Setor sucroenergético

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Lucro da Cosan cai 52,5% no 2º tri para R$49,4 milhões

A Cosan fechou o segundo trimestre com lucro líquido de 49,4 milhões de reais, queda de 52,5 por cento ante o mesmo período de 2014, em meio ao aumento de despesas financeiras, informou a empresa de infraestrutura e energia nesta quarta-feira.

As despesas financeiras líquidas apresentaram incremento de 57,4 milhões de reais no segundo trimestre, para 260,8 milhões de reais, por impacto negativo (não caixa) de variação cambial, devido à marcação a mercado de derivativos em função do aumento na cotação do dólar futuro no trimestre.

A empresa ainda registrou incremento em outros encargos e variações monetárias, por conta das despesas financeiras com reorganização societária ocorrida em junho de 2014.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou 873,9 milhões, 5,6 por cento acima do ano passado.

O Ebitda da Raízen Combustíveis registrou alta, com a companhia relatando crescimento das vendas acima da média de mercado neste trimestre.

Já os resultados da Raízen Energia --a divisão de açúcar, etanol e geração-- foram impactados pela postergação do início da moagem de cana em função das chuvas, resultando em menores vendas de volumes próprios de açúcar (-29 por cento) e etanol (-27 por cento).
"Este impacto foi parcialmente compensado por um aumento no volume de revenda cujas margens são significativamente menores", disse a empresa.

Dessa forma, o Ebitda da Raízen Energia, excluindo os efeitos da variação do ativo biológico e de hedge somou 328,4 milhões de reais, 30 por cento menor que o registrado no mesmo período de 2014.

A Cosan detém 50 por cento da Raízen Energia e Raízen Combustível, que integram uma joint venture da empresa com a Shell.

A empresa informou que sua unidade de açúcar e etanol, Raízen, deverá processar entre 57 milhões e 60 milhões de toneladas de cana na temporada 2015/16 e produzir entre 4,2 milhões e 4,4 milhões de toneladas de açúcar e ainda entre 1,9 bilhão e 2,1 bilhões de litros de etanol no período. (Reuters 12/08/2015

 

Setor de açúcar enfrenta graves problemas

Desvalorização no mercado internacional e falta de demanda interna prejudicam atividade.

O açúcar é a commodity agrícola que mais se desvalorizou no mercado internacional neste ano, com os preços chegando ao menor nível desde 2008. No mercado interno, a menor demanda também reduz as cotações do produto, complicando a situação dos produtores, que enfrentam um aumento nos custos.

Para o produtor Gilmar Soave, esta é a pior safra dos últimos cinco anos quando se fala em preço. A cada tonelada de cana vendida, o prejuízo é de R$ 30.

Estou vendendo a R$ 60 e estou gastando R$ 90 por tonelada. Não tem como viver, você tem que buscar outra alternativa, deixar a cana parada e sobreviver de outra fonte. Não tem como sobreviver da cana, diz.

As perdas do produtor refletem as dificuldades enfrentadas pelo setor nos últimos anos. Apesar de a produtividade estar dentro do esperado, o produtor se depara com o aumento nos custos de produção, que em algumas propriedades chega a 20% em relação ao mesmo período do ano passado.

Outro problema enfrentado pelo setor é a redução dos preços do açúcar, pressionada pelos altos níveis dos estoques mundiais. No mercado internacional, a cotação do açúcar acumula queda de 27%, colocando a commodity no topo das mais desvalorizadas de 2015.

Em 2011 nós chegamos a ter próximo de 30 cents por libra peso por saca de açúcar no mercado internacional, hoje está próximo de 10 cents, afirma o presidente da Cooperativa dos Plantadores de Cana de São Paulo, Coplana, Arnaldo Antônio Bortoleto.

Além destas questões, o Brasil teve que lidar com subsídios dados por outros países aos seus produtores. Índia e Tailândia, que são concorrentes do Brasil na área, subsidiam a atividade.

Mais uma evidência da crise do setor no Brasil é a desativação de usinas pelo país. Um levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que nos últimos cinco anos, 70 unidades pararam de funcionar na região Centro-Sul do país.

As usinas foram se endividando em dólar, e isso continuou depois da crise de 2008 quando, de repente, esse fluxo de oferta de recursos deixou de existir de uma hora pra outra. As usinas que continuam algumas ainda estão bastante endividadas em dólar sem tomar uma medida de precaução através de hedge. Muitas acabaram não fazendo achando que a situação era positiva, isso acabou redundando em problemas extremamente sérios no momento presente, afirma a analista de açúcar Heloísa Burnquist. (Canal Rural 12/08/2015 às 21h: 36m)

 

Açúcar: Turbulência chinesa

O mercado do açúcar não conseguiu se sustentar diante da nova desvalorização da moeda chinesa e voltou-se ao campo negativo ontem na bolsa de Nova York.

Os contratos do açúcar demerara para entrega em março de 2016 caíram 11 pontos, para 11,74 centavos de dólar a libra-peso.

A queda ignorou a depreciação do real perante o dólar, movimento com o qual os preços do açúcar vinham mantendo estreita correlação inversa recentemente.

O receio dos traders é que a flutuação do yuan mais perto das forças do mercado aprofunde sua desvalorização e desestimule as importações, embora analistas não acreditem em uma queda da demanda do país por alimentos.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,63%, a R$ 46,55 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 13/08/2015)

 

Rumo ALL tem queda de 36,4% no lucro consolidado no 2º trimestre

A Rumo ALL registrou um lucro líquido consolidado de R$ 33,2 milhões no segundo trimestre, numa queda de 36,4% em relação ao resultado combinado de R$ 52,2 milhões de igual período de 2014.

O resultado combinado, uma informação financeira pro forma usada para permitir a comparação dos dados de 2015 com o ano passado, antes da fusão de Rumo e ALL, é a soma simples da Rumo e ALL consolidadas, eliminadas transações com partes relacionadas. O resultado de abril a junho de 2015 é o primeiro a ser divulgado após a incorporação das ações da ALL pela Rumo.

O lucro atribuído aos sócios da empresa controladora, base para a distribuição de dividendos, foi de R$ 29,4 milhões, mas a Rumo ALL não informou o resultado combinado para o indicador no segundo trimestre de 2014.

A receita líquida somou R$ 1,22 bilhão de abril a junho, alta de 5,8% na comparação anual. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) avançou 8,8%, para R$ 586,9 milhões, com margem Ebitda de 48,1%, alta de 1,3 ponto percentual.

A expansão do Ebitda foi impulsionada por aumento de 5,7% no volume transportado no trimestre, atingindo 11,3 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU). O avanço reflete crescimento de 9,6% no volume transportado de produtos agrícolas (principalmente soja, milho e açúcar), compensando recuo de 6,9% no transporte de produtos industriais.

O resultado também foi beneficiado por um ganho extraordinário não caixa de R$ 29,8 milhões, pelo encerramento da relação preexistente entre Rumo e ALL.

Por outro lado, a elevação dos juros impactou negativamente o resultado financeiro, causando um aumento no custo total do endividamento. As despesas com juros da dívida líquida cresceram 64,2%, para R$ 174,5 milhões, sendo parcialmente compensadas por menores perdas com encargos e variações monetárias e maiores ganhos com derivativos, levando a um aumento de 3% nas despesas financeiras líquidas, para R$ 328,5 milhões.

A dívida líquida da companhia atingiu R$ 7,1 bilhões no trimestre, alta de 3,5% em relação ao primeiro trimestre. Com isso, a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda passou de 4,93 vezes ao fim de março, para 4,97 vezes ao fim de junho. (Valor Econômico 12/08/2015 às 20h: 20m)

 

Coopercitrus assume atividades da mineira Cooparaíso

Cooperativa de São Sebastião do Paraíso é tradicional na cafeicultura de Minas Gerais.

A Cooperativa Regional dos Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso (Cooparaíso-MG) e a paulista Cooperativa de Produtores Rurais (Coopercitrus), de Bebedouro, firmaram um protocolo de intenções na qual a Coopercitrus incorpora atividades da Cooparaíso. Segundo o presidente da Coopercitrus, José Vicente da Silva, a operação inclui o arrendamento de todos os imóveis da Cooparaíso, exceto a matriz; prestação de serviços de assistência técnica especializados, oficinas, fornecimento de insumos e máquinas agrícolas, beneficiamento, armazenagem e comercialização de café.

A operação foi a saída encontrada para evitar a falência cooperativa mineira, que tem R$ 12 milhões em dívidas com fornecedores e cooperados. "Entendemos que os produtores daquela vasta região (sul de Minas) não podem ficar sem a ajuda de uma cooperativa. A Coopercitrus basicamente se propõe a enxugar as despesas da Cooparaíso, aumentar suas receitas e continuar dando essa assistência aos produtores", declarou o executivo.

Não foi informado o valor da operação - que foi fechada há 15 dias, autorizada pelo Conselho de Administração de ambas cooperativas e que não tem prazo de duração estipulado - mas, conforme Silva, o aporte inicial da Coopercitrus na Cooparaíso será representado pela aquisição do estoque de insumos e máquinas da cooperativa mineira e do fundo de comércio Valtra, ainda sujeito a distrato com a fabricante da marca de tratores.

A Cooparaíso é uma tradicional cooperativa do setor da cafeicultura de Minas Gerais, fundada em 1960 e com 5,8 mil cooperados atualmente. Tem escritórios em nove cidades além da matriz, que fica em São Sebastião do Paraíso. Conforme a Cooparaíso, por meio de sua assessoria de imprensa, em abril, o deputado federal Carlos Melles (DEM), que foi presidente da Cooparaíso por quase 28 anos, deixou o cargo e o então vice-presidente José Rogério Lara assumiu a presidência para tentar resolver a crítica situação financeira.

Em meados de junho, Lara também entregou o cargo por motivos de saúde e o empresário, cafeicultor e engenheiro metalúrgico, Luiz Sérgio Marques, assumiu a função. Na assembleia de nomeação do executivo, foi aprovado um plano de capitalização para tentar resolver os problemas financeiros. Cada cooperado se comprometeria a ceder 1 saca de 60 kg de café por ano por hectare, por três anos seguidos (2015 a 2017), para recompor estoque e colocar as contas em dia. E a cooperativa se comprometeria a pagar o produto em três anos (2019). "Mas a adesão dos cooperados foi baixa e, por isso, a Cooparaíso partiu em busca de parcerias ou fusão", informou a assessoria da cooperativa.

Houve tentativas de firmar protocolo com a Cooperativa dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Copercana), mas as tratativas não tiveram sucesso. Aí o negócio foi fechado com a Coopercitrus. Para o presidente da cooperativa paulista, a incorporação das atividades da Cooparaíso permitirá equilibrar as atividades de cana, citros, café, grãos e pecuária, dentro da estratégia de diminuir riscos. A Coopercitrus tem hoje 28 mil cooperados, já incluídos os da Cooparaíso. Conforme informações do site da entidade, ela é considerada a maior cooperativa do Estado de São Paulo na comercialização de insumos, máquinas e implementos agrícolas, com faturamento de cerca de R$ 1,8 bilhão em 2014. (Globo Rural 12/08/2015)

 

Entregas de fertilizantes no Brasil caem 7,7% até julho

As entregas de fertilizantes ao consumidor final no Brasil somaram 14,97 milhões de toneladas entre janeiro e julho, queda de 7,7 por cento ante o mesmo período em 2014, informou nesta quarta-feira a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

As entregas de julho atingiram 3,26 milhões de toneladas, praticamente estável ante o mesmo mês de 2014, uma marca historicamente elevada para o período, mas não foram suficientes para compensar a queda acentuada nos meses de abril e maio, segundo as estatísticas da Anda.

"Tivemos o segundo maior julho de todos os tempos. A recuperação se iniciou a partir de junho", disse à Reuters o diretor-executivo da associação, David Roquetti Filho.

Segundo ele, não há um atraso nas entregas, mas uma redução das antecipações comuns em anos recentes, quando produtores capitalizados buscavam fechar negócios ainda no primeiro semestre em busca de melhores preços e para evitar gargalos logísticos na entrega.

"Este ano o mercado voltou à sazonalidade normal, prévia à crise financeira internacional de 2008", disse Roquetti Filho.

Ainda assim, empresas do setor admitem que há um desafio logísticos para entregar grandes volumes de fertilizantes às vésperas do início do plantio --a safra 2015/16 de soja e de milho começa a ser semeada oficialmente em meados de setembro.

O presidente da Mosaic no Brasil, uma das maiores distribuidoras de fertilizantes do país, afirmou nesta quarta-feira que produtores em algumas áreas mais distantes que deixaram para fechar as compras na última hora podem ficar sem o insumo.

"Você precisa fazer as compras com bastante antecedência e isso não está acontecendo. Quando tudo se concentra, temos portos com capacidade que não é suficiente. Haverá áreas onde produtores não serão capazes de receber em tempo", disse o executivo da Mosaic, Floris Bielders.

Para Roquetti Filho, da Anda, "o desafio logístico persiste principalmente quando a antecipação é menor, como a deste ano".

A entidade não faz estimativas sobre negócios fechados, apenas entregas físicas.
Os números, contudo, reforçam a percepção de que produtores rurais começaram 2015 mais cautelosos com os investimentos em tecnologia para a safra 2015/16.

O presidente da Mosaic estimou que as vendas do setor em 2015 fechem em torno de 30 milhões a 31 milhões de toneladas, ante recorde de 32,2 milhões em 2014. (Reuters 12/08/2015)

 

Governo dos EUA contraria mercado, e preços de grãos desabam

O Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) deixou o mercado desorientado nesta quarta-feira (12).

Enquanto todos esperavam uma forte queda nas áreas de milho, na produtividade e, consequentemente, na produção total de grãos do país, o Usda foi na contramão do que o mercado esperava.

A área caiu, mas não como se esperava, e a produtividade da soja e do milho subiu neste mês, em relação à de julho.

Esses números bastante positivos derrubaram os preços externos e internos, segundo Fernando Muraro, da AgRural.

Os novos números mantêm as safras de soja e de milho próximas das dos recordes anteriores para os dois produtos.

A produtividade de soja, apesar de todos os alagamentos e problemas de clima antes e durante o plantio, deverá atingir 52,6 sacas por hectare.

Com isso, é o segundo ano na história em que os norte-americanos conseguem uma produtividade média acima de 50 sacas, segundo Muraro. A da safra anterior havia sido de 53,6 sacas.

A safra de soja em 2015/16, com base na área e na produtividade, está estimada em 106,6 milhões de toneladas, ante o recorde de 108 milhões na anterior.

A área plantada com soja fica em 34,1 milhões de hectares em 2015/16, 1% acima da de 2014/15 e 1% inferior à que estava prevista em julho.

Uma boa notícia para o Brasil é que os Estados Unidos vão exportar menos na próxima safra, o que abre ainda mais espaço para os produto nacional.

As exportações de soja em grão dos norte-americanos deverão ser de 47 milhões de toneladas. No caso do Brasil, as estimativas são de um volume acima de 50 milhões de toneladas.

A estimativa de safra de milho é de 348 milhões de toneladas em 2015/16. Em julho, esperava-se 344 milhões.

Os novos dados do Usda tiveram forte influência no mercado. Em Chicago, o primeiro contrato de soja caiu 6,2%, para US$ 9,51 por bushel (27,2 quilos). Já o do milho, ao recuar para US$ 3,57 por bushel (25,4 quilos), caiu 5,1%.

Muraro diz que a queda afetou também o mercado interno. Pesquisa da AgRural indicou a saca de soja a R$ 58 nesta quarta-feira, em Sorriso. No dia anterior, estava a R$ 61,5. (Folha de São Paulo 13/08/2015)

 

Coca-Cola financia pesquisadores que defendem o consumo de açúcar

"A população está preocupada demais com a quantidade de açúcar e carboidratos que ingere. E não deveria. O principal vilão para uma vida saudável é a falta de atividade física – e não o consumo excessivo de alimentos com muito açúcar ou carboidratos." Essa é a tese que a Coca-Cola está ajudando a promover nos Estados Unidos, por meio de incentivo a um grupo de pesquisadores. Segundo reportagem publicada no The New York Times, a empresa está financiando viagens, conferências e palestras de um time de profissionais cuja principal bandeira é a de que o açúcar não é o principal responsável pela obesidade da população. Os incentivos, de acordo com o jornal, são feitos por meio de uma organização sem fins lucrativos chamada de Global Energy Balance Network (GEBN).

O empenho em apoiar pesquisadores que não consideram o açúcar um grande vilão faz parte da estratégia da Coca-Cola para melhorar sua imagem junto a opinião pública e consumidores. Nos Estados Unidos, as vendas de refrigerantes vêm caindo, ao mesmo tempo em que movimentos que pedem a proibição de bebidas com açúcar em escolas ou a maior taxação sobre esse tipo de produto ganham força.

Em seu site oficial -- que está registrado em nome da Coca-Cola --, a GEBN se apresenta como um entidade privada sem fins lucrativos e que tem como objetivo ampliar a discussão sobre a obesidade no mundo, debatendo principalmente a relação entre calorias e gastos de energia. Em um vídeo recente para a divulgação da GEBN, o vice-presidente da entidade, Steven N. Blair, declara que a imprensa científica e a mídia, no geral, costumam dizer: ‘As pessoas estão comendo demais’ e costumam culpar o fast food e os refrigerantes pela obesidade, mas a verdade, diz Blair, é que não há de fato evidências de que essas coisas estejam relacionadas.

De acordo com a reportagem do NYT, duas universidades que empregam alguns dos líderes da organização divulgaram que a Coca-Cola teria doado US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 5,3 milhões) no ano passado para permitir a criação da Global Energy Balance Network. O jornal também aponta que, desde 2008, a Coca-Cola também financiou vários projetos de alguns dos fundadores da entidade, com investimentos totais de US$ 4 milhões (R$ 13,5 milhões). Entre os beneficiados estariam o vice-presidente da entidade, Steven N. Blair, professor da Universidade da Carolina do Sul e pesquisador nas áreas de epidemiologia e bioestatística e Gregory A. Hand, diretor da escola de saúde pública da Universidade de West Viriginia. (Revista Época Negócios 11/08/2015)

 

Odebrecht, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão desistem de Angra 3

As construtoras Odebrecht, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa informaram nesta quarta-feira que desistiram de participar do consórcio contratado para a construção da usina nuclear de Angra 3, devido à inadimplência da Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras responsável pelo empreendimento.

A Eletronuclear, a Queiroz Galvão, a Odebrecht e a Camargo Corrêa estão entre as empresas investigadas pela operação Lava Jato, que apura um escândalo de corrupção no país.

Procurada, a Eletrobras não pôde responder imediatamente, enquanto a Eletronuclear preferiu não se manifestar.

Odebrecht, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa faziam parte do consórcio Angramon, contratado para a montagem da usina nuclear e composto também por Andrade Gutierrez, UTC Engenharia, EBE e Techint.

Procuradas, a UTC e a Andrade Gutierrez preferiram não se pronunciar, enquanto as demais empresas não puderam comentar imediatamente.

O consórcio Angramon disse, por meio da assessoria de imprensa, que não se manifestará em nome das consorciadas e nem sobre atrasos de pagamentos da Eletronuclear.

O contrato de Angra 3 com o consórcio era de 2,9 bilhões de reais, em valores de fevereiro de 2013, e envolvia a montagem eletromecânica de sistemas da usina nuclear, com execução prevista em um prazo total de 58 meses.

O negócio, porém, encontra-se sob ampla investigação. Em 31 de julho, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou que a Camargo Corrêa fechou um acordo de leniência para confessar "acordos de fixação de preços, condições e divisão de mercado para frustrar o caráter competitivo do edital" de licitação de Angra 3.

Segundo o Ministério Público Federal, todas empresas do consórcio Angramon estão atualmente no alvo da Operação Lava Jato.

Em despacho que justificou pedido de prisão preventiva de executivos da Odebrecht pela Polícia Federal, o juiz Sérgio Moro disse que há indícios de que houve discussões referentes a propinas em Angra 3 quando as investigações já apareciam na imprensa.

De acordo com o juiz, a revelação foi feita por Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa. A empresa teria formado "cartel" junto às demais componentes do consórcio e "ajustado duas licitações... com pagamento de propinas a empregados da Eletronuclear", que teriam colocado na licitação cláusulas para restringir a concorrência e favorecer o grupo.

A usina nuclear de Angra 3, que havia sido paralisada em 1986, teve as obras retomadas em 2010, com previsão de entrega de energia em janeiro de 2016.

Segundo informações do site da Eletronuclear, a usina recebeu investimentos de 4,6 bilhões de reais até março deste ano, de um orçamento de 14,8 bilhões de reais. A estatal trabalha com a expectativa de que a planta inicie a geração de energia em dezembro de 2018 (Reuters, 12/8/15)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Turbulência chinesa: O mercado do açúcar não conseguiu se sustentar diante da nova desvalorização da moeda chinesa e voltou-se ao campo negativo ontem na bolsa de Nova York. Os contratos do açúcar demerara para entrega em março de 2016 caíram 11 pontos, para 11,74 centavos de dólar a libra-peso. A queda ignorou a depreciação do real perante o dólar, movimento com o qual os preços do açúcar vinham mantendo estreita correlação inversa recentemente. O receio dos traders é que a flutuação do yuan mais perto das forças do mercado aprofunde sua desvalorização e desestimule as importações, embora analistas não acreditem em uma queda da demanda do país por alimentos. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,63%, a R$ 46,55 a saca de 50 quilos.

Café: Em busca dos lucros: Depois de três avanços seguidos, os futuros do café arábica despencaram ontem na bolsa de Nova York diante de uma busca pela realização de lucros em paralelo aos mercados externos. Os contratos para dezembro caíram 510 pontos, a US$ 1,3525 a libra-peso. Os fundos e investidores liquidam suas posições para tentar embolsar os ganhos acumulados nas últimas três sessões. Incertezas sobre a safra 2015/16 no Brasil e receios com a produtividade do próximo ciclo em meio ao tempo seco na região Sudeste impulsionaram as recentes compras especulativas. Os traders do café também entraram na onda de liquidações ocorrida em todos os mercados financeiros diante da nova desvalorização do yuan. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq do arábica caiu 2,61%, a R$ 465,76 a saca.

Algodão: Calças curtas: Os cortes nas projeções de oferta de algodão feitos pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) pegaram muitos investidores de calça curta ontem na bolsa de Nova York e fizeram os preços dispararem. Os contratos para dezembro subiram 287 pontos, a 64,69 centavos de dólar a libra-peso. O órgão estima que os EUA colherão 2,84 milhões de toneladas na safra 2015/16 exportarão 2,17 milhões de toneladas e chegarão ao fim do ciclo com 674 mil toneladas em estoque. As projeções para o mundo também foram reduzidas: a produção foi estimada em 23,72 milhões de toneladas e os estoques de passagem em 23,54 milhões de toneladas. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,01% a R$ 2,1784 a libra-peso.

Suco de laranja: Elevação em NY: Os futuros do suco de laranja apresentaram ganhos ontem na bolsa de Nova York. Os lotes do suco concentrado e congelado para entrega em novembro fecharam com elevação de 70 pontos, a US$ 1,326 a libra-peso. Com a colheita da safra 2014/15 encerrada na Flórida, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) avaliou as condições climáticas para a próxima safra. O órgão indicou que, apesar do volume de chuva estar acima do normal no Estado, "condições anormalmente secas continuam" em algumas áreas. O USDA também informou que os produtores estão focados no manejo dos pomares e estão realizando replantio de árvores. No mercado doméstico, o preço da caixa de 40,8 quilos à indústria, apurado pelo Cepea/Esalq, subiu 1,54%, a R$ 11,21. (Valor Econômico 13/08/2015)