Setor sucroenergético

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Bangladesh eleva imposto sobre importação de açúcar

Bangladesh aumentou os encargos sobre a importação de açúcar, tanto bruto como refinado, para desencorajar a compra no exterior em meio a uma queda nos preços devido à ampla oferta, disse uma autoridade tributária sênior nesta quinta-feira.

Os impostos sobre importações de açúcar bruto foram ampliados para cerca de 7 mil taka (90 dólares) por tonelada, dos anteriores 2 mil taka, disse a autoridade da divisão de regulamentação do Conselho Nacional de Receitas.

Já sobre a importação de açúcar refinado, o valor foi de 4,5 mil taka para quase 10,5 mil taka (135 dólares) por tonelada.

Os preços internacionais do açúcar têm estado sob pressão este ano devido aos amplos suprimentos, com o preço do açúcar bruto afundando à sua mínima em sete anos.

Assim, o açúcar branco dos estoques do governo está sendo vendido a 37 taka (0,51 dólar) por quilograma, quase metade do custo de produção. Mas ainda assim o governo prefere vender nessas condições, já que as refinarias privadas estão oferecendo a menores taxas.

Bangladesh depende do açúcar bruto importado para responder à sua demanda anual de 1,4 milhão a 1,5 milhão de toneladas de açúcar refinado.

No final de 2012, o governo permitiu a exportação de açúcar pelas refinarias privadas que vinham pedindo por vendas internacionais já que tinham capacidade de refino de mais de 3 milhões de toneladas.

As refinarias privadas importam açúcar bruto em sua maioria do Brasil, Índia e Tailândia, enquanto exporta açúcar refinado para o Leste da África e para o Oriente Médio. (Reuters 27/08/2015)

 

Brasil antecipa metas para geração de energia renovável

Alvo de um acordo entre Brasil e Estados Unidos, a geração de energia por fontes renováveis explodiu no país nos últimos anos, devido, principalmente, aos investimentos na produção de etanol e em usinas eólicas.

Atualmente, a participação dessas fontes na matriz energética brasileira é tão grande que a meta desse acordo, considerada ousada para os padrões americanos, deve ser atingida já nesta década.

O anúncio conjunto feito por Dilma Rousseff e Barack Obama estabelece que, em 2035, a matriz energética de ambos os países deve ter uma participação entre 28% a 32% de fontes renováveis. Hoje, a matriz brasileira já tem um índice de 27,9%, segundo dados de 2014, compilados pelo Instituto Acende Brasil.

A conta exclui as hidrelétricas, que, embora sejam renováveis, têm um impacto ambiental significativo.

Caso elas tivessem sido consideradas no cálculo, as fontes renováveis já deteriam uma participação de 39,4%.

Os recursos considerados no cálculo são madeira de reflorestamento, derivados de cana-de-açúcar (etanol e biomassa), eólica, solar e outras que ainda são insípidas no Brasil, como a geração de energia a partir de ondas oceânicas.

"O movimento natural é de crescimento do uso dessas fontes. É só não deixar piorar que já atenderemos essa meta 15 anos antes do prazo", diz Cláudio Salles, presidente do Instituto Acende Brasil.

Para Mathias Becker, presidente da Renova Energia, a política em torno do crescimento das fontes renováveis na matriz energética brasileira é consistente e dará condições para uma participação ainda maior.

"Vemos que, mesmo com o país em crise, a cadeia industrial de geradores eólicos está crescente. Hoje, essa cadeia já emprega 50 mil pessoas e esperamos que até 2020 surjam mais 280 mil postos", afirma.

RISCO

Um desafio adicional é elevar para 20% a participação dessas fontes na geração de eletricidade. Para que as metas sejam cumpridas e o sistema elétrico não sofra com a vulnerabilidade dessas fontes, é preciso planejamento.

Como a intensidade dos ventos e da luz solar são variáveis e intermitentes, há risco para o sistema caso o uso dessas fontes se tornem determinantes para a segurança energética do país.

Além disso, o maior potencial desses tipos de geração está no Nordeste, o que exigiria um plano para expandir a transmissão de energia da região para outras com maior demanda, como o Sudeste.

Hoje, de toda a capacidade de produção brasileira, as fontes eólica, solar e biomassa respondem por 14%, enquanto hidrelétricas e termelétricas detêm 86%.

De acordo com os projetos em andamento já licitados, em 2020 essa relação pode mudar para 18,4% e 81,6%, deixando o Brasil mais perto de atingir a meta. (Folha de São Paulo 27/08/2015)

 

Bunge compra o Moinho Pacífico

Num movimento agressivo para abocanhar o mercado paulista de trigo, a multinacional Bunge comprou, por um valor não revelado, a totalidade do capital do Moinho Pacífico, comandado pelo empresário Lawrence Pih e um dos maiores da América Latina. Além da planta industrial no porto de Santos, a aquisição incluiu a infraestrutura existente no complexo portuário, formada por armazéns para 200 mil toneladas e um berço de atracação para desembarque do cereal importado.

Ainda que não tenha informado o valor do negócio, o CEO da companhia, o argentino Raul Padilla, disse que esse é o maior investimento na área feito pela Bunge nos últimos anos, conforme adiantou o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor.

Em abril de 2014, a Bunge anunciou a injeção de R$ 500 milhões para construir um novo moinho no Rio de Janeiro, com condições de moer 600 mil toneladas de trigo. O Pacífico tem estrutura para moer 700 mil toneladas, mas estava processando efetivamente 250 mil toneladas.

Cálculos feitos pela consultoria FG Agro, com base na média do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) dos últimos dois anos do Moinho Pacífico, apontam que a empresa, sem considerar o berço de atracação em Santos, tem um valor entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões. O cálculo foi feito aplicando um múltiplo de 8 vezes o Ebitda, o mais usado para empresas dessa natureza, conforme a consultoria.

O valor da dívida bancária do Pacífico em 31 de dezembro passado era de R$ 125 milhões. Na mesma data, a empresa tinha em caixa (disponibilidades) de R$ 133 milhões. A receita em 2014 foi de R$ 278 milhões e o resultado líquido, um lucro de R$ 9,4 milhões.

Procurado, o empresário Lawrence Pih não quis comentar a venda do moinho, fundado em 1955 por seu pai e que, até a década de 1990, era o maior da América Latina. O grupo comandado por Pih tem elevados investimentos no mercado de capitais e uma empresa do ramo imobiliário detentora de um estoque de terrenos em São Paulo de 2 milhões de metros quadrados, o equivalente a mais de nove vezes o estádio do Maracanã.

Lawrence Pih atua em outras áreas Pih, hoje com 73 anos, foi um dos primeiros empresários de maior expressão no país a apoiar publicamente o Partido dos Trabalhadores (PT), ainda na segunda metade dos anos 1980. Mas, passada mais de uma década de administração petista no governo federal, Pih se tornou um dos maiores críticos da gestão do PT.

Agora nas mãos da Bunge, o Moinho Pacífico será a plataforma de crescimento da multinacional americana no Estado de São Paulo. Vai também ajudar a companhia a cumprir seu plano de crescer nessa área a uma taxa duas vezes maior que a dos concorrentes.

Segundo Filipe Affonso Ferreira, vice-presidente de Alimentos e Ingredientes da Bunge no Brasil, a múlti detém, em média, no país uma participação de mercado de 16% a 17% em trigo. Em São Paulo, essa fatia é de 10% a 12%. "Com o Pacífico, vamos ganhar 5 pontos percentuais", disse.

Na região "Leste", formada na nomenclatura da Bunge pelos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, a multinacional vem assumindo uma postura mais agressiva de expansão. Quatro meses antes de anunciar o investimento na planta fluminense, em dezembro de 2013, a Bunge havia adquirido o moinho mineiro Vera Cruz, que já teve sua capacidade duplicada pela empresa.

Quando colocar em operação o moinho no Rio, a moagem total da Bunge no Brasil vai saltar para 1,850 milhão de toneladas por ano, ante as 1,65 milhão atuais. O plano para o Pacífico ainda não foi definido, afirmou Filipe Ferreira. Mas, segundo ele, será superior ao volume atual, de 250 mil toneladas. "O moinho Santista [pertencente à empresa e localizado em São Paulo] já está no seu limite de capacidade. A expansão no mercado paulista virá por meio dessa planta recém-adquirida", acrescentou.

A conclusão da compra do Moinho Pacífico ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) o que, segundo a empresa, deve ocorrer em 45 dias.

O interesse da Bunge no ramo, conforme Padilla, CEO da multinacional no Brasil, baseia-se nas taxas de crescimento do negócio, na casa de 5% ao ano, apesar do ambiente altamente competitivo. "A operação, obviamente, traz margens mais robustas que aquelas vindas da operação de trading, por exemplo", comparou Padilla.

Uma das maiores companhias globais do agronegócio com um faturamento de US$ 58 bilhões no ano passado, a Bunge tem no Brasil a sua maior operação na área de trigo. "Responde por 60% das operações da companhia com o cereal no mundo", observou Padilla. No Brasil, a Bunge faturou com todos os seus negócios, Agronegócio, Alimentos e Ingredientes e Açúcar e Bioenergia, R$ 40 bilhões. A operação de trigo responde por cerca de 40% a 50% do negócio de Alimentos e Ingredientes da multinacional no país. (Valor Econômico 28/08/2015)

 

Uma das maiores do mundo no setor de cana “quebra”

Com passivo da ordem de R$ 300 milhões, o grupo brasileiro Dedini – tradicional fabricante de equipamentos para usinas de cana-de-açúcar e um dos maiores do segmento no mundo – entrou com pedido de recuperação judicial no Fórum de Piracicaba, em São Paulo, na última segunda-feira. Entre os credores estão trabalhadores, fornecedores, bancos e o Fisco.

Para o coordenador do curso de ciências econômicas do Centro Universitário Newton Paiva, Leonardo Bastos Ávila, o pedido de recuperação judicial de uma empresa tradicional e de grande porte mostra que o setor sucroenergético não está bem, mesmo com a melhora nas vendas de etanol, que em julho teve consumo recorde no país. Conforme a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), naquele mês o álcool chegou à marca de 1,55 bilhão de litros, maior volume já registrado em toda a série histórica, que começou em 2000.

“As dificuldades não são de hoje. São fruto da falta de incentivos, de uma política de Estado para o setor nos últimos anos. Há duas décadas o segmento passa por dificuldades”, observa.

O setor realmente vem passando por dificuldades. Conforme informações da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), 80 usinas fecharam as portas na região Centro-Sul do país desde 2008. Em 2015, outras dez sem condições financeiras ainda podem fechar.

Em Minas Gerais, nos últimos quatro anos, oito usinas foram desativadas, conforme informação da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig).

Atualmente são 67 unidades produtoras em recuperação judicial, considerando as usinas em operação e também as que estão inativas no Brasil.

O advogado Júlio Mandel, do escritório Mandel Advocacia, que está à frente do processo, diz que a opção pela recuperação judicial foi feita para evitar que um pedido de falência feito por um fornecedor prospere. No processo de recuperação, o advogado pediu urgência na análise pela Justiça para tentar evitar que a companhia quebre.

Com a recuperação judicial, a empresa terá um prazo de 180 dias para negociar com credores, sem que qualquer cobrança possa ser feita.

Além das dificuldades financeiras, há alguns meses a relação com os funcionários se deteriorou. Greves e paralisações têm sido comuns por causa de atrasos nos pagamentos dos salários e depósitos do FGTS, e ainda pelas demissões que a empresa vem realizando. A Dedini explica que “vem fazendo uma triste, mas necessária redução de seu quadro de colaboradores. Outras reduções de custo já vêm sendo planejadas e adotadas”, disse a empresa no processo judicial. (O Tempo 27/08/2015)

 

Rating Usinas: Apenas duas de cinco avaliadas não tiveram notas rebaixadas

Poucas usinas sucroenergéticas conseguiram neste ano manter intactos seus ratings. Das cinco principais empresas do segmento avaliadas por agências de classificação de risco, somente duas, Raízen e Biosev, escaparam de rebaixamentos.

As outras três, Tonon Bioenergia, Jalles Machado e USJ – tiveram suas notas de crédito rebaixadas ao menos por uma agência, por ainda não apresentarem “apertos” financeiros de curto prazo.

Os próximos meses ainda serão delicados para o segmento: o crédito continua escasso e os preços do açúcar, baixos. “O risco sistêmico está tão alto quanto em outubro do ano passado, quando a Fitch colocou as sucroenergéticas em observação negativa”, disse ao Valor Econômico o analista sênior da Fitch Ratings, Cláudio Miori. Segundo ele, ainda é de esperar defaults de empresas da área. “A inflação está maior e o dólar valorizado aumentou a exposição cambial das que têm dívidas na moeda estrangeira”.

Entre as três que tiveram sobressaltos neste ano, a goiana Jalles Machado foi a que conseguiu manter o melhor rating de crédito. A empresa sentiu um aperto de curto prazo e chegou a ser rebaixada pela Fitch neste ano. Mas a capitalização advinda da venda de 65% de uma de suas duas unidades de cogeração para a francesa Albioma e um bom desempenho operacional ampliaram a geração de caixa e proporcionaram algum alívio.

A Fitch rebaixou em abril o rating nacional de longo prazo da Jalles de A+(bra) para A-(bra). O rebaixamento, de dois degraus, levou em conta, conforme relatório da agência, que houve enfraquecimento do perfil financeiro e que a venda de 65% da cogeração reduziu o diferencial de negócios da empresa.

Mas no entendimento da agência Standard & Poor’s (S&P), a Jalles vai continuar operando com elevado uso da capacidade instalada nas próximas safras, em função de seus adequados níveis de investimentos em canaviais e da sua “sólida eficiência operacional”. Essa condição, afirmou a S&P, vai sustentar uma geração de fluxo de caixa livre positiva, com a qual a empresa tende a amortizar dívidas e reduzir sua concentração de débito no curto prazo. Dessa forma, em 18 de agosto a S&P reafirmou as notas de crédito atribuídas à Jalles Machado, de “BB-“ na escala global e de “brA” na nacional.

Nos relatórios publicados pelas agências, ainda há uma visão de que persiste a alta seletividade de acesso ao crédito ao segmento e que empresas com maior risco de calote terão que vender ativos e registrar um desempenho operacional satisfatório para gerar caixa e reduzir dificuldades financeiras de curto prazo.

É o caso do tradicional grupo USJ, com sede em Araras (SP). No relatório que rebaixa os ratings do grupo de “B+” para “B” na escala global, a S&P observa que novos rebaixamentos poderão ser feitos em 90 dias (contados a partir de 6 de julho) caso a companhia não consiga vender terras para refinanciar sua dívida de curto prazo. Na avaliação da S&P, a USJ precisa levantar com a venda de fazendas ao menos R$ 50 milhões para equacionar o aperto financeiro. Procurado, o grupo não comentou.

Em 26 de maio, a Fitch rebaixou em um degrau o IDR (Probabilidade de Inadimplência do Emissor) em moeda estrangeira e local da USJ para “CCC” de “B”, o que significa que a empresa saiu de um risco de crédito “significativo” para uma possibilidade real de inadimplência. No relatório, a Fitch explicou que a decisão não se baseou numa mudança em relação aos já existentes problemas de liquidez do grupo. Mas ponderou que houve uma piora das condições macroeconômicas do país e também um aumento da inadimplência de outras companhias sucroenergéticas.

Pesam ainda sobre a companhia as chamadas de capital para fazer frente aos investimentos na SJC Bioenergia, joint venture com a americana Cargill que está em fase de expansão em Goiás. Apenas neste ano, a empresa teve que colocar R$ 24 milhões na SJC Bioenergia.

Foi num ambiente altamente contaminado pela entrada em recuperação judicial da Aralco e da recuperação extra-judicial dos grupos Virgolino de Oliveira e Ruette que a Tonon Bioenergia anunciou uma renegociação com seus bondholders no primeiro semestre deste ano. Com isso, a empresa, com três usinas de cana-de-açúcar no Centro-Sul perdeu dois graus na classificação da S&P e “entrou” em risco de calote (Default Seletivo “SD”). Após o fim das negociações, que culminaram em condições de pagamento vantajosos e injeção de dinheiro novo na companhia, é que a S&P elevou o rating da companhia para “CCC-“, um degrau acima do “risco de default”.

Em 19 de agosto, a Fitch elevou IDR da Tonon para “CC”. Antes, a agência havia rebaixado a nota da empresa para “RD” – que indica que o grupo deixou de efetuar alguns pagamentos dentro da carência, mas não deixou de cumprir todas as obrigações.

Apesar do “upgrade” pela Fitch a nota “CC” ainda ficou três degraus abaixo da nota “B” atribuída antes de 7 de abril deste ano. “A empresa ainda depende de rolagem de débitos e ainda enfrenta um ambiente operacional fraco, com preços retraídos de açúcar e etanol”, alertou a Fitch em seu último relatório.

 

Biosev: Acesso a recursos é diferencial

Ainda com endividamento elevado e desempenho operacional em processo de evolução, a Biosev, segunda maior companhia sucroenergética do país, conseguiu manter seus ratings de crédito em “BB-“. Na visão da agência Fitch, que faz a avaliação de rating dessa companhia, a Biosev, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, continua com acesso a financiamentos de médio e longo prazos.

Ao manter esse nível de rating,  que indica que há possibilidade de o risco de crédito aumentar, devido a mudanças adversas na economia, a Fitch, no entanto, atribuiu uma perspectiva negativa à classificação da companhia, dado o desafio da empresa de gerar fluxo de caixa livre positivo suficiente para melhorar seu perfil de crédito.

Em 30 de junho, primeiro semestre do novo ciclo (2015/16), a empresa tinha disponível em caixa D$ 1,1 bilhão, somando-se o caixa e as aplicações financeiras. De dívidas bancárias a vencer no curto prazo, eram R$ 1,8 bilhão, mas a companhia ainda contava na mesma data com estoques de R$ 977 milhões para serem vendidos, o que mantinha uma condição de curto prazo menos apertada, segundo o Valor Econômico.

Em nota, a Biosev afirmou que “permanece firme na estratégia de maximização de utilização de seus ativos, visando ao aumento de eficiência e produtividade operacional e apoiada em sua disciplina financeira”. A empresa destacou que na safra 14/15 apresentou um fluxo de caixa livre de R$ 16 milhões.

No fim do ano passado, quando a percepção de risco no segmento estava desfavorável e havia grande risco de rebaixamento das notas de crédito, a Biosev tinha R$ 190 milhões, entre caixa e aplicações financeiras, e R$ 1,75 bilhão a vencer no curto prazo, uma condição muito mais complexa, apesar do estoque de R$ 1,029 bilhão na mesma data.

No entanto, desde o fim do ano passado as condições de caixa da companhia e de alongamento de débito avançaram. Em janeiro, a Biosev fechou uma captação com oito bancos de US$ 318 milhões (cerca de R$ 860 milhões ao câmbio da época) e rolou débitos para aliviar a pressão de curto prazo sobre o caixa.

Maior rating do segmento e com nota de crédito até acima do rating soberano no Brasil, a Raízen Energia, maior empresa sucroenergética do mundo, teve neste ano seus ratings de crédito reafirmados pela Standar & Poor’s (S&P) em “BBB” na escala global e “BrAAA” na escala nacional. Seus resultados estáveis, a despeito do encolhimento da economia, pesaram positivamente. (Brasil Agro 28/08/2015)

 

Black Week: Uma semana para ser esquecida

Tradicionalmente ao mês de agosto são reservadas as piores expectativas que acabam criando um inferno astral e um latente e irritante pessimismo generalizado. A história brasileira é testemunha de que agosto é realmente o ponto no final da curva.

Como estamos terminando o mês, vale uma rápida reflexão sobre os problemas e as crises pelas quais passamos apenas nesta última semana:

Segunda-feira: As bolsas asiáticas, China à frente, desabam e colocam em risco o futuro das commodities. Em Brasília, Dilma convoca jornalistas para dizer que se disse surpresa com a gravidade da crise moral, econômica e política que ela mesmo estimulou com a sua incompetência e omissão;

Terça-feira: É anunciado o pedido de recuperação judicial da Dedini. Na abertura da Fenasucro, chamava a atenção de quem passava pelo prédio da empresa em Sertãozinho a faixa dos trabalhadores em greve pelo não pagamento de salários. Na noite do mesmo dia, Dilma recebe um seleto e pequeno grupo de convidados para jantar no Palácio do Alvorada. Dentre os convidados, Rubens Ometto, o maior usineiro do mundo, que em recente entrevista à Folha de S.Paulo saudou ‘madame’ com a alcunha de ‘patriota’;

Quarta-feira: Jornais destacam a situação da Dedini que terá grandes dificuldades para se reerguer. As estatísticas mostram que são muito poucas as chances de uma empresa, com o grau de endividamento da Dedini, sair da situação em que se encontra. Até porque não há nenhum fundamento que aponte para mudanças de rumo da crise do setor sucroenergético. Para piorar, o preço do barril de petróleo continua em vertiginosa queda;

Quinta-feira: Cerimonial barra Dilma em evento oficial no Palácio do Planalto e governo anuncia que quer a volta da CPMF. Só a ‘patriota e madame’ presidente e os áulicos petistas que a cercam – e ainda a defendem! – não sabiam que recessão provoca queda na arrecadação de tributos. Como esta gente nunca se empenhou na vida para trabalhar e criar alternativas honestas de sobrevivência, a não ser ficar dependendo de cargos públicos, e aí fazem o que fizeram, a situação é aumentar impostos. Haja criatividade!

Sexta-feira: Os jornais apontam que as CPIs instaladas na Câmara Federal apontam para Lula. Ao mesmo tempo, Paulo Skaf pediu em jantar de ontem à noite com o vice-presidente Michel Temer, a saída de Levy do Ministério da Fazenda. Mais, Skaf convoca hoje os movimentos sociais ‘Anti Dilma’ para uma reunião na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) nesta próxima segunda-feira. Precisa mais?

Com efeito, vale a pena conferir as entrevistas ao TV BrasilAgro de André Rocha, reeleito na última 4ª feira para mais um mandato a frente do Fórum Nacional Sucroenergético, instituição que representa formalmente todos os presidentes dos sindicatos das indústrias do açúcar e etanol do país, e Mário Campos Filho, presidente do Siamig – Sindicato do Açúcar e Álcool do Estado de Minas Gerais.

Eles falam da gravidade da crise, dos riscos do final da safra e das perspectivas que nos esperam para o próximo ano, que não são nem um pouco animadoras. O TV BrasilAgro vai ao ar pela STZTV (www.stztv.org.br) neste domingo e também pode ser assistido a partir da tarde desta próxima 2ª feira na WEB TV do www.brasilagro.com.br (Ronaldo Knack é Jornalista e bacharel em Administração de Empresas e Direito. É também fundador e editor do BrasilAgro;ronaldo@brasilagro.com.br

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Maior alta em um ano: A retomada do apetite por risco que deu o tom das negociações nos mercados globais ontem contagiou o de açúcar, que disparou na bolsa de Nova York. Os contratos do demerara para março de 2016 fecharam a 11,06 centavos de dólar a libra-peso, uma alta de 53 pontos, ou 5,03%, a maior em um ano. A correção para cima nas cotações do petróleo e a queda do dólar elevaram a pressão sobre os preços do açúcar. Também houve novas indicações de fundamento que colaboraram para sustentar os preços. As distribuidoras de combustíveis da Índia compraram 2,7 bilhões de litros de etanol para garantir o mandato de 5% de mistura do produto na gasolina. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,49%, para R$ 47,22 a saca de 50 quilos.

Sujo de laranja: Raios e trovões: Os futuros do suco de laranja seguiram na esteira das demais commodities e dispararam ontem na bolsa de Nova York, em movimento sustentado também pela entrada da tempestade tropical Erika no Caribe. Os lotes do suco concentrado e congelado para novembro subiram 425 pontos, a US$ 1,2635 a libra-peso. O Centro Nacional de Furacões da agência americana NOAA indicou que as chances da tempestade alcançar a Flórida, onde se concentra o segundo maior cinturão citrícola do mundo, em três dias eram menores que 30%. Porém, as projeções podem "mudar muito ao longo dos próximos dias", avaliou Jack Scoville, da Price Futures Group. No mercado interno, o preço da caixa de 40,8 quilos destinada à indústria subiu para R$ 11,94, segundo o Cepea/Esalq.

Soja: Ânimo em Chicago: A recuperação dos mercados financeiros e a divulgação de que o PIB dos EUA no segundo trimestre cresceu acima do esperado geraram otimismo com a demanda e impulsionaram as cotações da soja na bolsa de Chicago. Os contratos para novembro subiram 14 centavos, a US$ 8,79 o bushel. Os preços também encontraram sustentação nos dados de vendas de soja dos EUA. O Departamento de Agricultura do país informou que foram negociadas 1,59 milhão de toneladas do grão na semana encerrada dia 20, e que outras 130 mil toneladas foram acertadas apenas ontem para "destinos desconhecidos", o que costuma ser interpretado com sendo a China. No mercado doméstico, o preço médio da oleaginosa no Paraná teve queda de 0,34%, para R$ 64,96 a saca, segundo o Deral/Seab.

Trigo: Em maus lençóis: Na contramão dos demais produtos agrícolas, o trigo voltou a perder valor ontem nas bolsas americanas, diante de novas indicações de que o cereal dos EUA segue pouco competitivo. Em Chicago, os lotes para dezembro caíram 4,5 centavos, a US$ 4,8975 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis para o mesmo prazo de entrega cederam 1 centavo, para US$ 4,8825 o bushel. A agência de grãos do Egito, maior importador mundial de trigo, acertou a compra de 60 mil toneladas o cereal da Rússia. Além de o volume ter sido menor que o das últimas aquisições, nenhum lote foi comprado dos EUA, embora o país seja o maior exportador mundial. No Paraná, o preço médio da saca de trigo recuou 0,71%, para R$ 33,53, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 28/08/2015)