Setor sucroenergético

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Escassez de recursos para usinas

As dificuldades de acesso a crédito rural não se limitam aos produtores de grão e fibras. No caso do setor sucroenergético, as linhas voltadas à estocagem de etanol e à renovação de canaviais sequer foram disponibilizadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aos bancos interessados em operar.

Somente para estocar o biocombustível, foram anunciados no Plano Safra R$ 2 bilhões para produtores e usinas, recursos esses que se enquadram na modalidade de custeio agrícola, a juros de 8,3% ao ano. O diretor técnico da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues, diz que esses recursos são essenciais para financiar estoques do produto, de forma a evitar que toda a oferta de etanol seja colocada no mercado no período de safra (de maio a dezembro).

"Com esse financiamento, as usinas podem segurar mais o etanol para vender durante a entressafra, que vai de janeiro a março", disse o diretor técnico da Unica. Ele lembra que a expectativa era de que essa linha fosse disponibilizada em julho.

Conforme Jacyr Costa Filho, diretor para o Brasil do Grupo Tereos, que controla a sucroalcooleira Guarani, sempre há atraso na liberação dessas linhas de crédito ao setor, mas esse atraso nunca havia sido tão grande.

No caso da linha de renovação de canaviais, o diretor da Unica disse que as empresas do segmento estão plantando cana com recursos captados a taxas mais altas por causa da falta desse financiamento. O governo federal e o BNDES responderam que os recursos estarão disponíveis "em breve". (Valor Econômico 18/08/2015)

 

Açúcar: No vermelho

Os preços do açúcar demerara perderam força ontem na bolsa de Nova York, apesar de algumas indicações ligadas aos fundamentos do mercado terem começado a oferecer um suporte mais firme às cotações.

Os lotes para março de 2016 caíram 7 pontos, para 11,79 centavos de dólar a libra-peso.

A queda das cotações do açúcar refinado em Londres também influenciou a retração no mercado nova-iorquino.

O produto negociado na bolsa européia vinha em alta, o que indicava demanda firme por açúcar bruto.

Mas analistas acreditam que as refinarias vão seguir transformando o açúcar bruto em refinado para aproveitar o momento.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo apresentou queda de 0,11%, para R$ 46,90 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 18/08/2015)

 

Fundos de pensão torram R$ 375 milhões em projeto sucroenergético inviável

Por que grandes fundos de pensão investiram 700 milhões de reais na Canabrava, uma empresa novata que queria montar usinas de açúcar e etanol  e, até agora, só perdeu dinheiro?

No começo de 2010, o empresário Ludovico Giannattasio, aos 63 anos, chegou a Campos dos Goytacases, no norte do Rio de Janeiro, com um projeto para lá de ambicioso: investir 700 milhões de reais em usinas de açúcar e etanol. O setor já passava por dificuldades – em dois anos, 25 usinas haviam sido fechadas -, mas Giannattasio dizia que o que faltava para essa indústria dar certo eram capital e projetos mais modernos.

Sua família havia sido dona de produtoras de etanol combustível nos anos 80, mas as empresas encolheram quando os incentivos ao Proálcool, programa público de estímulo a esse setor, foram retirados. Engenheiro civil, Giannattasio teve uma construtora nos anos 80. Décadas depois, fundou a Canabrava para captar investidores dispostos a financiar as usinas. Numa só tacada, atraiu meia dúzia de fundos de pensão.

Os maiores são a Petros, dos funcionários da Petrobras, e a Postalis, dos Correios – que, juntos, investiram 305 milhões de reais. Pouco mais de cinco anos depois, ficou claro que faltava bem mais do que modernidade para a iniciativa dar certo.

A usina Canabrava foi inaugurada em 2012 para produzir etanol e gerar energia com o bagaço da cana-de-açúcar, e outras duas usinas foram adquiridas depois. As instalações, de fato, são modernas: todas as moendas de cana são automatizadas e a água necessária para a produção é reutilizada, algo incomum no setor.

O problema é que os custos sempre foram maiores do que as receitas e, assim, as usinas nunca deram lucro. O faturamento anual foi de 186 milhões de reais, e o prejuízo, de 185 milhões, segundo os investidores, com base em balanços de quatro empresas do grupo.

Além disso, os cerca de 1.000 funcionários não receberam salário por três meses nem os depósitos do FGTS – e, em junho ameaçavam fazer greve. Em parte, as dificuldades se devem à situação complicadíssima do setor de açúcar e etanol. Em 2014, o norte do Estado do Rio teve a maior seca em 80 anos, o que devastou as lavouras de cana.

Além disso, o controle dos preços dos combustíveis reduziu a competitividade do etanol. Mas, hoje, os fundos de pensão que investiram na Canabrava acreditam que haja outros problemas. EXAME apurou que dois diretores da Postalis foram demitidos por causa desse investimento, entre outros também considerados danosos.

A avaliação dos atuais gestores da Postalis é que o fundo colocou dinheiro demais na empresa (Procurada a Postalis disse que reserva “o direito de não se manifestar sobre estratégias para preservar seu patrimônio”).

Um interventor designado pela Previc, agência ligada ao Ministério da Previdência que supervisiona os fundos de pensão, está analisando por que o fundo Serpros, de uma empresa vinculada ao Ministério da Fazenda, colocou 70 milhões de reais na Canabrava (a Serpros não retornou ao pedido de entrevista). Outros fundos recalam de problemas de gestão e da má administração dos recursos.

Hoje, o patrimônio das usinas é negativo em 50 milhões de reais (apesar de terem recebido aportes de 700 milhões. Segundo gestores ouvidos por EXAME, Giannattasio não presta contas nem discute estratégias. “Para começar, é impossível encontrá-lo para uma reunião”, diz um deles.

Guerra com investidores

Pessoas próximas a Giannattasio dizem que os gestores estão fazendo uma “campanha difamatória” contra ele. Afirmam ainda que ele investiu seu patrimônio pessoal nas empresas e, por isso, também está sofrendo com os prejuízos (o empresário não deu entrevista).

Há seis meses, Giannattasio destacou um executivo de sua confiança, Antônio Mello, para negociar com os fundos de pensão. Mello é dono da administradora de recursos ASM – que, em 2010 – teve o registro de administradora suspenso pela CVM por suspeita de fraude em operações com o fundo de pensão RioPrevidência; mas ele conseguiu reverter a decisão na Justiça.

Hoje Mello é responsável por gerir os 700 milhões de reais captados pela Canabrava. Ele atribui as dificuldades ao momento ruim do setor e às restrições de crédito dos bancos. “Temos uma crise hídrica e uma crise de liquidez. É claro que há preocupação com a saúde financeira da Canabrava, mas estamos cortando custos e aumentando a eficiência”, diz.Segundo ele, os projetos de novas usinas, que estão atrasados, serão revisados para definir o que ainda faz sentido tocar. Mello afirma também que as contas do fundo foram aprovadas pelo cotistas e que os números foram auditados pela KPMG.

Pelo plano de negócios original, a Canabrava poderia recorrer aos fundos para levantar algum capital extra e equilibrar sua situação financeira. EXAME apurou que alguns fundos avaliam essa possibilidade, desde que possam participar da gestão das usinas e, pelo menos em tese, contribuir para que elas deem algum lucro.

Em nota, a Petros informou que “monitora de perto todos os fundos em que investe” e que liderou o movimento pela troca do administrador. Agora “vem atuando no sentido de trocar também o gestor do fundo”. Desde que Giannattasio levantou os 700 milhões de reais, a situação do setor de açúcar e etanol só piorou: nos últimos quatro anos, mais 45 usinas fecharam ou pediram recuperação judicial.

Por enquanto, os fundos só podem torcer para que as usinas da Canabrava não sejam as próximas (Revista Exame, edição nº 1085; editado pelo Brasil Agro em 18/08/2015)

 

Agricultura terá novo eixo, diz Arnaldo Jardim

Mecanizadas, cana de açúcar e laranja devem dar espaço na região Central do Estado a novas culturas e criações, antecipa o secretário estadual.

O secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, passou nessa quinta-feira (13) por Bauru e visitou a 42ª edição da Grand Expo Bauru, que vai até domingo, no Recinto Mello de Moraes. Jardim veio também ao JC, onde destacou a mudança de eixo geográfico e a entrada de novas culturas no Estado de São Paulo. Esteve acompanhado do assessor Sérgio Murilo, do vereador Moisés Rossi (PPS) e do chefe de Gabinete da Prefeitura de Bauru, Arnaldo Ribeiro, também presidente local do PPS.

Para o titular da Agricultura estadual, a região central vai, aos poucos, ter outras tipos de plantação e criação, saindo apenas da cana de açúcar e da citricultura. “Na última colheita, a mecanização já atingiu 84,8% das plantações de cana e nesta deve chegar a 90%. Nas áreas restantes, possivelmente a cana não será mais atrativa economicamente, devendo abrir 500 mil hectares para novas culturas no Estado. A laranja também passa por mudanças. Antes concentrada no centro do Estado, as plantações estão migrando mais para o sul de São Paulo e em propriedades de médio porte”, avalia.

Segundo o secretário, a migração da laranja para o sul do Estado e a abertura de algumas áreas onde ainda predomina a cana permitirá a inserção de outras culturas. “A fruticultura, a pecuária leiteira e a psicultura têm grande potencial de crescimento em São Paulo nos próximos anos. São setores em que vamos apoiar essa expansão. A nossa extensão rural vem sendo bem sucedida com o Programa de Microbacias e também focamos a defesa sanitária para manter forte o setor agrícola paulista”, pontua Jardim.

Ainda no fomento agropecuário, Arnaldo Jardim lembra que a exportação de aves vem se mantendo em constante crescimento e que a pasta vai procurar cercar a produção local da Influenza Aviária. “O Brasil nunca exportou tanto no setor avícola, até pelo preço do dólar, e por conta da gripe aviária nos Estados Unidos. Porém, ao mesmo tempo, esse problema lá preocupa, estamos trabalhando junto aos produtores para evitar de qualquer forma que essa doença entre aqui. Nos EUA, eles criam frango e peru e foram identificados 222 focos da Influenza aviária no último inverno, forçando o abatimento de 48 milhões de aves”, reitera.

Fomento

O secretário Arnaldo Jardim elogiou a organização da Grand Expo Bauru, cuja responsabilidade é da Associação Rural do Centro Oeste (Arco). “A cada ano a Expo Bauru se consolida como uma das principais do Estado de São Paulo e do Brasil, movimentando muitos negócios, e com qualidade”, cita. “No passado, a Secretaria apoiou feiras agropecuárias até custeando shows, não é uma realidade possível hoje, no aspecto financeiro. O que a gente procura fazer é melhorar o suporte técnico para os agricultores, inclusive através da Cati e do Instituto Agronômico”, confirma.

Ele exalta ainda a força da produção familiar. “A última Agrifam, em Lençóis Paulista, foi a maior que já tivemos e a ela é também a maior feira do gênero no Brasil. Cada vez mais o produtor familiar está se profissionalizando, não é mais algo amador”, completa.

Arnaldo Jardim reitera que São Paulo pode não ser o Estado que mais produz na agricultura brasileira, mas é a vanguarda da tecnologia para o segmento.

Crise política

Deputado federal licenciado desde janeiro, quando assumiu a Secretaria Estadual de Agricultura, Arnaldo Jardim é um dos líderes nacionais do PPS e vê com pessimismo o momento atual do País. “Infelizmente, o buraco não chegou ao fim. A situação da economia ainda deve se aprofundar, o artificialismo das contas públicas no ano passado provocou essa ressaca no País, gerou um clima de falta de confiança, com a desorganização das finanças públicas. O cenário é imprevisível”, vaticina.

“Essa aproximação da Dilma Rousseff com o Renan (Calheiros, presidente do Senado) é oportunista e não resolve o problema. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) sempre diz que há hoje no Brasil muito interesse corporativo, mas pouco interesse público, e essa é uma realidade”, aponta. Arnaldo Jardim disse ainda que o PPS apoia as manifestações que ocorrerão no domingo, contra a corrupção e o governo federal. (Jornal da Cidade de Bauru 14/08/2015)

 

Etanol brilha sozinho nas importações de commodities pela China

Notícias recentes da China desanimam produtores de commodities, com uma economia do país em desaceleração, preços das ações tombando e desvalorização cambial, todas sinalizando uma demanda mais fraca.

Há uma exceção: a segunda maior economia do mundo começou a importar etanol em volume grande o suficiente para estimular as esperanças de que o país poderia ter uma abertura maior, até agora pouco acessível, do mercado.

A estatal negociadora de grãos China National Oils and Foodstuffs, conhecida como Cofco, começou a enviar etanol de suas recentemente adquiridas usinas no Brasil nos últimos meses, os primeiros carregamentos para a China do segundo maior exportador do mundo desde 2012, de acordo com fontes do mercado e dados de comércio brasileiros.

No total, a China importou mais de 56 mil toneladas do biocombustível no primeiro semestre deste ano, no valor de cerca de 27 milhões de dólares baseado nos preços dos Estados Unidos, o dobro do volume do ano de 2014 inteiro.

O etanol brasileiro está vindo de uma joint venture de 1,5 bilhão de dólares da Cofco com a Noble Group no último ano, de acordo com autoridade da companhia chinesa, que informou sobre os envios.

A Noble Agri tem quatro usinas no país.

Isto pode sugerir que estes envios podem ser mais resultado da expansão ultramar da China, relacionada a ativos, do que a uma tendência mais ampla da demanda. (Reuters 17/08/2015)

 

Setor sucroenergético pede apoio contra a crise durante reunião em MG

Políticos e dirigentes de sindicatos se reuniram em Campo Florido. Foi retomada a Frente Parlamentar de Proteção do Setor Sucroenergético.

A atual situação do setor sucroenergético de Minas Gerais foi discutida em reunião nesta quinta-feira (13), em Campo Florido, no Triângulo Mineiro. O encontro contou com a presença de membros da Comissão de Turismo, Indústria, Comércio e Cooperativismo da Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e outras lideranças políticas da região. Os deputados Antônio Carlos Arantes (PSDB) e Roberto Andrade (PTN) assinaram o requerimento para a audiência.

No encontro, que ocorreu durante a “7ª Edição do Canacampo Tech Show”, o presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool (Siamig), Mário Campos, lamentou o momento delicado do segmento, apesar de estar com o maior nível de produção da sua história.

O presidente destacou, ainda, que o setor é estratégico para a recuperação econômica do país, uma vez que proporcionou no último ano um aumento no consumo mensal de etanol de 50 milhões para 160 milhões de litros em Minas Gerais. “Essa conquista se deu, também, pela redução do ICMS do setor, sancionada pelo então governador Alberto Pinto Coelho”.

Segundo o dirigente do Siamig, Minas Gerais tem 37 usinas de açúcar e álcool, que geram 80 mil empregos.

O produtor de cana-de-açúcar Marcos César Brunozz reforçou as palavras do presidente do Siamig e disse que os maiores problemas têm sido a produção de matéria-prima e o endividamento do setor. Para ele, sustentabilidade econômica se faz com geração de emprego e renda, e isso só será possível se houver proteção da competitividade do setor. “Precisamos de mais incentivos fiscais e de crédito. Peço que os parlamentares intercedam pelo segmento”, solicitou.

Os parlamentares, capitaneados pelo presidente da comissão, deputado Antônio Carlos Arantes, fizeram o relançamento da Frente Parlamentar de Proteção do Setor Sucroenergético. Ele reforçou que o setor está em crise e, portanto, precisa de uma politica de proteção do Governo Federal. “Minas Gerais tem o etanol como trunfo, e a agropecuária é o segmento que sustenta o País. É preciso baratear os fertilizantes para valorizar a produção de cana e grãos”, disse.

Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Altamir de Araújo Rôso Filho, é preciso desenvolver política públicas que recuperem a competitividade. “Temos que investir nos insumos, como a produção de fertilizantes, para reduzir o alto índice de importação do produto e, com isso, os impactos negativos no segmento sucroenergético. O meio ambiente também ainda é um gargalo, mas a secretaria passa por uma reformulação e vai poder ajudar ainda mais o produtor", afirmou (G1 14/08/2015)

 

Governo quer reduzir encargo para estimular geração por biomassa

O governo estuda flexibilizar as regras do setor de geração de energia a biomassa para viabilizar um volume adicional de oferta de energia das usinas movidas principalmente a bagaço de cana-de-açúcar. A medida pode garantir um aumento em cerca de 1 gigawatt (GW) de capacidade ou 500 megawatts (MW) médios de energia fornecida por essas termelétricas em curto prazo, de acordo com estimativas preliminares da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen).

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a biomassa responde por cerca de 10% da geração elétrica no país. O acréscimo previsto seria suficiente para atender à demanda por energia de 750 mil e 1,5 milhão de pessoas.

O que está em análise pelo ministério é uma mudança na cobrança de encargos para o setor de biomassa. As usinas que produzem até 30 megawatts (MW) de energia têm direito a descontos de, no mínimo, 50% nas tarifas de uso dos sistemas de distribuição e transmissão (Tusd e Tust), que na prática são o "aluguel" da rede. Quando a produção da usina supera os 30 MW, a térmica perde o direito a esse desconto e é obrigada a pagar as tarifas cheias.

A proposta da Cogen ao ministério prevê que a cobrança do encargo "cheio" seja feita apenas para a parcela de energia que superar a geração de 30 MW. Essa regra valeria apenas para usinas que produzissem entre 30 MW e 50 MW.

O assunto foi discutido pelo presidente executivo da Cogen, Newton Duarte, e o secretário-executivo do MME, Luiz Eduardo Barata, em reunião realizada em 11 de agosto, em Brasília. Segundo o presidente da associação, a proposta foi bem recebida pelo secretário e a expectativa é que uma medida nesse sentido possa ser anunciada nos próximos dois meses.

"Isso vai colocar no sistema umas centenas de megawatts que estão escondidos nas usinas. E, ao mesmo tempo, vai ajudar um setor que está apertado", afirmou Duarte. Procurado, o MME confirmou, em nota ao Valor, que está estudando a proposta, "que é vista como positiva pelo órgão".

Além disso, as usinas sucroalcooleiras também têm um potencial de quase 1 GW médio para agregar ao sistema em curto prazo, a partir da utilização de biomassa complementar, com possibilidade de geração de energia inclusive na entressafra da cana, de acordo com estimativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

"A Unica fez um levantamento que apontou quase 2 mil MW de capacidade instalada de turbinas de condensação. Essas turbinas podem operar independentemente do processo de açúcar e etanol, como se fosse uma térmica convencional, desde que tenha biomassa obviamente estocada, para operar na safra e entressafra", afirmou o gerente de bioeletricidade da Unica, Zilmar de Souza.

De acordo com ele, porém, o atual preço de liquidação das diferenças (PLD), o preço de curto prazo de energia, abaixo de R$ 200 por megawatt-hora (MWh) inviabiliza essa geração de energia adicional, por não cobrir custos sobretudo de transporte do volume extra de biomassa necessário. Em alguns casos, a distância entre o recurso e a usina chega a 300 quilômetros.

Por outro lado, em 2014, quando o PLD permaneceu no patamar máximo de R$ 822,83/ MWh por um longo período do ano, o negócio tornou-se muito rentável para as usinas do setor.

Nessa linha, Souza destacou que se for desenhado um modelo de contratação específico para esse tipo de energia, é possível agregar esse volume extra ao sistema nacional em curto prazo. Uma forma de comercialização, segundo ele, seria a realização semelhante ao realizado em meados deste ano para contratar térmicas a gás, para início de fornecimento em 2016. A licitação não foi bem sucedida, por não haver empreendimentos aptos a atender ao contrato.

Em palestra no Rio de Janeiro, em 13 de agosto, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, sinalizou com a possibilidade de um modelo para viabilizar a contratação desse volume de energia. "Temos que fazer com que ela [geração de energia a biomassa] seja sazonal. Nós precisamos de energia 12 meses por ano", disse. (Valor Econômico 18/08/2015)

 

Agronegócio: Cresce preocupação com plano de infraestrutura

A demora no andamento do plano federal de infraestrutura e a falta de regulamentação e regras claras têm frustrado representantes do agronegócio, e para muitos os gargalos logísticos já são considerados atualmente o maior entrave competitivo do setor atualmente.

“O produtor brasileiro tradicionalmente reclama das taxas cobradas no Brasil. Isso sempre foi a queixa número um, mas nos últimos meses mudou. Em minhas conversas com eles, a reclamação maior agora é a logística”, disse o holandês Floris Bielders, presidente da Mosaic Fertilizantes no Brasil, em evento realizado pela Amcham em São Paulo. “Os portos são antigos, ineficientes, cargos e foram engolidos pelas cidades. Não têm como expandir. E 90% de tudo o que entra e sai das fazendas vem por estradas”.

Segundo o executivo, que assumiu em fevereiro a presidência da subsidiária brasileira da maior produtora global de fertilizantes derivados de fosfato e potássio combinados, é preciso que o governo federal acelere os processos e deixe a iniciativa privada investir. “O governo não precisa investir nada. A iniciativa privada faz isso. Mas permita que ela faça”, disse, em alusão à demora na implementação do novo Programa de Investimento em Logística (PIL2), anunciado em junho pela presidente Dilma Rousseff com a expectativa de atrair R$ 198 milhões em investimentos. Desde o lançamento, nenhuma obra de infraestrutura foi licitada.

“O progresso no Brasil é frustrantemente lento”, disse o diretor-superintendente da Hamburg Sud, Julian Thomas. “O plano de logística é uma luz no fim do túnel, mas espero que não seja um trem vindo na direção contrária”. Ou, como emendou Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura: “É a luz no fim do túnel, mas o túnel é longo e a luz é fraca”.

Thomas se queixou, ainda, da interferência ideológica nos debates e a “barreira de burocracia” no país, sobretudo em questões ambientais. Citou como exemplo investimentos travados no porto organizado em Santa Catarina, que há três anos aguarda pela liberação do Ibama.

Bielders, da Mosaic, ressaltou que a companhia ainda vê potencial no Brasil, onde já investiu quase US$ 400 milhões no país. Mas também teme que o produtor brasileiro deixe de usar a lógica e adote a emoção ao tomar decisões. “Há um ambiente de medo no País”. Para Rodrigues, o maior temor é que a “briga intestinal” entre os partidos políticos leve à redução do rating do Brasil e a perda do grau de investimento. “A crise vai chegar ao agronegócio. Na safra passada, plantamos ao dólar a R$ 2,70 e colhemos a R$ 3,20. Na próxima, a que dólar vamos colher?” (

 

Bancos avaliam situação de empresas

Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa são os três grupos considerados mais bem preparados para enfrentar as turbulências trazidas pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Essa é a avaliação de executivos de bancos ouvidos pelo Valor. As companhias com negócios menos diversificados e mais dependentes de obras públicas terão mais dificuldades para se recuperar, afirmam.

No caso da Odebrecht, conforme já noticiado pelo Valor, cerca de um terço da dívida total do grupo tem um perfil de financiamento de projeto ("project finance", em inglês), o que limita riscos de calotes, uma vez que o próprio empreendimento é a garantia. Outro fator positivo é que o prazo médio dos compromissos é de 12 anos.

Em geral, as dívidas corporativas, incluindo emissões de bônus, não têm garantias cruzadas nem cláusulas que deflagrem o vencimento antecipado em outras empresas do grupo se uma delas inadimplir. É por isso que, mesmo tendo endividamento bruto de R$ 88,4 bilhões para caixa de R$ 24 bilhões, a Odebrecht vem sendo considerada risco "administrável" pelos bancos. Segundo fontes, a companhia vai precisar encolher para atravessar a crise, mas tem como trunfo a gestão financeira, comandada pela vice-presidente Marcela Drehmer, tida como muito eficiente.

Os pontos fracos, na avaliação de banqueiros, são o fato de que o grupo não tem ativos tão óbvios para vender com rapidez e a Odebrecht Agroindustrial, empresa de açúcar e álcool e cujas dívidas são empréstimos tradicionais e não financiamentos a projetos. Um dos ativos mais valiosos do grupo é a Braskem, mas a petroquímica também entrou nas investigações.

Também é considerada contornável a situação de Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. A primeira tinha R$ 11,3 bilhões em dívidas em 2013 (não há dados mais recentes). As participações em Oi, Cemig e CCR podem ajudar a gerar liquidez.

A Camargo Corrêa não abre dados consolidados. A construtora tinha dívida de R$ 339 milhões, sem considerar suas controladas, e a holding do grupo, de R$ 2,4 bilhões no fim de 2014. As participações na CPFL Energia -j á à venda, no setor imobiliário e, em menor escala, na Alpargatas são consideradas valiosas para levantar recursos. O grupo também agradou os credores ao mudar a estrutura de comando, após a prisão de Dalton Avancini, até então presidente. Em junho, contratou Artur Coutinho, que fez carreira na Embraer, e criou diretoria de governança corporativa. "A resposta levou a companhia a ser olhada de forma diferenciada", diz fonte de um banco estrangeiro. (Colaborou Fernando Torres). (Valor Econômico 18/08/2015)

 

Preço do etanol cai em 14 Estados na última semana

Os preços do etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, caíram nos postos de 14 Estados entre 9 e 15 de agosto na comparação com a semana anterior, conforme dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

A maior desvalorização foi observada em Goiás, onde o preço médio do biocombustível ao motorista ficou 3,7% mais baixo, a R$ 2,041 o litro. Em São Paulo, maior centro consumidor de combustíveis do país, o preço médio subiu 0,58% no período, para R$ 1,902 o litro. Na usina em São Paulo, houve novo recuo do valor recebido pelas usinas. O indicador Cepea/Esalq para o hidratado recuou 0,4% na semana encerrada em 14 de agosto, para R$ 1,1750 o litro.

Nos postos, a maior valorização foi observada no Amapá, onde o litro ficou, entre 9 e 15 de agosto, 1,81% mais caro que na semana imediatamente anterior, a R$ 2,695.

Na semana passada, abastecer com etanol hidratado em vez de gasolina se manteve mais vantajoso em cinco Estados. Essa vantagem econômica existe quando o preço do hidratado equivale a menos de 70% do preço médio da gasolina. Entre 9 e 15 de agosto, essa relação ficou praticamente estável no Paraná (65%), Minas Gerais (64%), em Mato Grosso (58%) e em São Paulo (61%). Em Goiás houve alterações no período, com a paridade melhorando de 64% para 62%. Em Mato Grosso do Sul, onde até então essa relação vinha sendo vantajosa ao etanol, ficou na última semana muito próxima do ponto de indiferença (69,7%). (Valor Econômico 17/08/2015 às 19h: 12m)

 

Estabelecidos novos critérios para proteção fitossanitária

Foram estabelecidos os novos critérios para prioridade de análises de processos de registro de produtos e tecnologias para uso na agricultura, visando à sanidade dos vegetais. Portaria editada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estabelece seis novas diretrizes para que seja organizada a fila dos registros de agrotóxicos, em virtude das reais necessidades da agricultura nacional.

A prioridade na análise técnica para novas tecnologias de controle fitossanitário deve seguir dois critérios.  Primeiro, visar o controle de pragas de maior risco fitossanitário; segundo, permitir o suporte fitossanitário adequado às diferentes culturas agrícolas, seguindo o conceito do manejo integrado de pragas.

Para priorizar a análise técnica de produtos equivalentes, conhecidos como produtos genéricos, foram estabelecidos os mesmos critérios anteriores e adicionados os aspectos que visem a ampliar a oferta de produtos, permitido a ampla competitividade no mercado e estimulando a fabricação nacional.

“O agricultor vai poder contar com a intervenção do governo na oferta mais rápida de tecnologias que atendam suas necessidades a curto prazo para as pragas mais importantes”, diz o diretor do Departamento de Sanidade Vegetal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Luís Eduardo Rangel.

De acordo com ele, o próximo passo será a classificação de quais são as pragas prioritárias e o estabelecimento de uma lista de produtos que atendam os novos critérios.

Os critérios foram discutidos durante anos pelos órgãos que participam do processo de registro (Mapa, Anvisa e Ibama) e serão os balizadores para otimizar as análises técnicas de registro. A Portaria nº 163, que trata do assunto, foi publicada no Diário Oficial da União da última quarta-feira (12.08). (MAPA 17/08/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: No vermelho: Os preços do açúcar demerara perderam força ontem na bolsa de Nova York, apesar de algumas indicações ligadas aos fundamentos do mercado terem começado a oferecer um suporte mais firme às cotações. Os lotes para março de 2016 caíram 7 pontos, para 11,79 centavos de dólar a libra-peso. A queda das cotações do açúcar refinado em Londres também influenciou a retração no mercado nova-iorquino. O produto negociado na bolsa européia vinha em alta, o que indicava demanda firme por açúcar bruto. Mas analistas acreditam que as refinarias vão seguir transformando o açúcar bruto em refinado para aproveitar o momento. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo apresentou queda de 0,11%, para R$ 46,90 a saca de 50 quilos.

Café: Queda em NY: As cotações do café arábica cederam ontem na bolsa de Nova York em meio à alta do dólar em relação ao real e a vendas técnicas após a disparada da semana passada. Os papéis do grão para dezembro caíram 260 pontos, cotados a US$ 1,3855 a libra-peso. Na semana passada, os preços do café subiram 7,8%, sob impulso de cobertura de posições vendidas por parte dos fundos. Rodrigo Costa, diretor da área de café do banco Société Générale, afirmou que é cedo para dizer se o clima seco no Sudeste do Brasil afetará a florada da próxima safra (2016/17), como vinha se especulando dias atrás. "As árvores podem aguentar até outubro" com pouca umidade, indicou o analista, em relatório. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica caiu 0,12%, para R$ 482,37 a saca.

Algodão: Foco nos EUA: Os futuros do algodão registraram a quarta alta seguida ontem na bolsa de Nova York, ainda em razão da recente projeção do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a oferta do produto no país, que ficou abaixo das expectativas. Os lotes para dezembro subiram 57 pontos, a 66,52 centavos de dólar a libra-peso. O corte da estimativa do USDA para a safra americana que pegou os investidores de surpresa foi reflexo de previsões de "chuvas limitadas" para o Delta do Mississippi, com indicou a agência DTN. Para Tobin Gorey, do banco australiano Commonwealth, as chuvas que estão no radar não serão suficientes para tirar a região do foco. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,27%, para R$ 2,2013 a libra-peso.

Trigo: Dólar e colheita: A alta do dólar perante diversas moedas e o clima favorável ao forte avanço da colheita nos Estados Unidos pressionaram as cotações do trigo nas bolsas americanas ontem. Em Chicago, os lotes para dezembro recuaram 7,25 centavos, cotados a US$ 5,045 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento caíram 7,75 centavos, para US$ 5,0225 o bushel. A valorização do dólar reduz a competitividade das exportações americanas de trigo, o que leva os traders a corrigirem para baixo o preço do cereal. Alem disso, o tempo firme nas áreas de trigo de primavera nos EUA segue pressionando os preços. Na semana passada, a colheita alcançou 53% da área diante do clima favorável. No Paraná, o preço ficou estável em R$ 33,97 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 18/08/2015)