Setor sucroenergético

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Presidente da Cosan pede respaldo político para assegurar investimento

Um dos únicos empresários a elogiar publicamente a presidente Dilma Rousseff, o presidente do conselho de administração do grupo Cosan, Rubens Ometto, adotou um discurso mais cauteloso. Ao falar ontem sobre investimento no porto de Santos (SP), por onde a Cosan escoa a produção de açúcar, disse que os empresários estão prontos para investir, "mas é necessário um respaldo político para dar segurança ao investimento. Precisamos que os caminhos fluam, transpor as barreiras burocráticas". Segundo Ometto, a cada dia que passa a "janela de oportunidades" está mais restrita e os recursos mais escassos e caros. As manifestações foram feitas a uma platéia de empresários e autoridades sobre desafios do porto de Santos, na cidade paulista.

O grupo Cosan controla, via a empresa Rumo, três armazéns arrendados no porto de Santos para movimentação e embarque de açúcar. E pretende integrar as áreas para fazer um mega terminal para escoamento da commodity. Atualmente, aguarda do governo a aprovação ao pedido de renovação antecipada do prazo dessas instalações para deslanchar os investimentos.

Ometto destacou avanços do governo no setor, mas sem citar nomes. Elogiou a nova Lei dos Portos, de 2013, de autoria do Planalto, que tem o condão de aumentar a capacidade portuária via investimento privado; citou avanços na gestão Codesp, a estatal que administra o porto; e elogiou os "esforços" da Antaq (agência reguladora do setor) em tentar "harmonizar" as demandas dos usuários, os donos de cargas, com as das empresas operadoras (os terminais portuários). Mas sua fala deixou claro que, apesar dos avanços, as ações práticas que cabem ao governo estão deixando a desejar.

"O fato concreto é que o porto de Santos passa por desafios muito importantes. Os acessos terrestres e marítimos estão estrangulados e isso cria gargalos para as exportações, o que aumenta os custos dos nossos produtos e reduz a competitividade", disse.

A nova dragagem do porto, em contratação pela Secretaria de Portos, ainda não foi assinada. E o porto carece de novas alternativas viárias para a chegada de cargas por terra.

Com a fusão entre a Rumo e a concessionária ferroviária ALL, a Cosan planeja duplicar o acesso aos terminais do porto nos próximos anos. "Queremos realizar o maior projeto de logística deste país", disse Ometto.

O executivo também elogiou o pacote de concessões logísticas lançado pelo governo em junho, que prevê, só para ferrovia, R$ 86 bilhões. Mas ponderou que, em alguns casos, seria melhor priorizar investimento na malha já existente do que apostar em projetos do zero. (Valor Econômico 11/08/2015)

 

Com queda de 27%, açúcar é a commodity mais desvalorizada em 2015

O açúcar encerrou a semana com preços mistos no mercado internacional. No vencimento outubro/15, da bolsa de Nova York, ele foi cotado a 10,66 centavos de dólar por libra-peso. Uma retração de quatro pontos, "elevando a queda acumulada no ano em mais de 27% e fazendo com que o açúcar alcançasse o topo de commodity mais desvalorizada de 2015. O fechamento desta semana é o mais baixo desde dezembro de 2008", afirmou o Diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa.

Ele disse ainda em seu artigo semanal que "o lado perverso da desvalorização do real é que ela afeta o preço em centavos de dólar por libra-peso negociado em NY de maneira inversamente proporcional. A correlação observada no mês de julho foi de -0.8432, isto é, a cada 1% de valorização do dólar em relação ao real, o preço em NY desvaloriza 0.84%. De certa forma, o valor em reais por tonelada obtido pela usina não sofre grande alteração".

Já nos outros lotes, os preços da commodity subiram. Nas telas março e maio/16, respectivamente, o açúcar subiu oito e nove pontos. Em Londres, o açúcar foi negociado a US$ 345,30 a tonelada no vencimento outubro/15. Uma alta de 1,80 dólar no comparativo com a véspera. Nos lotes dezembro/15 a agosto/16, a valorização foi de 1,40 a 3,40 dólares.

A Archer divulgou no início da semana sua terceira estimativa para a safra 2015/2016. "Mantivemos o volume de cana a ser moída da estimativa anterior (581 milhões de toneladas), mas com sensível mudança da quantidade de ATR por tonelada em função do menor rendimento e da impossibilidade de alcançarmos o ATR médio que prevíamos para a safra toda. Também fizemos mudança no mix reduzindo a disponibilidade de açúcar e aumentando a produção de etanol, bem em linha com o atual momento". Os novos números da Archer mostram uma produção de açúcar de 29,8 milhões de toneladas, contra 32,6 milhões da estimativa anterior.

Os preços do açúcar tiveram o segundo dia seguido de retração e encerraram a semana com queda. De acordo com os índices do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), da USP, a saca de 50 quilos do tipo cristal foi cotada a R$ 46,67. Uma retração de 0,21% em relação à véspera. (Udop 10/08/2015)

 

Cargill: Exportações de grãos caem 20%

Luiz Pretti, presidente da Cargill no Brasil, não para de refazer contas. A projeção anterior indicava um aumento da receita em 2015 da ordem de 6%.

Mas, a julgar pelo primeiro semestre, vai ser difícil cumprir a meta. Até o momento, as exportações de grãos caíram 20%. (Jornal Relatório Reservado 11/08/2015)

 

Cana: ATR na quinzena cai 4,5%, para 134,84 kg/t

A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar processada na segunda quinzena de julho totalizou 134,83 quilos, queda de 4,48% ante a mesma quinzena de 2014. Conforme a UNICA, no acumulado da safra até 1º de agosto, o ATR é de 124,66 kg por tonelada, queda de 3,2% ante 2014/15.

As vendas de etanol hidratado no mercado doméstico seguem crescentes, com alta de 50% em julho na comparação com o mesmo mês de 2014. De acordo com a UNICA, o volume foi de 1,605 bilhão de litros. Já o volume comercializado de anidro foi de 855,86 milhões de litros, pouco acima dos 853,21 milhões de litros em julho do ano passado.

"Boa parte das unidades está enfrentando dificuldades para a tomada de crédito e, dessa forma, não está conseguindo manter estoques do produto", justificou em nota o diretor técnico da UNICA, Antonio de Pádua Rodrigues. Ele criticou a demora na liberação de recursos para estocagem. "Já estamos no meio da safra e até agora não tempos idéia de quando os recursos serão liberados". (Agência Estado 10/08/2015)

 

Safra maior não garante renda ao setor canavieiro

Mais chuvas adiam colheita dos canaviais. El Niño tende prorrogar quadro atual.

Embora esteja priorizando o etanol em detrimento ao açúcar, a indústria sucroenergética brasileira não deve encontrar alento nos preços de venda neste ano. No auge da colheita da safra 2015/16 o setor segue recebendo remuneração abaixo da esperada para o combustível. Conforme a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o principal entrave para as usinas são as vendas no mesmo ritmo da produção, sem que haja formação de estoques.

O alto endividamento do setor é considerado o vilão da história. “Esse pessoal [usinas endividadas] vai vender por qualquer preço, pouco importa. Ele vende na janta para tomar o café da manhã. Ele precisa de caixa, de dinheiro, precisa de financiamento, não tem como segurar estoque. Vende na velocidade da produção”, explica o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues. Há um déficit de pelo menos R$ 0,30 por litro nas operações, argumenta.

Na visão do setor, o quadro só pode ser revertido com uma elevação dos preços da gasolina e uma redução dos impostos para o biocombustível. Em apenas seis estados o etanol é financeiramente mais vantajoso para o abastecimento.

590 milhões de toneladas de cana serão produzidas pelo Brasil nesta temporada, contra 571,3 milhões de toneladas em 2014/15. Todo o volume excedente deve ser direcionado para a produção de etanol, aponta a Unica. (A Gazeta do Povo 10/08/2015)

 

Custos altos causam prejuízos à produção de cana na safra atual

Gastos com a produção de cana-de-açúcar superam os ganhos dos fornecedores com plantações em Araçatuba, na safra 2015/2016. É o que comprovaram pesquisadores da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), da USP (Universidade de São Paulo) em levantamento realizado com agricultores do município na semana passada para medir o custo médio do cultivo. Segundo a sondagem, um trabalho do Pecege (Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas), os prejuízos são puxados pelos altos custos com maquinário e insumos.

Na safra atual, o valor médio recebido por produtores de Araçatuba a cada tonelada decana é de R$ 61,83, como explica o economista Haroldo José Torres da Silva, gestor de projetos do programa. Somadas, as despesas brutas dos agricultores canavieiros com máquinas, mão de obra, insumos, arredamentos, administração e capital de giro totalizam R$ 62,16 por tonelada, em média, no período.

As perdas imediatas são de R$ 0,33 a cada tonelada, quando se compara os ganhos e a quantia bruta (chamada na pesquisa de custo operacional efetivo) desembolsada pelos empresários do setor.

Quando os economistas levam em conta também a depreciação (desvalorização dos bens ao longo dos anos) e as remunerações da terra, do proprietário e do capital, o custo total da tonelada de cana sobe para R$ 87,59, em média. Isso amplia o prejuízo total do agricultor para R$ 25,76 por tonelada, em média.

A margem de lucro negativa reflete a produtividade estagnada do cultivo por motivos climáticos e as dificuldades financeiras enfrentadas pelas usinas sucroalcooleiras, esclarece Silva. Além disso, as despesas do produtor com combustível, mão de obra e equipamentos cresceram nos últimos anos sem que os ganhos pela cana os compensem. "A maior parte dos fertilizantes são importados, então o câmbio também influencia os gastos".

A última vez que uma equipe do Pecege realizou uma pesquisa sobre os gastos médios da produção de cana em Araçatuba foi durante a safra 2009/2010. Naquela época, o fornecedor recebia, em média, R$ 45,40 por tonelada, enquanto seu custo bruto era de R$ 31,32. Isso garantia um lucro imediato de R$ 14,08. Contudo, o custo total era de R$ 47,62 por tonelada, o que levava um prejuízo total de R$ 2,22 por tonelada, em média, no longo prazo. Conforme o gestor, em 2010 tinha início a crise do setor sucroalcooleiro, que foi agravada nos últimos anos.

Realidade

Para o presidente do Siran (Sindicato Rural da Alta Noroeste) e produtor de cana-de-açúcar, Marco Antonio Viol, o resultado do levantamento traduz a realidade vivida pelos agricultores do município. "Estamos sentindo exatamente o que foi computado com os prejuízos". Ele atribui a situação à falta de apoio do governo à produção sucroalcooleira durante os mandatos da presidente Dilma Rousseff (PT).

Viol percebe que um grande volume de agricultores de médio e grande portes da região está trocando a cana por soja e milho ou dando sinais de terem intenção de realizar essa substituição.

O presidente do Siran acredita que com a recuperação do solo proporcionada pelo cultivo da oleaginosa pode contribuir que alguns dos terrenos que deixaram de ser ocupados porcanaviais sejam utilizados pela pecuária futuramente.

Para ele, esse processo é um mau sinal, uma vez que o setor sucroalcooleiro é uma matriz de energia limpa e importante para a economia do País. "Foram investidos milhões na agroindústria, isso não pode ser jogado no lixo por um capricho do governo."

Outros municípios também tiveram margem negativa

De acordo com o economista Haroldo José Torres da Silva, as dificuldades enfrentadas por plantadores de Araçatuba com os custos de produção da cana se assemelham à situação de outros municípios paulistas.

Na semana passada, os pesquisadores também colheram informações com fornecedores canavieiros de Andradina, Araraquara e Ituverava e quando os recebimentos por toneladas são comparados com os custos totais (inclui o custo bruto, a depreciação e as remunerações de terra, capital e produtor) todas tiveram margem de lucro negativa. O prejuízo de Andradina foi de R$ 19,13 por tonelada de cana, de Ituverava de R$ 26,31, e de Araraquara de R$ 34,25.

Na visão do presidente do Siran (Sindicato Rural da Alta Noroeste) e produtor de cana-de-açúcar, Marco Antonio Viol, o setor sucroalcooleiro foi destronado pelo governo, o que é demonstrado pela existência de usinas endividadas e paralisadas. Para ele, remediar a situação só seria possível com uma ação do governo, feita em conjunto com empresas e produtores de cana, seja pra viabilizar uma queda dos custos ou isenção de impostos.

Silva considera que o cenário atual da agricultura canavieira é pessimista, porém acredita que a crise é uma fase passageira que deve ser superada futuramente.

"O setor é estratégico para a economia nacional e deve ser beneficiado pela decisão do G7 de eliminar combustíveis fósseis e pelo potencial da indústria da cana em produzir energia elétrica". (Folha da Região 08/08/2015)

 

Produção de etanol cresce 37% na 2ª semana de julho, diz Unica

Proporção de cana para produção de açúcar segue abaixo da outra prévia.

No acumulado da safra 2015/16, produção de etanol soma 12,17 bi de litros.

A produção de etanol na segunda quinzena de julho alcançou 2,19 bilhões de litros, sendo 891,4 milhões de litros de anidro e 1,3 bilhão de litros de hidratado, informa a Unica. O volume total é 37,07% superior aos 1,6 bilhão de litros produzidos na mesma quinzena de 2014.

Conforme a Unica, a proporção de cana destinada à produção de açúcar segue abaixo do registrado na temporada passada. Na segunda quinzena de julho foi de 43,93% contra 46,23% em 2014. O volume total produzido de açúcar foi de 2,79 milhões de toneladas na segunda quinzena de julho (+24,66%).

No acumulado do ano safra 2015/16, até 1º de agosto, a produção de etanol soma 12,17 bilhões de litros, sendo 4,28 bilhões de litros de anidro e 7,89 bilhões de litros de hidratado. De acordo com a Unica, a alta é de 16,93% em relação ao mesmo período de 2014. (Agência Estado 10/08/2015)

 

Consultoria Green Pool aumenta previsão para déficit global de açúcar em 2015/16

A analista de mercado Green Pool elevou nesta segunda-feira, 10, as suas previsões para um déficit global de açúcar em 2015/16 para 4,6 milhões de toneladas, ante uma previsão de 2,8 milhões feita no fim de maio.

O aumento da produção de etanol a partir de cana-de-açúcar no Brasil, em resposta à forte demanda pelo combustível, e a redução da produção prevista para China e Tailândia contribuíram para o aumento da previsão do déficit, afirmou a Green Pool, com sede na Austrália, em um comunicado.

A consultoria prevê um excedente global de açúcar de 3,3 milhões de toneladas para a safra 2014/15. (Reuters 10/08/2015)

 

MS processa mais de 3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na quinzena

Na segunda quinzena de julho, Mato Grosso do Sul processou 3,19 milhões de toneladas de cana, um volume 74,36% maior que no mesmo período na safra passada. Até o momento, o acumulado de cana-de-açúcar processada na safra 2015/2016 é de 20,33 milhões de toneladas, 25,75% maior em relação a 2014.

Esses dados foram apresentados pela Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul) e se referem à moagem até 31 de julho. O acompanhamento da safra é informado quinzenalmente, sendo que o período considera de abril/2015 a janeiro/2016.

O índice que mede a qualidade da matéria prima, o ATR/tons (Açúcares Totais Recuperáveis por tonelada de cana) atingiu 123,9 kg no acumulado, volume 1,77% maior que o da safra passada e na quinzena, atingiu 128,7kg.

Até a segunda quinzena de julho foram produzidas 530 mil toneladas de açúcar, quantidade 21,3% maior que a produção registrada anteriormente, que foi de 436 mil toneladas.

Dados referentes à produção de etanol registram que até 31 de julho foram produzidos 273 milhões de litros de etanol anidro e 884 milhões de litros de etanol hidratado, resultando 1,15 bilhão de litros de biocombustível produzido, volume 29,8% maior que na safra 2014/2015.

Segundo o presidente da Biosul, Roberto Hollanda: “O índice de aumento de 25% no acumulado de produção ainda é prejudicado pelo fraco desempenho no início da safra passada. Ao longo da quinzena, a chuva pouco atrapalhou a produção, permitindo que juntas as usinas de MS superassem a marca de três milhões de cana processada. Ao longo do mês de agosto vamos fazer um levantamento para a segunda estimativa de produção da safra 2015/2016”. (Reuters 10/08/2015)

 

Usinas de cana viram alvo estratégico de invasões do MST

Só em São Paulo, 20 usinas de cana-de-açúcar já foram invadidas e saqueadas nos últimos meses.

Em meio à crise que assola o setor sucroenergético brasileiro, um agravante se faz presente nas principais regiões produtoras de cana: a invasão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Só em São Paulo, 20 locais já foram invadidos nos últimos meses. O Canal Rural flagrou a ação de um grupo saqueando uma usina no interior paulista.

Várias usinas estão decretando falência ou estão em recuperação judicial, explica um dos líderes do MST, José Valdir Misnerovicz.

Em uma ação rápida, integrantes do movimento saqueiam a usina JJ, em Espírito Santo do Turvo, a 300 quilômetros de São Paulo. O que poderia ser apenas uma ação isolada é, na verdade, uma estratégia: o setor agora é foco do MST.

As regiões mais ocupadas são Presidente Prudente e Bauru, mas já ocorreram invasões em outros estados, como Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. Em Goiás, um dos líderes nacionais do MST admitiu a estratégia nacional nas usinas.

Há uma tendência de que alguns setores que estão em crise tendem a ser alvos, no sentido de serem incorporados para o processo de assentamento. É o caso das usinas que estão decretando falência aqui em Goiás e no Brasil todo. Esta é uma possibilidade de as terras poderem ser incorporadas para programas de assentamento da reforma agrária, declara Misnerovicz.

Na desocupação realizada em Espírito Santo do Turvo, integrantes do MST quebraram as câmeras de monitoramento, mas na correria, esqueceram uma delas, exatamente a que gravou o roubo de mais de R$ 200 mil em equipamentos e permitiu a identificação de grupo e os veículos utilizados. Todos foram presos e indiciados.

Um dos integrantes indiciados mora na cidade e tem emprego: trabalha em uma serraria. Ananias Pereira dos Santos Filho é funcionário de confiança do dono. Segundo a Polícia Civil, na casa dele foram encontrados os dois veículos que participaram da invasão à usina. Um dos carros estava com as rodas furtadas na hora da desocupação.

O pai também trabalha no local e contou como o filho foi parar no movimento.

Ele estava desempregado, aí entrou lá na turma e foi junto, conta, acrescentando que o irmão do dono da serraria, um caminhoneiro, também participa do MST.

Em outro endereço na mesma cidade, Antônio Carlos Pitana, também indiciado pela Polícia Civil, é motorista aposentado.

Caí numa cilada, sabe? Não sou integrante, apenas estava passando com meu genro. Eu não vou me defender, não devo nada. O juiz que vai analisar, se eu devo ou não devo, defende-se.

Todos eles possuem não só casa, mas também possuem carros. Alguns até mais de um carro. Então verifica-se que esses indivíduos denominados sem terra, excluídos da sociedade, na verdade, são pessoas que possuem posses, bens e que não necessitariam estar engajados em um movimento social como esse, afirma o delegado Renato Mardegan.

Em uma propriedade de Vila Proprício, em Goiás, ocorre a desocupação de uma fazenda invadida há 30 dias. Ao chegar, os moradores encontram as casas arrombadas, sem aparelhos domésticos, comida e televisão. Esse pessoal do MST chega botando terror. Destróem a beirada do rio onde acampam, matam as criações, saqueiam a sede, a casas dos colonos. [Tem] ameaça direta, botam alguém pra ligar: “ó, no sábado nós vamos; fim de semana nós vamos”, então você fica tenso o tempo todo. Se espalha pelos botecos: “ó, tal dia vamos invadir a fazenda”, relata o produtor rural Pedro Olimpio.

O líder do MST José Valdir Misnerovicz explica que, enquanto a lógica do latifundiário é acumular e concentrar terra, “a nossa é da democratização da terra”.

Nós caminhos em campos opostos. De qualquer forma, temos uma Constituição e a Constituição é muito clara: toda terra que não cumprir com sua função social e ambiental deve ser destinada à reforma agrária. Não resolve liminar de reintegração de posse, não resolve uso da força para retirar as famílias, elas vão e voltam, destaca.

O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gustavo Diniz, ressalta que, quando um setor fica vulnerável, vira alvo de “aproveitadores”.

Este movimento não é um movimento de justiça social. O setor de açúcar e álcool no último mandato sofreu golpes fortíssimos, financeiramente ele está super debilitado, reforça. (Cana Rural 10/08/2015 às 18h: 53m)

 

Moagem de cana do centro-sul se recupera; vendas de etanol disparam

O volume de cana-de-açúcar processado pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do Brasil atingiu 49,44 milhões de toneladas na segunda metade de julho, forte alta de 37,35% no comparativo com as 35,99 milhões de toneladas moídas na mesma quinzena de 2014.

Segundo o diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, “ao contrário do cenário observado no início de julho, o clima mais seco favoreceu a colheita na última metade do mês e permitiu uma sensível recuperação do ritmo de moagem, que estava atrasado em boa parte das usinas”.

Com isso, no acumulado desde o início da atual safra até 1º de agosto, o volume processado de matéria-prima alcançou 279,37 milhões de toneladas. Essa quantia é praticamente igual às 280,38 milhões de toneladas registradas até a mesma data da safra 2014/2015.

Qualidade da matéria-prima

A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de matéria-prima totalizou 134,83 kg na segunda metade de julho, valor ainda inferior em 4,48% ao observado na mesma quinzena de 2014 (141,15 kg por tonelada). No acumulado desde o início da safra 2015/2016 até 1º de agosto, o teor de ATR alcançou 124,66 kg por tonelada, redução de 3,20% sobre igual período do último ano (128,78 kg por tonelada).

Produção de açúcar e de etanol

Apesar da recuperação da moagem nos últimos dias de julho, a proporção de matéria-prima direcionada à fabricação de açúcar permanece abaixo do índice registrado na safra passada. Na última quinzena de julho de 2015, essa proporção atingiu 43,93%, contra 46,23% verificados no mesmo período de 2014.

A produção de açúcar somou 2,79 milhões de toneladas na última metade do mês. Já o volume produzido de etanol alcançou 2,19 bilhões de litros (891,40 milhões de litros de etanol anidro e 1,30 bilhão de litros de etanol hidratado), aumento de 37,07% sobre os 1,60 bilhão de litros fabricados na mesma quinzena de 2014.

No acumulado desde o início da safra 2015/2016 até 1º de agosto, a produção de etanol totalizou 12,17 bilhões de litros, dos quais 4,28 bilhões de litros referem-se ao etanol anidro e 7,89 bilhões de litros ao etanol hidratado – alta de 16,93% no comparativo com igual período do último ano.

A produção acumulada de açúcar, porém, ainda continua aquém daquela observada na safra anterior: 13,50 milhões de toneladas em 2015, contra 15,13 milhões de toneladas apuradas até 1º de agosto de 2014.

O executivo da Unica ressalta que “apesar da moagem da atual safra estar emparelhada com aquela do último ano, a produção de açúcar segue defasada em mais de 1,5 milhão de toneladas”. Atualmente, o comportamento da produção tem sido impulsionado pela necessidade de gerar caixa por boa parte das unidades, com prioridade para a fabricação de etanol hidratado, acrescentou Rodrigues.

Vendas de etanol

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do Brasil somaram 2,70 bilhões de litros em julho, sendo 240,40 milhões de litros destinados ao mercado externo e 2,46 bilhões de litros ao consumo doméstico.

No mercado interno, o volume de etanol anidro comercializado pelos produtores em julho atingiu 855,86 milhões de litros, quase igual aos 853,21 milhões de litros computados no mesmo mês de 2014.

As vendas de etanol hidratado ao mercado doméstico apresentaram, mais uma vez, crescimento surpreendente. Em julho, as unidades produtoras comercializaram 1,605 bilhão de litros: aumento de quase 50% sobre os 1,09 bilhão de litros observados no mesmo mês do ano passado e praticamente idêntico ao recorde histórico registrado para o período (1,606 bilhão de litros vendidos em julho de 2009).

De acordo com o diretor da Unica “boa parte das unidades estão enfrentando dificuldades para a tomada de crédito e, dessa forma, não estão conseguindo manter estoques do produto”.

Esse comportamento das vendas tem deprimido o preço praticado no período de moagem, além de ampliar o risco de maior sazonalidade e impulsionar as cotações na entressafra.

Para Rodrigues, é preciso maior agilidade na liberação dos recursos para a estocagem de etanol. “Já estamos no meio da safra e até agora não temos ideia de quando os recursos serão liberados. Precisamos evitar um movimento sazonal exagerado de preços, pois isso cria dificuldades para o abastecimento, prejuízo para os produtores, que vendem a maior parte da produção na safra, e desconforto aos consumidores de etanol”, ressaltou o executivo. (Unica 10/08/2015)

 

Cresce sentimento de que a economia não aguenta outro trimestre de crises

Sensação de que não há expectativa de melhora à vista é agravada pela dúvida sobre a capacidade do governante. A falta de consenso sobre a solução é que faz a crise.

Capítulos finais

Antes de tudo, um curto recado sobre a crise política instalada em Brasília: nem que você fosse uma mosquinha voando colada a figurões como a presidente Dilma Rousseff, seu vice Michel Temer e os chefes de partidos saberia mais do que sabe quem bate panelas contra “tudo isso que está ai” e quem acusa de “golpista” os adversários do PT.

Do Executivo ao Congresso, estão todos perplexos com um cenário de recessão econômica e de esgotamento do modelo político de coalisão pelo qual são responsáveis, uns mais, outros menos, ao mesmo tempo em que também se reconhecem como parte da solução, embora divirjam quanto ao que fazer. A falta de consenso sobre a solução é a crise.

Essa é uma crise urdida não pelos resultados da economia, mais uma vítima que razão da avassalante quebra de confiança no governo e da debacle da popularidade da presidente. O que a provoca é a sensação de que não há expectativa de melhora à vista, agravada pela dúvida sobre a capacidade de o governante e o que lhe resta de apoio tocar a travessia que tire o país do atoleiro em que nos enfiaram.

À margem os julgamentos éticos e morais inerentes à Operação Lava Jato, que é um dos componentes do cenário de incertezas, está claro a empresários e investidores que não há mais as condições externas (bonança das commodities) e internas (faturamento, lucro, emprego e salário crescentes, além de endividamento público e de famílias em níveis saudáveis) que moveram o crescimento entre 2003 e 2012.

Dilma tentou dar uma sobrevida ao investimento, forçando o Tesouro a se endividar para manter o crédito subsidiado na banca estatal, e queimou os últimos trocados, inclusive com desoneração de impostos, para promover uma arrancada contracíclica a fim de amenizar ou até reverter a onda recessiva cada vez mais disseminada e enraizada.

Com o caixa público dilapidado pela política econômica dos últimos 12 anos (ao atender o consumo e o social sem confiar à produção uma atenção, no mínimo, equivalente) e com a brigada anticorrupção não poupando ninguém, os partidos da base aliada, por sua vez, perderam a razão de inflar uma presidente sem cacife e o seu PT com os quais nunca tiveram a menor afinidade, só relações mercantis.

Como comida de hospital

No presidencialismo autoritário brasileiro, em que o Congresso tem sido peça subalterna da cadeia de comando do poder, presidente sem protagonismo é como comida de hospital: digere-se obrigado. É o que Dilma demorou a sacar: que está só. Pior: nunca teve aliados de fé.

A eleição de Eduardo Cunha, do PMDB, para presidir a Câmara teve o efeito de desmontar a ficção do PT majoritário no Congresso. Nunca foi. Em seu melhor momento, com 91 eleitos em 2002, pouco menos de 18% dos 513 deputados, já não tinha voto para aprovar coisa alguma.

Hoje, depois do mensalão, com o petrolão assombrando a política e a representação abatida a 12,3% da Câmara, mais que nunca o governo come na mão do PMDB, que tem 67 deputados, mas na prática, graças a Cunha, influencia o voto de uns 270 parlamentares, maioria simples.

Colhendo o que plantou

Dilma plantou o que colhe, ao ter a soberba de supor que atraindo um economista conservador para a Fazenda a economia estropiada por ela mesma ficaria numa “nice”, e ao instruir o PT a ir para cima do deputado Cunha na disputa pela Câmara. Fez mais, como se conhecesse profundamente o Congresso: instigou grupos do balcão de legendas a criar novos partidos para aliciar deputados do espertíssimo PMDB.

Em suma: desprezou seu vice-presidente, capo do PMDB e o seu único interlocutor com o Congresso; pensou em aplacar as desconfianças do capital recrutando o fiscalista Joaquim Levy, que, por sua vez, não avaliou o tamanho dessa encrenca; e num supremo equívoco julgou que o ex-presidente Lula fosse descartável no segundo mandato. E agora?

Temer foi preciso no tom

Agora, é cada um por si, motivo da luta entre facções do PMDB e do PSDB, cada qual disputando um espólio ainda apenas potencial, e de ações desesperadas de políticos citados ou ameaçados pela Lava Jato para escapar das garras da Justiça. Esse é o pouco tempo que Dilma dispõe, enquanto os adversários se digladiam. Não lhe será fácil.

O desencanto da sociedade, que só lhe dá algo como 7% de aprovação e caindo, é profundo. No Congresso, ela conta com uma lavagem entre os políticos para se reafirmar, com risco de gerar mais discórdias. Do empresariado só deve esperar gestos de cortesia, tal o desânimo.

Ao dizer que “é preciso alguém para reunificar o país”, Temer teve mais audiência que Dilma no programa nacional do PT beliscando quem a rejeita. Faltou-lhe grandeza, enquanto amadurece a certeza de que a economia não aguenta outro trimestre de crise política e a agonia da Lava Jato. Algo vai mudar. É só o que se ouve. E Dilma também.

Como Venezuela e Grécia?

Entre as convicções em meio à prostração da economia e cenários de retração de 2,5% a 3% este ano e de -1% em 2016, num inédito biênio de queda do PIB desde as recessões em 1930 e 1931, uma das mais recorrentes é a de que o governo, seja ele qual for, terá de conceber um novo plano econômico.

A centralidade do ajuste fiscal concebido para o orçamento federal só chegar até o ano seguinte e tudo começar outra vez já é questão superada. Sem um plano que assuma o dinamismo da economia privada, desajustada não por ela, mas pelos excessos populistas, a volta do desenvolvimento será uma série de promessas e frustrações.

Esse é o ponto: a força da economia mistura percepção e realidade. Sem uma não há a outra. É o que mostra o indicador de confiança do crédito soberano. Estamos atrás, pela ordem, de Venezuela, Grécia, Ucrânia, Paquistão, Egito, Chipre e Rússia, a vanguarda mundial de crises geopolíticas e insolvência. O que fazemos entre eles?. (Cidade Biz 11/08/2015)