Setor sucroenergético

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Governo insiste em subsidiar gasolina e defasagem no preço chega a 13,5%

No setor sucroalcooleiro, a boa notícia é que a situação parou de piorar em consequência de uma maior participação do etanol no consumo de combustível no País e a perspectiva de um maior equilíbrio entre oferta e demanda de açúcar no mercado global a partir de 2016.

“Há um avanço, mas ainda não estamos em um cenário de retomada da rentabilidade e estímulos aos investimentos”, diz Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única).

Nas última safras, a indústria sucroalcooleira colheu prejuízos. O consultor Plínio Nastari, da Datagro, afirma que as usinas bem administradas conseguem hoje uma rentabilidade próxima de zero. Uma pequena rentabilidade só é possível entre aquelas que unem muita expertise no negócio, boa localização e escala. “Não é à toa que 83 usinas encerraram atividades desde 2008”.

Um relatório do banco Itaú BBA, assinado pelo analista Alexandre Enrico Figliolino após o encerramento da safra 2014/15 em março, aponta que a dívida de 65 grupos usineiros, que respondem por 72% da moagem do Centro-Sul, foi ampliada de R$ 41,1 bilhões na safra anterior para R$ 50,5 bilhões.

Entre esses grupos, só 11 possuem uma operação ajustada e baixa alavancagem. Outros 30 estão em situação medianas e 19 possem endividamento alto ou geração de caixa operacional insuficiente para cobrir os investimentos e serviços de dívida. Os demais cinco grupos estão em recuperação judicial.

Elizabeth diz que a receita média do produtor era de R$ 114 por tonelada de cana na safra 2011/2012 e não houve variação nominal na última safra, em termos reais caiu para R$ 108 por tonelada. A situação, segundo Nastari, é decorrência da política do governo brasileiro de manter os preços dos combustíveis artificialmente baixos para segurar a inflação, segundo o Valor Setorial Agronegócio.

Em 2015, o governo anunciou que a política de preços dos combustíveis seria ditada pela Petrobras, seguindo critérios empresariais. “Na prática, não é o que vem ocorrendo. Hoje temos defasagem nos preços da gasolina de 13,5% e não temos informações transparentes sobre como se dará a recuperação dessa defasagem”, diz o consultor. “Quem vai investir se não há previsibilidade sobre as condições de comercialização da produção?”, indaga Elizabeth.

As condições do mercado de etanol melhoraram por conta de outras medidas adotadas. Uma é o aumento de 25% para 27% na mistura do álcool anidro na gasolina. Outra é a decisão do governo federal de retomar a cobrança – interrompida em 2012 – da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina e o diesel, aumentando a competitividade do etanol hidratado, aquele usado diretamente no tanque do veículo.

A taxa, de R$ 0,22 por litro, é equivalente à metade do valor atualizado da tarifa vigente em 2008, que seria de R$ 0,44 por litro. Também contribuiu a decisão de governos estaduais, como os de Minas, Paraná e Bahia, de alterar as alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do etanol hidratado e da gasolina, privilegiando a competitividade do primeiro.

As medidas levaram a um aumento do consumo do etanol. Em abril e maio, foram consumidos 2,4 bilhões de litros de anidro e hidratado, o mesmo volume da gasolina A, aquela que sai das refinarias sem a adição de etanol. O empate não ocorria desde o fim de 2010, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Para Elizabeth, as medidas são importantes para aumentar a competitividade do etanol, mas ainda não resulta em uma melhora da rentabilidade para o produtor. Ela diz que os usineiros estão pressionados pelos custos dos insumos, como o preço do fertilizante, que subiu acompanhando a desvalorização do real, elevação do preço do diesel e dos gastos com mão de obra.

Para se manter competitivo, o produtor tem que renovar seu canavial em 15% a 18% da área colhida, fazer a manutenção do parque industrial e renovar a frota de veículos. Elizabeth admite que muitas usinas não conseguem manter esses investimentos, colocando em risco os resultados do setor nos próximos anos. O envelhecimento do canavial, por exemplo, gera menor produtividade: chega a cerca de 50% a partir da quarta colheita.

Para complicar, os recursos oferecidos pelo governo no plano da safra 2015/2016 ao Programa de Apoio à Renovação e Implantação de Novos Canaviais (Prorenova) foram cortados pela metade em relação a 2014, de R$ 3 bilhões para R$ 1,5 bilhão, com taxa de juros de TJLP mais 2,7% ao ano. Nos cálculos da Única, são necessários investimentos de R$ 10 bilhões para uma renovação adequada do canavial.

O primeiro levantamento da safra 2015/16 realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que serão moídos 6546 milhões de toneladas, 3,1% superior à safra anterior. O Centro-Sul será responsável por 90,5% da moagem total, ou seja, 592,6 milhões de toneladas. A Única estima uma moagem de 590 milhões de toneladas na região.

A estimativa da Conab é de que 43,8% da cana seja destinada à produção de açúcar, com uma produção de 37,35 milhões de toneladas, mais 5%. A produção total de etanol deve aumentar 1,9% em relação à safra anterior, deendo ser produzidos 12,73 bilhões de litros de anidro e 16,4 bilhões de litros de hidratado. Elizabeth atribui o avanço da moagem às condições climáticas favoráveis.

No mercado global de açúcar, a produção em 2015 deve crescer 2,64 milhões de toneladas e chegar a 173,63 milhões de toneladas, gerando uma oferta acima da demanda de 2,21 milhões de toneladas, segundo a Organização Internacional do Açúcar (OIA). A estimativa, porém, é de um equilíbrio entre oferta e demanda em 2016, com um consumo superior à oferta em 3,7 milhões de toneladas em 2017.

Jacyr Costa, diretor para o Brasil do grupo francês Tereos, diz que o excedente de produção global de açúcar nos últimos anos é resultado de políticas públicas intervencionistas de dois países, que não devem se sustentar nos próximos anos. Índia e Tailândia ofereceram subsídios para a produção e exportação de açúcar, mas o excesso de oferta derrubou os preços no mercado internacional e gerou prejuízo aos produtores dos dois países, apesar do apoio governamental.

Na Tailândia, a situação resultou num problema extra: produtores de arroz migraram para o açúcar e os estoques de arroz estão baixos no país, elevando os preços ao consumidor. O Brasil, maior fornecedor global de açúcar, deveria questionar Índia e Tailândia na Organização Mundial do Comércio (OMC), avalia Costa. No entanto, o baixo estímulo dos preços internacionais tem levado produtores brasileiros a destinar uma parcela maior da produção ao etanol.

O grupo Tereos possui 42 unidades industriais em 12 países. No Brasil controla a Guarani S/A, que possui sete unidades produtoras na região noroeste do Estado de São Paulo. Na safra 2014/15, a Guarani processou 20,3 milhões de toneladas de cana e a estimativa para a safra 2015/2016 é que a moagem fique entre 20 milhões e 20,5 milhões de toneladas. A produção de açúcar deve alcançar 1,6 milhão de toneladas e a de etanol cerca de 690 milhões de litros. A empresa também deve gerar 1.080 GWh de bioeletricidade para comercialização.

Costa diz que a operação brasileira é rentável, mas o resultado vem sendo menor que a expectativa. “A rentabilidade tem sido conseguida com investimentos constantes em ganhos de produtividade por meio da adoção de agricultura de precisão, mecanização e coleta de palha para a cogeração de energia”.

Pedro Isamo Mizutani, vice-presidente-executivo da Raízen, avalia que há uma perspectiva melhor para o produtor sucroalcooleiro apesar de ainda não ser a ideal. No açúcar, além do maior equilíbrio internacional entre oferta e demanda, o câmbio, com uma relação de troca acima de R$ 3 por dólar deve gerar maior competitividade para o produto brasileiro. No etanol, o maior consumo gera escala. Mas, a seu ver, o governo deveria elevar novamente a Cide para gerar competitividade adequada ao etanol.

Apesar da melhora no ambiente, investimentos em novas unidades não estão no horizonte da companhia, mas a capacidade de moagem deve ser elevada de 63,8 milhões de toneladas para 68 milhões nos próximos cinco anos. A estratégia, por ora, diz Mizutani, é ganhar produtividade com melhoras no manejo e uso de novas tecnologias, como o uso de drones para realizar o levantamento da topografia das plantações, medição de área de lavoura e investigação de relevo, detectando falhas no plantio. Estima-se que os drones permitem reduzir em mais de 30% as manobras de plantio e colheita.

A Raízen é uma das pioneiras no país do etanol de segunda geração, produzida por meio da celulose gerada com o bagaço e a palha da cana. No fim de 2014, a empresa inaugurou uma unidade em Piracicaba (SP), com capacidade para 40 milhões de litros por ano. Se a tecnologia se comprovar economicamente eficiente, o plano da empresa é chegar a 1 bilhão de litros até 2020. Outra empresa que investe na tecnologisa é a GranBio, que inaugurou também em 2014 uma usina para 82 milhões de litros anuais em São Miguel dos Campos (AL).

A Copersucar, que reúne 43 usinas sócias, comercializou 7,2 milhões de toneladas de açúcar na safra 2014/2015, sendo 5,5 milhões no mercado externo, e 4,3 bilhões de litros de etanol. Para a safra 2015/2016, a previsão é de um aumento de participação do etanol no mix de produção. Paulo Roberto de Souza, presidente da Copersucar, afirma que a expectativa é de maior produtividade agrícola na safra devido à melhora nas condições climáticas.
Destaca ainda que o setor tem investido em inovação tecnológica, para retomar a competitividade da indústria brasileira, mas que espera o estabelecimento de condições mínimas para a atração de investimentos. “É necessário que haja reconhecimento do etanol como um componente estratégico da matriz energética brasileira. Assim, teremos um novo ciclo de crescimento e rentabilidade no setor. (Brasil Agro 06/08/2015)

 

Açúcar: Dólar no manche

Os preços do açúcar mais uma vez responderam à alta do dólar em relação ao real e à oferta elevada do produto no mundo e fecharam em queda.

Os contratos de segunda posição, porém, recuaram de forma mais tímida que os de primeira, já que muitas tradings têm rolado posições para evitar a entrega do produto já em outubro, uma vez que a demanda também está fraca.

Com isso, os lotes que vencem em março de 2016 fecharam em queda de 24 pontos, a 12,01 centavos de dólar a libra-peso.

Também houve pressão dos rumores de que a Índia pode obrigar as usinas a exportarem açúcar para desovar os elevados estoques internos, ampliando a pressão sobre a oferta global.

No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal subiu 0,19%, para R$ 47,12 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 06/08/2015)

 

Governo trava projetos de cogeração de bioeletricidade a partir de cana

Além das questões de curto prazo, preocupa o setor de produção de bioenergia o fato de a capacidade instalada de cogeração estar crescendo a taxas ínfimas, diz o consultor de bioeletricidade da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única), prof. Zilmar José de Souza.

Em 2014, a potência instalada no setor era de 9,881 mil MW. Em junho deste ano, a capacidade subiu para 10.046 MW, com a entrada de novos projetos, planejados nos anos anteriores. Até o fim de 2015, conforme a Aneel, essa capacidade será elevada para 10,419 MW, um acréscimo de 538 MW sobre 2014.

“Para 2016, devem ser adicionados 473 MW ao parque industrial de cogeração com biomassa. Em 2017, apenas 194 MW e, em 2018, somente 100 MW. É preocupante, considerando que, apenas em 2010, entraram em operação 1,750 MW de capacidade de cogeração em usinas”, comparou ao Valor Econômico.

Souza lembra que 2010 foi o ano em que entraram em funcionamento os projetos que haviam vendido energia nos leilões exclusivos de biomassa, ocorridos entre 2005 e 2008, com condições de remuneração atrativas para a época.

“Depois disso, o governo mudou as regras e o mercado se retraiu. Alguma sinalização positiva, com leilões a preços melhores, vem ocorrendo. Mas o setor sucroalcooleiro, assim como o segmento energético como um todo, está muito inseguro em investir”, explica.

Neste ano foi realizado um leilão de fontes alternativas A-5, no qual apenas dois projetos de biomassa venderam energia para entrega daqui a cinco anos. Juntos, esses dois projetos vão entregar 325,3 GWh ao preço máximo de R$ 278,5 o MWh. “É um valor acima dos leilões de biomassa findos em 2008. Mas os custos de implantação de uma planta de cogeração mudaram de lá para cá”, diz Souza.

BNDES

A ‘sovietização’ do sistema nacional de energia, iniciada no começo do segundo mandato do presidente Lula e agravada com a chegada de Dilma Rousseff à Presidência da República, impôs um duro revés ao mercado de cogeração de energia elétrica a partir da queima do bagaço e da palha da cana.

Todas as vantagens desta energia limpa e renovável, produzida no entorno das maiores áreas geográficas de consumo do País e nos períodos em que os períodos de precipitação pluviométricas são os mais baixos do ano, não foram suficientes para sensibilizar aos gestores da política energética brasileira.

Com as denúncias de corrupção, iniciadas no escândalo do ‘Mensalão’, agravadas com a tomada de assalto da Petrobras por políticos ligados à base do governo, e que já chegaram ao sistema de energia, fica claro e evidente que a prioridade única dos estrategistas do governo foi corromper o sistema e se apossar dos recursos públicos em benefício próprio.

Os interesses do País foram trocados pela formação da maior rede de corrupção e rapinagem instalada no sistema público do mundo. O BNDES, não tem liberado recursos para projetos de cogeração mesmo para usinas que não têm nenhum problema de crédito e que ofereçam garantias.

Ainda recentemente, uma destas usinas, contratou um projeto para instalar uma termelétrica de última geração, participou e vendeu bioeletricidade em leilão da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), mas acabou desistindo de seu objetivo em razão da negativa do BNDES em liberar recursos para financiar o projeto.

A usina preferiu pagar as multas à EPE e também aos fornecedores do projeto industrial, minimizando assim seus prejuízos futuros. (Brasil Agro 05/08/2015)

 

Europa prepara investida por mercado açucareiro quando restrições às exportações expirarem

As empresas açucareiras européias estão se preparando para um incremento nas vendas ao exterior com o fim das restrições às exportações, em 2017, que abre a porta para a concorrência com grandes produtores como o Brasil.

A União Européia se tornará exportadora líquida de açúcar e os embarques deverão alcançar 4 milhões de toneladas por ano, segundo o Rabobank International. O montante representa quase o triplo do máximo atual, de 1,37 milhão de toneladas.

A presença maior da Europa no mercado açucareiro poderá alterar os padrões comerciais do Brasil, que domina a indústria global e vende a países do Oriente Médio e do Norte da África. Os preços do açúcar caíram ao nível mais baixo em seis anos após uma saturação que começou em 2011.

"Todas as grandes traders estão se posicionando para ficar com um pedaço da torta", disse Tracey Allen, analista do Rabobank em Londres. "Haverá muita concorrência por esse volume".

As empresas de trading europeias estão se preparando para mais negócios. A produtora francesa Tereos comprou a Napier Brown Sugar em maio e criou um negócio de distribuição no ano passado. A maioria dos produtores extrai o açúcar da beterraba e tem visto a produtividade aumentar com melhores técnicas de cultivo e um clima favorável. Os rendimentos cresceram cerca de 10 por cento de 2009 para cá, segundo dados da Eurostat.

O oposto está ocorrendo no Brasil, onde a cana-de-açúcar antiga, que caminha para o fim do ciclo de seis anos da cultura, não está sendo replantada. Os rendimentos da cana caíram 4,8% em seis anos até a safra 2014/15, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, a Unica. O país responde por cerca de 45% das exportações globais de açúcar, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA.

Lacuna do Brasil

"Se você considera o Brasil, onde praticamente não há investimento ou expansão em termos de crescimento da capacidade, percebe que é preciso começar a procurar pelo mundo para ver onde se pode enxergar crescimento", disse Kona Haque, chefe de pesquisa de commodities da ED&F Man Holdings Ltd. em Londres. "A UE pode preencher a lacuna".

Os produtores rurais europeus poderão optar por cultivar beterrabas em vez de trigo por ser uma cultura mais lucrativa, segundo Claudiu Covrig, analista agrícola sênior em Lausanne, na Suíça, da Kingsman SA, uma unidade da Platts, pertencente à McGraw Hill Financial Inc. O aumento da oferta pode empurrar os preços do açúcar a um patamar ainda mais baixo, disse ele.

O Brasil embarca cerca de um terço de suas exportações de açúcar para o Oriente Médio e o Norte da África, onde o açúcar bruto é transformado em açúcar branco e vendido aos consumidores locais. As produtoras europeias, que estão mais próximas desses compradores, já produzem açúcar refinado a partir da beterraba.

Preços mais baixos

Os preços do açúcar bruto e do refinado estão próximos do nível mais baixo em seis anos. O preço médio do açúcar na Europa poderá atingir 400 euros a tonelada até 2019, valor 4,1 por cento mais baixo que o de agora, segundo estimativa de dezembro da Comissão Europeia.

Mesmo com mais exportações, a Europa ficaria atrás do Brasil, cujo volume de embarque totalizou 24,1 milhões de toneladas em 2014, segundo a Organização Internacional do Açúcar. A UE poderá embarcar até 2,5 milhões de toneladas no primeiro ano após o fim das cotas porque está lutando pelos negócios, estima Covrig, da Kingsman.

"Eu não vejo as exportações subindo no telhado", disse ele. "Seria muito difícil reconquistar os canais perdidos desde 2006". (Bloomberg 05/08/2015)

 

Cana: clima seco possibilita moagem elevada; ATR ainda preocupa

Dois dados muito importantes preocupam o mercado sucroenergético para esta safra 2015/16: em primeiro lugar, até a primeira quinzena de julho as usinas haviam moído 5,9% menos cana em relação à safra passada e, para que a estimativa da UNICA de 590 milhões de toneladas seja atingida o ritmo de processamento tem de ser 10,1% superior ao registrado em 2014/15 nos próximos meses. Em segundo lugar, o ATR médio da temporada está 3,5% defasado em relação à temporada anterior o que, se continuar até o final da colheita, neutralizaria o efeito de uma moagem mais elevada sobre a disponibilidade total de matéria-prima.

Quanto à moagem, a segunda quinzena de julho promete diminuir a defasagem em relação a 2014/15. Na média das regiões canavieiras da região choveu apenas 4,8 mm no total do período, 87,6% menos que no mesmo período no ano passado e 80,6% a menos que a média histórica. Essa situação contrasta fortemente com a quinzena anterior, quando choveu 61,5 mm, quase sete vezes a média dos últimos dez anos, levando a moagem a ficar em apenas 29,3 milhões de toneladas.

Seguindo esta lógica, os dados indicam que a moagem este ano deve superar significativamente a moagem de 36 milhões de toneladas registrada na segunda quinzena de julho em 2014/15 e é provável que ainda supere as 46,3 milhões de toneladas registradas em 2012 (recorde para a quinzena), quando as chuvas totalizaram 8,1 mm.

Neste ano as usinas contam com uma outra vantagem no que se refere à capacidade de moagem: como a maioria das usinas realizou manutenção industrial durante os dias parados devido às chuvas na primeira quinzena, o número de unidades que realizaram paradas na segunda metade do mês deve ser próximo a zero. (FCStone  05/08/2015)

 

Índia pode obrigar usinas a exportar excedente de açúcar

A Índia provavelmente vai implementar regras para tornar compulsória a exportação de milhões de toneladas de açúcar excedente no país para dar sustentação aos preços locais, disseram fontes, em uma medida que poderia reduzir a crescente revolta dos agricultores locais, mas aumentar o excesso de oferta nos mercados globais.

A decisão final deverá ser tomada pelo primeiro-ministro Narendra Modi, que discutiu o assunto, de alto grau de sensibilidade política, em um encontro de ministros, autoridades e executivos de usinas no último final de semana, disseram duas fontes do governo.

A proposta, que poderá significar que as usinas vendessem com prejuízo, surge em um momento em que o mercado global sofre com um enorme excedente e preços nas mínimas de seis anos e meio.

A regra de exportação obrigatória, que poderia ser instituída a partir do início do novo ano safra, em 1º de outubro, seria aplicada apenas quando a produção ficasse acima da demanda local, disseram os oficiais, diretamente envolvidos na formulação da política.

Se a medida for aprovada, a Índia poderia superar a Austrália e ocupar a terceira posição no ranking dos maiores exportadores de açúcar, atrás apenas de Brasil e Tailândia.

Um porta-voz do ministério de Alimentos não quis comentar.

Além de aumentar as exportações da produção agrícola, as vendas externas estimuladas pelo governo podem também ajudar as usinas do país a reduzir uma dívida de 2,5 bilhões de dólares que elas têm com 50 milhões de produtores de cana, um grupo equivalente à população da Espanha e que se concentra em Estados politicamente importantes como Uttar Pradesh e Maharashtra.

A Índia, maior consumidor global de açúcar, tem produzido mais do que necessita nos últimos cinco anos, e a tendência é de continuidade deste quadro. (Reuters 05/08/2015)

 

Açúcar registra leve alta em Nova York, mas futuros ainda trabalham em torno dos 11 cents

Os futuros de açúcar demerara fecharam em alta ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), recuperando-se parcialmente das perdas de segunda-feira. Uma correção técnica até já era esperada, mas analistas atentam mais para a demanda que surgiu após o rompimento dos 11 cents por libra-peso, patamar em torno do qual devem girar as cotações a partir de agora.

A rigor, participantes aguardam novidades mais consistentes nos fundamentos para dar uma direção aos preços. Na ausência dessas informações, os futuros acabam "reféns" de fatores baixistas, como o clima favorável à safra no Centro-Sul do Brasil e às oscilações do dólar - ontem, a moeda norte-americana encerrou em R$ 3,46 (+0,26%).

Nos gráficos, os contratos têm agora um novo suporte: 10,79 cents/lb, mínima de ontem e menor patamar em seis anos e meio. Antes, há o de 11 cents/lb. Para cima, a resistência aparece em 11,20 cents/lb.

Outubro subiu 12 pontos (1,10%) e fechou em 11,01 cents/lb, com máxima no dia de 11,04 cents/lb (mais 15 pontos) e mínima de 10,79 cents/lb (menos 10 pontos). Março avançou 7 pontos (0,57%) e terminou em 12,25 cents/lb. O spread outubro/março variou de 129 para 124 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a terça-feira em R$ 47,03/saca, baixa de 0,21% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 13,59/saca (-0,51%).

Conforme o centro de estudos, o cristal no spot paulista registrou preço médio de R$ 47,85 por saca em julho, queda de 2,41% ante junho e de 8,21% no acumulado da safra 2015/16. Na comparação anual, a retração é de 4,81%. "Com as atuais incertezas macroeconômicas, o varejo continua com as vendas desaceleradas, o que reduz as compras de açúcar para o consumo industrial", explica o Cepea, em relatório.

Quanto às paridades, de 27 a 31 de julho a remuneração das vendas internas superou as externas em 4,12%. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 47,37/saca, as cotações do contrato outubro na ICE Futures US equivaleriam a R$ 45,50/saca. (Agência Estado 05/08/2015)

 

Tereos fechou 1º trimestre da safra atual com perda maior

A queda dos preços em moeda estrangeira dos amidos e açúcar vendidos pela Tereos Internacional afetou seus resultados. No primeiro trimestre da safra 2015/16, encerrado em 30 de junho, a empresa sentiu um efeito maior da variação cambial em seu caixa. Isso porque a menor receita em moeda estrangeira, além de reduzir margens operacionais, desmontou parte do hedge natural que a companhia tem para sua dívida expressa em euros e dólares. Esses fatores aprofundaram o prejuízo líquido da companhia no trimestre para R$ 141 milhões, ante R$ 32 milhões de igual intervalo de 2014.

A maior parte da receita da Tereos é gerada nas suas subsidiárias na Europa, que foram diretamente afetadas pelos preços baixos de amidos e adoçantes. Com isso, deixou de faturar no trimestre o equivalente a R$ 97 milhões na comparação com igual intervalo do ciclo passado. Assim, apesar da receita em reais maior nessa divisão de negócio, decorrente da alta de volumes vendidos, o Ebitda dessa operação caiu 62%, para R$ 21 milhões, e a margem foi a 1,7%, ante 5,4% de um ano antes.

No balanço, a companhia informa que suas despesas com pagamento de juros (com efeito no caixa) no intervalo cresceram R$ 17 milhões frente há um ano, para R$ 72 milhões. "Esse aumento é, basicamente, efeito da variação cambial", disse o diretor de relações com investidores da Tereos Internacional, Marcus Thieme.

No intervalo entre o trimestre encerrado em 31 de março e o terminado em 30 de junho, o caixa da empresa encolheu R$ 519 milhões ­ de R$ 1,180 bilhão para R$ 661 milhões. A dívida da Tereos Internacional com vencimento em até 12 meses era, em 30 de junho, de R$ 2,2 bilhões, 16% mais que em 31 de março deste ano. "Não estamos estressados no curto prazo. Temos um bom relacionamento com as instituições financeiras", afirmou Thieme.

Nesse mesmo espaço de tempo, a dívida bruta cresceu 10%, para R$ 5,8 bilhões e, o fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 712 milhões, resultado de um fluxo de caixa operacional negativo em R$ 562 milhões e de um investimento recorrente de R$ 150 milhões. Como efeito, houve uma piora da alavancagem, medida pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda, de 5,5 vezes ao fim de março, para 6,7 vezes ao fim de junho.

Sobre o efeito da desvalorização cambial no Brasil no caixa da empresa, o diretor para o Brasil do grupo Tereos, Jacyr Costa Filho, afirmou ser importante uma recuperação dos preços em moeda estrangeira. "São as cotações em moeda estrangeira que precisam melhorar", disse. (Valor Econômico 06/08/2015)

 

Câmbio salva um ano que, para muitos, seria de crise

Diante do horizonte sombrio que, no fim de 2014, pautava as perspectivas para o agronegócio brasileiro em 2015, é possível afirmar que o setor enfrentou menos turbulências do que esperava no primeiro semestre e iniciou a segunda metade deste ano com a clara sensação de que dias melhores virão.

Não que a tendência de queda dos preços das commodities agrícolas tenha se revertido, ou que as incertezas e dificuldades nos fronts econômico e político sejam parte do passado. O consumo doméstico dá sinais de fraqueza e o crédito está mais escasso e caro, ao mesmo tempo em que as margens diminuíram, sempre com as exceções de praxe.

Mas a valorização do dólar, que superou as expectativas e vitaminou as principais cadeias exportadoras ligadas ao campo, até agora evitou o debacle de economias regionais dependentes da agropecuária e já voltou inclusive a acalentar planos de expansão em alguns mercados.

"O câmbio aumentou a competitividade do setor", repetiram cinco analistas do Rabobank Brasil em encontro com o Valor. Segundo eles, grãos, algodão, café, açúcar, suco de laranja e carnes foram, em maior ou menor escala, beneficiados pelo dólar mais forte em relação ao real, ainda que insumos como fertilizantes e defensivos, a maior parte importada, tenham ficado mais caros.

Como trabalhava, no fim de 2014, com uma projeção de dólar entre R$ 2,70 e R$ 2,80 para este ano, e a moeda americana caminha no momento para R$ 3,50, a equipe da subsidiária brasileira do banco de origem holandesa revisou os cenários traçados e passou a ter uma visão de curto prazo mais otimista para o campo.

Termômetro dessa mudança de humor é a soja, carro­chefe do agronegócio nacional. Mesmo que as margens dos produtores tenham sido mais magras na safra 2014/15 e que as cotações na bolsa de Chicago estejam 15% mais baixas que no mesmo período do ano passado, o Rabobank já passou a dar como certo, em linha com outras estimativas, que o avanço do grão vai continuar.

"A conjuntura atual deverá permitir uma nova expansão da área plantada de soja em 2015/16", diz o analista Renato Rasmussen. E, segundo ele, os investimentos dos produtores da oleaginosa em tecnologia serão mantidos, ainda que seu colega Victor Ikeda pondere que incertezas perduram e que, nesse contexto, é de se esperar uma "otimização" desses investimentos.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área plantada de soja ocupou 31,9 milhões de hectares em 2014/15, quase 6% mais que em 2013/14, e a colheita alcançou 96,2 milhões de toneladas, 11,7% mais na mesma comparação. Números recorde, que, na visão do Rabobank, tendem a ser superados na nova temporada.

Além do dólar, pesou a favor dos sojicultores, nas últimas semanas, um surto de alta das cotações em Chicago, por conta de adversidades climáticas nos EUA. Essa valorização, que já perdeu força, estimulou a aceleração das vendas antecipadas da nova safra, enquanto a demanda da China, ainda bastante aquecida, evite tombos maiores dos preços.

Rasmussen destaca, ainda, que graças ao câmbio o Brasil ganhou competitividade no mercado de soja em relação a seus principais concorrentes (EUA e Argentina), e que parte da escassez de crédito tem sido compensada pelo aumento das operações de barter.

Conforme o analista, o mercado de milho também foi favorecido pela combinação entre o dólar forte e a alta, até certo ponto inesperada, das cotações em Chicago entre junho e julho, e aponta o forte ritmo das exportações como outro sinal de que a situação está melhor que a inicialmente prevista.

De acordo com a Conab, os embarques brasileiros do produto deverão somar 21 milhões de toneladas em 2014/15, mesmo patamar da safra anterior, mas no começo do ciclo havia sérias dúvidas se seria viável manter esse desempenho. Além disso, a demanda das empresas de frango e suínos continua firme.

Andy Duff, analista do Rabobank que acompanha o setor sucroalcooleiro, observa que a valorização do dólar beneficiou o açúcar, cuja oferta global continua amplamente confortável e cujos preços internacionais seguem baixos, mas lembra que o mercado interno melhorou para o etanol e que a cogeração de energia se firmou como um bom negócio.

Em sua análise sobre o mercado de café, Jefferson Carvalho destaca, além dos reflexos favoráveis do câmbio para os produtores e exportadores brasileiros, sua expectativa de que os estoques globais recuem nos próximos meses diante de um consumo ainda forte, o que pode abrir espaço para uma alta das cotações internacionais. (Valor Econômico 06/08/2015)

 

PIB do agronegócio deve acelerar no 2º semestre, mas 2015 será difícil

O PIB do agronegócio brasileiro deverá ter uma recuperação no segundo semestre, após um começo de ano combalido, mas possivelmente não fechará 2015 dentro da previsão inicial de crescimento feita pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil CNA), disse nesta quarta-feira um economista sênior da entidade.

"A gente espera que até dezembro o PIB do agronegócio cresça. A gente tinha uma previsão de 1,8 por cento (de crescimento em 2015). Não sei se a gente vai conseguir isso", disse à Reuters o coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon.

"Em março e abril vimos adversidades que não estavam no nosso modelo em janeiro", completou.

O PIB do agronegócio somou 1,210 trilhão de reais em 2014, segundo estimativas ajustadas à inflação, de acordo com dados compilados pela CNA e pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo.

A CNA apontou que a produção agrícola foi bastante prejudicada no início deste ano, afetando as estatísticas.

Na média das culturas acompanhadas, houve redução de 6,77 por cento das cotações de janeiro a abril de 2015 ante o mesmo período de 2014. Ao mesmo tempo, a produção agrícola cresceu 3,65 por cento, "o que não foi suficiente para compensar a retração em preços", segundo a confederação.

A CNA e o Cepea calculam o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio com metodologia mais ampla, diferente dos estudos oficiais publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Enquanto o "PIB do agronegócio", da CNA, inclui setores como insumos, produção agropecuária, agroindústrias e serviços --o que abrange mais de 20 por cento da economia brasileira--, o IBGE avalia, no seu "PIB da agropecuária", apenas a produção das fazendas, englobando menos de 6 por cento das riquezas produzidas no país.

Segundo Conchon, um aquecimento do agronegócio é esperado no segundo semestre, com mais negociações de insumos agrícolas, devido aos preparativos para a safra de grãos 2015/16, que começa a ser plantada a partir de meados de setembro.

"Começa a compra de fertilizantes. O produtor (de grãos) está retomando as atividades", disse o economista, defendendo a recuperação da previsão para o PIB do agronegócio no transcorrer dos próximos meses, em função da entrada de dados atualizados.

CÂMBIO

O câmbio favorável para exportações --incluindo as do agronegócio-- deverá ser outro fator a aumentar a renda do setor até o final de 2015.

"A atividade econômica, dado o câmbio, pode ser maior", afirmou Conchon.

O dólar acumula alta de mais de 30 por cento este ano frente o real. A moeda norte-americana atualmente é negociada na máxima de 12 anos.

Mesmo assim, do ponto de vista dos produtores rurais, o dólar alto não é necessariamente uma boa notícia, uma vez que eleva também os preços da maioria dos insumos, que são importados.

No início da safra 2014/15, muitos conseguiram adquirir fertilizantes e defensivos com dólar mais barato, vendendo parte da colheita já com o dólar mais valorizado, o que ajudou a manter margens em um momento de queda nas cotações internacionais das commodities agrícolas.

Para 2015/16, contudo, especialistas apontam margens de rentabilidade bem mais apertadas para os agricultores.

"No capítulo 1 da história, o dólar salva o produtor. No capítulo 2, ele quebra", analisou o economista da CNA.

PIB BRASILEIRO

A safra recorde de soja do Brasil, colhida em sua maioria no primeiro trimestre deste ano e com crescimento de mais de 10 por cento ante a temporada anterior, foi o principal fator para o aumento do PIB da agropecuária, do IBGE.

Nos cálculos oficiais, a agropecuária cresceu 4 por cento em relação a igual período do ano anterior, destacando-se entre outros setores que tiveram recuo, como a indústria (-3 por cento) e serviços (-1,2 por cento), segundo estatística divulgada em maio.

Para 2015, segundo o economista da CNA, a previsão é de que a agropecuária e todos os outros setores ligados à ela, continuem contribuindo com a economia brasileira.

"Que o PIB do Brasil vai cair, é fato. Se não fosse o agronegócio, cairia ainda mais", disse Conchon.
Economistas de instituições financeiras ouvidos pelo Banco Central estimam queda do PIB nacional de 1,8 por cento em 2015. (Reuters 05/08/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Dólar no manche: Os preços do açúcar mais uma vez responderam à alta do dólar em relação ao real e à oferta elevada do produto no mundo e fecharam em queda. Os contratos de segunda posição, porém, recuaram de forma mais tímida que os de primeira, já que muitas tradings têm rolado posições para evitar a entrega do produto já em outubro, uma vez que a demanda também está fraca. Com isso, os lotes que vencem em março de 2016 fecharam em queda de 24 pontos, a 12,01 centavos de dólar a libra-peso. Também houve pressão dos rumores de que a Índia pode obrigar as usinas a exportarem açúcar para desovar os elevados estoques internos, ampliando a pressão sobre a oferta global. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal subiu 0,19%, para R$ 47,12 a saca de 50 quilos.

Café: Pior que a encomenda: O aumento da percepção de que a safra brasileira está pior do que o esperado ofereceu impulso aos preços do café ontem na bolsa de Nova York. Os papéis do arábica para dezembro subiram 95 pontos, a US$ 1,29 a libra-peso. A Fundação Procafé avalia que a produção da safra 2015/16 será menor do que o projetado em março, quando a estimativa girava em torno de 40,3 milhões de sacas e 43,2 milhões de sacas. A fundação avalia que os grãos estão menores nesta temporada, o que aumenta a necessidade de café para completar uma saca de 60 quilos. Na terça-feira, a Cooxupé já havia indicado que a demanda interna e externa do país deve superar a produção nesta safra. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o arábica subiu 0,12%, para R$ 437,96 a saca.

Soja: USDA já em pauta: Uma semana antes da divulgação das novas estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as apostas de uma correção para baixo da projeção para a área plantada com soja já provocaram uma alta do grão ontem na bolsa de Chicago. Os contratos para setembro subiram 14 centavos, para US$ 9,6275 o bushel. No dia 12, o USDA divulgará, além das projeções de oferta e demanda para a safra 2015/16, o cálculo revisado para a área já semeada, após refazer pesquisa com produtores do Meio-Oeste. No levantamento anterior, a avaliação não considerou que alguns produtores poderiam ainda desistir de continuar plantando por causa das chuvas em junho. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para a soja em Paranaguá subiu 1,45%, para R$ 77,84 a saca.

Milho: Clima seco: A previsão de um tempo mais seco para os próximos dias na principal região produtora de milho dos Estados Unidos impulsionou as cotações do cereal ontem na bolsa de Chicago. Os lotes para dezembro subiram 4,5 centavos, a US$ 3,8325 o bushel. Alguns boletins meteorológicos indicaram que, entre seis a dez dias a partir de quarta­feira, o tempo seguirá sem chuvas no Cinturão do Milho do país, e no período de 11 a 15 dias, as chuvas voltariam, mas ainda tímidas. A agência de meteorologia DTN previu "condições mais secas no leste do Meio-Oeste do que o previsto anteriormente". A região oeste deve continuar recebendo chuvas, mas a agência previu alta das temperaturas na próxima semana. No mercado interno, o indicador Esalq/ BM&FBovespa teve alta de 0,38%, para R$ 26,58 a saca. (Valor Econômico 06/08/2015)