Setor sucroenergético

Notícias

Semente dupla

Na área de sementes, o mercado segue em efervescência, como se o PIB fosse crescer 3% no ano. A Basf está em negociações para a compra de duas fabricantes do setor no Brasil.

Os alemães pretendem fechar a dupla aquisição ainda neste ano. (Jornal Relatório Reservado 18/08/2015)

 

Estratégia de carregar estoques de etanol influencia resultados na safra 2015/16

A estratégia de carregar estoques de açúcar e de etanol para comercialização futura teve peso importante no resultado da maioria das empresas sucroalcooleiras listadas na BM&FBovespa durante o primeiro trimestre do ano-safra 2015/16 (abril, maio e junho).

Raízen Energia e São Martinho tiveram receita menor, enquanto a Tereos Internacional, controladora da Guarani, registrou crescimento modesto. Apenas a Biosev viu a receita aumentar de forma considerável no período, justamente por ter realizado parcela maior de suas reservas. Os dados constam dos balanços divulgados recentemente.

"Aquelas (companhias) que não estão precisando de caixa conseguem estocar. Elas 'sacrificam' a receita de agora para ter uma rentabilidade maior no futuro", explicou ao Broadcast Márcio Montes, analista do BB BI.

De fato, o contrato do açúcar negociado na Bolsa de Nova York para março de 2016 tem girado em torno de 12 centavos de dólar por libra-peso, acima dos 10,60 centavos de dólar do contrato para outubro próximo.

Em relação ao etanol, há um sazonal aumento de preços entre dezembro e março, período de entressafra da cana-de-açúcar no Centro-Sul. Atualmente, o litro do hidratado nas usinas paulistas está em R$ 1,1750 (sem impostos), de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP).

Raízen

Maior processadora de cana do País, com 24 unidades, a Raízen Energia, joint venture entre Cosan e Shell, reportou estoques de 846 mil toneladas de açúcar em 30 de junho, 6% mais na comparação com igual data do ano passado.

O segmento açúcar teve peso na queda de 2,3% na receita operacional líquida da empresa, para R$ 1,64 bilhão. Já as reservas de etanol fecharam o trimestre com ligeira redução de 1%, para 458 milhões de litros.

A própria companhia, porém, destacou que esse resultado se deveu às vendas aquecidas de hidratado. "Os aumentos de preço e a volta da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) na gasolina melhoraram a competitividade do etanol, gerando um crescimento de 10,2% no volume vendido, principalmente de revenda e trading neste trimestre", informou o balanço divulgado na semana passada.

São Martinho

O Grupo São Martinho, que tem quatro usinas em operação, reportou receita 6,7% menor no trimestre, de R$ 476,70 milhões. Em contrapartida, as reservas de açúcar aumentaram 48,2%, as de hidratado subiram 54,2% e as de anidro cresceram 105,9% no trimestre frente igual intervalo de 2014. "Estamos efetivamente segurando estoques em busca de preços melhores", afirmou o diretor financeiro e de Relações com Investidores da empresa, Felipe Vicchiato, em teleconferência também na semana passada.

Tereos

Outro importante player do setor, com sete usinas no noroeste paulista, a Tereos Internacional registrou aumento de 8% na receita, para R$ 1,95 bilhão. A controladora da Guarani não informou os volumes de açúcar e de etanol, mas o diretor da Região Brasil da companhia, Jacyr Costa Filho, comentou ao Broadcast no início de agosto que a empresa está utilizando recursos próprios para estocagem, na expectativa de "preços atraentes" na entressafra.

Biosev

Na contramão das demais, a Biosev, braço sucroenergético da Louis Dreyfus Commodities (LDC), reduziu tanto as reservas de açúcar (-22%) quanto as de etanol (-17%). Em relatório, os analistas Viccenzo Paternostro e Victor Saragiotto, do Credit Suisse, entretanto, dizem que a empresa ainda tem espaço para se beneficiar da elevação das cotações desses produtos, algo que deve ocorrer somente em 2016. "O fluxo de caixa ainda não está claro no curto prazo e o aumento da alavancagem devido à desvalorização do real (ante o dólar) nos próximos trimestres preocupa", ponderaram. (Agência Estado 18/08/2015)

 

SE: Compra de usina apresenta indícios de crimes, diz delegada

Comprador é suspeito de estelionato, apropriação e lavagem de dinheiro.

Ninguém da usina foi localizado para falar sobre o assunto.

A delegada do Departamento de Crimes Contra Ordem Tributária (Deotap), Daniela Garcia revelou nesta segunda-feira (17), que concluiu em inquérito que existem fortes indícios de crimes no processo de compra da usina Campo Lindo, em Nossa Senhora das Dores, a 70Km de Aracaju, realizado em novembro de 2013. A investigação foi iniciada após os herdeiros da usina suspeitarem das ações do comprador.

Segundo a delegada, a empresa GTB, usada pelo empresário Silvio Miglio, não honrou com o pagamento da compra da usina e na conclusão das investigações foi apontado que o comprador cometeu o crime de estelionato, apropriação indébita e lavagem de dinheiro.O empresário administrava a empresa que estava em nome de Celi Maria Lima Silva, que está sendo apontada no inquérito pelos mesmos crimes.

Entre os citados na investigação está o atual administrador do Hospital Cirurgia, Gilberto Santos, que é apontado como suspeito de conivência na prática de lavagem de dinheiro e estelionato, já que teria simulado contratos de prestação de serviços com a usina. A delegada informou ainda que outras pessoas investigadas pelos crimes são donas de empresas que simularam contrato com a usina para desviar dinheiro através de Gilberto.

O advogado do diretor do Hospital Cirurgia, Evanio Moura disse que está em São Paulo e pretende se pronunciar sobre caso assim que retornar.

A equipe do G1 entrou em contato com os proprietários das Usina Campo Lindo e com o comprador Silvio Miglio e Celi Maria Lima Silva, mas eles não foram encontrados. (G1 18/08/2015)

 

Safra de cana pode sofrer com a falta de água no Paraná

O déficit hídrico, reflexo da falta de chuvas que atinge todo o Paraná há mais de 20 dias, tem colocado as usinas de cana-de-açúcar em alerta. Em pleno período de colheita da safra, a falta de água pode comprometer a quantidade de açúcar produzida pelas plantas. Até o momento, segundo dados da Associação dos Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar), 40% de uma área plantada de 650 mil hectares já foi colhida.

Porém, ainda há muitas plantas nas lavouras que estão expostas ao clima árido. Miguel Tranin, presidente da Alcopar, explica que em condições adversas de clima, a planta sente que pode haver uma possível morte, por isso solta flores com o objetivo de perpetuar a espécie. Contudo, nesse processo, a cana gasta muita energia e, com isso, pode haver uma redução no índice de açúcares da planta, já que ela usa o açúcar como fonte de energia.

Essa redução de açúcar, observa Tranin, pode afetar diretamente a produção de açúcar e etanol. O dirigente avalia que a safra deste ano deverá ser semelhante à anterior. Neste ciclo, a Alcopar espera processar 43 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Desse total, deverão sair das usinas paranaenses 3 milhões de toneladas de açúcar e 1,6 bilhão de litros de etanol.

Tranin lembra que as fortes chuvas que ocorreram em julho trouxeram muita esperança para o setor que apostava em uma boa safra, mas essa confiança não é mais a mesma com a atual estiagem que atinge praticamente todas as regiões produtoras de cana-de-açúcar. O presidente destaca que a cana que já foi retirada da lavoura apresentou, até o momento, boa qualidade.

Nos 50 mil hectares de área com a cultura da Cooperativa Agrícola Regional de Produtores de Cana (Coopcana), sediada em São Carlos do Ivaí (Noroeste), há pequenos focos de florescimento nas plantas, mas nada que possa comprometer o bom andamento da safra até o momento, segundo avalia Rogério Magno Baggio, diretor-secretário da cooperativa.

Baggio afirma que a estiagem tem contribuído para acelerar a colheita da atual temporada, "que está indo muito bem", comemora o representante da Coopcana. Neste ano, a cooperativa estima processar 3,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, ante 3,3 milhões de toneladas processadas em 2014. O aumento da capacidade da cooperativa se deve à elevação de produtividade e ao incremento de 400 mil hectares na área plantada.

Mercado

Pior que a estiagem, estão os preços dos derivados da cana-de-açúcar. O presidente da Alcopar explica que a elevada oferta de etanol no mercado interno derrubou o preço do biocombustível mesmo em um momento de consumo aquecido. Nas usinas, o valor do litro está sendo cotado a R$ 1,30. "Esse valor só cobre os custos de produção", reclama o dirigente.

O açúcar também segue em baixa. Na última sexta-feira, dia 14, o valor do produto chegou a R$ 0,12 por libra/peso. O ideal, avalia Tranin, seria de R$ 0,40 por libra/peso. Vale lembrar que uma libra possui 0,45 quilos.

Colheita no Brasil

O País deve produzir na atual safra 655,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), esse total representa um aumento de 3,2% em relação ao ciclo 2014/15, quando foram recolhidos 634,8 milhões de toneladas. Segundo o órgão, o maior volume de cana colhida vai ser destinado à fabricação de etanol, que representa 55,9% da produção.

Ao todo, o Brasil deve produzir 28,52 bilhões de litros do biocombustível, 0,5% menor se comparado ao ciclo 2014/15, quando foram produzidos 28,66 bilhões de litros. Para o açúcar, o Brasil deve produzir 37,28 milhões de toneladas, 1,7 milhão de toneladas a mais no comparativo com o mesmo período do ano passado. (Folha de Londrina 18/08/2015)

 

Exportação de açúcar em contêiner cresce 20% no 1º semestre

O Brasil exportou 959,67 mil toneladas de açúcar em contêiner no primeiro semestre deste ano, 20% mais na comparação com as 801,42 mil toneladas registradas em igual intervalo de 2014, de acordo com a agência marítima Williams Brazil. 

O maior volume foi escoado pelo Porto de Santos, de onde saíram 835,90 mil toneladas, ou 87% do total. Logo em seguida vem o Porto de Paranaguá, com 62,12 mil toneladas (6,5% do total).

No semestre, o pico de exportações de açúcar em contêiner foi em maio, com 197,85 mil toneladas. Janeiro foi o mês em que esse tipo de embarque registrou o menor volume, com 107,87 mil toneladas.

De acordo com a Williams Brazil, Sri Lanka foi o principal comprador nos seis primeiros meses do ano, com 133,08 mil toneladas, ou 14% do total. Na sequência estão Benin, com 116,74 mil toneladas (12%), e África do Sul, com 85,04 mil toneladas (9%). (Agência Estado 19/08/2015)

 

Relação de etanol e gasolina tem o menor nível para o período desde 2010

A relação entre o preço do etanol e o da gasolina na segunda semana de agosto atingiu 60,79%, informou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O patamar é o mais baixo para o período desde 2010, quando ficou em 57,43%. Na semana passada, a relação havia sido de 61,68% e na segunda semana de agosto de 2014, de 65,37%.

Para especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando o preço do derivado da cana-de-açúcar representa mais de 70% do valor da gasolina. A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do etanol é de 70% do poder da gasolina. Com a relação entre 70% e 70,5%, é considerada indiferente a utilização de gasolina ou etanol no tanque.

Segundo o economista André Chagas, que coordena o IPC-Fipe, os preços do etanol recuam em ritmo muito mais forte do que os da gasolina, resultando uma relação cada vez mais favorável para o uso do derivado de cana. "Mesmo porque o preço da gasolina só está caindo por causa do etanol, em razão da mistura", destacou. Na segunda quadrissemana do mês, o etanol teve deflação de 1,42% e a gasolina, de 0,53%. (Agência Estado 18/08/2015)

 

Petróleo continuará barato até o fim de 2016

As cotações do petróleo chegaram ao menor nível em seis anos (abaixo dos US$ 50 o barril) nos últimos dias e deverão continuar em patamar baixo até o fim de 2016, preveem analistas do exterior e do Brasil.

O mais recente Relatório do Mercado de Petróleo da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) mostrou que as quedas das cotações da commodity se acentuaram desde julho.

Com os preços baixos e a melhora da atividade econômica nos Estados Unidos e na Europa, a demanda aumentou, mas nem por isso os estoques nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) analisados pela IEA diminuíram. Ao contrário, os estoques crescem porque a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) continua expandindo a produção.

A recuperação dos preços do petróleo tende a ser lenta. O relatório sobre commodities do Banco Itaú estima que as cotações do tipo Brent deverão se limitar aos US$ 56 o barril no fim deste ano (os preços do futuro para setembro são inferiores a US$ 50 o barril) e permanecerão em níveis baixos até o quarto trimestre de 2016.

Entre 2000 e 2014, segundo os dados da IEA, a demanda global de petróleo evoluiu de 77,2 milhões de barris/dia (b/d) para 92,6 milhões de b/d. A China, isoladamente, respondeu por 5,9 milhões de b/d ou 38,3% do total do aumento da demanda. Uma redução das importações chinesas, com a perda de dinamismo da economia, poderá tornar o mercado global do petróleo ainda mais fraco.

A IEA prevê que o Brasil elevará a produção de 2,52 milhões de b/d neste ano para 2,65 milhões de b/d em 2016. Se o ponto de equilíbrio for da ordem de US$ 60 o barril, será menor o benefício com a extração de óleo. Preços baixos afetam as exportações da Petrobrás e limitam o efeito positivo da exploração do pré-sal.

Não só no Brasil haverá diminuição da receita dos exportadores e desestímulo a novos investimentos. O problema afeta também outros produtores latino-americanos, como México, Colômbia e Equador.

No México foram fracos os resultados do último leilão de campos de petróleo – e o governo prepara mudanças para tornar os investimentos mais atrativos. No Brasil, 39 grupos se inscreveram para a 13.ª Rodada da Agência Nacional do Petróleo, marcada para dia 7, mas o número é considerado baixo. O País deveria se preocupar mais com investidores globais. (O Estado de São Paulo 18/08/2015)

 

Conab e FAO assinam memorando sobre abastecimento na América Latina e Caribe

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) assina, nesta quarta-feira (19), um Memorando de Entendimento com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) para promover o abastecimento sustentável, o desenvolvimento da agricultura familiar, a segurança alimentar e nutricional, o desenvolvimento rural e as compras governamentais na América Latina e Caribe.

Dentre as ações previstas, o Protocolo dispõe sobre o intercâmbio da expertise da Companhia nas ações de políticas públicas voltadas ao abastecimento e segurança alimentar, o fortalecimento de capacidades com a realização de capacitação e treinamentos, desenvolvimento de ferramentas ou plataformas que favoreçam a troca de conhecimentos entre os países da região, entre outras medidas.

“O Memorando também prevê apoio à participação de peritos da Companhia em missões de trabalho nas áreas vinculadas ao objetivo determinado, possibilitando a partilha de conhecimentos sobre agricultura familiar e segurança alimentar e nutricional”, avalia o presidente da Conab, Rubens Rodrigues dos Santos.

A cerimônia será realizada na sede da Companhia em Brasília, às 10h30. O documento será assinado pelo presidente da Conab, Rubens Rodrigues dos Santos, e pelo diretor geral da FAO, José Graziano da Silva. Na ocasião, Graziano também falará sobre o tema “Sustentabilidade da Produção Agrícola e Segurança Alimentar e Nutricional”. (CONAB 18/08/2015)

 

Fenasucro & Agrocana recebe projeto Brazil Sugarcane que realizará encontros de negócios entre compradores e expositores

Evento deve receber mais de 70 empresas nacionais e internacionais para rodadas comerciais.

A 23ª Fenasucro & Agrocana - que acontece de 25 a 28 de agosto, em Sertãozinho/SP - será sede do Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution realizado por meio de parceria do Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). O projeto promoverá encontros de negócios com a participação de 50 empresas brasileiras e 20 convidados internacionais.

A ação tem o objetivo de promover o comércio entre fornecedores nacionais e internacionais, bem como divulgar o potencial brasileiro e identificar oportunidades para a cadeia produtiva de todo setor da cana no Brasil - referência mundial na produção de açúcar, etanol, bioenergia e grande fornecedor de tecnologia, máquinas, equipamentos e serviços.

A missão comercial promovida pelo projeto deve movimentar empresários fornecedores da indústria, serviços e comércio do setor sucroenergético. "A Fenasucro & Agrocana é uma excelente oportunidade para gerar negócios de alcance global, atrair empresas estrangeiras e fomentar a economia do setor. No espaço de negócios receberemos representantes vindos da África do Sul, Argentina, Bolívia, Colômbia, Cuba, Honduras, Nicarágua, Paraguai e Peru", afirmou Flavio Castelar, Diretor Executivo do Apla.

Para o gerente geral da Fenasucro & Agrocana, Paulo Montabone, as rodadas de negócios têm como meta estabelecer relação de médio e longo prazos com os convidados internacionais e suas empresas. "Por meio desses encontros é possível desenvolver um trabalho de inteligência comercial, levantando com esses países dados e informações sobre os mercados onde eles estão localizados é uma verdadeira troca de conhecimento. A Fenasucro & Agrocana oferece equipamentos e produtos de qualidades para toda a cadeia produtiva da cana-de-açúcar e compradores estrangeiros e brasileiros aguardam ansiosamente até a feira para aproveitar o que tem de mais novo no mercado", completa.

Em 2014, o projeto recebeu 20 convidados estrangeiros vindos pelo projeto e outras 31 participações internacionais espontâneas. Nos dias do evento foram gerados 562 encontros de negócios.

Durante o período da Fenasucro, representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estarão no espaço de negócios do projeto para dar suporte às empresas brasileiras.

A Fenasucro & Agrocana é considerada uma das maiores vitrines do setor sucroenergético, onde os representantes de empresas, indústrias e serviços, expandem as fronteiras comerciais e, a cada ano, consolidam ainda mais o Brasil como referência internacional em tecnologia para o setor. (Notícias Agrícolas 18/08/2015)

 

Escassez de recursos para usinas

As linhas voltadas à estocagem de etanol e à renovação de canaviais não foram ainda disponibilizadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aos bancos interessados em operar. O setor sucroenergético tinha expectativa de que os recursos fossem disponibilizados em julho.

Somente para estocar o biocombustível, foram anunciados no Plano Safra R$ 2 bilhões para produtores e usinas - recursos esses que se enquadram na modalidade de custeio agrícola, a juros de 8,3% ao ano. O diretor-técnico da União da Indústria de Cana de Açúcar/SP (Única/SP), Antônio de Pádua Rodrigues, diz que esses recursos são essenciais para financiar estoques do produto, de forma a evitar que toda a oferta de etanol seja colocada no mercado no período de safra (de maio a dezembro).

Conforme Jacyr Costa Filho, diretor para o Brasil do Grupo Tereos, que controla a sucroalcooleira Guarani, sempre há atraso na liberação dessas linhas de crédito ao setor, mas esse atraso nunca havia sido tão grande.

No caso da linha de renovação de canaviais, o diretor da Única/SP disse que as empresas do segmento estão plantando cana com recursos captados a taxas mais altas por causa da falta desse financiamento. O governo federal e o BNDES responderam que os recursos estarão disponíveis "em breve". (Brasil Agro 19/08/2015)

 

Projeto Brazil Sugarcane promove ação comercial na Fenasucro & Agrocana

O Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution, parceria do Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) participa da 23ª Fenasucro & Agrocana (Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética), o maior encontro mundial do setor sucroenergético. O projeto realizará encontros de negócios com a participação de 50 empresas brasileiras e 20 convidados internacionais. A feira de agronegócios será realizada de 25 a 28 de agosto, em Sertãozinho, interior de São Paulo.

A missão comercial promovida pelo projeto deve movimentar empresários fornecedores da indústria, serviços e comércio do setor sucroenergético. "A Fenasucro é uma excelente oportunidade para gerar negócios de alcance global, atrair empresas estrangeiras e fomentar a economia do setor. No espaço de negócios receberemos representantes vindos da África do Sul, Argentina, Bolívia, Colômbia, Cuba, Honduras, Nicarágua, Paraguai e Peru", afirmou Flavio Castelar, diretor executivo do Apla.

A ação tem o objetivo de promover o comércio entre fornecedores nacionais e internacionais, bem como divulgar o potencial brasileiro e identificar oportunidades para a cadeia produtiva de todo setor da cana no Brasil - referência mundial na produção deaçúcar, etanol, bioenergia e grande fornecedor de tecnologia, máquinas, equipamentos e serviços.

Em 2014, o projeto recebeu 20 convidados estrangeiros vindos pelo projeto e outras 31 participações internacionais espontâneas. Nos dias do evento, foram gerados 562 encontros de negócios.

Durante o período da Fenasucro, representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estarão no espaço de negócios do projeto para dar suporte às empresas brasileiras.

A Fenasucro & Agrocana é considerada uma das maiores vitrines do setor sucroenergético, onde os representantes de empresas, indústrias e serviços, expandem as fronteiras comerciais e, a cada ano, consolidam ainda mais o Brasil como referência internacional em tecnologia para o setor.

Palestra e visitas técnicas também estão na programação 2015

Na Fenasucro & Agrocana 2015, o diretor do Apla, Flavio Castelar participa no dia 25, às 11 horas como palestrante na 4ª Conferência Datagro no Painel "Expansão potencial da cogeração no Brasil".

Na ação comercial do Projeto Brazil Sugarcane haverá também visitas técnicas na região de Ribeirão Preto. Na quarta, dia 26, os visitantes internacionais poderão conhecer as instalações da Usina Viralcool. Já na quinta, dia 27, os estrangeiros vão ao Instituto Agronômico Campinas (IAC) para assistir apresentações e visitar os campos de pesquisa em cana-de-açúcar da unidade. (Brasil Agro 19/08/2015)

 

A oportunidade que surge para o etanol - Por Tarcisio Angelo Mascarim

O Brasil pode ser o protagonista da solução para diminuir sensivelmente o aquecimento global, caso atinja a meta do Ministério de Minas e Energia (MME), que prevê, para 2023, a demanda de 82 bilhões de litros de combustíveis líquidos. Considerando que a oferta projetada para o atendimento desta demanda seria de 29 bilhões de litros de gasolina A, 20 bilhões de litros de etanol anidro e 7 bilhões de litros de etanol hidratado, temos, então, um deficit de oferta de 26 bilhões de litros de gasolina equivalente. A quem caberia ocupar a oferta projetada?

Temos três alternativas: 1) Gasolina Nacional: o governo projeta incremento zero na produção de gasolina, uma vez que não projetou e nem tem projetado nenhuma refinaria para o País. Portanto, não há possibilidade de ocupar esta oferta; 2) Gasolina Importada: hoje, a importação de gasolina prevista é de 4 bilhões de litros e já temos problemas de logística grave. Imaginar importar mais seis vezes esse total é um absurdo, pois não teríamos portos, tampouco dutos, ferrovias ou rodovias necessários para fazer chegar aos centros de distribuição. Portanto, sem chance de ocupar esta oferta; 3) Etanol Anidro ou Hidratado, nacional ou importado: importado é o mesmo problema da gasolina importada (logística). Também sem chance de ocupar esta oferta. Só resta o etanol anidro ou hidratado de produção nacional para ocupar totalmente esta oferta de 26 bilhões de litros de gasolina equivalente para 2023. Para substituir 26 bilhões de litros de gasolina, há necessidade de 34 bilhões de litros de etanol.

Para isso, tenho insistido sempre na implantação de um projeto que se encontra arquivado no BNDES, elaborado em 2011, por especialistas da área de energia. Este projeto tem os seguintes dados: Bioenergia - BNDES Setorial 36, p. 119 – 178 - Bens de capital para o setor sucroenergético, a indústria está preparada para atender adequadamente a novo ciclo de investimentos em usinas de cana-de-açúcar? Foi escrito por Marcelo Soares Valente, Diego Niko, Bruno Luis Siqueira Ferreira Soares dos Reis e Artur Yabe Milanez, respectivamente engenheiro, economista, estagiário e gerente do Departamento de Biocombustíveis da Área Industrial do BNDES.

Para que você possa entender melhor, tomo a liberdade de transcrever a conclusão deste projeto.

Segue:

"O setor sucroenergético empreendeu um grande esforço de investimento ao longo do período de 2005 a 2009, o que resultou na inauguração de mais de cem novas unidades industriais. A partir de 2009, contudo, o setor passou a enfrentar período de estagnação dos investimentos e, com isso, experimentou redução significativa das encomendas de bens de capital sucroenergéticos. A continuidade desse cenário tem gerado ambiente econômico adverso para os fabricantes, em especial para aqueles mais dependentes das encomendas do setor sucroenergético.

Por outro lado, dadas as projeções de demanda de açúcar e etanol brasileiros, estima-se que 134 novas usinas, com capacidade de moagem de quatro milhões de toneladas de cana cada, sejam necessárias para atender à demanda projetada para os próximos anos. Isso equivale à instalação de cerca de 17 unidades por safra a partir de 2013/2014.

É dentro desse contexto que, com base na pesquisa de campo com os principais fornecedores de bens de capital sucroenergéticos e grandes grupos de usinas, este artigo procurou identificar se o atual parque fabril de máquinas e equipamentos para açúcar e etanol, mesmo enfrentando um período duradouro de baixo volume de encomendas, estaria em condições de atender a novo ciclo vigoroso de investimentos em novas usinas sucroenergéticas.

Em primeiro lugar, verificou-se que diversos segmentos da indústria de bens de capital que atendem ao setor sucroenergético estão trabalhando atualmente com ociosidade em torno de 50%. Dessa forma, é notória sua percepção de que não teriam maiores problemas para atender a novo ciclo de investimentos em usinas sucroenergéticas tão ou mais intenso do que o observado na década passada.

De outro lado, na visão dos principais grupos processadores de cana, a oferta do segmento de bens de capital não foi completamente satisfatória na última onda de investimentos. Segundo as usinas, diversos equipamentos foram entregues fora das especificações desejadas ou mesmo depois dos prazos previamente contratados.

Como resultado, ficou evidenciada a posição dos fornecedores de que, para a grande maioria dos equipamentos, não haveria problemas de atendimento caso se recuperassem os investimentos do setor. Para eles, apenas um grupo de equipamentos foi considerado de alto risco de oferta. Ao passo que, na visão das usinas, seriam nove equipamentos com maiores dificuldades de atendimento.

Quando se analisa o indicador combinado, três equipamentos aparecem na faixa de alto risco: moenda/difusores, caldeiras e destilarias. Esses equipamentos, além de exigirem longo prazo de fabricação, necessitam de significativa base industrial instalada para sua produção e montagem, mão de obra treinada e especializada e, em muitos casos, engenharia e projetos próprios. Além disso, são equipamentos de grande porte e representam parte significativa do investimento em novas usinas (cerca de 40% do total), o que torna o resultado encontrado foco da maior preocupação.

A atual situação da indústria de bens de capital sucroenergéticos exige atenção. Numa eventual retomada de investimentos nos níveis observados no último ciclo de crescimento do setor, a pesquisa realizada neste artigo sugere dificuldade de atendimento de equipamentos cruciais para a instalação de novas usinas.

A mitigação desse risco de oferta, contudo, depende necessariamente da retomada planejada e sustentada dos investimentos no setor canavieiro, que, a permanecer estagnado, só agravará a situação atual. Dessa forma, quanto mais tempo durar esse cenário de retração de investimentos e, portanto, de baixa demanda por bens de capital sucroenergéticos, maiores serão os riscos associados à oferta de equipamentos essenciais para a construção de novas usinas de cana-de-açúcar.

A implantação dessas 134 usinas com capacidade de 4 bilhões de toneladas de cana cada uma dará o seguinte desenvolvimento ao setor sucroenergético e ao meio ambiente: área necessária: 7.169.000 hectares (admitindo não haver ganho de produtividade); investimento industrial: R$ 134 bilhões; investimento agrícola (sem terra): R$ 144,720 bi; investimento total: R$ 278,720 bi; energia exportada: 26.264.000 MW/h/safra; produção de biodiesel: 931.270 m³/safra; produção de etanol: 42.880.000 m³/safra; empregos efeito renda: 2.033.316 pessoas; litros de gasolina substituídos: 30.016.000 m³; emissões evitadas: 60.632.320 tCO2/safra; faturamento, energia R$ 3.939.000,00/safra; faturamento, biodiesel R$ 1.802.007.136,00/safra; faturamento, etanol R$ 55.100.800.000,00/safra; total faturamento: R$ 60.842.407.136,00/safra (estes dados foram fornecidos e elaborados pelo Dr. Paulo Soares, da empresa Dedini S/A Indústrias de Base (valores potenciais aproximados).

Alem disso, há possibilidade da Petrobras reduzir a meta de produção de uma média de 4 milhões para 2,8 milhões de barris de petróleo por dia entre os anos de 2020 e 2030, conforme nota publicada pela estatal na Bovespa do dia 07.08.15, com o título “Petrobras admite revisar plano para os próximos 15 anos”.

Aí está a solução para a retomada do desenvolvimento econômico do setor sucroenergético, gerando empregos à nossa gente, renda ao nosso país e melhorando, sensivelmente, o meio ambiente com as emissões evitadas para a atmosfera.

Mas, num governo que gasta milhões de reais em propaganda falando bem da gasolina, que é uma das principais poluidoras da atmosfera, e usa tarjetas apenas em cigarros dizendo do malefício à saúde, será preciso lutar - e muito - para virar este jogo (Tarcisio Angelo Mascarim é secretário do Desenvolvimento Econômico de Piracicaba e diretor do SIMESPI)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Força do El Niño: Os futuros do cacau avançaram ontem na bolsa de Nova York refletindo temores crescentes com a força do El Niño e seus impactos na oferta global da amêndoa. Os lotes para dezembro subiram US$ 28, cotados a US$ 3.084 a tonelada. O escritório de meteorologia do governo da Austrália indicou que as temperaturas das águas superficiais do Oceano Pacífico estão bem acima dos patamares que definem o fenômeno e que as águas do Oceano Índico também estão esquentando. "O El Niño tem uma chance de provocar algum prejuízo grande às lavouras na Indonésia, mas os efeitos no oeste da África são menos claros", disse Jack Scoville, analista da Price Futures Group. Em Ilhéus e Itabuna, o preço médio permaneceu em R$ 124 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Demanda fraca: Os preços futuros do suco de laranja recuaram pelo segundo pregão seguido na bolsa de Nova York sob pressão de mais um mês de queda do consumo da bebida. Os lotes da commodity para novembro caíram 135 pontos, a US$ 1,305 a libra-peso. A consultoria Nielsen informou que as vendas de suco de laranja no grande varejo americano no período de quatro semanas encerrado em 1º de agosto apresentou uma queda de 4,4% na comparação com o período imediatamente anterior, somando agora 127,36 milhões de litros, o menor patamar desde janeiro de 2002. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda foi de 3,7%. No mercado interno, o preço da caixa de 40,8 quilos da laranja para a indústria apurado pelo Cepea/Esalq seguiu estável em R$ 11,21.

Soja: Entre China e EUA: Os futuros da soja perderam terreno ontem na bolsa de Chicago após mais um tombo nas ações da China e ante perspectivas otimistas para a safra dos Estados Unidos. Os lotes para novembro recuaram 12,75 centavos, a US$ 9,0425 o bushel. A queda de mais de 6% no índice Xangai Composto assustou os mercados de commodities, já que a China é o maior importador global da oleaginosa. A queda dos futuros da commodity também foi ditada pelo bom andamento das lavouras americanas e ainda pelas previsões climáticas que indicam chuvas para as áreas produtoras do grão do Meio­Oeste americano ao longo desta semana. No mercado interno, o dia também foi de queda. No Paraná, o preço médio da soja recuou ontem 0,62%, para R$ 62,82 a saca, de acordo com o Deral/Seab.

Milho: Alta em Chicago: O milho subiu ontem na bolsa de Chicago diante de receios com a produtividade das lavouras nos Estados Unidos. Os lotes para dezembro subiram 2,75 centavos, a US$ 3,7725 o bushel. Na semana encerrada no domingo, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou que a área em condições "boas" a "excelentes" representava 69% da área plantada, 1 ponto percentual a menos que na semana anterior. Além disso, conforme previsões da expedição Pro Farmer, que realiza um tour no país, a produtividade média em Ohio deve ser de 148,37 bushels por acre, abaixo da estimativa para a safra passada. A expedição passa agora por áreas de Illinois, Indiana e Nebraska. No mercado paranaense, o preço médio do grão subiu 0,67%, para R$ 21,12 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 19/09/2015)