Setor sucroenergético

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Valor do açúcar exportado se aproxima do valor da venda interna

A remuneração com a exportação de açúcar está se aproximando do valor obtido com a venda do produto no mercado interno e pode continuar subindo com a alta do dólar. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), na última semana a vantagem interna foi de apenas 0,11%.

Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 46,95/saca, as cotações do contrato com vencimento em outubro de 2015 na Bolsa de Nova York, referência para os embarques, equivaleriam a R$ 46,90/saca. O movimento vem sendo sustentado pelo câmbio, que hoje fechou com alta de quase 2%, a R$ 3,5590, devido aos temores gerados pela desaceleração chinesa.

Segundo o Cepea, o principal motivo foi o aumento no valor do prêmio de qualidade do açúcar cristal Icumsa 150 para exportação, com base em Nova York. "Há duas semanas consecutivas que os prêmios médios vêm ganhando força, o que pode estar atrelado ao anúncio de subsídios às exportações de açúcar por parte do governo da Índia. Com essa perspectiva, o mercado interno indiano tende a se fortalecer, abrindo espaço para as exportações de outros países, inclusive as do Brasil", diz o centro de estudos, em relatório enviado nesta segunda-feira, 24, ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. "Além disso, a alta do câmbio mantém-se como um fator positivo às exportações."

Nesta segunda-feira, 24, a Bolsa de Xangai desabou 8,5% devido a temores de que a China estaria se desacelerando. Em meio ao sentimento de aversão ao risco, o dólar subiu 1,89% ante o real, para R$ 3,5590, maior nível desde 28 de fevereiro de 2003.

Até julho, a Archer Consulting, especializada em açúcar e etanol, computava uma equivalência média de R$ 899 por tonelada para o preço do açúcar, considerando-se as oscilações em Nova York e o câmbio no Brasil. Esse valor superava o de R$ 879 por tonelada de 2014, conforme a consultoria. (Agência Estado 24/08/2015)

 

Açúcar: Turbulência da China

Os preços do açúcar foram arrastados pelas turbulências nos mercados financeiros globais para mais uma queda ontem na bolsa de Nova York.

Os contratos para março de 2016 fecharam com recuo de 9 pontos, a 11,51 centavos de dólar a libra-peso. Para Nick Penney, trader da Sucden Financial, o aumento da moagem de cana e a maior concentração de açúcares na cana na primeira quinzena de agosto elevaram a pressão.

O analista Arnaldo Correa, da Archer Consulting, ressalta a influência da alta do dólar em relação ao real.

"No fim do ano passado, o real tinha um impacto de 15% na cotação de Nova York. Hoje, grande parte da queda é explicada pelo real", disse.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,15%, para R$ 47,06 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 25/05/2015)

 

Açúcar bruto atinge mínima de 7 anos seguindo perdas por China

Os contratos futuros do açúcar bruto mergulharam para uma mínima de sete anos e os do café arábica escorregaram 4 por cento para seu nível mais fraco em mais de um ano e meio na bolsa ICE, nesta segunda-feira, conforme as preocupações com a desaceleração econômica da China resultaram em perdas em vários mercados de commodities.

"Hoje houve um macro derretimento devido às ações que refletiu nas commodities", disse Nick Gentile, gerente parceiro da consultoria de negociações de commodities NickJen Capital, de Nova York.

O açúcar bruto para outubro encerrou em baixa de somente 0,5 por cento, a 10,39 centavos de dólar por libra-peso, após cair 3 por cento para uma mínima de sete anos de 10,13 centavos de dólar por libra-peso.

Os contratos futuros do açúcar branco caíram bem menos, com o contrato de outubro encerrando em baixa de 10 centavos de dólar, ou 0,03 por cento, a 333,60 dólares por tonelada, segurando-se logo acima da mínima de seis anos e meio, de 329 dólares, atingida na semana passada.

O café arábica para dezembro encerrou em baixa de 4,75 centavos de dólar, ou 3,8 por cento, a 1,217 dólar por libra-peso, após chegar a uma mínima de 1,21 dólar por libra peso, o menor valor para o segundo mês desde janeiro de 2014.

Já o café robusta para novembro teve queda de 15 dólares, ou 0,9 por cento, encerrando a 1.627 dólares por tonelada, após atingir uma mínima de três meses para o segundo mês de 1.610 dólares por tonelada. (Reuters 24/08/2015)

 

Preço do etanol anidro sobe em SP após 4 semanas de queda, diz Cepea

Depois de caírem por quatro semanas seguidas, os preços do etanol anidro no mercado paulista voltaram a subir na semana passada, com uma maior demanda de outros Estados, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

O preço médio do anidro (misturado à gasolina) foi de 1,3471 real/litro (sem impostos) na usina, entre 17 e 21 de agosto, segundo o Indicador Cepea/Esalq, alta de 1,1 por cento em relação ao período anterior.

"A maior demanda pelo produto por parte de outros Estados, com destaque para os do Sul do país, Rio de Janeiro e parte do Nordeste, explica as reações nos valores do anidro", disse o Cepea, ressaltando que o volume negociado no mercado spot mais que dobrou de uma semana para outra.

Já o preço do etanol hidratado recuou 0,9 por cento no comparativo semanal, fechando a 1,1642 real/litro (sem impostos).

"Favorecidas pelo clima mais seco, as atividades de moagem de cana-de-açúcar da safra 2015/16 da região Centro-Sul seguiram em bom ritmo durante a primeira quinzena de agosto, recuperando o atraso na colheita", apontou o Cepea, citando dados da associação da indústria.

A produção total de etanol no centro-sul totalizou 14,34 bilhões de litros no acumulado parcial da safra 2015/16, alta de 3,2 por cento ante o volume registrado no mesmo período do ano passado. As usinas produziram 5,17 bilhões de litros de anidro (queda de 14,1 por cento no comparativo com igual período de 2014) e 9,2 bilhões de litros de hidratado (alta de 16,4 por cento), segundo dados da Unica, associação que representa os produtores. (Cepea / Esalq 24/08/2015)

 

Petrobras volta a vender gasolina com prêmio, diz fonte da estatal

A queda acentuada nos preços do petróleo amplia ganhos da divisão de Abastecimento da Petrobras, permitindo que a estatal volte a vender gasolina no Brasil a preços mais altos do que o valor do produto importado, elevando também as margens de comercialização de diesel, disse uma fonte da cúpula da estatal à Reuters.

A gasolina não era vendida com um prêmio nas refinarias do Brasil ante o exterior desde o início de maio. Já o diesel, de uma maneira geral, tem sido comercializado acima dos valores externos há mais tempo, após o reajuste dos combustíveis em novembro do ano passado.

Os contratos futuros do petróleo, que interferem nas cotações de derivados no exterior, recuaram mais de 6 por cento para novas mínimas de mais de seis anos nesta segunda-feira, com a commodity nos EUA sendo negociada abaixo de 40 dólares o barril e o referencial Brent aproximando-se desse patamar. Essa situação de mercado potencializa os ganhos da divisão de Abastecimento.

"O mercado está bom para área de combustíveis (da Petrobras)", declarou uma alta fonte da companhia, na condição de anonimato, admitindo que os preços do petróleo em queda, por outro lado, afetam as vendas da commodity da petroleira para o exterior.

A fonte disse que os preços da gasolina vendida pela refinaria da Petrobras no mercado interno estão cerca de 4 por cento mais altos do que os praticados no exterior. Já os valores do diesel estão cerca de 7 por cento acima, com base em valores estimados na última sexta-feira.

Ainda que a fonte não tenha entrado em detalhes, essa situação de mercado deixa distante qualquer necessidade de reajuste de preços de combustíveis, ainda mais numa conjuntura de inflação em alta.

RECUPERANDO PERDAS

Interfere nesse cálculo da Petrobras, além do preço do petróleo, a cotação do dólar, utilizado nas operações de importações. A moeda norte-americana, que atingiu nesta segunda-feira o nível mais alto em mais de 12 anos, tem oscilado em torno de 3,50 desde o início de agosto.

A Petrobras, com cotação de combustíveis a preços fixos nas refinarias desde o início de novembro de 2014, acaba se beneficiando dessas variações do petróleo devido à correlação dos preços de derivados no mercado internacional, que flutuam também por questões sazonais, como a maior demanda na temporada de férias dos Estados Unidos.

A venda de combustíveis a preços mais altos do que no exterior ajuda a Petrobras a recuperar parte das perdas dos últimos anos, quando teve que importar elevados volumes a preços mais altos para atender ao mercado interno.

O diesel (combustível mais vendido no Brasil) com prêmio ante a cotação internacional ajudou a divisão da Abastecimento da estatal a ter lucros, nos últimos dois trimestres, revertendo prejuízos registrados por vários anos, quando o governo restringiu reajustes para evitar repasses para a inflação.

As considerações da fonte da Petrobras estão em linha com uma avaliação mais geral feita pelo diretor no Brasil da agência de classificação de risco Fitch, Rafael Guedes.

"Com certeza, a empresa está recuperando o tempo perdido... Números arredondados mostram que hoje a Petrobras está vendo na bomba a um preço de 75 dólares por barril e importa na casa dos 40. Esse é uma baita negócio. Obviamente, tem que incluir impostos, frete e outros", declarou Guedes, em entrevista recente à Reuters, sem entrar em outros detalhes.

Tradicionalmente, a Petrobras é importadora de gasolina e diesel para complementar a sua produção e atender a demanda interna. Ainda que o consumo interno esteja menor, o que impacta nas compras externas, a conta de importação é um fator importante para os resultados da divisão.

INCERTEZAS

Na avaliação da fonte da Petrobras, a cotação do petróleo permanecerá próxima dos atuais patamares durante os meses de setembro e outubro, pelo menos, embora existam "muitas incertezas críticas" que podem provocar uma oscilação de preços.

“O que a Opep vai fazer? O shale (petróleo não convencional) vai permanecer nesse nível de preços? Não dá para apostar que vai ficar nesse nível por muito tempo. Tem ainda menor demanda da China, aumento da taxa de juros nos Estados Unidos”, analisou.

"Setembro e outubro apontam para onde o Brent está...", adicionou.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, ponderou que a divisão de Abastecimento da Petrobras está faturando com o barril em um patamar baixo, mas ressaltou que se trata de uma bonança "míope de curto prazo".

"A Petrobras está num período de ganhar dinheiro. Como a receita de diesel é maior que a da gasolina e como importa mais diesel..., ela está botando dinheiro no bolso", disse ele.

Pires alertou, no entanto, que essa bonança pode se esvair no médio prazo e comprometer outras áreas da companhia, entre elas a produção do pré-sal.

"A Petrobras não controla preço nem câmbio. Os preços vão oscilar. Enquanto o mundo inteiro vai se beneficiar de petróleo barato para reduzir inflação e crescer mais, nós vamos tentar ajudar a Petrobras a reduzir as perdas do passado", opinou Pires.

“No médio e no longo prazo, esse preço baixo é ruim para a Petrobras, que tem a reserva do pré-sal para monetizar...", frisou.

A própria fonte da Petrobras reconheceu que as margens da divisão de "upstream" (produção) ficam mais apertadas com o barril em patamares mais baixos, mas destacou que a empresa ainda opera com margens "razoáveis". (Reuters 24/08/2015)

 

Consumo de etanol hidratado bate recorde histórico em julho no Brasil

Os dados mais recentes publicados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), compilados e analisados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), indicam que o consumo de etanol hidratado - aquele utilizado diretamente no tanque dos veículos – bateu um recorde histórico no Brasil.

O consumo do biocombustível, somente no mês de julho de 2015, chegou a marca de 1,55 bilhão de litros. Maior volume já registrado em toda a série histórica que começou em 2000, ano em que as distribuidoras e a própria ANP iniciaram a divulgação destes dados. O recorde anterior datava de dezembro de 2009, com 1,51 bilhão de litros de etanol hidratado comercializados.

A participação do renovável no consumo do ciclo Otto no mês de julho também alcançou o maior percentual registrado em 2015, chegando a 24,1%. A demanda nacional de combustíveis leves cresceu 3,40% no comparativo com julho de 2014 e 2,75% quando comparado ao mês anterior (junho/2015). Enquanto isso, o consumo de gasolina C aumentou apenas 2,3% entre os meses de junho e julho de 2015.

A tendência de crescimento nas vendas de etanol hidratado foi observada nas principais regiões de consumo do Brasil. No comparativo entre julho de 2015 e julho de 2014, todos os Estados em análise apresentaram incremento expressivo, com destaque novamente para Minas Gerais cujo aumento da participação do etanol hidratado na demanda do ciclo Otto atingiu quase 20 pontos percentuais. O mesmo comportamento de expansão é verificado tomando-se os resultados de julho de 2015 contra o mês anterior (junho/2015).

Segundo o diretor Técnico da UNICA, Antonio de Pádua Rodrigues, esta expansão contínua do consumo do biocombustível reflete o preço competitivo do renovável frente ao seu concorrente fóssil, a gasolina.

“Em diversos Estados, a paridade de preços entre o etanol hidratado e a gasolina segue em patamares inferiores à relação técnica de 70% do rendimento dos veículos. Chamo a atenção para São Paulo, onde a paridade ficou na casa dos 62% e Mato Grosso com 60%,” observou Rodrigues.

Goiás com 64%, Minas Gerais com 65%, Paraná com 66% e Mato Grosso do Sul com 69% são os outros Estados onde a paridade entre os preços de ambos os combustíveis ficou inferior aos 70% neste mês de julho. (Unica 24/08/2015)

 

Venda de defensivos caiu 25% no 1º semestre

As vendas de defensivos agrícolas confirmaram as expectativas e fecharam o primeiro semestre deste ano em queda no país. De acordo com estimativa preliminar do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), em dólar a receita oriunda dessas vendas diminuiu 25% em relação ao mesmo período de 2014, de US$ 3,6 bilhões para US$ 2,7 bilhões.

A entidade informou que o volume de agrotóxicos comercializados no mercado doméstico também recuou, mas que ainda não consegue precisar se a retração acompanhou par e passo o ritmo da redução da receita em moeda americana ­ que, no primeiro trimestre, havia sido da ordem de 20% na comparação com igual intervalo do ano passado.

Cálculos do Valor Data baseados nas Ptax médias dos primeiros semestres do ano passado e deste apontam que, em real, a baixa da receita foi bem mais modesta, 3,6%, de R$ 8,3 bilhões para R$ 8 bilhões. De qualquer forma, as vendas em dólar caminham para encerrar 2015 com a primeira queda desde 2009, como há meses sinalizam especialistas no setor de agronegócios.

Silvia Fagnani, vice-presidente executiva do Sindiveg, lembrou ao Valor que, historicamente, as vendas de defensivos no Brasil representam aproximadamente 70% do total anual. E afirma que a entidade espera para o período uma recuperação que ao menos reduza, no balanço de 2015 como um todo, o expressivo percentual negativo observado até junho.

"Mas de fato haverá queda, a primeira desde 2009, que também foi um ano de crise. As vendas alcançarão, no máximo, US$ 10,5 bilhões em 2015", afirmou ela. Se confirmado, esse montante será quase 14% inferior ao registrado no ano passado (US$ 12,2 bilhões).

Em moeda brasileira, o ritmo de incremento da receita das vendas de agrotóxicos no país ­ maior mercado global para esses produtos ­ estaria quase garantido. Considerando a Ptax média do início deste ano até sexta-feira (R$ 3,056), o Valor Data aponta que os US$ 10,5 bilhões projetados pelo Sindiveg seriam equivalentes a R$ 32,1 bilhões. Já a conta para 2014, quando a Ptax média foi de R$ 2,3547, resulta em R$ 28,8 bilhões.

"É claro que boa parte da queda da receita das vendas em dólar no primeiro semestre refletiu a variação cambial. Mas há outras questões. Uma delas é a escassez de chuvas em regiões importantes de produção agrícola, que contém a proliferação de pragas e com isso, reduz a necessidade do uso de alguns defensivos", afirmou Silvia.

Apesar de os números do primeiro semestre ainda não estarem fechados, a executiva informou que houve retração das receitas em dólar nas duas principais categorias de produtos do segmento: inseticidas, que responderam por 39,9% das vendas de agrotóxicos no Brasil em 2014, e herbicidas, cuja fatia no ano passado foi de 32%.

Também é possível dizer que, apesar dos pesares, a soja, carro-chefe do agronegócio brasileiro, é a cultura que puxa também as vendas de defensivos. Sua participação do total continuou superior a 50% no primeiro semestre, foi de 56% em 2014. Em seguida nessa lista aparecem milho (9% no ano passado), algodão (8%) e cana (8%).

Mesmo que no mercado de defensivos ainda não seja possível mensurar a queda do volume das vendas, apenas a da receita, dois outros mercados de insumos fundamentais corroboram a tendência geral de queda, influenciada pela retração das cotações internacionais das commodities agrícolas e por turbulências políticas e econômicas no front doméstico.

No segmento de fertilizantes, as vendas internas diminuíram 7,7% de janeiro a julho em relação ao mesmo intervalo de 2014, para 15 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Fontes do segmento estimam que, em todo este ano, a baixa ficará entre 5% e 10%.

E, conforme informações da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas de tratores e colheitadeiras no país recuaram 27,2% na mesma comparação, para 28,7 mil unidades. Em 2015 como um todo, a retração projetada pela entidade é da ordem de 20%. (Valor Econômico 25/08/2015)

 

Mercado global de petróleo verá excesso de gasolina em 2017, diz Woodmac

O mercado global de derivados de petróleo deve oscilar para um excesso de gasolina já em 2017, pressionando refinarias que estão atualmente lutando para acompanhar a demanda, disse nesta segunda-feira a consultoria de petróleo Wood Mackenzie.

Empresas de refino se beneficiaram dos preços baixos do petróleo, interrupções não planejadas em refinarias e um início de operação de novas unidades em ritmo menor que o esperado.

Contudo, o crescimento da demanda deve se tornar mais lento por causa do crescimento da eficiência e de fontes alternativas de combustível, enquanto novas refinarias no Oriente Médio e a estabilização de operações na Venezuela podem trazer um período prolongado de excesso de oferta, disse a Woodmac.

"Embora a diferença de preços entre petróleo e derivados tenha sido muito forte este ano, nós podemos ver uma reversão completa no mercado em apenas dois anos", disse o diretor da área de pesquisa de mercados de derivados de petróleo da Woodmac, Jonathan Leitch.

A análise de derivados de petróleo da Woodmac, que rastreou 745 refinarias globalmente, mostrou que espera-se que a produtividade de gasolina cresça 1 por cento ao longo dos próximos 15 anos.

A consultoria projetou que um excesso na oferta de gasolina de 30 milhões de toneladas comece a se desenvolver em 2020 e persista por uma década. (Reuters 24/08/2015)

 

Dilma promete resposta sobre subvenção para cana em até 20 dias

A presidente Dilma Rousseff se reuniu na última sexta-feira, 21, com representantes do setor sucroenergético do Nordeste e prometeu que em até 20 dias dirá se os produtores da região terão a subvenção sinalizada na Lei 12.999.

O presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), Alexandre Andrade, que participou do encontro, disse à reportagem que a questão precisa ser resolvida rapidamente, pois a lei, sancionada no ano passado e que prevê a subvenção de R$ 127 milhões, caduca em dezembro próximo.

A subvenção de R$ 12 por tonelada de cana foi sancionada por Dilma em junho de 2014 e vale para até 10 mil toneladas, beneficiando produtores do Nordeste e do Rio de Janeiro que fornecem a matéria-prima para usinas locais.

O objetivo do recurso é compensar financeiramente agricultores afetados pela estiagem na safra 2012/13. Outra Lei, a 13.000/14, também previa uma subvenção de R$ 0,25 por litro de etanol para produtores dessas regiões, mas igualmente não saiu do papel.

Em 2012/13, as usinas do Nordeste processaram 52 milhões de toneladas de cana. Nas últimas safras, o volume moído na região se manteve entre 50 milhões e 55 milhões de toneladas.

Segundo Andrade, estiveram presentes à reunião a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro, o vice-presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, Renato Cunha, entre outros representantes. (Agência Estado 24/08/2015)

 

Reunião vai discutir crise no crédito do agronegócio

Ministra convoca bancos e setor para identificar gargalos no financiamento. Reportagem da Folha desta segunda (24) apontou dificuldades de produtores para conseguir empréstimos.

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, convocou para esta terça-feira (25) uma reunião com bancos públicos e privados e representantes do setor agrícola para discutir o financiamento da safra. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Tarcísio Godoy, também deve participar.

O objetivo é identificar os gargalos no acesso ao crédito apontados pelos produtores e alternativas para superar problemas como o aumento das exigências de garantias para liberar os recursos.

A principal preocupação é com os bancos privados, em que o crédito sofreu maior retração no primeiro semestre.

"Vamos fazer essa reunião, ver quais são as dificuldades, e o que podemos fazer", disse a ministra à Folha. "Não é possível que não encontremos mecanismos que possam superar esse desempenho."

A Folha mostrou nesta segunda (24) que os produtores de soja se queixam de dificuldades para obter empréstimos para custear a produção, a menos de um mês do início do plantio da nova safra.

Segundo Kátia Abreu, o governo começou a receber reclamações dos produtores há cerca de 20 dias.

Nos primeiros sete meses deste ano, o financiamento do custeio e comercialização da safra caiu 9% em relação ao mesmo período de 2014, para R$ 47 bilhões, segundo dados do Banco Central compilados pelo ministério.

A queda foi mais concentrada nos bancos privados, em que o crédito ao setor despencou 24%, para R$ 13,4 bilhões. Nos públicos, que respondem pela maior fatia do financiamento, o recuo foi de 2%, para R$ 28,9 bilhões.

A ministra ponderou que o fato de a Caixa ter apenas recentemente aumentado a sua participação no crédito agrícola justifica uma maior cautela do banco nas concessões.

Ela também disse que os bancos privados têm menor experiência com o setor e se retraíram por causa da crise econômica e política.

A avaliação é que esse cenário começou a se distender a partir de julho, depois do anúncio do Plano Safra. No mês, o crédito avançou 32% ante igual período de 2014.

"A gente pode ficar despreocupado? Não, mas um pouco aliviado", disse. (Folha de São Paulo 25/08/2015)

 

Commodities agrícolas não escapam do 'fator China'

A tensão global nos mercados financeiros globais emanada ontem pela China não poupou as cotações das principais commodities agrícolas negociadas nas bolsas de Chicago (milho, trigo e soja) e Nova York (açúcar, cacau, café, suco de laranja e algodão).

Todas iniciaram suas respectivas sessões em baixa, "engolidas" que foram por movimentos especulativos derivados das incertezas chinesas. Cacau, milho e trigo, contudo, se recuperaram ao longo do dia e fecharam em alta, influenciada pela queda do dólar em relação ao euro e ao iene e por fatores ligados a seus fundamentos de oferta e demanda.

Mas, para analistas, essas valorizações não deixam de ser um sinal da confiança de que a tendência de incremento do consumo de alimentos no país asiático, inclusive de maior valor agregado, resistirá à desaceleração seu crescimento.

Nesse contexto, as atenções estiveram mais focadas em Chicago, onde são negociadas as commodities agrícolas básicas para alimentação humana e animal.

Ali, os contratos do milho para novembro fecharam a US$ 3,8050 por bushel (medida equivalente a 25,2 quilos), em alta de 3,25 centavos de dólar, ao passo que os papéis do trigo para dezembro subiram 4 centavos de dólar, para US$ 5,08 por bushel (27.2 quilos). A soja para novembro recuou 15,5 cents, para US$ 8,74 por bushel (27,2 quilos). É o menor valor em mais de seis anos, mas vale destacar que a China responde por quase 70% das importações globais da oleaginosa.

Apesar das turbulências ­ a desvalorização do yuan entre elas ­, não se espera que China reduza suas compras de grãos no exterior. Mas os chineses não costumam dar ponto sem nó e, desde que bem estocados, podem perfeitamente querer compensar suas incertezas e a desidratação de sua moeda nos preços que pagam nas importações. De 11 de agosto (quando Pequim interveio em sua moeda pela primeira vez em tempos recentes com mais força) até ontem, o yuan caiu 3,04% em relação ao dólar.

Estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que os estoques de milho, trigo e soja da China iniciarão a safra internacional 2015/16, em 1º de setembro, em patamares confortáveis.

No mercado de milho, os estoques iniciais (81,26 milhões de toneladas) deverão representar 37,1% da demanda total (219 milhões de toneladas), bastante acima da média global (19,7%). No caso do trigo, a relação é ainda mais folgada. Segundo o USDA, os estoques iniciais chineses em 2015/16 (74,57 milhões de toneladas) serão equivalentes a 64% da demanda interna (116,5 milhões de toneladas), ante a média mundial de 31%.

Na soja, mercado de grãos também mais aberto à participação da iniciativa privada no país asiático, o cinto é mais apertado. Nas contas do USDA, os estoques iniciais no próximo ciclo (17,55 milhões de toneladas) representarão 19,1% da demanda doméstica (91,7 milhões de toneladas). A média global está projetada pelo órgão em 28%.

Se o USDA estiver correto, boa parte dos estoques previstos foram alimentados em julho, já que, conforme o serviço aduaneiro chinês, as importações do país cresceram de forma expressiva nas três frentes durante o mês.

Em uma evidente estratégia focada em aproveitar os preços mais baixos dos grãos na bolsa de Chicago, as importações de milho da China cresceram pelo quarto mês seguido e somaram 1,1 milhão de toneladas, maior volume mensal desde 2005. Nos sete primeiros meses de 2015, o volume acumulado chegou a 3,8 milhões de toneladas, duas vezes mais que no mesmo intervalo do ano passado.

As importações chinesas de soja, por sua vez, chegaram a 9,5 milhões de toneladas em julho e somaram 44,7 milhões de toneladas nos sete primeiros meses do ano, 7,1% mais que de janeiro a julho de 2014. No caso do trigo os volumes são mais modestos. As importações da China aumentaram para 301,3 mil toneladas no mês passado mas, dados seus estoques já elevados, no acumulado do ano houve queda de 37%, para 1,7 milhão de toneladas. (Valor Econômico 25/08/2015)

 

Embrapa e Basf lançarão amanhã nova soja transgênica

A estatal Embrapa e a multinacional alemã Basf vão lançar amanhã, em Brasília, a soja transgênica Cultivance, totalmente desenvolvida por ambas no Brasil. A nova tecnologia, que confere à planta tolerância a herbicidas, está aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança para cultivo no país desde 2009, mas as parceiras preferiram aguardar o sinal verde dos principais importadores de soja brasileira para seu lançamento oficial. Um dos últimos sinais verdes que faltavam era do da União Europeia, que veio no último mês de abril.

“Teremos quatro variedades Cultivance nesta temporada, mas programamos um ano de estréia comercial mais ampla para 2016/17”, afirmou Francisco Verza, vice-presidente da unidade de proteção de cultivos da Basf no Brasil, em entrevista recente ao Valor. (Valor Econômico 24/08/2015 às 20h: 18m)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Turbulência da China: Os preços do açúcar foram arrastados pelas turbulências nos mercados financeiros globais para mais uma queda ontem na bolsa de Nova York. Os contratos para março de 2016 fecharam com recuo de 9 pontos, a 11,51 centavos de dólar a libra-peso. Para Nick Penney, trader da Sucden Financial, o aumento da moagem de cana e a maior concentração de açúcares na cana na primeira quinzena de agosto elevaram a pressão. O analista Arnaldo Correa, da Archer Consulting, ressalta a influência da alta do dólar em relação ao real. "No fim do ano passado, o real tinha um impacto de 15% na cotação de Nova York. Hoje, grande parte da queda é explicada pelo real", disse. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,15%, para R$ 47,06 a saca de 50 quilos.

Café: Efeito câmbio: As cotações do café seguiram a toada dos mercados globais e apresentaram forte desvalorização ontem na bolsa de Nova York. Os contratos do arábica para dezembro caíram 475 pontos, a US$ 1,217 a libra-peso. Uma das consequências da queda das ações chinesas foi a alta do dólar perante moedas de países emergentes, entre eles de países exportadores de café, o que costuma pressionar as cotações do grão ao estimular a oferta. O real caiu 1,67% frente o dólar, ao menor nível em 12 anos, enquanto o peso colombiano caiu 4,12%, mínima histórica. Colômbia e Brasil são os dois maiores produtores de café arábica do mundo. Também houve perdas no dong, do Vietnã. No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para o café arábica recuou 2,59%, para R$ 437,59 a saca.

Suco de laranja: Peso externo: Os contratos futuros do suco de laranja registraram forte desvalorização ontem na bolsa de Nova York refletindo a onda de aversão ao risco gerada pela queda das ações na China. Os papéis do suco concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para novembro fecharam com recuo de 745 pontos, a US$ 1,2065 a librapeso. Os investidores ignoraram a previsão da consultora Elizabeth Steger divulgada na sexta­feira para a safra de laranja da Flórida. Para a especialista, a safra de 2015/16 será de 93,5 milhões de caixas, uma queda de 3,35% ante a colheita de 2014/15. A primeira estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sairá em 9 de outubro. No mercado interno, o preço médio da caixa de 40,8 quilos de laranja para a indústria ficou estável em R$ 11,63.

Algodão: Incertezas externas: Os receios de uma desaceleração econômica na China, renovados após a forte queda das ações do país, pesaram sobre o algodão ontem na bolsa de Nova York. Os contratos para dezembro recuaram 286 pontos, para 64,05 centavos de dólar a libra-peso. Maior importadora e maior detentora dos estoques globais de algodão, a China está no epicentro dos temores dos traders da pluma, mas o receio de uma contaminação sobre outras economias já aparece no radar. "A incerteza com a demanda futura fora da China e as idéias de mais lentidão nas economias dos mercados emergentes" foram fatores de influência sobre as cotações citados pela Zaner Group. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,31%, para R$ 2,2338 a libra-peso. Valor Econômico 25/08/2015)