Setor sucroenergético

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Petrobras deve fazer aporte de R$ 250 milhões na Guarani em outubro

O diretor da divisão de cana-de-açúcar da Tereos Internacional, Jacyr Costa Filho, informou ao Estadão Conteúdo que a Petrobras Biocombustível deverá repassar em outubro R$ 250 milhões à Guarani, no último aporte do investimento acertado para os últimos cinco anos.

Segundo ele, a estatal não manifestou nenhum interesse em abandonar a parceria com o grupo sucroalcooleiro. "Não temos conhecimento sobre isso", disse ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, nos bastidores do 14º Congresso Brasileiro do Agronegócio, em São Paulo.

O acordo entre Petrobras e a Tereos foi fechado em 2010. Na época, a estatal se comprometeu a repassar R$ 1,6 bilhão durante um período de cinco anos, ao final do qual deteria quase 46% da Guarani, controlada pelo grupo francês.

As dificuldades financeiras enfrentadas pela petroleira, entretanto, levantaram dúvidas a respeito da continuidade dessa participação. Reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo" da semana passada, por exemplo, revelou que a Petrobras tem um plano de desinvestimento que prevê a descontinuidade da área de biocombustíveis até o final de 2018.

A Guarani tem sete usinas no noroeste paulista, com capacidade para processar até 23 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por temporada. No atual ciclo, iniciado em abril, os trabalhos das unidades foram prejudicados por chuvas em excesso nos meses de abril e maio, mas ainda assim o cronograma de safra está mantido.

"Devemos encerrar entre o final de novembro e o início de dezembro", disse o executivo, acrescentando que em junho e julho a moagem se recuperou, com mais de 3 milhões de toneladas por mês.

Na próxima quarta-feira (5), a Tereos divulga os resultados financeiros referentes ao primeiro trimestre do ano-safra 2015/16, que engloba os meses de abril, maio e junho. Os dados sairão após o fechamento dos mercados.

Açúcar

Costa Filho afirmou ainda que os preços internacionais do açúcar devem começar a subir a partir deste semestre. Conforme ele, os estoques tendem a baixar e, além disso, a produção de países como Índia e Tailândia pode ser menor - nessas nações, a safra se inicia em outubro.

Sobre a disparada do dólar ante o real, o executivo afirmou que, embora positiva para a exportação de açúcar, também significa aumento de custos em "fertilizantes, defensivos e demais produtos químicos" para o setor sucroalcooleiro. (Agência Estado 03/08/2015)

 

Guarani projeta estocar mais etanol para entressafra

A estratégia da sucroalcooleira Guarani para comercializar sua produção de etanol neste ciclo 2015/16 deve privilegiar a venda do produto na entressafra, segundo Jacyr Costa Filho, diretor para o Brasil do grupo controlador da Guarani, o francês Tereos. Na visão do executivo, que participou ontem do evento da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), em São Paulo, a combinação de preços deprimidos do biocombustível e de uma demanda forte neste ano pelo produto deve resultar em preços mais remuneradores na entressafra da cana, que começa em dezembro e vai até março de 2016.

Desde abril, os preços do etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, caíram 7% na usina de cana-de-açúcar em São Paulo, conforme indicador Cepea/Esalq. Por outro lado, de abril a junho, a demanda pelo biocombustível cresceu 50% no país, para 4,4 bilhões de litros, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP).

O represamento de recursos para financiar os estoques está entre as razões que explicam a expectativa de alta só na entressafra. Em junho, o governo anunciou que destinaria R$ 2 bilhões para financiar os estoques No entanto, até o momento, os recursos não foram liberados. "Se demorar, os preços vão continuar se retraindo, com grandes chances de melhorarem só na entressafra [dezembro a março]", previu. Em nota, o BNDES informou que esse programa "será, em breve, submetido à aprovação da diretoria" do banco.

Sobre a empresa, o executivo reiterou ao Valor que o aporte de R$ 250 milhões programado para ser feito pela Petrobras na Guarani está mantido. "Não há nenhuma conversa que indique o contrário". O aporte faz parte de um contrato firmado em 2010 entre a Petrobras e a Tereos, por meio do qual a estatal se comprometeu a investir R$ 1,6 bilhão para atingir 45,7% do capital da Guarani. Desde então, a estatal já aportou no negócio R$ 1,554 bilhão, e o montante de R$ 250 milhões é a última tranche desse contrato.

Costa Filho também afirmou que a moagem de cana das usinas da Guarani estão dentro do planejamento e que, até agora, as unidades processaram metade do total de 20 milhões de toneladas previsto para o ciclo 2015/16. "O volume de matéria­prima disponível é maior do que isso, mas não sabemos se teremos tempo hábil para processar tudo", afirmou. Ele observou ainda que, até o momento, a produtividade da cana colhida está em 87 toneladas por hectare e que o teor de açúcar (ATR) está em 126 quilos por tonelada. (Valor Econômico 04/08/2015)

 

Recursos para estocagem do etanol ainda não chegou para o setor

O crédito destinado pelo Plano Safra para a estocagem de etanol ainda não chegou ao setor. E esse recurso é necessário para dar equilíbrio na oferta, segundo Jacyr Costa Filho, da Teréos.

Se houver um atraso no recurso, vai acabar a safra e o setor não estocou o etanol. Se estocar, o preço sobe um pouco, mas garante o suprimento, segundo Costa Filho.

Sem o recurso, há um desestímulo à produção e um estímulo ao consumo. Não garante suprimento, no entanto, na entressafra.

A estocagem evita o sobressalto dos preços do etanol na entressafra e evita a troca do combustível por gasolina, exigindo maior importação do derivado do petróleo. (Folha de São Paulo 04/08/2015)

 

Açúcar: Preços derretem

As cotações do açúcar sofreram um tombo ontem na bolsa de Nova York diante do fortalecimento do dólar em relação ao real e da perspectiva de um aumento da produção nas últimas semanas.

Os lotes para março caíram 22 pontos, para 12,18 centavos de dólar a libra-peso.

O dólar avançou sobre o real sob influência externa e das incertezas políticas internas, o que incentiva as exportações brasileiras.

A consultoria Archer Consulting calcula que, nos 20 pregões anteriores, a desvalorização do real explicou 69% da queda do açúcar na bolsa.

Também há expectativa de que a produção da segunda quinzena de julho no Centro-Sul tenha aumentado por causa da trégua nas chuvas.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,46%, para R$ 47,13 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 04/08/2015)

 

Preços nos mercados regulados e livres preocupam investidores em bioeletricidade da cana

O preço-teto estabelecido para o Leilão regulado A-3, que acontecerá no dia 21/08, contratando energia para suprimento a partir de 2018, foi estabelecido em R$ 218/MWh para a fonte biomassa. O edital do Leilão e o preço-teto foram aprovados no dia 21/07, durante a reunião da diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica.

Para o Leilão, foram cadastrados 586 projetos das fontes eólica, biomassa, de Pequenas Centrais Hidrelétricas e gás natural que totalizaram 23.206 MW de potência habilitável. A fonte biomassa apresentou 24 projetos, com potência habilitável de 1.114 MW, representando apenas 4,8% do total cadastrado.

Para o gerente em bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Zilmar Souza, embora o preço-teto em relação ao A-3 de 2014 tenha se elevado, frustrou expectativas e não será capaz de atrair investimentos, de forma robusta, para a atividade de bioeletricidade no setor sucroenergético.

“O último Leilão A-5, que aconteceu em abril, teve um preço-teto de R$ 281 por MWh. Mesmo sendo um leilão para entrega em 2020, não vejo porque tanta diferença de preço entre os dois leilões. O ideal seria que o A-3 tivesse tido até um preço superior ao último A-5, o que sinalizaria que o governo realmente quer estimular o retrofit [reforma] das usinas e o aproveitamento da palha para a geração de energia. Neste nível, esses investimentos não avançarão”, comenta o especialista.

No mercado livre de energia elétrica, o cenário também preocupa. O Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), que apresentou por várias semanas em 2014 valores acima de R$ 800/MWh, agora, para a semana operativa que vai de 01/08 a 07/08, no submercado Sudeste/Centro-Oeste, tem um preço de R$ 121,29/MWh no patamar mais pesado de carga
(nas horas do dia em que há maior consumo de eletricidade).

O PLD é divulgado semanalmente pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica e acaba balizando o preço da energia elétrica no mercado de curto prazo. “Com a redução do PLD e do preço da energia no mercado de curto prazo, boa parte das oportunidades de aquisição de biomassa complementar para uma geração extra se torna inviável, pois, por exemplo, estão associadas à coleta da palha e ao transporte dessa biomassa própria e de terceiros até as usinas, cujas distâncias são significativas e ao PLD atual não conseguem ser remuneradas adequadamente como aconteceu em 2014”, explicou Souza.

Renda da bioeletricidade no setor sucroenergético: cenário bem diferente

Segundo o diretor Técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, o faturamento adicional que algumas unidades conseguiram no ano passado, com a venda extra de energia, auxiliou a reforçar o caixa das usinas. “O cenário agora é outro. Com a redução dos preços de curto prazo da energia, não veremos o mesmo fôlego da safra passada para a renda da bioeletricidade e que ajudou as empresas a manter em dia o pagamento de suas obrigações, de fornecedores de cana a de serviços” avalia Pádua.

Para Padua, no mercado regulado, dos leilões federais, também é importante ter continuidade na melhora do preço, de forma a permitir o retorno do investimento em bioeletricidade de modo contínuo e consolidado. A atividade de venda de energia precisa ter previsibilidade quanto à rentabilidade. Este é um tema relevante para o setor. Um ambiente estável e remunerador para a bioeletricidade significa trazer renda para todo o setor sucroenergético.

Recentemente, a bioeletricidade foi um dos fatores para a Unica e a Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana) criarem um grupo técnico para rever as normas do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de S. Paulo (Consecana), que estabelece um mecanismo de pagamento da cana com base em um percentual da receita média anual da indústria.

“O problema do Consecana não é a falta de regras, um sistema de pagamento da cana-de-açúcar com critérios técnicos bem definidos. O que estamos observando nos últimos anos é a falta de preços dos produtos da cana de açúcar e da energia que não remuneram os custos da produção agrícola e do processamento industrial,” defendeu Pádua. (Unica 03/08/2015)

 

Etanol

O crédito destinado pelo Plano Safra para a estocagem de etanol ainda não chegou ao setor. E esse recurso é necessário para dar equilíbrio na oferta, segundo Jacyr Costa Filho, da Teréos.

Oferta

Se houver um atraso no recurso, vai acabar a safra e o setor não estocou o etanol. Se estocar, o preço sobe um pouco, mas garante o suprimento, segundo Costa Filho.

Desestímulo

Sem o recurso, há um desestímulo à produção e um estímulo ao consumo. Não garante suprimento, no entanto, na entressafra.

Gasolina

A estocagem evita o sobressalto dos preços do etanol na entressafra e evita a troca do combustível por gasolina, exigindo maior importação do derivado do petróleo.

Menos banco

O ambiente atual é de maior avaliação de riscos. Com isso, o sistema de crédito para a agricultura deverá ter um peso menor do sistema financeiro neste ano, segundo Alexandre Enrico Silva Figliolino, do Itaú BBA.

Mais trading

Mas ele considera que haverá participação maior do crédito das tradings, das empresas de insumo e das operações de trocas.

De olho no estoque

A China tem estoque de algodão correspondente a um ano de consumo; 90 mil toneladas de milho, 44% do consumo- e volume elevado de arroz.

Volatilidade

Os chineses aproveitaram os preços baixos das commodities para recompor os estoques, segundo André Pessôa, da Agroconsult. (Folha de São Paulo  04/08/2015)

 

Basf não descarta investir em negócio próprio de sementes

A Basf, multinacional alemã de produtos químicos sinalizou interesse em estabelecer seu próprio negócio de sementes se tiver escala para tal, afirmou hoje o líder do negócio de proteção de sementes da empresa, Markus Heldt, em entrevista ao “The Wall Street Journal”.

“Nós pensamos que um certo tamanho estratégico e uma posição global de mercado em sementes seria necessário para tornar esse negócio atrativo para a Basf”, afirmou.

Uma aquisição poderia apressar o processo de ganho de escala e de mercado. Nos últimos anos, a Basf afirmou mais de uma vez que não estava interessada em entrar no mercado de sementes, citando a falta de atratividade e metas economicamente justificáveis de aquisição.

Porém, isso pode mudar se a proposta da americana Monsanto de comprar a suíça Syngenta por US$ 45 bilhões for aprovada, transação que pode obrigar a Syngenta a vender seu negócio de sementes para garantir a aprovação da venda por órgãos antitruste. Analistas têm citado a Basf como um dos possíveis empresas que pode comprar o negócio de sementes da companhia suíça se ele de fato for vendido.

Held preferiu não comentar diretamente essa possibilidade. “A Basf está olhando em geral para todas as oportunidades”, disse o executivo ao ser questionado sobre se a empresa alemã estaria interessada no negócio de sementes da Syngenta.

Além disso, a Basf se negou a comentar as especulações de que poderia fazer uma oferta de compra de toda a companhia suíça.

Segundo Held, a empresa alemã tem olhado de perto o mercado global de sementes e estaria considerando se tornar um player em lavouras-chave nas Américas. O executivo ressaltou que o mercado tem um volume de US$ 40 bilhões ao redor do mundo, dos quais 60% circulam nas Américas. Apenas milho e soja correspondem a mais de 70% do negócio mundial de sementes, destacou. “Esses são os parâmetros-chave”, pontuou Heldt.

Monsanto, DuPont e Syngenta são os três maiores competidores no mercado mundial de sementes, seguido por Dow Chemical e Bayer CropScience. (Valor Econômico 03/08/2015 às 18h: 12m)

 

Preço do etanol hidratado cai nos postos de 14 Estados

Os preços do etanol hidratado caíram nos postos de combustíveis de 14 Estados na última semana, conforme dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Em 12 Estados, o preço médio subiu e em um, se manteve estável.

A maior retração no preço médio do etanol hidratado foi observada em Mato Grosso, de 1,5%, entre os dias 26 de julho e 1º de agosto, na comparação com a semana anterior. Em São Paulo, maior centro consumidor de combustíveis do país, o preço médio recuou 0,31%, a R$ 1,91 por litro, no mesmo intervalo.

Em quatro semanas, a retração acumulada nos postos de combustíveis do paulistas é de 1,74%. A queda reflete a desvalorização do biocombustível nas usinas de cana-de-açúcar em São Paulo. Em quatro semanas, o indicador Cepea/Esalq para o hidratado acumula queda de 4%.

Chamou atenção na última semana, a forte alta de preços do hidratado nos postos de combustíveis de Goiás, onde o litro foi vendido, em média, a R$ 2,409, alta de 18,8% na comparação a semana anterior.

Entre 26 de julho e 1 de agosto, abastecer com etanol hidratado em vez de gasolina se manteve mais vantajoso em seis Estados. Essa vantagem econômica existe quando o preço do etanol equivale a menos de 70% do preço médio da gasolina. No período, essa relação fico praticamente estável em 61% em São Paulo, 65,7% no Paraná, de 64,9% em Minas Gerais, 59,2% em Mato Grosso e em 68,7% em Mato Grosso do Sul. Em Goiás, Estado que apresentou a maior valorização semanal do etanol ao consumidor final no período, essa paridade foi a 69,2%, uma piora em relação aos 62,6% registrados na semana anterior. (Valor Econômico 03/08/2015 às 16h: 17m)

 

Maior demanda por etanol limita queda de preço na usina em julho, diz Cepea

O preço médio do etanol hidratado na usina no Estado de São Paulo fechou o mês passado com leve queda ante o valor de junho, com o recuo da cotação sendo limitado por uma maior demanda, de acordo com análise desta segunda-feira do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

"Apesar do aumento no volume ofertado no período, decorrente principalmente da necessidade de 'fazer caixa' por parte das usinas, o maior volume negociado limitou as baixas nos valores", disse o Cepea.

Entre 27 e 31 de julho, o indicador Cepea/Esalq do hidratado, combustível concorrente da gasolina na bomba, foi de 1,1793 real/litro (sem impostos), baixa de 1,1 por cento em relação à semana anterior e de 0,8 por cento sobre o encerramento de junho.

O Cepea ressaltou ainda que as quedas nos meses anteriores foram mais intensas: em junho, a desvalorização acumulada foi de 2 por cento e, em maio, de 4,4 por cento. Tal recuo no preço tem dado competitividade ao etanol hidratado em relação à gasolina em importantes regiões consumidoras.

No caso do etanol anidro (misturado à gasolina), o indicador caiu 0,8 por cento na semana, mas permaneceu praticamente inalterado de junho para julho (pequena alta de 0,1 por cento, ante as quedas de 1,6 por cento de maio para junho e de 2,7 por cento de abril para maio.

O Cepea lembrou ainda que, embora a safra esteja em andamento, a quantidade de cana processada e de etanol (anidro e hidratado) produzido na região centro-sul na primeira quinzena de julho diminuiu em relação ao mesmo intervalo de 2014, como resultado das chuvas em julho. (Cepea / Esalq 03/08/2015)

 

Obama lança ambicioso plano de energia limpa

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta segunda-feira (3) o Plano de Energia Limpa, o mais ambicioso do país até hoje para enfrentar as mudanças climáticas.

O pacote inclui o corte de 32% na emissão de carbono por usinas termelétricas até 2030 em comparação com os níveis de 2005.

Além disso, o plano incentiva o uso de fontes de energia renovável como a solar e a eólica em substituição a combustíveis fósseis. As usinas deverão aumentar de 22% para 28% a parcela de fonte de energia limpa empregada. Cada Estado terá metas específicas.

É a primeira vez que os Estados Unidos limitam a quantidade de carbono emitida por usinas, disse Obama.

No anúncio do plano, Obama disse que a questão climática é um desafio mais importante que a crise econômica pós-2008 e as guerras no Iraque e no Afeganistão.

"Por definição, não lido com problemas fáceis porque alguém já os terá resolvido", discursou na Casa Branca.

Ele rebateu as críticas ao plano dizendo que não se trata de "um jogo de futebol político".

"A ideia não é nova nem radical. O que é novo é que Washington está começando a seguir a visão do resto do país", afirmou Obama depois de se referir a iniciativas de companhias e Estados na questão.

O democrata afirmou que a argumentação segundo a qual o plano inibirá negócios e prejudicará populações mais vulneráveis são velhas.

"Toda vez que os EUA fazem progresso, fazem a despeito dessas críticas."

LEGADO E OPOSIÇÃO

Esse é mais um ato entendido como parte do esforço de Obama por seu legado, e deverá pautar a campanha presidencial de 2016.

O democrata enfrenta a oposição do Partido Republicano, que atiça líderes estaduais e a iniciativa privada para inviabilizar o pacote de medidas.

A oposição articula uma ação coletiva contra as metas impostas pelo governo federal que incluiria 25 unidades federativas, segundo o jornal "the New York Times". O partido orienta governadores a não acatarem as normas.

Os republicanos contarão com o apoio da indústria tradicional, que perderá espaço e poderá ser taxada pela emissão de poluentes.

Se sobreviver aos processos judiciais, o plano poderá causar o fechamento de centenas de usinas movidas a carvão e a suspensão da construção de novas unidades.

A Casa Branca também prevê incentivos aos Estados que adotarem o mercado de carbono, sistema pela qual indústrias que emitem menos poluentes que o previsto podem vender sua cota a indústrias que emitem acima do permitido.

O governo enumera benefícios do plano como melhoras na saúde da população —evitará a morte prematura e reduzirá a incidência de asma em crianças, diz. Criará empregos e trará uma economia de US$ 85 (R$ 290) para as famílias nos gastos anuais com energia em 2030.

LIDERANÇA MUNDIAL

O anúncio também é visto como um gesto de Obama pelo protagonismo no debate mundial sobre as mudanças climáticas.

A Casa Branca já havia anunciado metas conjuntas com a China em 2014 e com o Brasil no mês passado. E a questão também será tratada durante a visita do papa Francisco aos Estados Unidos em setembro.

Com o plano, Obama pretende liderar a discussão da COP 21, cúpula sobre o clima que envolve quase 200 países com intermediação das Nações Unidas.

A reunião, no final do ano, na França, deverá resultar no Protocolo de Paris, em substituição ao de Kyoto, na fixação de metas mundiais de combate às mudanças climáticas. Cada país deverá voluntariamente apresentar até lá um pacote de metas. (Folha de São Paulo 03/08/2015)

 

Gestão é chave para futuro do produtor rural

O momento atual é de cautela para o setor agropecuário, mas um olhar um pouco mais para o futuro também aponta desafios. Ele vai ter de adotar profundas mudanças na gestão de seus negócios.

Em 2015, o produtor passa por incertezas de preços das commodities, alta de juros e elevação da taxa de câmbio.

Para os próximos anos, eles terão de repensar o sistema de produção e adotar a integração lavoura, pecuária e floresta, além de outras atividades, como a piscicultura.

Essa multiplicidade de cultura minimiza os riscos, além de permitir uma movimentação contínua do caixa, com mais entradas de dinheiro.

Esse foi um dos assuntos discutidos em encontro do setor de agronegócio promovido pela Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), nesta segunda (3). O evento continua nesta terça (4).

Alexandre Mendonça de Barros, da MB Agro, cita por exemplo que a carne bovina, em uma linha de tempo de 150 anos, foi o único produto a subir de preços.

Neste momento, as proteínas são um dos setores que menos perdem preços, devido à forte demanda externa e interna.

Já o setor de grãos vive a ressaca da recuperação da produção e dos estoques.

A integração dessas diversas culturas pode trazer nova estabilidade econômica e sustentabilidade para o setor.

Paulo Herrmann, da John Deere, diz que esse novo sistema trará uma complexidade para a agropecuária.

Uma das saídas é utilizar a extensão rural para levar os conhecimentos desse novo sistema para a prática nas fazendas. O problema é que a extensão rural pública não funciona, o que vai exigir uma participação do setor privado nessas operações.

JUROS

A alta da taxa de juros nos EUA, ainda não decidida, vai apimentar mais a volatilidade do câmbio, diz Alexandre Enrico Silva Figliolino, do Itaú BBA. "O produtor precisa olhar a gestão com carinho."

As discussões no encontro apontaram também para os estoques. A Ásia, aproveitando a baixa de preços das commodities, eleva as compras e aumenta os estoques.

A compra do produto brasileiro pelos importadores é facilitada também pelas características da comercialização no país.

Um aumento da estocagem na propriedade permitiria o produtor fazer mais hedge e evitar o período de logística com preço alto, diz Ingo Plöger, do IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional.

Na avaliação de Luiz Carlos Corrêa Carvalho, da Abag, o médio produtor vai ter de fazer estoques para evitar quedas nos preços. (Folha de São Paulo  04/08/2015)

 

Com superávit em julho, balança comercial acumula saldo positivo de US$ 4,6 bi no ano

No mês passado, as exportações superaram as importações em US$ 2,379 bilhões, maior resultado para o mês desde 2012.

A balança comercial brasileira registrou em julho um superávit de US$ 2,379 bilhões. No mês passado, as vendas ao exterior somaram US$ 18,526 bilhões e as compras de outros países totalizaram US$ 16,147 bilhões. O resultado é o maior para o mês desde 2012, quando atingiu US$ 2,863 bilhões. Em julho do ano passado, a balança teve um superávit de US$ 1,563 bilhão.

Com isso, a balança nos primeiros sete meses de 2015 acumula superávit de US$ 4,599 bilhões. As exportações somaram US$ 112,854 bilhões de janeiro a julho e as importações totalizaram US$ 108,255 bilhões. No ano passado, o período registro déficit de US$ 952 milhões.

Na quinta semana de julho (27 a 31), a balança comercial teve um superávit de US$ 518 milhões, com exportações de US$ 3,875 bilhões e importações de US$ 3,357 bilhões.

O saldo positivo em julho ficou dentro das expectativas de mercado, que apontavam para um saldo positivo de US$ 250 milhões a US$ 2,600 bilhões, de acordo com levantamento do AE Projeções com 16 instituições. Com base na análise descritiva do intervalo coletado, a mediana calculada atingiu US$ 2,300 bilhões, próximo do resultado.

Economia fraca

Nos primeiros sete meses do ano, tanto as importações como as exportações tiveram queda, resultado do desempenho mais fraco da economia. As exportações brasileiras registraram média diária de US$ 778,3 milhões de janeiro a julho, queda de 15,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a média diária das importações foi de US$ 746 milhões, recuo de 19,5% na comparação com os sete primeiros meses de 2014.

A queda no preço internacional de uma série de produtos foi determinante para as exportações terem resultado 19,5% menor em julho, segundo o diretor de Estatística e Apoio à Exportação da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC, Herlon Brandão.

Segundo o diretor, no mês, houve redução nos preços exportados em 22%, comparado com julho de 2014, ao mesmo tempo que o período registrou crescimento de 3,2% na quantidade embarcada. "Redução é decorrente exclusivamente da redução dos preços dos produtos exportados", explicou.

Brandão afirmou que não há perspectiva de melhora nos preços internacionais de produtos exportados pelo Brasil em um horizonte curto de tempo. "Dada a instabilidade internacional, não vemos um desempenho mais robusto no curto prazo dos preços desses bens. É uma realidade que vamos ter que conviver", afirmou.

As exportações de produtos básicos no ano até julho caíram 21,7%, para US$ 53,061 bilhões, resultado explicado pela venda menor de minério de ferro (47,4%), carne bovina (24,1%), petróleo em bruto (-21,4%) e soja em grão (-18,4%).

Os embarques de manufaturados caíram 9,4%, para US$ 41,736 bilhões, com queda principalmente em óleos combustíveis (-60,4%), máquinas para terraplenagem (-24,7%), motores e geradores (-23,9%) e bombas e compressores (-22,2%). As exportações de semimanufaturados também caíram 5,9% nos sete primeiros meses do ano, para US$ 15,177 bilhões. As maiores quedas foram em óleo de soja (-17,9%), couros e peles (-16,6%), açúcar em bruto (-16,3%) e ferro-ligas (-14,4%).

Houve queda das vendas externas para os principais destinos dos produtos brasileiros, entre eles Europa Oriental (-33%), União Européia (-19,3%), Ásia (-18,2%, sendo -19,4% para a China) e Mercosul (-16,1%).

No acumulado de janeiro a julho, caíram as compras de combustíveis e lubrificantes (-40,9%), matérias-primas e intermediários (-15,5%), bens de capital (-15,1%) e bens de consumo (-13,5%).

Brandão disse que a previsão do órgão é de a balança comercial encerrar o ano com superávit de entre US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões. Ele ressaltou que, pelo lado das exportações, o impacto da valorização do dólar ainda é pontual e é difícil mensurar o reflexo no agregado da balança. "São muitos fatores que influenciam, temos que ter um horizonte de mais longo prazo para mensurar", completou. (O Estado de São Paulo 03/08/2015)

 

Petróleo fecha abaixo de US$ 50 em Londres

Índice de commodities volta ao nível de janeiro de 2009, auge da crise financeira.

O petróleo caiu abaixo dos US$ 50 por barril nesta segunda (3), estendendo a queda do mês passado e atingindo seu nível mais baixo desde janeiro, devido a sinais de que a produção crescente continuará a exceder a procura.

O contrato do petróleo Brent cru para setembro –a referência mundial para o preço da commodity– caíra 18% em julho. Na primeira sessão de agosto, recuou mais 5,15%, para US$ 49,52, menor valor em seis meses.

"Depois de três meses de preços de petróleo se mostrando pelo menos um pouco promissores e estáveis, julho provou ser um mês desastroso para aqueles que acreditavam em uma alta", disse David Hutton, presidente-executivo da corretora PVM.

A pressão renovada sobre os preços surgiu por causa da aceleração da produção pelos países da Opep, como a Arábia Saudita e o Iraque.

O medo de que o petróleo iraniano adicional chegue ao mercado depois do acordo nuclear do mês passado trouxe nova pressão de baixa.

"A perspectiva de uma recuperação de preços no segundo semestre desapareceu e existe perigo claro e imediato de que os preços retornem às baixas do começo do ano", disse Hufton.

HISTÓRICO DA QUEDA

A derrocada do petróleo iniciada há um ano ganhou ímpeto em novembro, quando a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), o cartel dos produtores, decidiu não cortar sua produção a despeito do excedente gerado pela produção dos EUA.

Depois de cair para perto de US$ 45 por barril em janeiro, o Brent se recuperou e em maio superou US$ 69 por barril. Mas desde então os preços recuaram mais de 20%.

A preocupação sobre o estado da economia da China, o maior importador mundial de petróleo, também está pressionando o mercado.

O petróleo WTI, o referencial dos EUA, caiu 4,14%, para US$ 45,17.

Na semana passada, as maiores produtoras mundiais de petróleo, entre as quais ExxonMobil, Chevron, Shell e BP, anunciaram que o colapso dos preços havia esmagado seus lucros.

Isso levou a bilhões de dólares em cortes de investimentos e à demissão de milhares de funcionários.

Outras commodities também estão em queda, também sob efeito das incertezas em relação à China. O cobre e o alumínio atingiram sua marca mais baixa em seis anos.

O Índice Thomson Reuters CRB de Commodities Básicas, que acompanha cesta ampla de commodities, caiu a marcas vistas pela última vez no início de 2009, quando a crise financeira estava no auge (Folha de São Paulo 04/08/2015)

 

Governo anuncia instalação de usina experimental de etanol em Roraima

Miniusina experimental deve produzir 5 mil litros de combustível por dia.

Produção do etanol será feita a partir do processamento da batata-doce.

Empresários que atuam na área de biocombustíveis estão em Roraima para tratar sobre a instalação de uma miniusina experimental, em 2016, para produção de etanol a partir do processamento da batata-doce. Para o secretário estadual de Articulação Institucional e Promoção de Investimentos, João Pizzolatti, o projeto experimental deve atrair novos investimentos para o setor no estado. A expectativa é que a partir da aprovação, o projeto entre em operação em até 12 meses.

A ideia é criar alternativas para atrair investimentos para o desenvolvimento da agricultura familiar e da agroindústria no estado. “A proposta do governo é desenvolver a agricultura em todas as escalas, desde a familiar até os grandes produtores. Para isso, deve-se criar condições para que os pequenos e médios tenham alternativas para produzir e gerar renda. Diante de bons resultados, grandes produtores também se sentirão atraídos a investir em Roraima”, explicou.

O projeto inicial prevê capacidade de produção de cinco mil litros de etanol por dia, consumindo cerca de 31 toneladas de batata-doce do tipo 'Duda', desenvolvida no estado de Tocantins (TO) e que possui cerca de 32% mais amido que as demais variedades, o que reflete diretamente em ganhos na produtividade com redução de perdas.

O governo informou que o etanol produzido será utilizado na fabricação de combustíveis e poderá ser comercializado para distribuidoras de combustíveis, concessionárias de energia elétrica, ou até mesmo, utilizado para abastecer a frota de veículos do próprio Executivo. Já os resíduos da produção serão usados para ração animal.

Além de ajudar a desenvolver o segmento da agroindústria, a implantação da miniusina de etanol vai gerar empregos diretos e indiretos. "O projeto irá beneficiar diretamente, pequenos e médios produtores com áreas a partir de 30 hectares, que poderão produzir a batata 'Duda' para a produção do biocombustível, chegando a 80 toneladas de batata por hectare. O tempo de cultura pode variar de quatro a sete meses, possibilitando até duas colheitas por ano", disse Pizzolatti.

De acordo com um dos empresários que atuam na área de biocombustíveis, as condições climáticas do estado criam o cenário ideal para a cultura da batata. “Roraima possui uma grande vantagem em relação a outras regiões devido ao solo arenoso, onde a batata-doce se adapta muito bem. Além disso, a alta luminosidade contribui ainda mais. São uma hora e quarenta minutos a mais de sol todos os dias, o que impacta diretamente no aumento da produção”, ressaltou. (G1 03/08/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Preços derretem: As cotações do açúcar sofreram um tombo ontem na bolsa de Nova York diante do fortalecimento do dólar em relação ao real e da perspectiva de um aumento da produção nas últimas semanas. Os lotes para março caíram 22 pontos, para 12,18 centavos de dólar a libra-peso. O dólar avançou sobre o real sob influência externa e das incertezas políticas internas, o que incentiva as exportações brasileiras. A consultoria Archer Consulting calcula que, nos 20 pregões anteriores, a desvalorização do real explicou 69% da queda do açúcar na bolsa. Também há expectativa de que a produção da segunda quinzena de julho no Centro-Sul tenha aumentado por causa da trégua nas chuvas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,46%, para R$ 47,13 a saca de 50 quilos.

Algodão: Freio chinês: Os preços do algodão recuaram na bolsa de Nova York ontem sob influência da alta do dólar e dos receios com uma demanda enfraquecida. Os lotes para entrega em dezembro caíram 21 pontos, a 64 centavos de dólar a libra-peso. A alta do dólar eleva o custo de importação do algodão, que é cotado na moeda americana, provocando uma correção do preço para baixo para atrair a demanda. Os traders também temem que a China, cujo mercado de ações teve nova queda ontem, reduza ainda mais as importações. O Comitê Consultivo Internacional do Algodão projeta que o país asiático importará 1,6 milhão de toneladas em 2015/16, 10% a menos do que em 2014/15. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,12%, a R$ 2,1393 a libra-peso.

Soja: Clima favorável: Os contratos futuros de soja fecharam no vermelho na bolsa de Chicago ontem em meio ao clima favorável às lavouras nos Estados Unidos. Os lotes para setembro caíram 8,25 centavos, a US$ 9,45 o bushel. A empresa de meteorologia DTN previa que o clima seguiria "muito favorável" à fase de desenvolvimento e enchimento dos grãos no Meio-Oeste americano. Depois do fechamento do pregão, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que as lavouras tiveram melhora, com 63% da área plantada em condições boas a excelentes até domingo, 1 ponto percentual a mais do que na semana anterior, em linha com a expectativa dos analistas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a soja teve alta de 0,21%, para R$ 76,29 a saca.

Milho: Otimismo com oferta: As cotações do milho perderam terreno ontem na bolsa de Chicago diante do clima favorável nas áreas produtoras dos Estados Unidos e do otimismo com a oferta americana de 2015/16. Os papéis para dezembro caíram 4,75 centavos, a US$ 3,765 o bushel, o menor patamar em mais de cinco semanas. A empresa de meteorologia DTN previa "condições muito favoráveis" para a fase final de polinização do milho e o enchimento dos grãos. Mas, após o fechamento do pregão, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) revelou que na semana passada a situação das lavouras do país ficou estável. A redução de 12,4% nos embarques americanos na semana até dia 30 também pesou sobre os preços. No mercado doméstico, o indicador Esalq/ BM&FBovespa subiu 0,89%, para R$ 26,16 a saca. (Valor Econômico 04/08/2015)