Setor sucroenergético

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Usinas em crise vendem etanol para fazer caixa; preços atuais são "fantasia", diz Unica

Os atuais preços baixos do etanol refletem as dificuldades financeiras das usinas de cana do Brasil, que têm vendido o biocombustível no mesmo ritmo da produção, sem formar estoques, disse nesta quinta-feira o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues.

As vendas de etanol têm estado aquecidas nas últimas semanas no país, devido à queda nos preços que aumenta a atratividade do biocombustível para os motoristas de carros flex.

O preço do etanol hidratado nas usinas de São Paulo fechou o mês passado com leve queda ante o valor de junho, em meio à grande oferta das usinas, com o recuo da cotação sendo limitado por uma maior demanda, segundo dados do Cepea.

"Esse pessoal (usinas endividadas) vai vender por qualquer preço, pouco importa. Ele vende na janta pra tomar café da manhã. Ele precisa de caixa, de dinheiro, precisa de financiamento, não tem como segurar estoque. Vende na velocidade da produção", disse o executivo durante uma apresentação, em evento do setor em São Paulo.

O centro-sul do Brasil está no auge da safra 2015/16.

O indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado no Estado de São Paulo fechou a semana passada a 1,1793 reais por litro, menor cotação desde novembro de 2014.

Segundo Pádua, os valores precisariam ser bem maiores.

"O produtor poderia vender hoje a 1,45 real/litro e manter as margens, manter a competitividade... O que se está vendo hoje, o preço do etanol, é fantasia", disse o diretor da entidade.

A Unica defende uma elevação dos preços da gasolina, principal concorrente do etanol hidratado e que têm os preços controlados nas refinarias e uma redução dos impostos para o biocombustível.

"Não acho que vai parar o fechamento de usinas nos próximos cinco anos. Vamos ver mais. Endividamento vai aumentar", afirmou Pádua. (Reuters 06/08/2015)

 

Com negócios imobiliários, usinas ampliam diversificação

Uma nova onda de diversificação começa a se incorporar à estratégia das usinas sucroalcooleiras paulistas. Algumas empresas que detêm terras próximas a zonas urbanas de municípios do interior do Estado começaram a usar parte delas para aportes em empreendimentos residenciais e comerciais, normalmente com parceiros. E a aposta tem se mostrado promissora, já que, nessas áreas, o mercado imobiliário tem gerado melhor remuneração do que os canaviais.

A diversificação, aliás, está no "DNA" dessas agroindústrias, cujos principais produtos, açúcar e etanol, se caracterizam por apresentar elevados risco e volatilidade. Daí porque as "moedas" do segmento, já há algum tempo, serem colocadas também em outras "cestas". cogeração de energia a partir de biomassa, leveduras de alta performance e subprodutos orgânicos. E há outras inovações em andamento, como o desenvolvimento de plásticos biodegradáveis e ceras a partir da cana-de-açúcar.

No setor imobiliário, duas companhias sucroalcooleiras aparentemente caminham a passos mais largos: o grupo São Martinho, que lançou três empreendimentos no último ano e já mapeou outras áreas para incrementar os negócios nessa frente, e o Grupo Balbo, que estreou no ramo há oito anos e, agora, prepara um plano estratégico para aproveitar novas oportunidades no médio e longo prazos.

No caso da São Martinho, cerca de 2 mil, ou quase 4% dos 52 mil hectares que a empresa detém, apresenta potencial para abrigar projetos imobiliários no longo prazo, conforme Fábio Venturelli, presidente da companhia. São áreas que geram 160 mil toneladas de cana, menos de 1% do total processado nas quatro usinas do grupo.

Apesar de ter uma dimensão pouco importante sob a ótica canavieira, essas áreas, quando incorporadas ao ramo imobiliário, trazem perspectivas de margens elevadas, a despeito dos valores absolutos relativamente pequenos. Foi de olho nessas margens que a São Martinho, que faturou R$ 1,2 bilhão na safra 2014/15, lançou, com parceiros como a Alphaville, seus três empreendimentos urbanos no último ano, dois residenciais e um comercial ­, que, juntos, ocuparam 180 hectares.

A venda desses loteamentos representa um valor presente líquido (VPL) de R$ 110 milhões para a São Martinho. Na prática, é como se a empresa tivesse vendido cada hectare "imobiliário" por R$ 610 mil, 12 vezes mais que o preço médio de suas terras, R$ 50 mil por hectare, conforme avaliação feita em maio de 2014 pela Deloitte. "Somos 'terrenistas'. Essa é a nossa participação. Não vamos desenvolver competência na venda de lotes", esclareceu Venturelli.

Apostar nesse tipo de negócio é também uma alternativa das usinas para evitar, inclusive, a perda dessas áreas de cana, já praticamente urbanas, por erosão. "As cidades encostam nessas áreas e as tornam inviáveis para o cultivo", observa o presidente do Grupo Balbo, Clésio Balbo.

Quando a empresa, com sede em Sertãozinho, há oito anos lançou seu primeiro e único empreendimento imobiliário até o momento, o fez porque o entorno de um terreno que ela tinha doado há quase 20 anos para a construção de uma escola passou a abrigar também residências e estabelecimentos comerciais e, logo, a área urbana que se desenvolveu ali passou a encostar em seus canaviais. "Estávamos 'segurando' a cidade".

Há dois anos, o grupo Balbo e seu parceiro imobiliário concluíram a venda dos lotes. O empresário afirma que o próximo projeto da empresa será lançado somente após a conclusão do plano estratégico que está sendo costurado. "Esse mercado também oferece riscos. Agora, por exemplo, está mais retraído", diz.

O grupo é um bom exemplo de diversificação. Controlador da Native, de açúcar e álcool orgânicos, também tem uma parceria com a Usina da Pedra em uma planta-piloto para produzir plástico biodegradável a partir da cana. "Se fossem jogados no rio Tietê, esses plásticos se degradariam em seis meses", diz Balbo para explicar a diferença dos "concorrentes" renováveis.

E a empresa também está entre as que apostam na produção de cera a partir da cana e de leveduras de alto valor agregado. "O açúcar e o etanol já foram 100% da receita. Hoje não passam de 80%". (Valor Econômico 07/08/2015)

 

Açúcar: Dólar e Índia

As cotações do açúcar ensaiaram uma recuperação no início do pregão de ontem, mas a nova disparada do dólar e notícias da Índia pesaram ao longo do dia, devolvendo os preços para o campo negativo na bolsa de Nova York.

Os lotes para março de 2016 caíram 18 pontos, a 11,83 centavos de dólar a libra-peso.

O dólar marcou uma nova máxima frente o real, fechando a R$ 3,5361.

A alta da moeda incentiva as exportações do Brasil. Além disso, o governo da Índia deve obrigar as usinas do país a exportarem açúcar na próxima safra global (2015/16) para reduzir a pressão do mercado interno.

O volume pode ultrapassar as 4 milhões de toneladas, segundo a Angel Commodities.

No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,74%%, para R$ 46,77 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 07/08/2015)

 

Em 40 anos, etanol substituiu 2,5 bilhões de barris de gasolina

O cálculo leva em conta o combustível utilizado no país desde o programa Proálcool, lançado em 1975, até a safra de 2015, encerrada em março.

A utilização de etanol na matriz energética brasileira, desde o Proálcool, lançado em 1975, até a safra 2014/15, encerrada em março deste ano, representou a substituição de aproximadamente 2,5 bilhões de barris de gasolina. O cálculo foi apresentado nesta quinta-feira, 6, pelo diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, durante o painel "O Cenário do Etanol", que faz parte da programação Fórum Internacional de Postos e Serviços (ExpoPostos), realizado em São Paulo.

Ainda de acordo com executivo, nesses 40 anos, tal volume equivale a US$ 190 bilhões, tomando por base as mais recentes cotações do derivado de petróleo.

O executivo salientou que o etanol precisa voltar a ter papel de destaque na matriz energética brasileira para que a demanda por combustíveis não seja comprometida. Ele defende políticas de longo prazo para produto, reconhecimento das externalidades positivas do álcool e estímulos a ganhos de eficiência para veículos flex.

Pádua também comentou sobre as dificuldades enfrentadas pelo setor sucroenergético nos últimos anos e reafirmou que 10 usinas podem deixar de processar a safra 2015/16, iniciada em abril. "O setor precisa de caixa, de dinheiro; ele não tem financiamento", afirmou. (Agência Estado 06/08/2015)

 

O que já parecia ruim não para de piorar. Até quando? - Por Ronaldo Knack - Brasil Agro

Uma leitura não necessariamente atenta das notícias veículadas pelas redes sociais e pela mídia mostra que o inferno em que o governo do PT se meteu ao tentar fazer de conta que tinha competência de gestão para administrar o nosso País não para de produzir novas e, com efeito, sempre más notícias.

As páginas econômicas dos jornais, revistas e programas noticiosos das emissoras de rádio e TV se transformaram em canais de transmissão de notícias da editoria policial. O que mais se vê e lê são prisões de, pela ordem, políticos ligados ao sistema instalado a partir do primeiro mandato do presidente Lula e seguido pela sua sucessora Dilma, que tenta se segurar sabe Deus até quando.

As prisões e o recurso de delações premiadas de empresários também já não são mais novidade para ninguém. Tudo leva a crer que o frágil sistema político em que esta autêntica quadrilha que se instalou no poder não se sustenta após a gigantesca manifestação que se organiza pra o próximo dia 16 de agosto.

Pelo panelaço Brasil afora da noite de ontem, enquanto o PT tentava se defender – como que houvesse algo para tal! Em seu programa de rádio e TV, as quadrilhas que se instalaram na Petrobras, Eletrobras e por daí em diante, devem se preparar para, de fato e de direito, pagarem com a liberdade pelos seus ‘malfeitos’, como gosta de dizer ‘Madame’ que só conta agora com 8% de brasileiros que a admiram.

Certamente dentre estes 8%, contrariamente aos 92% que a abominam, se encontram aqueles que a consideram uma “patriota” e uma “mulher de fibra”, mesmo tendo sido chamados por ela de “caloteiros” e de “não cumpridores de contratos”. É triste e lamentável fazermos este registro, mas ele precisa ser feito porque apostamos e acreditamos que este bombardeio de más notícias vai chegar em determinado momento ao seu final.

O que não dá para se imaginar é quanto tempo mais ficaremos ouvindo, lendo e vendo as sucessivas denúncias de corrupção, rapinagem, assaltos e, notadamente, nenhuma competência para a gestão da coisa pública. Haja vista o pífio resultado do balanço trimestral divulgado na noite de ontem pela Petrobras.

(Ronaldo Knack é Jornalista e bacharel em Direito e Administração de Empresas. É também fundador e editor do BrasilAgro;ronaldo@brasilagro.com.br)

 

Tereos mantém renovação de 18% a 20% dos canaviais

O membro do Conselho de Administração da Tereos Internacional, Olivier Casanova, afirmou nesta quinta-feira (6), em teleconferência para comentar os resultados do primeiro trimestre de 2015/16, que a companhia continua com os investimentos na renovação de canaviais e ainda na melhoria da eficiência agrícola e industrial em busca de ganhos de "performance".

De acordo com ele, para manter uma boa idade média do canavial, com melhores produção e produtividade, a Tereos renova entre 18% e 20% das lavouras. "Isso mantém o compromisso com a baixa idade média dos canaviais", afirmou.

Com a melhoria da eficiência do plantio e colheita mecânicos, a Tereos Internacional conseguiu ainda, segundo ele, aumento de 6% na colheita da cana com máquinas no primeiro trimestre, encerrado em junho de 2015.

"Do lado industrial, passamos para uma manutenção preventiva durante a safra, detectada por meio de testes constantes", o que reduz a manutenção anual comum nas usinas, de acordo com o executivo. "Com esse tipo de ação, desde o ano passado há um impacto muito perceptivo na eficiência do equipamento industrial", explicou Casanova.

Indagados por analistas se a companhia contava com a injeção de capital de R$ 250 milhões prevista para outubro por parte da Petrobras, sócia da Tereos em sete usinas de açúcar e etanol no Brasil, Casanova ratificou a posição do diretor da Divisão de Cana-de-Açúcar da Tereos Internacional, Jacyr Costa Filho, sinalizada ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, na última segunda-feira. "A injeção de capital está marcada para outubro e, como foi dito, temos motivos firmes para acreditar que isso será como o planejado". (Agência Estado 06/08/2015)

 

Governo buscará apoio de elite empresarial do país

Dilma irá chamar Jorge Gerdau, Abílio Diniz e outros líderes do setor privado.

Fiesp e Firjan divulgaram nota a favor da preservação da estabilidade; entidades só citam Michel Temer

Com os indicadores econômicos piorando e a instabilidade política reforçando o cenário de recessão, a presidente Dilma Rousseff irá recorrer aos líderes do setor privado do país para tentar obter apoio e, assim, driblar a crise.

O governo quer chamar a elite empresarial brasileira para um encontro nos moldes da reunião com os governadores, ocorrida semana passada, no Palácio da Alvorada.

A petista também convidará executivos do mercado para conversas individuais. Estão na lista alguns dos maiores grupos privados do país, tais como Rubens Ometto (Cosan), Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), Jorge Gerdau (Gerdau) e Abílio Diniz (Grupo Pão de Açúcar). Todos são considerados relativamente próximos ao Executivo.

Em avaliações internas, o governo concluiu que precisa não só recuperar interlocução com os movimentos sociais, mas também refazer as pontes com o capital.

O objetivo é, de um lado, mostrar apoio entre os chamados barões do PIB (Produto Interno Bruto), e, do outro, obter ajuda da iniciativa privada para influenciar o Congresso Nacional contra a aprovação de projetos com forte impacto fiscal.

O agravamento da situação política ampliou o grau de incerteza sobre o futuro da economia brasileira e gerou dúvidas sobre a capacidade do Planalto de reagir à crise.

Na Câmara, as condições de governabilidade são as mais frágeis possíveis. Investigado pela operação Lava Jato, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem se valido da aguda fragilidade do governo como estratégia para tentar desviar a atenção de seu próprio desgaste.

Nesta semana, o peemedebista colocou em votação a proposta que reajusta salários de carreiras do funcionalismo público federal. Uma aprovação em caráter definitivo gerará aos cofres da União uma perda aproximada de R$ 10 bilhões ao ano. E isso para atender à demanda de 71.397 servidores, 40.950 deles já aposentados.

FIESP E FIRJAN

Nesta quinta (6), dois dos principais representantes da indústria nacional, Fiesp e a Firjan, divulgaram nota a favor da preservação da estabilidade institucional. Mas, em vez de citar nominalmente Dilma Rousseff, a declaração divulgada à imprensa menciona apenas o vice-presidente, Michel Temer (PMDB-SP).

Na véspera, Temer fez um apelo ao Congresso contra projetos que ajudam a secar ainda mais os cofres federais e disse que o Brasil precisa de alguém capaz de "reunificar" o país. O tom não agradou a setores do governo, que viram no teor da fala a intenção de tentar se colocar como alternativa à presidente.

"O Brasil não pode se permitir mais irresponsabilidades fiscais, tributárias ou administrativas e deve agir para manter o grau de investimento tão duramente conquistado, sob pena de colocar em risco a sobrevivência de milhares e milhares de empresas e milhões de empregos", diz a nota.

Ainda não está definida uma reunião conjunta com os principais executivos da indústria e banqueiros do país, mas um encontro assim no médio prazo está no script de auxiliares presidenciais. (Folha de São Paulo 07/08/2015)

 

Dedini demite funcionários por carta

Envolvida numa crise sem precedentes, a indústria Dedini S/A, tradicional fabricante de usinas de cana-de-açúcar, com sede em Piracicaba, interior de São Paulo, demitiu 637 funcionários na quarta-feira. A empresa informou que as medidas estão sendo tomadas para "garantir a sobrevivência". De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, foram cortados 367 trabalhadores da fábrica em Piracicaba e 270 da unidade de Sertãozinho, norte do Estado.

O quadro restante da empresa, diz o sindicato, é agora de 1,3 mil funcionários. Muitos trabalhadores foram comunicados da dispensa por carta Sedex, segundo a entidade.

O presidente do sindicato, José Florêncio da Silva, o "Bahia", disse* que a empresa não informou previamente sobre os cortes. "Não digo que fomos apanhados de surpresa porque já sabíamos da situação da Dedini. Estamos preocupados com o pagamento dos direitos rescisórios, já que a empresa não se pronunciou a respeito." Segundo ele, 180 trabalhadores que foram demitidos entre dezembro passado e janeiro deste ano ainda não receberam todas as verbas.

A companhia vive uma crise na esteira da enfrentada pelo setor sucroalcooleiro desde 2009.

Além de seguidas greves e demissões nas unidades fabris, a companhia atrasou o pagamento de salários e rescisões contratuais, bem como, segundo o sindicato dos metalúrgicos de Piracicaba, deixou de depositar o " FGTS por 50 meses. De acordo com a entidade, a Dedini realizou o pagamento dos salários somente para os metalúrgicos que recebem por hora. Os trabalhadores como pagamento fixo mensal estão há quatro meses sem o recebimento integral dos vencimentos.

No mês passado, para encerrar uma greve na unidade de Piracicaba, a Dedini se comprometeu a acertar os salários e a não demitir funcionários até o dia 5 de agosto, prazo encerrado justamente ontem, quando ocorreram os novos cortes.

A empresa publicou ainda a convocação de uma Assembléia Geral Extraordinária (AGE) de acionistas para o dia 14 para avaliar "assuntos de natureza financeira da empresa no contexto atual de mercado", como análise de resultados e projeções de 2015 e 2016, por segmento de atuação.

Bola de neve. O técnico em segurança do trabalho João Vicente Franco, decanos, foi contratado pela Dedini de Piracicaba em 2003. Na quarta-feira, foi avisado da dispensa. Pai de dois filhos estudantes, uma garota de 15 anos e um rapaz de 20, que faz relações internacionais numa universidade privada, ele já está em busca de nova colocação. "A vida tem de continuar sem a Dedini", disse.

Para Franco, trabalhar na empresa era um sonho de criança. "Cresci ouvindo falar bem da Dedini." Ele conta que as dificuldades começaram em 2008, quando o setor. "Começou com atraso no pagamento dos fornecedores, depois chegou nos funcionários. Acabou virando uma bola de neve." Franco sente ter saído da empresa em que viveu mais de uma década e onde ganhava um bom salário - R$ 4,3 mil mensais. "Só que, do jeito que estava, eu não via mais perspectiva para continuar".

O presidente da Dedini, Sérgio Leme, informou, em entrevista por e-mail ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que as demissões ocorridas buscam adequar o quadro de funcionários à carteira de pedidos. "Também estamos buscando produtos e processos que possam agregar maior valor aos clientes, através de inovações, redução de custo e redesenho dos processos".

Leme garantiu que os salários atrasados, um dos motivos de greves e paralisações nas unidades, têm sido regularizados com pagamentos semanais e que o FGTS "sem parcelamento em curso junto ao órgão competente". A unidade de Sertãozinho, fechada desde segunda-feira após o protesto dos trabalha: dores, deve ser reaberta dia 10.

A companhia, disse Leme, não tem planos definidos "até o momento" sobre um possível pedido de recuperação judicial para o reordenamento de seu passivo. A Dedini tem ativos seis vezes maiores do que o passivo com fornecedores, financeiros e trabalhistas.

Fundada em 1920, a Dedini tornou-se líder mundial na fabricação de plantas de usinas. Nós últimos anos, afetada pelo fechamento de 60 usinas e pela situação de insolvência de outras 70, chegou a vender bens para quitar dívidas. (O Estado de São Paulo 07/08/2015)

 

Cargill registra perda trimestral e cita fraqueza em economia de emergentes

A multinacional do agronegócio Cargill reportou uma perda líquida trimestral nesta quinta-feira, por despesas não recorrentes e menor lucro em três dos seus quatro segmentos de negócios, citando a economia em desaceleração nos mercados emergentes.

A companhia com sede em Minnesota divulgou uma perda líquida de 51 milhões de dólares para o quarto trimestre fiscal finalizado em 31 de maio, ante lucro de 376 milhões de dólares um ano antes.

O lucro do ano anterior foi revisado para baixo para 424 milhões de dólares, conforme a companhia corrigiu uma taxa ligada à desvalorização da moeda Venezuelana.

A receita caiu 22 por cento, para 28,4 bilhões de dólares, ante 36,2 bilhões de dólares.

A Cargill foi a última grande operadora de commodities global a reportar um trimestre decepcionante, após a rival Archer Daniels Midland divulgar resultados menores que o esperado na terça-feira e a Bunge reportar um lucro agudamente menor na semana passada. (Reuters 07/08/2015)

 

Empresa investe em fábrica de máquinas agrícolas no RS

Momento é oportuno para produtor comprar equipamentos, diz Simers.

Mesmo com um cenário negativo nas vendas de máquinas agrícolas, tem empresa investindo para ampliar a produção, de olho na recuperação do mercado. Representantes do setor também acreditam que o momento é bom para os produtores comprarem novos equipamentos.

A crise levou a venda de máquinas agrícolas a recuar 27,5% nos primeiros sete meses do ano. Mesmo assim, a John Deere acaba de ampliar a linha de produção de sua fábrica de tratores de Montenegro, no Rio Grande do Sul. A inauguração está prevista para novembro e o investimento foi de US$ 40 milhões.

Com a expansão, modelos de alta potência, tratores voltados para a cultura de grãos, cana-de-açúcar e algodão, passam a ser produzidos no Brasil.

Sabendo que a agricultura é uma atividade que é por ciclos, ela tem altos e baixos, estamos investindo sempre preferencialmente nos ciclos de baixa, para que quando vier o ciclo de alta, você esteja no mercado um produto consolidado e, as fábricas, preparadas para entregar o produto com alta qualidade, afirma o presidente da empresa no país, Paulo Hermann.

Representantes do setor dizem que o momento é bom para os produtores investirem em novas máquinas.

O juro ainda está convidativo porque ele subiu um pouquinho, mas a Selic [taxa básica de juros] subiu, e o nosso ficou em 7,5%. Então, o pessoal tem que aproveitar. Está na hora de comprar máquina para melhorar as lavouras, diz o presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Cláudio Bier. (Cana Rural 06/08/2015 às 19h: 47m)

 

Cana: Clima seco possibilita moagem elevada; ATR ainda preocupa

Dois dados muito importantes preocupam o mercado sucroenergético para esta safra 2015/16: em primeiro lugar, até a primeira quinzena de julho as usinas haviam moído 5,9% menos cana em relação à safra passada e, para que a estimativa da Unica de 590 milhões de toneladas seja atingida o ritmo de processamento tem de ser 10,1% superior ao registrado em 2014/15 nos próximos meses. Em segundo lugar, o ATR médio da temporada está 3,5% defasado em relação à temporada anterior o que, se continuar até o final da colheita, neutralizaria o efeito de uma moagem mais elevada sobre a disponibilidade total de matéria-prima.

Quanto à moagem, a segunda quinzena de julho promete diminuir a defasagem em relação a 2014/15. Na média das regiões canavieiras da região choveu apenas 4,8 mm no total do período, 87,6% menos que no mesmo período no ano passado e 80,6% a menos que a média histórica. Essa situação contrasta fortemente com a quinzena anterior, quando choveu 61,5 mm, quase sete vezes a média dos últimos dez anos, levando a moagem a ficar em apenas 29,3 milhões de toneladas.

Seguindo esta lógica, os dados indicam que a moagem este ano deve superar significativamente a moagem de 36 milhões de toneladas registrada na segunda quinzena de julho em 2014/15 e é provável que ainda supere as 46,3 milhões de toneladas registradas em 2012 (recorde para a quinzena), quando as chuvas totalizaram 8,1 mm.

Neste ano as usinas contam com uma outra vantagem no que se refere à capacidade de moagem: como a maioria das usinas realizou manutenção industrial durante os dias parados devido às chuvas na primeira quinzena, o número de unidades que realizaram paradas na segunda metade do mês deve ser próximo a zero. (Brasil Agro 07/08/2015)

 

Crédito restrito desafia agronegócio brasileiro

Diretor da maior empresa de defensivos agrícolas do mundo diz que alta do dólar pode elevar preços no Brasil. O acesso dos produtores brasileiros ao crédito para financiar a próxima safra preocupa a Syngenta, líder mundial em defensivos agrícolas.

O diretor de operações da multinacional suíça, Jon Parr, diz que o setor sente os efeitos da restrição ao crédito no Brasil –variável que pode influenciar o interesse dos agricultores no uso de tecnologia. Para minimizar os efeitos desse "ambiente desafiador", a empresa oferece os seus instrumentos de financiamento aos produtores.

Parr diz que o câmbio também preocupa, mas afirma que a empresa pode aumentar preços para compensar a desvalorização do real.

Em entrevista à Folha, o executivo ainda comentou a oferta de compra apresentada pela norte-americana Monsanto à Syngenta, em junho, no valor de US$ 45 bilhões. Segundo ele, a proposta do concorrente subvaloriza a empresa. Clique no link abaixo para acesso a entrevista. (Folha de São Paulo 07/08/2015)

http://www.brasilagro.com.br/conteudo/credito-restrito-desafia-agronegocio-brasileiro.html#.VcSKAvlViko

 

Petrobras diz que não há previsão de alta de combustíveis

A Petrobras não tem previsão de elevar os preços da gasolina e do diesel, uma vez que considera que as cotações internas estão equilibradas com o cenário externo, disse nesta quinta-feira o presidente-executivo da petroleira, Aldemir Bendine, em entrevista a jornalistas.

"Não tem previsão de alta... estamos sendo recompensados devidamente pela venda de derivados, não tem perspectiva hoje. Se mudarem as variáveis, podemos adotar a política", disse ele, em um posicionamento que tem sido semelhante em suas últimas falas públicas.

No início da semana, reportagem da Reuters apontou que o Conselho de Administração da Petrobras está pressionando a diretoria a apresentar os critérios da metodologia utilizada pela companhia para definir os preços dos combustíveis no mercado interno, uma questão fundamental para a garantia da prometida paridade com as cotações internacionais.

RODADA DE PETRÓLEO

A Petrobras ainda não adquiriu acesso às informações da 13ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios de petróleo, prevista para outubro, mas vai avaliar sua participação considerando o volume de reservas já contabilizadas em seu portfólio e sua atual situação financeira, que demanda cuidados, afirmou a diretora de Exploração & Produção, Solange Guedes, aos jornalistas.

A rodada será realizada pela Agência Nacional do petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em 7 de outubro e as empresas têm até 11 de agosto para se inscrever.

"Iremos olhar, com muita atenção, cada um dos blocos, cada uma das oportunidades, mas com uma extrema seletividade", afirmou Solange, que também afirmou que parcerias para a licitação serão avaliadas.

Segundo a diretora, a empresa precisa levar em consideração "de uma forma bastante séria" o momento financeiro da empresa "que indica atenção".

O endividamento total da companhia em 30 de junho chegava a 415,5 bilhões de reais, crescimento de 18 por cento ante o registrado no final do ano passado, enquanto o indicador dívida líquida/Ebitda ajustado recuou ligeiramente para 4,64 vezes, ante 4,77 vezes ao fim de 2014, segundo balanço do segundo trimestre publicado nesta quinta-feira. (Reuters 06/08/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Dólar e Índia: As cotações do açúcar ensaiaram uma recuperação no início do pregão de ontem, mas a nova disparada do dólar e notícias da Índia pesaram ao longo do dia, devolvendo os preços para o campo negativo na bolsa de Nova York. Os lotes para março de 2016 caíram 18 pontos, a 11,83 centavos de dólar a libra-peso. O dólar marcou uma nova máxima frente o real, fechando a R$ 3,5361. A alta da moeda incentiva as exportações do Brasil. Além disso, o governo da Índia deve obrigar as usinas do país a exportarem açúcar na próxima safra global (2015/16) para reduzir a pressão do mercado interno. O volume pode ultrapassar as 4 milhões de toneladas, segundo a Angel Commodities. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,74%%, para R$ 46,77 a saca de 50 quilos.

Cacau: Quinta queda: Os preços do cacau registraram ontem a quinta queda seguida na bolsa de Nova York em mais uma rodada de vendas de posições por parte dos especuladores. Os contratos para dezembro recuaram US$ 59, cotados a US$ 3.071 a tonelada. As cotações vêm caindo desde meados de julho após a divulgação de queda na moagem de cacau em importantes centros produtores no mundo. Além disso, as perspectivas para as próximas safras no oeste da África são melhores que o resultado da última colheita. Segundo Jack Scoville, do Price Futures Group, esperase para a Costa do Marfim uma safra de 1,7 milhão de toneladas, além de uma recuperação na produção de Gana. Em Ilhéus e Itabuna, o preço médio caiu R$ 1, para R$ 124 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Vendas canceladas: O cancelamento de vendas de soja dos EUA ao exterior e a melhora no cenário climático para áreas com o grão no país pesaram sobre os preços na bolsa de Chicago ontem. Os papéis para setembro caíram 6,75 centavos, a US$ 9,56 o bushel. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reportou que, na semana do dia 30 de julho, houve cancelamentos líquidos de 447,3 mil toneladas de soja dos EUA referentes à safra 2014/15. Além disso, os boletins meteorológicos indicam agora um clima "variável" na próxima semana, após previsões de tempo seco, segundo a empresa DTN. Na região do Delta do Mississippi, já ocorrem algumas colheitas, com relatos de boa produtividade. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq em Paranaguá subiu 0,85%, para R$ 78,50 a saca.

Trigo: Impulso americano: O aumento das vendas externas de trigo dos Estados Unidos impulsionou as cotações do cereal nas bolsas do país ontem. Em Chicago, os contratos para dezembro subiram 4 centavos, a US$ 5,1125 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os lotes para dezembro subiram 0,25 centavo, a US$ 5,10 o bushel. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os exportadores americanos acertaram a venda de 838,5 mil toneladas de trigo na semana encerrada dia 30, uma alta semanal de 20% e 82% acima da média das quatro semanas anteriores. O volume surpreendeu os analistas, que esperavam algo entre 350 mil e 725 mil toneladas no período. No Paraná, o preço médio do trigo apurado pelo Cepea/Esalq teve leve queda de 0,05%, para R$ 647,54 a tonelada. (Valor Econômico 07/08/2015)