Setor sucroenergético

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Governo de SP anuncia R$ 3 milhões para indústria de base da cana

O vice-governador de São Paulo, Márcio França, anunciou hoje em Sertãozinho (SP), na abertura da 23ª Fenasucro & Agrocana, que o governo destinará cerca R$ 3 milhões para a segunda etapa do projeto de suporte tecnológico das empresas do Aglomerado Produtivo de MetalMecânico de Sertãozinho e Região. A região é um importante polo sucroalcooleiro do país e concentra a maior parte das indústrias de base voltadas para esse setor.

A medida, que integra o Programa de Fortalecimento da Competitividade das Empresas localizadas em APLs (Arranjos Produtivos do Estado de São Paulo), possui financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) em conjunto com a SDECTI (Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo), Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado) e Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Por meio do BID e da SDECTI serão investidos R$ 870 mil para a aquisição de máquinas e equipamentos, além de R$ 2,280 milhões, por meio do Centro Paula Souza, para a estruturação do Laboratório de Ensaios de Corrosão na Fatec/Sertãozinho, adequação da infraestrutura, recursos humanos, despesas operacionais e aquisição de aparelhos e equipamentos.

Conforme o vice-governador, o Estado de São Paulo responde por 72% do volume de pesquisas realizadas no Brasil e por 75% de toda produção industrial nacional.

Na visão do secretário de Agricultura de São Paulo, Arnaldo Jardim, também presente na abertura da Fenasucro, a atualização do setor por meio do “retrofit” alavancará a cogeração de energia no país.

Conforme os organizadores, a feira deste ano está reunindo mil marcas e tem expectativa de receber mais de 30 mil pessoas, vindas do Brasil e de outros 30 países como África do Sul, Argentina, Bolívia, Colômbia, Cuba, Honduras, Nicarágua, Paraguai e Peru. (Valor Econômico 25/08/2015 às 18h: 05m)

 

Produtores debatem futuro da cana-de-açúcar

O presidente da Comissão Nacional de Cana-de-açúcar da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ênio Jaime Fernandes Júnior, participa do painel “Sobrevivendo à Crise, Enxergando Além da Cana”, durante o 15º Encontro Anual de Produtores de Cana-de-Açúcar. O evento ocorre nesta sexta-feira (28/08), em Sertãozinho, São Paulo.

O encontro reúne a classe produtora do setor canavieiro, parlamentares e líderes do setor para debater os mecanismos estratégicos para o futuro da cultura e seus subprodutos. Como produtor “modelo” de cana e presidente da Comissão de Cana-de-Açúcar da CNA, Ênio vai tratar de ações estratégicas e alternativas para novos resultados para os produtores.

Durante o encontro, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, vai lançar o Programa de Financiamento para Viveiros de Produção de Mudas MPB, (Mudas Pré-Brotadas), uma linha de financiamento do FEAP (Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista), que visa investir no sistema desse tipo de mudas na busca por maior produtividade. O sistema vem sendo indicado por pesquisadores como um recurso importante para a retomada do crescimento da atividade canavieira.

O encontro é organizado pela Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (ORPLANA) e pela Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (CANAOESTE). As duas entidades organizadoras do evento representam, juntas, cerca de 20 mil fornecedores de cana da região Centro-Sul, sendo a ORPLANA ligada a 34 associações de fornecedores de cana e a CANAOESTE, com 12 escritórios regionais, atuante em 78 municípios, tendo 36 unidades industriais envolvidas. (Brasil Agro 25/08/2015)

 

Açúcar: Recuperação técnica

Em linha com a maior parte dos ativos globais, os preços do açúcar tiveram uma recuperação ontem na bolsa de Nova York após o forte tombo de segunda-feira, puxado pela queda do mercado acionário da China.

Os contratos do açú6car demerara para entrega em março de 2016 subiram 20 pontos, para 11,71 centavos de dólar a libra-peso.

As recompras no mercado da commodity foram favorecidas pela recuperação do petróleo e pela queda do dólar em relação ao real, ao bath tailandês e à rúpia indiana.

Também houve recuperação do açúcar refinado na bolsa de Londres, o que colaborou para impulsionar as compras no mercado futuro do açúcar demerara.

No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,45%, para R$ 46,85 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 26/08/2015)

 

Real fraco impulsionará exportações de etanol, diz Unica

As exportações de etanol do Brasil em 2015/16 devem ultrapassar as projeções iniciais por causa do real fraco, que favorece as vendas externas, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), que representa as usinas do centro-sul do país.

O diretor técnico da Unica, Antônio de Padua Rodrigues, disse à Reuters nesta terça-feira que as exportações de etanol brasileiras provavelmente atingirão 1,3 bilhão a 1,4 bilhão de litros, acima da projeção atual da associação de 1,2 bilhão de litros.

A forte demanda local por etanol, de outro lado, é um fator limitante para as exportações do biocombustível, adicionou Padua, em uma entrevista na Fenasucro, feira de tecnologia do setor, em Sertãozinho, interior de São Paulo.

"As exportações de etanol poderiam ser ainda maiores, mas o consumo local está reduzindo fortemente a viabilidade", disse Rodrigues.

Na temporada passada, o Brasil exportou 1,5 bilhão de litros de etanol.

As vendas brasileiras do biocombustível saltaram em julho para 213 milhões de litros versus 91 milhões de litros em junho, de acordo com dados oficiais. (Reuters 26/08/2015)

 

Dilma diz que governo vai continuar incentivando setor sucroalcooleiro

Apesar das críticas com relação à política do governo federal para o etanol, a presidente Dilma Rousseff garantiu, há pouco, que apoia o setor sucroalcooleiro e elencou uma série de medidas de suporte já tomadas.

"O governo tem incentivado e vai seguir incentivando o setor para o sucesso do etanol ", disse a presidente, em entrevista a rádios de Catanduva e Araraquara.

Entre as medidas citadas, Dilma lembrou do aumento, no começo deste ano, da mistura do etanol anidro à gasolina, de 25% para até 27,5%.

A presidente citou ainda medidas de fomento ao crédito para o setor produtivo de cana e de açúcar, chamado Prorenova, para renovação de canaviais e a liberação de R$ 3 bilhões nos últimos anos para estocagem do etanol.

Além disso, Dilma citou que o governo concedeu créditos tributários do PIS/Cofins para os usineiros, apesar de o setor reclamar que não consegue reembolsar os créditos.

A presidente participa hoje de entrega de casas do Programa Minha Casa, Minha Vida, nas cidades de Catanduva, Araraquara, Araras e Mauá, em São Paulo. (Agência Estado 25/08/2015)

 

Cana-energia já é realidade

Forrageira adaptada colhe cana-energia em área da Cararamuru Alimentos.

Não é mais teste, acontece em Goiás a primeira colheita comercial de cana-energia da Vignis, que promete revolucionar o setor.

A Caramuru Alimentos é o principal grupo brasileiro no processamento de soja, milho, girassol e canola. Entre seus produtos estão óleos comestíveis, pipoca, farofa, amido de milho e até biodiesel. Açúcar e etanol não fazem parte de seu portfólio, mas duas de suas unidades, uma em São Simão e a outra em Itumbiara, ambas em Goiás, estão processando cana.

Na verdade, trata-se da cana-energia desenvolvida pela Vignis, empresa que nasceu em 2009, especialmente para realizar melhoramento genético de variedades focadas para a produção de energia, etanol e energia elétrica. “Nosso negócio não é cana-de-açúcar”, ressalta, o administrador de empresas, Luís Cláudio Rúbio, um dos sócios da Vignis, ao lado do pesquisador Sizuo Matsuoka.

Rúbio conta que a cana-energia começa aqui no Brasil entre 2005/6, quando ele eSizuo integravam a Canavialis, empresa que fundaram em parceria com o Grupo Votorantim, para o melhoramento genético de cana. “Naquela época observando o Protocolo de Kyoto, acreditamos que em algum momento o etanol de segunda geração iria se tornar realidade. Pensamos em desenvolver variedades com mais fibra, mesmo em detrimento da quantidade de açúcar. Em 2008, a Canavialis foi vendida para a Monsanto e o projeto foi descontinuado. Saímos da empresa e um ano depois criamos a Vignis(do latim Vi, quesignifica energia e Ignis, combustível) já com o objetivo de só realizar melhoramento genético e cana-energia e não de cana-de-açúcar”. (Cana Online 25/05/2018)

 

O canavial registrado por cima

Mapeamento das linhas de plantio e levantamento de falhas estão entre os benefícios da utilização do VANT (veículo aéreo não tripulado)

O dia 12 de novembro de 1906 ficou marcado na história da aviação mundial. Naquela tarde, Alberto Santos Dumont pousava, ileso, no chão do Campo de Bagatelle, em Paris, após voar uma distância de 220 metros, a seis metros de altura com seu 14 Bis, que viria a se tornar o primeiro aeroplano a levantar voo por meios próprios, sem a impulsão de catapultas ou a ajuda do vento.

Enquanto a multidão aplaudia e gritava o nome do brasileiro, Dumont ficava mais e mais otimista em relação ao futuro dos aeroplanos. Porém, nem mesmo ele poderia imaginar que, mais de um século depois, os aviões estariam tão presentes na vida da população mundial, não somente para viagens, mas também para a realização de outras dezenas de atividades.

Na agricultura, por exemplo, a aviação possui diversas funcionalidades, como aplicação de defensivos agrícolas sólidos ou líquidos, semeadura, inspeções, realização de previsões de safra, aplicação de maturadores e para controle de vetores (como malária e dengue) e de incêndios florestais. Dados da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) mostram como a tecnologia tem crescido no Brasil ao longo dos últimos anos. Segundo a Agência, o País é dono da segunda maior frota de aeronaves agrícolas do mundo, número que supera as duas mil unidades. (Cana Online 25/08/2015)

 

Datagro eleva previsão de moagem de cana do CS e estimativas para açúcar e etanol

As usinas do centro-sul do Brasil deverão moer mais cana e produzir mais açúcar e etanol do que o previsto anteriormente, estimou nesta terça-feira a consultoria Datagro, apontando uma melhora climática para a safra da principal região produtora do Brasil.

A Datatro estimou a moagem de cana do centro-sul do Brasil em 2015/16 em 604,6 milhões de toneladas, ante 591 milhões de toneladas na previsão de julho. Já a produção de açúcar do centro-sul foi prevista pela consultoria em 31,4 milhões de toneladas, ante 30,7 milhões, e a produção de etanol em 28,2 bilhões de litros, ante 27,8 bilhões. (Reuters 25/08/2015)

 

Para sair da crise usina de Mato Grosso investe na produção de etanol com milho

Usina conseguiu utilizar o bagaço que sobra da cana-de-açúcar como fonte de energia.

A produção do etanol a partir da cana-de-açúcar dura apenas seis meses, que é o tempo da colheita. Por isso, uma usina na cidade de Campos de Júlio, em Mato Grosso, apostou no etanol através do milho, ganhando a possibilidade de produzir durante o ano inteiro. Enquanto uma tonelada de milho rende 400 litros do combustível, para uma tonelada de cana o rendimento é de apenas 85 litros. Até outubro, se produz com a cana e depois a produção passa a ser feita em uma instalação menor, com o milho.

De acordo com Vital Nogueira, gerente industrial da usina, o processo de produção de etanol com cana e com milho difere um pouco.

Recebemos o milho nessas moegas, vai pros silos, depois vai pra moagem, dando início ao processo de transformar o milho, ou amido, o açúcar em fermentação. É mais rápido que a cana, afirma Vital.

A usina usa 20% de todo o milho produzido na cidade. O secretário de Agricultura de Campos de Júlio, Adenir Rostirolla, está buscando outros interessados em construir usinas no município, já que ainda há espaço para pelo menos três.

Usina Flex

Além de produzir etanol a partir do milho, a usina também inova na sustentabilidade. O bagaço de cana, que sobra da produção do etanol, é utilizado para aquecer caldeiras e gerar energia para as máquinas. A empresa investiu R$ 26 milhões em equipamentos para ser sustentável, e possui o título de primeira usina flex do Brasil.

É um investimento de quatro, cinco anos, que já se pagou, disse o empresário Sérgio Barbieri, completando que pretende investir mais, principalmente em tecnologia. (Canal Rural 25/08/2015)

 

Crédito agrícola: “Nada mais justo do que ouvir o choro. Ninguém chora sem motivo”, diz Kátia Abreu

“Os bancos precisam ficar no fio da navalha entre o cumprimento do Plano Safra e as determinações de Basileia", disse a ministra.

Após entidades agrícolas alegarem dificuldade na hora de tomar o empréstimo nas agências bancárias, o Ministério da Agricultura promoveu reunião com entidades do agronegócio e representantes de bancos públicos e privados, nesta terça-feira, em Brasília, visando dar mais agilidade nos contratos de crédito.

“Quando uma luz amarela acende, temos obrigação de chamar os atores e ouvir todos os envolvidos, porque o mais difícil nós temos, que é o dinheiro e encontrar quem quer correr risco, que são os produtores. Então, este meio de campo tem que ser desembolado”, disse ministra Kátia Abreu.

Entre as reclamações apresentadas pelos produtores, está o aumento das exigências dos bancos na hora de contratar financiamento, inclusive com garantia real. Além disso, há queixas sobre venda casada e sobre “mix” de taxas, quando há mistura entre recursos controlados e crédito livre.

“Nada mais justo do que ouvir o choro. Ninguém chora sem motivo”, afirmou a ministra ao fim da reunião. “Mas estamos passando por uma crise na China e por ajustes sérios na nossa economia. Todo o mercado, obviamente, se sensibiliza. Então é normal que os bancos, temorosos com os riscos, fiquem mais exigentes e preocupados. Mas não é nenhuma dificuldade incontornável”, completou

A ministra marcou para daqui um mês nova reunião a fim de avaliar a evolução das contratações. “Tenho certeza que a realidade em agosto estará melhor”, disse. “Apesar do preço das commodities terem caído, estamos vendendo nossos produtos, abrindo nossos mercados”.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Tarcísio Godoy, afirmou que a agropecuária “só tem trazido alegrias” para a economia brasileira e que o governo federal tem considerado o bom desempenho do setor na hora de dotar recursos. O volume destinado para a safra 2015/2016 foi de R$ 187,7 bilhões, valor 20% superior à safra anterior.

Banco do Brasil

O vice-presidente do Banco do Brasil, Osmar Dias, participou da reunião e informou aos agricultores que a diminuição do pré-custeio em 2015 se deveu à queda do deposito à vista e da poupança. “Não foi porque o banco não queria dar pré-custeio. Mas há necessidade de se ampliar o lastro para não faltarem recursos”, explicou Dias.

Somente o Banco do Brasil, que opera 65% do crédito agrícola a juros controlados no país, aumentou em 28% o número de contratos firmados em julho de 2015 em relação ao mesmo mês do ano passado, passando de 47.317 para 60.625 contratos. Em volume de recursos, o acréscimo foi de 93%, salto de R$ 3,311 milhões em 2014 para R$ 6,396 milhões em 2015.

Para Osmar Dias, o crescimento do número de contratos mostra que não há concentração dos financiamentos apenas nos clientes considerados “classe a”, que apresentam menor risco ao banco. A instituição se comprometeu a levantar as contratações por produto, a fim de analisar concentração de problemas em determinadas cadeias.

A ministra ainda ponderou que os bancos devem respeito ao acordo de Basileia, por isso têm a obrigação e a responsabilidade de analisarem o nível de risco das contratações.

“Os bancos precisam ficar no fio da navalha entre o cumprimento do Plano Safra e as determinações de Basileia. Agora, como a ministra da Agricultura vai interferir em um banco privado? Eu não posso fazer isso. Já em relação aos bancos públicos, eu não tenho visto diminuição dos financiamentos”, afirmou.

Na reuters: Ministra vê tendência de melhora na liberação de crédito rural daqui para frente

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, reconheceu nesta terça-feira que houve diminuição de crédito rural a produtores no primeiro semestre, mas afirmou que isso foi parcialmente revertido em julho, quando bancos públicos, privados e cooperativas emprestaram mais.

Após reunião com instituições financeiras e entidades representativas dos produtores, Kátia pontuou que, de janeiro a junho, o volume conjuntamente disponibilizado caiu 9 por cento ante o mesmo período do ano passado, ou cerca de 5 bilhões de reais.

Produtores relataram anteriormente dificuldade na análise de crédito para financiamento da próxima safra de grãos, num contexto de juros mais altos, inclusive do Plano Safra, que foi apresentado neste ano pelo governo federal com uma parcela maior de empréstimos com taxas livres de mercado.

Em julho, entretanto, houve aumento de 32 por cento na liberação do crédito, disse a ministra, reforçando que o mês é o primeiro da nova safra 2015/2016.

"Isso traz certa tranquilidade porque estamos em ascendência: se houve redução de 5 bilhões de reais nos seis meses, já houve acréscimo de 3 bilhões de reais apenas neste mês (de julho)", afirmou ela a jornalistas.

A ministra ressaltou ainda que os negócios de insumos, como fertilizantes, não estão mais fracos este ano devido a fatores relacionados ao crédito. Disse nesta terça que a diminuição da compra por agricultores se dá antes pelo encarecimento do produto, majoritariamente importado, numa situação de dólar em alta.

"Não está diminuindo a compra de fertilizantes por causa da falta de crédito, e sim pelo preço", avaliou.

Ela admitiu ainda que incertezas econômicas globais também deixam alguns agentes do mercado mais cautelosos na liberação do crédito.

"Em nível internacional nós temos uma crise na China, estamos passando por ajustes sérios na nossa economia, então todo o mercado se sensibiliza. Então é normal que os bancos privados principalmente, temerosos dos riscos, fiquem mais exigentes, fiquem mais preocupados", completou, acrescentando que não vai ser isso que vai causar um "desfalque".

Segundo a ministra, uma nova reunião com os mesmos participantes será realizada no fim de setembro, quando serão apresentados dados mais detalhados sobre a liberação de recursos por cultura e por região.

BB REPORTA AUMENTO

O Banco do Brasil, principal financiador do agronegócio brasileiro, informou nesta terça-feira que o volume de financiamentos contratatos para custeio agropecuário em julho aumentou 93 por cento na comparação como mesmo período do ano passado, para 6,4 bilhões de reais, em linha com a avaliação da ministra.

Questionado por jornalistas sobre o aperto nas garantias, o vice-presidente de Agronegócio do Banco do Brasil, Osmar Dias, defendeu a prática.

"Neste momento que o país atravessa, é um gesto de responsabilidade de quem dirige um banco público. Nós não podemos evidentemente abrir mão de garantias porque os recursos que estamos emprestando são recursos boa parte deles públicos". (Mapa 25/08/2015)

 

Aperto de crédito afeta setor de fertilizantes às vésperas do plantio da safra de grãos

A poucas semanas do início do plantio de uma safra de grãos que pode ser recorde no Brasil, empresas do setor de fertilizantes ainda sentem restrição nas vendas devido ao cenário de crédito mais apertado para os produtores rurais, em meio a preços mais baixos das commodities agrícolas nos mercados globais.

Executivos reunidos em um congresso realizado pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) destacaram nesta terça-feira que as liberações de crédito, fundamentais para o fechamento de encomendas de fertilizantes, ainda não ocorrem em níveis satisfatórios.

"O que está preocupando um pouco é o ritmo de liberação do custeio agrícola. Está um pouco atrasado, mas temos uma expectativa de avançar mais rápido nos próximos dias", disse à Reuters o diretor-presidente da Fertilizantes Heringer, Dalton Carlos Heringer.

As entregas de fertilizantes nos primeiros sete meses do ano ficaram quase 8 por cento abaixo do volume de 2014, segundo os dados mais recentes divulgados pela Anda, com uma menor antecipação nas compras em 2015 ante o mesmo período do ano passado.

Com essa menor antecipação e o cenário econômico mais complicado, o executivo da Fertilizantes Heringer projeta uma redução de 3 a 4 por cento no volume de vendas do setor em 2015 no país.

Segundo ele, os atrasos iniciais dos negócios não serão recuperados.

O plantio de soja (principal produto agrícola do Brasil) em Estados líderes de produção, como Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul, começa oficialmente em 15 de setembro, com o fim do período oficial de restrições conhecido como vazio sanitário.

MOVIMENTO ATÍPICO

Agosto e setembro, que tradicionalmente são meses calmos para as vendas, com praticamente todas as encomendas finalizadas, ainda deverão ser de atividade intensa dos departamentos comerciais das companhias.

"Comparado a anos anteriores, proporcionalmente, talvez tenha mais negócios por fazer que nos anos anteriores, num cenário mais complicado", disse o presidente da divisão brasileira da gigante Yara, Lair Hanzen.

"O agricultor precisa muito mais reais que precisava ano passado (para financiar seus insumos) em um momento em que o Brasil tem menos dinheiro disponível e com juros mais caros", disse o executivo.

A cadeia distribuição de fertilizantes é uma das mais longas do agronegócio, já que cerca de 75 por cento das matérias-primas são importadas, trazidas de navio para os portos brasileiros, misturadas nas indústrias e depois levadas de caminhão em longas viagens até o interior do país.

"As empresas que importaram fertilizantes trouxeram esse produto para o Brasil com expectativa que tivesse fluidez semelhante aos anos passados. Não saiu no mesmo ritmo. Congestionou porto, mas foi algo que já foi equacionado", disse o presidente do conselho da Anda, George Wagner.

"Existem atrasos nas decisões e na liberação de financiamento. Os grandes grupos agrícolas... têm avançado. Mas os agricultores menos estruturados têm postergado suas aquisições devido ao crédito. Podemos ter problemas na concentração e dificuldade na entrega", afirmou Wagner, que preferiu não fazer projeções para o volume final de vendas de fertilizantes este ano.

Hanzen, da Yara, lembrou que a situação logística só não será caótica para as entregas de última hora em 2015 porque a oferta de caminhões é alta no país atualmente, devido à desaceleração da atividade de outros setores da economia.

O aperto de crédito, decorrente do enxugamento realizado dentro do ajuste fiscal do governo federal e de uma aversão ao risco pelas instituições que emprestam dinheiro, também tem afetado diretamente as indústrias de adubos, que precisam de grandes volumes de recursos para operacionalizar seus negócios.

"As linhas de crédito para fazer as importações também sofreram suas restrições. É um quadro delicado", disse Wagner. (Reuters 25/08/2015)

 

Brasileiro trocou a gasolina pelo etanol

A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgados nesta segunda-feira (24/8) apontam que o consumo de etanol hidratado, aquele que abastece diretamente os tanques dos veículos, teve o maior consumo já registrado nos últimos 15 anos somente no mês de julho. De acordo com o órgão, os brasileiros utilizaram 1,55 bilhão de litros, o maior volume já registrado desde o ano 2000, quando a ANP e as distribuidoras começaram a divulgar estes dados.

Segundo nota divulgada pela União das Indústrias da Cana-de-Açúcar (Unica), um volume próximo a esse só foi registrado em dezembro de 2009, quando foram consumidos 1,51 bilhão de litros do biocombustível.

Os números da ANP também indicam que a participação do etanol no consumo do ciclo Otto (gasolina comum e etanol hidratado) também foi a maior do ano, chegando a 24,1%. A demanda nacional de combustíveis leves (aqueles que poluem menos que os combustíveis fósseis) cresceu 3,4% no comparativo com julho de 2014 e 2,75% quando comparado ao mês anterior (junho de 2015).

O consumo de gasolina comum aumentou apenas 2,3% entre os meses de junho e julho de 2015.

A tendência de crescimento nas vendas de etanol hidratado aconteceu em todas as regiões do Brasil, mas ao comparar o consumo dos meses de junho e julho, a ANP apontou que Minas Gerais teve um aumento expressivo no consumo de etanol hidratadonos veículos flex, quase 20%;

Para o diretor Técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, esta expansão contínua do consumo do etanol reflete o preço competitivo do produto frente ao seu concorrente fóssil, a gasolina. "Em diversos Estados, a paridade de preços entre o etanol hidratado e a gasolina segue em patamares inferiores à relação técnica de 70% do rendimento dos veículos. Chamo a atenção para São Paulo, onde a paridade ficou na casa dos 62% e Mato Grosso com 60%," observou Rodrigues.

Nos outros estados, a paridade de preços ficou assim: Goiás com 64%, Minas Gerais com 65%, Paraná com 66% e Mato Grosso do Sul com 69%, inferiores aos 70% neste mês de julho. (Globo Rural 24/08/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Recuperação técnica: Em linha com a maior parte dos ativos globais, os preços do açúcar tiveram uma recuperação ontem na bolsa de Nova York após o forte tombo de segunda-feira, puxado pela queda do mercado acionário da China. Os contratos do açúcar demerara para entrega em março de 2016 subiram 20 pontos, para 11,71 centavos de dólar a libra-peso. As recompras no mercado da commodity foram favorecidas pela recuperação do petróleo e pela queda do dólar em relação ao real, ao bath tailandês e à rúpia indiana. Também houve recuperação do açúcar refinado na bolsa de Londres, o que colaborou para impulsionar as compras no mercado futuro do açúcar demerara. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,45%, para R$ 46,85 a saca de 50 quilos.

Algodão: China ainda pesa: Os preços do algodão voltaram a cair ontem na bolsa de Nova York, apesar da tendência mundial de recuperação dos mercados financeiros. Os lotes para dezembro cederam 89 pontos, a 63,16 centavos de dólar a libra-peso. Os investidores seguem cautelosos, uma vez que a China é o maior importador da pluma e já vinha reduzindo os volumes adquiridos diante dos elevados estoques internos. Os tombos do mercado acionário chinês levantaram a questão sobre o futuro da demanda chinesa, que já não tem sido grande, uma vez que o país asiático detém grandes ofertas em suas mãos, na visão de Jack Scoville, da Price Futures Group. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,26%, para R$ 2,2396 a libra-peso.

Soja: Alívio em Chicago: As cotações da soja reagiram ontem à forte queda de segunda-feira e fecharam no azul na bolsa de Chicago, em linha com os ajustes em outros mercados. Os papéis para novembro subiram 3,75 centavos, a US$ 8,7775 o bushel. A decisão do Banco Central da China de cortar os juros e reduzir os depósitos compulsórios para injetar liquidez na economia foi fonte de otimismo para os investidores de soja, já que a China é o maior importador mundial do grão. Além disso, os baixos preços da soja atraíram a demanda e os EUA venderam 210 mil toneladas do grão apenas ontem para "destinos desconhecidos", segundo o Departamento de Agricultura do país. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para a oleaginosa em Paranaguá subiu 0,56%, para R$ 76,68 a saca.

Trigo: Efeito cambial: O mercado do trigo também reverteu o movimento de segunda-feira, mas apresentou perdas, já que as cotações do cereal haviam registrado valorização no dia anterior. Na bolsa de Chicago, os papéis da commodity para dezembro fecharam a US$ 4,995 o bushel, queda de 8,5 centavos. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os lotes para dezembro fecharam cotados a US$ 4,89 o bushel, um recuo de 8,5 centavos. O dólar registrou valorização perante moedas como o iene e o euro, o que encarece o cereal americano, já pouco competitivo. Dessa forma, os traders ajustam as cotações do trigo para baixo. Os preços já vêm sendo pressionados pelas exportações de países como a Rússia. No Paraná, os preços da saca subiram 0,09%, para R$ 33,94, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 26/08/2015)