapá nesta semana, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

No período de um mês, os preços recuaram em 16 Estados, subiram em 9 e não se alteraram em Alagoas e no Distrito Federal.

Em São Paulo, principal Estado consumidor, a cotação recuou 0,31% na semana, para R$ 1,910. No período de um mês, acumula queda de 1,80%.

Na semana, o maior avanço das cotações foi registrado em Goiás (18,75%), enquanto o maior recuo ocorreu em Mato Grosso (1,57%). No mês, a maior queda foi em Minas Gerais, com recuo de 3,08%, e a maior alta ocorreu em Goiás (16,83%).

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 1,479 o litro, no Estado de São Paulo, e o máximo foi de R$ 3,61 o litro, no Amazonas. Na média, o menor preço foi de R$ 1,910 o litro, em São Paulo. O maior preço médio foi verificado no Acre, de R$ 3,039 o litro.

Etanol X gasolina

Pela 18ª semana consecutiva, o etanol permaneceu competitivo em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo, segundo dados da ANP, compilados pelo AE-Taxas. Os Estados são ainda os maiores produtores de etanol do País. Nos demais e no Distrito Federal a gasolina permaneceu mais competitiva.

Segundo o levantamento, o etanol equivale a 69,22% do preço da gasolina em Goiás. Em Mato Grosso, a relação está em 59,25%; em Mato Grosso do Sul, em 68,75%; em Minas Gerais, em 64,90%; no Paraná, em 65,76%; e em São Paulo, em 61,49%.

A gasolina está mais vantajosa principalmente em Roraima, onde o etanol custa o equivalente a 85,36% do preço da gasolina - a relação é favorável ao biocombustível quando está abaixo de 70%.

O preço médio da gasolina em São Paulo está em R$ 3,106 o litro. Na média da ANP, o preço do etanol no Estado ficou em R$ 1,910 o litro. (Agência Estado 31/07/2015)

 

Venda de etanol no Brasil bate recorde no primeiro semestre

No 1º semestre, aumento nas vendas de etanol chegou a 38,3% em relação ao mesmo período de 2014 Já o consumo de gasolina caiu 5%.

Em muitas partes do Brasil, o preço da gasolina nas alturas fez a venda de etanol bater um recorde no primeiro semestre. E isso teve um efeito entre os consumidores

Na hora de abastecer, a pedagoga Karen de Abreu fica atenta à placa dos preços.

Uma placa indicava R$ 1 de diferença entre o etanol e a gasolina. Perguntada se pensa sobre isso na hora de abastecer, a motorista responde: “Precisa pensar nisso, porque tudo sobe. Então, a gente tem que pensar nessa hora para economizar.”

No primeiro semestre, o aumento nas vendas de etanol chegou a 38,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o consumo de gasolina caiu 5% de janeiro a junho. Com a alta no preço de mais de 9% este ano, a gasolina está perdendo a vez nas bombas.

A última pesquisa feita pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), na semana passada, mostra que, em média, o litro do etanol, no país, estava custando o equivalente a 62,8% do preço do litro da gasolina.

Desde o primeiro semestre de 2009 não se vendia tanto álcool no país. A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) diz que, embora o aumento nas vendas seja nacional, ele foi puxado por seis estados. São estados produtores de álcool. Entre eles, São Paulo, onde a diferença nas bombas pode ser ainda maior. Tem até motorista do Rio atravessando a divisa para abastecer do lado paulista.

“Junto o útil ao agradável. Venho a São Paulo resolver uns probleminhas e aproveito o regresso para preencher, porque o preço é bem mais em conta do que no estado do Rio”, explica um motorista.

“Provavelmente São Paulo esteja puxando esse aumento. Mas, de qualquer maneira, eu acredito que a crise está fazendo com que o consumidor queira usar o etanol para ter a sensação de estar gastando menos”, diz Maria Aparecida Siuffo, vice-presidente da Fecombustíveis.

Raphaela adotou o etanol de vez. A cada três ou quatro dias, vai ao posto. O pedido sai no automático: “Trinta de álcool, por favor.”

“Já cheguei a abastecer com gasolina, mas o álcool, pelo trajeto que faço, me satisfaz e eu gasto bem menos”, diz. (Jornal Nacional 01/08/2015)

 

Os preços das commodities atingiram esta semana seus níveis mais baixos em seis anos.

Os preços das commodities, medidos pelo índice Commodities Research Bureau (CRB), um dos mais prestigiados do mundo, atingiram esta semana seus níveis mais baixos em seis anos.

Esse medidor é um cestão de preços de matérias-primas que incluem petróleo, ouro, metais não ferrosos, alimentos e produtos químicos. Indica como evolui um dos principais fatores de custo do setor produtivo global. A queda começou em 2011 e, de lá para cá, não parou mais. O índice está agora no patamar em que estava há 13 anos.

As cotações do minério de ferro ficaram muito próximas dos US$ 200 por tonelada em fevereiro de 2011 e hoje oscilam em torno dos US$ 50 por tonelada. Em junho de 2014, o barril de petróleo tipo Brent arranhou os US$ 110; hoje está a pouco mais de US$ 50 por barril. Para desespero dos chilenos, as cotações do cobre atingiram seu ponto mais baixo dos últimos seis anos.

Um a um, os analistas do setor vêm repetindo que o longo e grande ciclo das matérias-primas, que se iniciou em 2002, parece ter se esgotado e dado lugar a uma fase de ressaca de duração incerta.

Como o Brasil é um dos mais importantes produtores mundiais de commodities, esse tombo produz grande impacto sobre a economia. Derruba as vendas de cerca de 50% dos produtos que tomam o rumo do exterior, reduz a renda interna e a arrecadação, desorganiza os investimentos – como se vê mais na área do petróleo e dos minérios – e concorre para o aumento do desemprego.

Não há uma única causa para essa derrubada. A fraquejada da produção mundial em consequência da crise é só uma delas. A virada estrutural da economia da China, antes voltada às exportações e agora atendendo mais ao consumo interno, também tem seu peso. Quando o noticiário aponta para distúrbios da economia chinesa, como nas últimas semanas, os preços das commodities afundam, porque a China é uma das maiores importadoras de commodities do mundo. Só de minério de ferro, é responsável pela importação de 70% do volume global negociado.

Mas o principal fator de baixa é a superprodução. Os cerca de dez anos de boom do setor estimularam os investimentos. Empresas na área de petróleo, de minério de ferro, carvão e não metálicos surgiram em todo o mundo como cogumelos, passaram a empurrar a produção e a acumular estoques. O principal objetivo da Opep, em novembro, ao recusar-se a baixar a oferta de petróleo, foi alijar os novos concorrentes do mercado que operam a custos mais altos.

Não dá para esquecer de mais dois fatores que hoje vêm concorrendo para a baixa. É a relativa valorização do dólar, que exige cada vez menos moeda para pagar o mesmo volume de produto; e a perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos, que tende a valorizar mais o dólar.

Para o Brasil, a atenuante é o setor de alimentos, mas com melhor prognóstico. Como as pessoas têm de comer, o impacto acaba sendo menor. Os preços da soja, por exemplo, caíram 17% em dois anos; os do milho, 22%; e os do açúcar, 36%. Mas o que mais protege o setor do agronegócio aqui é sua alta competitividade, apesar do alto custo Brasil e do jogo contra do governo, especialmente no setor do açúcar e do álcool.

Vida mais difícil

Três são os fatores que estão levando os aplicadores a reduzir seus depósitos nas cadernetas. O primeiro deles é a inflação. O segundo é o desemprego, que obriga o assalariado a recorrer a suas reservas para completar a cobertura do seu orçamento. E o terceiro é a remuneração bem mais fraca em comparação com a que é paga pelos fundos de renda fixa, apesar do Imposto de Renda e da taxa de administração que não existem na caderneta. (O Estado de São Paulo 02/08/2015)

 

BRF se prepara para salto internacional

Após inaugurar fábrica em Abu Dabi, companhia traça estratégia para fazer da Sadia uma marca global; segundo o presidente Pedro Faria, grandes aquisições não estão descartadas.

É inegável que a BRF não é mais a mesma. A “nova” BRF começou a ganhar corpo em abril de 2013, quando foi anunciada uma profunda reestruturação da companhia de alimentos, com mudança de gestão, reorganização financeira e de negócios. Na esteira dessas decisões, vieram a venda da unidade de lácteos à francesa Lactalis, em 2014, e a meta de tornar a Sadia uma marca global, com a inauguração de uma fábrica para atender o Oriente Médio. O principal desafio do comando da BRF, agora, é justamente acelerar e tornar mais visível a internacionalização da marca da companhia, antes mais associada a commodities.

Em entrevista ao Estado, Pedro Faria, desde o início do ano presidente global da gigante de alimentos, formada pela união da Sadia com Perdigão, afirmou que a estratégia internacional do grupo tem cinco mercados prioritários: Oriente Médio, América do Sul, Sudeste Asiático, Europa e Brasil. Isso não quer dizer que o grupo não possa explorar outras regiões, como os EUA, onde seu principal rival, o JBS, fez grandes aquisições, como a Swift e Pilgrim’s Pride. Por lá, o grupo também comprou recentemente ativos de suínos da americana Cargill e do Moy Park, de alimentos processados na Europa, que pertencia ao frigorífico brasileiro Marfrig.

Presença no exterior: BRF hoje distribui produtos em 150 países

No caso da BRF, o principal projeto de expansão fora do Brasil foi erguido do zero. Em novembro passado, a BRF inaugurou sua fábrica em Abu Dabi, com investimento de US$ 160 milhões. Das seis linhas de produção dessa unidade, três estão em operação. A capacidade instalada da unidade é de 70 mil toneladas de produtos por ano – a utilização desse potencial, porém, só deve ocorrer em três anos, de acordo com Faria.

Desde a criação da “nova” BRF, a empresa só se envolveu em negócios de pequeno porte, como uma joint venture no setor de distribuição, em Cingapura, e parcerias. “Vamos crescer por aquisições também, mas não queremos comprar só por comprar”, frisa o presidente da BRF, que ajudou a criar o fundo Tarpon, que tem em seu “DNA” grandes fusões e aquisições.

Fontes de mercado apostam que, cedo ou tarde, esse histórico seja aplicado na BRF, sobretudo na expansão internacional, área que Pedro Faria comandou antes de assumir a presidência. “Viajei muito para mapear onde podemos crescer.”

Fôlego financeiro a companhia tem: o endividamento é considerado baixo (equivalente 1,12 vezes a geração de caixa, contra 2,3 vezes da JBS). A receita global da BRF subiu 12,8% no segundo semestre, atingindo R$ 7,9 bilhões. O grupo foi pioneiro no País ao captar “green bonds” (títulos de dívidas voltados à sustentabilidade) de 500 milhões de euros.

Ao contrário do que fez a JBS, que adquiriu empresas fortes nos mercados que considera prioritários, a BRF quer levar a marca Sadia para o mundo. Hoje, os produtos da empresa são exportados para mais de 150 países, mas a presença com itens industrializados, que levam o rótulo Sadia, só é realidade em 20 nações, sobretudo no Oriente Médio, na América do Sul, nos países de língua portuguesa da África e em mercados “nanicos” da Europa, como Kosovo. “Lá, a Sadia tem 75% de participação”, diz Faria. Ele sabe que é pouco, mas pondera que o êxito no país pode ser a prova de que os produtos podem ser bem aceitos no Leste Europeu.

O analista Guilherme Moura, do Banco Fator, diz que as decisões assertivas em relação à expansão externa tomadas pela atual administração seguem de perto estratégias costuradas anteriormente. “Lembramos que ele (Faria) já herdou a empresa com importantes mudanças realizadas na gestão de Claudio Galeazzi (indicado por Abilio Diniz, acionista e presidente do conselho da BRF).” 

Com a casa arrumada no País, a questão é saber se a reputação que a Sadia demorou 80 anos para construir no Brasil poderá ser replicada em outros lugares do mundo na velocidade da ambição da “nova” BRF (O Estado de São Paulo 03/08/2015)

 

Uns dias par de ás, outros dias par de dois Açúcar Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY se comporta como uma interminável reprise de um filme de terror. A cada enxadada, uma minhoca. Desta vez, a semana encerrou a sexta-feira com o vencimento outubro de 2015 cravando 11.14 centavos de dólar por libra-peso, acumulando uma desvalorização de dois a dez dólares por tonelada na semana, pior para os vencimentos mais futuros que devem ter sido pressionados pela desvalorização do real que, combinada com uma taxa de juros brasileira de 14.25%, deixa as operações em reais de longo prazo mais atraentes para aqueles que podem fazer o hedge. Dependendo do vencimento, os valores em reais por tonelada para a safra 2016/2017 estão em torno de R$ 1.100.

Comparando com o fechamento do último dia útil de 2014, o açúcar já acumula este ano uma queda de 75 dólares por tonelada no primeiro mês de vencimento (R$ 12.74 por saca de 50 quilos). Outras commodities também amargam um prejuízo dessa magnitude, entre elas o café (28% de queda), o petróleo (17%) e o trigo (16%)

Os preços em reais por tonelada, no entanto, ainda continuam acima do valor mais baixo observado em setembro do ano passado. Para quebrar esse recorde negativo, considerando o do dólar a 3,4000 reais, por exemplo, podemos dizer que o mínimo que NY poderia negociar é 9.50 centavos de dólar por libra-peso, o mais baixo de sete anos. Os próprios fundos - apesar do cenário macroeconômico mundial desfavorável às commodities - devem ter um nível consensual que os empurre a cobrir as posições vendidas na bolsa e tomar lucro.

A correlação entre a cotação do açúcar NY em centavos de dólar por libra-peso e o câmbio mostra que nos últimos 20 pregões a desvalorização do real explica 69% da queda da commodity na bolsa. Nos últimos 50 pregões, a importância do câmbio cai para 44% e nos últimos 100 dias ela foi de 57%. Por outro lado, se fizermos a correlação da liquidação diária do açúcar em reais por tonelada com a cotação do açúcar NY em centavos de dólar por libra-peso, notamos que ela é de 81% ou seja o valor em reais por tonelada é menos volátil e sofre influência de apenas 10% da variação cambial, ou seja um aumento do câmbio em um ponto percentual significa uma queda de apenas 0.1 ponto percentual no preço em reais.

E a operação da trading asiática recebendo uma quantidade enorme de açúcar na bolsa, hein? Será que vai vingar? Essa é a pergunta que todos se fazem. Penso que se der errado eles entregam o saldo não vendido de volta no outubro. Mas não acredito que isso vai acontecer. Estou mais propenso a pensar numa aposta dobrada. O mercado de commodities tem dessas peculiaridades. Assim como na mesa de pôquer às vezes recebemos um par de ás ou de figuras, mas em outras só dois e três. O “flop” pode não ter sido favorável até o momento, mas ainda há chance do “turn” e do “river” virarem o jogo. Vai que sai outro par de dois para virar uma quadra! Fichas, por favor.

O modelo desenvolvido pela Archer Consulting indica que em 30/junho passado as usinas estavam fixadas no total de 64.21% de suas vendas para a exportação da safra 2015/2016. O valor médio de fixação obtido pelas usinas, de acordo com o modelo, é de 15.14 centavos de dólar por libra-peso. Esse valor é equivalente R$ 948.76 FOB Santos. O dólar médio conseguido pelas usinas ao longo desse período de fixação foi de 2.7323. Talvez tenhamos menos pressão do que esperávamos visto que o volume fixado até agora é bastante robusto para a época (veja gráfico).

Até a primeira quinzena de julho, a produção de cana no Centro-Sul atingiu 230 milhões de toneladas com uma ATR média de 122.48 kg por tonelada de cana. Talvez o mercado ainda não tenha se dado conta, mas para produzir a mesma quantidade de ATR que produzimos o ano passado (78,2 milhões de toneladas ATR), o Centro-Sul terá que ter um rendimento a partir de agora de pelo menos 142.27 kg por ATR para atingir a mesma produção do ano passado (assumindo que vamos moer 581 milhões de toneladas de cana, segundo previsão da Archer). Rendimento como esse só vimos em 2013/2014 durante duas quinzenas em setembro e outubro. Vamos ajustar nossa previsão de safra para baixo.

Sêneca, um dos mais célebres advogados, escritores e intelectuais do Império Romano escreveu um texto, “A Apocoloquintose do Divino Cláudio” atacando o imperador romano, destacando seus vícios, sua inabilidade de governar e suas posições políticas mais controversas além do seu defeito de caráter. Sêneca teria escrito o mordaz texto, após a morte de Cláudio, provavelmente em resposta ao desterro imposto pelo imperador pelo envolvimento do escritor com a sobrinha dele. No texto, Sêneca descreve Cláudio ascendendo ao Olimpo após a morte na esperança de se tornar uma divindade, mas o Senado dos Deuses decide não o deificar por sua conduta na Terra e, depois de passar de mão em mão, Cláudio acaba no Hades (inferno) numa função menor. Essa é a frustração de Cláudio, que esperava a apoteose (transformar-se em Deus) mas acaba encarando a apocoloquintose (transformação em abóbora). O sentido aqui seria o de se transformar em um “banana”. Interessante como a história se repete. Dois mil anos depois, estamos assistindo a Apocoloquintose de Dilma (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Pressão do dólar: A valorização do dólar em relação a outras moedas, inclusive o real, exerceu pressão sobre as cotações das commodities agrícolas em geral na sexta-feira e determinou a queda do açúcar na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em março encerraram a sessão negociados a 12,40 por libra-peso, em queda de 12 pontos em relação à véspera. Do ponto de vista dos fundamentos, o mercado continua a acompanhar com atenção o avanço da colheita no Centro-Sul do Brasil e os reflexos das chuvas recentes sobre as produtividades dos canaviais. As estimativas atuais para a produção de açúcar na região têm sido ajustadas para baixo nas últimas semanas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal caiu 0,04%, para R$ 47,35.

Café: Robusta no radar: Adversidades climáticas em regiões produtoras de café robusta do Vietnã e da Indonésia sobrepujaram a pressão exercida pela valorização do dólar e as cotações do arábica subiram na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os papéis para entrega em dezembro fecharam a US$ 1,2850 por libra-peso, em alta de 40 pontos. Analistas destacaram, entretanto, que os reflexos "altistas" provocados pela seca em polos vietnamitas e indonésios tendem a ter curta duração e que a força das oscilações da moeda americana deverá voltar a dar o tom nos próximos dias. Também o clima no Brasil continua no radar dos traders. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade foi negociada entre R$ 460 e R$ 480, conforme informações do Escritório Carvalhaes, de Santos.

Soja: Cancelamento chinês: O cancelamento de acordos de importação de cerca de 200 mil toneladas de soja americana por clientes chineses influenciou a queda dos preços da soja na sexta-feira na bolsa de Chicago. Também por conta da pressão exercida pela valorização do dólar, os contratos com vencimento em setembro encerraram o pregão a US$ 9,5325 por bushel, em baixa de 11,25 centavos. O cancelamento das compras, reportado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), veio depois de três sessões seguidas de altas, em parte provocadas justamente pela demanda aquecida pelo grão americano. Nas principais praças de Mato Grosso, a saca de 60 quilos da soja tem sido negociada entre R$ 57 e R$ 65, segundo o Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea).

Milho: Sem chuva: Em meio a muita volatilidade, os preços do milho sucumbiram à valorização do dólar e à melhora do clima em regiões produtoras dos Estados Unidos e recuaram na sexta-feira na bolsa de Chicago. Os papéis para entrega em dezembro fecharam a US$ 3,8175 por bushel, em queda de 2,5 centavos de dólar. Depois das chuvas excessivas e de uma certa normalização do padrão em julho, o clima americano continua a provocar incertezas no mercado. Mas, até o momento, não há nada que indique que as intempéries serão capazes de provocar uma quebra considerável na produção dos EUA. No Paraná, a saca de 60 quilos do cereal saiu, em média, por R$ 21,36, segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Estado. (Valor Econômico 03/08/2015)