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Guarani usa recursos próprios para estocagem de etanol

A demora na liberação dos recursos para estocagem de etanol ("warrantagem") tende a impulsionar as cotações do biocombustível durante a entressafra de cana-de-açúcar, entre dezembro e março. Com base nessa perspectiva, a Guarani já armazena mais álcool para comercializar no período de menor produção. "Estamos guardando (etanol) com recursos próprios. Se não sair o financiamento, os preços serão, de fato, atraentes", disse ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, Jacyr Costa Filho, diretor da Região Brasil da Tereos Internacional, controladora do grupo sucroenergético.

Responsável pelos recursos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda ajusta as linhas para renovação de canaviais (Prorenova) e estocagem de etanol e não tem prazo para a conclusão dos acertos, conforme revelado pelo Broadcast em julho. A expectativa era de que o dinheiro estivesse disponível para captação ainda no mês passado, dentro do Plano Safra 2015/16, do qual faz parte.

No primeiro trimestre da temporada, iniciada em abril, a Guarani comercializou 128 milhões de litros de etanol, levemente abaixo dos 131 milhões de litros de igual período do ano passado. Os volumes levam em conta 100% da Usina Vertente, em Guaraci (SP). Embora a Guarani detenha apenas metade da unidade, um acordo com os acionistas possibilitou que todas as operações da indústria fossem consideradas dentro do balanço. "Mas não houve nenhuma transação financeira", frisou Costa Filho. Os outros 50% da Vertente são da CLEEL Empreendimentos, empresa do Grupo Húmus Agroterra.

De acordo com as informações divulgadas pela Tereos Internacional, as sete unidades da Guarani, localizadas no noroeste paulista, processaram 6,6 milhões de toneladas de cana no primeiro trimestre da temporada, 7% menos ante iguais meses de 2014. Com mix de 55% da oferta de matéria-prima para açúcar, foram produzidas 427 mil toneladas do alimento (-16%) e 213 milhões de litros de etanol (-10%).

"Tivemos chuvas nos meses de abril e maio, o que deu uma perspectiva melhor para o fim da safra", destacou Costa Filho. Ainda segundo o executivo, a região onde estão as usinas da Guarani não foi afetada pelas precipitações de junho e julho e, em virtude disso, a empresa mantém seu cronograma de encerrar o processamento no final de novembro, com até 20,5 milhões de toneladas - estável ante 2014/15.

O que fugiu ao programado foi o nível de alavancagem, que variou de 5,5 para 6,7 vezes no trimestre. "Não estamos confortáveis com isso, mas boa parte desse endividamento é de crescimento, de projetos, de investimentos que agora estão maduros", ponderou Costa Filho. "A Usina Vertente, por exemplo, foi alvo de grandes investimentos em cogeração, plantio de cana e aumento da capacidade de moagem. Agora vamos colher os frutos desses investimentos", acrescentou.

O capex da Tereos Internacional cresceu 10% no primeiro trimestre de 2015/16, em bases anuais, para R$ 188 milhões, dos quais R$ 157 milhões em plantações. Segundo Costa Filho, a idade média dos canaviais da Guarani é de 3,4 de anos.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado diminuiu 29% de um ano para outro, para R$ 123 milhões, ao passo que a dívida líquida subiu para R$ 5,32 bilhões em 30 de junho. Com relação à receita, esta cresceu 8%, para R$ 1,95 bilhão, refletindo o "efeito positivo" da desvalorização de 11% do real frente ao Euro. O prejuízo líquido aumentou 345,4%, para R$ 141 milhões. ( Diário de Maringá 09/08/2015)

 

Tecnologia no campo evita uso excessivo de insumos

As tecnologias que permitem uma leitura mais precisa dos dados apurados por talhão, com uso de georreferenciamento, e o mapeamento mais detalhado de toda a propriedade agrícola, incorporando no processo a aplicação de insumos a taxas variáveis, a exemplo de corretivos e fertilizantes, segundo as necessidades do solo, já são vistas como “commodities” no setor agrícola, afirma José Paulo Molin, coordenador do Laboratório de Agricultura de Precisão (LAP) da Escola Superior de Agricultura ‘Luiz de Queiroz’ da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

Pesquisa divulgada recentemente pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato), realizada pelo Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea), mostra que 42% dos produtores da maior região produtora de milho e soja do país utilizam a eletrônica embarcada como ferramenta de gestão da atividade agrícola, depois de um ciclo de cinco anos de intensa renovação do parque de máquinas. O percentual sobe para 54% na região oeste do Estado, que engloba municípios como Campos de Júlio, Campo Novo do Parecis e Sapezal, e para 52% no sudeste, onde estão Rondonópolis e Primavera do Leste, entre outros municípios.

Engenheiro agrônomo, Tiago Daniel Comiran ajuda o pai e o tio, Dirceu e Alceu Comiran, pela ordem, na exploração de 1,5 mil hectares de lavouras em Campos de Júlio, onde produzem soja, milho, girassol e sorgo. O parque de máquinas da fazenda incorpora duas colheitadeiras, três tratores e um distribuidor de adubos equipados com piloto automático, sistemas de geoposicionamento por satélite (GPS) e sensores que permitem dosar a adubação do solo, o lançamento de sementes e a aplicação de calcário.

O preparo do solo e o plantio seguem uma programação rigorosamente estabelecida a partir de análises das amostras do solo e dos mapas de produtividade gerados pelos sistemas que equipam as colheitadeiras. Softwares dedicados fazem o cruzamento dessas informações e orientam o trabalho de adubação a taxas variáveis, conforme as características do terreno. “Numa mesma linha de aplicação, o volume de adubo pode variar de 30 a 2 mil quilos. Assim conseguimos evitar o desperdício de recursos e o uso excessivo de insumos, otimizando a produtividade”, diz Tiago.

O piloto automático, alimentado com dados gerados pelas análises de solo, talhão a talhão, libera o operador da máquina para as atividades agrícolas mais estratégicas, melhorando sua eficiência, de acordo com o produtor. “Além disso, os softwares por trás dessa tecnologia nos permitem uma leitura exata do consumo de combustível, do gasto por hora­máquina, das taxas de desempenho das sementes e da produtividade a cada palmo de chão”, complementa Tiago.

Ele estima que a agricultura de precisão trouxe um ganho de rendimento entre 30% e 40% na comparação com a exploração convencional, incluindo maior celeridade na área operacional, maior eficiência gerencial e ganhos ao longo de todo o processo econômico. “A tecnologia veio somando e contribuindo para ampliar a rentabilidade da operação”, afirma.

“Há seis anos não temos mais agricultura que não seja de precisão em nossas áreas”, confirma Ênio Jaime Fernandes Júnior, que explora, com o sócio George Fonseca Zaiden, perto de 4,45 mil hectares de soja, milho e cana em Rio Verde e Caiapônia, no sudoeste de Goiás, região que concentra a maior produção de grãos do Estado. O processo de coleta de amostras do solo, com uso de GPS, é realizado por uma empresa especializada e especialmente contratada para isso. Uma segunda empresa cuida das análises de solo e discute com os sócios a dosagem a ser inserida na programação dos equipamentos.

A frota dos sócios inclui pulverizadores autopropelidos com piloto automático e sistemas de fechamento de seção, que evitam perdas com duplicidade de aplicação numa mesma área. As colheitadeiras são equipadas igualmente com piloto automático e sistemas de mapeamento da colheita, sensores de produtividade, controle de umidade e de perdas de grãos. Tratores e um distribuidor de fertilizantes, todos com piloto automático e, no caso deste último, com controle computadorizado da aplicação do insumo, completam o maquinário.

“Todos os produtos, peças, dados e informações abastecem um sistema de gestão, instalado no escritório da fazenda, que nos ajuda na tomada de decisão mais rápida e em tempo real”, observa Fernandes Júnior. O próximo investimento, adianta ele, envolverá a aquisição de um tablet para anotações sobre as condições das lavouras in loco, com o objetivo de aprimorar o controle e manejo de pragas, doenças e ervas daninhas.

Os custos não são baixos e apenas um piloto automático, com computador e software incorporado, avalia Tiago Comiran, não sai por menos de R$ 40 mil a R$ 50 mil, sem incluir o maquinário. “Mas o investimento pode se pagar em uma safra e meia ou duas, a depender das condições anteriores e das deficiências prévias encontradas na fazenda”, comenta. Um distribuidor de fertilizantes com toda eletrônica embarcada, complementa Fernandes Júnior, custa em torno de R$ 550 mil e uma colheitadeira exige um desembolso de R$ 1,2 milhão a R$ 1,3 milhão. “Mas você nunca para de investir. Se eu ficasse três anos sem realizar investimentos, minha defasagem tecnológica seria tão grande que dificilmente conseguiria acompanhar o desenvolvimento do setor”, declara.

Professor da Esalq e presidente da Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão, órgão consultivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Paulo Molin estima que o custo em dólar do investimento em tecnologia embarcada, no Brasil, equivale a duas ou três vezes mais do que aquele exigido do produtor nos EUA.

Lidar com a variabilidade espacial da agricultura é um desafio ainda não superado pelo setor agrícola, indica Molin. A IBM vem buscando soluções nesta área e investe no desenvolvimento de projetos no Brasil e ao redor do mundo por meio da divisão IBM Research. Um primeiro projeto a se tornar público, segundo Bianca Zadrozny, gerente de Analytics em Recursos Naturais do Laboratório de Pesquisa da IBM Brasil, envolveu parceira com a E.&J. Gallo Winery, considerada a maior vinícola do mundo atualmente, com sede em Modesto, na Califórnia, região submetida a severo estresse hídrico.

Em grandes linhas, foi desenvolvido um sistema automatizado de fertirrigação, com maior eficiência no consumo de água e na aplicação de fertilizantes, combinando aplicações a taxas variáveis de nitrogênio e água em busca de ganhos de produtividade.

A área foi integralmente mapeada por satélite e as imagens processadas por softwares específicos, o que permitiu estabelecer um modelo de irrigação para tornar a produção mais uniforme.

Sensores instalados no solo, com sistemas de infravermelho, diz Bianca, fazem a leitura dos níveis de umidade e de desenvolvimento da biomassa em cada parte do terreno, mostrando o desenvolvimento das plantas. “Adotamos ainda modelos de previsão de tempo e temperatura para programar a aplicação de nitrogênio, evitando que o fertilizante seja carregado pela água das chuvas”. Como resultado, mostra Bianca, o projeto trouxe uma redução de 20% no consumo de água e ganhos de 10% a 20% em produtividade. “A aplicação de metodologias mais precisas de irrigação e fertilização permitiram um controle mais eficiente do desenvolvimento dos vinhedos, com a produção de uvas mais consistentes e de melhor qualidade”, aponta a especialista. (Valor Econômico 10/08/2015)

 

Secretário de SP admite entraves para compra de energia a partir da biomassa

O secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, admitiu nesta sexta-feira, 7, que o governo paulista tem encontrado dificuldades para realizar leilões de compra de energia elétrica gerada a partir da biomassa. A ideia desses leilões foi lançada no começo de 2015 como uma forma de incentivar principalmente as usinas de açúcar e etanol que produzem energia elétrica excedente a partir do bagaço e da palha de cana e que enfrentam dificuldades de comercializá-la nos leilões federais por causa dos preços.

Segundo Jardim, o maior entrave encontrado é o fato de empresas públicas que seriam demandadoras da energia negociada nos pregões já possuírem contratos de fornecimento com outras companhias. Entre elas, citou Jardim, estão a Sabesp e o Metrô. "O secretário (de Energia, João Carlos) Meirelles tenta compatibilizar esses contratos para termos uma massa compradora que fundamente fazermos um leilão especifico", disse. "A expectativa é que um estudo nesse sentido seja anunciado durante a Fenasucro, no dia 26". O evento ocorre em Sertãozinho (SP).

O secretário da Agricultura de São Paulo criticou o leilão para a compra de energia elétrica de reserva de fontes renováveis marcado pelo governo para o final deste mês. Segundo ele, além de o leilão colocar a biomassa juntamente com outras fontes de energia alternativas, como a eólica, os preços de referência, de R$ 148 por megawatt-hora (MWh), são considerados muito baixos.

"Nesses leilões, quem apresenta o menor custo de geração acaba levando vantagem. Mas isso não deveria ocorrer, porque a energia eólica, apesar de ser mais barata para gerar, tem um custo muito maior para chegar ao mercado consumidor", disse. "Esse preço do leilão de agosto não remunera, e poucas usinas e empresas de geração a partir da biomassa vão apresentar as propostas", concluiu Jardim. (Agência Estado 07/08/2015)

 

Demanda por combustíveis pode superar oferta interna em 2024

A demanda por combustíveis do Ciclo Otto (etanol e gasolina) pode superar a oferta interna em até 17,4 bilhões de litros em 2024, de acordo com cálculos da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Esse "gap energético" é em volume de gasolina equivalente e considera o aumento da frota de veículos e a ausência de novas refinarias, além de incorporar um cenário de estagnação na produção de álcool pelas usinas e destilarias do País.

Dos cenários traçados pela entidade, esse seria o pior. Ainda assim, mesmo que a fabricação do biocombustível entre em expansão constante, a diferença cairia para apenas 11,6 bilhões de litros de gasolina equivalente.

Os números da principal associação sucroenergética do Centro-Sul do Brasil são mais preocupantes do que os projetados pelo governo. Para o Ministério de Minas e Energia (MME), o "gap energético" pode alcançar 8,5 bilhões de litros em 2024, com produção de 31 bilhões de litros de gasolina e consumo de 29 bilhões de litros de etanol, frente uma demanda total de 68,5 bilhões de litros - todos os volumes em gasolina equivalente.

Caso se concretize, esses 8,5 bilhões de litros previstos pelo MME representariam um crescimento de aproximadamente 550% em relação ao "gap" de 1,3 bilhão estimados já para este ano. Consequentemente, a perspectiva que se traça é de aumento das importações de gasolina para atender à demanda interna.

Em evento na quinta-feira, 6, em São Paulo, o superintendente de Abastecimento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Aurélio Amaral, defendeu investimentos em infraestrutura portuária justamente para comportar as compras do combustível fóssil.

"Há interesse de grandes grupos nacionais e estrangeiros" em investir nos portos brasileiros, destacou. Os terminais do Norte e do Nordeste seriam os mais diretamente ligados a essas importações, concluiu ele, citando estudo feito pela ANP a respeito do assunto. (Agência Estado 07/08/2015)

 

‘Recuperação judicial aqui é vergonha’, diz advogado

Para especialista na área de recuperação judicial, empresas brasileiras recorrem tardiamente à proteção da Justiça, o que tem agravado os processos.

RIO - O advogado Eduardo Munhoz, um dos maiores especialistas do País na área de recuperação judicial - ele participou das discussões no Ministério da Justiça que embasaram a criação da lei - acredita que, aos dez anos, a lei de recuperação judicial “vive seu momento mais importante”, com um elevado número de empresas de grande porte tendo de recorrer ao mecanismo diante dos desdobramentos da crise econômica e da Operação Lava Jato. “Se a lei não for bem usada e aprimorada, a crise econômica do País vai ser muito mais grave e duradoura”, diz.

Para o especialista, que tem no currículo casos emblemáticos de recuperação judicial, como o da empreiteira OAS e do Grupo EBX, de Eike Batista, há um problema sistêmico no Brasil, que atinge empresas de diferentes setores e tamanhos, e que irá culminar em mais uma série de pedidos de recuperação judicial neste segundo semestre do ano. “Ainda está no começo desse movimento.”

Por um lado, a crise econômica está se agravando, diz o advogado. Ao mesmo tempo, a aversão dos bancos ao risco cresce, o que inibe concessão de novos financiamentos, ainda mais para empresas em situação financeira delicada. “Além disso, a Lava Jato (na 17ª fase) não parece que vai terminar tão cedo. Isso é um ambiente que afasta investidor internacional.”

A operação, deflagrada pela Polícia Federal, tem atingido diversas empresas ligadas não só diretamente, mas também indiretamente na Lava Jato. “Com a mudança claríssima e, de certo modo, repentina do ambiente econômico, projetos que ficavam muito bonitos no Power Point não se realizaram.”

Em meio ao recorde de pedidos de recuperação judicial no primeiro semestre, Munhoz, de 44 anos, decidiu que era hora de seguir sozinho, deixar o escritório Mattos Filho, onde foi sócio por cinco anos, e lançar o E.Munhoz, especializado em contencioso e arbitragem, direito societário e, claro, recuperação judicial. Uma espécie de butique, o escritório tem apenas 15 especialistas na área jurídica, concentrados em casos estratégicos.

“Depois de muita reflexão decidi partir para essa empreitada, que é um projeto pessoal”, disse o advogado. “Vi que era um momento interessante de mercado, que demandava esse tipo de escritório.” De acordo com a Serasa Experian, foram feitos 492 pedidos de recuperação judicial nos seis primeiros meses de 2015 - recorde para um primeiro semestre desde 2006.

Grupo X: Esse é o retrato de diversos setores da economia, como na indústria de etanol, setor imobiliário, óleo e gás, diz o advogado. “O grupo X foi o prenúncio dessa fase.” Quatro companhias fundadas por Eike recorreram à recuperação judicial e estão no meio do processo: a petroleira OGX (hoje, OGPar), o braço de construção naval OSX, a mineradora MMX e a empresa de energia Eneva (antiga MPX).

O problema do Brasil, segundo Munhoz, é que o empresário evita o pedido de recuperação até o último momento, acaba ficando sem caixa e dificultando ainda mais o processo. “Recuperação judicial aqui é uma vergonha”, diz. “É importante entrar com o pedido quando ainda se tem caixa para manter a atividade operacional.”

A avaliação dele sobre o grupo X é que, além do pedido tardio, a situação das empresas foi agravada por problemas operacionais. Ele ressalta, no entanto, que a OGX usou as ferramentas da lei da forma adequada e que, não fosse a queda do preço do petróleo e problemas em poços, a petroleira “talvez tivesse sido bem sucedida”. O processo está em curso, mas a companhia enfrenta dificuldades. (O Estado de São Paulo 09/09/2015 às 21h: 29m)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Alta em NY: Após cinco quedas seguidas, os preços do cacau registraram alta na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os lotes da amêndoa para dezembro subiram US$ 50, cotados a US$ 3.121 a tonelada. Os traders cobriram posições vendidas depois da seqüência de desvalorização ao longo da semana. Há analistas que citam as expectativas com a safra principal no oeste da África como motivo para incertezas, embora o clima esteja favorável para o desenvolvimento das lavouras. Até o início da colheita porém, os produtores da Costa do Marfim podem segurar as vendas à espera da definição dos novos preços de apoio do governo, que devem sair antes das eleições no país. Em Ilhéus e Itabuna, o preço médio seguiu em R$ 124 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Negócio da China: Os futuros da soja avançaram na sexta-feira na bolsa de Chicago, após a venda de um grande volume do grão dos EUA para a China e com as apostas para as próximas estimativas do Departamento de Agricultura americano (USDA) já no radar. Os lotes para setembro subiram 19,5 centavos, a US$ 9,755 o bushel. Os exportadores americanos acertaram a venda de 132 mil toneladas de soja para o gigante asiático para entrega na safra 2015/16, que começa em setembro. A notificação ocorreu após indicações de fraqueza na demanda. Os traders também já operam com a perspectiva de que o USDA vá reduzir sua estimativa para os estoques de passagem da safra 2014/15 e 2015/16. No mercado interno, os preços da oleaginosa no Paraná subiram 0,45%, para R$ 65,41 a saca, segundo o Deral/Seab.

Milho: Apostas na mesa: As cotações do milho apresentaram alta na sexta-feira na bolsa de Chicago, ante as apostas de que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduzirá as estimativas para os estoques do cereal. Os lotes para dezembro fecharam a US$ 3,8375 o bushel, uma elevação de 3,25 centavos. Os analistas acreditam que a projeção do órgão para os estoques finais em 2014/15 será de 192,9 milhões de toneladas e de 187,7 milhões de toneladas em 2015/16. O USDA divulgará seu novo relatório de oferta e demanda na quarta­feira. As previsões meteorológicas, por sua vez, indicam um cenário mais favorável para as lavouras nesta semana, com possibilidade de chuvas no Meio-Oeste americano. No mercado interno, o preço médio da saca no Paraná caiu 0,66%, a R$ 21,05, segundo o Deral/Seab.

Trigo: Estoques na mira: As apostas para as novas estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para oferta e demanda de trigo ofereceram suporte para as cotações do cereal na sexta-feira nas bolsa americanas. Em Chicago, os lotes para dezembro subiram 4,5 centavos, a US$ 5,1575 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento tiveram alta de 3,75 centavos, a US$ 5,1375 o bushel. Os analistas acreditam que o USDA reduzirá suas projeções para os estoques finais de trigo no mundo referentes à safra 2014/15 e à safra 2015/16 para 211,3 milhões de toneladas e 218,6 milhões de toneladas, respectivamente. No mercado doméstico, o preço médio no Paraná caiu 0,44%, para R$ 34,13 a saca, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 10/08/2015)