Setor sucroenergético

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Clima seco acelera moagem e usinas eliminam atraso da safra

O volume de cana-de-açúcar processado pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do Brasil atingiu 47,41 milhões de toneladas na primeira metade de agosto, crescimento de 5,68% em relação as 44,86 milhões de toneladas moídas na mesma quinzena de 2014.
Segundo o diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, “pela segunda quinzena consecutiva, o clima mais seco nas principais áreas produtoras facilitou as operações agrícolas, eliminando o atraso na colheita de cana observado este ano quando comparado com a safra anterior”.
De fato, no acumulado desde o início da atual safra até 15 de agosto, o volume processado de matéria-prima alcançou 326,79 milhões de toneladas, alta de 0,48% em relação ao valor apurado até a mesma data da safra 2014/15.
No Estado de São Paulo, entretanto, a moagem acumulada no ciclo 2015/16 permanece abaixo daquela verificada no ano anterior. Até 15 de agosto, o Estado processou 190,67 milhões de toneladas, contra 203,11 milhões de toneladas contabilizadas no mesmo período de 2014.
Qualidade da matéria-prima
A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de matéria-prima totalizou 141,20 kg nos primeiros 15 dias de agosto, sensível recuperação quando comparado aos índices observados nas quinzenas anteriores.
No acumulado desde o início da safra 2015/16 até 15 de agosto, o teor de ATR alcançou 127,05 kg por tonelada, permanecendo aquém do valor registrado no último ano (130,72 kg por tonelada de cana-de-açúcar).
Produção de açúcar e de etanol
Seguindo a tendência verificada desde o início desta safra, a proporção de matéria-prima direcionada à fabricação de açúcar continua inferior aos índices observados em 2014. Na primeira quinzena de agosto de 2015, essa proporção atingiu 44,87%, ante 45,83% verificados em igual período do último ano.
Com isso, apesar da recuperação na moagem, a produção acumulada de açúcar no atual ciclo 2015/2016 ainda permanece abaixo do valor registrado na safra passada. Desde o início desta safra até 15 de agosto, a quantidade fabricada de açúcar pela região Centro-Sul somou 16,36 milhões de toneladas, queda de 8,74% em relação à 2014 (17,93 milhões de toneladas).
A produção de etanol, por sua vez, atingiu 2,17 bilhões de litros na primeira metade de agosto, totalizando 14,34 bilhões de litros no acumulado desde o início da safra até 15 de agosto. Deste volume acumulado, 5,17 bilhões de litros referem-se ao etanol anidro e 9,16 bilhões de litros ao etanol hidratado.
O executivo da Unica ressalta que “apesar da moagem da atual safra estar emparelhada com aquela do último ano, a fabricação de açúcar segue defasada em mais de 1,5 milhão de toneladas”. Nesse contexto, fica cada vez mais evidente que a produção de açúcar da safra 2015/2016 deverá ficar aquém do valor projetado pela Unica em março deste ano e, ainda, inferior à quantidade registrada na safra 2014/2015, acrescentou.
Vendas de etanol
As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do Brasil somaram 1,22 bilhão de litros na primeira quinzena de agosto, sendo 86,92 milhões de litros destinados ao mercado externo e 1,14 bilhão de litros ao consumo doméstico.
No mercado interno, o volume de etanol anidro comercializado pelos produtores nos primeiros 15 dias de agosto atingiu 400,54 milhões de litros, ante 415,59 milhões de litros computados na mesma quinzena de 2014.
As vendas de etanol hidratado ao mercado doméstico, por sua vez, mantiveram a tendência de crescimento em relação aos valores registrados no ano passado. Na primeira metade de agosto, o volume comercializado pelas unidades do Centro-Sul alcançou 737,23 milhões de litros, aumento de 26,76% no comparativo com os 581,57 milhões de litros contabilizados no mesmo período da safra 2014/2015.
De acordo com o diretor da Unica “a redução das transferências de etanol para a região Norte-Nordeste e a alteração nos estoques das distribuidoras contiveram parcialmente o crescimento esperado nas vendas no início de agosto”. A expectativa é de que o volume comercializado ao final do mês fique próximo ou até mesmo supere aquele registrado em julho deste ano, acrescentou Rodrigues.
Nessa linha, dados apurados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que os preços do etanol hidratado seguem em patamares inferiores a 70% do preço da gasolina em boa parte do mercado consumidor do Centro-Sul. “A paridade de preços entre o etanol hidratado e a gasolina tem se mantido muito abaixo da relação técnica de rendimento dos veículos, estimulando o consumo do biocombustível”, concluiu Rodrigues. (Unica 21/08/2015)
 

Açúcar: Piso em dois meses

Os futuros do açúcar despencaram na sexta-feira na bolsa de Nova York diante da onda de aversão ao risco, que vem sendo alimentada pela retração no mercado financeiro da China.
Os lotes da commodity para março caíram 22 pontos no pregão nova-iorquino, a 11,60 centavos de dólar a libra-peso.
A desvalorização veio apesar das informações de queda da produção de açúcar na região Centro-Sul do Brasil e também do aumento das importação da commodity pela China.
O tombo nas ações chinesas e a redução da atividade industrial no país asiático desencadearam uma onda de vendas de ativos nos mercados globais que atingiu os preços do açúcar.
No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo caiu 0,25%, para R$ 46,99 a saca. (Valor Econômico 24/08/2015)
 

Erros estratégicos que uma usina deve evitar

Assistimos hoje o prolongamento de uma crise setorial que chama a atenção pela sua longevidade. Como há anos venho repetindo neste editorial e não pretendo hoje me aprofundar, o governo vem desde 2010 praticando uma macabra e infernal política destrutiva, que vem interferindo e frustrando todo e qualquer plano de administração, seja ele nas fazendas ou nas usinas, tudo isso agravado por problemas climáticos e regulatórios sem precedentes em nossa história. Tudo somado, nos vemos num cenário de tempestade perfeita se abatendo em nosso valente barquinho que teima em resistir.
Mas agora é preciso analisar mais atentamente as políticas e ações dos grupos industriais em relação aos seus fornecedores e como elas poderiam ser dinamizadas para que possamos enfrentar tamanho problema.
É fato que a tecnologia no campo não avançou como em outras áreas, pois ainda plantamos variedades antigas e a mecanização por enquanto só nos tem trazido custos ao invés de lucros, mas não podemos exigir do agricultor a tarefa bilionária de pesquisar novos cultivares e novos equipamentos. Essa empreita é historicamente atribuída a governos e/ou grandes conglomerados empresariais com capital adequado.
Por seu lado, as indústrias têm praticado políticas distintas em direção aos seus parceiros. Entre grupos financeiramente sólidos e que têm apresentado algum lucro nestas safras sofridas, alguns mostram uma estratégia realista e de longo prazo, mas outros demonstram visão imediatista e míope.
Existem os grupos que compreendem que pela sua própria natureza terão que existir por longo tempo e enxergam e compreendem que seus fornecedores atravessam um momento pior que o da indústria. Enxergam também que para o seu próprio interesse terão que, nesse momento dramático, ajudar a preservar de alguma maneira as atividades canavieiras, mesmo que isso impacte seu balanço no presente momento. Estes pagam Consecana mais um “plus” e/ou praticam algum tipo de ajuda ao plantio ou subsídio ao CTT.
Existem, por outro lado, grupos que estão preocupados em entregar a seus acionistas lucros e dividendos a qualquer custo, e possuem executivos profissionais que ganham bônus por resultado, ignorando o inevitável impacto logo mais à frente. Estes se mostram renitentes em estender a mão a seus parceiros e enxergam isso somente como mais um aumento de custos. Está formado o cenário para uma desagregação, já visível em algumas regiões, de plantadores de cana que, desamparados por suas Usinas e pressionados pela sua própria sobrevivência, mudam para outras culturas que hoje se apresentam mais rentáveis.
A pergunta é: será que os que diversificarem voltarão ao setor no futuro? (Sylvio Ribeiro do Valle é presidente da Assocana de Assis)
 

Assembléia aprova plano de recuperação judicial do Grupo Andrade

O plano de recuperação judicial do Grupo Andrade, companhia produtora de açúcar, etanol e bioenergia em Santa Vitória (MG), foi aprovado nesta quinta-feira, 20, em assembléia geral de credores realizada no mesmo município.
Mais de 75% dos 200 votantes presentes concordaram com o documento, que agora necessita de homologação na Justiça.
A companhia tem uma dívida de R$ 310 milhões com os credores sujeitos à recuperação judicial, outros R$ 9 milhões com os credores trabalhistas - que receberão o valor integral em até 12 meses - e ainda R$ 280 milhões com credores extra concursais, mas neste último caso o montante da dívida não está contemplado no plano de recuperação judicial aprovado hoje.
A usina em Santa Vitória tem capacidade instalada para processar em torno de 1,5 milhão de toneladas de cana-de-açúcar por safra.
Além dela, o Grupo Andrade tem um projeto de usina em Rio Verde (GO). (Agência Estado 20/08/2015)
 

Lincoln Junqueira amplia cogeração

Dono da marca de açúcar Alto Alegre, uma das líderes no varejo da região Sul do país, o grupo sucroalcooleiro Lincoln Junqueira é do tempo em que o bagaço da cana era um problema a ser administrado dentro das usinas. Uma boa caldeira era aquela que usava o máximo possível de bagaço para gerar eletricidade.
Com 37 safras completadas em 2014/15, exercício que, para o grupo, terminou em 30 de abril, o Lincoln Junqueira percebeu com os racionamentos de energia no país, iniciados ainda na era FHC, que o bagaço não era mais um problema, mas uma solução.
Esse é, há cinco anos, o principal foco dos investimentos do grupo. Nesta safra 2015/16, conforme informações fornecidas pela empresa, haverá uma "pausa" nesses aportes. Mas a idéia é retomá-los no ciclo 2016/17, com o objetivo de ampliar a eficiência das caldeiras instaladas em suas cinco usinas.
Na temporada em curso, o grupo planeja cogerar 600 mil megawatts-hora (MWh), com os quais projeta faturar R$ 190 milhões. Mas, em meio aos números e siglas que permeiam o mercado de eletricidade, o que importa neste momento, conforme a empresa, é que suas cinco unidades de cogeração terão uma produtividade média de 39 quilowatts (KW) por tonelada processada.
Ainda é um índice que precisa ser melhorado, uma vez que os mais eficientes do mercado chegam a 55 KW por tonelada. Mas já representa um aumento de 22% em relação à temporada passada (2014/15), quando o grupo "exportou" (vendeu) 480 mil MWh, com uma produtividade média de 32 KW por tonelada.
Em 2014/15, o Lincoln Junqueira investiu, no total, R$ 659 milhões. Cerca de R$ 400 milhões foram destinados à manutenção de canaviais, e o restante para a compra de novos equipamentos, parte voltada à mecanização das lavouras, parte à modernização do parque cogerador.
Mas o plano para 2015/16 é manter os investimentos apenas em manutenção, dos canaviais e das indústrias, de forma que o total não deverá superar R$ 500 milhões, de acordo com a companhia. A desaceleração se deve à piora das condições gerais de captação de recursos de longo prazo no país.
Até então, todos os investimentos realizados tiveram como fonte principal recursos captados no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que representaram 90% do total investido, com prazos de amortização de dez anos.
Atualmente, 76% do endividamento bancário da empresa, de R$ 2,765 bilhões, têm vencimento no longo prazo e com custo médio, em reais, de 6% ao ano. A empresa também tem entre seus passivos recursos advindos de crédito rural e de linhas de financiamentos de exportações, em moeda estrangeira.
Foi esse passivo em dólar que fez com que, em 30 de abril deste ano, o grupo apresentasse um endividamento R$ 400 milhões mais elevado que um ano antes. Afetou o resultado financeiro líquido no exercício 2014/15, que foi negativo em R$ 531,9 milhões, ante a perda de R$ 149,4 milhões de 2013/14. Com isso, a última linha do balanço no exercício fiscal 2014/15 mostrou um prejuízo líquido de R$ 137,2 milhões (atribuído a acionistas controladores), ante o lucro líquido de R$ 87,9 milhões de 2013/14.
A empresa ressalta, entretanto, que todos os efeitos da valorização do dólar, de 35% entre um ano fiscal e o outro, foram contábeis, sem efeito em seu caixa. O que gerou desembolso foi o pagamento de juros: ao todo, foram pagos no ano fiscal 2014/15 R$ 8,9 milhões. O montante é o saldo entre o juro recebido das aplicações financeiras da companhia, que superam R$ 1 bilhão, e o juro pago de empréstimos.
Ao mesmo tempo em que planeja retomar na safra 2016/17 os aportes mais relevantes em cogeração, o grupo Lincoln Junqueira estabeleceu como meta reduzir suas métricas de alavancagem. Em 30 de abril deste ano, sua dívida líquida equivalia a 2,3 vezes seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 2014/15, que foi de R$ 604 milhões. O objetivo é levar essa alavancagem para 1,5 vez.
A companhia também dá outras razões para, em 2015/16, ir mais devagar com os investimentos em cogeração. Os preços da eletricidade voltaram a cair, com o recuo da demanda e com alguma recuperação das chuvas no primeiro semestre do ano. Mas, apesar da insegurança no curto prazo, a convicção da empresa nos fundamentos positivos de longo prazo da cogeração estão mantidos. (Valor Econômico 24/08/2015)
 

Importação de açúcar pela China salta 73% em julho

A China importou 485.027 toneladas de açúcar em julho, alta de 72,7 por cento ante um ano antes, com refinarias aproveitando os baixos preços internacionais, mostraram dados da alfândega nesta sexta-feira.
A China, um dos principais importadores mundiais de açúcar, comprou grandes quantidade este ano, com os preços internacionais movendo-se na direção oposta dos relativamente altos preços domésticos.
O contrato de referência global do açúcar atingiu uma mínima de sete anos no início deste mês, devido à pressão do avanço da safra no Brasil, maior produtor.
Enquanto isso, os preços domésticos na China mantiveram-se altos devido a restrições do governo para importações de açúcar, buscando proteger usinas locais e evitar uma acentuada queda na produção local, o que levou as margens de lucro a mais de 250 dólares por tonelada para o açúcar importado.
As importações de açúcar pela China em julho mais que dobraram ante o mês anterior devido à chegada de algumas cargas atrasadas.
As importações também foram impulsionadas por grandes volumes de açúcar refinado da Tailândia e da Guatemala, embora estes carregamentos possam ser reduzidos nos próximos meses, disse o analista Josh Rossato, da Green Pool Commodities, na Austrália.
"Nós acreditamos que os compradores podem ter recebido licenças no início no ano e precisam trazer o produto antes do vencimento", disse. (G1 21/08/32015)
 

Recursos do Prorenova saem em breve, diz BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda não tem prazo para a liberação aos bancos dos recursos previstos para o setor sucroenergético.
A assessoria do banco disse que as linhas para o Programa de Apoio à Renovação e Implantação de Novos Canaviais (Prorenova) e o Programa de Estocagem de Álcool estão "em fase final" de ajustes e devem entrar em operação "em breve".
Na semana passada, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, André Nassar, já havia dito, durante a divulgação do 2º Levantamento da Safra 2015/2016 de Cana-De-Açúcar, que faltava "apenas um detalhe com o Ministério da Fazenda" para a liberação.
A cadeia produtiva de açúcar e álcool esperava poder contar com esse crédito ainda em julho. Por isso, dado o atraso, a demanda pelos recursos pode ser menor do que se projetava, disseram representantes do setor.
O Plano Safra 2015/2016 destinou ao Prorenova um montante de recursos 50% menor nesta temporada, será ofertado pelo BNDES um total de R$ 1,5 bilhão para a renovação de canaviais, com os juros elevados para TJLP mais 2,7% ao ano. Para a estocagem de etanol, foram mantidos os R$ 2 bilhões de 2014.
Lançado em 2012, o Prorenova contribuiu para reduzir a idade média dos canaviais brasileiros de 3,9 para 3,2 anos até o ano passado, segundo cálculos do próprio BNDES. Em 2014, contudo, a renovação para a atual temporada, iniciada em abril, ficou em 14%, abaixo dos 18%, patamar considerado ideal para evitar o envelhecimento das plantas. (Agência Estado 21/08/2015)
 

Representante dos plantadores de cana do Norte pede verba a Dilma

Encontro entre presidente da Asflucan e Dilma Rousseff foi nesta 6ª (21).
Eduardo quer pagamento da safra de 2012; resposta virá em 15 dias.
A presidente Dilma Rousseff pediu 15 dias, contados a partir desta segunda-feira (24), para resolver o pagamento do subsídio para os plantadores de cana de açúcar no Norte Fluminense. O prazo foi pedido pela presidente após uma reunião entre ela e o presidente da Associação Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan), Eduardo Crespo, que solicitou a liberação do dinheiro do subsídio do Governo Federal que os produtores têm para receber da safra de 2012. O encontro aconteceu em Recife nesta sexta-feira (21).
A lei que garante o repasse da verba foi aprovada no ano passado e o governo tem até o final de 2015 para pagar 35 mil produtores.
Segundo Eduardo Crespo, a presidente Dilma Rousself não sabia do prazo para o pagamento da verba e pediu 15 dias úteis para apresentar como ele será feito. Eduardo revelou que o valor total seria de R$ 187 milhões. Pela lei, os produtores que venderam para as usinas até dez mil toneladas de cana têm direito a receber R$ 12 por tonelada. Quem vendeu acima de dez mil toneladas, vai receber o valor de R$ 10 mil.
O presidente da Asflucan informou que o faturamento médio bruto de cada produtor do Nordeste é de R$ 736 por mês e que, em Campos dos Goytacazes, o valor cai pela metade. Ou seja, recebem em média R$ 326 mensais. Com a seca, a situação piorou e, por isso, precisam do dinheiro o quanto antes para continuar produzindo. Essa é a terceira vez que o Estado do Rio recebe a subvenção do Governo Federal. As outras foram em 2008 e 2010 e receberam R$ 5 por tonelada (G1, 21/8/15)
 

Crédito escasso atinge agronegócio e ameaça competitividade do campo

O aperto no crédito chegou ao agronegócio. A menos de um mês do início do plantio da nova safra, produtores de soja se queixam de dificuldades para obter empréstimos para custear a produção. Morosidade na análise de crédito, aumento das exigências dos bancos, alta nos juros –com um “mix” entre recursos subsidiados e crédito livre com taxas elevadas– e até venda casada são relatadas por agricultores. As dificuldades provocaram atraso na compra de insumos necessários para o início do plantio, como sementes e fertilizantes, e aumentaram os custos de produção. Se o problema persistir, poderá interromper os sucessivos ganhos de produtividade do setor nos últimos anos.
A situação é pior em regiões onde há mais produtores com dívidas pendentes, como no Rio Grande do Sul, Bahia e Goiás. Mas, segundo o presidente da Aprosoja Brasil (Associação dos Produtores de Soja), Almir Daspasquale, o aperto é generalizado. “O dinheiro vem vindo a conta-gotas para todas as agências do Brasil”, diz. O problema teve origem no primeiro semestre, quando os produtores começam a se preparar para o plantio da safra seguinte. Nessa fase, eles buscam recursos nas linhas de pré-custeio, voltadas à compra de insumos.
Foi quando secou o dinheiro das contas-correntes e da poupança que, no caso do Banco do Brasil, vai para o financiamento do agronegócio. O banco estatal destina 73% da chamada poupança rural (90% do total da caderneta) para o crédito agrícola com juros subsidiados de 8,75% ao ano. Nas demais instituições financeiras, 65% da poupança vai para o crédito imobiliário, que neste ano também teve restrição de recursos especialmente na Caixa. Além da poupança rural, o agronegócio conta com o direcionamento de 34% dos depósitos à vista (conta-corrente) de todos os bancos. Com a alta dos juros, tanto a poupança como as contas-correntes perderam depósitos para outras aplicações. Para reverter a situação, Caixa e BB fizeram campanhas para estimular os depósitos.
DESAFIOS DOS PRODUTORES DE SOJA EM 2015
APERTO NO CRÉDITO
Atraso na liberação de recursos e maiores exigências limitam o acesso a empréstimos com juros subsidiados.
Preços em baixa
Cotações da soja caem mais de 20% em 12 meses com aumento nos estoques, alta do dólar e desvalorização do yuan.
Oscilação cambial
A alta do dólar encarece insumos, como defensivos e adubo. Por outro lado, eleva a renda do produtor em reais. (Folha de São Paulo 24/08/2015)
 

Preço do petróleo nos EUA cai abaixo de US$40 o barril

Os preços do petróleo nos Estados Unidos caíram nesta sexta-feira abaixo de 40 dólares o barril e o Brent recuou para uma mínima desde 2009, com uma forte queda na atividade industrial da China elevando as preocupações sobre a saúde econômica da nação que mais consome energia no mundo.
Dados apontando um aumento de duas sondas de petróleo em operação nos EUA, a quinta alta semanal consecutiva, também pressionaram os preços.
Por volta das 14h25, o petróleo nos EUA caía 3 por cento, a 40,00, após mínima de 39,86 dólares, o menor nível desde março de 2009.
O Brent recuava quase 3 por cento no mesmo horário, a 45,25 dólares, após mínima desde o início de março de 2009.
O petróleo nos EUA caminha para encerrar a oitava semana consecutiva de perdas nesta sexta-feira, maior sequência de baixa desde 1986.
A atividade no setor industrial da China recuou no maior ritmo em quase seis anos e meio em agosto, com fraqueza na demanda doméstica e por exportações, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) preliminar do Caixin/Markit. (Reuters 21/08/2015)
 

Carro elétrico paga metade do IPVA em SP

Veículos elétricos, movidos a hidrogênio ou híbridos (que combinam motores elétricos a tradicionais) emplacados em São Paulo têm direito a desconto de 50% sobre o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores).
O decreto que institui o incentivo fiscal para veículos não poluentes foi assinado na sexta (21) pelo prefeito Fernando Haddad (PT) e publicado no Diário Oficial do Município neste sábado (22).
Ele regulamenta a lei 15.997, sancionada em maio de 2014 e já está em vigor. De acordo com a ABVE (Associação Brasileira de Veículos Elétricos), no Brasil sete Estados têm isenção de IPVA para veículos elétricos, e três (SP, MS e RJ), alíquotas diferenciadas.
Apesar de ser um imposto estadual, 50% da arrecadação do IPVA é destinada aos municípios. É desse montante que a prefeitura está abrindo mão: metade da cobrança anual de 1,5% a 4% do valor estimado do veículo.
A isenção será válida apenas para os cinco primeiros anos de tributação sobre veículos licenciados em São Paulo que tenham valor igual ou inferior a R$ 150 mil. A devolução será creditada em conta corrente com base em requerimento do proprietário junto à Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente.
Ele será aberto anualmente no mês de maio e já vale para o ano fiscal de 2014. A partir do exercício de 2015, o requerimento será feito exclusivamente via sistema eletrônico.
SUSPENSÃO DE RODÍZIO
As secretarias municipais de Transporte e do Verde e Meio Ambiente também analisarão, a pedido da indústria, a possibilidade de suspender o rodízio para veículos elétricos e híbridos.
Segundo a prefeitura, o objetivo é estimular a utilização de carros não poluentes. Na avaliação da gestão Haddad, a medida segue uma tendência mundial e pode servir de inspiração no país, que ainda tem um mercado incipiente para esse tipo de veículo.
Em 2014, foram licenciados 855 automóveis elétricos no Brasil, segundo dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). De janeiro de 2015 até julho, 482, o equivalente a 0,032% do total.
Em outubro do ano passado, a Camex (Câmara de Comércio Exterior) definiu a redução do Imposto de Importação para veículos híbridos de 35% para alíquotas que variam de zero a 7%, a depender da eficiência energética do automóvel. A norma deixa, contudo, os 100% elétricos de fora.
Dentre as dificuldades encontradas por quem deseja comprar veículos não poluentes no Brasil também está o número reduzido de postos de recarga rápida (veja lista abaixo).
Segundo a ABVE, há apenas cerca de 50 no Brasil. Neles, as baterias são carregadas em três horas, na garagem de casa, em uma tomada de 220V, a recarga leva cerca de oito horas.
De acordo com cálculos da CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) o custo por km rodado de um carro elétrico é de R$ 0,05, contra R$ 0,19 de um carro abastecido com etanol.
A autonomia dos veículos é, no entanto, pequena, o que inviabiliza viagens mais longas e cria antipatia por parte de muitos consumidores em relação ao produto.
Isso contribui para que veículos elétricos, híbridos e acionados por células combustíveis de hidrogênio ainda representem menos de 1% do mercado nos países desenvolvidos.
Mesmo com a estimativa de um aumento de vendas de 30% na Europa em 2015 para 360 mil unidades, de acordo com a LMC Automotive, que compila estatísticas sobre o mercado automobilístico, eles ainda irão compor apenas cerca de 2,5% do total de carros vendidos no continente por ano. (Folha de São Paulo 23/08/2015)
 

AL: MPE vai investigar improbidade administrativa na Usina Laginha

O Ministério Público Estadual (MPE/AL) instaurou, nesta sexta-feira (21), um procedimento preparatório de inquérito civil para apurar e verificar indícios de improbidade administrativa supostamente praticada pelos administradores da atual massa falida da Usina Laginha, situada no município de União dos Palmares.
De acordo com a portaria publicada no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira, o laudo pericial contábil anexado ao processo de falência da Laginha, após análise das prestações de contas referentes ao período de abril de 2014 a maio de 2015, constatou algumas irregularidades.
As posturas do administrador judicial da Laginha, Carlos Benedito Lima Franco dos Santos, e dos ex-gestores judiciais Felipe Carvalho Olegário de Souza e X Infinity Invest e Assessoria Empresarial Ltda., serão investigadas pelo Ministério Público Estadual.
A partir de agora, o MPE irá realizar diligências para posterior realização das providências pertinentes. Após os trabalhos, poderá ser instaurado um procedimento de ação civil pública.
O procedimento foi instaurado pelos promotores Hylza Paiva Torres de Castro, Flávio Gomes da Costa e Gilcele Dâmaso de Almeida Lima, da 1ª Promotoria de Justiça de Coruripe. (Extra 21/08/2015)
 

Redesenho do mapa econômico global – Por Marcos Sawaya Jank

No mundo real hoje temos exemplos de 'emergentes' que caminham para a frente, para o lado e para trás.
No inicio deste mês, o "Financial Times" publicou uma série de artigos mostrando as graves inconsistências da definição de "economias emergentes", uma panaceia que reúne países com enorme disparidade de tamanho, renda e governança.
A ideia de que os chamados países desenvolvidos estão no "centro" gravitacional do mundo e os emergentes na "periferia" não faz mais sentido.
Primeiro, porque hoje a "periferia" já é maior do que o "centro", seja em tamanho e crescimento do PIB, volume de exportações, acúmulo de reservas internacionais e até mesmo na venda de carros, no consumo de petróleo e outros indicadores.
Segundo, porque a própria palavra "emergentes" dá uma falsa sensação de que haveria um caminho contínuo e inexorável de melhoria para os países "em desenvolvimento". Ocorre que no mundo real hoje temos exemplos de "emergentes" que caminham para a frente, para o lado e para trás. Há emergentes que já superaram os desenvolvidos, como os tigres asiáticos e alguns países árabes. Mas há também casos de países emergentes e países desenvolvidos, alguns com um fabuloso histórico de dominância global, que hoje estão literalmente "imergindo", como Portugal, Espanha, Grécia, Rússia, Argentina e Brasil, infelizmente.
O "Financial Times" apresenta nada menos que seis matrizes alternativas para redefinir países emergentes, numa tentativa de redesenhar o mapa do mundo. Os critérios são vários. Um expert propõe medir desenvolvimento por meio dos dados de 440 cidades emergentes, em vez de comparar países. Outro usa o critério do regime de governo.
Outros agrupam os países em clusters, usando variáveis como nível de educação e saúde, tamanho da população e clima político. Outros, ainda, usam variáveis econômico-financeiras como competitividade, ratings de crédito, penetração do mercado acionário e valorização da taxa de câmbio.
Algumas sugestões são claramente falaciosas, como a ideia de que a "emergência" estaria ligada à combinação de superavit na conta-corrente com exportação de manufaturados, em vez de commodities.
Não consigo ver por que a característica do produto exportado seria um indicador de maior ou menor desenvolvimento. A economia nos ensina que o que interessa não é o que o país exporta, mas sim como ele exporta em relação aos seus maiores concorrentes.
Não há nada errado em exportar commodities se somos melhores que o resto do mundo, como ocorre no agronegócio. Commodities estão associadas com volatilidade, e não com nível de desenvolvimento.
Nenhuma definição me convenceu até aqui. Agora, quando olhamos para as características básicas dos emergentes, vamos obser- var que: são países relativamen- te pequenos, com eleitorados homogêneos, possuem instituições estáveis, respeitam o Estado de Direi- to, têm boa governança e combatem duramente a corrupção. Alguns são conhecidos pelo investimen- to em educação, outros por serem economias abertas que estimulam a concorrência, os investimentos e a inovação.
Nos últimos dez anos, os melhores exemplos estão nos emergentes da Ásia, que simplesmente roubaram dez pontos percentuais do mundo desenvolvido. O resto do mundo basicamente ficou no mesmo lugar, em termos relativos.
Não há segredo. Basta observar e fazer o que deu certo (Marcos Sawaya Jank é especialista em questões globais do agronegócio. Atualmente trabalha em Cingapura. (Folha de São Paulo 22/08/2015)
 

Água de morro abaixo - Por Arnaldo Luiz Corrêa

O cenário macro continuou a se deteriorar com o fluxo de notícias vindas da China e as commodities mantiveram o banho de sangue que temos visto esse ano. O acumulado das perdas anuais aponta para o café e o açúcar como as commodities que mais derreteram, 29.2% e 28.9% respectivamente. Logo em seguida, petróleo WTI e Brent também caíram em média 28%. E os sustos não parecem ter fim.
Patricia Hemsworth, especialista do mercado de energia, baseada em NY, acredita que o mercado de petróleo continuará a cair uma vez que não existe mudança na política da OPEP apesar do decréscimo da produção de petróleo por parte dos sauditas em julho passado. Ela acredita que o mercado teste a mínima de 32.08 dólares por barril ocorrida em 2008.
O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana cotado a 10.44 centavos de dólar por libra-peso no vencimento outubro/2015 representando uma queda de mais de 5 dólares por tonelada em relação à semana anterior. Todos os meses de negociação inauguraram novas mínimas.
O spread outubro/2015 - março/2016, que encerrou a semana a 116 pontos, ou o equivalente ao um carregamento de 28.76% ao ano, em dólares, tem encorajado algumas empresas capitalizadas a formar estoque para desová-lo mais adiante, dano para o mercado a tarefa de carregá-lo. Não estão computados no cálculo um eventual estreitamento do basis, o que deixaria a operação ainda mais rentável. Não se sabe qual volume foi feito com essa finalidade, mas é dever das empresas olhar com cuidado essas oportunidades que surgem.
Como não existem notícias alvissareiras que possam elevar o ânimo dos operadores, um corriqueiro número de moagem quinzenal acaba sendo esperado como a coisa mais importante que pode acontecer no mercado apenas para “legitimar” que mais vendas a descoberto sejam feitas por parte dos fundos, que agora estão vendidos nada menos que 86.000 lotes. Nada errado em relação a isso.
Os fundamentos do açúcar, fôssemos analisá-los de maneira isenta, pouco mudaram nos últimos dois meses. O que mudou, e muito - foi o cenário político brasileiro que reflete o cadáver insepulto em que se tornou o governo petista de Dilma Rousseff.
A correlação do açúcar em NY com a moeda brasileira, na média dos últimos 20 pregões, apresenta uma aderência de -0,8500, ou seja, 85% da variação absoluta de NY é explicada pela variação do dólar em relação ao real na ordem inversa, ou seja, para cada 1% que o dólar sobe, o açúcar em NY cai 0.85%. O Brasil dá as cartas e forma o preço do açúcar em NY como uma equação que reflete o tenebroso desempenho da economia e das pedaladas fiscais de Dilma. No final do ano passado, o real tinha um impacto de apenas 15% na cotação de NY na média móvel de 20 dias apurada no início de dezembro, ou seja, o resto da queda era fundamento. Hoje, grande parte da queda é explicada pelo real, o resto é o fundamento da commodity açúcar. Não há dúvida que o cenário macro piorou e afetou as moedas, entre elas o real, mas na formação de preço do açúcar nesse ano tem muito do componente político brasileiro.
A longa crise pela qual o setor sucroalcooleiro atravessa e que encontra seu pico nos dias atuais é de longe bem pior do que aquela que assistimos em 1999. Em abril daquele ano, os preços internacionais despencaram devido à produção de açúcar do Brasil na safra 98/99 e principalmente pela desvalorização do real ocorrida no início do ano que acabou custando a cabeça do então ministro da fazenda. Diferentemente da crise atual, em 1999 o custo de produção do açúcar estava em torno de 6.00 centavos de dólar por libra-peso, mas o endividamento das usinas, no entanto, não ia além dos 25% da receita anual e se por um lado era lastreada sobretudo em reais, por outro não eram dívidas de perfil alongado o que causava estresses nos malabarismos necessários às constantes rolagens.
Com o excesso de liquidez mundial observado em meados da primeira década deste século assistimos à alocação de recursos estrangeiros maciços para investimento em energia renovável validado pelo crescente temor de que o petróleo – dizia-se - iria permanentemente, em função do apetite voraz da China que crescia a dois dígitos anuais, negociar acima dos 100 dólares por barril.
Agora a situação é completamente oposta: a economia chinesa se debilita (e se eles tiverem uma febre de 37.5º, o mundo terá uma hiperpirexia), o petróleo acena para 30 dólares por barril sem melhora no panorama adiante, o Brasil está a um passo de perder o grau de investimento laureando um governo que prima pela mediocridade e paralisia, enquanto o setor sucroalcooleiro possui um endividamento (impagável, segundo alguns) que deve estar em torno de R$ 90 bilhões e não existe nenhum projeto que indique que seremos capazes de atender a demanda nos próximos cinco anos (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda,)
Produção de açúcar do Centro-Sul atinge 2,86 mi t na 1ª quinzena Açúcar
Usinas de cana do centro-sul do Brasil produziram 2,86 milhões de toneladas de açúcar na primeira quinzena de agosto, um número dentro das expectativas do mercado e ligeiramente maior do que as 2,79 milhões de toneladas da segunda quinzena de julho, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulgados nesta sexta-feira.
A produção de açúcar na primeira parte do mês na principal região produtora do maior exportador mundial do adoçante superou em 2,3 por cento o total registrado no mesmo período do ano passado, com o tempo seco favorecendo os trabalhos de colheita.
"Pela segunda quinzena consecutiva, o clima mais seco nas principais áreas produtoras facilitou as operações agrícolas, eliminando o atraso na colheita de cana observado este ano quando comparado com a safra anterior", disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, em nota.
A moagem de cana do centro-sul do Brasil somou na primeira quinzena de agosto 47,4 milhões de toneladas, alta de 5,7 por cento ante o mesmo período de 2014 e ligeiramente abaixo do forte resultado da segunda quinzena de julho, de 49,44 milhões de toneladas.
No acumulado da safra 2015/16, o centro-sul processou 326,8 milhões de toneladas decana, alta de 0,5 por cento ante o mesmo período da temporada anterior.
O tempo tem sido extremamente seco, com um sistema de alta pressão dominando a principal região produtora no último mês. Mas uma frente fria nesta semana começou a romper a massa de ar quente, o que vai abrir o caminho para mais precipitação a partir da próxima semana, segundo meteorologistas locais.
A produção de açúcar acumulada desde o início da temporada em abril atingiu 16,36 milhões de toneladas, cerca de 9 por cento abaixo do total registrado no mesmo período do ano passado.
Com as condições mais secas, as usinas aumentaram a quantidade de sua cana utilizada para a produção de açúcar para 44,9 por cento no início de agosto, ante 43,9 por cento no final de julho.
O diretor da Unica disse que, "apesar da moagem da atual safra estar emparelhada com aquela do último ano, a fabricação de açúcar segue defasada em mais de 1,5 milhão de toneladas".
Nesse contexto, segundo a Unica, fica cada vez mais evidente que a produção de açúcarda safra 2015/2016 deverá ficar aquém do valor projetado inicialmente pela Unica e, ainda, inferior à quantidade registrada na safra 2014/2015, acrescentou.
A Unica previu inicialmente 31,8 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2015/16, ante 32 milhões de toneladas no ciclo anterior.
As usinas produziram ainda 2,17 bilhões de litros de etanol na primeira quinzena deste mês, um pouco abaixo dos 2,19 bilhões de litros da segunda metade de julho, mas 6,5 por cento acima do total do mesmo período do ano passado.
No acumulado da safra, a produção de etanol soma 14,3 bilhões de litros, crescimento de 3,2 por cento ante o mesmo período do ano passado. (Reuters 21/08/2015)
 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Piso em dois meses: Os futuros do açúcar despencaram na sexta-feira na bolsa de Nova York diante da onda de aversão ao risco, que vem sendo alimentada pela retração no mercado financeiro da China. Os lotes da commodity para março caíram 22 pontos no pregão nova-iorquino, a 11,60 centavos de dólar a libra-peso. A desvalorização veio apesar das informações de queda da produção de açúcar na região Centro-Sul do Brasil e também do aumento das importação da commodity pela China. O tombo nas ações chinesas e a redução da atividade industrial no país asiático desencadearam uma onda de vendas de ativos nos mercados globais que atingiu os preços do açúcar. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo caiu 0,25%, para R$ 46,99 a saca.
Café: Ladeira abaixo: As cotações futuras do café arábica tiveram forte queda na bolsa de Nova York na sexta-feira, puxadas por uma nova retração do mercado acionário da China e pela consequente valorização do dólar. Os contratos para dezembro fecharam o pregão a US$ 1,2645 a libra-peso, recuo de 600 pontos ­ a maior queda diária desde 21 de maio. A onda de aversão ao risco fez o investidor se desfazer de suas posições nos mercados de ações e commodities e buscar os títulos do Tesouro americano, impulsionando o dólar. A alta da moeda americana frente ao real e a outras divisas de países exportadores de café aumentou a pressão sobre as cotações da commodity. No mercado doméstico, também houve queda. O indicador Cepea/ Esalq para o arábica caiu 2,74%, para R$ 449,21 a saca.
Milho: Tumulto chinês: Assim como as demais commodities agrícolas, os preços do milho sofreram um tombo na sexta-feira na bolsa de Chicago em meio às turbulências nos mercados financeiros internacionais. Os lotes para dezembro recuaram 5,25 centavos, para US$ 3,7725 o bushel. A onda de aversão ao risco depois da queda de mais de 4% do índice Xangai Composto na sexta-feira gerou uma avalanche de vendas de posições, o que pressionou o petróleo e impulsionou o dólar. Esses dois fatores intensificaram a influência negativa sobre as cotações do milho. As previsões meteorológicas ainda indicavam chuvas favoráveis para a fase final de desenvolvimento das lavouras dos Estados Unidos nesta semana. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa caiu 0,44%, para R$ 27,38 a saca.
Soja: Mínima em seis anos: As incertezas com relação à economia da China abalaram o mercado futuro da soja na sexta-feira e foram responsáveis por derrubar os preços futuros do grão na bolsa de Chicago. Os contratos para novembro recuaram 17,75 centavos, a US$ 8,895 o bushel. A China aumentou em 27% suas importações de soja em julho, para 9,5 milhões de toneladas. Porém, os investidores temem que o ritmo da demanda chinesa arrefeça nos próximos meses em meio às sucessivas quedas em seu mercado acionário e à fraqueza de indicadores. Os traders também prestam atenção às lavouras dos Estados Unidos, que devem receber mais chuvas nesta semana. A projeção para o rendimento da safra feita por produtores é positiva. No Paraná, o preço médio caiu 0,03%, para R$ 63,22 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 24/08/2015)