Setor sucroenergético

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Para Bioagência, dólar em alta pressiona endividamento de usinas

A disparada do dólar ante o real, para um patamar superior a R$ 3,60 nesta quarta-feira, coloca ainda mais pressão sobre as usinas de cana-de-açúcar do Brasil que têm endividamento na moeda norte-americana. "Do dia para a noite, a dívida pode aumentar até 30% sem nenhum novo ativo", explicou ao Broadcast o diretor da comercializadora Bioagência, Tarcilo Rodrigues.

Empresas como a Biosev, braço sucroenergético da Louis Dreyfus Commodities, e a Tereos Internacional, controladora da Guarani, por exemplo, reportaram que seus endividamentos em dólar no primeiro trimestre do ano-safra 2015/16 (abril, maio e junho) atingiam, respectivamente, 78% e 55% das dívidas totais.

Para Rodrigues, o ponto positivo da valorização da divisa dos Estados Unidos é a remuneração maior que as companhias podem ter com a venda de açúcar e etanol. "Se os preços do açúcar não entrarem em 'colapso', acompanhando o câmbio, é uma boa notícia, porque as empresas receberão mais em reais", comentou o diretor da Bioagência.

"DO DIA PARA A NOITE, A DÍVIDA PODE AUMENTAR ATÉ 30% SEM NENHUM NOVO ATIVO"

Com relação ao etanol, Rodrigues afirmou que, mesmo a R$ 3,60, o dólar ainda não oferece janela competitiva para exportação. "Estamos no 'zero a zero', mas (a janela) ainda está fechada. Dependendo do transcorrer do câmbio, pode se tornar competitivo." Conforme o executivo, o Brasil deve exportar em torno de 1,5 bilhão de litros de etanol neste ano e 22 milhões de toneladas de açúcar. (Agência Estado 26/08/2015)

 

Ratings de crédito de usinas sob pressão

Poucas usinas sucroalcooleiras conseguiram neste ano manter intactos seus ratings. Das cinco principais empresas do segmento avaliadas por agências de classificação de risco, somente duas, Raízen e Biosev, escaparam de rebaixamentos. As outras três. Tonon Bioenergia, Jalles Machado e USJ ­ tiveram suas notas de crédito rebaixadas ao menos por uma agência, por ainda apresentarem "apertos" financeiros de curto prazo.

Os próximos meses ainda serão delicados para o segmento: o crédito continua escasso e os preços do açúcar, baixos. "O risco sistêmico está tão alto quanto em outubro do ano passado, quando a Fitch colocou as sucroalcooleiras em observação negativa", disse o analista sênior da Fitch Ratings, Cláudio Miori. Segundo ele, ainda é de se esperar defaults de empresas da área. "A inflação está maior e o dólar valorizado aumentou a exposição cambial das que têm dívidas na moeda estrangeira".

Entre as três que tiveram sobressaltos neste ano, a goiana Jalles Machado foi a que conseguiu manter o melhor rating de crédito. A empresa sentiu um aperto de curto prazo e chegou a ser rebaixada pela Fitch neste ano. Mas a capitalização advinda da venda de 65% de uma de suas duas unidades de cogeração para a francesa Albioma e um bom desempenho operacional ampliaram a geração de caixa e proporcionaram algum alívio.

A Fitch rebaixou em abril o rating nacional de longo prazo da Jalles de A+(bra) para A-(bra). O rebaixamento, de dois degraus, levou em conta, conforme relatório da agência, que houve enfraquecimento do perfil financeiro e que a venda de 65% da cogeração reduziu o diferencial de negócios da empresa.

Mas no entendimento da agência Standard & Poor's (S&P), a Jalles vai continuar operando com elevado uso da capacidade instalada nas próximas safras, em função de seus adequados níveis de investimentos em canaviais e da sua "sólida eficiência operacional". Essa condição, afirmou a S&P, vai sustentar uma geração de fluxo de caixa livre positiva, com a qual a empresa tende a amortizar dívidas e reduzir sua concentração de débito no curto prazo. Dessa forma, em 18 de agosto a S&P reafirmou as notas de crédito atribuídas à Jalles Machado, de "BB-" na escala global e de "brA" na nacional.

Nos relatórios publicados pelas agências, ainda há uma visão de que persiste a alta seletividade de acesso ao crédito ao segmento e que empresas com maior risco de calote terão que vender ativos e registrar um desempenho operacional satisfatório para gerar caixa e reduzir dificuldades financeiras de curto prazo.

É o caso do tradicional grupo USJ, com sede em Araras (SP). No relatório que rebaixa os ratings do grupo de "B+" para "B" na escala global, a S&P observa que novos rebaixamentos poderão ser feitos em 90 dias (contados a partir de 6 de julho) caso a companhia não consiga vender terras para refinanciar sua dívida de curto prazo. Na avaliação da S&P, a USJ precisa levantar com a venda de fazendas ao menos R$ 50 milhões para equacionar o aperto financeiro. Procurado, o grupo não comentou.

Em 26 de maio, a Fitch rebaixou em um degrau o IDR (Probabilidade de Inadimplência do Emissor) em moeda estrangeira e local da USJ para "CCC" de "B", o que significa que a empresa saiu de um risco de crédito "significativo" para uma possibilidade real de inadimplência. No relatório, a Fitch explicou que a decisão não se baseou numa mudança em relação aos já existentes problemas de liquidez do grupo. Mas ponderou que houve uma piora das condições macroeconômicas do país e também um aumento da inadimplência de outras companhias sucroalcooleiras.

Pesam ainda sobre a companhia as chamadas de capital para fazer frente aos investimentos na SJC Bioenergia, joint venture com a americana Cargill que está em fase de expansão em Goiás. Apenas neste ano, a empresa teve que colocar R$ 24 milhões na SJC Bioenergia.

Foi num ambiente altamente contaminado pela entrada em recuperação judicial da Aralco e da recuperação extra-judicial dos grupos Virgolino de Oliveira e Ruette que a Tonon Bioenergia anunciou uma renegociação com seus bondholders no primeiro semestre deste ano. Com isso, a empresa, com três usinas de cana-de-açúcar no Centro-Sul, perdeu dois graus na classificação da S&P e "entrou" em risco de calote (Default Seletivo "SD"). Após o fim das negociações, que culminaram em condições de pagamento vantajosas e injeção de dinheiro novo na companhia, é que a S&P elevou o rating da companhia para "CCC­", um degrau acima do "risco de default".

Em 19 de agosto, a Fitch elevou IDR da Tonon para "CC". Antes, a agência havia rebaixado a nota da empresa para "RD", que indica que o grupo deixou de efetuar alguns pagamentos dentro da carência, mas não de cumprir todas as obrigações. Apesar do "upgrade" pela Fitch a nota "CC" ainda ficou três degraus abaixo da nota "B" atribuída antes de 7 de abril deste ano. "A empresa ainda depende de rolagem de débitos e ainda enfrenta um ambiente operacional fraco, com preços retraídos de açúcar e etanol", alertou a Fitch em seu último relatório. (Valor Econômico 27/08/2015)

 

Acesso a recursos é diferencial da Biosev

Ainda com endividamento elevado e desempenho operacional em processo de evolução, a Biosev, segunda maior companhia sucroalcooleira do país, conseguiu manter seus ratings de crédito em "BB-". Na visão da agência Fitch, que faz a avaliação de rating dessa companhia, a Biosev, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, continua com acesso a financiamentos de médio e longo prazos.

Ao manter esse nível de rating, que indica que há possibilidade de o risco de crédito aumentar, devido a mudanças adversas na economia, a Fitch, no entanto, atribuiu uma perspectiva negativa à classificação da companhia, dado o desafio da empresa de gerar fluxo de caixa livre positivo suficiente para melhorar seu perfil de crédito.

Em 30 de junho, primeiro trimestre do novo ciclo (2015/16), a empresa tinha disponível em caixa R$ 1,51 bilhão ­ somando-se o caixa e as aplicações financeiras. De dívidas bancárias a vencer no curto prazo, eram R$ 1,8 bilhão, mas a companhia ainda contava na mesma data com estoques de R$ 977 milhões para serem vendidos, o que mantinha uma condição de curto prazo menos apertada.

Em nota, a Biosev afirmou que "permanece firme na estratégia de maximização da utilização de seus ativos, visando ao aumento de eficiência e produtividade operacional e apoiada em sua disciplina financeira". A empresa destacou que na safra 14/15 apresentou um fluxo de caixa livre de R$ 16 milhões.

No fim do ano passado, quando a percepção de risco no segmento estava desfavorável e havia grande risco de rebaixamento das notas de crédito, a Biosev tinha R$ 190 milhões, entre caixa e aplicações financeiras, e R$ 1,75 bilhão a vencer no curto prazo, uma condição muito mais complexa, apesar do estoque de R$ 1,029 bilhão na mesma data.

No entanto, desde o fim do ano passado as condições de caixa da companhia e de alongamento de débito avançaram. Em janeiro, a Biosev fechou uma captação com oito bancos de US$ 318 milhões (cerca de R$ 860 milhões ao câmbio da época) e rolou débitos aliviar a pressão de curto prazo sobre o caixa.

Maior rating do segmento e com nota de crédito até acima do rating soberano do Brasil, a Raízen Energia, maior empresa sucroalcooleira do mundo, teve neste ano seus ratings de crédito reafirmados pela Standard & Poor's (S&P) em "BBB" na escala global e "BrAAA" na escala nacional. Seus resultados estáveis, a despeito do encolhimento da economia, pesaram positivamente. (Valor Econômico 27/08/2015)

 

Biosev segue investindo e aposta em virada do mercado

"Eu não posso falar pelos outros (grupos), mas nós temos uma estratégia de longo prazo e acreditamos que, para que funcione, é fundamental manter os investimentos".

A Biosev, segunda maior processadora mundial de cana, tem resistido a adotar cortes em investimentos, diferentemente de outras companhias do setor no país, apostando que poderá lucrar quando o mercado de açúcar e etanol se recuperar após anos de preços baixos e excesso de oferta.

A Biosev, que é controlada pela trading e processadora de alimentos francesa Louis Dreyfus, não obtém um lucro operacional desde 2011 e reportou novo prejuízo de 265 milhões de reais no primeiro trimestre da safra 2015/16, perda 79 por cento maior que no ano anterior.

Mas a empresa ainda assim investiu 226 milhões de reais no período, mantendo programas de renovação de canaviais, inserindo novas e mais produtivas variedades de cana e ampliando a mecanização da operação agrícola, visando ter uma estrutura modelo para ganhar quando os mercados virarem, disse à Reuters o presidente-executivo Rui Chammas, durante um dos eventos da feira Fenasucro.

"Eu não posso falar pelos outros (grupos), mas nós temos uma estratégia de longo prazo e acreditamos que, para que funcione, é fundamental manter os investimentos", afirmou.

"Isso para mim é o básico. Quando não começa a fazer isso bem, você vai ter uma conta pra pagar lá na frente. Então, estamos trabalhando, buscando produtividade no campo, na otimização dos custos, buscando vender sempre bem, mas o básico eu não posso deixar de fazer", afirmou.

Formado em engenharia de infraestrutura aeronáutica pelo ITA (Instituto de Tecnologia da Aeronáutica), Chammas, que assumiu a Biosev em 2013, vê que o setor está prestes a sair de um longo período de transição.

"O setor hoje vive ressaca do sobreinvestimento que aconteceu entre 2002 e 2010. A gente investiu mais do que a demanda suportava", afirmou, acrescentando ver sinais positivos como o primeiro déficit global de açúcar desde 2010, esperado para 2015/16.

O prejuízo de 1,3 bilhão de reais reportado pela Biosev em 2014 colocou a empresa com as maiores perdas anuais entre as dez maiores companhias listadas do Brasil.

Mas Chammas diz ter o apoio integral dos controladores para manter a estratégia traçada.

A empresa possui quase 100 por cento de mecanização de seus canaviais e iniciou recentemente o uso de drones para verificar falhas no plantio de cana, buscando obter cada vez maiores rendimentos agrícolas.

A Biosev registrou um aumento de 13 por cento no peso de cana por hectare no primeiro trimestre, na comparação com igual período anterior, como resultado de melhorias nos canaviais e também de um clima mais favorável.

Guidance confirmado

Chammas confirmou guidance de buscar moagem de até 32 milhões de toneladas na safra 2015/16, dizendo que o processamento da safra está sendo realizado de forma bastante satisfatória até o momento.

A empresa elevou o volume de cana destinado para a produção de etanol de 48,7 para 50,6 por cento neste ano, consequentemente reduzindo a destinação para produção de açúcar de 51,3 para 49,4 por cento.

O presidente-executivo disse que o momento para o etanol segue bastante positivo no mercado local, que registra forte demanda, e afirmou também ter fechado negócios de exportação, tanto para os Estados Unidos como para a Ásia. Mas não quis revelar volumes.

O real mais fraco tem possibilitado mais operações de exportação de etanol por parte de companhias brasileiras. (Reuters 26/08/2015)

 

Falta estímulo à geração de energia a partir da biomassa, diz Unica

Preços baixos nos leilões de compra de energia desestimularam investimentos para a produção de energia elétrica a partir da biomassa.

O setor sucroenergético ampliará sua capacidade de geração de energia elétrica a partir da biomassa (bagaço e palha) em 1.192 megawatts (MW) médios até 2018, ou apenas 24% da demanda esperada pelo governo federal para o período para fonte de geração, de 5 mil MW médios. Segundo avaliação de Zilmar José de Souza, assessor da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) para a bioeletricidade, apesar de o setor já ter instalado 1.750 MW médios em um só ano (2010), a política do governo considerada equivocada à época e os preços baixos nos leilões de compra de energia desestimularam investimentos para a produção de energia elétrica a partir da biomassa.

De acordo com o executivo, o "fundo do poço" do setor foi em 2012, ano em que não houve venda de energia cogerada nas usinas de açúcar e etanol nos leilões do governo por conta dos preços baixos, de R$ 112 o megawatt-hora (MW/h) à época, o que gerou a queda nos investimentos em novos projetos desde então. "Entre o gráfico apresentado (pelo governo de demanda esperada) e a realidade, falta ousar muito mais. Faltam políticas públicas que valorizem as externalidades da biomassa da cana", disse o assessor da Unica.

Souza considerou, por exemplo, um retrocesso o teto de preços praticado no último leilão de compra de energia para 2018, realizado na última sexta-feira, de R$ 218 o MW/h. Além disso, o pregão contou com projetos de energia eólica, cujo preço de geração é menor que o da biomassa, mas cuja transmissão é mais cara por conta da distância aos centros de consumo.

Apenas um projeto de biomassa foi negociado no último leilão, disse. Para Souza, "um avanço" do governo para o próximo leilão, em janeiro de 2016, seriam preços de R$ 281 o MW/h, valor teto do penúltimo leilão.

O governo tem de sinalizar com clareza que o preço será melhor e não uma regressão como ocorreu agora, afirmou.

O assessor da Unica lembra que o setor sucroenergético mostrou, em agosto do ano passado, ter capacidade de atender à demanda de energia quando, no ápice da crise de energia, conseguiu ampliar de 4% para 7% a participação na demanda da matriz elétrica.

Naquela época foi a primeira vez que a geração para a rede por parte das usinas superou a fatia de consumo próprio, chegando a 60%, concluiu Souza. (Unica 27/08/2015)

 

São Paulo fecha acordo com usinas para aumentar uso de cana na matriz energética

Ação lançada nesta quarta, dia 26, vai estimular produção de bioeletricidade nas usinas do interior paulista.

O governo de São Paulo apresentou nesta quarta, dia 26, um novo projeto para aumentar o uso de cana-de-açúcar na matriz energética. O programa vai estimular a produção de bioeletricidade nas usinas no interior paulista. O anúncio foi feito durante a 23ª edição da Fenasucro, que ocorre nesta semana, no interior paulista.

No projeto piloto foram selecionadas dez usinas, com capacidade para exportar energia para o sistema interligado estadual. Juntas, elas têm quase três milhões de hectares cultivados com cana.

-Elegemos uma região de São Paulo onde nós temos a maior concentração de usinas, a região nordeste do estado, compreendendo as regiões administrativas de Franca, Ribeirão Preto, Barretos e Catanduva, onde nós temos 34 usinas para fazer um diagnóstico de qual é o problema da cogeração, fizemos uma varredura no sistema elétrico e identificamos que já estamos produzindo nessa região 750 megawatts de potencial, afirmou João Carlos de Souza Meirelles, secretário de Engenharia de São Paulo.

Até 2016, as dez usinas cadastradas no projeto devem produzir juntas cerca de 270 megawatts de potência a mais no sistema estadual. Cerca de 36% do atual volume produzido na região, o suficiente para abastecer uma cidade com aproximadamente 350 mil habitantes.

Isto é uma atividade inteiramente privada, cada usina pode fazer isso, se precisar de financiamento, nós estudaremos. Mas hoje nós já temos aqui na região uma parceria com uma empresa concessionária de gás que já está promovendo isso, completou o secretário.

Gás biometano

Após o anúncio do novo programa, o secretário também assinou um protocolo de intenções para estimular a produção do gás biometano. O objetivo é substituir o uso do diesel nas usinas por fontes de energia menos poluentes.

O projeto, uma parceria do governo estadual com empresas privadas, utiliza a vinhaça na produção de biometano. Segundo os participantes, o gás mantém o mesmo nível de eficiência que os combustíveis tradicionais, mas com custo de produção 50% menor na comparação com o diesel.

-Nós usamos a vinhaça porque em termos de potencial de produção de biometano em volume, é o maior volume de potencial de biometano que você tem no planeta. Nós não temos nenhum tipo de afluente que tenha a mesma carga de "DQO" que a vinhaça, e como esse produto hoje é usado na fertirrigação, essa parte do carbono ela não é aproveitada e você tem esse potencial todo na vinhaça sendo desperdiçado, explica Carlos Alberto Xavier, da Bioenergia Consulting.

A fonte de energia também poluí menos. O metro cúbico do gás biometano emite 2,6 quilos a menos de gás carbônico do que o litro do diesel. Por enquanto, o projeto é voltado apenas para as usinas, mas no futuro pode chegar ao consumidor.

-Nós temos uma série de unidades já prospectadas, temos três usinas em fase de conclusão de contrato. A primeira unidade deve ser construída agora nesse segundo semestre, para entrar em operação na safra de 2017, abril de 2017, concluiu Xavier. (Canal Rural 26/08/2015)

 

Etanol ajuda a reduzir importação de petróleo e alivia Petrobras

Os gastos totais da Petrobras com importações caíram para US$ 12 bilhões nos sete primeiros meses deste ano, 48% menos do que em igual período do ano passado, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Queda nos preços do petróleo e a aceleração no consumo interno de etanol hidratado deram alívio às contas da empresa.

Em um período de dólar elevado, o que oneraria ainda mais a conta externa da Petrobras, o consumo de etanol hidratado atingiu recorde no país, somando 1,55 bilhão de litros no mês passado, conforme dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

A participação do etanol no consumo de combustíveis aumenta no país. Com a economia em desaceleração, o consumo total do chamado ciclo Otto (gasolina e etanol hidratado) deverá crescer muito pouco, ficando entre 0,5% e 1% neste ano.

O crescimento da oferta de etanol neste ano provoca uma redução na quantidade de gasolina utilizada no país. Com isso, ao contrário do que ocorreu no ano passado –quando as importações cresceram–, atualmente há um equilíbrio entre as compras externas e as exportações de gasolina pela Petrobras.

Antonio de Pádua Rodrigues, diretor da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), diz que o avanço do consumo de etanol permite uma economia de 250 milhões de litros de gasolina do tipo A por mês.

Se a produção de etanol fosse maior, a economia de gasolina seria ainda mais acentuada, uma vez que há demanda para o derivado de cana, principalmente devido aos preços competitivos em relação aos da gasolina.

Pesquisa da Folha em 50 postos da cidade de São Paulo indica que o etanol vale 62% do preço da gasolina.

Em média, quando essa relação é de até 70%, é mais favorável ao consumidor a utilização do etanol.

A participação do etanol hidratado no consumo do ciclo Otto, que era de apenas 16,3% em julho do ano passado, esteve em 24,1% no mesmo período deste mês, segundo a Unica.

China A previsão de queda na demanda chinesa por soja fez o produto recuar na Bolsa de Chicago. O primeiro contrato foi negociado a US$ 8,78 por bushel nesta quarta-feira (26), 1,85% menos do que no dia anterior.

Também em queda As demais commodities também acompanharam a soja e tiveram queda de preço nas negociações desta quarta (26). Trigo e milho recuaram 1%, enquanto o óleo de soja caiu 2,6% no dia. (Folha de São Paulo 27/08/2015)

 

Setor sucroenergético instalará apenas 24% da demanda prevista pelo governo em bioeletricidade até 2018

O setor sucroenergético ampliará sua capacidade de geração de energia elétrica a partir da biomassa (bagaço e palha) em 1.192 megawatts (MW) médios até 2018, ou apenas 24% da demanda esperada pelo governo federal para o período para fonte de geração, de 5 mil MW médios.

Segundo avaliação de Zilmar José de Souza, assessor da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) para a bioeletricidade, apesar de o setor já ter instalado 1,750 MW médios em um só ano (2010), a política do governo considerada equivocada à época e os preços baixos nos leilões de compra de energia, desestimularam investimentos para a produção de energia elétrica a partir da biomassa.

De acordo com o executivo, o "fundo do poço" do setor foi em 2012, ano em que não houve venda de energia cogerada nas usinas de açúcar e etanol nos leilões do governo por conta dos preços baixos, de R$ 112 o megawatt-hora (MW/h) à época, o que gerou a queda nos investimentos em novos projetos desde então.

"Entre o gráfico apresentado (pelo governo de demanda esperada) e a realidade, falta ousar muito mais. Faltam políticas públicas que valorizem as externalidades da biomassa da cana", disse o assessor da Unica.

Souza considerou, por exemplo, um retrocesso o teto de preços praticado no último leilão de compra de energia para 2018, realizado na última sexta-feira, de R$ 218 o MW/h.

Além disso, o pregão contou com projetos de energia eólica, cujo preço de geração é menor que o da biomassa, mas cuja transmissão é mais cara por conta da distância aos centros de consumo.

"Apenas um projeto de biomassa foi negociado no último leilão", disse. Para Souza, "um avanço" do governo para o próximo leilão, em janeiro de 2016, seriam preços de R$ 281 o MW/h, valor teto do penúltimo leilão.

"O governo tem de sinalizar com clareza que o preço será melhor e não uma regressão como ocorreu agora", afirmou.

O assessor da Unica lembra que o setor sucroenergético mostrou, em agosto do ano passado, ter capacidade de atender a demanda de energia quando, no ápice da crise de energia, conseguiu ampliar de 4% para 7% a participação na demanda da matriz elétrica.

"Naquela época foi a primeira vez que a geração para a rede por parte das usinas superou a fatia de consumo próprio, chegando a 60%", concluiu Souza. (Agência Estado 26/08/2015)

 

Monsanto desiste de tentativa de união com Syngenta

A norte-americana Monsanto desistiu nesta quarta-feira de esforços para comprar a rival suíça Syngenta, que recentemente rejeitou uma oferta melhorada de aquisição.

A Monsanto afirmou que ainda acredita no valor da combinação das duas empresas de defensivos agrícolas e sementes, mas vai se concentrar em desenvolver seus principais negócios e no cumprimento de metas de crescimento de longo prazo.

A companhia norte-americana confirmou que fez uma proposta revisada pela Syngenta em 18 de agosto, elevando a oferta anterior para 470 francos suíços ou cerca de 47 bilhões de dólares. A empresa também confirmou que tinha elevado uma oferta de multa de rompimento de negociações para 3 bilhões de dólares.

Mas a Monsanto afirmou em comunicado que a Syngenta preferiu rejeitar as ofertas melhoradas.

"Sem a base de um engajamento construtivo da Syngenta, a Monsanto vai continuar a se concentrar em suas oportunidades de crescimento com base em seus negócios principais atuais", afirmou a empresa em comunicado.

A Syngenta não comentou o assunto de imediato.

A Monsanto queria comprar a Syngenta principalmente para impulsionar seu portfólio de defensivos agrícolas, que agora se baseia principalmente em herbicidas glifosatos.

A companhia norte-americana é a maior companhia de sementes do mundo e é conhecida pelo desenvolvimento de produtos geneticamente modificados como milho, soja e canola. A Syngenta é a maior companhia agroquímica do mundo.

As ações da Syngenta caíram mais de 18 por cento após o anúncio, enquanto as da Monsanto saltaram mais de 7 por cento. (Reuters 26/08/2015)

 

Juros do crédito rural sobem em média 44% em julho, diz BC

Os juros do crédito rural deram um salto no primeiro mês do ano ­safra 2015/2016. Dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira, 26, mostram que as taxas médias para pessoas físicas tiveram alta de 44,64% na comparação entre julho e igual mês do ano passado, subindo de 5,6% ao ano para 8,1% ao ano. Essa alta tem sido motivo de reclamação entre agricultores e pecuaristas, que se queixam ainda do aumento de exigências para a contratação de recursos, além de demora na análise de crédito.

As operações com taxas de mercado são as que mais têm pesado no bolso do produtor, tendo passado de 14,6% ao ano para 18,4%. Nas operações subsidiadas, subiram de 5,4% para 7,7% e ainda se mantêm abaixo do nível máximo definido pelo Plano Safra atual, cuja taxa pode chegar a até 8,75% ao ano. Para as empresas, que representam a menor fatia de contratantes de crédito rural, as taxas médias passaram de 8,2% em julho do ano passado para 9,8% no mês passado. Os juros de mercado passaram de 16,8% ao ano para 17% nessa base de comparação. Já as taxas controladas subiram de 5,6% para 8,6%.

Juros do crédito rural sobem 37% em um mês

Os juros do crédito rural subiram com força em julho, quando os bancos aceleraram os repasses dos recursos do Plano Safra.

As taxas de juros dos empréstimos destinados às pessoas físicas do setor subiram 37,3% em julho, ante o mês anterior. Em comparação com o mesmo mês do ano passado, a alta foi de 44,6%, segundo dados do Banco Central.

A alta nas taxas tem sido alvo de reclamações dos produtores, que também se queixam de maiores exigências dos bancos e demora na liberação dos recursos, como a Folha mostrou na segunda (24).

As taxas reguladas passaram de 5,5% para 7,7% na comparação mensal, enquanto as de mercado foram de 17,3% para 18,4%.

As concessões de empréstimo também cresceram. No mês, a alta foi de 10%, para R$ 7,34 bilhões. Quase a totalidade dos recursos (R$ 7,02 bilhões) foi emprestada a taxas reguladas. No ano, no entanto, os empréstimos ao setor rural ainda caem 17%.

INADIMPLÊNCIA

A inadimplência no crédito para empresas com taxas de mercado (sem subsídios) alcançou em julho o maior patamar da nova pesquisa de crédito do BC, que começa em março de 2011. Os atrasos passaram de 3,5%, em julho de 2014, para 4,1%, em julho.

Nas operações com pessoas físicas os atrasos seguem praticamente estáveis na média, em 3,8%.

Na média, a taxa de juros do crédito ao consumo (crédito livre pessoa física) passou de 49,5% em julho do ano passado para 59,5% ao ano em julho deste ano.

A taxa média de juros no rotativo do cartão de crédito alcançou o patamar recorde de 395% ao ano. 9Folha de São Paulo 27/08/2015)

 

Consumo de máquinas no Brasil cai 3,4% em julho sobre um ano antes, diz Abimaq

O consumo aparente de máquinas e equipamentos no Brasil em julho caiu 3,4 por cento sobre o mesmo período do ano passado, informou nesta quarta-feira a associação que representa os fabricantes, Abimaq.

A associação afirmou ainda que o nível de utilização da capacidade instalada do setor recuou no período de 76 para 66,6 por cento. (Reuters 26/08/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Respiro em NY: Os contratos futuros do café arábica tiveram alta ontem na bolsa de Nova York após cinco desvalorizações consecutivas. Os lotes para dezembro fecharam com elevação de 1,37%, ou 165 pontos, a US$ 1,222 a libra-peso. Os analistas avaliam que as sucessivas quedas conduziram os preços do grão a uma situação de sobre-venda, o que desencadeou cobertura de posições. A Volcafe, divisão de commodities da trading ED&F Man, divulgou que estima que a produção brasileira em 2015/16 alcançará 48,3 milhões de sacas, queda de 3,6 milhões ante a projeção anterior, e alertou que os estoques de arábica deve recuar no fim do ano. No mercado doméstico, o preço do café de boa qualidade oscilou entre R$ 460 e R$ 480 a saca de 60,5 quilos, de acordo com o Escritório Carvalhaes.

Algodão: China e EUA no radar: Os contratos do algodão fecharam em queda ontem na bolsa de Nova York diante das desconfianças com a China e do otimismo com a safra dos EUA. Os lotes para dezembro cederam 65 pontos, a 62,51 centavos de dólar a libra-peso. Embora o Conselho de Estado da China tenha sinalizado que vai diminuir as taxas para importações, não há garantias de que o país vai aumentar as compras de algodão, já que os chineses têm reduzido as importações do produto para consumir os estoques acumulados nos últimos anos. A previsão de clima quente no oeste do Estado do Texas reduziu os receios de que o frio antecipasse o fim do crescimento das plantas, segundo o Zaner Group. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,31%, para R$ 2,2465 a libra-peso.

Soja: Valores de 2009: O anúncio de um novo estímulo para a economia chinesa, agora com a redução das taxas de importações e exportações, não acabou com as desconfianças dos traders de soja, que exibiu perdas ontem na bolsa de Chicago. Os contratos para novembro recuaram 12,75 centavos, a US$ 8,65 o bushel, o menor patamar desde 11 de março de 2009. "Suspeita-se que haja queda nas importações de matérias-primas", segundo a corretora Granoeste. As perspectivas otimistas para a safra dos Estados Unidos também pesam sobre as cotações. Nos próximos quatro dias, o oeste do Meio­Oeste deve receber chuvas "moderadas a fortes", mantendo boa umidade no solo, de acordo com a agência de meteorologia DTN. No Paraná, o preço médio subiu 1,18%, para R$ 65,18 a saca, conforme o Deral/Seab.

Trigo:Menos competitivo: O mercado do trigo aprofundou as perdas ontem na bolsa de Chicago, em meio a temores sobre a competitividade do cereal americano. Os lotes para dezembro caíram 5,25 centavos, a US$ 4,9425 o bushel. A alta do dólar em relação a moedas de países desenvolvidos e emergentes também pressionou pois reduz a competitividade do produto dos EUA no mercado global. O país tem perdido espaço para o trigo da Europa e do Mar Negro. Ontem, a Rússia indicou que pretende elevar os embarques de trigo ao Egito, que lidera as importações mundiais do cereal. O Irã também sinalizou que não deve mais adquirir trigo neste ano. O avanço da colheita de trigo de primavera nos EUA também pressiona. No Paraná, o preço médio caiu 0,5%, para R$ 33,77 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 27/08/2015)