Setor sucroenergético

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Bancos acionam Renuka na Justiça

Sem perspectivas de encontrar uma saída para o elevado endividamento da sucroalcooleira Renuka do Brasil, os credores da empresa partiram para a ofensiva. Os bancos Bradesco e Itaú entraram na Justiça com pedido de arresto de produtos (etanol e açúcar) e canaviais dados como garantia de empréstimos.

Juntos, os dois bancos informaram terem uma dívida já vencida de R$ 40,8 milhões. Ambas foram contraídas a partir da emissão de Cédula de Crédito Bancário (CCB) e venceram em 23 de janeiro deste ano, dois anos após serem contratadas, conforme informaram à Justiça.

A decisão de conceder o arresto foi dada em 17 de agosto pelo juiz Luiz Fernando Silva Oliveira, da 19ª vara cível de São Paulo. No despacho, ele diz ter considerado, entre outros argumentos, as evidências, apontadas pelos credores, de que a controladora da empresa estaria "esvaziando financeiramente a companhia brasileira" por meio da exportação de açúcar para os próprios acionistas fora do Brasil, em condições inferiores às de mercado. Procurada, a Shree Renuka Sugars se limitou a comentar que as informações sobre a ação de arresto são públicas.

Subsidiária da indiana Shree Renuka Sugars, que tem como sócio a Wilmar International, a Renuka do Brasil tem duas usinas em São Paulo, e apresentava ao fim da safra 2014/15, em 31 de março, uma dívida bancária de R$ 1,741 bilhão, superior à receita de R$ 1,035 bilhão obtida no mesmo período.

Conforme fontes familiarizadas com o tema, há mais de dois meses os bancos credores e os representantes da Renuka não sentam para negociar. Segundo essas fontes, outros credores tendem a acionar as garantias dadas pela empresa na Justiça.

O elevado endividamento da Renuka do Brasil remonta ainda à época em que a indiana comprou o controle desses ativos, em 2009, do grupo Equipav. Mas, havia a expectativa de que um bom desempenho operacional pudesse gerar recursos para reduzir endividamento, o que não ocorreu. As usinas vêm de sucessivas safras de intempéries e ociosidade elevada. A má gestão do negócio também teria contribuído para agravar a situação, dizem fontes.

O último acordo da Renuka com bancos foi costurado em 2014, de um desconto de 50% da dívida para pagamento à vista, o que seria feito com o suporte financeiro de um investidor estratégico. Mas o controlador da Renuka, o indiano Narendra Murkumbi, não teria chegado a um acordo com esse investidor.

No mercado ainda circulam rumores de que a empresa poderia pedir recuperação judicial para se proteger dessas ações de credores. No entanto, conforme apurou o Valor, a idéia ainda encontra resistências, pois o controlador tem créditos (empréstimos 'mútuos" e adiantamento para futuro aumento de capital) que somam R$ 513 milhões e uma recuperação judicial dificultaria o recebimento desse montante. (Valor Econômico 01/09/2015)

 

Ganho com dólar alto está com os dias contados

O produtor brasileiro de soja ainda não sentiu no bolso os efeitos da crise internacional de preços das commodities. A balança comercial, no entanto, já sente esse efeito.

Em julho do ano passado, a tonelada da oleaginosa era negociada a US$ 529 no porto de Paranaguá. Após contínua queda dos preços na Bolsa de Chicago, principal local de formação de preço da commodity, a tonelada recuou para US$ 395 em julho deste ano no mesmo porto.Já no mercado interno, a saca, que era negociada a R$ 67 em Maringá (PR) em julho de 2014, aumentou para R$ 69 em igual mês deste ano, conforme dados da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

A próxima safra, no entanto, pode trazer um cenário diferente para o produtor brasileiro, que paga mais pelos insumos -boa parte deles negociada em dólar.

No próximo ano, as benesses da valorização do dólar sobre os preços de vendas, em reais, deverão desaparecer. Ou, pelo menos, não ter a mesma intensidade do cenário atual.

O produtor norte-americano vive situação contrária à do brasileiro. O preço médio da soja recuou para US$ 9,96 por bushel (27,2quilos) em julho, 24% menos do que recebia em igual período de 2014.

O mesmo ocorre com o milho, cujo valor médio teve queda de 6% no período, recuando para US$ 3,80 por bushel (25,4 quilos).

Outra divergência entre os dois mercados são os custos. Enquanto o dólar vem salgando os preços dos produtos utilizados pelos produtores brasileiros nesta nova safra, a 2015/16, os norte-americanos pagam menos pelos insumos.

Os custos de produção recuaram 4% nos Estados Unidos nos últimos 12 meses terminados em julho.

Os norte-americanos têm alívio nos preços dos combustíveis, que estão 35% mais baratos para os produtores, o que não ocorre no Brasil.

Eles se beneficiam, ainda, da redução internacional dos preços de fertilizantes e de produtos químicos. Desta vez, o dólar funciona do lado deles.

A queda do adubo é de 6% para os norte-americanos, enquanto os produtos químicos caem 3% em 12 meses.

O principal setor a ser beneficiado é o de proteínas. Devido à queda não só desses itens, mas também dos preços dos grãos. Os custos do setor já caíram 5% em um ano. (Folha de São Paulo 01/09/2015)

 

Valor do ATR

Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado do Paraná (Consecana-PR) divulgou, na última sexta-feira (28), os dados referentes ao ATR para o mês de agosto/2015. De acordo com os números, o ATR projetado para o mês de agosto subiu 0,98%, passando de R$ 0,4864 em julho para R$ 0,4912 neste mês.

O ATR acumulado fechou com alta de 0,84% em relação ao mês passado, cotado em R$ 0,4874 o quilo contra R$ 0,4833 do mês de julho. O ATR mensal teve valorização de 4,47%, cotado a R$ 0,5000 contra R$ 0,4786 do mês anterior.

Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo fecharam em R$ 53,64 a tonelada, alta de 0,99% ante os R$ 53,11 a tonelada no mês passado. A cana esteira subiu: 0,97%. Ela foi negociada a R$ 59,91 a tonelada contra os R$ 59,33.

Já para o ATR do Estado de São Paulo, o valor do ATR referente ao mês de ago-15 ficou em R$ 0,4731 / kg / ATR e o valor acumulado de abr-15 a ago-15 ficou em R$ 0,4741 / kg / ATR. (EFE 01/09/2015)

 

Açúcar: Gangorra com dólar

Os contratos do açúcar recuaram ontem na bolsa de Nova York diante do fortalecimento do dólar em relação ao real.

Os papéis do açúcar demerara para março de 2016 caíram 19 pontos, a 11,77 centavos de dólar a libra-peso.

O dólar alcançou ontem seu maior valor ante o real em 12 anos devido às incertezas em relação à China e à perspectiva de início de alta dos juros nos EUA ainda neste ano.

O cenário foi agravado pela expectativa de déficit fiscal no Brasil em 2016.

Os traders esperam que o clima quente e seco previsto para esta semana no Centro-Sul do Brasil permita um forte avanço da moagem de cana, aumentando a disponibilidade interna da commodity.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve queda de 0,28% ontem, para R$ 47,12 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 01/09/2015)

 

AGE aprova readequação de capital entre Raízen Energia e Combustíveis

A Raízen Energia, joint venture entre Shell e Cosan, comunicou nesta segunda-feira, 31, que a Assembleia-Geral Extraordinária (AGE) aprovou uma "readequação da estrutura de capital" entre a Raízen Energia e sua coligada, a Raízen Combustíveis, sem alteração do endividamento líquido do grupo Raízen ou da posição final de caixa de cada uma das empresas.

Conforme o decidido pela AGE, haverá um aumento de R$ 1,5 bilhão no capital, para R$ 6,516 bilhões, mediante a emissão de mais de 1,34 bilhão de ações ordinárias, todas nominativas, sem valor nominal, ao preço unitário de emissão de R$ 1,118. Tal aumento será totalmente subscrito em partes iguais pelas acionistas Shell e Cosan e integralizado até 31 de outubro.

De acordo com a Raízen, as operações resultam em uma redução do endividamento líquido da Raízen Energia no valor de R$ 1,5 bilhão e em aumento do endividamento líquido da Raízen Combustíveis no mesmo valor. "As operações têm como contrapartida a transferência de instrumentos de dívida, portanto sem alterar a posição final de caixa das duas empresas", informa a companhia, em comunicado (Agência Estado, 31/8/15)

 

BNDES libera R$ 2 bi para estocagem de etanol

Uma linha de crédito de 2 bilhões de reais do BNDES para que usinas de cana possam financiar a estocagem de etanol para uso na entressafra estará disponível nas agências de bancos comerciais a partir de terça-feira, mas as condições de financiamento estão mais duras do que as registradas no ano passado, quando todo o volume de recursos foi tomado.

O BNDES espera que a linha seja suficiente para estocagem de até 1,4 bilhão de litros de etanol, disse uma fonte da instituição à Reuters nesta segunda-feira. Em comunicado, o banco confirmou a informação posteriormente.

A linha de financiamento de estocagem de etanol do BNDES é considerada importante para auxiliar usinas a manter estoques do produto na entressafra, principalmente do tipo anidro, que é misturado à gasolina.

Nos últimos dias, executivos de companhias do setor sucroalcooleiro reclamaram da demora na liberação dos recursos por parte do banco, já que a safra já se encaminha para a sua parte final --iniciou oficialmente em abril e termina em dezembro, na maior parte das empresas.

A linha chega com mudanças em comparação à que foi aprovada em 2014 e que foi toda utilizada, principalmente nos juros.

Em 2014, os recursos eram corrigidos pela TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), mais 1 por cento ao ano e a remuneração da instituição financeira credenciada, de 1,7 por cento ao ano.

Em 2015, a linha terá custo financeiro misto, com 25 por cento baseado em TJLP e 75 por cento em referenciais de mercado, acrescido de 1,775 por cento ao ano para o BNDES e da remuneração da instituição financeira, que será negociada livremente entre o cliente e o banco repassador do crédito.

O limite de financiamento é de 500 milhões de reais ou 20 por cento da receita operacional bruta (ROB).

O consumo de etanol subiu fortemente no Brasil neste ano. Em julho apenas o uso do tipo hidratado (utilizado nos carros flex) ficou 55 por cento acima de igual mês do ano passado, atingindo maior volume mensal da história, em 1,55 bilhão de litros. (Reuters 31/08/2015)

 

Secretário da Agricultura defende projeto para superar a crise

Na semana em que foi anunciada uma estimativa de retração do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) em mais de 2%, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, defendeu um “projeto de nação” para não apenas a agropecuária paulista, mas todo o Brasil, superar a crise atual. Para o secretário, São Paulo deve ter um papel definido neste novo projeto, espalhando seus bons exemplos de tecnologia e produtividade no campo para todo o País.

Ministrando a palestra “Perspectivas e Oportunidades no Agronegócio”, no encontro do grupo de líderes empresariais Lide dentro da programação da Fenasucro & Agrocana 2015, em Sertãozinho, o secretário ressaltou que quando não há um projeto de país, surge a multiplicação das demandas setoriais, mais isoladas, solicitações localizadas da sociedade. Isso faz com que as prioridades se percam, com uma consequente falta de rumo para as ações do Governo Federal.

Atitudes como “o artificialismo na economia e esse controle do preço do combustível que sacrificou o setor da cana”, são negativas. Uma retomada econômica, segundo o secretário, só é possível se houver previsibilidade para os investidores, quando a visão sobre o interesse público estiver acima dos interesses particulares. “Como sempre ressalta o governador Geraldo Alckmin, o Brasil se tornou um país caro antes mesmo de ser rico. Fomos constituindo premissas e acumulando responsabilidades”, apontou Arnaldo Jardim.

Para ele, o momento crítico deve ser usado como aprendizado para o futuro, deixar lições para a sociedade começar a construir um novo projeto de nação. O Estado de São Paulo tem papel definitivo nessa recuperação econômica, tendo como alguns dos muitos bons exemplos os títulos de maior produtor de cana do País, com 58,3% da produção nacional.

A contribuição paulista também pode ser dada por meio de tecnologias inovadoras como as Mudas Pré-Brotadas (MPB) desenvolvidas pelo Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC) da Secretaria, aumentando em 20 vezes a produtividade. O secretário apontou o território paulista como centro da produção do conhecimento agropecuário, referência na construção dessa tecnologia necessária para agregar valor à produção e aumentar produtividade para sair da crise.

Mas o momento é de otimismo e Arnaldo Jardim acredita que “o Brasil tem muitos desafios, mas um mundo de oportunidades”, como o encontro dos principais produtores de equipamentos e insumos com os produtores de cana da região de Sertãozinho durante a Fenasucro & Agrocana. “Chega de falar de crise. Sempre ouvimos falar de empresas que crescem na crise, que sejam as nossas”, defendeu Fábio Fernandes, presidente do Lide Ribeirão.

Avançando

No primeiro evento da parceria entre Lide e Fenasucro, Arnaldo Jardim destacou que o momento de crise “para as pessoas que estão aqui é a hora de ir além”. Uma recuperação que inclui também as mulheres, representadas no evento por Cláudia Tonielo, presidente do Lide Agronegócio Mulher, se formando na região de Sertãozinho para, segundo ela, “ser uma frente feminina, não feminista, para termos força no setor”.

Uma retomada acompanhada também pelos Estados Unidos, com cobertura do jornal “The Wall Street Journal”. Correspondente do diário enviado a Sertãozinho para acompanhar a programação sobre cana, o jornalista Jeffrey Lewis contou que o mundo todo espera uma recuperação do Brasil. “Com a crise do açúcar e o crescimento do etanol, o Brasil vira foco. Torcemos para o País se recuperar”, disse.

Com 100 horas de cursos técnicos e empregando cinco mil pessoas direta e indiretamente, a Fenasucro & Agrocana 2015 não apenas movimentou a economia local, mas também foi momento de dar fôlego e ânimo para o setor sucroenergético voltar a sua plena capacidade produtiva. “Em um momento de crise não só no setor, mas na economia como um todo, a Fenasucro dá uma esperança para nós”, concluiu Antônio Tonielo Filho, presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético (Ceise). (Brasil Agro 01/09/2015)

 

Demanda impede queda maior de preço de etanol em agosto, informa Cepea

A demanda aquecida por etanol hidratado em agosto contrabalançou a pressão que o avanço da colheita da cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil exerceu sobre os preços ao longo do mês.

Conforme cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), a cotação cedeu apenas 0,2%, para R$ 1,1769 o litro, ante queda de 1,8% do anidro, biocombustível misturado em 27% à gasolina.

Os preços, para produto retirado na usina paulista, não incluem impostos. Para setembro a expectativa é de preços "um pouco" mais firmes em relação aos de agosto, "refletindo a ausência de algumas usinas no spot e os possíveis efeitos climáticos do El Niño (mais chuvas, o que atrapalha a colheita)".

Na média de agosto, o ajuste do contrato para setembro de 2015 do etanol hidratado na BM&FBovespa foi de R$ 1.172,00 por metro cúbico, 6% acima da média praticada no mercado físico no período, de R$ 1.105,50 por metro cúbico.

Em relação a agosto, o Cepea aponta que também foram fatores de pressão sobre os preços a maior oferta pelas usinas - algumas das quais tiveram de "fazer caixa" - e o menor interesse de compra por parte de distribuidoras abastecidas. "Por outro lado, o maior volume negociado para o mercado externo amenizou a pressão sobre o valor doméstico", ponderou o centro de estudos em relatório distribuído nesta segunda-feira, 31, ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

Principal associação do setor sucroenergético, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) informou recentemente que a moagem de cana na primeira quinzena de agosto saltou 6% ante à observada em igual período do ano passado, para 47,40 milhões de toneladas.

A fabricação de etanol total (anidro mais hidratado) aumentou na mesma proporção, para 2,16 bilhões de litros. Nos postos, o etanol hidratado mantém vantagem sobre a gasolina em seis Estados brasileiros há 31 semanas. São eles: São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). (Cepea / Esalq 31/08/2015)

 

Exportação de açúcar volta ser mais vantajosa do que venda interna

As exportações de açúcar voltaram a remunerar mais do que a comercialização interna, após seis meses de desvantagem. De acordo com cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), de 24 a 28 de agosto os embarques renderam 4,68% mais que as vendas no spot paulista, praça de referência para o País.

Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 47,07/saca de 50 kg, as cotações do contrato com vencimento em outubro na Bolsa de Nova York equivaleriam a R$ 49,27/saca.

"O prêmio de qualidade do açúcar cristal Icumsa 150 para exportação seguiu firme e as cotações do demerara voltaram a subir na Bolsa de Nova York", explicou o centro de estudos, em relatório enviado ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. "Além disso, a valorização de 3% do dólar frente ao real no comparativo das duas últimas semanas também reforçou a retomada da vantagem das exportações."

Ainda de acordo com o Cepea, o açúcar cristal remunerou 24% mais do que o etanol anidro e 31% mais do que o hidratado na semana passada. Comparando-se os dois tipos de etanol, o anidro remunerou 6% mais que o hidratado. (Agência Estado 31/08/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Gangorra com dólar: Os contratos do açúcar recuaram ontem na bolsa de Nova York diante do fortalecimento do dólar em relação ao real. Os papéis do açúcar demerara para março de 2016 caíram 19 pontos, a 11,77 centavos de dólar a libra-peso. O dólar alcançou ontem seu maior valor ante o real em 12 anos devido às incertezas em relação à China e à perspectiva de início de alta dos juros nos EUA ainda neste ano. O cenário foi agravado pela expectativa de déficit fiscal no Brasil em 2016. Os traders esperam que o clima quente e seco previsto para esta semana no Centro-Sul do Brasil permita um forte avanço da moagem de cana, aumentando a disponibilidade interna da commodity. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve queda de 0,28% ontem, para R$ 47,12 a saca de 50 quilos.

Café: Volatilidade em NY: O café sofreu forte volatilidade ontem na bolsa de Nova York, refletindo as incertezas quanto à safra 2016/17 do Brasil e nos mercados financeiros globais. Os lotes para dezembro subiram 25 pontos, a US$ 1,243 a libra-peso. As previsões climáticas para esta semana indicam tempo quente e seco no Sudeste, o que deve segurar as floradas por ora. Em relatório, a Archer Consulting avalia que, se as chuvas forem "normais e regulares nos próximos dois meses, devem induzir uma boa florada". O dólar em alta limitou os ganhos na bolsa. O Conselho Nacional do Café (CNC) estimou à Reuters que o estoque de passagem na safra 2015/16 deve ser de 6 milhões de sacas, o menor da história. No mercado interno, o café de boa qualidade oscilou entre R$ 470 e R$ 490 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Aperto menor: As cotações do cacau fecharam no campo negativo ontem na bolsa de Nova York, pressionadas pela previsão de um déficit menor que o estimado anteriormente para a safra 2014/15. Os lotes para dezembro caíram US$ 13, a US$ 3.099 a tonelada. Na sexta­feira, a Organização Internacional do Cacau cortou sua projeção de déficit para 15 mil toneladas, resultado de uma expectativa mais pessimista para a demanda (33 mil toneladas a menos), apesar da estimativa para a colheita também ter sido reduzida (10 mil toneladas a menos). A elevação do dólar perante outras moedas, inclusive ao euro, também pressiona a commodity ao desestimular a demanda da região, indicou o Zaner Group. Em Ilhéus e Itabuna, o preço médio subiu R$ 1,90, para R$ 126,25 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Depois da tempestade A perda de força da tempestade Erika no domingo reduziu os temores de prejuízos para os pomares da Flórida, abrindo espaço para a queda dos futuros de suco de laranja ontem na bolsa de Nova York. Os contratos do suco concentrado e congelado para novembro caíram 90 pontos, a US$ 1,2905 a libra­peso. Segundo o centro Weather Forecast, permanece uma umidade que deve provocar "chuvas pesadas localizadas no sudeste dos EUA, inclusive na Flórida". Como a tempestade perdeu força e só deve provocar chuvas, a expectativa é que os pomares até se beneficiem da umidade, avaliou Jack Scoville, analista da Price Futures Group, em comentário diário. No mercado doméstico, o preço da laranja à indústria permaneceu estável em R$ 11,94 a caixa de 40,8 quilos. (Valor Econômico 01/09/2015)