Setor sucroenergético

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Copersucar estima perder até 10% dos seus cooperados

São tantos associados colocando usinas à venda que a Copersucar já precificou o tamanho da desidratação: o grupo estima que perderá até 10% dos cooperativados – e, consequentemente, do seu faturamento – nos próximos 12 meses.

Consultada, a Copersucar disse "desconhecer a informação". (Jornal Relatório Reservado 28/08/2015)

 

Agronegócio é saída para 'avalanche de notícias ruins'

Houve recuo de 1,9% no PIB brasileiro no segundo trimestre. A agropecuária registrou um recuo, considerado sazonal, de 2,7%.

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa de Carvalho, afirmou na manhã desta sexta-feira que o resultado negativo do Produto Interno Bruto (PIB), em contraste com o desempenho ainda positivo da agropecuária e das exportações, mostra que "o governo precisa entender que o agronegócio é saída para a avalanche de notícias ruins da economia". Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontaram um recuo de 1,9% no PIB brasileiro no segundo trimestre ante o primeiro trimestre de 2015 e de 2,6% na comparação com igual período de 2014.

A agropecuária registrou um recuo, considerado sazonal, de 2,7% sobre o primeiro trimestre, mas o PIB setorial subiu 1,8% sobre o segundo trimestre de 2014. Já as exportações cresceram, respectivamente, 3,4% e 7,5%, parte delas puxada pelas vendas externas do agronegócio.

"O Brasil conta com esse fator rico para sair do marasmo e o agronegócio deveria receber do poder público a tarja do principal mecanismo de recuperação da economia", afirmou Carvalho. (Agência Estado 28/08/2015)

 

Endividamento prejudicou setor sucroenergético no PIB, diz Sindalcool

A safra de cana-de-açúcar poderia ter contribuído mais para o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária no 2º trimestre se não fossem o alto endividamento das usinas, superior a R$ 50 bilhões, e o crédito mais caro para financiamento do setor.

A opinião é do presidente do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool-MT), Jorge dos Santos. "Neste ano, o setor passou a 'respirar', mas ainda falta muito" para voltar a ter peso, afirmou ao Broadcast Agro, serviço em tempo real da Agência Estado.

Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB da agropecuária caiu 2,7% no 2º trimestre ante o 1º, mas subiu 1,8% frente igual intervalo do ano passado. A produção de cana apresentou expansão de 2,1% no período.

Conforme Santos, o que falta para a cadeia produtiva de açúcar e álcool é "notadamente uma política energética de longo prazo", que dê previsibilidade ao consumo e produção de etanol no País.

"Se o governo quer que algo aconteça tem de começar pelo setor produtivo", avaliou o presidente do Sindalcool-MT. Ainda segundo ele, a disparada do câmbio e a alta dos juros no trimestre também pesaram sobre o sucroenergético. "O dólar encareceu os fertilizantes, os defensivos", explicou.

Pelas projeções da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), principal associação do setor sucroalcooleiro, o Centro-Sul, que responde por 90% da safra de cana do Brasil, processará 590 milhões de toneladas de matéria-prima na atual temporada, acima das 571 milhões de toneladas do ano passado. (Agência Estado 28/08/2015)

 

Usinas disputam cana tardia de produtores independentes, diz associação

Usinas da região centro-sul do Brasil estão competindo para assegurar volumes de cana-de-açúcar produzidos por agricultores independentes para entrega na parte final da safra 2015/16, com intenção de produzir volumes adicionais de etanol e aproveitar um esperado aumento dos preços do biocombustível.

"Alguns produtores estão sendo procurados por usinas. Elas propõem que eles deixem de entregar a cana em negócios acertados anteriormente e, em vez disso, entreguem para elas, a preços melhores", disse o presidente da Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana), Manoel Ortolan.

"Está tendo essa disputa. Deve ser pela possibilidade bem sinalizada de o preço do etanol aumentar à medida que a safra for terminando", disse Ortolan à Reuters no recinto da Fenasucro 2015, exposição do setor de equipamentos para a indústria sucroalcooleira que acontece em Sertãozinho.

A Orplana representa produtores independentes de cana, não ligados às usinas. Esses agricultores produzem aproximadamente 150 milhões de toneladas ou cerca de 25 por cento da cana processada na safra do centro-sul, principal área de produção de açúcar e etanol no país.

A perspectiva de preços maiores para o etanol perto da entressafra, em meados de novembro, é alimentada pelo grande aumento na demanda pelo produto neste ano, no pico da safra, devido ao preço mais vantajoso em relação ao da gasolina.

As vendas de etanol hidratado, por exemplo, o tipo utilizado nos carros flex, atingiram o maior volume na história em julho, em 1,55 bilhão de litros, 55 por cento acima de igual período do ano anterior.

Analistas acreditam que a oferta de etanol ficará bastante restrita próximo do fim do ano, já que muitas usinas com problemas financeiros sérios estão vendendo praticamente tudo que produzem para gerar caixa, evitando estocagem.

Ortolan disse que a sinalização é positiva tanto para os produtores de cana, que podem ter melhores receitas na parte final da safra, como para o setor, já que preços melhores do etanol vão reforçar o caixa de quem tiver o produto para vender.

"Isso será favorável para a preparação para próxima safra", afirmou, referindo-se aos investimentos nos tratos culturais visando a temporada 2016/17. (Reuters 28/08/2015)

 

Justiça adia decisão sobre pedido de recuperação judicial da Dedini

O juiz Marcos Douglas Veloso Balbino da Silva, da segunda vara cível de Piracicaba (SP), adiou a decisão sobre se aceita ou não o pedido de recuperação judicial da Dedini Indústria de Base, feito no dia 24 deste mês, por entender que, na petição inicial, não ficaram claros os motivos da crise financeira e a real situação patrimonial da empresa.

“Apesar da inicial [petição] gastar diversas páginas sobre a gloriosa história da empresa, não atendeu diversos dispositivos do art. 51 da Lei n. 11.101/2005”, afirmou o juiz em seu despacho.

A Dedini é uma das principais indústrias do país voltadas à produção de equipamentos para usinas de cana-de-açúcar. A maior parte do endividamento da empresa é tributário, portanto, não está sujeito à recuperação judicial. Mas, o pedido de falência feito por um credor pressionou a empresa a pedir proteção à Justiça.

Ao fim de 2014, a Dedini tinha R$ 853 milhões em impostos e contribuições a recolher em até 12 meses, ante R$ 715 milhões de um ano antes. Já a dívida bancária de curto prazo em 31 de dezembro de 2014 era de R$ 306 milhões, ante R$ 240 milhões de 31 de dezembro de 2013.

A companhia, com sede em Piracicaba (SP), registrou em 2014 um prejuízo líquido atribuível a controladores de R$ 370 milhões, ante a perda líquida de R$ 270 milhões registrada no ano anterior.

No despacho, feito ontem, o magistrado da segunda vara cível de Piracicaba solicita que sejam esclarecidos quais os correspondentes valores de investimentos realizados pela Dedini entre 2002 e 2010. Ainda, a arrecadação bruta e as despesas da empresa nos anos de 2008 até o momento.

Na avaliação do juiz, é preciso ainda que se esclareça o “porque da existência de diversos CNPJ's em nome da primeira autora, fato público e constante de ações em outras varas cíveis desta comarca”.

O juiz solicita também mais informações que expliquem se as autoras são realmente as únicas empresas que compõe o grupo Dedini. (Valor Econômico 28/08/2015 às 16h: 29m)

 

Demanda por etanol cresce e preocupa setor

Com preço mais atraente que o da gasolina, o etanol vem ganhando a preferência dos consumidores. De janeiro a maio, o volume comercializado do chamado etanol hidratado (o que é vendido nos postos de combustíveis) atingiu 6,9 bilhões de litros, 35% superior ao que foi registrado no mesmo período do ano passado. Outro exemplo dos bons resultados: em junho, as produtoras da região Centro-Sul, comercializaram no mercado interno 1,53 bilhão de litros - 51,76% a mais que em junho de 2014.

Quanto menor o preço do produto, maior a demanda. Em julho, a queda do valor do etanol foi de 1,55%, enquanto o da gasolina foi de 0,34%. A expectativa é que o consumo do combustível siga firme e absorva boa parte da cana desta safra, algo em torno de 590 milhões de toneladas, que ainda serão colhidas. Os produtores esperam uma colheita superior em 20 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior. Depois de quase sete anos de crise, as usinas de açúcar e álcool do País deveriam estar festejando a safra, mas não estão. O aumento do consumo vem preocupando o setor.

"Apesar do aumento na demanda, teremos um resultado pior que no ano passado", afirma Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA). De acordo com Rodrigues, o preço baixo do produto, aliado à necessidade de caixa das empresas, vai gerar um problema financeiro ainda maior. "O mercado tem excesso de oferta por falta de liquidez. No cenário de crise econômica, pelo menos o setor não tem problema de oferta - pelo contrário, ela ainda fica aquém da demanda", diz.

O grande problema, segundo Rodrigues, é a falta de financiamento para estocagem. O novo Plano Safra ainda não foi regulamentado. Sem linhas de crédito e capacidade de armazenamento do combustível para o período de entressafra, os produtores são obrigados a liberar o produto imediatamente - a preços menores que em janeiro deste ano. Em fevereiro, houve a volta da Contribuição para Intervenção do Domínio Econômico (Cide), taxa que elevou o preço da gasolina depois de um longo período de subvenção de preços pelo governo federal.

"Com alto custo logístico e pouco financiamento, como investir em estocagem, mecanismo que ajudaria a ter mais equilíbrio?", questiona Rodrigues. "Evidentemente que essa dificuldade aconteceria em qualquer cenário e, com certeza, seria pior se a gasolina não tivesse aumentado, mas é óbvio que lá na frente teremos redução na oferta e nos patamares dos preços - algo que não ajuda ninguém, porque já teremos vendido 80% da produção."

Além de crédito para investimentos em estocagem, falta ao setor previsibilidade na matriz de combustíveis e maior clareza na política de preços da gasolina. "Hoje temos subsídio cruzado, com o diesel 20% acima e a gasolina 10% abaixo do mercado global. O etanol é o combustível que menos polui o ambiente e, portanto, deveria integrar planejamento a longo prazo", diz Rodrigues. (Agência Estado 28/08/2015)

 

FCStone eleva projeção de moagem (592,2) e reduz de açúcar no centro-sul (31,3 mi t)

O centro-sul do Brasil, principal região produtora de cana do país, vai produzir menos açúcar que o esperado em 2015/16, de acordo com a consultoria e corretora INTL FCStone, que reduziu sua projeção para 31,3 milhões de toneladas.

Na projeção de maio, a FCStone estimava uma produção de 32,1 milhões de toneladas. Pelo dado da consultoria divulgado nesta sexta-feira, o maior produtor global de açúcar registrará recuo de 2,2 por cento na temporada 2015/16 ante a passada, com as usinas destinando mais cana para a fabricação de etanol.

O total de cana destinada para a produção do biocombustível na safra 2015/16 foi estimado pela corretora em 58,1 por cento, ante 57,3 por cento na projeção de maio. Na safra passada, o índice foi de 57 por cento, com o restante sendo direcionado ao açúcar.

Dessa forma, a produção de etanol foi estimada em 26,8 bilhões de litros, ante 26,4 bilhões em maio e 26,1 bilhões na temporada passada, segundo a FCStone, que elevou a projeção de moagem de cana em 1,6 por cento ante o número anterior, para 592,2 milhões de toneladas.

"Com chuvas acima do esperado em maio e julho, além daquelas que já haviam sido registradas em fevereiro e março, a expectativa de produtividade agrícola da maioria das usinas aumentou em relação às projeções feitas no primeiro semestre do ano", disse a consultoria, em relatório.

Segundo a FCStone, essa elevação da previsão de moagem se deve, além do maior TCH (toneladas de cana por hectare) previsto pelas usinas, às chuvas abaixo da média entre a segunda metade de julho e agosto, que permitiram moagem diária superior a 3,1 milhões de toneladas no período, nível recorde para o centro-sul.

Entretanto, as condições meteorológicas propícias do primeiro semestre, somadas à redução na taxa de renovação dos canaviais e ao menor uso de repressor floral levaram muitas áreas a apresentar taxas consideráveis de florescimento, contribuindo para a redução do ATR (Açúcar Total Recuperável) médio projetado, que ficou em 132,5 kg/tonelada de cana, uma queda de 3 por cento em relação à temporada passada. A FCStone projetava em maio 135,2 kg/t de ATR.

Com os preços do etanol competitivos frente à gasolina em várias regiões e muitas usinas em dificuldades financeiras vendendo o produto a valores relativamente baixos para fazer caixa, a expectativa é de estoques mais reduzidos ao final da safra.

"A baixa construção de estoques de etanol até o momento deve levar ao aumento das cotações no final da safra, oferecendo possibilidade de lucros significativos com o carrego do produto", disse Botelho, apontando que as empresas que têm condições de segurar vendas do biocombustível poderão se beneficiar mais tarde. (Reuters 28/08/2015)

 

Bioeletricidade aguarda preços remuneradores nos leilões do próximo ano

O setor de bioeletricidade espera que o baixo preço-teto definido para o último leilão A-3, realizado no dia 21/08, não se repita nos próximos certames previstos para acontecer em 2016. Neste último leilão A-3, o preço-teto foi estabelecido em R$ 218/MWh para a fonte biomassa, que concorreu com projetos de termelétricas a gás natural, e conseguiu comercializar apenas um projeto na oportunidade.

“Devemos evitar o retorno da política do stop and go, ou melhor, go and stop, isto é, melhorar as condições nos leilões e depois voltar tudo para trás”, avaliou o gerente em Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Zilmar de Souza, em sua apresentação no V Seminário CEISE Br/UNICA sobre Bioeletricidade, ocorrido no dia 26/08, durante a 23ª edição da Fenasucro & Agrocana, na cidade de Sertãozinho/SP.

Em 2012, o preço-teto nos leilões regulados ficou em R$ 112/MWh para a biomassa, que não vendeu nenhum projeto naquele ano. A partir de 2013, o Governo Federal começou a melhorar as condições para a fonte. Separou a biomassa da concorrência direta das eólicas e iniciou um processo de melhora do seu preço-teto.

Segundo Souza, o ano de 2012 foi o “fundo do poço” para a biomassa nos leilões. De lá para cá, teve início um processo de melhoria, no leilão A-5, de abril deste ano, o preço-teto chegou a R$ 281/MWh, mas caiu para R$ 218/MWh no último certame do dia 21/08.

Recentemente, o Governo Federal anunciou o Programa de Investimento em Energia Elétrica (PIEE), com a expectativa de investimentos para as fontes biomassa, eólica e solar, somando R$ 116 bilhões para a área de geração. Especificamente para a biomassa, consta que há oportunidades para contratação de até cinco mil MW de um total de até 31.500 MW, que devem ser firmados entre agosto de 2015 e dezembro de 2018.

Para estimular essa contratação, o programa sinaliza que o Governo Federal deverá, no mínimo, manter três leilões por ano até 2018 para as fontes renováveis em questão.

“De agosto de 2015 até 2018, consta que a biomassa tem projetos registrados na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) que totalizam 1.192 MW. São propostas que já estão prontas ou então saindo do papel. Isso quer dizer que para atingirmos a meta estabelecida pelo Governo, precisamos intensificar o investimento em mais de três MW e, para isto, será essencial ousar mais e continuar melhorando o preço-teto nos leilões regulados, sem retrocessos neste processo,” pondera o representante da UNICA.

O próximo leilão regulado em que a biomassa poderá participar já está agendado para 29 de janeiro de 2016. Será o Leilão A-5, que contratará energia de novos projetos para entrega a partir de 2021. As inscrições já estão abertas e vão até o próximo dia 9 de outubro. (Unica 28/08/2015)

 

Preço do petróleo só deve subir em 2018

Após um ano de quedas acentuadas na cotação internacional do barril de petróleo, a indústria não espera uma retomada dos preços antes de 2018. O barril abaixo de US$ 40, na terça-feira, sepultou as expectativas de uma situação conjuntural e levou as petroleiras a reverem projeções.

A Petrobras já adiou a abertura de capital da BR Distribuidora e não descarta suspender a venda de ativos este ano. A desvalorização acumulada de quase 48% das cotações do petróleo é definida como uma "mudança de paradigma" que provoca, além dos cortes de investimentos, uma queda brusca na arrecadação de impostos, agravando a crise dos municípios.

"Estamos vivendo o fim de um ciclo, e é difícil enxergar no nevoeiro da transição", avalia Jorge Camargo, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP). Segundo ele, a situação não é "transitória". "Poucas empresas estão trabalhando com a hipótese de aguentar firme que o preço vai voltar. Está se formando um consenso de que as variáveis mudaram. Empresas avaliam seus projetos para 2016 com valores na faixa de US$ 50 por barril."

Estudo publicado na segunda-feira pela US Energy Information Administration, órgão americano de análise do setor, indica que a produção global de óleo teve, em 2015, a maior alta média em 17 anos. Entre as razões estão o sucesso, nos EUA, da extração de petróleo de xisto, de alto impacto ambiental, e a retomada da produção do Iraque e do Irã, após acordo diplomático que retirou sanções econômicas impostas aos países.

"Nunca se produziu tanto petróleo e nunca houve tanto óleo estocado. Esse cenário deixa os preços a US$ 40 e em viés de baixa, o que exige muito cuidado para as empresas", avalia Lavinia Hollanda, coordenadora de pesquisa da FGV Energia. "Associado a uma tendência quase irreversível por uma demanda menor, o cenário deve permanecer no médio prazo."

Uma das mudanças já em curso é a atuação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que deixou de se preocupar com a fixação dos preços para priorizar seu nível de participação no mercado. A Arábia Saudita é uma das mais beneficiadas, com volumes de exportação acima de 5 milhões de barris por dia e custo de produção abaixo de US$ 25.

"Desde o ano passado, os sauditas sinalizam que não serão mais definidores de preço, mas querem manter o market share. Eles têm condição de fazer isso em função da vantagem competitiva pelo custo inferior de produção", explica Roberto Santos, sócio do Centro de Energia e Recursos Naturais da EY. (O Estado de São  Paulo 30/08/2015)

 

Manobra levou Delfim a ‘desistir’ de Dilma

CPMF. ‘Imposto direto’ deve ter prazo fixo, diz Delfim, ex-ministro disse que o ‘limite da tolerância’ com a presidente foi quando o governo transformou dívida pública em superávit primário.

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto disse nesta sexta-feira que o “limite de sua tolerância” com a presidente Dilma Rousseff foi quando o governo transformou a dívida pública em superávit primário. “Ali eu parei. Era inútil”, disse o ex-ministro ao ser questionado, durante um debate no 7.º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais da BM&FBovespa, em Campos do Jordão, sobre o que teria feito a presidente perder o seu apoio.

Perguntado sobre o por que de ter mudado de opinião a respeito do governo, após ter sido consultor econômico da presidente, Delfim respondeu com ironia: “Você acredita no que escreve a imprensa?” O economista acrescentou que desde dezembro de 2012 tem escrito artigos criticando a condução da política econômica da presidente.

Delfim disse também acreditar que, se o governo está disposto a enviar a proposta que resgata a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) ao Congresso é porque já existe um arranjo político para aprová-la. “Existe um arranjo para passar essa proposta”, disse.

Para o ex-ministro, a cobrança da CPMF deve ser aprovada porque agora não se trata mais de uma contribuição, mas de um imposto que será dividido com os governadores e prefeitos. “Não é mais uma contribuição. Trata-se de um imposto”, disse o ex-ministro da Fazenda. No entanto, Delfim disse achar que a CPMF deveria ser um imposto direto, com prazo fixo de duração e que sua criação fosse condicionada, como contrapartida, a um corte de gastos públicos na mesma proporção do aumento do imposto.

Câmbio

De acordo com Delfim, ao longo dos últimos 20 anos o Brasil “roubou” da indústria nacional cerca de US$ 412 bilhões por causa do câmbio. Segundo ele, a taxa de câmbio valorizada dificultou que a indústria brasileira tivesse competitividade para exportar e provocou, ainda, uma maior entrada de produtos importados no País. “O câmbio não é tudo, mas o câmbio e suas circunstâncias são bastante coisa”, disse.

Delfim disse que no passado havia um crescimento “mais ou menos uniforme” entre o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria, serviços e agricultura, mas que a partir dos anos de 1985 e 1986 começou a ser notado um distanciamento.

“A indústria murchou”, disse o ex-ministro. Segundo ele, o uso do câmbio é uma das razões, assim, para a queda da produção industrial.

“Com a valorização da moeda a partir de 2006 e 2007, houve uma separação muito grande entre a indústria e o PIB, com a demanda sendo suprida pela importação. Foi um problema de avaliação. O governo achava que faltava demanda, mas o que estava faltando era demanda para a indústria nacional”, afirmou Delfim. (O Estado de São Paulo 29/08/2015)

 

Jogo de gente grande - Por Arnaldo Luiz Corrêa

A semana começou com o cenário macroeconômico extremamente deteriorado seguindo os sinais de recrudescimento da economia chinesa provocando uma liquidação maciça dos ativos financeiros globais, do mercado de energia e das commodities entre as quais o açúcar, que negociou nas mínimas dos contratos. O que parecia ser o final dos tempos, o apocalipse, acabou sendo adiado. O mercado reagiu e no acumulado da semana as commodities tiveram um desempenho bom, com petróleo subindo quase 12%, açúcar uns 5% e grãos 1-2%. Resta saber se a reação veio para ficar ou é apenas uma correção do que tinha caído demais.

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a sexta-feira com o vencimento outubro/2015 cotado a 10.97 centavos de dólar por libra-peso, uma apreciação de 12 dólares por tonelada na semana. Mas, o que mais surpreendeu ao mercado foi o estreitamento prematuro do spread outubro/março, tantas vezes mencionado aqui pela inacreditável taxa de carregamento apresentada, que chegou a negociar a 160 pontos há apenas dois meses, diminuindo a taxa atualizada para 23% comparativamente à 28% negociada há uma semana. Estreitamento prematuro, porque normalmente ele se daria mais no início do último mês de negociação, ou seja, dentro de uma ou duas semanas. Por que será que ocorreu agora?

O mercado deve ter percebido que a curva do real ao longo de 2016, refletindo a desvalorização da moeda no mercado à vista mais o carregamento financeiro, faz com que os valores negociados na curva de preço do açúcar em NY, convertidos em reais, tornam-se extremamente vantajosos para as usinas bem capitalizadas. O spread, tão largo quanto 160 pontos, incentivou a colocação do hedge de venda no vencimento março. Esse volume vai fazer falta no vencimento de outubro quando os fundos que estão vendidos neste mês iniciarem a rolagem para o março. A sua contrapartida (os comerciais) não tem nada para vender ali (pois fizeram suas vendas no março), dessa forma o estreitamento do spread pode ocorrer com mais força. Conjecturas, conjecturas...

Muitas usinas com capacidade financeira, de armazenagem e visão estratégica perceberam isso há algum tempo e ou rolaram seus hedges de outubro para março ou simplesmente o fizeram no próprio março. Preferiram deixar que o mercado carregasse seu produto até o final da safra, aproveitando a curva do real e de NY e liquidando um valor em reais por tonelada altamente competitivo. Só mesmo um spread bem estreito poderá incentivá-las a sair dessa posição e disponibilizar o açúcar mais cedo. Minha aposta seria um spread de 75 pontos em diante para trazer o hedge de março para outubro.

Enquanto isso, do outro lado do planeta, a trading asiática responsável pelos últimos abundantes recebimentos de açúcar entregues no contrato futuro de NY pode repetir a estratégia e tornar-se possuidora de um estoque estratégico de açúcar para o período de entressafra no Centro-Sul com todas as incertezas que pairam sobre a safra 2016/2017. Não é jogo de meninos.

No entanto, câmbio e cenário macro podem pressionar as cotações no outubro. Veja, por exemplo, que o volume em aberto das puts (opções de venda) de outubro, cujo vencimento ocorre dia 15/9 com preço de exercício próximos ao mercado, somam mais de 42.000 lotes. Se essas puts (opções de venda) forem indesejadas por aqueles que as venderam em busca apenas de embolsar time-value, a pressão de venda nos futuros para corrigir o delta hedging pode ser desastrosa.

Chegamos no fundo do poço em termos de preço? Pode ser que ainda não. Luzes amarelas vindas do câmbio e macro vão continuar ofuscando nossos olhos. Preço do petróleo abaixo de 35 dólares por barril pesa na relação gasolina-etanol. Fixações de última hora de usinas que possuem restrições de crédito por parte das tradings podem distorcer as cotações do outubro. O caso das puts mencionado acima, também.

Benjamin Graham (1894-1976), economista inglês naturalizado americano e guru de ninguém menos que Warren Buffett, dizia que o mercado (de ações) é maníaco depressivo e, portanto, exagera na alta e na baixa. Pode ser que o mercado (de commodities e, em particular, o de açúcar) esteja nessa toada também.

No longo prazo, diga-se 2016/2017, acreditamos que a curva de preços vai refletir uma produção de cana estagnada por parte do Centro-Sul, cada vez mais incapaz de atender a demanda potencial interna de combustíveis e na manutenção de um mercado consumidor de açúcar mundial. É o que temos falado em palestras: mantido o market share do Brasil como fornecedor de açúcar para o mercado mundial e assumindo que o consumo de etanol pela frota brasileira de veículos leves fique estagnado em 35% (hoje é mais que isso), em 2020 ou teremos que contar com pelo menos mais 100 milhões de tonelada de cana de produção nova ou teremos que importar gasolina ou etanol de milho.

Esta é apenas uma pequena amostra do que a incompetência de um governo medíocre sem planejamento, sem direção, sem foco pode fazer para um setor da importância que tem o sucroalcooleiro. Mas isso, é outra história (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Documentos secretos mostram como Lula intermediou negócios em Cuba

A reportagem obteve arquivos sigilosos em que burocratas descrevem as condições camaradas dos empréstimos do BNDES à empreiteira.

No dia 31 de maio de 2011, meses após deixar o Palácio do Planalto, o petista Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Cuba pela primeira vez como ex-presidente, ao lado de José Dirceu. O presidente Raúl Castro, autoridade máxima da ditadura cubana desde que seu irmão Fidel vergara-se à velhice, recebeu Lula efusivamente. O ex-presidente estava entre companheiros. Em seus dois mandatos, Lula, com ajuda de Dirceu, fizera de tudo para aproximar o Brasil de Cuba, um esforço diplomático e, sobretudo, comercial. Com dinheiro público do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, o Brasil passara a investir centenas de milhões de dólares nas obras do Porto de Mariel, tocadas pela Odebrecht. Um mês antes da visita, Lula começara a receber dinheiro da empreiteira para dar palestras e apenas palestras, segundo mantém até hoje.

Naquele dia, porém, Lula pousava em Havana não somente como ex-presidente. Pousava como lobista informal da Odebrecht. Pousava como o único homem que detinha aquilo que a empreiteira brasileira mais precisava naquele momento: acesso privilegiado tanto ao governo de sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff, quanto no governo dos irmãos Castro. Somente o uso desse acesso poderia assegurar os lucrativos negócios da Odebrecht em Cuba. Para que o dinheiro do BNDES continuasse irrigando as obras da empreiteira, era preciso mover as canetas certas no Brasil e em Cuba.

A visita de Lula aos irmãos Castro, naquele dia 31 de maio de 2011, é de conhecimento público. O que eles conversaram, não e, se dependesse do governo de Dilma Rousseff, permaneceria em sigilo até 2029. Nas últimas semanas, contudo, ÉPOCA investigou os bastidores da atuação de Lula como lobista da Odebrecht em Havana, o país em que a empreiteira faturou US$ 898 milhões, o correspondente a 98% dos financiamentos do BNDES em Cuba. A reportagem obteve telegramas secretos do Itamaraty, cujos diplomatas acompanhavam boa parte das conversas reservadas do ex-presidente em Havana, e documentos confidenciais do governo brasileiro, em que burocratas descrevem as condições camaradas dos empréstimos do BNDES às obras da Odebrecht em Cuba. A papelada, e entrevistas reservadas com fontes envolvidas, confirma que, sim, Lula intermediou negócios para a Odebrecht em Cuba. E demonstra, em detalhes, como Lula fez isso: usava até o nome da presidente Dilma. Chegava a discutir, em reuniões com executivos da Odebrecht e Raúl Castro, minúcias dos projetos da empreiteira em Cuba, como os tipos de garantia que poderiam ser aceitas pelo BNDES para investir nas obras.

Parte expressiva dos documentos obtidos com exclusividade por ÉPOCA foi classificada como secreta pelo governo Dilma. Isso significa que só viriam a público em 15 anos. A maioria deles, porém, foi entregue ao Ministério Público Federal, em inquéritos em que se apuram irregularidades nos financiamentos do BNDES às obras em Mariel. Num outro inquérito, revelado por ÉPOCA em abril, Lula é investigado pelos procuradores pela suspeita de ter praticado o crime de tráfico de influência internacional (Artigos 332 e 337 do Código Penal), ao usar seu prestígio para unir BNDES, governos amigos na América Latina e na África e projetos de interesse da Odebrecht. Sempre que Lula se encontrava com um presidente amigo, a Odebrecht obtinha mais dinheiro do BNDES para obras contratadas pelo governo visitado pelo petista. O MPF investiga se a sincronia de pagamentos é coincidência, ou obra da influência de Lula. Na ocasião, por meio do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, o ex-presidente negou que suas viagens fossem lobby em favor da Odebrecht e que prestasse consultoria à empresa. Segundo Lula, suas palestras tinham como objetivo “cooperar para o desenvolvimento da África e apoiar a integração latino-americana”. (Revista Época 30/08/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Perdas em NY: Os contratos futuros do café arábica cederam na bolsa de Nova York na sexta-feira refletindo a alta do dólar. Os lotes para dezembro recuaram 50 pontos, a US$ 1,2405 a libra-peso. A moeda americana subiu em relação ao real diante de fatores externos e domésticos, o que estimula as exportações brasileiras de café. Ao longo da semana, as cotações passaram por forte volatilidade por causa das incertezas com relação à China e acumularam uma queda de 240 pontos. O banco ABN Amro indicou, em nota, que os fundamentos favorecem preços mais elevados por causa "de [projeções de] oferta doméstica menor do que o esperado" anteriormente no Brasil. No mercado doméstico, o café de boa qualidade oscilou entre R$ 460 e R$ 480 a saca de 60,5 quilos, de acordo com o Escritório Carvalhaes.

Suco de laranja: Erika, a tempestade: O avanço da tempestade tropical Erika pelo Caribe rumo à Flórida aumentou as preocupações dos investidores do mercado de suco de laranja. Os lotes do suco concentrado e congelado para novembro subiram 360 pontos, a US$ 1,2995 a libra-peso. Na sexta-feira, a tempestade já havia alcançado a República Dominicana e provocado mortes. As projeções do Centro Nacional de Furacões dos EUA indicavam que o sistema movia-se para oeste, para as Bahamas. Acredita-se que a tempestade pode alcançar a Flórida nesta semana, e o governo do Estado já decretou estado de emergência. Teme-se que os ventos prejudiquem os pomares citrícolas da região, como já ocorreu no passado. No mercado interno, o preço da caixa de 40,8 quilos de laranja apurado pelo Cepea/Esalq permaneceu em R$ 11,94.

Soja: Pregão volátil: As negociações com soja no mercado futuro foram tão voláteis quanto a de outros ativos financeiros nos mercados globais na sexta-feira, e recompras técnicas asseguraram uma elevação na bolsa de Chicago. Os contratos para novembro subiram 6,5 centavos, a US$ 8,855 o bushel. Os investidores seguem cautelosos diante das incertezas com a economia da China e o momento de início da alta dos juros nos Estados Unidos. A alta do petróleo ajudou na recuperação das posições no mercado da soja. As lavouras americanas do oeste e norte do Meio- Oeste devem receber chuvas, mas o leste e o sul do cinturão seguem sem umidade, indicou a agência de meteorologia DTN. Na Bahia, a soja ficou em R$ 66,50 a saca, segundo a Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Trigo: Quarta queda: Os preços do trigo perderam terreno nas bolsas americanas na sexta-feira, na quarta desvalorização consecutiva. Em Chicago, os lotes para dezembro caíram 6 centavos, a US$ 4,8375 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual prazo de entrega recuaram 4,75 centavos, a US$ 4,835 o bushel. O dólar subiu em relação a outras moedas na sexta, o que reduz a já abatida competitividade do produto americano no mercado internacional. O Dollar Index avançou 0,4%. O trigo dos EUA tem perdido mercado para o cereal ofertado pela Europa, principalmente França, Rússia e Ucrânia, onde as colheitas têm sido maiores que o esperado. No mercado doméstico, o preço do trigo apurado pela Corretora Mercado subiu 1,6%, para R$ 635 a tonelada. (Valor Econômico 31/08/2015)